terça-feira, 10 de março de 2015

Há razão para impeachment ?


                                    

      Falando em ordem unida presidenta, ministros e PT atribuem panelaço a ‘terceiro turno eleitoral’.

      Manifestação espontânea da população em pelo menos treze capitais, num primeiro momento, sem preocupar-se com o ridículo, os líderes petistas disseram que tais protestos tinham sido ‘financiados’ pela oposição. Talvez seja defeito de quem já não acredita possam existir reações naturais a uma determinada situação.

      A colunista econômica de O Globo, Miriam Leitão, escreve hoje análise magistral da fala presidencial. E emprega linguagem dura, que não lhe é habitual. E em três frases anuncia o próprio raciocínio. “Qualquer governante pode pedir  suor e lágrimas. Só não pode fazer isso mentindo. O teor do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff  foi muito ruim.”

       Na campanha, ela faltou com a verdade sobre a situação econômica e energética do país. Nesse diapasão, não se pejou de acusar os candidatos Marina Silva e Aécio Neves de preparem um tarifaço de energia, de quererem “plantar inflação para colher juros”. Com despejada desenvoltura, ela investiu contra os candidatos da oposição alegando estarem tramando um ajuste fiscal desnecessário  para tomar medidas impopulares, isto é “contra o povo”.

        Há um termo – que não empregarei – que define quem cinicamente atribui ao adversário aquilo que se propõe fazer. Do impacto da mentira, e mais além, ela fez uso na campanha a mancheias. O velho conselho terá ressoado em seus ouvidos: ‘Mentí! Menti sempre! Algo ficará!’

        Sabemos bem quem plantou a inflação, e de forma no seu caso irresponsável. Tampouco foi a crise hídrica que trouxe o aumento da energia. Na análise de Miriam Leitão, foi o governo Dilma que contratou o tarifaço. Assim, em 2015, a energia terá subido  100%  em dois anos, e “só em parte” se deve à falta de chuvas. Como não é incomum nessa administração, há um rosário  de equívocos: ‘reduzir o preço de forma populista e irreal, deixar as empresas sem contrato por erro de gestão, postergar o problema, mandando as distribuidoras pegarem empréstimos para serem repassados ao consumidor’.

         Além de ignorar os alertas, era do pleno conhecimento da Presidenta que a energia teria de subir bastante em 2015, com chuvas ou não. E a forma de pagamento escolhida pelo governo transferiu toda a conta para o consumidor. Como explica Miriam Leitão, os empréstimos bancários  foram dados com o aval da Aneel para as distribuidoras cobrarem do consumidor com juros e correção monetária a partir de 2015...

         Outra inverdade da Presidenta é que a energia vai subir apenas temporariamente. Com efeito, até o aumento da bandeira tarifária vai demorar bastante a ser revertido. A causa está em que as empresas ainda estão pegando empréstimos bancários que continuarão nos próximos anos sendo jogadas na conta do povão...

         Mais uma estória da carochinha é que a situação enfrentada pelo Brasil se deveria à crise internacional. Fica difícil aceitar isso quando a economia dos Estados Unidos está bombando, com baixo nível de desemprego, e retomada do consumo (cresce, de resto, a possibilidade, de restabelecimento de uma taxa de juros para o dólar estadunidense, o que afetará então a corrente de investimentos para os países emergentes).

         O vezo de atribuir para o estrangeiro a crise econômica brasileira não se sustenta. Até a China ainda cresce a 7%, o que é uma redução no ritmo de desenvolvimento para ela, mas não uma crise.

         Como uma biruta de aeroporto, ela muda de orientação à vontade depois da eleição, e pensa que esquecemos os ataques vitriólicos contra os adversários e seus assessores  (quantas vezes mencionou Armínio  Fraga, suposto ministro da fazenda de Aécio, com tom de censura, como ave de mau agouro, que só traria arrocho...). Ora chamou Joaquim Levy, que é justamente encarregado de aplicar similar ajuste econômico e financeiro...    

