quarta-feira, 27 de junho de 2018

Brasil 2 x Sérvia 0


                                   

         Criança ainda, em 1950, assisti no Maracanã,  repleto de andaimes, com meu tio Toninho,  a partida entre o Brasil e a Iugoslávia, que era a "antepassada" da atual Sérvia, embora tivesse potencial humano bem superior, pois congregava também a Croácia e se não me engano, o Montenegro.
          E não é que aquele jogo terminou também com Brasil dois a zero sobre o time iugoslavo?  O primeiro gol foi de Ademir, de sem pulo, que vi muito bem da arquibancada, mas o segundo não sei nem quem marcou, pois foi no segundo tempo, e o meu tio decidiu sair no intervalo do primeiro tempo, para a compreensível irritação do seu sobrinho, que não viu razão porque sair antes do tempo...
          Senti evolução em nosso time, que soube controlar já no primeiro tempo, as bolas altas na área, que muitos temiam pela maior altura dos sérvios.
           Vejo o futebol de Coutinho com grande prazer. Além do gol que marcou na primeira partida, um espetáculo de feitura técnica, Coutinho tem sido a grande surpresa desta Copa, não só pela  qualidade técnica, mas sobretudo pela sua presença maior na seleção, enfiando bolas de tirar o chapéu. Coutinho é, por ora, a grande surpresa do esquadrão verde-amarelo. 
            Neymar, havido como o craque do escrete,  não me parece ter por ora  a relevância de Coutinho. Mas sendo Neymar,  qualquer previsão que se aventure além dessa fase, corre o risco de ser desmentida pelo brilho do camisa dez da seleção.
             A atuação de hoje sem oba-oba nos recordou a toada do Campeão voltou...  Mas aí é que mora o perigo. A máscara germânica se partiu e ei-los de volta para as margens do Reno. Temos de ficar de olho na turma uruguaia, porque estão indo muito bem.
              Lenços brancos e lágrimas de crocodilo para o scratch alemão, que chegou pensando abafar, e deu no que deu...

( Fonte: Rede Globo )

terça-feira, 26 de junho de 2018

A Paz na Palestina, segundo Kushner...


                    

        Parece humor negro.     Em viagem pelo Oriente Médio, Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, fala à imprensa. Em entrevista ao jornal palestino Al Quds, o também conselheiro do presidente Trump, reafirmou a vontade estadunidense de relançar o processo de paz, com ou sem os palestinos.
         Nesse sentido, Kushner questionou a vontade do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de fazer concessões para um acordo de paz com Israel.
         E na mesma linha de não-diplomacia, Kushner reafirma a vontade dos Estados Unidos de relançarem o processo de paz, sempre com ou sem os palestinos. Note-se, por oportuno, que o presidente Trump deixou a cargo de Kushner a formulação de um plano de paz para alcançar um acordo entre Israel e os palestinos (sic).
         Ao completar cinquenta anos de diplomacia já faz algum tempo, nunca tive a oportunidade de encontrar alguém do nível e da abertura de Kushner...
         Anuncia a vontade da superpotência de relançar o processo de paz, com ou sem os palestinos. De saída, portanto, Kushner preconiza um acordo de paz de que os representantes palestinos não precisam, na verdade, participar...
         Por outro lado, além dessa brilhante fórmula de iniciar negociação de um acordo - do qual uma das partes não carece participar - Kushner para completar o clima que presidiria a tal "tratado", ele questiona a vontade do Presidente Abbas de fazer concessões  a Israel...
         Nesse ponto, creio que Kushner não está assim tão fora do compasso. Pois nessa matéria, com a sucessão de abusos e privação de direitos de que sofre a Palestina, as concessões e muitas cabem a Israel, se o gabinete Netanyahu tem realmente algum interesse em criar atmosfera conducente à Paz (assim, com p maiúsculo).

(Fonte: O Estado de S. Paulo )   

Fachin derrotado na 2ª Turma ?


