terça-feira, 22 de abril de 2014

O PT no Poder !

                                           
          A atitude do Partido dos Trabalhadores no que tange à C.P.I. da Petrobrás reflete o desespero diante da possibilidade de que essa Comissão parlamentar descubra qualquer coisa acerca da maior empresa brasileira com potencial ainda mais desestabilizador.
          Não há dúvida de que é essa também a avaliação de Dilma Rousseff e do próprio Lula da Silva. Quanto mais se saiba sobre como o PT-governo tratou a Petrobrás, pior será tanto para a imagem do patriarca Lula, quanto para a Primeira Ministra Dilma, outra das invenções de Nosso Guia para dar credibilidade à sua chefe de gabinete como estadista.

          A análise a tal propósito de Ricardo Noblat tira qualquer dúvida a respeito dos porquês dessa tática petista de engavetar ou pulverizar um eventual trabalho sério de uma CPI. Para quem tem de esconder tanta coisa, compreendem-se as táticas dilatórias empregadas pelo PT situacionista.
          Será bom lembrar que foi sob Lula da Silva que se comprou uma refinaria já carcomida, um verdadeiro elefante branco no estaleiro ? Além disso, como frisa Noblat, “é grande o desconforto de Lula e Dilma com a exposição pública de mazelas da Petrobrás.”  O aparelhamento da função pública nos dois mandatos de Lula atingiu em cheio  a Petróleo Brasileiro S.A., com o loteamento político de cargos na empresa, não esquecida de resto a precedência dos velhos companheiros petistas.

          Quanto a Dilma, será bom recordar que o caso Pasadena atingiu e muito a sua imagem de notável gestora, como aproveitou a Lula divulgar, para justificar-lhe a precedência sobre outros militantes partidários, com maior experiência na matéria ? Que a presidenta saia do sério quando Pasadena venha a lume, o episódio do bilhete manuscrito para os jornalistas do Estadão, em que ela trouxe a crise para dentro do gabinete presidencial, já o demonstrou e de modo escrachante.
          Agora os petistas torcem para que a Ministra Rosa Weber faça um agrado ao poder, e deixe para o próprio Congresso o encargo de decidir sobre o formato da CPI da Petrobrás. Essa não é, no entanto, o palpite mais difundido acerca da liminar de Rosa Weber. Por motivos insondáveis, se pensa que a Ministra vai despachar em favor da CPI, como deseja a oposição.

           A esse propósito, é sempre oportuno lembrar que a tentativa de adivinhar a orientação de magistrado constitui missão de alto risco, dada a possibilidade e a probabilidade de que os mais eruditos alvitres sejam lançados ao vento pela decisão do(a) juiz(a) que, por ser subjetiva, será sempre necessariamente infensa a qualquer  intento de determiná-la de antemão.

            De todo modo, esses episódios relativos à Petrobrás tem sido muito ilustrativos por mostrarem quão baixo pode descer um partido que não haja logrado dissociar a própria ideologia das conveniências e das armadilhas do poder, como de resto sumarizou de forma definitiva Lord Acton.



(Fontes: coluna de Ricardo Noblat; O Globo; VEJA)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dois Logros

                     
 
Desestabilização da Ucrânia oriental

 

             Notícias de jornal e análises de fotos vem demonstrando mais um artifício de gospodin Vladimir Putin que se empenha em dúbia estratégia, inspirada nas agressões nazistas, de fabricar uma insurgência nas regiões ucranianas de fala russa, com o reforço de agentes secretos russos.

             Os serviços americanos já detectaram nas invasões de administrações regionais e ações congêneres a presença de russos, com treinamento em ações especiais, e sob a proteção de máscaras e uniformes descaracterizados, supostamente para serem identificados como se fossem naturais da Ucrânia, quando na verdade o disfarce visa a esconder nua e cínica agressão do império russo contra a ex-república da URSS.

            É um esquema que já funcionou com o conhecido sucesso na península da Crimeia. Com a intervenção de tais elementos, treinados nesse tipo de operação, o ex-agente da KGB fornece gratuitamente aos grupos ucranianos que desejam aderir a Moscou um precioso auxílio, trazido por operadores aguerridos e especialmente treinados para aglutinar resistências ao estado ucraniano, com aptidão e desenvoltura que de longe superam as eventuais contribuições de supostos simpatizantes pró-Rússia, seja em forma de atuação desestabilizante, seja com capacidade de superar resistências de elementos locais.

