domingo, 15 de dezembro de 2013

Colcha de Retalhos A 46

                             

A volta de Dilma nas pesquisas


     Depois das manifestações do passe-livre de junho, e a consequente derrocada de Dilma Rousseff nas pesquisas de voto (quando a avaliação despencou de 55 (junho)  para 31 (julho) ), agora a curva do IBOPE passa de 37 (setembro) para 43 (novembro).

     Posto que a avaliação da Presidenta esteja ainda longe das alturas de 63 (março), esta é a segunda prévia com a recuperação ascensional. Faltam ainda vinte pontos para que Dilma volte às alturas anteriores.

 
Ibope dos Governadores

 
     Enquanto os efeitos das passeatas de junho vão diminuindo, as avaliações dos governadores, muitos dos quais candidatos à reeleição, começam igualmente a subir. Passados os questionamentos das manifestações, excluídos alguns casos terminais, quase todos registram algumas melhoras.
     Há três com altas avaliações (ótimo/bom): Omar Aziz (PSD) do Amazonas, com 74%; Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, com 58 %; e Tião Viana (PT) do Acre, com 55 %.

     Há quatro com boas avaliações (ótimo/bom):  Renato Casagrande (PSB) do Espírito Santo, com 49%; Antonio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, com 49%; André Puccinelli (PMDB), de Mato Grosso do Sul, com 49%; e Beto Richa (PSDB),do Paraná, com 45%.
    Na planície da relativa mediocridade, entre outros Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, com 34%; Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, com 31%; e Jacques Wagner (PT), da Bahia, com 26%.

     E com avaliações sofríveis ou ruins, Sérgio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro, com 18% ;  Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, com 9%; e Rosalba Ciarlini (DEM), do Rio Grande do Norte, com 7%, a lanterninha.

 
O PT  e  o  Mensalão

 
       Com as prisões se enchendo com os condenados da Ação Penal 470, o popularmente conhecido como Mensalão, há uma violenta (por enquanto retórica) negação da realidade de uma parcela substancial da militância do Partido dos Trabalhadores.

        Animados pelas atitudes dos companheiros José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, que se declaram inocentes, enquanto levantam o braço e cerram o punho, e até pelo grande guia, que também se animou a erguer o braço e fechar o punho (embora tal atitude de Lula da Silva tenha de ser inserida em fileira de declarações contraditórias sobre este grande escândalo), os militantes petistas vão perdendo o sentido da medida e do respeito republicano devido às instituições.
       Não obstante, eles expressaram incômodo com a presidente Dilma Rousseff e o próprio Lula, por evitarem defender os réus na abertura do encontro do Partido dos Trabalhadores, na quinta-feira, doze de dezembro. Nesse sentido, segundo noticia a Folha, o Palácio do Planalto trabalhara nos bastidores para evitar que a presidenta fosse vinculada a atos de desagravo do PT, que tem necessidade de dar resposta ao público interno.

       José Guimarães, que é o líder do PT na Câmara – e irmão de José Genoino – disse que todo o partido precisa sair em defesa dos presos na campanha eleitoral de 2014.
       Dentro dessa atmosfera, compreende-se que o presidente do Supremo, Ministro Joaquim Barbosa, tenha virado alvo de ataques na sessão de sexta-feira do encontro partidário. O Ministro Barbosa sofreu acerbas críticas de militantes, a  começar pela filha de José Dirceu, Joana Saragoza: ‘Meu pai está preso injustamente por ter lutado para fazer do Brasil um país melhor. Todos sabemos que o julgamento foi marcado pela exceção.’

        Dessa atmosfera participa o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), e o patético para quem assistiu às sessões públicas (e televisadas) da A.P. 470 está sempre presente: ‘O que eu tenho pedido é o seguinte: Diga, ministro Joaquim Barbosa, o que foi que eu desviei. Ele não diz. Sabe por que ele não diz? Porque não tem.’

 
O Fantasma da  Infraero


        A crise da aviação no Brasil tem a aparência de ser geral. No setor do transporte aéreo, antes tínhamos a VARIG, reconhecida internacionalmente. Todos nós sabemos como isso terminou. Uma grande companhia internacional, condenada pela irresponsabilidade dos dirigentes pós-Rubem Berta, àquele fim melancólico.