                                  
        Com a sua próxima saída da Presidência do Supremo, depois de uma digna e respeitável gestão, a Ministra Cármen Lúcia volta ao lugar reservado aos demais juízes.  Será, no entanto, importante determinar em que turma deverá ela ingressar.
         Seria de todo interesse que Cármen Lúcia assumisse o posto de Dias Toffoli na Segunda Turma. Como ela já lá esteve, semelha muito provável que volte para a Segunda Turma, onde a sua presença é de todo necessária, imprescindível mesmo.
         Essa turma, com a presença de Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes (além do citado Toffoli) já explica as numerosas derrotas infligidas à Lava Jato, e por conseguinte a seu Relator, o Ministro Edson Fachin.
         É uma pena que um profissional do Direito, da seriedade do Ministro Fachin, tenha as suas posições refutadas pela 'maioria' na Segunda Turma. A última 'derrota' sofrida pelo ministro encarregado da pasta da Lava Jato - tão cara ao Povo brasileiro - na verdade, é apenas um sintoma da crise da Lava Jato, em votos negativos às teses defendidas pela maioria popular que foram aplicados por Ministros próximos ao PT como Lewandowski e Dias Toffoli. Já Gilmar Mendes, se tem  arrostado juízos desfavoráveis, manifestado até nas ruas de Lisboa, tem posição variável no que tange ao PT e seus representantes.
          Com a elevação de Dias Toffoli para a presidência, enfrenta Sua Excelência uma árdua prova, no inevitável e inelutável cotejo e, por conseguinte, comparação com a brilhante e digna presença de Cármen Lúcia na Presidência do Supremo Tribunal Federal, em que sempre se mostrou muito afinada e consciente no que tange ao sentir do Povo Brasileiro, que não está apenas no Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil.
          Que se vá sentir falta da Ministra Cármen Lúcia, enquanto Presidente, semelha difícil de evitar. Se, no entanto, Dias Tóffoli se mostrar à altura da antecessora, não se lhe negará decerto o cumprimento.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Merkel e o desafio da Imigração


                        

        Dadas as divisões na União Europeia, o desafio enfrentado pela Chanceler Ângela Merkel não semelha de fácil solução, como a boa disposição de Emmanuel Macron parecia fazer antecipar.
         Depois do 'ultimatum' do líder da União Cristã Social, Herr Horst Seehofer, que é ministro do Interior no presente gabinete alemão - a CSU é partido estreitamente associado à CDU, a ponto de ser com ela confundido, a Merkel tem de achar uma solução de compromisso para a questão imigratória. A eventual saída da CSU do gabinete alemão levaria à derrocada da atual coalizão alemã, presidida pela Chanceler.  Tudo está evidentemente ligado ao desafio colocado pelos neo-nazistas da AfD (Alternativa para a Alemanha) na Baviera, que põe em sério risco a supremacia da  dita CSU, partido irmão da CDU, que fazem da imigração seu cavalo de batalha.
          Nesse contexto, o gesto generoso (e de muita coragem política) da Merkel, ao admitir há coisa de ano e meio atrás, a vaga de cerca de um milhão de refugiados da guerra civil na Síria, agora está funcionando como um ajudante dos neo-nazistas, pelas dificuldades surgidas em lidar com esse número de pessoas. A recusa ao estrangeiro tem sido superada pela administração alemã e pela própria sociedade, mas não há negar que lidar com tal fluxo manifesta a coragem da Chanceler Merkel, mas as dificuldades de adaptação de um número considerável representa um grande desafio. Não obstante, os preconceitos permanecem e a absorção dos alienígenas será sempre um exercício difícil, se levarmos em conta os números e a falta da indispensável triagem, que tem sido gradualmente corrigida.
         Tudo isso levado em conta, diante das posturas fascistas do regime húngaro e das absorções homeopáticas por muitos países europeus que se proclamam liberais, o caminho seguido pela Merkel, pelos seus traços humanos, é dificilmente contestável se a transparência caracterizar a respectiva discussão. No entanto, na urna eleitoral não tem prevalecido tal sentimento humanitário, e é por isso que em tantos países os quais se jactam de seu liberalismo social, a determinação da Merkel  não é um traço muito encontradiço em termos de efetiva acolhida.
         Uma coisa é a reação diante da foto do menino Alan Kurdi, de cerca de três anos, morto afogado em praia do mar Jônico (Mediterrâneo Oriental) que comoveu o Ocidente e adjacências. Outra e bem diferente para o cidadão comum das sociedades europeias, a de conviver com populações de refugiados em que se acha, como em verdadeiro cadinho humano, todo tipo de etnia, em geral com farrapos como vestimenta e a aparência que espelha amiúde o cruel peso dos padecimentos sofridos. A Guerra Civil Síria, é objeto de meu blog de 22 de fevereiro de 2018, e a imagem desse menino é testemunho da crueldade dos que se crêem poderosos.
        Mas voltemos ao desafio que Frau Merkel enfrenta. Na engrenagem política, pode parecer raro, mas não o é tanto, como um líder que por tantos anos haja constado como uma simples engrenagem do esquema de poder da Chanceler alemã, de repente projete o próprio desafio que lhe é colocado pelos neo-nazistas para o colo de Frau Ângela Merkel, na luta desesperada para manter-se à tona nas águas revoltas de inesperada contestação fundada em bases sociais.
          Se não devemos subestimar a capacidade da Merkel de contornar ou resolver esse desafio, é forçoso considerar que, de certa forma, esse repto está à sua altura, pela própria capacidade que tem demonstrado ao longo de sua extensa carreira política, de extrair de situações aparentemente pouco manejáveis, respostas que atendam às dificuldades do presente.
          Nesse sentido, o auxílio que lhe vem prestando o seu sócio - apesar de muito mais jovem - que é o Presidente da França, Emmanuel Macron, pode ser para a Merkel de grande serventia. Dada a relevância do chamado desafio social da emigração,  a solução que venha a ser construída pode vir a ser ulterior contribuição de Ângela Merkel para os atuais desafios colocados para a Comunidade Europeia pela problemática dos Continentes vizinhos do mundo europeu, com tão grandes desafios sociais em uma realidade muita vez de absoluta pobreza.
  
