terça-feira, 3 de julho de 2018

O significado do triunfo de López Obrador


                              
        A despeito das rudimentares condições de contagem da votação no México,  o triunfo de Andrés Manuel López Obrador, conforme verificado pelo boca de urna, se afigurou tão marcante que os principais candidatos concorrentes - Ricardo Anaya, do direitista PAN - Partido de Ação Nacional (27% dos votos) e José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), com 18%,  não tardaram em reconhecê-lo.
          Dada a lentidão da apuração, levará tempo para formar as previsões quanto à composição do Congresso. Por ora, pelo boca de urna, são necessariamente precárias as projeções, conquanto se veicule a possibilidade que o Morena (o partido de López Obrador) alcance a maioria - não se desconta que seja até maioria absoluta - no Congresso.
         Atendidas as peculiaridades da Constituição Mexicana, López Obrador só assumirá, no entanto, o Governo  no dia 1º de dezembro, para  mandato de seis anos.
          Se a votação de López Obrador fôr ainda maior do que a atualmente prevista, AMLO, como é chamado, o primeiro presidente da esquerda em décadas  terá força política para avançar com sua agenda de reformas. Ela está focada em programas sociais,  no protecionismo e no fortalecimento do Estado.
           Se a vantagem de López Obrador for confirmada pelo escrutínio oficial - tem por ora a diferença a seu favor entre 46 e 49% dos sufrágios, e por conseguinte a indiscutível vitória. Por sua vez, o candidato do PAN, Ricardo Anaya, atingiria 27% da votação, e o governista José Antonio Meade (PRI), carregando a impopularidade do presidente Enrique Peña Nieto, em terceiro lugar, com dezoito por cento dos votos.
            Como este último, pela pouco usual disposição em outros direitos constitucionais, fique no poder até a passagem do mando em 1º de dezembro, Enrique Peña Nieto já declarou, ao votar, que  "  o presidente da República e o governo será absolutamente respeitoso e dará respaldo às autoridades eleitas."

( Fonte:  O Globo )    

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Japão: o sonho desfeito


       Em partida sucessiva ao jogo do Brasil com o México, a equipe do Japão,  por algum tempo, logrou estar ganhando por dois a zero da Bélgica.
        Via-se a alegria (e o orgulho) dos jogadores nipônicos de estarem vencendo uma importante esquadra européia.  De outra parte, o desalento do time belga, ao pilhar-se perdendo por diferença de dois gols de um team  sem maior tradição em grandes torneios de futebol.
        O que se reservava para essas duas equipes era a inesperada virada,  com os belgas, a princípio diminuindo a diferença, depois empatando  e  um pouco mais tarde, no que os gregos chamam  peripécia (peripeteia),  os japoneses descobrindo-se de retorno à consueta desvantagem no placar.
         Do júbilo da conquista inesperada sobre os belgas, eis que o jogo se transforma  rapidamente na vitória ameaçada, que não tarda em virar empate, e pouco depois, afundar-se numa derrota por três a dois.
         A história de fadas de um espetacular  triunfo do Japão, com tão pouca bagagem no futebol - e se via o contentamento  do time nipônico com o escore surpreendente e a consequente maravilhosa vitória - tudo isso, de repente esfarinhar-se  de doce sonho para um amargo pesadelo que os lança de volta na brutal, sádica realidade de  resultado que lhes apaga qualquer  ilusão e os faz retornar  às agruras do destino reservado às equipes que se agarram à esperança, malgrado tudo que lhes diga o retrospecto.  

( Fonte:  Rede Globo )

Brasil 2 x 0 México


                               

         Um gol de Neymar e um de Firmino dispuseram da pretensão mexicana de vencer o Brasil e caminhar adiante, para tentar o mundial de que até hoje jamais passou lhes perto.
          O primeiro tempo foi muito disputado, embora a equipe canarinho estivesse sempre mais próxima do gol. A única exceção foram os primeiros trinta minutos, em que o México exerceu forte domínio territorial na partida, mas não conseguiu converter a sua vantagem no jogo.
           Aos poucos, a seleção canarinho foi retomando a supremacia, e, a despeito da violência mexicana, notadamente contra Neymar, o Brasil faria dois gols, o primeiro de nosso principal jogador Neymar, e o segundo, de Firmino, em jogadas de área.
           Os juízes continuam a fazer vista grossa para os pesados fouls que são aplicados pelos adversários contra nosso principal craque, Neymar. 
            Diante do perigo que oferecem, esse covarde recurso anti-esportivo vem sendo aplicado pelos jogadores adversários, em condenável meio de tentar intimidar ou mesmo afastar o  adversário.  Dadas as características de tais faltas, a disciplina grita por maior energia dos árbitros - que em certos pontos negam-se a sequer ver o que lhes diz de verdade o sistema do árbitro digital.  No meu entender, falta um pouco mais de energia dos paredros e assistentes técnicos que acompanham a seleção canarinho, para levar a que os tibios representantes da Fifa assumam as próprias responsabilidades e apliquem os instrumentos postos a dispor pela nova tecnologia, para que se evite tais demonstrações de anti-jogo, que ao invés da atual fraqueza, deveriam ser coibidas com toda a severidade da Lei.