        As sucessoras da VARIG – a TAM  e a GOL – atravessam igualmente tempos difíceis, com surpreendente baixa rentatividade. Já não formam entre as grandes companhias.

         Provoca estranheza e assombro que no mercado aeroviário brasileiro, as companhias viajem lotadas – e  carece de incluir a Azul e a Avianca – mas estão sempre penduradas. Alguma coisa está errada nesse mercado – o que, para o pessoal do ramo, não deve ser difícil de saber. Serão as companhias ou será o governo que, pelas deficiências nos terminais aéreos, não colabora com os investimentos necessários? Ou carece de acrescentar os impostos e o preços dos combustíveis ? Tudo isso poderia ser equacionado.

         O que vemos, no entanto, no governo de Dona Dilma é a lentidão nas respostas. A recente privatização do Galeão – cuja urgência gritava aos céus, diante da precaríssima situação desse terminal – apresenta risco de inchação dos quadros da Infraero em aeroportos próximos.

         Dilma e antes Lula da Silva demoraram demais com o paradigma ultrapassado dos aeroportos cabides de empregos. Agora, com a privatização (que a Copa do Mundo e as Olimpíadas tornaram indispensável) o futuro do Santos Dumont é o de tornar-se o receptor de 944 funcionários do Galeão que terão a opção de serem transferidos para outros terminais.

         Apesar de sua ótima localização, e de sua utilização para voos de distância reduzida e média, uma visita àquele antigo aeroporto há de indicar que ele não necessita dessa maciça transferência. Se já não funciona a inteiro contento, imagina como há de ficar. ‘Muito macaco num galho só’, na frase de Marcus Silva Reis transmite  uma imagem que pode ser cruel, mas é veraz.

         E a matéria de O Globo  assinala que a privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, que inchou os aeroportos paulistas que continuaram sob administração da Infraero, pode ser o anúncio de problemas futuros, com as  novas privatizações.            

        Entretanto, toda a experiência do passageiro aéreo no Brasil mostra que a escolha inelutável é a do abandono da burocracia estatista e ineficiente dos organismos estatais, como a Infraero, pela visão moderna, cômoda e voltada para o usuário da privatização.

        Esses dois modelos – o que entra e o que sai – constitui uma espécie de divisor de águas.  O que prefere o Governo: o terminal terceiro-mundista ou o do primeiro mundo?


( Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo )




















































sábado, 14 de dezembro de 2013

Notícias Direto do Front

                                 

Censuras à Presidente Dilma

 
        O julgamento do Mensalão ainda não terminou, mas já mandou para a cadeia número substancial de figurões petistas – a começar por José Dirceu – e continua a municiar manifestações do Partido dos Trabalhadores. Nesse sentido, merece atenção especial a tomada de posição de Miriam Leitão, que pode ser resumida pelo seu introito:

“Dilma tomou partido – Quando a presidente da República participa de um evento em que se acusa a cúpula do Judiciário de manipulação, e de ter realizado um julgamento de exceção, está enfraquecendo a democracia brasileira. Foi o que a presidente Dilma fez. O que ela não disse explicitamente, o ex-presidente Lula o fez. O que ela demonstrou no 5° Congresso do PT, por ação ou omissão, é grave.”
         Míriam Leitão escreve coluna em O Globo onde se ocupa precipuamente de questões econômicas e financeiras. É inusitado que essa conceituada comentarista, que se assinala pelo cuidado nas suas observações (e há muito o que referir quanto ao comportamento do governo Dilma Rousseff no que tange à economia), tenha sentido a necessidade de manifestar-se sobre questão de conotação política  e jurídica.

          Na conclusão de seu artigo, está a explicação para a tomada de posição: “Dilma pode não ter gostado do resultado (do julgamento da Ação Penal 470), pode discordar das penas pessoalmente, mas enquanto exercer o cargo (de Presidente da República) não existe o ‘pessoalmente’ em assuntos institucionais. Militantes podem atacar o Supremo. Mas a presidente da República, não. Sua presença naquele ato é lamentável e enfraquece a democracia.”

