sexta-feira, 28 de julho de 2017

Rio, com ou sem Lei?

                              
       A situação do Rio de Janeiro, apesar de inquietante, custou, pela federal penúria de fundos, a receber a atenção que merecia.
        A arrogância dos bandidos - a começar pela morte em série dos PMs, que permaneceu sem resposta por demasiado tempo - talvez agora tenha a resposta merecida.
         Além do roubo de cargas em série - com a descarada venda dos produtos saqueados de caminhões em feirinhas populares - o tiroteio estendeu-se para a Avenida Brasil, onde nos últimos doze meses foram registradas 1205 trocas de tiro em favelas às margens dos 58km da principal via de comunicação do Rio com a rede estradal brasileira.
         Esses tiroteios não foram inócuos, mas sim deixaram 255 mortos e 348 feridos. Na Penha se registrou o maior número de casos.  
         Agora chegou a Força Nacional, com dez mil homens, que encetou o patrulhamento das áreas mais afetadas.
          Segundo o Ministro Raul Jungmann, da Defesa, a população não pode esperar  "resultados milagrosos", e que a reação do tráfico será "de guerra".
         Será acaso pela circunstância de que o Estado do Rio deixou a situação deteriorar-se a tal ponto, que os traficantes e os demais bandidos se julgam com força suficiente para aguentar o tranco?


( Fonte:  O  Globo )  

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A Baixaria de Trump

                              
         O Presidente Trump pode ser visto sob dois ângulos: (a) ser indicativo de abissal queda de nível intelectual e ético, o que pode vir a ser interpretado como ulterior mostra da fase de declínio do poder americano no mundo; e (b) de seu tratamento do Procurador-Geral,  Jeff Sessions, pelo qual subordina a avaliação da qualidade do Ministro da Justiça a interesses pessoais dele próprio como presidente. Um primeiro mandatário de um país subdesenvolvido ou de uma ditadura do Terceiro Mundo, também teria essa visão de que os ministros existem para em primeiro lugar servir aos próprios interesses enquanto chefe de estado.
          Além de egoismo e egotismo, a instrumentalização da presidência de parte de Trump - e essa visão deformada do serviço público como exemplo para a população - mostra para o americano comum estranho paradigma. Tal modelo subordina a presidência ao interesse próprio, no caso em que ele se apresente como na subordinação ao Procurador-Geral do Conselheiro Especial encarregado pelo Congresso de analisar a responsabilidade do Presidente na eventual interferência russa, com vistas a favorecer a candidatura Trump, e a prejudicar a da candidata democrata Hillary Clinton.   
           Aplicar esse gênero de "princípio" à atuação da Presidência Trump seria admitir que o interesse público não mais norteasse o exercício dos ministros, mas sim pautá-lo pelo atendimento  das supostas conveniências pessoais do presidente, como sói acontecer em estados autoritários do Terceiro Mundo. 
            Nesse contexto, como seria de esperar, a incrível guerrilha mediática realizada pelo Presidente Trump contra o seu Secretário de Justiça, Jeff Sessions, tem sido objeto de amplas, gerais e oportunas críticas da imprensa e dos meios de informação, tanto os liberais, quanto os conservadores. Nesse sentido, o Chefe de Estado vir a misturar interesse pessoal com o público é decerto prática muito comum, mas em geral restrita a governos de Terceiro Mundo.


( Fonte: The New York Times ) 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Sanções: revés para Trump

                           

