terça-feira, 12 de agosto de 2014

Salgadinhos da Festa (II)

                                            

Sabatina no Jornal Nacional

 
     A cada eleição , seguindo prática usual , os âncoras do Jornal Nacional – William Bonner e, agora, Patrícia Poeta – encenam arguição dos três principais candidatos – Dilma Rousseff  (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Afastado o nanico Pastor Everaldo Pereira (PSC).

     Dada a audiência do JN, os convidados participam sem discutir. São quinze minutos de tempo para cada um, escolhidos por sorteio (feito pela Globo), respondendo às perguntas dos âncoras.  

     O primeiro da série foi Aécio, que ontem respondeu às questões colocadas pelos dois locutores.  Presumo que as perguntas tenham sido elaboradas pela equipe da Globo e pretendiam, sem hostilidade, colocar tópicos delicados para o candidato.

     Com o seu traquejo político – além da habilidade oratória – Aécio não teve maior dificuldade em informar o grande público sobre questões que Bonner acreditava difíceis. Assim, a pista em Cláudio, nas cercanias da fazenda familiar, foi tratada com naturalidade e colocada nas suas reais dimensões.

     O espectador teve decerto prazer em verificar que os quesitos da Rede Globo foram respondidos com serenidade e proficiência.  Aécio, que é do ramo, não se atrapalhou, nem disse coisas estapafúrdias. Tratou de tudo sem equivocar-se e de forma natural. Disse a que veio.

     O próximo será Eduardo Campos (PSB).

     O público aguarda, igualmente, com previsível expectativa, a Presidenta Dilma. Duas dúvidas: Bonner manterá a imparcialidade diante do dílmico poder, colocando perguntas que ele acredita difíceis?  E Patrícia Poeta se recordará do tratamento que teve de Dilma, em palácio, por ousar colocar-lhe quesito pautado?

 

Previsões do Mercado

 
        São estranhos os poderes que a Grande Imprensa – no caso a Folha – atribuem ao Mercado.

         Como a mídia atribui características carnais a uma figura tão etérea – mormente se se projeta o futuro – é um exercício que desafia a imaginação, não tanto a capacidade de aferrar o presente, mas a suposta aptidão de entrever para além de quadriênio o que será do Brasil.

         Nessas condições, previsões constituem apenas projeções da realidade do entorno. É uma questão, se me perdoam a palavra, epistêmica (relativa a saber). Quem pratica o exercício só pode fazê-lo – a menos que se disponha a suposições despropositadas (wild guesses) – com base em elementos que conheça. E, em consequência, dentro da realidade gnoseológica (do conhecimento), quem projeta o futuro, na verdade, está apenas projetando (literalmente) o presente. Dai o valor que têm tais prognósticos, que, dadas as suas claríssimas limitações, tendem, como me dizia um velho mestre, para zero...   

 

Robin Williams (1951-2014)

 
          Com o seu jeitão simpático e irônico, além da natural comicidade, sempre foi difícil que o espectador não empatizasse  com esse ator e humorista americano. Como sofria de depressão, há a presunção de suicídio.

          E, sem embargo, Robin Williams talvez não tenha sabido lidar com as peripécias da condição de ator de sucesso, enquanto esse mesmo sucesso não é necessariamente duradouro.

         Tampouco as drogas e a bebida são  solução.  Robin estourou com o Good Morning,Vietnam ! (Bom dia Vietnam !) (1987),  em que a própria comicidade o tornou de imediato um sucesso e uma celebridade.  Seguiram -se o evocativo “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989) e “Uma Babá quase perfeita” (1993), que satiriza o que um pai deve fazer para se aproximar dos filhos, no caso de separação. 

        Em “Gênio Indomável” (1997)  ele colheu o seu Oscar de ator coadjuvante.

        Por fim em O Pescador de Ilusões (The Fisher King), um filme de Terry Gillian que não teve grande difusão, mostra a possibilidade de casal formado por dois estranhos personagens (misfits), com dificuldades de relacionamento, lograr  entender-se, com base na peculiaridade dos respectivos temperamentos, que os tornava feitos um para o outro.

        A própria saída de cena de Robin Williams, aos 63 anos, se refletiu de forma apropriadamente cruel pela confusão causada com o cantor britânico Robbie Williams,  a ponto de muitos colocarem mensagens de condolência em rede social para esse último.