 
Yanukovych cede e se reúne com líderes oposicionistas

 
          Nesta sexta-feira, o Presidente Viktor Yanukovych reuniu-se com os principais líderes oposicionistas.  Embora eles nada tenham ouvido de conciliatório nas palavras do presidente, o líder do Partido da Pátria, Arseniy  Yatsenyuk, embora não acredite na sinceridade de Yanukovych ao prometer que as forças da ordem não empregarão métodos enérgicos para com os manifestantes, reconhece que ele deu a sua palavra neste sentido.

          Já Vitali Klitschko, o campeão de boxe, que preside o partido oposicionista UDAR, foi ainda mais incisivo, ao frisar que nenhuma das exigências da oposição havia sido levada em conta pelo governo: “a mesa redonda foi só propaganda”.
         Participaram da reunião com o Presidente organizadores dos protestos e os três ex-presidentes. Rinat Akhmeton, o homem mais rico da Ucrânia – que controlaria cerca de trinta a quarenta membros do Parlamento  - recomenda que o governo seja mais aberto quanto às suas intenções.

       Líderes religiosos, como o Patriarca Filaret, da Igreja ortodoxa ucraniana, recomenda que não se use força contra os manifestantes.  Além desse entendimento, os líderes mais influentes tendem a um consenso sobre certos pontos básicos: negociar com os líderes dos protestos e voltar para a senda da integração europeia.

      Em tal sentido, há indicações seguras de que o governo voltou a dialogar com Bruxelas. Há expectativa quanto à posição de Putin, eis que a Federação Russa  é grande credora da Ucrânia pelo fornecimento de gás. Nesse contexto,  espera-se que tenha mais flexibilidade na questão que toca a União Aduaneira (a congregar ex-repúblicas da finada URSS), para que um entendimento entre Yanukovych e a frente das oposições seja factível.

 
Argentina limita importação de carro
 

        Segundo noticia a Folha, o governo de Cristina Kirchner decidiu reduzir em até 27,5% as importações de automóveis e veículos comerciais leves no primeiro trimestre de 2014.
        Levando em conta que dos veículos importados pelo país vizinho, 67% deles vêm do mercado brasileiro, e que de janeiro a novembro último, 87% de nossas exportações em automóveis de passeio foram para a Argentina,  compreende-se que o principal afetado pela medida será o Brasil.

        A antipolítica da Administração Kirchner – para que o Mercosul não é exatamente um acordo obrigatório, mas sim uma das condicionantes no intercâmbio entre os dois países (com as usuais retenções na fronteira, se insere a incógnita nas relações comerciais, com o consequente prejuízo para o Brasil, e o relativo esvaziamento do Mercosul) – volta à baila, e mostra, se necessário fosse, o caráter precário do Mercosul, e a incerteza  que o subdesenvolvimento insere nas relações entre os dois maiores parceiros do Mercado Comum Sul-Americano.

 

(Fontes:  New York Times, O Globo, Folha de S. Paulo)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Revista da Semana

                           

O Senado americano trabalha no Natal ? 

        Por decisão do líder da maioria no Senado americano, o Senador Harry Reid (Dem/Nev), a Câmara Alta americana deve votar muitas das questões cuja resistência republicana forçara ao acúmulo. São muitas votações sobre postos judiciais e do executivo, causadas  pelo bloqueio procedimental do GOP. Agora, com a reforma do regimento do Senado, o filibuster (usado e abusado pelos senadores republicanos) pode ser derrubado, e por isso o Senado se empenha, por determinação de Reid, em votações noturnas e até de madrugada para desbastar o considerável atraso que a sistemática recusa dos republicanos vinha provocando.
        As queixas são muitas, máxime do GOP, mas  entre ranger de dentes e ameaças de retaliações futuras, cabe admitir que a corda, se muito estirada, acaba por romper-se.


 Eleições municipais na Venezuela

        Como o velho papel carbono ensinava, as suas cópias parecem mas não são o original.
        Vejam Nicolás Maduro, por exemplo. Lançado ao apagar das luzes da longa presidência de Hugo Chávez, o herdeiro do caudilho busca imitá-lo em tudo. Até na incôngrua e um tanto carnavalesca jaqueta com as cores da bandeira venezuelana.