         O que está em causa, não é a substância dos ajustes fiscais que o novo Ministro da Fazenda preconiza e procura implementar, mas a má-fé de dividir a realidade em dois momentos: o de antes das eleições e o pós-eleições.  Naquele tempo, a situação era outra; agora, como por efeito de deus ex-machina tudo mudou, e o que antes se verberava como errado e sinistro, hoje se diz que é certo e mais do que oportuno...

                                                                                                    (a continuar)

( Fontes: Coluna de Miriam Leitão, O Globo) 

segunda-feira, 9 de março de 2015

É tarde para pedir paciência

                                  

       Dentro do figurino Dilma Rousseff, ela pensou ter recorrido a quem lhe valeu no passado. Consultas e fórmulas que julgam milagrosas ela as trouxe do marqueteiro João Santana, decerto do solícito Aloizio Mercadante, dentre outros envoltos no manto do anonimato.

      Ora, o povo está ressabiado. Não é à toa que as pesquisas a mostraram para muitos falsa e mentirosa. Nos debates e na antecâmara da eleição, terá enganado a muita gente. Nada sabe pior de o que sentir-se engambelado.

      Por isso, atenção à provada fórmula mágica. As suas palavras já não são mais abraçadas com a vontade dos tempos da mulher do Lula. O seu padrinho ainda voeja por perto, mas a rouca voz perdeu vigor e força. Muitos postes ficaram no caminho.

      Porque é tão difícil e tão perigoso dizer a verdade? Toda a fala foi construída em torno das medidas. Como amargo purgante, devem ser mencionadas à maneira de quem, em intervalos regulares, borrifa um bom cheiro para tornar mais agradável e até prazeroso o ambiente.

      As rítmicas borrifadas se sucederam, enquanto, a cabeça tenteante, ela avançava no texto. Como o aroma dos sprays, na repetição da encantação mágica – as medidas – quase se podia ouvir a voz matreira do mago João Santana. Era a pimenta que faltava!

      Se alguém chegasse de longa viagem – sem internet nem jornais – e se acaso indagasse ‘que diabo de medidas são essas?’ – colheria meio-sorrisos de quem murmura ‘depois eu digo’...

      A omissão, sem dúvida recomendada pelo marqueteiro, tornava a assessoria do Ministro Joaquim Levy expletiva.

       Querer embalar o povão em cantigas de ninar, enquanto ela culpa o lobo mau da crise estrangeira, como se fora o judas de seu governo tão cheio de boas intenções, e tão carregado da bagagem da inflação e das contas que não batem... Será tão fácil esse discurso da crise que vem dos estranjas, quando na verdade ela está aqui, bem à vontade entre nós ?

        Enquanto a oscilante figura fala, pensando engambelar, nas ruas as panelas voltam a soar. Não em toda parte, como o Partido dos Trabalhadores – que ora se transforma na sede dos desmentidos rituais – se apressa em declarar.

        Segundo a imprensa, o panelaço se ouviu no Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília, além de algumas cidades de Santa Catarina... Acham pouco... No entanto, as passeatas de junho principiaram apenas nas ruas da Pauliceia, e foram de início cerceadas pela polícia e havidas como sem importância...

 

( Fontes: Rede Globo, O Globo, Folha de S. Paulo)

domingo, 8 de março de 2015

Birdman

                                    

 
                O título alternativo do filme – A inesperada virtude da ignorância – se não é comercial, e por isso terá sido relegado a um canto nos cartazes, pode ser havido como ilustrativo da atitude do herói, que carrega a imagem de um sucesso popularesco. O personagem, Riggan Thomson, ainda é reconhecido pelo estrondoso êxito. No entanto, essa fama perecível ainda está na evanescente memória da geração passada, e o ator a vê mais como um íncubo do que presságio para oportunidades futuras. Assim, o personagem Birdman evoca a imagem e a voz vinda de um além-próximo, aquele dos sucessos que não voltam mais. Aquele sucesso estrondoso o incomoda porque lhe recorda de forma agressiva a própria decadência como ator.