( Fonte: Rede Globo  )

Na Crimeia anexada


                              

         A insolente punição de Vladimir Putin, por causa da derrubada pela revolta popular da praça Maidan do regime corrupto pró-Rússia do presidente Viktor Yanukovich, da Ucrânia, em janeiro de 2015, foi a anexação da península da Criméia.
         Coordenadas pelo presidente Obama foram aplicadas sanções pontuais contra a Rússia, em especial em tudo que se reporte ao território da província da Crimeia, que integrava o território da Ucrânia, e que foi insolente e provocativamente anexado manu militari por  destacamento do exército russo, ajambrado com  uniforme apátrida, e contando com a fraca, quase invisível, reação da pobre Ucrânia, mesmo diante de uma invasão de fancaria, com um exército que sequer teve a ombridade de vestir o uniforme da imperialista Rússia.
         Por disposição da Assembleia Geral, de que vergonhosamente  se dissociou a diplomacia de Dilma Rousseff que teve a ignara e estúpida ideia de manchar toda a nossa tradição diplomática de respeito aos tratados, máxime no que tange ao cumprimento do traço das fronteiras entre os Estados, ao ponto de recomendar aos representantes diplomáticos que indicara como nossos representantes nessa Conferência das Nações a triste, vergonhosa instrução de abster-se sobre a Recomendação da AGNU - pela presença da Rússia no Conselho de Segurança a decisão no caso só poderia ir para a Assembléia Geral, onde não há resoluções mandatórias, mas fracas, suasórias recomendações.  E mesmo em tais condições - por ignorância, ou por menosprezo da tradição de Rio Branco - nossa delegação manchou o próprio nome assentindo a uma vexaminosa abstenção. Nenhuma nação com a tradição do Brasil de respeito aos tratados e às fronteiras consequentes pode conspurcar o nome dos próprios delegados e de sua tradição juridico-diplomática, omitindo-se dessa forma diante de um crime imperialista como o praticado então pelo ditador Vladimir V. Putin.  Não terá sido decerto por ignorância, mas sim por abjeta vontade de agradar  a ditadura moscovita essa mancha na nossa diplomacia, determinada por uma presidente que dissociou-se de uma tradição multissecular de respeito às fronteiras e à terminante renúncia à rapacidade das anexações de territórios de países vizinhos. A esse propósito, há também uma página a que prestamos a devida homenagem, de professores da Fundação Getúlio Vargas que escreveram sobre a verdade e o respeito ao direito internacional público, quando a presidente e o  ministro desrespeitavam os nossos maiores, a começar pelo Barão de Rio Branco, o paradigma imortal de nossa diplomacia.
             A propósito da Crimeia anexada, o Estado de S. Paulo fez reportagem que confrange, pela tibieza dos habitantes daquela península, mais preocupados em nada dizer, do que expressar qualquer reação contra a invasão pela Rússia. A esse respeito, se entenderá melhor o temor que o domínio russo inspira, se tivermos presente  o que reserva aos países que com a dita Nação tem delicados confins, a ponto de que faça legislação que, coberta apenas por um leve véu de frágil respeito à independência alheia dos países que têm  a má sorte de ombrear com o urso russo, tal legislação se veste de somente  sombra de suavíssimo respeito à suposta soberania do país limítrofe através da aparentemente anódina expressão "estrangeiro próximo".
                Dada a repressão a que os habitantes da Crimeia estão hoje submetidos, ninguém quer falar de Ucrânia. Todos nessa grotesca versão do medo mais do que inspirado, possivelmente infligido pelo poder colonial russo, todos os crimeanos sempre torceram "desde garotinhos" pela Rússia, e sequer se lembram de qualquer coisa que recorde a presença ucraniana entre eles...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

domingo, 1 de julho de 2018

Aperta-se cerco policial a Netanyahu


                                 
            É o tema que está na mente da Justiça e dos órgãos policiais: o aperto do cerco judicial ao Primeiro Ministro de Israel, Bibi Netanyahu, sobre quem pesam graves acusações de corrupção.
           Dizem que a Justiça é lenta. Mas a menção de que as acusações pertinentes correm há cerca de dezoito anos mostra que esse vagar está sendo um pouco exagerado... Malgrado a popularidade do Primeiro Ministro, cresce a convicção de que algo carece de ser feito para apertar o cerco contra Netanyahu.
           Nesse sentido, há duas investigações policiais - a primeira relativa a propinas, a segunda, concernente a nebuloso acordo com a RFA sobre submarinos - que continuam sobre a mesa do Procurador-Geral Avishai  Mandelblit, à espera de uma decisão.
           No passado mês de junho, por fim, Mandelblit pôs por vez primeira o sobrenome Netanyahu em uma denúncia.
           Com efeito, é a mulher de Bibi Netanyahu acusada pelo uso ilegal de US$ 100 mil, em dinheiro público, para financiar suas experiências gastronômicas, nelas incluídas as famosas garrafas de champagne cor de rosa.
            Confrontado com a incriminação, Bibi afirma não her desrespeitado lei alguma. A par disso, sua popularidade permanece inalterada pelo escândalo...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