        Ao vê-lo nesse espalhafatoso uniforme, me é difícil não pensar na frase do Dr. Johnson – o patriotismo é o último refúgio de um patife.
         Pobre Maduro! Quem é ele para saber do Dr.Samuel Johnson?  No entanto, na sua luta na selva do chavismo, o caminhoneiro tem de recorrer a todos os expedientes, para manter-se politicamente vivo. Pudera, contra o fogo amigo dos companheiros chavistas e da nefanda oposição encabeçada por Henrique Capriles, todo o recurso é válido, até mesmo esgrimir a espada contra a inflação e o desabastecimento !

 
Promotoria quer investigação de juiz


        O Ministério Público do D.F. pediu à corregedoria do Tribunal de Justiça que seja investigada a conduta do juiz titular da Vara de Execuções Penais de Brasília, Ademar de Vasconcelos.

        Segundo o MP-DF, Vasconcelos, que atuou nas primeiras prisões do Processo da Ação Penal 470 (Mensalão), descumpriu a Lei de Execuções Penais, a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura, no período em que conduziu as prisões.

        Para as seis promotoras que assinam o referido documento, a conduta deste juiz ameaçou a ordem e a segurança do sistema carcerário do D.F. 
        Ao ver do Ministério Público, o juiz Vasconcelos colocou em risco a saúde do ex-presidente do PT, José Genoino, deu tratamento diferenciado aos presos do Mensalão,  e  concedeu entrevista  à Folha, afirmando  que as prisões do mensalão não eram positivas para o Brasil.       

 

Convidados de Dilma

           Sob o título “Mandela e Collor” Rogério Gentile, em nota editorial na Folha de doze último, faz cogentes observações sobre a inclusão no avião presidencial de Fernando Collor.
           Consoante Gentile, “Dilma aproveitou os funerais de Mandela (...) para reabilitar internacionalmente Fernando Collor, levando-o em sua comitiva ao lado de Lula, FHC e Sarney. Se a intenção era louvar aquele que chamou de ‘personalidade maior’ do século 20, Dilma acabou homenageando uma vergonha nacional.”

 

O Helicóptero e Sérgio Cabral

 
         O Governador Sérgio Cabral, de acordo com a Folha, voltou a utilizar os helicópteros oficiais para ir com a família passar o fim de semana em sua casa de veraneio em Mangaratiba.

         O Globo reproduziu no dia seguinte a reportagem do jornal paulista.  A respeito, o governador declarou que não há irregularidade e que voltou a usar as aeronaves por recomendação da Subsecretaria de Segurança Militar da Casa Civil.
        A justificativa da mudança se deve ao perigo representado pelo tráfico.

 

Afastada pelo TRE/RN a Governadora Rosalba Ciarlini   

 
       O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte decidiu afastar a governadora Rosalba  Ciarlini  do cargo, sob a acusação de abuso de poder econômico e político nas eleições de 2012.

      Para o TRE, Rosalba usou a máquina do Estado em benefício da campanha da prefeita de Mossoró, Cláudia Regina (DEM), que foi igualmente afastada do cargo na semana passada.
      De acordo com o MP Eleitoral, a governadora usou o avião do Estado dezessete vezes para ir a Mossoró entre julho e outubro de 2012. Agendava atos de governo e depois participava de eventos de campanha

     Com a saída, por ora temporária do cargo, o DEM perde o único estado que governava. 

 
 Idéias de Dilma Rousseff

 
      Vinicius Torres Freire, articulista econômico da Folha, escreveu a dez do corrente, acerca d’ “O Pensamento Vivo de Dilma” que “a presidente ainda acha que isso não é um problema (custos em alta)”.

      Nesse contexto, a respeito dos ‘Patamares de estabilidade’ Torres Freire faz a seguinte oportuna observação:
      “ A inflação está fora da meta faz meia-década, por aí, mas dentro de uma banda bem larga (parecemos o fumante que promete largar o vício em cinco anos). Estáveis nesse patamar, os custos ajudam a desmanchar a indústria brasileira, demandam juros mais altos, que causam o aumento da despesa com a dívida, o que limita investimentos em  “obras” e gastos em políticas sociais, entre outros muitos problemas. Mas a presidente acredita que está tudo equilibrado. Dominado.”

 
China admite falha em foguete

 
       Como o Brasil continua sem vetor lançador de satélite – por causa de o que ocorreu na base de Alcântara, o próprio Presidente Lula fora pessoalmente consolar o pessoal sobrevivente – o nosso programa espacial continua dependente de foguetes não-brasileiros.