 

 

( Fontes:  O Globo, Rede Globo, Folha de São Paulo,  The New York Times )

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Notícias Direto do Front

                                        

Vitória de Erdogan na Turquia

 

        Fundado no apoio do interior da Turquia, sobretudo de sua população sunita, Recep Erdogan venceu o pleito já no primeiro turno, com maioria de 51,9%.

        Erdogan é Primeiro Ministro desde 2003, havendo sido nomeado e referendado por maiorias do AKP – Partido da Justiça e Desenvolvimento – por três mandatos. Apesar de seu caráter religioso, o AKP soube contornar as restrições do Estado kemalista laico, e perdurar no poder.

        Já em 2013 tentara instaurar o regime presidencialista no país, mas não logrou no intento. Nos últimos meses, a sua popularidade baixara, por causa de escândalos de corrupção que o envolveram diretamente, pelo seu crescente autoritarismo, inclusive pelo modo com que tentou abafar manifestações populares, motivadas pelo intento de Erdogan de derrubar parque em Istambul.

         O atual Presidente da Turquia, Abdullah Gul, que é também do AKP, se distanciou nos últimos tempos de Erdogan.  Por primeira vez, um presidente é eleito pelo voto popular e não por votação indireta.

         Erdogan não tem a intenção de se deixar cercear pelos atuais poderes da Presidência, que, por ora são mais de caráter formal e cerimonial.  Somente em 2015, nas eleições legislativas, disporá de nova oportunidade de reformar a Constituição para transformar-se em mandatário com plenos poderes, nos moldes dos regimes presidencialistas.

        Semelha difícil que o autoritário Erdogan se vá contentar até lá com as restrições da atual presidência.

        Como não se pejou de declarar que, entrementes, usaria todos as faculdades  a seu alcance para reformar a Constituição e “presidencializar”  o governo,  o mundo político turco deve apertar o cinto, porque não se poderá excluir a inevitável turbulência.

       Um ‘exemplo’ que poderia inspirar Erdogan está no presidente francês da Terceira República, Raymond Poincaré. Esse político de direita, que muito contribuíu por seu irredentismo, demagogia e populismo, para a eclosão da tragédia-mãe do século XX, a Grande Guerra de 1914-1918, apesar de exercer cargo formalmente sem maiores executivos, soubera valer-se para ter força política através da nomeação de candidatos fracos para Primeiro Ministro, de forma a governar por interposta pessoa.

      A maioria que elegeu Erdogan é sunita, conservadora e interiorana. Constituindo, na prática, a metade do eleitorado, o ‘mandato’ atribuído ao novo Presidente exigiria em princípio flexibilidade e composição com outras correntes políticas.  A moderação que seria necessária não tendo sido ultimamente evidenciada por Recep Erdogan, que em passado recente se chocou com os jovens e os setores mais liberais do arco constitucional.

 

Racionamento de água         

 

               O drama enfrentado pela grande São Paulo, com a enorme queda nos níveis do reservatório da Cantareira, que é decorrência da prolongada seca que sofre a região dos mananciais desse sistema, já determinou na prática o racionamento para dezoito cidades do Estado de São Paulo. 

               Para enfrentar a sua relativa falta, dezoito cidades paulistas interrompem o fornecimento de água por períodos que vão de quatro horas a dois dias.

                Dentre elas, está a segunda maior do Estado – Guarulhos – onde 1,3 milhões de moradores passam um dia (de cada dois) sem água.

                O restante oitocentos mil está formado por cidades médias – como Sorocaba e Itu – e pequenas, como Aguaí, Casa Branca e Pereiras.

                 Se o transtorno da falta d’água está sempre presente, ele varia entre o rodízio do dia sim para um (ou dois) dia(s) não, bem como através dos cortes diários, que podem ser regulares ou – o que ainda pior -  irregulares.

                 É difícil imaginar algo mais desconfortável – e anti-higiênico - do que a falta d’água,  seja em termos de higiene corporal, seja em matéria alimentar.

                 Nesse contexto, o desperdício deve ser combatido com a maior severidade. O remédio adequado é a multa (ela tem variado no Estado de São Paulo entre R$ 500 e R$ 5000).   