( Fonte: blogs anteriores ) 

Erdogan vence, e a democracia perde


                              
    
        O resultado das eleições, apesar do otimismo da imprensa inglesa, não foi bom para o campo democrático. O homem forte de Âncara serviu-se muito bem desse pleito, se colocarmos a questão turca no ponto de vista de Erdogan. Ao contrário de o que muitos esperavam, o presidente turco não sai enfraquecido dessa eleição.
         Houve um sensível endurecimento do regime, agora corroborado pelos eleitores. O parlamentarismo - que é sempre uma defesa das minorias - se vê afastado, sendo substituído pelo presidencialismo, que pode amoldar-se à maravilha às características da ordem autoritária.

         Na sua caminhada, depois do golpe de junho de 2016, os cárceres e os calabouços da Turquia se encheram de alegados partidários do suposto inimigo, o clérigo Fethullah Gulen - que vive no leste dos Estados Unidos - de Erdogan e a eleição deste fim de semana em nada contribui para tornar menos opressa a atmosfera naquele país.
          Praticamente apurada a totalidade das urnas, Recep Tayyip Erdogan obtém 52,59%  dos sufrágios, o oposicionista Muharrem Ince 30,76%, o curdo Selahattin Demirtas, 8,15% (os dois últimos de esquerda), e Meral Aksener, 7,41%, conservadora de extrema-direita.
           Muharrem Ince, que encabeça o maior partido de oposição, embora não confirme oficialmente a eleição - não considerou justas as condições da competição -,  aceitou a vitória de Erdogan : não foi uma competição justa, mas aceito que Erdogan tenha ganho.

            Das seiscentas cadeiras do parlamento, pelo menos 293 ficarão com a aliança de Erdogan: o AKP (partido de justiça e desenvolvimento) que governa a Turquia desde 2002, e  o MHP  (Movimento de Ação Nacionalista). A oposição será formada pela Aliança Nacional, de  Ince, e tem 147 assentos  e o partido curdo, 66.
            Por sua vez, a extrema-direita, que vota em geral com o presidente, tem 49 parlamentares, e os conservadores,  45.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )                   

domingo, 24 de junho de 2018

Morre Waldir Pires (1926-2018)


                                      

          Em época não particularmente brilhante para a República do Brasil, morre Waldir Pires, aos 91 anos de idade, homem justo e honesto. Foi companheiro de chapa de Ulysses Guimarães, na eleição para presidente e vice-presidente da República, tendo sido antes o primeiro governador da Bahia eleito após o regime militar. Pires vencera tal eleição contra o candidato apoiado por Antonio Carlos Magalhães, Josaphat Marinho, contando apenas o apoio de vinte prefeitos. Deixaria o Palácio de Ondina, sede do governo bahiano, para ser companheiro de chapa de Ulysses.
         Pranteamos a morte desse varão de Plutarco nesse quase deserto de homens públicos,  dignos desse cognome, que hoje atravessamos.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

sábado, 23 de junho de 2018

Itália, U.E. e a Imigração Africana



                                