       E isto está custando caro e ainda por cima à toa.  Pois não é que em lançamento de foguete chinês, como houve falha no segundo estágio – em que o satélite brasileiro CBERS-3 seria posto em órbita – todo o trabalho e os dólares colocados no seu fabrico (além de o que se pagou pelo serviço do vetor de Beijing) foram literalmente parar no espaço sideral ?

 
O Metrô carioca e a Medalha por Excelência

 
      O relativo abandono e a queda de qualidade nos serviços do Metrô do Rio de Janeiro são facilmente verificados pelos usuários. Desperta, portanto, considerável assombro que a Prefeitura do Senhor Eduardo Paes tenha decidido afazer um ‘afago’ aos responsáveis pelo sistema metroviário justamente “por causa da eficiência e do profissionalismo” da equipe (do metrô) durante a visita de Papa Francisco ao Rio de Janeiro.

     Esse estranho cumprimento está em choque com o caos provocado por uma pane nas linhas 1 e 2 do Metrô, durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho último. Por isso, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes (Agetransp) aplicara multa de R$ 1.082.624,00 à  Concessionária.

 
JK foi assassinado ?

 
      A morte do ex-Presidente Juscelino Kubitschek, por acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, em 22 de agosto de 1976, sempre despertou estranheza.  Essa impressão se viu reforçada pelas mortes em espaço de tempo com suspeita proximidade do ex-Presidente João Goulart e do tribuno e ex-governador Carlos Lacerda.

      Agora Comissão da Verdade, do Câmara de Vereadores de S. Paulo, após colher testemunhos e fazer exames afirma que JK foi assassinado pelo regime militar, e uma farsa montada para esconder o crime.

 

(Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo, The New York Times)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As Chuvas de Fim de Ano

                               
                                          

      Entram e saem prefeitos e governadores no Rio de Janeiro (cidade e estado), as suas promessas e providências serão sempre as mesmas, com as chuvas alagando grandes extensões – de preferência, a periferia da antiga capital e a Baixada. A região serrana treme no anúncio de fortes aguaceiros. Entra ano, sai ano, o cenário não costuma mudar muito. Seja na inclemência das tempestades de verão, que alagam ruas com bueiros entupidos, os muitos rios vicinais viram impetuosas torrentes, capazes de invadir pobres casas e até afogar infelizes, seja nos desastres maiores, com direito a inundar avenidas, ilhar veículos sem distinção entre calhambeques e carros de último tipo, e até flamantes ônibus e caminhões com suculentas, irresistíveis cargas para os saques do anônimo povo de comunidades e vilas sem saneamento básico, sempre candidatas às perenes águas altas, que vem para carregar camas, mobílias e eletrodomésticos, comprados a suadas, sofridas prestações ou até com programas do governo federal...
    Em meio aos mortos e desaparecidos, que variam nas cruéis tabulações, as coberturas de reportagem, com direito a interromper até novela, há sempre uma constante. A séria, confrangida fisionomia das autoridades, municipais e até estaduais, que ali estão, solícitas e disponíveis, para dizer o quanto lamentam o desastre natural, a inundação, o soterramento ou o que valha. Dos mais velhos, quem não se lembra de Ulysses Guimarães e a turba malta de acompanhantes, se esgueirando em cima de trilha precária, para expressar em Petrópolis a solidariedade da vez... E as ocasiões variam, dependendo da localização e da gravidade do sinistro ou até calamidade pública, mas o cenário básico, fundamental desse grande teatro existencial, não. A presença da autoridade, federal, estadual ou municipal se ajusta à maravilha ao impacto e às consequências do desastre. Depois da chuva e dos fenômenos decorrentes, tampouco há originalidade nas promessas e nos compromissos. Naquele momento solene - sob as câmaras e olhares circunspectos – o céu é o limite (sem trocadilhos, por favor).