         Donald Trump deveria desconfiar de que o seu esforço em aproximar os Estados Unidos da Rússia era trabalho ingrato e inútil. Há também no Congresso profunda desconfiança contra Vladimir Putin.
          A sua visível e afrontosa tentativa de intervenção nas eleições estadunidenses do ano passado, feita em favor de seu "amigo" Trump, constituía prato demasiado pesado para ser engolido pelo Congresso americano.
          A Câmara de Representantes, nesse sentido, aprovou ontem projeto que cerceia o poder do Presidente estadunidense de levantar sanções dos Estados Unidos contra a Rússia. Por 419 votos a três, os deputados ampliaram as penalidades contra Moscou, determinando, outrossim, que algumas dessas penalidades só poderão ser revogadas com a aprovação do Congresso.
           A Casa Branca se opõe à legislação, sob o pretexto de que ela interferiria na capacidade do Presidente de conduzir a política externa estadunidense.
            Se Trump resolver meter a sua mão nessa cumbuca, incorre em muito provável risco de fracassar. A questão é delicada, pela postura habitual do Kremlin e de seu atual senhor, Vladimir Putin. Se a amizade de Trump com Putin toca em cordas dissonantes para os parlamentares (e o Povo) americano, causa estranheza o empenho da Casa Branca em retirar as minas desse terreno, quando pesam sérias suspeitas acerca da intervenção russa (leia-se a mando de Putin) nas últimas eleições, por meio de hackers e de desinformação no intento de influir de seu favorito Trump.
              A ficha de Moscou em termos de política externa não é favorável e por muito boas razões.  A Rússia de Putin já fora objeto de sanções em 2014, pela sua invasão da Ucrânia, além da anexação da Criméia.  Tudo isso foi maquinado por Putin, para "castigar" os ucranianos de terem posto para correr o corrupto presidente russófilo Viktor Yanukovich, em decorrência da revolta da Praça Maidan,que se estendera por boa parte de 2013.
                 A Rússia foi objeto de várias sanções dos Estados Unidos, de caráter seletivo, visando a amigos e cupinchas de Putin, assim como pela descarada invasão da Crimeia, por um exército russo vestindo uniformes descaracterizados, assim como pelo emprego de alegados "separatistas" pró-Rússia, na parte oriental da Ucrânia. Essa invasão branca da Ucrânia causou também uma desgraça aérea, com o alvejamento e queda de um avião de passageiros que sobrevoava o território ucraniano. Mais tarde, se confirmou que o projetil era de fabrico russo, tendo causado a morte de 280 passageiros e 15 tripulantes do voo da Malaysian Airlines MH-17.  Após longa pesquisa, foi comprovado o megacídio do Kremlin através de míssil russo trazido para a Ucrânia pelos rebeldes apoiados por Moscou.
                  Até hoje estão em vigor várias sanções internacionais contra a Federação Russa, pela sua agressão contra a Ucrânia, e, em especial, pela anexação da Crimeia. Os visitantes dessa península encontram várias dificuldades para visitá-la, inclusive em termos de transporte aéreo.



( Fontes: O Estado de S. Paulo e internet )

Tropelias de Maduro

                               

         A esdrúxula convocação por iniciativa do Ditador Nicolás Maduro de assembléia constituinte (as minúsculas não estão aí por acaso) não é nada mais do que  ulterior golpe contra a democracia na Venezuela. Golpes, esse ditadorzinho de fancaria, já deu muitos, a partir de ignorar a convocação da votação constitucional pela qual o Povo venezuelano decidiria acerca do seu recall (saída do poder). Empregando série de pretextos espúrios, a ratazana - que fora empulhada ao povo da Venezuela pelo seu moribundo padrinho Hugo Chávez Frias - escapou, cínica e ignominiosamente das forcas caudinas da indignação popular com o seu trágico desgoverno.
           Valendo-se das desavergonhadas desculpas dos maus governantes, Maduro pensou livrar-se da ira popular, para cair na cólera da gente venezuelana, mais do que cansada, farta de governo tão inepto quão desonesto. Nada mais claro e evidente para justificar o levante da população, que a situação em que esta corja chavista veio a criar para a terra venezuelana.
           Além de hiperinflação que já tornou risível o valor do bolívar, mistura de incapacidade e deslavada desonestidade, transformaram a Venezuela no país da fome, em que os armazéns, supermercados, as farmácias e as próprias feirinhas estão às moscas, efeito das desastrosas e incompetentes políticas da corja de Maduro & Diosdado Cabello. Por outro lado, o fantasma da quebra do país - e a transformação da Venezuela em uma gigantesca Somália - não mais pode ser empurrado com a barriga.
            Na Venezuela de Maduro, o cinismo da súcia que se apoderou do mando imaginou agora o golpe dentro do golpe, i.e., a Assembléia Constituinte de fancaria, sem qualquer legitimidade, eis que não obedece à regra nenhuma e muito menos à universalidade que impõe o vestimento indispensável da soberania popular.
           É a falsa Constituinte, saída dos bairros e das favelas onde se refugiam as posses chavistas, com os famigerados coletivos, que matam a rodo, apoiados que estão na provisória garantia que lhes dá um regime podre. Pois este lhes 'confere'  a infame autorização de matar a todos os opositores da canalha chavista. O cinismo, de resto, constitui  a marca ou o estigma de todas as corporações supostamente legais, formadas pela ditadura de Maduro, que se intitulam bolivarianas. Nada mais contrário ao que pensou, postulou e pregou o Libertador do que as tristes tarefas ora realizadas pela canalha chavista, que denomina de "bolivarianos" os órgãos de repressão da democracia.
           Não tem outro escopo essa lúrida Constituinte chavista que derrogar os poderes da Assembléia Legislativa legitimamente eleita pelo Povo da Venezuela, ao passo que essa mini-Constituinte faz o sujo trabalho da ditadura, sem o respaldo do voto universal. Adrede selecionada dentre as confrarias chavistas e as favelas dominadas por essa gentalha, o seu escopo é um só: ab-rogar o poder da Assembleia Nacional e vestir de falsa legalidade constituinte que muito pouco representa, eis que a inquina a falsidade dos próprios títulos, colhidos pela ditadura sem a universalidade que é o sagrado  sinal da legitimidade.
             Já se vive na Venezuela o inferno da ditadura. A eleição desta Constituinte - que decerto não representa o Povo da Venezuela - serve apenas a fins espúrios e antidemocráticos.
            É mais do que hora que a terra de Bolivar seja limpa da corja chavista e desse incongruente regime, que só atende à quadrilha de Nicolás Maduro.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )         