O Claro Enigma do Supremo


                                   

      A capa da revista VEJA deste fim de semana mostra com rara felicidade o riso a um tempo provocador e regozijante do Ministro Gilmar Mendes.
      Sua Excelência não é, decerto, um ministro qualquer do atual Supremo Tribunal Federal. Inteligente, culto, com o verbo ferino, o Ministro Gilmar é um personagem, conhecido do público, pelos seus ditos e posições - e, nesse quadro, foi contestado até em calçada de Lisboa -, e como todas as pessoas pode ser suscetível a mudanças.
       Vamos por partes. Recordo-me dos tempos do Mensalão, em que chegou a estranhar com o então nervosismo - na pouco feliz presidência da Senhora Dilma Rousseff - do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o teria levado a forçar a participação em discussões relativas ao dito processo, que representou um claro êxito do então Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.
         Naquele tempo, a despeito de um relacionamento por vezes difícil com o Ministro Joaquim Barbosa,  Gilmar Mendes não se opôs à Ação Penal Pública 470, aquela relativa ao Mensalão, e que se tornaria um marco na jurisprudência brasileira.
          Pode-se esperar muitas coisas das intervenções em debates públicos no STF, além de serem muita vez originais e incisivas. Quanto a concordar com elas, é uma outra questão.Nesse quadro, os seus votos podem não ser do agrado geral, mas não me aventuraria a dizer que possam ser vistos como medíocres.
          Gilmar Mendes, por exemplo, muita vez se indispôs com o ex-Procurador-Geral do Ministério Público, Rodrigo Janot, tendo mantido mais de uma polêmica à distância com o ex-PGR.
           De uns tempos para cá, Sua Excelência terá subido em um diapasão na sua atitude geral que se vê tornando mais negativa com relação a esse tópico, tão comum e tão próximo a um número bastante respeitável de brasileiros, que é o concernente à operação  Lava-Jato.
           Se inexistem unanimidades nacionais - e os apoiadores do ex-presidente Lula o corroboram - a Lava-Jato representou uma questão muito cara a um número sem dúvida impressionante de brasileiros.
           Sua Excelência Gilmar Mendes ainda - que eu saiba - não a atacou de frente - embora se possa dizer que muitos de seus pedidos de habeas corpus rocem implicitamente com a Lava-Jato.
            Nesse contexto, é bom que se frise que no meu blog - malgrado a década que  atravessou - já apoiei posições expressas pelo Ministro Gilmar. Há um veio libertário em muitas das ações desse Ministro, a que não posso me opor, como, de resto, se pode verificar em muitas de suas polêmicas com o ex-Procurador Geral da República.
             Ao se agregar aos votos que soltaram o ex-Chefe da Casa Civil de Lula, por determinação da Segunda Câmara do STF, Vossa Excelência acrescentou seu voto contra a posição do respeitado  Ministro Edson Fachin.
              Mas já me aventuro sobre questões e tópicos que pertencem ao dia-a-dia do Supremo. Bem sei é que tal já constitui um quase esporte por muitos jornalistas, mas não vejo que deva fazer parte desse artigo.


( Fontes: Carlos Drummond de Andrade; O Estado de S. Paulo; Veja )                               

Domingo na Copa da Rússia


                                                       

         O primeiro jogo deste umbral para as grandes disputas dessa Copa foi entre Rússia e Espanha. O Rei Felipe compareceu, e valendo-se do protocolo, o Presidente Vladimir Putin preferiu assistir ao jogo longe do estádio. 
           E a Rússia, seleção anfitriã nesta Copa, acabou ganhando nos penalties.
                                                          *      *
      Seguiu-se o embate entre Dinamarca e Croácia, aquela mais técnica, esta última mais voluntario- sa, correndo muito. 
            Depois do empate, no tempo regulamentar e na prorrogação   , malgrado a circunstância de que a Dinamarca se haja mostrado com maior classe e predominasse no domínio da bola, pela maior técnica de seus jogadores em relação ao time croata, tal não bastou para os nórdicos.
           A decisão da disputa foi outra vez para os penalties e, malgrado a desenvoltura do goleiro dinamarquês, prevaleceu a garra dos croatas.
                                                                *
            Ainda nas oitavas de final, amanhã  é dia  de Brasil vs. México. . .

( Fonte: Rede Globo  )