                No entanto, se essa tarda escolha para o papel principal de ator em pleno Sunset Boulevard[2] é feita porque o fracasso está como sua sombra, o personagem do diretor Brandon [3] sabe que sua missão principal é a de convencer Riggan derrotar o seu pior inimigo, que é ele próprio.

                O cast que é a existência mesma de Riggan não pode ser senão um espelho que se compraz através da filha Sam (Emma Stone)  a extroverter o amor e quase-ódio que o relacionamento com o pai disfuncional terá criado.

                Se Michael Keaton continua a ser o grande ator de Beetlejuice e da série Batman, na sua face deparamos as marcas do tempo, e foi esta infeliz coincidência dos mortais que melhor integrou-lhe a dramática presença no personagem. E será esta sombra que mostra ao expectador os contrastes que Riggan tem de vencer para separar-se desse a um tempo ridículo e trágico doppelgänger que é o símbolo Birdman com toda a sua mensagem do kitsch, que lhe garantiu a um tempo, um grande sucesso de público, e o correspondente menosprezo da crítica bem-pensante.

                Birdman tem cenas hilariantes, como aquela que, em trajes menores, o personagem se vê constrangido a fazer longo détour pela zona da Broadway para poder reentrar no teatro e assim continuar o ensaio-prova (com público pagante). Será reconhecido por populares como Birdman e é um sucesso (porque todos pensam que o trajeto não passa de um stunt publicitário, e por isso o curtem, enquanto ele tem de pensar em reentrar no teatro e aproveitar estar de cuecas para dar toque especial à cena ensaiada).

                Por isso, mais tarde, a colunista do New York Times, que já via o projeto de peça com ceticismo,  lhe diz sem rodeios que na sua próxima crítica (que sai no prelo na noite mesmo pós-estréia) vai destruí-lo como ator e personagem. Promete que ninguém se lembrará dele depois do seu comentário. Birdman tenta dialogar com ela, convencê-la que não é mais Birdman com as suas façanhas para classes C e D, mas a jornalista é peçonha pura.

                Os personagens não são poucos, e parecem muitos, com os problemas de Sam, a filha, a mulher de que lamenta o naufrágio do casamento (Amy Ryan no papel de Sylvia, a esposa), o ator coadjuvante Edward Norton interpreta  Mike Shiner que pretende ser a nêmesis do protagonista.  O alter-ego será sempre o alado Birdman, com que Riggan faz um vôo por Manhattan, em um bela integração de um realismo mágico (e onírico).

               O desfecho reservará uma surpresa que se insere nas recaídas autodestrutivas do personagem. Ver este filme é uma bela experiência, não só porque a direção do mexicano Alejandro González Iñarritu é magistral, o roteiro de Nicolás Giacobone e Armando Bo,   e a cinematografia de Emmanuel Lubezki não deixam dúvida que fazem por merecer a estatueta.  Entretanto, pela interpretação, Michael Keaton completaria o quadro, pela atuação soberba, e por fazer do filme uma obra a não ser esquecida.



[1] Homem-pássaro.
[2] O grande filme de Billy Wilder, protagonizado por Gloria Swanson, grande atriz do passado, e pelo mordomo Erich von Stroheim, ex-diretor.
[3] Zach Galifranakis.

Colcha de Retalhos C 9

                                    

A disputa pelo butim no PP

 
          No primeiro mandato de Dilma, o Ministério das Cidades passou a ser cota  do Partido Progressista. A princípio, o grupo de Mario Negromonte (BA) se assenhoreou da pasta. Gerindo a ‘quota’ dada ao PP pela divisão das propinas nos contratos da Petrobrás, o bando de Negromonte se autofavoreceu a tal ponto que provocou a revolta do grupo que ficara de fora das remessas feitas pelo doleiro Alberto Youssef.

          Por força da sanhuda reação dos ‘enjeitados’, esse segundo grupo, com o Senador Ciro Nogueira (PI) e deputados Arthur Lira (PI), Eduardo da Fonte (PE) e Aguinaldo Ribeiro (PB) forçou a demissão de Mario Negromonte, que saiu queixando-se do ‘fogo amigo’.

           Foi substituído pelo deputado Aguinaldo Ribeiro.