    Mas, com o passar do tempo e das desgraças, a dúvida, e mesmo algum ceticismo, poderão ser imaginados no olhar do flagelado. Enfim, passa o tempo, mas não a lembrança da tragédia, incômoda e desagradável, na circunstância de arranchar-se em precários galpões e abrigos, em que a situação de propriedade desaparece e nada é de ninguém. A corrupção, mesmo não convidada, se faz presente: no furto das doações, no desvio dos fundos para grandes e definitivas obras, mas sobretudo na continuada desatenção no saneamento básico, nas tubulações de escoamento das águas pluviais, em tudo o mais o que já foi feito nos bairros nobres, e que a burocracia faz emperrar nas zonas da periferia, onde a coleta do lixo pode ser moeda de troca, e até de vingança eleitoral...

    A pobreza são os pés de barro de uma elite que pode chorar, na véspera de eleições e sob o chicote de situações de calamidade pública. Eis apelativo altissonante  que quer impressionar o grande público, mas não engana povão e as vítimas. Nesse pomposo título vêem arremedo de sentimento, que costuma evaporar-se sob o sol inclemente das tarefas e deveres de uma vida que infelizmente tem o mais que fazer do que amofinar-se com tragédias da véspera...

 

(Fontes subsidiárias: O Globo, Rede Globo, Folha de S. Paulo)

Brasil com pernas mancas ?

                     
       Erro bastante comum nos que erram, será atribuí-lo não a eles próprios, mas à criatura que está aos seus cuidados.

       Tal constitui exatamente o caso do senhor Guido Mantega, que faz as vezes de Ministro da Fazenda da Presidente Dilma Rousseff. Todos sabemos que, na verdade, não é um ministro como outros, eis que manifestamente a direção da economia – para o bem ou para o mal – está com a Presidenta.
       Para o Ministro, “a economia brasileira está crescendo com duas pernas mancas. De um lado o financiamento ao consumo, que está escasso. De outro lado, a crise internacional, que nos rouba parte da nossa possibilidade de crescimento”.

      Por sua vez, também na abertura do Encontro Nacional da Indústria 2013,  a Presidente da República afirmou:
     “Não concordamos em nos especializar como economia de serviços. O Brasil deve criar uma indústria forte, condição para uma nação forte, para que tenhamos competitividade necessária. Só a competitividade industrial, combinada com nossa extraordinária capacidade de produzir alimentos e proteínas, pode tornar o Brasil uma grande nação.”

      O Estado, sob o petismo, dispende muito com os gastos correntes – que tiveram inchação empregatícia – e com o assistencialismo social. Tais despesas deveriam ser instrumentais e não finais. Não interessa ao Brasil a estagnação da caridade. Os benefícios sociais deveriam ser caminhos para o trabalho produtivo, e não becos sem saída.  De que servem unidades federativas que regurgitam na controlada miséria da bolsa família sem qualquer perspectiva de progressão? De que serve exibir gerações cumulativas na bolsa família? Tais benefícios não são esmolas; foram criados como incentivos para um mundo melhor, sem as tapeações do populismo.

     E onde estão  poupança e  investimentos ?
      Tomemos por exemplo a indústria automotiva. O governo – não o que esta aí, mas os precedentes, inclusive o militar – permitiu-lhe a desnacionalização. Ao contrário dos demais emergentes, as montadoras aqui são feitorias. São sucursais de grandes empresas americanas, europeias e asiáticas, que aqui produzem modelos obsoletos, para mandar depressa as remessas de lucros para as vorazes matrizes. Ao invés de privilegiar o transporte público, insuficiente e deteriorado (já viram o estado das composições e estações do metrô?), se enchem as ruas e se leva o tráfego ao limite (São Paulo é disso exemplo). Para tanto, as sólitas desonerações fiscais (para favorecer quem? Será a poluição ambiental ?) e, agora, mais uma bondade para as grandes montadoras, sob o pretexto de não carregar no preço dos carros.

       Mantega nesse sentido anuncia que está ‘negociando’ com o setor automotivo o adiamento da exigência de inclusão de freios ABS e airbags em 100% dos veículos produzidos no país (prevista para janeiro de 2014).  É um presente de grego este para o usuário, que continua privado de dispositivos de segurança corriqueiros no circuito Elizabeth Arden. Com isto, se daria também uma sobrevida à Kombi, que é, em padrões atuais, um veículo manifestamente inseguro.
       Igualmente por conta do barateamento do preço de venda do veículo, o Brasil continua a ser um país de là-bas, em termos de controle da poluição automotiva. O equipamento corriqueiro na Europa, Estados Unidos, Japão e Coréia, para reduzir as descargas de gás carbônico pelos veículos, para atender às montadoras, que choramingam pelos custos,  continua a ter uma qualidade muito inferior àquela dos carros de suas matrizes.

