O corte de R$ 50 bilhões no orçamento foi anunciado ontem pelos Ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento). Esse ajuste fiscal será principalmente em despesas de custeio e emendas parlamentares. Terá sido pela natureza das medidas que a colunista Miriam Leitão assinalou que “ há mais vento que caroço” em tais cortes.
Frisando que “não vai ser sem dor”, o Ministro Mantega disse serem necessários os cortes para garantir a expansão dos investimentos e a queda dos juros. Nesse quadro, estão suspensos concursos e nomeações. No entanto, os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não estariam afetados. Diante de sua afirmativa anterior, a confirmar-se que o PAC não sofra qualquer diminuição, verificar-se-ía que a injunção do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva será respeitada.
O Ministro da Fazenda igualmente se referiu ao novo salário mínimo, acentuando que as negociações sobre o reajuste do mínimo em R$545,00 estão encerradas.
Dada a posição das centrais sindicais – que mereceram, inclusive, a censura do ex-Presidente Lula, em sua primeira intervenção ostensiva pró-Presidente Dilma -, as posições dos partidos, notadamente o PMDB, na sua queda de braço como Governo, por causa de Furnas e alhures, assim como até de membros do gabinete, como o indefectível Ministro do Trabalho Carlos Lupi -, tudo isso forma um cenário de aprovação não necessariamente tranquila do valor estipulado pela novel Administração.
Atendidas as inúmeras imbricações do mínimo em termos de índice econômico – um legado da fraqueza monetária pré-Plano Real -, a sua manutenção no valor de R$ 545,00 será a condicional sine qua non para que o referido corte de R$ 50 bilhões não venha a carecer de ulteriores aumentos.
Pensar o impossível, ou o flagrantemente contrário aos mores da política, mesmo no Brasil, eis que até flagrantes inconstitucionalidades como o confisco do Plano Collor colheram a aprovação não só do Congresso mas também, e a fortiori, dados os aspectos jurídicos que sobrelevam na eventualidade, pelo próprio Supremo Tribunal Federal – não constitui, portanto, vão exercício teórico. É segredo de Polichinelo que a maioria governamental não reflete concordância temática ou política, mas tão somente o resultado da conjunção de interesses eleitorais.
Seria de augurar-se que essa disparatada maioria numérica no Congresso, resultado da não-realização de reforma política e eleitoral, não vá dar frutos amargos para o governo Dilma Rousseff. Com essa grande frente fisiológica constituída pelo PMDB, e a despeito da presença de Michel Temer como Vice-Presidente, não se pode descontar a inchação do mínimo, insuflada pelos descontentes deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves.
A alça da inadimplência determinou o aumento das taxas do crediário em 1,76% , de 5,69% (ou 94,27% !) em dezembro, para 5,79% mensais (96,49% anuais!), em janeiro. No caso dos financiamentos de carros, a taxa subiu 2,5%, de 2,4% ao mês (32,92 % ao ano), para 2,46% (33,86%). A par disso, para financiar um carro, a maioria dos bancos passou a pedir ao cliente entradas de 20% a 30% do preço do veículo. Tornam-se história os empréstimos sem entrada e até com pagamento de prestações diferida a um ou dois meses, mediante depósitos simbólicos de R$ 1,00.
Essa agressiva política anterior, que remonta ao governo Lula e à fase da dita ‘marolinha’, visava ao menos manter alto o consumo de bens duráveis, para que não sofresse a indústria de veículos. Sem embargo que tal política terá facilitado a presente inadimplência, ela evitou o desemprego da mão de obra nas montadoras, com benefício para o trabalhador. A conotação negativa – os gordos lucros das montadoras estrangeiras, logo reexpedidos ao estrangeiro para socorrer as matrizes em dificuldades – é um outro ângulo da questão, decorrente da ruinosa política de FHC (e de administrações anteriores) de não apoiar as montadoras nacionais. Em consequência, como também se sabe, o Brasil é o único dos BRICs a não dispor de indústrias auto-motivas genuinamente nacionais. Ficamos apenas com o parque das fábricas de auto-peças, a que tampouco o governo tem apoiado, e que são submetidas a imposições das montadoras, devido às características do regime de monopsônio[1] que prevalece nas suas relações com cada uma das montadoras.
Por fim, é oportuno ter-se presente que a desoneração da folha de pagamentos – uma das mais esperadas providências no que tange a enfrentar o chamado custo-Brasil - só será realizada se o governo achar contrapartida em receitas. Tal vinculação foi deixada meridianamente clara pelo Ministro Mantega ao sublinhar que diante do corte de cinquenta bilhões do orçamento e da redução antecipada de dezenove bilhões na arrecadação fiscal, qualquer incentivo à economia – o que inclui a diminuição dos encargos fiscais sobre a folha de pagamentos – só será possível se houver espaço fiscal.
No país do impostômetro, a autoridade frisa que só se poderá tirar da folha (de pagamentos das empresas) se se puder colocar o tributo em outro lugar. Não cansarei o leitor com o elenco das alternativas fiscais ora em consideração. De forma ominosa no horizonte, não deixam, contudo, de acentuar que a criação de imposto do tipo da CPMF é uma das opções.
Creio desnecessário continuar nessa senda. Só acrescentaria que quando a CPMF foi derrubada pelas oposições no governo Lula, as autoridades fazendárias previam que o mundo viria abaixo. Como igualmente se sabe, nada disso ocorreu, tendo sido a pranteada CPMF logo substituída como fonte tributária por providenciais incrementos em outras taxas e impostos. Querer a CPMF faz parte de uma cultura de alta imposição tributária, que todos os brasileiros conhecem e a grande maioria deplora.
( Fonte: O Globo )
[1] comprador único de vários vendedores.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A Maldição da Estranha Sentença
Desde muito, pesam sobre o Tribunal Superior Eleitoral as estranhas sentenças pronunciadas, respectivamente em 2005 e 2006, contra João Capiberibe e sua esposa Janete, ambos então candidatos ao Senado e à Camara de Deputados, pelo Amapá.
Como se sabe, o Senador José Sarney (PMDB) resolvera antes transferir o seu título de eleitor para o Amapá. Não queria Sua Excelência, em paternal cuidado, prejudicar ou estorvar de alguma forma, as pretensões políticas de seus filhos no estado natal do Maranhão.
Voltemos, no entanto, àqueles dois julgamentos que por suas características continuam gravados na memória da Capital Federal. Brasília, decerto, já terá visto coisas do arco da velha, mas talvez ajude a explicar a recusa desses dois juízos de serem levados pelo rio do Letes aprofundar um tanto as bases factuais e jurídicas que informaram as duas respectivas cassações seja da vitória nas urnas de João Capiberibe para o posto de Senador, e a eleição de sua esposa pelo sufrágio proporcional.
Fundados nos testemunhos de Maria de Nazaré Oliveira e Rosa Saraiva dos Santos - denunciaram João Capiberibe e Janete Capiberibe (PSB) por terem comprado os seus votos por R$26,00 – o Tribunal Superior Eleitoral cassou, em 2005 e 2006, os mandatos de Senador, de João Capiberibe e de Deputado Federal, da esposa Janete.