           Dentro da partidocracia, cercada por senhores feudais, ter-se-á dona Dilma, como titular soberana, perguntado então da razão da troca de ministros? 

 

Os tempos passam

 

           Na primeira página da Folha, se depara a fisionomia entre abatida e preocupada do Senador Lindbergh Farias (PT/RJ). Como assinala Bernardo Mello Franco, Lindbergh despontou entre os cara-pintadas nos atos pelo impeachment de Fernando Collor em 1992.  Liderança estudantil e depois mais de uma vez candidato pelo PSTU no Rio de Janeiro, Lindbergh acabou emigrando para o PT, pela impossibilidade de eleger-se sozinho por aquele partido, eis que não lograva vencer a barreira da legenda.

           Como é do seu feitio, a atitude do senador Lindbergh Farias é aberta e franca. Ele confirma haver recebido R$ 2 milhões por intermédio do então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em 2010. Nega, no entanto, haver participado do esquema de corrupção na estatal.

           Lindbergh, segundo declarou, conheceu Costa ao participar de inaugurações da estatal no Rio, com a presença do então presidente Lula. Assim, ao candidatar-se, decidiu procurar Costa: “Eu sabia que ele era uma pessoa muito bem relacionada na Petrobrás e perguntei se ele conhecia alguma empresa que pudesse me receber. Ele ligou para alguém da Andrade Gutierrez e pediu para me receber.”

          Lindbergh falou “algumas vezes” com Otavio Azevedo, presidente da construtora. Então “fui na Andrade Gutierrez, falei da minha campanha. Ninguém falou mais de Paulo Roberto. Ninguém falou de propina, muito pelo contrário.”

          O  Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, sustenta que Lindbergh “tinha conhecimento do caráter ilícito dos valores recebidos, pois não haveria qualquer justificativa lícita razoável” para recorrer a Costa.

          Para Lindbergh, o Ministério Público não tem provas: “Você acha que alguém disse: ‘Olha, esse dinheiro aqui que eu vou te ajudar é de uma propina?’ Isso não existe.”

          Diante da conexão estabelecida pelos investigadores entre as doações feitas a políticos  pelas empreiteiras e as propinas que elas pagavam para fechar contratos  com a estatal, pondera Lindbergh : “Como eu poderia saber que o dinheiro de uma empresa grande estava saindo para a minha campanha de um processo como esse ? Eu não sabia. Ninguém sabia disso aí.”

           Por isso, o senador pelo Rio de Janeiro acusa o M.P. de “criminalizar doações legais”. E acrescenta: “do jeito que a lista foi lançada, estão misturando gente que recebia mesada de propina com doação legal de campanha.”

           Nesse contexto, Lindbergh lembra que “essas empreiteiras ligadas à Lava Jato fizeram mais de 60% das doações nas últimas campanhas. Se eu recebo dinheiro de uma grande empresa, nunca passou pela minha cabeça saber se era ilícito ou não era.”

            A conexão com Collor reponta na vida do jovem Senador. Despontara como cara-pintada na campanha pelo impeachment de Fernando Collor. Agora entra numa lista em que o seu retrato está em outro escândalo, em que agora estaria do mesmo lado do ex-presidente.  “É horrível. O Collor tem uma acusação real, concreta. O meu caso é diferente.” E acrescenta: “estou numa lista que é praticamente uma condenação. Nunca sofri tanto. Pedi doação legal e entrei na lista com gente que fez atos bárbaros de corrupção. Isso pode estar destruindo a minha carreira política.”

 
Pronunciamento de Dilma no Dia da Mulher

           

               Pegando carona neste dia oito de março, em cadeia nacional a Presidenta vai defender os ajustes propostos por sua equipe econômica. Vai uma vez mais responsabilizar  o agravamento da crise internacional pela necessidade das medidas já tomadas.

               Para o que muitos vêem como responsabilidade do Dilma I, ela tenta justificar-se apontando para uma crise econômica internacional como a real  causadora dos problemas ora enfrentados  pelo Dilma II.