           Não é comovente que a hierática figura do máximo chefe Vladimir Putin zombe nos salões do Kremlin das precárias defesas de uma nascente Ucrânia, enquanto determine ao seu mensageiro de conciliação – o Ministro Sergei Lavrov – que assine com o colega John Kerry nos salões genebrinos documentos que falam de uma paz, que, por baixo do pano, os agentes especiais de Moscou se empenham em inviabilizar?

    
A Petrobrás é intocável !


            Para quem, a começar por Lula da Silva, sempre enchera a boca nos seus firmes propósitos de defesa intransigente da Petrobrás, a criação de Getúlio Vargas e a nossa principal empresa, surpreende e consterna essa enxurrada de escândalos e dúbias operações (todas unidas para detrimento da Petróleo Brasileiro S.A.).

          No que tange ao tratamento reservado pelas administrações petistas a esse grande ícone do nacionalismo, causa espécie a gritante contradição entre a retórica nacionalista praticada não só pelo PT, mas também pelos partidos caudatários, como o PCdoB, de extremada defesa de tal conquista, e, por outro lado, o procedimento por baixo do pano ou nem tanto, de descarado aparelhamento da estatal.

        Segundo revelações de imprensa, as diretorias da infeliz Petrobrás tiveram distribuição política levada a extremos, a ponto de incluírem afilhados políticos do ex-Presidente Fernando Collor.

       Agora as declarações do ex-presidente José Sérgio Gabrielli empurram as hostes de D. Dilma a tentar impedir por todos os meios a formação da CPI sobre os escândalos da Petrobrás. O tratamento dado pelos lulo-petistas à estatal foi tal a ponto de fazer-nos lamentar a época em que a sua direção estava confiada a neoliberais e assemelhados. A par da notória tentativa da Petrobrax logo jogada às urtigas pela reação pública e política, não há exemplo de uma campanha tão ferrenha e de tão amplo  enfraquecimento da nossa maior empresa,  resultando na drástica diminuição de seu valor de mercado, e a queda consequente de suas ações, para desaponto de tanta gente honesta que confiara nas administrações da Petrobrás – e ainda mais as petistas – como fatores de resguardo e de defesa dessa empresa, hoje enxovalhada por enorme dívida e uma choldra que ao invés de tratar dos seus interesses – que são os da Nação brasileira – cuidaram de urdir uma série de operações muitas fraudulentas, que levaram ao resultado que ora deparamos.

      Compreende-se, assim, que D. Dilma e sua base no Congresso se hão de empenhar na inviabilização de qualquer ação que vise a descerrar a cortina da propaganda mentirosa, através da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Das duas uma: se todas essas acusações ou não passam de campanha difamatória – os mais velhos se hão de recordar das campanhas difamatórias que o defunto regime militar tinha como anátema – ou surgem já pejadas de verdade. Nas duas hipóteses, um governo interessado em recuperar a nossa maior empresa não hesitaria em enfrentar o salutar banho luz da verdade.

      Se há procedimentos errados, herança de Nosso Guia, ainda é tempo de expô-los e corrigi-los, através das câmeras e da imprensa. Agora, quem procura inviabilizar a CPI da Petrobrás, persegue outros escopos, muito diversos de uma recuperação da estatal pelo regresso ao seu campo real de atividades, e que teria tudo a ver com a antipolítica, e continuar na senda do mais do mesmo, e a mostrar que para essa gente ela não passaria, malgrado a retórica altissonante, de uma espúria  fonte  de recursos.  

 

(Fontes subsidiárias: The New York Times, O Globo, Folha de S. Paulo)

domingo, 20 de abril de 2014

Colcha de Retalhos B 15

                               

Financiar Superporto no Uruguai?