O T.S.E. chegou à tal sentença por maioria de votos. Sepúlveda Pertence, para honra de seu nome e fé de ofício, se negou a votar pelas cassações.
Dada a seriedade do assunto em tela – tratava-se de dois mandatos, o de Senador da República, que Capiberibe vencera pelo voto popular majoritário, e o de Deputada Federal que igualmente se elegera, segundo o cômputo proporcional, Janete Capiberibe – desperta espécie e estranhável assombro que esse colendo tribunal haja reputado suficientes e bastantes para anularem a soberania do mandato popular apenas dois sufrágios, em um pleito no qual milhares de votos tinham sido expressos.
Por isso, a suspeita da fraude aproveitando a Gilvam Borges – a quem reverteu o mandato de Senador pela sentença do TSE – tenderia a inquinar essa peculiar decisão. Teriam duas testemunhas isoladas o peso indispensável para motivar os senhores ministros da maioria do TSE de então a revogarem a soberana maioria do eleitorado amapaense ? Para informar uma decisão de tal gravidade não seria acaso necessária um maior número de testemunhos, para convalidar a cassação ?
E a voz corrente de então, o que se temia quanto à probabilidade de grande injustiça, principia agora a afirmar-se, pois a verdade pode ser lenta, mas costuma sempre ao cabo aparecer.
Senão vejamos: noticia-se que ex-funcionários de emissoras de rádio e tv da família do Senador Gilvam Borges, Helio José Nogueira Alves e Veranilda Araújo Rodrigues, corroboraram a versão apresentada pelo cinegrafista Roberval Coimbra Araújo. Consoante este último, o Senador Gilvam o mandara oferecer a duas pessoas casa, carro e a mesada de R$2.000,00, para dizerem à Justiça Eleitoral que receberam vinte e seis reais para votar no casal Capiberibe, em 2002.
Os dois ex-funcionários acima referidos disseram ao Ministério Público Federal do Amapá que Gilvam Borges comprara as duas principais testemunhas do processo que havia resultado na cassação dos mandatos dos Capiberibe.
Segundo Hélio Alves “Rosa e Nazaré foram pagas para formalizar as denúncias de que teriam sido cooptadas para votar em João e Janete Capiberibe.” A ex-secretária Veranilda Rodrigues declarou que recebeu dinheiro de Geovane Borges, irmão do senador, para comprar as casas.
Assinale-se, por oportuno, que a chamada Lei da Ficha Limpa, por uma penosa ironia, serviu para enquadrar o casal Capiberibe, mais uma vez eleito e cassado, desta feita pela pregressa condenação por um tribunal colegiado. A Lei Complementar nr. 135, de 4 de junho de 2010, muito tem contribuído para escoimar do Congresso a presença de elementos que lá não deveriam estar, por seus antecedentes judiciais.
Como, no entanto, imprevista anulação de sentença ensejou ao Sr. Paulo Salim Maluf reingressar na Câmara, seria de todo interesse que a justiça fosse feita no caso da iniqua condenação do casal Capiberibe, senão por abstrusa ironia a referida sentença viria a repisar-se em clamoroso erro, pela injusta e descabida punição a dois inocentes.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
Como se sabe, o Senador José Sarney (PMDB) resolvera antes transferir o seu título de eleitor para o Amapá. Não queria Sua Excelência, em paternal cuidado, prejudicar ou estorvar de alguma forma, as pretensões políticas de seus filhos no estado natal do Maranhão.
Voltemos, no entanto, àqueles dois julgamentos que por suas características continuam gravados na memória da Capital Federal. Brasília, decerto, já terá visto coisas do arco da velha, mas talvez ajude a explicar a recusa desses dois juízos de serem levados pelo rio do Letes aprofundar um tanto as bases factuais e jurídicas que informaram as duas respectivas cassações seja da vitória nas urnas de João Capiberibe para o posto de Senador, e a eleição de sua esposa pelo sufrágio proporcional.
Fundados nos testemunhos de Maria de Nazaré Oliveira e Rosa Saraiva dos Santos - denunciaram João Capiberibe e Janete Capiberibe (PSB) por terem comprado os seus votos por R$26,00 – o Tribunal Superior Eleitoral cassou, em 2005 e 2006, os mandatos de Senador, de João Capiberibe e de Deputado Federal, da esposa Janete.
O T.S.E. chegou à tal sentença por maioria de votos. Sepúlveda Pertence, para honra de seu nome e fé de ofício, se negou a votar pelas cassações.
Dada a seriedade do assunto em tela – tratava-se de dois mandatos, o de Senador da República, que Capiberibe vencera pelo voto popular majoritário, e o de Deputada Federal que igualmente se elegera, segundo o cômputo proporcional, Janete Capiberibe – desperta espécie e estranhável assombro que esse colendo tribunal haja reputado suficientes e bastantes para anularem a soberania do mandato popular apenas dois sufrágios, em um pleito no qual milhares de votos tinham sido expressos.
Por isso, a suspeita da fraude aproveitando a Gilvam Borges – a quem reverteu o mandato de Senador pela sentença do TSE – tenderia a inquinar essa peculiar decisão. Teriam duas testemunhas isoladas o peso indispensável para motivar os senhores ministros da maioria do TSE de então a revogarem a soberana maioria do eleitorado amapaense ? Para informar uma decisão de tal gravidade não seria acaso necessária um maior número de testemunhos, para convalidar a cassação ?
E a voz corrente de então, o que se temia quanto à probabilidade de grande injustiça, principia agora a afirmar-se, pois a verdade pode ser lenta, mas costuma sempre ao cabo aparecer.
Senão vejamos: noticia-se que ex-funcionários de emissoras de rádio e tv da família do Senador Gilvam Borges, Helio José Nogueira Alves e Veranilda Araújo Rodrigues, corroboraram a versão apresentada pelo cinegrafista Roberval Coimbra Araújo. Consoante este último, o Senador Gilvam o mandara oferecer a duas pessoas casa, carro e a mesada de R$2.000,00, para dizerem à Justiça Eleitoral que receberam vinte e seis reais para votar no casal Capiberibe, em 2002.
Os dois ex-funcionários acima referidos disseram ao Ministério Público Federal do Amapá que Gilvam Borges comprara as duas principais testemunhas do processo que havia resultado na cassação dos mandatos dos Capiberibe.
Segundo Hélio Alves “Rosa e Nazaré foram pagas para formalizar as denúncias de que teriam sido cooptadas para votar em João e Janete Capiberibe.” A ex-secretária Veranilda Rodrigues declarou que recebeu dinheiro de Geovane Borges, irmão do senador, para comprar as casas.
Assinale-se, por oportuno, que a chamada Lei da Ficha Limpa, por uma penosa ironia, serviu para enquadrar o casal Capiberibe, mais uma vez eleito e cassado, desta feita pela pregressa condenação por um tribunal colegiado. A Lei Complementar nr. 135, de 4 de junho de 2010, muito tem contribuído para escoimar do Congresso a presença de elementos que lá não deveriam estar, por seus antecedentes judiciais.