terça-feira, 25 de julho de 2017

O vergonhoso ataque contra o ACA

           
         O Partido Republicano no Senado, constrangido pela incessante campanha de Trump contra a Lei do Tratamento Custeável, deu mais um ignominioso passo contra o acesso do Povo americano ao tratamento de saúde.
         De início, verificou-se empate, com cinquenta favoráveis à ab-rogação da lei, e cinquenta pela sua manutenção. Além dos 48 democratas que votaram contra o projeto, houve duas senadoras republicanas, Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alaska, que também votaram não.
         Estabeleceu-se o impasse com os cinquenta votos de senadores republicanos, inclusive John McCain que veio ao Congresso, apesar de diagnosticado com câncer cerebral. McCain preferiu o esprit de corps, defendendo o inaceitável projeto, movido pela vaidade do presidente, que não trepidou em prejudicar milhões de pessoas por derrubar uma grande lei, que tem favorecido milhões de pessoas. John McCain, a despeito de defender esse projeto nascido da vaidade de Trump, e de dizer palavras duras sobre a revogação, mostrou ao cabo mais espírito de fidelidade partidária do que empenho para assegurar a manutenção de grande e exitosa lei. 
            De acordo com a praxe, coube ao Vice-Presidente Mike Pence o voto que é prerrogativa do Vice, quando há o empate dos contra e dos a favor, na sua qualidade de presidente do Senado.
           Muitos senadores republicanos são vaticinados a colher pela derrota nas urnas do povo americano o merecido castigo por optar pelo orgulho de cerrar fileiras em projeto legislativo que responde apenas à vaidade e à pequenez do Presidente Donald Trump. Nunca tanto esforço foi gasto para derrubar uma tão grande lei, cujo único defeito foi o de assegurar tratamento médico acessível para milhões de pessoas que de outra maneira não lograriam tê-lo.
             Duas corajosas mulheres votaram contra o projeto de Trump. O Povo americano há de lembrar-se disso, mandando para casa  senadores como Ted Cruz, do Texas, Chuck Grassley, do Iowa, Marco Rubio, da  Flórida, além do inefável Mitch McConnell, do Kentucky, desde muito líder da maioria, nessa longuíssima sazão de domínio republicano no Senado, a ele que muito trabalhou pela triste e ignóbil causa de fazer naufragar o ACA, cujo principal defeito não é tornar acessível o tratamento médico para os americanos, sobretudo os mais pobres, mas sim ter sido criado e votado por Congresso democrata, o que sobremodo desagrada o  atual chefe de Mitch,  i.e. Donald J. Trump.
              Se a tola e vazia vaidade de Donald Trump colherá mais breve de o que pensa o amargo fruto  de estúpido, mesquinho e obnóxio gesto, a sua falta de inteligência e sobretudo empatia deverá ser determinante para castigo memorável pelo Povo americano, nas próximas eleições.


( Fonte: The New York Times )

O genro não conspirou ?

                              