               É de assinalar-se que é a primeira vez que Dilma Rousseff recorre à cadeia nacional de rádio e tevê  para falar das medidas econômicas de seu Ministro Joaquim Levy.

               O discurso de Dilma ocorre uma semana antes dos protestos  contra o governo e pró-impeachment, marcados para o vindouro dia quinze de março em várias cidades.

               Segundo indicação da Folha, o texto foi elaborado pelo marqueteiro  João Santana e o Ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).  Além de colaborações do Ministro Joaquim Levy, da Fazenda.

 

FHC rejeita ato em defesa de Dilma Rousseff

 
        O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB,  divulgou nota datada de sábado, sete de março,  em que rejeita  a tese de promover um pacto com aliados da Presidenta (PT).  A esse propósito, FHC diz que “qualquer conversa não-pública com o governo pareceria conchavo  na tentativa de salvar o que não deve ser salvo.”

        Sem embargo, a nota se insere em discurso anterior em que o ex-presidente teria admitido a aliados a hipótese de aproximação com a petista, na tentativa de ajudar a achar uma saída para  a crise política e econômica do país.

        A despeito de tais supostos intentos tucanos de conciliação, a nota de ontem tem uma tônica mais dura: “o momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Este quer antes de mais nada que se passe a limpo o caso do Petrolão”.

         Se houve algum aceno conciliatório, o  Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), em outra nota, chama de “delírio sem qualquer  fundamento na realidade” a tese de um acordo pela governabilidade de Dilma...

 
O FSB prende suspeitos da morte de Nemtsov

 

       O FSB (antigo KGB) compareceu, através de seu Chefe, Aleksander Bortnikov,  à televisão para anunciar a prisão de Anzor Gubashev e Zaur Dadaev, ambos do norte do Cáucaso, como suspeitos da morte de Boris Nemtsov.

        A ida do Chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança) à televisão para anunciar as detenções é um fato raro, que assinalaria o empenho do Governo Putin na solução do crime.

         O caminho, no entanto, é ainda longo. No caso de Anna Politovskaya, os primeiros juízos não avançaram, por se desconhecerem os reais mandantes da eliminação da corajosa jornalista.

         Putin, a quem Nemtsov não poupava em suas críticas, fez declaração exigindo que o Ministério do Interior previna  crimes políticos como “o descarado assassinato  de Nemtsov em pleno centro da capital”. Nesse quadro, Vladimir Putin afirmara anteriormente que o crime era uma “provocação” para desestabilizar a  Rússia, a par de prometer que os autores serão julgados.

          Na oposição, há uma certa discórdia quanto à responsabilidade pela autoria do crime.  Se Aleksei Navalny, que é o principal opositor a Putin, acusou os “serviços especiais” russos e até mesmo o Kremlin de estar por trás do assassínio,  sem embargo, os partidários de Nemtsov não acusam diretamente a Vladimir Putin, mas sim   círculos governamentais  de criar o ambiente propício, ao plantar a ‘semente de ódio’ contra os opositores.

          A par de sua contestação ao Presidente Putin, contestação essa convalidada pela relevância do papel de Boris Nemtsov na política russa (com posições de relevo no governo Ieltsin e depois na oposição a Putin), dentre os motivos de sua eliminação estariam as críticas ao conflito na Ucrânia (e participação de ‘voluntários’ russos junto dos rebeldes separatistas na ação contra Kiev), assim como sua condenação ao ataque contra o semanário Charlie Hebdo, e suas caricaturas (que ocorreu em janeiro último).

           Nesse contexto, a morte de Nemtsov seria imputável ao ódio muçulmano (entre outras palavras, compareceriam os militantes da Tchetchênia como possíveis suspeitos). Muitos, no entanto, discordam dessa genérica imputação, que escanteia gente que teria motivos muito mais próximos para mandar o pobre Nemtsov entrar na barca de Caronte...

 

( Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo )

      

sábado, 7 de março de 2015

A Cara da Corrupção no Congresso


                                    

             O que dizer da primeira página de O Globo de hoje?  Por mais que se procure relativizar, são 49 políticos, a grande maioria deputados e senadores supostamente corrompidos (classificados na coluna da corrupção passiva), que serão objeto de inquérito pelo Ministério Público.