Como, no entanto, imprevista anulação de sentença ensejou ao Sr. Paulo Salim Maluf reingressar na Câmara, seria de todo interesse que a justiça fosse feita no caso da iniqua condenação do casal Capiberibe, senão por abstrusa ironia a referida sentença viria a repisar-se em clamoroso erro, pela injusta e descabida punição a dois inocentes.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
A Censura Insepulta
Os constituintes de 1988, os quais tinham vivido o opróbio da mordaça do regime militar, pensaram, nos albores da promulgação da chamada ‘Constituição Cidadã’, de cinco de outubro daquele ano, que a censura era cousa do passado. Pela Carta Magna, não subsistia dúvida que a nefanda vergonha da sua imposição até a livros havia sido jogada na lata de lixo da História. Juntas, tortura e censura foram consignadas pelo Nunca Mais! da mens legis e da mens legislatores a lúgubres e fétidos desvãos, que se augurava para sempre soterrados pela vontade da Nação.
Muito breve voltarei a esse tema, em sua expressão mais preocupante, que é a da censura judicial. A velha e provada regra do direito romano quis custodiet ipsos custodes? nos mostra a urgência de aplicação séria da cláusula pétrea da Constituição. Na sua forma geral, porém, dadas as peripécias sofridas por órgão da imprensa que sempre se distinguiu, mesmo nos tempos de chumbo, em dela ser o paladino, me ocuparei da questão em momento futuro.
Há outra matéria, também pertinente às maquinações para reanimar a censura em segmentos específicos da atividade literária, para tal utilizando os disfarces mais risíveis. Reporto-me a projeto do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tenciona reapresentar ao Congresso proposta de alteração no Código Civil que libera a produção de biografias.
O projeto, que fora arquivado, por decurso da legislatura, com a reabertura dos trabalhos congressuais, volta à baila. A redação do art. 20 prevê que “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas se lhe atingirem honra, boa fama ou respeitabilidade, ou se destinarem a fins comerciais.”
Desperta espécie que tal norma seja reexumada, com tais vetos que manifestamente se chocam com as cláusulas constitucionais que vedam qualquer censura. Nesse sentido, o próprio deputado Antonio Palocci (PT/SP), que ocupa atualmente na Presidência o lugar que foi de Dilma Rousseff, apresentara projeto de lei na própria Câmara revendo-lhe o texto, a fim de garantir “liberdade de expressão e de informação”.
Perguntado a propósito, o Ministro da Justiça se faz de desentendido: “ Censura? Não, me desculpe. A censura é proibida pela Constituição. O projeto é ampliativo do Código Civil.”
Será possível imaginar que essa pretendida norma, só porque se refugia sob o suposto abrigo do Código Civil, nada tem a ver com censura ?
Temos visto que na luta inglória – mas que pode render enganosos triunfos, seja nos grotões, seja no interior e até na capital federal – contra a mordaça banida pelo artigo 5º , inciso IX, e artigo 220, parágrafo 2º – o atalho que se afigura menos árduo e mais largo é o de intentar subtrair o desrespeito flagrante à cláusula pétrea, sob a especiosa argumentação de que a matéria em tela releva de outros campos.
No caso presente, a justificativa do Ministro é pobre, quase elementar e não há de emoldurar-lhe o currículo jurídico. Dizer que não se aplica a censura porque o projeto é ampliativo ao Código Civil brasileiro, faz parte daqueles argumentos que dão aos eventuais ouvintes e leitores que de direito algo conhecem aquela dor no pescoço que sentia Lord Altrincham ao ouvir, nas cerimônias do paço, a voz esganiçada da jovem Elizabeth II.
Senhor Ministro,
ainda é tempo de honrar seus predecessores democráticos. Recorde-se, a propósito, de Fernando Lyra que saudou, com a expressão ‘Censura, nunca mais !’, o feliz ensejo da promulgação da Constituição Cidadã.
Muito resta a fazer neste campo. Não é o caso de atulhar com ulteriores inconstitucionalidades a pauta do Supremo.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
Muito breve voltarei a esse tema, em sua expressão mais preocupante, que é a da censura judicial. A velha e provada regra do direito romano quis custodiet ipsos custodes? nos mostra a urgência de aplicação séria da cláusula pétrea da Constituição. Na sua forma geral, porém, dadas as peripécias sofridas por órgão da imprensa que sempre se distinguiu, mesmo nos tempos de chumbo, em dela ser o paladino, me ocuparei da questão em momento futuro.
Há outra matéria, também pertinente às maquinações para reanimar a censura em segmentos específicos da atividade literária, para tal utilizando os disfarces mais risíveis. Reporto-me a projeto do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tenciona reapresentar ao Congresso proposta de alteração no Código Civil que libera a produção de biografias.
O projeto, que fora arquivado, por decurso da legislatura, com a reabertura dos trabalhos congressuais, volta à baila. A redação do art. 20 prevê que “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas se lhe atingirem honra, boa fama ou respeitabilidade, ou se destinarem a fins comerciais.”
Desperta espécie que tal norma seja reexumada, com tais vetos que manifestamente se chocam com as cláusulas constitucionais que vedam qualquer censura. Nesse sentido, o próprio deputado Antonio Palocci (PT/SP), que ocupa atualmente na Presidência o lugar que foi de Dilma Rousseff, apresentara projeto de lei na própria Câmara revendo-lhe o texto, a fim de garantir “liberdade de expressão e de informação”.
Perguntado a propósito, o Ministro da Justiça se faz de desentendido: “ Censura? Não, me desculpe. A censura é proibida pela Constituição. O projeto é ampliativo do Código Civil.”
Será possível imaginar que essa pretendida norma, só porque se refugia sob o suposto abrigo do Código Civil, nada tem a ver com censura ?
Temos visto que na luta inglória – mas que pode render enganosos triunfos, seja nos grotões, seja no interior e até na capital federal – contra a mordaça banida pelo artigo 5º , inciso IX, e artigo 220, parágrafo 2º – o atalho que se afigura menos árduo e mais largo é o de intentar subtrair o desrespeito flagrante à cláusula pétrea, sob a especiosa argumentação de que a matéria em tela releva de outros campos.
No caso presente, a justificativa do Ministro é pobre, quase elementar e não há de emoldurar-lhe o currículo jurídico. Dizer que não se aplica a censura porque o projeto é ampliativo ao Código Civil brasileiro, faz parte daqueles argumentos que dão aos eventuais ouvintes e leitores que de direito algo conhecem aquela dor no pescoço que sentia Lord Altrincham ao ouvir, nas cerimônias do paço, a voz esganiçada da jovem Elizabeth II.
Senhor Ministro,
ainda é tempo de honrar seus predecessores democráticos. Recorde-se, a propósito, de Fernando Lyra que saudou, com a expressão ‘Censura, nunca mais !’, o feliz ensejo da promulgação da Constituição Cidadã.
Muito resta a fazer neste campo. Não é o caso de atulhar com ulteriores inconstitucionalidades a pauta do Supremo.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Nota para o Prefeito Eduardo Paes
Recordo-me na minha juventude de ler os comentários de coluna do Correio de Manhã que, nos anos cinquenta, era o jornal de maior importância e penetração no Rio de Janeiro.
