quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Interesse na Amazônia não é na árvore


                       

       Em fala improvisada, feita a um grupo de garimpeiros em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, dia primeiro, que o discurso estrangeiro favorável à floresta amazônica não está preocupado com a preservação ambiental ou com a proteção dos índios.
        Na entrada do Palácio do Planalto, onde subiu numa cadeira para discursar, ele disse que o interesse  não é na "porra da árvore" e voltou a fazer críticas ao cacique Raoni Metuktire, que segundo ele, "vive tomando champanhe".
         "O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério.  O Raoni fala pela aldeia dele, fala como cidadão, (mas) não fala por todos os índios, não. É outro que vive tomando champanhe em outros países por aí."
           Em defesa dos garimpeiros, Bolsonaro disse  que empresas estrangeiras têm culpa no desmatamento amazônico e sugeriu que elas pagam propina para encobrir  crimes ambientais.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

A Busca da Verdade sobre o Atentado ?


                            

       Para o novo procurador-geral da República, Augusto Aras, as investigações sobre o atentado a faca sofrido pelo então candidato Jair Bolsonaro, em setembro de 2018, devem ser "aprofundadas", em busca da "verdade real" do atentado. A fala reproduz o discurso que o presidente vem fazendo há  tempos.
          Em entrevista ao Estado, Aras - que toma posse hoje, dois de outubro, para um mandato de dois anos - disse acreditar que "pelas circunstâncias" do crime, Adélio Bispo de Oliveira não agiu sozinho, ao contrário de o que concluíu a Polícia Federal, Aras cita como exemplos o uso de arma branca, a suspeita de copartícipes na multidão, a tentativa de confundir as apurações com a entrada de pessoas com o mesmo nome  na Câmara e o surgimento de advogados contratados por desconhecidos.
             O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) analisará hoje a legalidade da operação da PF contra o advogado Zanone Júnior, defensor de Adélio, e se o caso deve ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Boris Johnson vai para a ala radical ...


                

           Na convenção do Partido Conservador, realizada em Manchester, continuando a  dar mostras de radicalismo que em geral não se associa com um líder dos tories, Boris  Johnson  optou por unir-se à corrente radical da sigla. Formada por defensores da saída do Reino Unido da  União Europeia e sem acordo prévio  com os órgãos de Bruxelas.

          Johnson persiste, dessarte, em associar-se com alas partidárias que tendem a congregar  correntes caracterizadas pelo radicalismo e, por conseguinte, marcadas pelo distanciamento dos círculos mais influentes e respeitados do Partido.
           Marcando o seu distanciamento com os políticos de maior influência nas fileiras conservadoras,  o que se vê em Boris Johnson é que a seu redor há um deserto de figuras de relevo, pois os membros de mais nomeada timbraram em marcar o respectivo distanciamento da reunião dos tories, o que é uma reação concomitante com o expurgo realizado pelo truculento Johnson contra os seus críticos.

            Com a prometida radicalização do Brexit, a ser implementado sem acordo, as perspectivas do Reino Unido são vistas com geral preocupação  pelos  seus maiores que, em consequência, evitam qualquer maior contato com tal ferrabrás que nada de bom semelha trazer tanto para o partido, quanto mais para  a antiga Senhora dos Mares.
              A crescente falta de prestígio de Boris Johnson se reflete no afastamento das grandes figuras do Partido, que passaram a evitá-lo, depois do expurgo promovido por Johnson contra seus críticos. Dadas as muitas incógnitas que levante o seu radicalismo ao realizar um Brexit irresponsável, são demasiado inteligíveis as preocupações e sobretudo dúvidas que suscitam os seus estranhos métodos  Hoje o cerca gente que mais se assinala pela falta de peso e senso político. E dá a impressão para não poucos  de lidar com a incógnita como se fora forma de afirmação.

                   Não é desagregando um partido que  se criam condições para navegar pelos arrecifes do Brexit, na verdade a maior crise com que presenteou a velha Albion um luminar conservador, David Cameron.


( Fontes: O Estado de S. Paulo, The Independent )

Amazônia: Desarticulação entre Exército e Ibama ?