                 O Rio de Janeiro – sobre o qual já pesa a ameaça de restrições no fornecimento de água na bacia fluvial que interessa ao Rio e a São Paulo, por desvios desse fluxo por São Paulo – deveria coibir esse desperdício, que é geral praticado seja na lavagem de calçadas com mangueiras de pressão, seja no desvio para jardins decorativos de água para consumo humano. Nesses casos, a água é utilizada com crassa e memorável displicência (sem falar de indolência sistêmica), para suprir a limpeza por vassouras de áreas de serviço, o que se afigura inadmissível já em condições de normalidade, quanto mais nas presentes circunstâncias, em que, por culpa do bicho homem, escasseia o precioso líquido.

 

Boa maneira de impulsionar o crédito?

 

                  É sabida a posição do governo Dilma de impulsionar a produção através do incentivo ao consumo. Pouco importa que a dita impulsão não tenha dado muito as caras, se depararmos os índices do pífio crescimento econômico.

                  De qualquer forma, o governo petista deseja até modificar o Código Civil. Nesse sentido, a coisa funcionaria da seguinte forma: se adotaria uma versão mais ‘light’ da defesa dos direitos do consumidor.  A ideia seria agilizar a retomada dos carros em caso de atraso de pagamento das prestações.  Nesse sentido, não mais o Banco careceria de notificar o cliente supostamente inadimplente via oficial de justiça.

                   Ao invés disso, a polícia teria permissão até de apreender o veículo através de uma ‘blitz’. Para tanto, ainda este ano o Governo tenciona enviar proposta de alteração do Código Civil,  a fim de que as novas regras possam ser regulamentadas.

                       Dessa forma, dando maior poder aos Bancos para reaver o automóvel, se baratearia o processo e, por conseguinte, os ditos estabelecimentos bancários poderiam – segundo prometem – até baixar os juros...   

                      

(Fontes: Folha de S. Paulo, O Globo)

domingo, 10 de agosto de 2014

Colcha de Retalhos B 31

                                          

Reação americana no Iraque

 
          Conforme assinalado no blog de ontem (Vária III), o Presidente Barack Obama autorizou ataques de caças americanos – e de drones – contra a ofensiva do chamado Isis.  Essa força foi gestada pela guerra civil na Síria. A atual indefinição naquele país tem favorecido ao tirano Bashar al-Assad, que recentemente pôde encenar a sua reeleição, o que seria impensável há uns meses atrás.

          A virtual ressurreição de Bashar – que deve muito à recusa do presidente estadunidense (malgrado para tanto aconselhado pelos quatro então chefes do estamento de defesa) de melhor armar a liga de defesa síria reconhecida pela Liga Árabe – tem provocado muitos fenômenos nocivos, como o surto de poliomielite, criminosamente facilitado pelo ditador nas áreas sob controle rebelde, e não por último a formação do ISIS.

          Este grupamento, de que participa Al Qaida e grupos similares, ambiciona formar um califado em parte da Síria e norte do Iraque. Não me deterei em considerações sobre o anacronismo de tal propósito, que se alicerça na intolerância de qualquer outro credo, que não seja o suposto primevo formato abraçado pelos mujahedin.

           No momento, essa formação que avança como faca em manteiga diante do arremedo de exército iraquiano ameaça a região autônoma curda e a sua capital Erbil. Os curdos dispõem, aliás,  dos chamados peshmerga, que é milícia melhor estruturada do que as formações militares do estado iraquiano.

           O atual desfazimento do Iraque é consequência do desastroso governo de Nouri al-Maliki. Ao invés de cuidar de recompor a rota tessitura iraquiana, Maliki age mais como chefe da comunidade xiita do que enquanto Primeiro Ministro do Iraque. Ao afrontar em toda oportunidade a parcela sunita do país, ele pensa quiçá privilegiar os seus companheiros de fé xiita. Em verdade, porém, com a cegueira associada à própria coerência, ara essa antiga terra com uma estulta anti-política.  Dessarte,  trata os sunitas jamais pensando na reconciliação, mas sempre  em prejudicá-los. 

            O resultado no Iraque não poderia ser outro. Ao semear o ódio,  Nouri al-Maliki – que junta ao pouco discernimento político, a inclinação para o autoritarismo – abre as portas da rebelião.

            É difícil determinar se as recentes reuniões com o Secretário de Estado John Kerry trarão algum discernimento a Maliki. Parece, à primeira vista, de discutível sensatez montar o governo futuro do Iraque sobre essa pedra.