Jornalista encarregado dos assuntos municipais do então Distrito Federal acolhia nessa coluna reclamações de moradores e populares sobre diversos problemas da Mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Como o Senhor há de intuir, a pauta de temas da coluna era bastante vasta. Buracos em logradouros públicos, defeitos no calçamento de ruas, passeios mal conservados, defeitos em semáforos, bueiros entupidos, e, entre outras, a ubiqua falta d’água que naquele tempo constituía grave transtorno para os habitantes, e que Carlos Lacerda, quando governador da cidade, criaria as condições da solução de longo prazo.
A coluna, como há de depreender, era verdadeira litania de queixas. Em desespero, cansados dos ouvidos moucos do Excelentíssimo Senhor Prefeito e de seus auxiliares (na época o Prefeito do Distrito Federal era nomeado pelo Presidente da República), os cariocas escreviam ou telefonavam para a redação do Correio, para fazer a queixa. Em geral, o jornal mandava alguém examinar o local, e tirar a foto correspondente, quando fosse cabível.
As reclamações eram muitas e a proporção dos problemas atendidos, das soluções, costumava ser bastante inferior. De qualquer maneira, quando o poder público dava jeito em determinada situação, a coluna cumpria o agradável dever de consignar nas páginas do prestigioso matutino a ação corretora das autoridades, e, se possível, com a respectiva foto comprobatória.
Senhor Prefeito,
já o senhor há de perguntar-se aonde quero chegar. Pois o meu intuito está dentro da linha daquela antiga, hoje esquecida coluna, de jornal já desaparecido.
Hoje, atravessando a Praça General Osório, passei pelo Chafariz das Saracuras, de Mestre Valentim. Qual foi minha surpresa ao deparar o espelho despojado da água poluída e estagnada que não só o enfeiava, senão constituía potencial risco à saúde pública.
O espaço circular ora está seco e limpo, livre das águas maltratadas que lhe davam impressão de abandono.
Não sei se a intervenção é da véspera ou de data mais atrasada. Pela aparência, não creio que tenha muitos dias.
Todo o demais, no entanto, é de pouco interesse. Importa, sim, registrar o agradecimento, a exemplo de o que fazia – e há tantos anos atrás – o jornalista do Correio da Manhã, então nas vestes de ombudsman dos cariocas, preocupado em tapar buracos e reparar as mazelas de cidade bastante menor do que a atual.
Jornalista encarregado dos assuntos municipais do então Distrito Federal acolhia nessa coluna reclamações de moradores e populares sobre diversos problemas da Mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Como o Senhor há de intuir, a pauta de temas da coluna era bastante vasta. Buracos em logradouros públicos, defeitos no calçamento de ruas, passeios mal conservados, defeitos em semáforos, bueiros entupidos, e, entre outras, a ubiqua falta d’água que naquele tempo constituía grave transtorno para os habitantes, e que Carlos Lacerda, quando governador da cidade, criaria as condições da solução de longo prazo.
A coluna, como há de depreender, era verdadeira litania de queixas. Em desespero, cansados dos ouvidos moucos do Excelentíssimo Senhor Prefeito e de seus auxiliares (na época o Prefeito do Distrito Federal era nomeado pelo Presidente da República), os cariocas escreviam ou telefonavam para a redação do Correio, para fazer a queixa. Em geral, o jornal mandava alguém examinar o local, e tirar a foto correspondente, quando fosse cabível.
As reclamações eram muitas e a proporção dos problemas atendidos, das soluções, costumava ser bastante inferior. De qualquer maneira, quando o poder público dava jeito em determinada situação, a coluna cumpria o agradável dever de consignar nas páginas do prestigioso matutino a ação corretora das autoridades, e, se possível, com a respectiva foto comprobatória.
Senhor Prefeito,
já o senhor há de perguntar-se aonde quero chegar. Pois o meu intuito está dentro da linha daquela antiga, hoje esquecida coluna, de jornal já desaparecido.
Hoje, atravessando a Praça General Osório, passei pelo Chafariz das Saracuras, de Mestre Valentim. Qual foi minha surpresa ao deparar o espelho despojado da água poluída e estagnada que não só o enfeiava, senão constituía potencial risco à saúde pública.
O espaço circular ora está seco e limpo, livre das águas maltratadas que lhe davam impressão de abandono.
Não sei se a intervenção é da véspera ou de data mais atrasada. Pela aparência, não creio que tenha muitos dias.
Todo o demais, no entanto, é de pouco interesse. Importa, sim, registrar o agradecimento, a exemplo de o que fazia – e há tantos anos atrás – o jornalista do Correio da Manhã, então nas vestes de ombudsman dos cariocas, preocupado em tapar buracos e reparar as mazelas de cidade bastante menor do que a atual.
A Revolução Negocia ?
Nos países islâmicos, as semanas em termos de dias laborativos e de descanso diferem das do Ocidente. Como a sexta-feira é o dia santo muçulmano, jornada de orações e prédica na mesquita, a quinta constitui uma espécie de sábado e a semana útil principia no domingo ou no sábado.
A praça Tahrir continua a ser o coração da revolução democrática egípcia. A vigília civica se estende, com menor presença de populares. No domingo, naquele grande espaço foi rezada missa cristã copta. Talvez o mais importante de tal ofício religioso terá sido a circunstância de que parte dos manifestantes a circundou, de forma a que não pudesse ser disturbada por eventuais capangas do governo. Esse gesto marca o bom entendimento entre os dois credos, eis que os coptas tinham anteriormente prestado igual serviço aos seus conacionais islâmicos.
De acordo com o seu papel de negociador em chefe de parte do governo Mubarak, o vice-presidente Omar Suleiman teve, em salão emoldurado por retrato do ditador, reunião com os líderes da oposição. O aspecto relevante foi a participação da Fraternidade Muçulmana, o principal partido oposicionista egípcio, até então banido. Quanto a resultados concretos, atendida a fase incipiente dos contatos, quiçá a circunstância que sobreleva a tudo seja o fato de que, após os embates dos ultimos dias, as mortes e os feridos, oposição e governo se tenham sentado em uma mesa, o que, pelo menos, reconhece que a atual situação é consentânea com o diálogo e a possível chegada a soluções negociadas.
À saida da reunião – de que participaram políticos oposicionistas, líderes estudantis e, por primeira vez, membros da Fraternidade Muçulmana – os representantes da sociedade civil reiteraram o compromisso de incrementar a pressão pela renúncia do Presidente Hosni Mubarak, enquanto a tevê oficial, que noticiou o encontro com largo destaque à declaração do Vice-Presidente Suleiman de que se produzira um consenso acerca do caminho para a reforma, com detalhes que grosso modo repetem os indicados no discurso anterior do Presidente Mubarak, inclusive um limite no número de mandatos a que o Chefe de Estado possa concorrer.
Por sua vez, a revolução que tem muitos líderes, nenhuma comissão coordenadora, mantem pelo menos uma exigência básica – a de que Mubarak deixe o poder de imediato. Por isso, semelha óbvio que a tentativa oficial de divulgar concessões menores, sem atender às exigências fundamentais da revolução, se integra na estratégia de tentar dividir o movimento, ganhando o apoio dos moderados.