           

      A revelação de que o Exército se recusara a dar suporte a operações do IBAMA[1] durante a missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia, deixou evidente o que servidores do órgão vêm classificando como "ausência de articulação"  entre as duas instituições. Nos bastidores, as queixas são de que os militares estão atuando apenas nas ações de maior visibilidade, como o combate a incêndios, e deixando as outras a cargo dos órgãos ambientais.
          Em ofício produzido pela área de fiscalização do Ibama, um servidor relata o descompasso com os militares: "Informo primeiramente que foi constatada a ausência de articulação entre as bases da GLO e a fiscalização do Ibama. Isso se deve, por um lado, pelo fato de a GLO estar visivelmente mais voltada para o combate aos incêndios florestais e não tanto para o combate aos ilícitos ambientais", reza o documento.
           Em outro trecho, o servidor credita parte do descompasso ao estilo com o qual as duas instituições estão atuando. Enquanto os militares atuariam de forma descentralizada por meio do Comando Militar da Amazônia (CMA), com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, com sede em Belém, o Ibama atua de forma centralizada, com sua base em Brasília.
            "Essa falta de sintonia entre as bases vem gerando problemas nos sentidos de disponibilização do apoio policial e da Força Nacional", reza o documento do Ibama.
              O servidor pede    a seus superiores que o Ibama solicite o apoio aos militares para que a GLO - que foi prorrogada até o dia 24 de outubro pelo presidente Jair Bolsonaro - também atue em missões de combate ao desmatamento nessa nova fase.
               Funcionário do Ibama ouvido por  O Globo sob a condição de anonimato diz que o clima de insatisfação entre os fiscais do órgão com os militares é geral.
                - Eles só estão fazendo o que dá mídia, que é o combate aos incêndios. Nas operações contra os desmatadores, eles praticamente não entram.  Criaram uma GLO para combater incêndio e ilícito ambiental e só estão atuando em uma frente. Na prática, o combate ao crime ambiental continua prejudicado - afirma o servidor.


Crédito pelas Operações.

                  Outro episódio que aumentou a animosidade entre fiscais e os militares ocorreu no final de setembro.  Segundo o ofício, as Forças Armadas estariam computando dados de ações do IBAMA como se fossem seus.
                - Isso foi a gota d'agua.  Eles estão recebendo  quase dois milhões de reais por dia e ainda estão usando nossos resultados como se fossem deles. (servidor do Ibama, sob condição de anonimato)
                  No dia 23 de setembro, o Ministério da Defesa anunciou que o Governo Federal havia liberado R$ 86 milhões para a ação GLO,  Considerando o prazo de dois meses de duração, a estimativa é de que a missão possa custar em torno de R$ 1,4 milhão por dia..

                   Procurado pelo Globo, o Ministério da Defesa afirmou que sua operação na Amazônia "é realizada em conjunto com diversos órgãos e agências federais e estaduais" e que por isso "as decisões tomadas não são unilaterais".  Disse ainda que o IBAMA participa da reuniões diárias do comando da Operação em Brasília, e que "todos os resultados obtidos são computados e integram o relatório diário",  "A integração entre Forças Armadas e agências pode ser comprovada pelos resultados positivos", diz o Ministério."


( Fonte:  O  Globo  ) 


[1] Ibama: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.


Rio: futuro sombrio para áreas ameaçadas


                   

          Um mapeamento da prefeitura em dez comunidades - áreas montanhosas em favelas - identificou 68 locais que carecem de intervenção urgente para que nos próximos temporais, não venham a repetir-se  as tragédias do início de 2019, quando dezesseis pessoas morreram por força de alagamentos e deslizamentos de terra.