            O novo ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, líder da Liga, de tendência neofascista, é um dos principais chefes do atual governo, ao lado do movimento Cinco Estrelas, encabeçado por Luigi de Maio. O chefe nominal do gabinete, é o Primeiro Ministro  Giuseppe Conte, cujo ministério acabou aprovado pelo Presidente italiano Sergio Mattarella.
          Embora a política se caracterize pelo dinamismo, e sendo o atual Primeiro Ministro um político pouco conhecido, restará determinar que papel efetivo Conte realizará ao ser ladeado no gabinete pelos dois principais líderes do gabinete - Matteo Salvini, da Liga do Norte, de extrema direita, e Luigi di Maio, chefe do Movimento Cinco Estrelas.
          Dada a postura anti-imigratória de Salvini, prevê-se na próxima reunião da cúpula da União Europeia, prevista para amanhã, 24 de junho, que ele tentará mudar a orientação da UE na matéria. A questão é explosiva, sendo conhecida a sua postura anti-Macron, o presidente da França.
  
        Como se sabe, o Presidente francês, Emmanuel Macron e a Chanceler alemã Angela Merkel, tem a intenção de propor nessa reunião de Bruxelas, a formação de assim chamadas Plataformas de Desembarque, que pretende ser uma fórmula para o encaminhamento da questão migratória. Como se sabe, ela vem sendo levantada de forma agressiva pela direita na Europa. Assim, a Alternativa para a Alemanha, o Partido Neonazista,  tenciona concorrer nas eleições do Land da Baviera, e a possibilidade de que o líder da CSU, partido-irmão da CDU, Horst Seehofer, seja derrubado pela AfD que vem crescendo e daí o ultimatum que ele fez à Chanceler Merkel para que resolva o problema, senão será forçado a deixar o gabinete de coalizão (de que também participa a SPD, partido socialista alemão). Tudo isso está tratado em meu blog, de 4ª feira,  20 de junho corrente.

            A esse propósito, Matteo Salvini, de tendência de extrema-direita, e que virou ministro do Interior da Itália, com o novo gabinete sob a chefia do Primeiro Ministro Giuseppe Conte,  pretende ir à pré-citada reunião em Bruxelas,  onde deverá oficializar a intenção de deportar cem mil imigrantes.
            Como se verifica pelo teor de suas propostas - a par de sua manifesta oposição ao Presidente francês Emmanuel Macron - não é exatamente para conduzir uma negociação de alto nível que il Signore Salvini, chefe da Liga do Norte, próxima ao fascismo, tenciona ir a Bruxelas. 

            Como se sabe, Jean Jacques Rousseau disse no seu tempo do Abbé de Saint-Pierre, a respeito de suas propostas, que o abbé tinha "de grandes idées et de petites vues" (grandes idéias e pequenas visões políticas).
            Decerto, não é exatamente o caso do religioso criticado pela famosa frase do grande escritor  e pensador político Rousseau acerca das visões das relações de poder do Abbé de Saint-Pierre, mas também as propostas de Salvini discrepam das posições políticas de Macron e da Chanceler Merkel.

            O novo governo italiano e em especial, a sua ala de extrema-direita, deverão encontrar dificuldade em conciliar as próprias ideias em termos de imigração, com uma postura sensata e aberta, como a proposta franco-alemã, do Presidente Macron e da Chanceler Merkel, que se esforçam - agora com o apoio do novo Primeiro Ministro espanhol, Pedro Sánchez, conforme evidenciado pela sua decisão de acolher os refugiados do Acquarius, expulsos da Itália por decisão do atual governo italiano. Como se sabe,  Pedro Sánchez  sucedeu  ao anterior chefe do governo,  Mariano Rajoy, por decisão das Cortes Espanholas.
            De qualquer forma, cabe aguardar o que Bruxelas deverá decidir a respeito. (a continuar).

( Fontes: O Estado de S. Paulo; Obras de J.-J. Rousseau  )