Os líderes oposicionistas, sem que as suas assertivas obtivessem atenção equivalente, se esforçaram em sublinhar que não houve ‘consenso’. Nesse sentido, os chefes da Fraternidade Muçulmana deixaram claro que se tinham reunido com Omar Suleiman porque ele era a pública face do governo Mubarak. Nesse sentido, ao reiterarem as exigências do movimento, mostram que não se recusam a conversar.
Sendo revolução espontânea, a sublevação egípcia tem muitas figuras proeminentes, mas não possui um chefe ou comitê de coordenação. Daí a sua simultânea força e fraqueza, eis que, à falta de cabeças dirigentes, a rede policial não logra cortar-lhe a liderança e capacidade de iniciativa. Será, no entanto, essa característica que pode tornar-lhe menos incisiva a ação, pelo seu próprio manifesto caráter, bem como ver-se privada da flexibilidade na atuação, o que pode ser capital para o seu êxito.
Em termos de ‘lideranças’ registrem-se El-Baradej, que foi o primeiro a aderir, e que, talvez para compensar a sua longa permanência no exterior e em posições que não poderiam prescindir do apoio do Estado respectivo, vem adotando uma tática mais maximalista. Ele se nega a participar das conversações com Omar Suleiman,e exige a renúncia de Mubarak.
Jovens representantes de sua facção encontraram-se, contudo, com Suleiman.
Para El-Baradej um conselho presidencial deveria atuar por um ano, como governo provisório para preparar as eleições. No seu entender, é necessário dissolver o presente Parlamento, eis que são elementos do antigo regime. Não devemos ir para um novo governo democrático guiados por uma constituição ditatorial.
Já o porta-voz da Fraternidade, Gamal Nassar, asseverou que as multitudinárias manifestações, por vezes violentas, precisam continuar para alcançar objetivar as aspirações dos que protestam – uma alusão não tão críptica à exigência de remover Mubarak do poder.
Por outro lado, os rumores de que os Estados Unidos estão apoiando as promessas do Vice-Presidente Omar Suleiman, para efetuar a transição, enraivecem muitos dos manifestantes. A esse propósito, se tenta relativizar o esforço : "Se os Estados Unidos apoiam a revolução, é bom para os Estados Unidos; se não, é um assunto egípcio.”
Tudo leva a crer que o Ocidente está apoiando o trabalho do Vice-Presidente Suleiman. Segundo indicações, Suleiman teria prometido a representantes estadunidenses uma ‘transição em ordem’, que incluiria a reforma constitucional e o braço estendido à oposição. A necessidade de dispor de mais tempo, enfatizada pela Secretária de Estado, Hillary Clinton, recebeu – o que deu a impressão de um concerto prévio – expressões de apoio da Chanceler Angela Merkel e do Primeiro Ministro David Cameron. A tal se associam os inúmeros telefonemas do Presidente Obama e do Vice-Presidente Joe Biden.
Conforme com esta linha, o fato de que Mubarak e seu filho Gamal hajam renunciado a concorrer na eleição de setembro, sublinharia a sua concordância com exigência básica da revolução.
A linguagem do condutor do processo de negociação, Omar Suleiman não coincide exatamente com a dos líderes ocidentais. A seu ver, a transição já haveria principiado com a sua reunião com membros da oposição. Todavia, o vice-presidente fez questão de frisar que Mubarak permaneceria no poder. Tal incôngrua participação foi explicada por Suleiman que se o presidente saísse “outras pessoas que têm a sua própria agenda provocarão instabilidade no país”.
Para os manifestantes, a linguagem do ex-chefe da Inteligência, foi um pouco mais explícita. Na sua declaração, feita após a reunião com a oposição, disse que os participantes tinham concordado quanto a tentativas de intervenção estrangeira em assuntos de estrito interesse interno egípcio. Quanto aos reunidos na praça Tahrir, “Nós podemos dizer que voltem para casa. Não queremos ninguém nas ruas. Voltem ao trabalho. Tragam de volta os turistas. Retomem a vida normal. Salvem a economia do país.”
O movimento que já ultrapassou o seu décimo-terceiro dia não dá por ora sinais que pretenda seguir os conselhos do Vice-Presidente. Decerto, o número de gente na praça Tahrir diminuiu. Mas ainda está na ordem dos cem mil. Permanece na imensa praça como uma espécie de guarda e vigília democrática.
Para o poder ainda encastelado, a passagem do tempo é sempre vista como um elemento favorável, visto que a eventual rotina e a falta da realização dos fins colimados pelo ultimato podem funcionar como fator de dispersão e eventual enfraquecimento.
Não é, porém, o que presentemente se observa na grande praça e nas suas redondezas. O movimento revolucionário democrático carece, no entanto, de eventos catalizadores, que o reanimem e o retemperem na disposição de confrontar o governo Mubarak-Suleiman. Há também a computar o que fará nos próximos dias o grande mudo, o ambíguo exército, que tem, até o presente, colaborado na defesa da ordem, sem, no entanto, descobrir suas cartas.
( Fonte: International Herald Tribune)
A praça Tahrir continua a ser o coração da revolução democrática egípcia. A vigília civica se estende, com menor presença de populares. No domingo, naquele grande espaço foi rezada missa cristã copta. Talvez o mais importante de tal ofício religioso terá sido a circunstância de que parte dos manifestantes a circundou, de forma a que não pudesse ser disturbada por eventuais capangas do governo. Esse gesto marca o bom entendimento entre os dois credos, eis que os coptas tinham anteriormente prestado igual serviço aos seus conacionais islâmicos.
De acordo com o seu papel de negociador em chefe de parte do governo Mubarak, o vice-presidente Omar Suleiman teve, em salão emoldurado por retrato do ditador, reunião com os líderes da oposição. O aspecto relevante foi a participação da Fraternidade Muçulmana, o principal partido oposicionista egípcio, até então banido. Quanto a resultados concretos, atendida a fase incipiente dos contatos, quiçá a circunstância que sobreleva a tudo seja o fato de que, após os embates dos ultimos dias, as mortes e os feridos, oposição e governo se tenham sentado em uma mesa, o que, pelo menos, reconhece que a atual situação é consentânea com o diálogo e a possível chegada a soluções negociadas.
À saida da reunião – de que participaram políticos oposicionistas, líderes estudantis e, por primeira vez, membros da Fraternidade Muçulmana – os representantes da sociedade civil reiteraram o compromisso de incrementar a pressão pela renúncia do Presidente Hosni Mubarak, enquanto a tevê oficial, que noticiou o encontro com largo destaque à declaração do Vice-Presidente Suleiman de que se produzira um consenso acerca do caminho para a reforma, com detalhes que grosso modo repetem os indicados no discurso anterior do Presidente Mubarak, inclusive um limite no número de mandatos a que o Chefe de Estado possa concorrer.