            Quanto à intervenção de Obama com os seus caças e drones para deter o avanço da coluna do ISIS – que ameaça a região curda – o braço aéreo, sem dominar o terreno, é fator decerto importante, mas não necessariamente determinante para assegurar o controle territorial.

             Compreende-se a situação do presidente, forçado a intervir pela metade, por causa de argumentos bem conhecidos. As críticas por ele recebidas partem não só da oposição republicana – outra coisa não se poderia dela esperar – mas também de democratas. Nessa questão, com o desastroso precedente de George Bush Jr., semelham demasiado fáceis as reprimendas, embora nem sempre bem-avisadas e honestas.

           Basta colocar-se na posição do 44° Presidente, e se poderá entrever quão cômoda é a postura dos adversários, que, em tese, disporão sempre de argumento para verberar-lhe as iniciativas. Se nada fizer, e se os fanáticos islâmicos tudo levam de roldão, críticas acerbas à passividade presidencial; se age como agora, lhe jogam em rosto os passados compromissos e a decisão de retirar-se afinal da aventura iraquiana...     

 

Alteração de Perfis na Wikipedia

          Segundo noticia O Globo, com chamada em primeira página, após tentativa inicial de inviabilizar qualquer identificação dos responsáveis, alegando não ser possível  sinalizar que computadores alteraram os perfis de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipedia,  o Palácio do Planalto recuou.

           Haverá investigação do caso, por ordem da Presidente Dilma Rousseff, que determinou à Casa Civil verificar envolvimento do Planalto. Há repúdio bastante generalizado por entidades, da oposição e do próprio Ministro Gilberto Carvalho.

            O editorial do Globo de sábado refere, com muita oportunidade, que “Aloprados agora atacam do Planalto”.  A denominação, dada então pelo Presidente Lula aos que tinham encomendado dossiers contra a oposição, com vultosas quantias, toca sobretudo desta feita no nervo exposto de prevalecer-se do sítio da autoridade maior para proceder a emendas difamatórias nos perfis da Wikipedia.

            Não se deve confundir o pleno uso da internet para a difusão publicitária dos projetos do Partido dos Trabalhadores  com uma ‘atuação criminosa na rede de computadores a serviço de interesses partidários.’

            Presume-se que a saída – ou melhor, escapada – dos envolvidos no episódio estaria na pretensa impossibilidade de localizar registros dos acessos, para a identificação do(s) culpado(s).

            Como sublinha o editorial de O Globo, há (no mínimo) controvérsias. “Técnicos garantem que as informações podem ser resgatadas dos servidores do Palácio. E, se lá não estiverem, a identidade de quem as retirou terá ficado gravada”.

 

Eleição Presidencial Turca

 
             Hoje se realiza na Turquia a eleição para Presidente da República. Anteriormente, o Chefe de Estado era escolhido pelo Parlamento e dispunha de funções mais de representação, como ainda é o parâmetro do Presidente italiano e na Terceira República constituía a regra do presidente francês. Apenas na escolha do Primeiro Ministro o mandatário francês tinha poder, e no mais, inaugurava exposições florais e similares, na famosa expressão de inaugurer les chrysanthèmes [1]. A única exceção dessa prática coube ao presidente da 3ª  República Raymond Poincaré (1913-1920), que pela manipulação da prerrogativa constitucional de indicar o Primeiro Ministro, pôde valer-se de influência bem além do caráter cerimonial do cargo.

            Voltando ao pleito turco, surpreende que Recep Tayyip Erdogan seja considerado favorito para essa eleição. A despeito das críticas recebidas pelo autoritarismo e a censura à internet e à imprensa – o que lhe valeu atravessar verdadeiro inferno austral há uns meses atrás (acusações de violência policial, de corrupção, com alegada aceitação de subornos junto com um dos filhos, sem falar de censura à imprensa e à internet) – Erdogan tem possibilidade de ganhar já no primeiro turno.

              Se tal não ocorrer, o provável adversário no segundo turno será Ekmeleddin Ihsanoglu, que tem o apoio da maioria das oposições.