             E não estão todos aí, porque a grande maioria da triste galeria pertence aos quadros do Partido Progressista. E não faltam sequer as máximas autoridades – Renan Calheiros (PMDB-Al) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do Congresso.

             Essa primeira lista – que mostra as sinalizações do ex-diretor  Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef, nas respectivas delações premiadas – é apenas a primeira página de uma história triste.

             A pesada ironia que marca o regime petista é a assustadora prevalência da corrupção. Que pelo número, altos postos ocupados e consequente presumida força política  mostra a carantonha de forma agressiva, como quem sabe de todos os podres, e se crê acima das limitações dos pobres mortais.

             Ela está por toda a parte. Não parece mais suposição que Lula e Dilma sabiam do petrolão.

              Depois do mensalão, as negativas do PT e de Lula ecoam diante de ouvidos que se enrijeceram, e que não mais têm condições de acreditar nas assertivas rituais de gente que sabe não mais dizer coisas verossímeis, mas não obstante as repetem, como as palavras de ordem que pairam sobre generalizado ceticismo.

              E contemplando essa interminável descida de um Congresso que trabalha pouco e, sem embargo, é muito bem pago, o militante desenganado há de  perguntar-se:

              Por quê toda essa roubalheira? Por que essa investida de famélicos, como se esse mundo fosse acabar, e todas essas excelências semelham carecer de gratificações, subornos, comissões, propinas, unidas todas pela ilegalidade e a imanente podridão.

              Terá sido o PT e seus grandes gerarcas que depois da caminhada pelo deserto da oposição chegaram sedentos às aras do poder, e com notável presteza se lançaram no mefítico pântano da corrupção?

              Tudo parece ter sido tão rápido e envolvente que muitos desses senhores (e senhoras !) tentem até pretextar um estúpido alheamento.

              Mas e que dizer das somas pagas a sorrelfa, dos recibos frios, de alvos envelopes  com o dinheiro sujo e fácil da corrupção?

              O que estamos virando, com toda essa gente ? Serão eles o Brasil verdadeiro? Ainda podemos descer aos baixios da Nigéria, das pobres repúblicas africanas devoradas por ditadores como o da Guiné, que subvencionou com o dinheiro retirado de seu povo miserável o glorioso desfile da Beija-Flor?

              Tudo é possível, meus senhores... Só me pergunto aonde está o Povo Soberano, que despertou em junho de 2013?  Não será hora de ele voltar, por  ruas e praças desses Brasis que não se pautam por uma riqueza demasiado fácil e tão suja.

 

( Fonte: Primeira Página de O Globo )

sexta-feira, 6 de março de 2015

É a economia, gente !

                                          

       A expressão não é nova, pois pertence ao candidato Bill Clinton que desafiou o Presidente em funções George H.W. Bush (depois conhecido como o velho Bush, pois, anos mais tarde, o filho George W. Bush seria também eleito presidente). Mas o democrata Clinton estava certo, e lograria transformar Bush sênior em presidente de um só mandato. O que Clinton desejara enfatizar era o primado da economia para a solução da crise.

      No Brasil de hoje, igualmente a economia está no centro das considerações, e por isso Joaquim Levy foi chamado para tentar pôr ordem na casa.

      A fautora de toda a desordem é a Presidenta Dilma Rousseff.  Por um capricho da bolsa-família, Aécio Neves perderia a eleição por apenas 3%.

      O aparelhamento do Estado pelo PT cuidou de recompensar quem, na verdade, não o merecia. Além de faltar-lhe liderança, Dilma abusou do direito de errar em economia.

       Ligando-se a uma linha desenvolvimentista, e com fumaças de distribuição de renda e populismo desbragado, Dilma Rousseff em pouco tempo traria a inflação de volta (ela pensava que podia segurá-la apenas com a retórica, com frases como não permitirei que). Teria que dar no que deu: carestia, preços administrados, intervenções irresponsáveis, petrolão (continuação), populismo demagógico e por aí afora.