Por sua vez, a revolução que tem muitos líderes, nenhuma comissão coordenadora, mantem pelo menos uma exigência básica – a de que Mubarak deixe o poder de imediato. Por isso, semelha óbvio que a tentativa oficial de divulgar concessões menores, sem atender às exigências fundamentais da revolução, se integra na estratégia de tentar dividir o movimento, ganhando o apoio dos moderados.
Os líderes oposicionistas, sem que as suas assertivas obtivessem atenção equivalente, se esforçaram em sublinhar que não houve ‘consenso’. Nesse sentido, os chefes da Fraternidade Muçulmana deixaram claro que se tinham reunido com Omar Suleiman porque ele era a pública face do governo Mubarak. Nesse sentido, ao reiterarem as exigências do movimento, mostram que não se recusam a conversar.
Sendo revolução espontânea, a sublevação egípcia tem muitas figuras proeminentes, mas não possui um chefe ou comitê de coordenação. Daí a sua simultânea força e fraqueza, eis que, à falta de cabeças dirigentes, a rede policial não logra cortar-lhe a liderança e capacidade de iniciativa. Será, no entanto, essa característica que pode tornar-lhe menos incisiva a ação, pelo seu próprio manifesto caráter, bem como ver-se privada da flexibilidade na atuação, o que pode ser capital para o seu êxito.
Em termos de ‘lideranças’ registrem-se El-Baradej, que foi o primeiro a aderir, e que, talvez para compensar a sua longa permanência no exterior e em posições que não poderiam prescindir do apoio do Estado respectivo, vem adotando uma tática mais maximalista. Ele se nega a participar das conversações com Omar Suleiman,e exige a renúncia de Mubarak.
Jovens representantes de sua facção encontraram-se, contudo, com Suleiman.
Para El-Baradej um conselho presidencial deveria atuar por um ano, como governo provisório para preparar as eleições. No seu entender, é necessário dissolver o presente Parlamento, eis que são elementos do antigo regime. Não devemos ir para um novo governo democrático guiados por uma constituição ditatorial.
Já o porta-voz da Fraternidade, Gamal Nassar, asseverou que as multitudinárias manifestações, por vezes violentas, precisam continuar para alcançar objetivar as aspirações dos que protestam – uma alusão não tão críptica à exigência de remover Mubarak do poder.
Por outro lado, os rumores de que os Estados Unidos estão apoiando as promessas do Vice-Presidente Omar Suleiman, para efetuar a transição, enraivecem muitos dos manifestantes. A esse propósito, se tenta relativizar o esforço : "Se os Estados Unidos apoiam a revolução, é bom para os Estados Unidos; se não, é um assunto egípcio.”
Tudo leva a crer que o Ocidente está apoiando o trabalho do Vice-Presidente Suleiman. Segundo indicações, Suleiman teria prometido a representantes estadunidenses uma ‘transição em ordem’, que incluiria a reforma constitucional e o braço estendido à oposição. A necessidade de dispor de mais tempo, enfatizada pela Secretária de Estado, Hillary Clinton, recebeu – o que deu a impressão de um concerto prévio – expressões de apoio da Chanceler Angela Merkel e do Primeiro Ministro David Cameron. A tal se associam os inúmeros telefonemas do Presidente Obama e do Vice-Presidente Joe Biden.
Conforme com esta linha, o fato de que Mubarak e seu filho Gamal hajam renunciado a concorrer na eleição de setembro, sublinharia a sua concordância com exigência básica da revolução.
A linguagem do condutor do processo de negociação, Omar Suleiman não coincide exatamente com a dos líderes ocidentais. A seu ver, a transição já haveria principiado com a sua reunião com membros da oposição. Todavia, o vice-presidente fez questão de frisar que Mubarak permaneceria no poder. Tal incôngrua participação foi explicada por Suleiman que se o presidente saísse “outras pessoas que têm a sua própria agenda provocarão instabilidade no país”.
Para os manifestantes, a linguagem do ex-chefe da Inteligência, foi um pouco mais explícita. Na sua declaração, feita após a reunião com a oposição, disse que os participantes tinham concordado quanto a tentativas de intervenção estrangeira em assuntos de estrito interesse interno egípcio. Quanto aos reunidos na praça Tahrir, “Nós podemos dizer que voltem para casa. Não queremos ninguém nas ruas. Voltem ao trabalho. Tragam de volta os turistas. Retomem a vida normal. Salvem a economia do país.”
O movimento que já ultrapassou o seu décimo-terceiro dia não dá por ora sinais que pretenda seguir os conselhos do Vice-Presidente. Decerto, o número de gente na praça Tahrir diminuiu. Mas ainda está na ordem dos cem mil. Permanece na imensa praça como uma espécie de guarda e vigília democrática.
Para o poder ainda encastelado, a passagem do tempo é sempre vista como um elemento favorável, visto que a eventual rotina e a falta da realização dos fins colimados pelo ultimato podem funcionar como fator de dispersão e eventual enfraquecimento.
Não é, porém, o que presentemente se observa na grande praça e nas suas redondezas. O movimento revolucionário democrático carece, no entanto, de eventos catalizadores, que o reanimem e o retemperem na disposição de confrontar o governo Mubarak-Suleiman. Há também a computar o que fará nos próximos dias o grande mudo, o ambíguo exército, que tem, até o presente, colaborado na defesa da ordem, sem, no entanto, descobrir suas cartas.
( Fonte: International Herald Tribune)
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Cisne Negro
O filme de Darren Aronofsky - que disputa entre outros os Oscars de melhor diretor, melhor filme e melhor atriz - não é aconselhável para pessoas demasiado sensíveis, nervosas ou frágeis emocionalmente. Se a despeito de tal advertência, teimarem em assisti-lo, saibam que o fazem por sua própria conta e risco. No entanto, posso desde já assegurar-lhes que estarão vendo cinema de primeiríssima ordem, dentro da tradição artística das maiores obras, que é a de homenagear os grandes de Hollywood e alhures, não pela repetição, mas pela inovação transformativa fundada em passados clássicos.
No caso em tela, o roteiro elaborado por Andres Heinz, Mark Heyman e John McLaughlin se inspira e se entranha no famoso ballet Lago dos Cisnes, com a música de Peter Ilyich Tchaikovsky.
É a história de Nina Sayres, interpretada e vivida em representação que na sua interioridade psíquica lembra o célebre papel da Falconetti, no clássico filme mudo de Carl Dreyer, A Paixão de Joana d’Arc. Se há diversos personagens em ‘Cisne Negro’, o espectador sente a cada momento a presença única da atriz Natalie Portman, que à maneira de um grande rio carece de afluentes, alguns importantes, posto que ao cabo se apequenem diante da intensidade da respectiva força.
Falar de força em personagem como Nina, filha de antiga bailarina (Barbara Hershey) pode parecer um paradoxo. À primeira vista, encerrada no apartamento materno, infantilizada por brinquedos de pelúcia, a um tempo amada, como a realização da carreira da genitora, e reprimida pela inveja dessa mesma realização, Nina é o retrato obsessivo e neurótico de vida consagrada à perfeição na dança.