               Erdogan, se não reflete o sentir das camadas mais progressistas e democráticas, conta com o apoio da maioria sunita da área rural. Essa gente de parca educação, por tradição nacionalista e conservadora, o vê como representante desses valores.  Será através dessas camadas da Turquia profunda – que não estão confortáveis com as atitudes progressistas e liberais dos grandes centros (de onde saíram as maiores contestações ao domínio de Erdogan) – que semelha garantido o triunfo um tanto anticlimático de Recep Erdogan.

 

(Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo)



[1] Inaugurar exposições florais de crisântemos, i.e., exercer funções meramente decorativas.

sábado, 9 de agosto de 2014

Vária (III)

                                        

Avanço do  ISIS

         O grupo fundamentalista do ISIS anuncia o controle de quinze cidades no norte do Iraque. Dado o avanço militar dessa seita, diante do desorganizado exército de Nuri al-Maliki – que ao perseguir os sunitas criou as condições para o faccionalismo – o presidente Barack Obama se viu forçado a autorizar ataques aéreos  contra a coluna. Além dos caças, participarão igualmente os chamados drones (pequenos aviões teleguiados) dessa operação.

         Obama, no entanto, fez questão de assegurar que a infantaria do exército estadunidense não mais voltaria a ser empregada no Iraque. A conferir.

 

Juiz solta ativistas

 
          O juiz Marcelo Matias Pereira reviu decisão anterior, e decidiu autorizar a liberação dos ativistas  Fábio Hideki Harano e Rafael Marcos Lusvarghi – que haviam sido presos a 23 de junho em ato contra a Copa do Mundo em São Paulo.
          O magistrado, que antes recusara o pedido de liberdade para os réus em apreço, uma vez divulgados os laudos oficiais – que revelaram não serem explosivos os objetos apreendidos pela polícia e que estavam no poder desses ativistas – concluiu que a acusação ficara fragilizada, ao se evidenciar que os manifestantes “não portavam qualquer artefato explosivo”.

 

Crivella  x  Garotinho         

              Enquanto Pezão (Luiz Fernando Pezão),  o governador em exercício  defende o programa introduzido pelo Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro,  José Mariano Beltrame das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs),  os dois candidatos dianteiros nas pesquisas (Garotinho e Crivella) se digladiam no combate eleitoral, a propósito desta relevante política de interesse de todo o povo do Rio.

              A discórdia se centra no programa de pacificação das favelas. O Senador Marcelo Crivella (PRB), evangélico, é favorável à proposta do ex-governador Sérgio Cabral, implantada pelo Secretário de Segurança Beltrame.  Nesse sentido, Crivella responsabiliza o também evangélico Deputado Anthony Garotinho (PR) pelas suas restrições ao programa das UPPs. 

              Como Garotinho vem liderando as pesquisas – Crivella está em segundo – a posição do ex-governador não é questão de somenos importância.  Nesse contexto, Crivella atacou Garotinho, em sabatina da Folha, ao afiançar  que as propostas do rival dão esperanças a criminosos.

              O candidato do PRB defende o uso do Exército para ampliar as UPPs.

               Por outro lado, deve-se notar que também o candidato do PT, o Senador Lindberg  Farias fez reservas ao programa das UPPs.

 

Graça Foster ameaçada ?

 
                A posição do Partido dos Trabalhadores – e da Presidente Dilma Rousseff – no que tange à Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) desperta espécie.  Se Dilma e o PT são tão amigos assim desta empresa – cuja criação se deve ao Presidente Getúlio Vargas, no seu último mandato – cabe a pergunta por que a deixaram em  penosa situação, com enorme dívida, cousa que não fez  FHC, malgrado o seu alegado neoliberalismo.

                Agora a amiga de Dilma, Graça Foster, está ameaçada de perder o lugar, se o TCU (Tribunal de Contas da União) decretar um eventual bloqueio de seus bens, o que no entender do Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams – que percorreu os gabinetes dos Ministros do TCU na tentativa de blindar Graça – ‘inviabilizaria a gestão dela porque tiraria sua legitimidade’.