 
      As grandes obras do mandato de Dilma estão empacadas, e a transposição do São Francisco, por ora, abandonada. Se cotejarmos o estilo Dilma de investimento com as opções voluntaristas e varejeiras da suspensão tópica de impostos, não se pode imaginar um desperdício maior de recursos, seja por política fiscal que deixa o empresariado nacional às escuras quanto aos setores porventura aquinhoados – o que induz à paralisia nas inversões -, seja pelo assistencialismo desvairado, o que acoplado com a sobrecarga nos gastos correntes (o empreguismo de Estado) sangra a bolsa estatal de sua capacidade de ser real motor de desenvolvimento.

     Tudo indica – porque em Pindorama não há grandes obras a publicizar – que a opção de D.Dilma é pelo incremento do consumo, como vemos de resto, nos cortes de tributos de bens de consumo durável, e na distribuição de bondades, como na oportunidade de faixas de baixa renda adquirirem a crédito eletrodomésticos.
     Ora, ao invés das miçangas e de outras bugigangas que nos acompanham desde o descobrimento, o que a Terra de Santa Cruz precisa é de investimentos em infraestrutura (rodoviária, aeroviária e portuária), saneamento básico, educação e saúde.

     Pelas estripulias fiscais, a presença da inflação em uma taxa pra lá de 6,5% - e o que é pior – de forma sustentada, se foi tirando o fôlego do gigante Brasil, a quem mimoseiam com rebaixamento de notas, além dessa falta de elã que explica o tardo passo do antes promissor emergente.
    Semelha relevante, contudo, limitar essa análise à excessiva generosidade do regime petista no que tange em particular à Cuba e ao Mercosul, e em especial o Uruguai.

    Não é que se decida a sobrecarregar o BNDES – que deveria  ter a própria ênfase no Brasil – e não arcar com empreendimentos que vão muito além de seu escopo precípuo. Dessarte, nesses tempos internacionais de vacas magras, se quer engalanar o BNDES com fins interamericanos, como no financiamento milionário de Mariel, que será o maior porto caribenho e isso às custas de nosso dinheiro. Com efeito, em empréstimo secreto, com dúbias garantias, o BNDES desembolsa 682 milhões de dólares. Ao ver D.Dilma inaugurando o magnífico porto, ao lado do ditador Raul Castro, e sob os compridos olhos dos membros da Alba, ficamos estarrecidos por não dispormos de um porto com tal adiantamento tecnológico (tudo isso faz lembrar as lutas inglórias com os nossos sindicatos de estivadores, e a sua política de domínio sindical, com os consequentes retardamentos em nossos portos, a custosa demora nas cargas, e o custo-Brasil determinado pelo arcaísmo desse controle sindicalista).

   Mas em breve Mariel não estará sozinho. Enquanto os nossos portos continuam como pérolas do atraso, pelo noticiário sabemos que o Brasil planeja financiar outro superporto, este em Rocha, no Uruguai. Como será de águas profundas, terá capacidade para atender a grandes navios, e assim o terminal deve tirar cargas do Brasil, a começar pelo porto de Rio Grande, na saída da Lagoa dos Patos.

     Agora, o Brasil de Dilma Rousseff prevê crédito de até um bilhão de dólares, e sempre do inexgotável BNDES. Essa vocação pelo Mercosul não pode ser desvirtuada.

     Consoante O Globo informa, o porto uruguaio de Rocha pode atrair cargas que hoje vèm para o Brasil. Segundo os cálculos, Rocha movimentaria 87,5 milhões de toneladas por ano, mais do que os terminais nacionais de Paranaguá e Rio Grande somados.

      Nesse peculiar modelo brasileiro de desenvolvimento de um total de R$ 54,2 bilhões em investimentos públicos e privados previstos pela Administração Dilma Rousseff em fins de 2012, só foram confirmados R$ 8 bilhões.

     Com as fraquezas no comércio com a Argentina, causadas pelas brutais demoras na liberação das mercadorias (provocadas pelos precários recursos cambiais do Erário portenho), os apoios aos regimes repressivos de Havana e do candidato a caudilho Nicolás Maduro, o Brasil do PT e de dona Dilma quer acaso abandonar o objetivo primeiro e precípuo de todo o governo – que é a defesa dos próprios interesses nacionais?

 

Aumentos na Conta de Luz  

 
       Segundo noticia O Globo, as alças na conta de luz já variam entre 11% a 29%.