               Com efeito, entre as 115 ações indispensáveis elencadas em relatório entregue no último dia treze à CPI das enchentes da Câmara Municipal, estão, além da limpeza de rios e da remoção de árvores, a feitura de 22 obras. Dessas, contudo, só sete estariam em andamento. Inclusive uma delas, no Morro da Babilônia, que consta como "em execução", na verdade não saíu do papel, de acordo com moradores da comunidade do Leme.
                Por outro lado, a estabilização de encosta no Morro da Babilônia - onde um deslizamento matou três  pessoas em abril último - foi orçada em R$ 4,5 milhões. Segundo o relatório, a reconstrução de sistema de drenagem seria executada num prazo de até 365 dias, em duas etapas - uma emergencial e outra ainda a ser licitada. Segundo  o citado documento, a intervenção emergencial está em andamento, mas moradores contestam a informação. Nesse contexto, uma equipe de O Globo esteve a 31 de outubro no local e não encontrou operários trabalhando.
                    "Parece que a GEO-Rio já tem um projeto de contenção de encostas pronto,mas falta dinheiro. Isso é uma bomba-relógio. As rochas daqui estão em risco. O que pode acontecer na próxima chuva? - indaga o artista plástico Marqo Rocha, que teve sua casa e seu ateliê, na rua Roberto Dias Lopes, destruídos pela enxurrada de abril e diz esperar a realização da obra de contenção para voltar ao endereço com segurança.

Sem Aluguel Social.  Na Rocinha, onde as imagens de carros sendo levados pelas águas, no início de 2019, ganharam as redes sociais, tampouco a situação é melhor.Das cinco obras recomendadas no relatório, três delas, orçadas em R$9,2 milhões ainda aguardam licitação. As duas que já começaram, ambas para demolir casas em áreas de risco, têm desagradado moradores. Eles reclamam da falta de transparência sobre quais imóveis irão ao chão e criticam o atraso no pagamento do aluguel social, de R$ 400, para quem perdeu a própria casa.

( Fonte: O Globo )

Ainda a Tragédia de Brumadinho


                        

       Essa tragédia aconteceu em janeiro do corrente ano de 2019, mas a localização do corpo de Luciano Almeida Rocha, técnico em geotecnia e hidrogenia, que trabalhava na Vale do Rio Doce, só foi descoberto neste domingo, 29 de setembro.
          Dois cães ajudaram para que fossem descobertos os restos mortais de mais esta vítima do rompimento da barragem a jusante, denominada de Córrego do Feijão, ocorrida com a celeridade conhecida, pelo avanço do mar de lama.

          Dessarte, o número de vítimas sobe para 250.  Ainda há vinte desaparecidos. O cadáver se achava a dois metros de profundidade, e Luciano era casado, tendo três filhos, de  20, 12 e nove anos de idade.

( Fonte: O Globo )

Lula desafia Lava-Jato


                              

         O ex-presidente Lula da Silva desafia a "Lava Jato" e divulga carta em que afirma que não aceitará fazer barganhas para deixar a prisão em Curitiba.
           "Não troco minha dignidade pela minha liberdade", escreveu o petista. "Não aceito barganhar meus direitos e minha liberdade".
             Tais assertivas foram divulgadas, após a força-tarefa  da Lava Jato ter recomendado à Justiça Federal que conceda progressão de regime (de fechado para semiaberto) a seu alvo maior, que está preso desde abril de 2018.
              Lula cumpriu um sexto da pena no caso do triplex de Guarujá, requisito para deixar o regime fechado.
             O ex-presidente já havia dito anteriormente que só pretendia sair da prisão após ser inocentado. Ele também resiste à possibilidade de usar tornozeleira eletrônica.
              A manifestação de Lula ocorre às vésperas de julgamentos do STF que podem ter impacto em sua condição prisional.
                Ontem, segunda-feira, dia trinta se setembro,  a defesa do petista solicitou ao Supremo que julgue com urgência a ação que pede a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro. Se a alta Corte entender que houve parcialidade, a condenação no caso que levou Lula à prisão poderia ser revista. Pelo visto, a estratégia do ex-presidente é arguir tal "suspeição", para anular a sentença que o condenou e, dessarte, recuperar o direito de disputar eleições.
                   Por sua vez, os procuradores da Lava-Jato alegam que Lula já cumpriu um sexto da pena e tem bom comportamento, o que garantiria a progressão.  Juristas divergem sobre se o preso  tem direito a recusar a mudança de regime.

(Fontes: Folha de S.Paulo e O Globo)