      Hoje, depois que a Petróleo Brasileiro S.A. continuou endividando-se, por força de  insana ‘política da propina’, o governo petista logrou empurrar com a barriga todos os escândalos represados, e assim passar pelas forcas caudinas das eleições do ano passado, em que, apesar de tudo, conseguiu desfazer-se de Marina Silva (vítima de uma saraivada de ‘mentiras’, a que não podia responder, seja porque o TSE não lhe deu direito de resposta, seja porque não tinha tempo suficiente na propaganda eleitoral) e, na reta final, de Aécio Neves.

      O que se chamou de estelionato eleitoral funcionaria, mas a credibilidade de D. Dilma e PT & Cia. ficaram na sola do sapato.

      Agora, chamado Joaquim Levy para pôr ordem na Fazenda (que Dilma e acólitos como Guido Mantega e seu Secretário do Tesouro, Arno Augustin haviam tornado o reino da inventiva fiscal e da reintrodução de dúbios instrumentos do passado inflacionário, como a conta movimento, a ficção fiscal, etc.), por vezes ele esquece que a responsável por quase tudo de ruim é a Presidenta. Assim, quando carrega nas expressões como ao apostrofar de “grosseiro” o recurso da desoneração fiscal tem que dar o dito por não dito. O duro é fazê-lo não porque esteja errada a crítica, mas pelo fato de que a responsável pela mixórdia é a mesma que ora preside no Palácio do Planalto...

         Diz o velho ditado, que quem planta ventos, colhe tempestades. O Governo Dilma Rousseff – que já foi rebaixado no Dilma I – corre o risco de repetir a dose das agências de avaliação de risco. Trata-se na verdade do efeito Petrobrás, irresponsavelmente maltratada com muitos ‘malfeitos’ (para empregar o dílmico linguajar, com lenço na ponta do nariz, para buscar moderar seja a roubalheira em vários ministérios, seja a gritante mediocridade – como os trinta e nove ministros do último gabinete mais uma vez demonstraram).

           O  Brasil assiste pelos erros do Dilma I mais uma crise cambial, com o dólar nas alturas (o que tem, entre outros, efeitos inflacionários) hoje batendo nos  R$ 3). Por outro lado, Miriam Leitão nos recorda que a inflação no trimestre deverá ser a pior do ano. A sovada tentativa de controlar o dragão com preços administrados está tendo os resultados esperados. Assim, se em 2013 tais preços ficaram em 1,5%, a mágica teve o desfecho previsível: vão para 13,5%. Enquanto a inflação de janeiro a março ficará em quase 4%, a dos preços administrados atingirá 9,46%, sendo que mais da metade dessa alta corresponde à energia elétrica.

           Quanto à taxa da inflação em 2014 ficará provavelmente em 7,5% (Luis Roberto Cunha) ou 8% (Alexandre de Azara).

           A descrição por Miriam Leitão da conjuntura econômica brasileira é de deixar os cabelos em pé. A saber: o país vive ambiente recessivo, inflação alta, juros subindo, dólar também (está nos R$3,04), rombo nas contas públicas, conflitos e instabilidade no Congresso, crise na nossa maior empresa (e a possibilidade de levar, em Wall Streetl a nota da economia para o grau especulativo), um mega-escândalo sendo investigado que pega importantes lideranças políticas, e a dita base governamental rebelada contra a Presidenta.

            E a colunista de O Globo tira conclusão lapidar: “todos os brasileiros podem reclamar da conta de luz, da alta da inflação, da desordem nas contas públicas, exceto a presidente da República, já que a confusão foi em grande parte contratada por ela.”

           E para os economistas, os prognósticos são agridoces: a economia terá que piorar  antes de melhorar.

 

 

 

( Fontes:   O  Globo, Coluna de Miriam Leitão,  Folha de S. Paulo, site de O Globo )

Bate - Pronto

                                               

Renan está uma arara

 
      Renan Calheiros não está nada satisfeito com os procedimentos adotados pelo Ministério Público Federal nas ações contra os políticos incluídos no listão.