                 Talvez não seja difícil prever como esse processo vai terminar, dadas as características próprias dos órgãos envolvidos. No entanto, por conta do advogado-geral da União, há uma pluralidade de gestos até hoje inéditos: “por primeira vez na história, o advogado-geral da União fez a sustentação oral num processo do TCU”.  Por outro lado,  “o Ministro José Jorge leu o voto preparado, em que defendeu a necessidade de citação de Graça por um prejuízo de US$ 92.3 milhões no processo de compra da refinaria, com a consequente indisponibilidade dos bens. O relator, porém, retirou o processo da pauta, para “nova análise a partir dos argumentos trazidos pelo advogado-geral da União, como disse em plenário. (...) Integrantes do TCU apontam que é muito raro um relator ler seu voto e retirar os autos da votação, o que afrontaria até mesmo o regimento interno  do tribunal. Luís Adams já admitiu que visitou os gabinetes dos ministros do TCU, mas não considera que tenha feito pressão indevida na corte.”

 

 

( Fontes:  O Globo,  Folha de S. Paulo )    

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Trincheiras da Liberdade B 8

                                

Alteração de Perfis de jornalistas na Wikipedia

 
        Se não surpreende, provoca estranheza, como assinala O Globo de hoje, que sejam feitas alterações nos perfis da Wikepedia (enciclopédia virtual), através da rede de internet do Palácio do Planalto.

        Os perfis da vez são os de Miriam Leitão, conceituada colunista econômica e financeira de O Globo, e de Carlos Alberto Sardenberg, comentarista da CBN e da Rede Globo.

        É estranhável que o equipamento do Palácio do Planalto, que é público, adote procedimentos típicos de hackers, que sóem introduzir nessa rede enciclopédica virtual comentários derrogatórios ou deformações intencionais, muita vez a mando de indivíduos ou entidades que se propõem desfigurar análises isentas acerca de perfis ou matérias determinadas.

        Como indica o artigo, o IP 200.181.15.10., da Presidência da República “foi usado na enciclopédia colaborativa virtual para fazer alterações” em maio de 2013. Sem embargo, importa assinalar que “apenas os administradores da rede do Planalto têm como saber exatamente qual equipamento do local foi usado.”

        As alterações se propõem inserir observações negativas sobre os colunistas, como, v.g., a qualificação das análises de Miriam Leitão como “desastrosas”. Por outro lado, a colunista desmente a sua pretensa defesa de Daniel Dantas: “É mentira que eu tenha defendido Daniel Dantas. Acho que é espantoso que um órgão público, ainda mais o Palácio do Planalto, use recursos e funcionários públicos para fazer esse tipo de ataque a jornalistas, quando deveria estar dedicado às questões de Estado.”

        Por sua vez, diante de ataques similares e de alterações no respectivo perfil, Carlos Alberto Sardenberg observou: “Minhas opiniões são sempre muito claras. A política do Banco Central tem sido muito errática e sem uma lógica, tanto é que fizeram uma redução de juros forte e, depois, tiveram que subir, então, é óbvio que está errado. É evidente que minha posição é claramente crítica a esse governo”. (Sem embargo) “dizer que, porque meu irmão trabalha na Febraban, sou lacaio dos bancos é uma canalhice, uma baixaria.(...) É antiético, porque você coloca  no perfil uma ilação. Usando um equipamento do governo, se faz uma ilação que não pode ser feita.”

 

O  Estranho Levante contra a Ucrânia

 
              Em visita de solidariedade à Ucrânia, o Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Anders Fogh Rasmussen, reportou-se à existência de vinte mil soldados russos na fronteira das províncias orientais ucranianas: “Peço à Rússia para recuar e não usar da manutenção da paz como desculpa para fazer a guerra”.

              Tal observação de Rasmussen não é feita por acaso. Esse recurso de equipamentos de operações para a manutenção da paz foi igualmente usado pela Federação Russa, na sua (bem-sucedida) intervenção militar na Península da Crimeia, que culminou com o  plebiscito – com redação dúbia e feito de afogadilho – que tentou coonestar a anexação daquela província por Moscou. Agora, como frisou o Secretário-Geral da NATO, o apoio moscovita aos rebeldes tem crescido em “escala e sofisticação.”

                  À estratégia do Kremlin não falta sofisticação e tentativas de apagar a assinatura e o apoio do aparelho moscovita à cínica intervenção nas questões internas da Ucrânia.  Posto que a luz do sol não se oculta com peneiras, os intentos visam a dar suposta orientação autônoma e interna a um ataque que vem do exterior próximo.

                   A última manobra nesse sentido é a troca no comando da auto-proclamada República Popular de Donetsk:  saiu do comando nominal o russo Alexander Borodai, para a entrada de um natural ucraniano, Alexander Zakharchenko.