       Isso se deve a vários fatores, entre os quais o aumento do calor, devido à deterioração ambiental, e a redução da incidência pluvial, o que forçou o maciço recurso às termo-elétricas, que, além de poluírem o ambiente, são bastante mais caras.

      Neste festival de erros de programação, é difícil entender porque não se utiliza, como em outros países, a energia solar – de que é tão rica Pindorama – e também a eólica. Nesta última, houve casos de que parques de captação eólica adrede preparados tiveram de ser abandonados porque o poder competente se esquecera de conectá-lo com as redes de fornecimento de energia.

      No capítulo, a situação da Eletrobrás e do parque elétrico motivara, em passado recente, iniciativa inusitada da Presidenta, que resolveu conceder um agrado ao setor, para evitar uma imediata alça do preço da energia.

      Como toda intervenção desse gênero, no fim de tudo, a conta acaba batendo no consumidor comum. Nesse contexto, conforme indica a imprensa, o socorro de R$ 11,2 bilhões às elétricas ainda será repassado aos consumidores, mas a partir de fevereiro de 2015, quando os comícios de outubro para decidir da governança Brasil já serão história...

 
Greves  Oportunistas

        
      De acordo com a Folha, a Justiça do Trabalho já prepara um plantão extraordinário em São Paulo entre maio e junho p.f. O objetivo será lidar de forma rápida e objetiva com greves – ou oportunistas ou extorsivas – que se avalia possam surgir na proximidade da Copa do Mundo.

      Esse acumulo de reivindicações sindicais grevistas teria um escopo  pouco confessável, já que corresponderia a fins extorsivos, para arrancar concessões às vésperas do grande evento internacional.

      Para evitar atrasos, os julgamentos serão agilizados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), da 2ª Região.

      Rotineiramente, os juízes trabalham de segunda a sexta, e os julgamentos das eventuais greves acontecem  às quartas-feiras. Instituído o plantão do certâmen, tais julgamentos poderão ser realizados inclusive em fins de semana.

      Essa preocupação da justiça trabalhista está baseada em informações concretas. Pelo menos dezesseis categorias profissionais querem servir-se do calendário da Copa do Mundo para tentar arrancar aumentos acima da inflação e ampliar direitos trabalhistas.

     Dentre essas categorias, assinalam-se os aeroviários, rodoviários, e os segmentos de alimentação e telefonia. Metade  dessas categorias com tais fins oportunísticos e de discutível ética se acha no setor de transportes, um dos mais envolvidos no acompanhamento da Copa, como as várias sedes das partidas respectivas o demonstram amplamente, pelos inúmeros deslocamentos através desses Brasis que necessariamente ensejam.

 

Elio Gaspari e o Pró-Delinquente

 
     Certas coisas são difíceis de entender e muito mais de aceitar, como a Medida Provisória 627, de que nos fala hoje em sua coluna Elio Gaspari.

      No congresso das quartas-feiras (único dia de trabalho integral de Suas Excelências) Câmara e Senado encaminharam a MP à sanção presidencial com um dispositivo (verdadeiro contrabando) aí inserido que aliviaria as multas devidas pelos planos de saúde que negam aos clientes o atendimento contratado.
     Seria nova sistemática para a cobrança dessas penalidades, que o jornalista denomina de Pró-Delinquente.   Se a operadora nega ao freguês procedimento médico e a Agência Nacional de Saúde (ANS) lhe reconhece o direito, a empresa tem de pagar multa de R$ 2 mil.  Assim, se a mesma empresa nega dez procedimentos, carece de pagar multa  de R$ 20 mil. 

     Com a emenda na MP, se o plano de saúde  negar de dois a cinquenta procedimentos, pagará duas multas (R$ 4 mil, ao invés de até R$ 100 mil). Pela imoral escala introduzida por meio da emenda, quanto pior o serviço da operadora, menor será a multa.

     Assinale-se que o Pró-Delinquente foi um dos 523 contrabandos enfiados na MP 627. Nesse contexto, é oportuno saber que o relator da Medida Provisória foi o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o atual líder da bancada do PMDB.