      No seu sentir, o M.P. deveria ouvir os políticos suspeitos de envolvimento com o esquemão da propina, antes de pedir autorização do STF. Julga o Presidente do Senado que isso seria de praxe, o que daria às pessoas questionadas oportunidade de defender-se.

      Ainda dentro de ânimo parecido, Renan defendeu novas regras para a recondução do Procurador-Geral ao cargo, como, v.g., a sua desincompatibilização do posto antes do período eleitoral. Ora, como Rodrigo Janot está nesse processo de recondução ao M.P. não seria o caso, se pergunta o Senador se “não vamos ter que, a exemplo ao que estamos fazendo com o Executivo, regrar esse sistema que o Ministério  Público tornou eletivo”.

      O mandato de Janot termina em setembro. A sua recondução depende de a Presidenta aceitar a indicação do M.P. e o Senado aprovar-lhe a nomeação.

 

  Listão ainda não divulgado

 

      Apesar de o Ministro Teori Zavascki não ter ainda revelado a lista dos 45 políticos contra os quais o MPF pede a abertura de inquérito  no STF, já são conhecidos  os nomes de oito senadores com mandato:  Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffman (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), Romero Jucá (PMDB-RR), Édison Lobão (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Collor (PTB-AL). O oitavo é o já mencionado Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

MST destrói mudas de pesquisas genéticas

 

       Depois da estranha conclamação de Lula da Silva ao exército de Stédile (sic), não é que grupo de 500 mulheres embuçadas, ligadas ao  MST, invadiram ontem empresa em Itapetininga, no interior de São Paulo, e destruíram milhares de mudas de eucaliptos, mantidas para pesquisas genéticas há cerca de catorze anos ? Além de filmarem o ato vandálico, as mulheres quebraram as estufas da empresa e picharam o local.
      É o caso de perguntar se, no caso, caberia responsabilização por influenciar ato irresponsável e manifestamente contrário ao interesse público.

 
O EI continua na vanguarda da boçalidade

 

       Com blindados pesados o grupo híper-extremista Estado Islâmico (EI), aproveitando-se da covardia do exército iraquiano, destruiu o sítio arqueológico da antiga capital assíria de Nimrod, fundada no século XIII a.C.

       Como se vê o vandalismo não é só apanágio do exército de Stédile (V. Lula da Silva). O E.I. está na vanguarda da boçalidade. Além de sua estúpida violência contra pobres diabos que, por azar ou causas similares, caem em seu poder, e tem as cabeças cortadas por indivíduos encapuçados (como eram os carrascos de antigamente), agora investem  com a mesma inteligência de manada de búfalos contra as ruínas da antiguidade. Além da estupidez sem limites, cabe perguntar se o propósito é só chamar a atenção.
 

Assassínio do Procurador Nisman

 

        Agora entendo melhor porque Jorge Luis Borges[1] detestava os peronistas... Na perícia do local da morte do promotor Alberto Nisman – em que os serviços subordinados a Cristina Kirchner conseguiram desrespeitar todas as regras de preservar a cena do crime -  não é que a perícia contratada pela família, e caracterizada pela exação nas regras do ofício,  contradisse os elementos apresentados pelos sequazes de Cristina?  Consoante a nova perícia, não houve ‘suicídio’ mas sim um brutal assassinato.

        Em questão decerto diversa, mas em que as reações contra e a favor do Procurador Nisman refletem influência ou não do Governo peronista, o juiz Daniel Rafecas, malgrado a recomendação do promotor Gerardo Pollicita (que sucedeu a Nisman), rejeitou a denúncia contra a Presidente Cristina Kirchner.

        O promotor encarregado apelou da surpreendente sentença de Rafecas.

         Além disso, cabe à Câmara Federal determinar se a acusação levantada por Nisman pouco antes de sua morte será reaberta e investigada pela Justiça.

 

 

(Fontes: O  Globo, Folha de S. Paulo)       



[1] J.L Borges (1899- 1986) Poeta, contista, ensaísta e tradutor, é talvez o maior escritor argentino.