                  O exército ucraniano tem feito algum progresso na sua missão de restabelecer a autoridade de Kiev sobre toda a região.  Dado o interesse de Moscou em estender o respectivo domínio sobre essa área – de forma a dispor de melhor acesso à  nova província da Crimeia – as perspectivas continuam dúbias que  as forças de Kiev logrem prevalecer nessa luta.

 

Prorrogação do Asilo a Snowden
 

                      A situação de Edward Snowden – que era agente contratado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos – e que tomara a iniciativa de revelar a existência de amplo sistema de espionagem eletrônica  tanto interna quanto externa, de parte da dita NSA – acaba de sair do relativo limbo em que se encontrava. Com efeito, Snowden solicitara no mês passado a renovação do asilo político temporário na Rússia. Ali chegado a 23 de junho de 2013, após deixar os Estados Unidos e, via Hong-Kong, lograr fugir do longo braço de Washington, Snowden carecia de ter prorrogado o seu direito de estada em terra russa.

                          Termina, assim, por ora, a indefinição no status do ex-analista de informação.  Segundo o seu advogado Anatoli Kucherena a sete do corrente mês teve estendida a permanência por mais três anos.  É de notar que se Snowden permanecer na Federação Russa por cinco anos, terá o direito de pleitear a cidadania russa.

 

( Fontes:    O  Globo,  Folha de S. Paulo )

 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pilulas Agridoces (II)

                                         

Brasil lucra com briga alheia

 
           Por força das sanções aplicadas por Estados Unidos e União Europeia à Rússia, o  Brasil deverá aumentar as suas exportações, notadamente de carnes (frangos).
           Após o anúncio das sanções, o governo russo alargou o número de frigoríficos brasileiros autorizados a exportar para a Rússia, de trinta para cerca de oitenta.

           Em termos de frangos, as vendas anuais do Brasil saltarão de sessenta mil toneladas para duzentos e dez mil.  Em 2013, exportamos US$ 137 milhões para a Rússia, e agora se aditaria volume suplementar – se confirmado – de mais US$ 300 milhões às nossas exportações.

 
Mudar por mudar?


           A colunista Eliane Cantanhêde, da segunda página da Folha, a propósito de artigo de Maurício Puls, volta a bater na tecla de que Dilma pode ser ruim, e até muito ruim. No entanto, para ela, a despeito das avaliações negativas, vale e vale muito a circunstância de que é um fator conhecido.
            Não me convenceu a argumentação de eleitora com nível médio de escolaridade e relativamente baixo de renda. A sua melhor avaliação, ou  anti-avaliação é uma receita para a mesmice e a inoperância. O eleitorado precisa ser motivado e mais do que isso sacudido pelos argumentos da oposição.

            Se passeatas de jovens, em junho de 2013, foram capazes de comunicar-se com as ruas e bairros de todos esses brasis, trazendo de volta valores que se pensava esquecidos ou até escarnecidos, ninguém pode desdenhar à priori do grito das ruas que é essencialmente a mensagem de um povo que procura.

           E, minha gente, quem procura, acaba encontrando, como se viu em junho, e poderá ver-se nesses meses que faltam para o três de outubro.

 
A  destruição na Faixa de Gaza

 
           Como a população civil que reside em Gaza – que, normalmente, já é um exemplo de precariedade habitacional e de excessiva concentração demográfica – há de julgar a disposição belicosa da ala militar do grupo palestino Hamas?

            Qual o significado de não admitir a extensão da trégua ? Não é só demagogia, mas sim um vocação para a destruição das residências e dos cortiços que constituem a imagem de Gaza.

              De que adianta expressar a disposição de continuar a lançar os seus foguetes, a despeito de antiquados e com muito baixa possibilidade de superar a barreira tecnológica montada por Israel, com o apoio dos Estados Unidos?

              Tornar a povoação civil de Gaza refém das péssimas condições sanitárias e habitacionais, que se estendem a perder de vista, cortesia dos bombardeios israelenses, que os fanáticos profissionais do Hamas se empenham em provocar, e de forma incessante?