O artificialismo desta procura – ser a prima ballerina em meio à rivalidade e o despeito de suas coetâneas – é enfatizado por um ambiente de clausura, seja no quarto atopetado de objetos, seja nos salas de luz esmaecida das infindáveis práticas e treinamentos, seja nos corredores tortuosos e enegrecidos do metrô e dos edifícios, no expressionismo de todos os ambientes, em que reaparecem tomadas reminiscentes dos mestres do cinema alemão da época de Weimar.
A trajetória de Nina é marcada pelas seguintes estações: a sofrida indicação para o papel central do cisne pelo diretor Thomas, interpretado por Vicent Cassel. Nessa luta de poder, a reprimida, quase assexuada bailarina logra sair de sua aparente impossibilidade de ser sensual, ao morder Thomas durante o beijo, que o diretor valendo-se da prerrogativa da função, arranca da candidata a prima ballerina. Segue-se o anúncio, feito em escadaria, pelo diretor Thomas da deposição da antiga rainha, Beth, interpretada por Wynona Ryder, a quem ele agradece as ótimas interpretações passadas. Esta não suporta a homenagem, que mal encobre a sua despedida. Beth, ora rebaixada, reproduz com a saída repentina da sala o trauma da própria queda (depois repisada pelo seu aludido atropelamento). Thomas, ao brindar a nova prima ballerina,não deixa de mostrar-lhe a fragilidade de sua posição.
Nas outras estações, o perfeicionismo técnico de Nina não logra encobrir a sua atitude reprimida, que espelha o caráter monacal de sua dedicação ao ballet, e a consequente falta de afetividade e, por conseguinte, a forma assexuada que reveste. Se ela se limitasse a interpretar o cisne branco, como lhe assinala o diretor, nada haveria a acrescentar. Mas esta sua deficiência se refletirá na interpretação do cisne negro,que é o corcel da paixão de Platão ou o id imprevisível de Freud.
Ao revelar tal debilidade, a meiga Nina padece com a rivalidade de Lily (Mila Kunis), que encarna na sua pessoa e na dança as telúricas emanações da sexualidade. A repressão da protagonista, submetida a um verdadeiro ordálio em que se mesclam a auto-flagelação, as fantasias, as tentações e a alucinação. Nessa tapeçaria de muitos fios, será difícil determinar onde termina o factual e começam as projeções da crescente neurose.
Como as cabeças de uma hidra que ameaça a progressão da prima ballerina - que é a estrela do Lago dos Cisnes, a história de amor que conduz ao auto-sacrifício – o sangue aparece no corpo da heroína, a princípio em arranhões nas suas costas, mais tarde nas unhas, até a epifania final, em que mancha o alvo tutu o sangue vermelho escuro do ventre da prima ballerina.
Ressoa o aplauso total da plateia que lhe homenageia a técnica impecável do cisne branco, e a aliciante sensualidade do cisne negro. Nina é abraçada pelo diretor Thomas, que lhe distingue com as palavras rituais que reserva à figura da prima ballerina, 'Minha princezinha'. Na expressão beatífica de Natalie Portman não se vê sofrimento, mas o gozo etéreo de uma penosa conquista. Se é o rictus de alguém in articulo mortis, ou a aura iluminada de uma vitoriosa, o diretor Aronofsky não desvela totalmente. Será porventura necessário ? Pirandello, na sua clássica peça Cosi è, se vi pare[1], nos responde enfaticamente pelo pode ser.
[1] Assim é, se lhe parece.
No caso em tela, o roteiro elaborado por Andres Heinz, Mark Heyman e John McLaughlin se inspira e se entranha no famoso ballet Lago dos Cisnes, com a música de Peter Ilyich Tchaikovsky.
É a história de Nina Sayres, interpretada e vivida em representação que na sua interioridade psíquica lembra o célebre papel da Falconetti, no clássico filme mudo de Carl Dreyer, A Paixão de Joana d’Arc. Se há diversos personagens em ‘Cisne Negro’, o espectador sente a cada momento a presença única da atriz Natalie Portman, que à maneira de um grande rio carece de afluentes, alguns importantes, posto que ao cabo se apequenem diante da intensidade da respectiva força.
Falar de força em personagem como Nina, filha de antiga bailarina (Barbara Hershey) pode parecer um paradoxo. À primeira vista, encerrada no apartamento materno, infantilizada por brinquedos de pelúcia, a um tempo amada, como a realização da carreira da genitora, e reprimida pela inveja dessa mesma realização, Nina é o retrato obsessivo e neurótico de vida consagrada à perfeição na dança.
O artificialismo desta procura – ser a prima ballerina em meio à rivalidade e o despeito de suas coetâneas – é enfatizado por um ambiente de clausura, seja no quarto atopetado de objetos, seja nos salas de luz esmaecida das infindáveis práticas e treinamentos, seja nos corredores tortuosos e enegrecidos do metrô e dos edifícios, no expressionismo de todos os ambientes, em que reaparecem tomadas reminiscentes dos mestres do cinema alemão da época de Weimar.
A trajetória de Nina é marcada pelas seguintes estações: a sofrida indicação para o papel central do cisne pelo diretor Thomas, interpretado por Vicent Cassel. Nessa luta de poder, a reprimida, quase assexuada bailarina logra sair de sua aparente impossibilidade de ser sensual, ao morder Thomas durante o beijo, que o diretor valendo-se da prerrogativa da função, arranca da candidata a prima ballerina. Segue-se o anúncio, feito em escadaria, pelo diretor Thomas da deposição da antiga rainha, Beth, interpretada por Wynona Ryder, a quem ele agradece as ótimas interpretações passadas. Esta não suporta a homenagem, que mal encobre a sua despedida. Beth, ora rebaixada, reproduz com a saída repentina da sala o trauma da própria queda (depois repisada pelo seu aludido atropelamento). Thomas, ao brindar a nova prima ballerina,não deixa de mostrar-lhe a fragilidade de sua posição.
Nas outras estações, o perfeicionismo técnico de Nina não logra encobrir a sua atitude reprimida, que espelha o caráter monacal de sua dedicação ao ballet, e a consequente falta de afetividade e, por conseguinte, a forma assexuada que reveste. Se ela se limitasse a interpretar o cisne branco, como lhe assinala o diretor, nada haveria a acrescentar. Mas esta sua deficiência se refletirá na interpretação do cisne negro,que é o corcel da paixão de Platão ou o id imprevisível de Freud.
Ao revelar tal debilidade, a meiga Nina padece com a rivalidade de Lily (Mila Kunis), que encarna na sua pessoa e na dança as telúricas emanações da sexualidade. A repressão da protagonista, submetida a um verdadeiro ordálio em que se mesclam a auto-flagelação, as fantasias, as tentações e a alucinação. Nessa tapeçaria de muitos fios, será difícil determinar onde termina o factual e começam as projeções da crescente neurose.
Como as cabeças de uma hidra que ameaça a progressão da prima ballerina - que é a estrela do Lago dos Cisnes, a história de amor que conduz ao auto-sacrifício – o sangue aparece no corpo da heroína, a princípio em arranhões nas suas costas, mais tarde nas unhas, até a epifania final, em que mancha o alvo tutu o sangue vermelho escuro do ventre da prima ballerina.