     Como refere Gaspari, Cunha chegou a defender em plenário o aludido dispositivo durante a votação na Câmara.  Dias depois, recuou, mas não disse com quais dirigentes, seja dos ministérios da Saúde e da Fazenda, assim como da Casa Civil da Presidência terá discutido a mágica. Por fim, o jornalista sublinha que, além de Cunha, não há registro de outro parlamentar que haja patrocinado a iniciativa.

       Acrescento um comentário: se há instrumento legislativo que clama e grita por uma regulamentação é a Medida Provisória. A sua pletora desvirtua o processo legislativo, além de eventualmente trancar as pautas. Por outro lado, elas não deveriam ser transformadas em leis omnibus, vale dizer tratando de fins os mais disparatados e, por vezes, até contraditórios.

 

(Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo)

sábado, 19 de abril de 2014

Diário da Mídia

                                               
 
Procissão impedida por sem-teto

 
                       A arquidiocese do Rio de Janeiro é uma vez mais, por motivo de insegurança, obrigada a cancelar tradicional manifestação de fiéis. Desta feita, D. Orani, recentemente criado cardeal, se vê forçado a não realizar as cerimonias na Catedral, que fica no centro, pelos riscos colocados com o  ajuntamento dos sem-teto da Oi no entorno do templo. Como se sabe, depois de despejados da  invasão por uma operação policial, tentaram colocar-se nas cercanias do Palácio Guanabara, de onde foram igualmente   afastados.
                        Além de ser estranhável que essa aglomeração permaneça sem destinação pelo menos provisória de parte das autoridades competentes, causa espécie que os órgãos de segurança, subordinados ao novel Governador Pezão, tenham permitido que os sem-teto busquem guarida em torno da Catedral, em largo central da cidade. É mais do que tempo de encontrar local adequado, mesmo que provisório, para evitar tais constrangimentos.

                         Não é a primeira vez que D. Orani se vê obrigado a não realizar cerimônia religiosa, por causa de fatores alheios à sua vontade. É lamentável que esse constrangimento persista. De alguma maneira o problema tem de ser resolvido, e de forma adequada, pois doutra maneira se estaria apenas transferindo o transtorno para outros logradouros da velha capital.
 

Naufrágio de navio coreano    

 
              A atitude do comandante sul-coreano do navio, Lee Joon-Seok mostra que o exemplo do comandante do transatlântico italiano fez tristemente escola. Ao revés da nobre tradição de coragem e firmeza dos comandantes de antanho – que costumavam afundar com o navio ou ser o derradeiro no seu abandono - os últimos dos dias correntes só parecem pensar em livrar a própria pele.  Este chegou ao cúmulo de não cuidar de nenhuma providência de salvamento dos pobres escolares que pensavam estar em viagem de recreio, mas sim de pôr-se ao largo, como  ratazana a abandonar os porões de uma nave  fazendo água.

               Com o exemplo do comandante fujão, a maior parte da tripulação o imitou. O ferry que transportava a excursão afundou rapidamente. 179 pessoas foram resgatadas, 28 mortes determinadas, e há 268 desaparecidos (dos quais 236 estudantes).

               Se bem que o ato seja decerto condenável, o suicídio do vice-diretor da escola que aprovara o passeio (e fora salvo) mostra, ainda que de forma exacerbada e rígida,  a consciência ética de haver contribuído de algum modo para esse eventual e discutível erro no que tange à realização do citado cruzeiro. 
 
Prévias Eleitorais

 
          Os atuais números de Dilma Rousseff  são de molde a preocupar os dirigentes de sua campanha.  Com aprovação inferior a 34% a reeleição fica, na linguagem hodierna, bastante complicada, o que, na prática, significa o malogro da tentativa.
         Daí a inquietação dos companheiros, temerosos de que o malogro de Dilma venha a colocar o PT (e seus aliados) na rua da amargura.  O Globo, a respeito, noticia que, com base em estudo do Instituto Análise sobre 104 eleições para mandatos executivos (presidente e governador), verificou-se que nenhum candidato com aprovação igual ou inferior a 34% conseguiu reeleger-se.

        Por outro lado, luzindo como salvação da vigésima-quinta hora, o seu criador Lula da Silva ainda ostenta totais superiores aos de sua criatura...