        Assim, o governo – que contribui para incrementar o caráter poluente da circulação (através da explosão no crédito para as viaturas particulares) – vem torná-las ainda mais viaturas de pais subdesenvolvido na redução dos dispositivos de segurança! É falsa dádiva esta, bem na linha do neopopulismo chavista, de distribuir carros obsoletos, sem padrões do mundo desenvolvido.
       Não é à toa que este país surgiu para o mundo com as miçangas e bugigangas de Pedro Álvares Cabral...

                                                                                                                        (a continuar)                                       

(Fonte: O Globo)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Yanukovych e as manifestações

                                             
                          
      A situação na Ucrânia continua a caracterizar-se pela insatisfação da opinião pública, diante da opção pró-Rússia do Presidente, e as tentativas deste último de alternar repressão com promessas inconclusas, a refletir-lhe o  desejo de ganhar tempo e de jogar com a diminuição do ardor nos protestos.
     Ontem à noite a sua polícia de choque forçou o avanço na Praça da Independência, posto que, pelos inúmeros obstáculos colocados pelos manifestantes não terá logrado afastá-los por completo dessa área central de Kiev. Alguns milhares de testemunhas da liberdade ainda lá persistem.

     Em reunião com a ‘ministra das relações exteriores’ da União Européia, Catherine Ashton, o Presidente prometeu que “opositores presos nos protestos seriam libertados”. Por outro lado, no encontro de “mesa redonda” com a trindade de ex-presidentes – Leonid Kuchma, Leonid Kravchuk e Viktor Yushchenko – houve verdadeiro diálogo de surdos, quando Viktor Yanukovych asseverou que, ao contrário de aprofundar a opção Europa ocidental, ele não abre quanto a restaurar as relações comerciais com a Rússia.
      O discurso pró-Rússia do Presidente – quando a revolta das ruas é justamente derivada da maneira desabrida com que cortara os laços com Bruxelas – aponta para uma diferença capital: enquanto a multidão e a oposição falam da perspectiva da União Europeia, ele repisa, de forma inequívoca, posto que indireta, a sua dependência do grande irmão do Norte.   A pressão que sofre de Vladimir Putin é muito clara, e a pergunta que paira no ar é se Yanukovych continuará a abraçar a “opção russa” a ponto de exacerbar a oposição popular, que favorece a abertura para a Europa e a democracia, por intermédio do acordo com Bruxelas.

       A Ucrânia de Yanukovych tem dívida de US$ 60 bilhões com a Rússia, mormente pelos contratos de fornecimento de gás. Dessarte, a ‘proposta’ de Putin de que Kiev ingresse na União Aduaneira é apenas o contrapeso da dependência energética, na qual a Ucrânia beira a inadimplência.

        Daí, essa lógica de afogado de Yanukovych. Por mais que a aliança com o Kremlin seja detestada pela maioria da opinião, ele persiste em declarações do tipo “nós não podemos conversar sobre o futuro sem falar em restaurar as relações comerciais com a Rússia.”
       Pressionado, Yanukovych tenta conciliar o inconciliável, com a promessa de enviar a Bruxelas nesta semana representantes para dialogar sobre novas condições financeiras para o acordo comercial com a U.E.  Diz a respeito que pretende negociar com a UE apenas sobre este ponto, mas não sobre a participação na União Aduaneira, que permanece firme.

      Politica e ideologicamente, Yanukovych está muito mais próximo de gospodin Putin.  Daí, a pressão deste último o forçaria a tomar posições pró-Moscou, que já são de seu manifesto agrado. O problema de Viktor Yanukovych parece ser, portanto, a população que enche ruas e praças de Kiev, para manifestar a sua ligação com a União Europeia, Bruxelas, e tudo o que isto significa em termos de escolha política pró-liberal.
       Se pretende seguir nesta linha, Yanukovych terá de depender sempre mais da via autoritária. Ele a tem seguido de forma consistente, a começar pela judicialização da disputa política (colocou a principal líder da oposição na cadeia, Yulia Timoshenko, valendo-se de um dócil juiz). O problema de que segue tal caminho é o que fazer com o povo ? Se lograr a repressão por meio do aparato policial, como ficará a situação quando das próximas eleições presidenciais ?