Ressoa o aplauso total da plateia que lhe homenageia a técnica impecável do cisne branco, e a aliciante sensualidade do cisne negro. Nina é abraçada pelo diretor Thomas, que lhe distingue com as palavras rituais que reserva à figura da prima ballerina, 'Minha princezinha'. Na expressão beatífica de Natalie Portman não se vê sofrimento, mas o gozo etéreo de uma penosa conquista. Se é o rictus de alguém in articulo mortis, ou a aura iluminada de uma vitoriosa, o diretor Aronofsky não desvela totalmente. Será porventura necessário ? Pirandello, na sua clássica peça Cosi è, se vi pare[1], nos responde enfaticamente pelo pode ser.
[1] Assim é, se lhe parece.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
O Primeiro Apagão de Dilma
Oito estados do Nordeste ficaram sem energia elétrica por até cinco horas madrugada adentro. A falha se terá originado na subestação Luiz Gonzaga, no limite entre Pernambuco e Bahia.
Já acostumado com esse tipo de contratempo, o Ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, procurou minimizar o incidente. Em frase lapidar, o Ministro de Lula que agora é de Dilma, disse: “Não houve um apagão, houve uma interrupção temporária de energia.”
Continuando na mesma linha, que é também reminiscente dos comunicados do Comando Supremo da Wehrmacht [1]quando a sorte da guerra começou a ir no sentido contrário às forças nazistas, o Ministro Lobão acrescentou que falhas no sistema elétrico são comuns no mundo todo e que no Brasil não é diferente. Ele descartou defasagem e desgaste de equipamentos e sobrecarga de energia.
Ao contrário do Presidente Lula, que soía comprar a versão do ministro da área que não estava funcionando a contento (V. Fernando Haddad na Educação e o próprio Lobão, sempre nos apagões), Dilma, além de mais enfronhada no gerenciamento – e especificamente nesta Pasta, de que foi ministra – ficou bastante irritada com o ocorrido.
Embora este último apagão tenha sido menor do que o de Lula, constitui sempre um transtorno considerável para a população atingida, além de ser reflexo em geral de má gestão técnica ou de deficiências no aparelhamento. É óbvio que as explicações ‘tipo Lobão’ têm a credibilidade que merecem, e a par da velhinha de Taubaté convencem um público deveras restrito.
A situação no setor energético – e a mostra arrecém no início de seu segundo mês de governo de que as coisas não vão bem na infraestrutura energética – fortalecem a sua convicção de um maior controle seu nesta área que ela reputa essencial para o desenvolvimento brasileiro.
O apagão – que afetou a 47,7 milhões de habitantes – lhe há de ter tirado as dúvidas remanescentes quanto a um indispensável remanejamento do setor, hoje literalmente entregue ao PMDB (a começar por Lobão, que entra na quota de Sarney).
Igualmente ao contrário de Lula, Dilma controla de perto a máquina, e sobretudo um setor em que está muito enfronhada e no qual dispõe de grande experiência. Toda essa acrescida preocupação há de funcionar no interesse do ministério, máxime porque Lobão deverá ser apenas vetor de suas ordens. O blecaute vem também a calhar para que a Presidenta se livre da presença do PMDB (leia-se, entre outros, Furnas e deputado Eduardo Cunha), encaminhando-se para os gestores de comprovada competência técnica na área.
Dessarte, a nova equipe a ser instalada nos setores-chave da área energética pode contar com todo o apoio da Presidente. O que vem junto com o correspondente controle de conhecedora, e os eventuais puxões de orelha a quem o merecer.
Dentro desse quadro de seriedade e competência profissional, a pergunta que insiste em ser feita é onde entra nisso o Ministro Édison Lobão.
( Fontes: O Globo e Folha de S. Paulo )
[1] A chamada OKW (das iniciais alemãs de Comando Supremo da Forças Armadas) passou a omitir pormenores importantes (aqueles desfavoráveis aos exércitos de Hitler), e a transmitir um quadro da situação que contornava o traço essencial, i.e., a derrota ou retirada das forças nazistas diante da reação soviética.
Já acostumado com esse tipo de contratempo, o Ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, procurou minimizar o incidente. Em frase lapidar, o Ministro de Lula que agora é de Dilma, disse: “Não houve um apagão, houve uma interrupção temporária de energia.”
Continuando na mesma linha, que é também reminiscente dos comunicados do Comando Supremo da Wehrmacht [1]quando a sorte da guerra começou a ir no sentido contrário às forças nazistas, o Ministro Lobão acrescentou que falhas no sistema elétrico são comuns no mundo todo e que no Brasil não é diferente. Ele descartou defasagem e desgaste de equipamentos e sobrecarga de energia.
Ao contrário do Presidente Lula, que soía comprar a versão do ministro da área que não estava funcionando a contento (V. Fernando Haddad na Educação e o próprio Lobão, sempre nos apagões), Dilma, além de mais enfronhada no gerenciamento – e especificamente nesta Pasta, de que foi ministra – ficou bastante irritada com o ocorrido.
Embora este último apagão tenha sido menor do que o de Lula, constitui sempre um transtorno considerável para a população atingida, além de ser reflexo em geral de má gestão técnica ou de deficiências no aparelhamento. É óbvio que as explicações ‘tipo Lobão’ têm a credibilidade que merecem, e a par da velhinha de Taubaté convencem um público deveras restrito.
A situação no setor energético – e a mostra arrecém no início de seu segundo mês de governo de que as coisas não vão bem na infraestrutura energética – fortalecem a sua convicção de um maior controle seu nesta área que ela reputa essencial para o desenvolvimento brasileiro.
O apagão – que afetou a 47,7 milhões de habitantes – lhe há de ter tirado as dúvidas remanescentes quanto a um indispensável remanejamento do setor, hoje literalmente entregue ao PMDB (a começar por Lobão, que entra na quota de Sarney).
Igualmente ao contrário de Lula, Dilma controla de perto a máquina, e sobretudo um setor em que está muito enfronhada e no qual dispõe de grande experiência. Toda essa acrescida preocupação há de funcionar no interesse do ministério, máxime porque Lobão deverá ser apenas vetor de suas ordens. O blecaute vem também a calhar para que a Presidenta se livre da presença do PMDB (leia-se, entre outros, Furnas e deputado Eduardo Cunha), encaminhando-se para os gestores de comprovada competência técnica na área.
Dessarte, a nova equipe a ser instalada nos setores-chave da área energética pode contar com todo o apoio da Presidente. O que vem junto com o correspondente controle de conhecedora, e os eventuais puxões de orelha a quem o merecer.
Dentro desse quadro de seriedade e competência profissional, a pergunta que insiste em ser feita é onde entra nisso o Ministro Édison Lobão.
( Fontes: O Globo e Folha de S. Paulo )
[1] A chamada OKW (das iniciais alemãs de Comando Supremo da Forças Armadas) passou a omitir pormenores importantes (aqueles desfavoráveis aos exércitos de Hitler), e a transmitir um quadro da situação que contornava o traço essencial, i.e., a derrota ou retirada das forças nazistas diante da reação soviética.
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