 
Portuguesa sai de campo na estreia

      
      Baseando-se em liminar de juíza – que a devolve à série A – a Portuguesa resolveu interromper o seu primeiro jogo pela série B. O juiz preferiu deixar em suspenso o ditame sobre o resultado oficial do jogo, se derrota por w.o., ou prejudicado e pendente de decisão judicial.

     A CBF, com singular inabilidade, interveio anunciando que a decisão da juíza – a que qualificou de forma negativa e mesmo preconceituosa – seria derrubada pelo Superior Tribunal da Justiça Deportiva, como se a justiça esportiva tivesse mais cacife do que a Magistratura.
     O modo com que o Fluminense foi – e por enésima vez – reconduzido à primeira divisão já provocara espécie, máxime pelos estranhos procedimentos concernentes ao rebaixamento da Portuguesa.

     Dadas as características das entidades esportivas, será sempre bem-vinda a vigilância da Justiça (com letra maiúscula). Os times devem ser castigados (ou favorecidos) pela sua atuação em campo. Fatos estranhos a esses resultados não deveriam importar em perda de pontos (o que desvirtua o resultado obtido de forma lídima). Além de limitar os efeitos do chamado tapetão, esses eventuais deslizes deveriam redundar em multas, nunca em perda de pontos, que é maneira de favorecer a uns em detrimentos de outros, sem que o velho futebol bretão tenha nada a ver com isso.

 

(Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Reflexões sobre o Carrossel do Dia


                         
 Greve de polícias

          A greve da Polícia Militar da Bahia só durou dois dias, mas deixou um rastro de 52 mortes em Salvador e entorno. Declarada ilegal pela Justiça, muita coisa errada ocorreu entrementes, até que as lideranças da PM arrancaram do governador petista Jaques Wagner pesadas concessões (o governo baiano aceitou elevar gratificações de policiais, discutir o plano de carreira e o código de ética da corporação, além de rever processos contra PMs grevistas em 2012).
        Como seria de esperar, o governador negou ter cedido a pressões, alegando ter assinado o que praticamente fora ofertado antes da greve.

         A paralisação foi liderada por um soldado, Marco Prisco, vereador em Salvador pelo PSDB e pré-candidato a deputado.
         As greves nos serviços públicos essenciais – saúde e segurança – foram irresponsavelmente permitidas pela Constituição de 5 de outubro de 1988. Com essa falha gritante e beirando o criminoso, esse gênero de greve tem grassado não só em Salvador (vejam o curto intervalo para nova chantagem: a anterior foi em 2012), mas também na Brasília, no próprio Distrito Federal, com uma maneira solerte e igualmente danosa de pôr em perigo a incolumidade da cidadania, entregue na prática à bandidagem.

          Em Brasília, foi uma espécie de greve branca, a chamada Operação Tartaruga, de que resultaram totais inaceitáveis para uma cidade, ainda mais o Distrito Federal onde se acha sediado o poder executivo nacional. O Governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que é do PT, dispõe de baixíssimo nível de aceitação, que se deve a muitas causas, entre as quais está a de ter tolerado a dita operação da PM muito além de o que deveria.  Que um atrevido movimento ocorra na capital da república não respinga sobre o seu governador (pomposo nome para uma função de prefeito), mas também sobre o governo federal, que tampouco deveria admitir que um estado de coisas do gênero se estendesse pelo espaço de muitas semanas.

 
Morre Gabriel Garcia Márquez

 
         Sofrendo de câncer, que se originara dos pulmões, e nos últimos anos levando existência reclusa devido à sua demência senil, Gabriel Garcia Márquez morreu no México, aonde viveu nessa derradeira fase.
         Foi escritor prolífico, com muitos contos e romances, mas a sua obra prima, que lhe deu o Nobel de Literatura em 1982, “Cem Anos de Solidão”, a mítica história de não tão imaginária Macondo, se tornaria um best-seller mundial, vendendo incontáveis milhões de livros.

          Como se assinalou, Macondo apesar de enfurnado no interior da Colômbia, refletia a condição humana, a ponto de torná-lo língua franca para leitores espalhados pelo mundo afora.