               Entre dois inimigos, um armado até os dentes e dispondo de mirífica e quase sempre letal capacidade,  e outro com o zelo e a intransigência alimentados por outras fontes, igualmente implacável na sua determinação de levar tudo à breca, mesmo infantes e crianças, o que dizer dos lancinantes apelos de autoridades internacionais e nacionais, que atingem os mais altos decibéis durante os conflitos, para depois recolherem-se aos salões de  diplomacia que brande resoluções e recomendações, diante da penúria e dos destroços das habitações em ruina, onde no monturo dos bombardeios e na visão cotidiana da miséria e da desesperança existe e se eleva  condenação que grita tão alto nos seus estragos absurdos e sem qualquer outro propósito que clamar a estupidez do fanatismo.

               Para eles todos, que tanto mal causam e nenhum bem, a única imagem seria a dos celerados da Guerra Civil Espanhola, que bradavam a plenos pulmões Viva la Muerte!

               Pois será o mesmo que viver em Gaza, por especial cortesia do Governo israelense e dos líderes do Hamas !

 

( Fontes: Folha de S. Paulo,  O  Globo,  CNN )

Partido que demite trabalhadores ?

                                     

        Como nos relembra, na sua coluna, Ricardo Noblat, Larry Rother, na época correspondente no Brasil do New York Times, correu risco similar de destituição, pela provocada ira do Presidente  Luiz Inácio Lula da Silva, que só teve resultado diverso  da sorte sofrida por empregados do Banco Santander, pela intervenção do então Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

        Aconselhado por uns poucos assessores – que tiveram a coragem de contrariá-lo – e o Ministro Thomaz Bastos, Lula acabou engolindo a menção pelo repórter de seu gosto por bebidas alcoólicas, dizendo-se generoso e obediente à lei. Desculpou o malfeito, depois da divulgação de nota afirmando que ele, Rother, não tivera a intenção de ofendê-lo.

         Quanto ao Banco Santander, os ‘responsáveis’ pelo alegado problema causado a Dilma Rousseff sofreram sorte bem diversa. Transpirando  a questão, Lula dirigiu-se em reunião pública ao seu ‘dileto amigo’, presidente mundial do Santander, cobrando a demissão da responsável. Dizendo em termos chulos que ela não entendia nada de Brasil, acrescentando para o amigo Emílio Botin: “pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.

        Transpirou na Folha de S. Paulo que o banco Santander demitiu não um, mas quatro funcionários, a que responsabilizou pela afronta a Dilma. O zelo do banco espanhol, que tem numerosas agências no Brasil, causou a demissão  não só da gerente que preparara o texto encaminhado a clientes vip (renda acima de dez mil por mês).

        Segundo o noticiário da Folha, os outros três exonerados o foram pela suposta responsabilidade de haver deixado passar texto que desagradaria ao governo.

         Em essência, a análise enviada aos clientes da área Select – a exemplo das áreas especiais para clientes de maior renda, como a Estilo (do Banco do Brasil) e a Prime (do Bradesco) – passava avaliação amplamente conhecida. Trocada em miúdos, asseverava que com eventual melhora de Dilma nas pesquisas, os juros e o dólar subiriam, e a Bolsa cairia.

         Por repassar a seus clientes avaliações que os franceses chamariam de autoria de Monsieur de La Palisse e brasileiros, de assertivas do Conselheiro Acácio, os ditos funcionários do Santander não disseram nada de mais.

         Por isso, a intervenção de Lula da Silva e do atual presidente do PT, Rui Falcão, não passa de instrumentalização política. Ao visar um grande banco, e ainda por cima estrangeiro, faz jogada para a arquibancada.

        Nesse contexto, assim como a voz esganiçada da jovem rainha Elizabeth dava a Lord Altricham uma dor no pescoço, que leitor não há de sentir algum desconforto diante do zelo do banco espanhol em atender aos rosnados de poderosos locais, mandando para a rua funcionários que tinham acreditado que a sua função precípua seria dar informação abalizada aos respectivos correntistas ?

        Agora esses empregados lerão com mais atenção o aviso dos patrões: “não recebemos, nem aceitaríamos, qualquer tipo de pressão externa para adotar  as medidas que tomamos” (isto é, a exoneração dos quatro funcionários)

        “O descumprimento dessa diretriz (o código de conduta interno) nos colocou no centro de um debate político, que não nos cabe."  

         (declarações, transcritas da Folha de S. Paulo, de Marcos Madureira, Vice-Presidente de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do  Banco Santander)

  

( Fonte:  Folha de S. Paulo )