       O verbo não é dos mais usados na língua inglesa. Talvez porque to collude - segundo o Webster ser conivente com outro, conspirar, planejar (plot) - não semelha de uso muito corrente. E, pelas aparências, felizmente assim o é, dado o sentido pejorativo que perpassa o verbo collude.
       Pois um dos poderosos da Administração Trump - o seu genro Jared Kushner, e havido como o mais próximo assessor de Donald J. Trump - disse haver mantido quatro contatos com representantes russos durante a campanha presidencial de 2016 e o período de transição para o novo governo. Ele negou para os senadores, sem prestar juramento, que o questionaram em sessão secreta, haver conspirado com Moscou para influenciar a eleição na qual a candidata democrata, Hillary Clinton, foi derrotada na votação indireta.
          "Não conspirei, nem sei de ninguém mais na campanha que haja conspirado, com qualquer governo estrangeiro", afirmou  Jared depois da sessão.  E acrescentou: "Não contei com fundos russos para financiar minhas atividades empresariais no setor privado."
          Nesse encontro, esteve com um grupo de russos na Trump Tower, em nove de junho de 2016, ao lado de Donald Trump Jr. e do então coordenador da campanha republicana, Paul Manafort.
           A dita reunião foi marcada por seu cunhado e registrada em seu calendário como encontro com Don Jr./Jared Kushner. Por sua vez, e-mails divulgados pelo filho mais velho do Presidente há duas semanas mostram que a reunião foi marcada por sugestão do publicitário inglês Rob Goldstone. Em mensagem enviada a Trump Jr. em 3/06/2016, disse ele que conhecia pessoas que tinham informações comprometedoras contra Hillary. "Isso é obviamente informação de alto nível e sensível, mas é parte do apoio da Rússia e de seu governo ao sr.Trump", escreveu ele.
            Em oito de junho, Trump Jr. enviou mensagem a Kushner e Manafort sobre o encontro,  abaixo da qual estavam os e-mails que havia trocado com Goldstone. Kushner sustentou não ter lido o conteúdo das mensagens que tinham como assunto "Russia - Clinton: privado e confidencial". Quando chegou ao encontro, atrasado,  advogada russa estava discutindo a suspensão de adoções de crianças de seu país por americanos.
            Kushner disse ter encontrado uma desculpa para deixar a reunião antes de ela ser concluída. "Nenhuma parte do encontro de que eu participei incluíu qualquer coisa sobre a campanha, não houve seguimento do encontro de que eu tenha conhecimento, não me lembro quantas pessoas estavam presentes (ou os seus nomes) e não tenho conhecimento de que documentos tenham sido oferecidos ou aceitos."
             Durante a campanha, Kushner teve dois encontros com o embaixador nos EUA, Serguei Kislyak. O primeiro ocorreu em abril de 2016, quando ambos foram apresentados, e durou cerca de um minuto, segundo seu relato. O genro do presidente voltou a conversar com Kislyak, a 1º de de-zembro, durante a transição.
              A reunião teve a participação de Michael Flynn, que seria demitido do cargo de Conselheiro de Segurança Nacional por omitir contatos posteriores com o mesmo diplomata. Na discussão com Kushner, o embaixador disse que generais russos tinham informações relativas à política dos EUA para a Síria que gostariam de transmitir a integrantes da nova Administração.
               Como os militares teriam dificuldade para viajar aos EUA, ele perguntou se havia  linha telefônica "segura" para uma conversa com a equipe de transição. Flynn respondeu que não. Kushner perguntou a Kislyak se Flynn poderia usar os canais de comunicação existentes na embaixada russa em Washington, o que seria extremamente inusual. O enviado de Moscou afirmou que não seria possível.
               O quarto encontro de Kushner com russos ocorreu em treze de dezembro, quando ele recebeu o presidente do banco estatal do país, Serguei Gorkov, a pedido de Kislyak. Todos os encontros foram omitidos do formulário apresentado pelo genro de Trump para obter suas credenciais de segurança na Casa Branca. Segundo ele, o erro ocorreu por falhas de seu assessor.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Hillary precisa ser investigada !

                             
        O Presidente Donald Trump está chegando ao fim da linha, mas os seus auxiliares pelo visto esqueceram de alertá-lo.
        Mas algum sentimento quanto ao perigo que o ronda ele deve ter, pois de repente não é que chama a crooked Hillary e os seus crimes para serem de novo investigados?
         Será que no seu frenesi  Trump esqueceu duas coisas importantes, a saber que não havia crime nos computadores. O que neles interessou foi a sua instrumentalização por Mr Comey, e o quanto ela lhe rendeu, caro Trump!
         Trump, o senhor chama o seu fiel e assediado auxiliar  à atenção por não estar investigando a candidata democrata e seu envolvimento nas relações com  a Rússia !
          Se não partisse do Senhor,  Presidente Trump, isto seria o cúmulo do cinismo.
         Se me permite uma sugestão, quem o senhor deveria investigar é o seu antecessor Barack Obama, pela descarada maneira com que favoreceu a sua vitória, ignorando todos os apelos do comitê de campanha de Hillary, com uma postura de Buddha, sem levar ao conhecimento do Povo americano as investidas do Kremlin contra a candidata democrata.
          Agora no desespero, quando o nó dos conluios com a Rússia se vai desenrolando, não lhe adiantará muito investir contra o seu mais fiel auxiliar e tentar trazer de volta ao picadeiro a sua rival preferida.
           Não sei quanto tempo o Povo americano aguentará essa palhaçada. Não lhe aconselho que escolha para Cristo a Senhora Clinton. Ela já enfrentou situações mais desagradáveis, e talvez ao final lhe agradeça pela oportunidade de mostrar ao Povo Americano o que ele perdeu indo na sua conversa.

( Fontes: The New York Times, The New Yorker, The[1] New York Review)     



[1] beleaguered (assediado)