           Um outro livro, “O Amor nos Tempos do Cólera”, era o preferido de Garcia Márquez, mas o seu sucesso foi bem inferior ao dos “Cem Anos de Solidão”, a que deve a cerimônia em Estocolmo.  Quiçá porque este último fosse considerado demasiado colombiano para ambicionar os galardões mundiais da saga de Macondo.

 

(Fonte:  Folha de S. Paulo)

Atoleiro na Ucrânia ?

                                      
         Em Genebra, cidade em que se firmam muitos acordos, dos quais vários não são implementados, o Secretário de Estado John Kerry (EUA), o Ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov (Federação Russa),  o ministro, interino, das Relaçõs Exteriores da Ucrânia, Andrii  Deshchytsia, e Catherine Ashton, pela União Europeia assinaram entendimento que recomenda aos ativistas pró-Rússia devolverem os edifícios governamentais  ucranianos de que se apossaram nos últimos dias.

       O documento, a que deram seu aval Estados Unidos e Federação Russa, se determina a devolução de prédios públicos ucranianos às autoridades de Kiev, também se assinala por gritantes omissões. Nenhuma referência é feita à anexação ilegal da Crimeia, nem se faz menção à necessidade de a Rússia retirar os quarenta mil militares concentrados nas fronteiras da Ucrânia. Outro marcante silêncio do papel foi a falta de qualquer referência a eventuais conversações entre Moscou e Kiev.

       Nesse sentido, nos seus comentários acerca do acordo, o Presidente Barack Obama tratou de dar parecer reservado, em que é bastante cético quanto aos efeitos do entendimento. Dessarte,  se houver outras transgressões, estão sendo preparadas listas de pessoas ligadas com o Kremlin, assim como de setores determinados, que seriam objeto de novas sanções tópicas pelos Estados Unidos. A sua abrangência, no entanto, está condicionada pela dependência da Europa da energia (gás) provinda da Rússia. Tal contingente moderação europeia não é dos menores entraves a imposição de  sanções porventura mais pesadas.

     Na sua populista sessão de respostas a perguntas de cidadãos russos, Vladimir V. Putin não deixou de exprimir posturas que destoam do viés pacífico de mais este acordo de Genebra. Assim, voltou a referir reivindicações russas sobre o território leste da Ucrânia, assim como ao alegado direito de mandar tropas. No que pareceu montagem, foi transmitida questão televisada do espião Edward Snowden sobre espionagem, ao que gospodin Putin respondeu que a Rússia não tinha condições tecnológicas de emular a atuação dos órgãos de segurança americanos.

    Os ‘voluntários’ pró-Russia não se manifestaram concordes com a disposição do acordo genebrino de que devam ceder os edifícios governamentais de que ultimamente se apossaram em Donetsk e outras cidades do leste ucraniano.

     Sem embargo, por primeira vez, na cidade de Mariupol as forças pró-Rússia experimentaram revés inequívoco. Com o exército de Kiev, e a participação de manifestantes da praça Maidan,  três ativistas filo-russos foram mortos, 13 feridos e 63 capturados na sua malograda tentativa de apossar-se de prédio da administração central.

    A dicotomia na atitude russa, – ‘compreensiva’ vindo do Ministro Sergei Lavrov, posto que nunca omita a necessidade de a Ucrânia ‘federalizar’ o seu território, dando mais autonomia para as regiões do Leste (os objetivos desagregadores vêm envolvidos em sedas diplomáticas, mas não deixam de valer pelo que efetivamente são) – e agressiva-imperialista de parte do conquistador Vladimir V. Putin, com as reivindicações de territórios na Ucrânia (um distinto eco das exigências de Benito Mussolini quanto às províncias irredentas – na França e na então Iugoslávia).  No mesmo diapasão, também o cabo austríaco Adolf Hitler não se negou a assinar papéis como o da crise dos Sudetos (que despedaçaria a então Tchecoslováquia) para depois acintosamente ignorá-los.

     Por outro lado, o belicismo de Putin tem afetado às nervosas finanças russas, que não possuem a solidez dos propósitos do ex-agente da KGB. A sofreguidão no que tange à península da Crimeia, com os dispêndios embutidos pela anexação acarretarão para as finanças da ‘potência regional’ do principado de Moscou vultosos encargos em termos de adequação dos pagamentos aos habitantes da Crimeia, com vistas a dar-lhes igualdade de tratamento previdenciário (entre outros) aqueles devidos à população russa.