        Como contornar a manifesta indisposição popular com as opções do pró-russo Yanukovych? Pensará acaso em mais uma eleição trucada, como a que originou a revolução laranja de 2004?
        Se pensa em Ucrânia democrática, como resolver a quadratura do círculo ?  Terão alguma utilidade no capítulo os conselhos do ex-KGB Vladimir V. Putin, na Rússia, e de Aleksandr Lukashenko, na Bielorússia ?  

 

(Fonte:  Folha de S. Paulo)

A Ajuda de Mandela

                            
        Mandela, mesmo depois de morto, pôde dar uma ajuda à multidão de presidentes, dignitários e insignes mediocridades que acorreu ao seu funeral.

         Não importa que a autoridade formalmente encarregada do programa chegue ao estádio de Johanesburgo sob a sincera e uníssona vaia que ele, Jacob Zuma faz muito por merecer. Desde que por humanas contingências, Nelson Mandela se afastou do poder, o povo da União Sul-Africana tem verificado a abissal distância entre os anões sucessores e quem conduzira antes a nau, na árdua transição entre o domínio da minoria e do apartheid para o governo de todos, sob a égide do perdão e da justiça.
       A popularidade de Madiba, como se verifica na alegria onipresente dos sul-africanos – e não é pequena realização o tornar-se símbolo e aglutinador de toda a população – se transmutou em prerrogativa catalizadora de todo o povo.

       A paz e o perdão foram as armas de Mandela. O cárcere o elevou às alturas e ao contrário das lições dos Bourbon, ele tudo esqueceu e tudo perdoou, na sua mágica fórmula de soldar o que antes parte da minoria branca se empenhara em cindir, pelas armas de injustiça e prepotência.
       A radicalidade do perdão, aliada à competência política, e ao senso de oportunidade, transformaram Mandela de esperança em realidade. Na crônica do Prêmio Nobel da Paz, nunca ninguém fez tanto por merecê-lo. Se no elenco de Oslo as ilustres insignificâncias estarão sempre presentes, não temo o exagero ao afirmar que se há heróis nessa lista, como o Dalai Lama, barrado da cerimônia pela subserviência de Zuma, e Liu Xiaobo, a padecer em masmorra chinesa a audácia de propor tímido constitucionalismo aos herdeiros de Mao Zedong, tampouco tenho dúvidas em clamar que nenhum estadista mais se confunde com a Paz do que Nelson Mandela.

       E aqueles como Madiba que trazem como segunda natureza a condição de estadista (no sentido de antanho e não na barateada apelação moderna) possuem o condão de induzirem imitações suscetíveis talvez de gerar bons frutos.
      A mídia – que segue como um cachorrinho os poderosos – nos mostrou a risonha companhia de Obama, da loura Primeira Ministra da Dinamarca e do solícito acompanhante David Cameron, do Reino Unido. Ao alegre grupinho se contrapunha o jeito carrancudo de Michele Obama, e o contraste entre o perene que os congregara, e o picante caráter transitório que também se insinua no interesse das gentes.

      Sem embargo, o Presidente Barack Obama soube com a provada eloquência discursar acerca de Mandela e  sua mensagem de paz e democracia. Antes, para espanto de muitos, cumprimentara, por primeira, vez a um surpreso Raul Castro, para mostrar a aplicação da lição de Mandela.

      Entrementes, a Presidenta resolveu falar em português. Aferrar-se ao idioma pátrio em todas as circunstâncias é condenar-se a, na prática, silenciar o pensamento. Aos monoglotas não resta outro remédio e, espertamente, cuidam de transformá-lo em testemunho de patriotismo. Na oportunidade, sabendo falar inglês, nossa Presidente perdeu boa oportunidade de ter, além da presença brasileira, alguma relevância na cerimônia, para a assistência de milhares de sul-africanos. Afinal, o Brasil é país-irmão da União Sul-Africana, e através da Presidente deve trazer mensagem inteligível sobre a importância para nós de Mandela como líder de todas as gentes.

 

(Fonte:  O  Globo, Folha de S. Paulo)