    Portanto, o crescimento do império não sairá de graça para Putin. Depois de cessados os últimos aplausos e o suposto júbilo ao cabo do  referendo manipulado (e considerado por muitos ilegal, a começar pela sua redação capciosa) ver-se-á que a conta será salgada. Estima-se que a Crimeia venha a precisar de investimentos de 3 a 5 bilhões de dólares por ano para obter benefícios sociais, compensar déficit orçamentário (nos últimos anos, a península recebera do governo de Kiev regularmente mais de o que contribuíra, para cobrir benefícios sociais, déficit orçamentário e despesas com infraestrutura). Tudo isso sem contar a eventual construção da grande ponte no Estreito de Kerch ligando a Crimeia à Rússia metropolitana.

     Como se vê, o imperialismo é de início saudado com flores pela população metropolitana. Mais tarde, passadas as transitórias ovações e o júbilo patriótico, com os consequentes altos índices de aprovação, é que os espinhos se farão sentir de forma permanente.

 

(Fontes: The New York Times, Folha de S. Paulo, Suplemento Rússia da Folha)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Salgadinhos da Festa

                                    

P.M. e escolares


                A Polícia Militar do Rio resolveu fazer treinamento perto do CEAT (Centro Educacional Anísio Teixeira), em Santa Teresa. Grupo de estudantes do ensino médio, em intervalo de aulas, passou  observando o treinamento de cerca trinta policiais, carregando maca e simulando socorro a um ferido.

                  Alguns alunos do CEAT vaiaram os PMs. Em seguida, foi acionada bomba de gás lacrimogêneo bem em frente do CEAT. Os resultados da invasão do gás em salas de aula são previsíveis (o CEAT tem cerca de 640 alunos).

                  Se as vaias foram gratuitas, inadmissível também é a reação de PMs. O episódio  só tenderá a aprofundar um fosso de incompreensão recíproca, que não aproveita para criar  bases com vistas a uma relação positiva. E é para essa relação que se deve dirigir o repensamento das partes interessadas.

  Custo da Olimpíada

                 Noticia a imprensa que a previsão de custo da Olimpíada do Rio de Janeiro, de 2016, já chegou a R$ 36,7 bilhões e supera o valor gasto  em 2012, nos Jogos Olímpicos  de Londres (que montaram ao equivalente de R$ 32,1 bilhões – em valores atualizados).

                 É estranhável que a essa altura com tantas obras não terminadas – ou mesmo atrasadas consoante o cronômetro do COI – esses dispêndios venham a ultrapassar o que foi gasto em Londres.  Se as despesas com segurança ainda não estão computadas, a diferença deverá aumentar e muito.

               Como interpretar esse estranho encarecimento ? Desperdício, ineficiência ou corrupção, ou um coquetel dos três ?

                      
A Justiça deve adequar-se à realidade

 
             O bárbaro assassínio de um menino de onze anos, Bernardo Boldrini, - e os suspeitos dessa vez são o pai e a madrasta – se coloca de novo a questão da rejeição de um filho, traz a luz antecedentes no mínimo ainda mais perturbadores. Como não foi ouvido pela Justiça  o pedido do menino de que a guarda provisória fosse transferida?

             Afinal, se o outro que foi aparentemente assassinado pelo padrasto não tinha qualquer condição pela sua tenra idade de obter melhor guarda, não era o caso de Bernardo, que mostrara claramente não estar satisfeito com a guarda do pai? E com onze anos o seu pedido deveria ter tido melhor sorte.
             Se é difícil de entender essa rejeição paterna, o é ainda mais se denegarmos a um menino que já tem discernimento a oportunidade de que a avó materna se encarregue da guarda.

             O fenômeno merece mais atenção. E a lei deve levar em conta a capacidade intelectual e emotiva da criança de ter a sua sorte decidida de forma menos mecânica, e mais conforme aos próprios interesses e inclinações do órfão de pai ou de mãe. De uma certa forma, humanizaria um pouco mais a difícil atribuição da guarda, em um momento já traumático para o menino ou a menina.

 

(Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo)