Segundo noticia o Estado de S. Paulo, um dia após decidirem pela libertação de dois condenados na Lava Jato pela Justiça Federal de Curitiba, integrantes da 2a. Turma do STF (Gilmar Mendes e Dias Toffoli) vêm a público dar estranhas declarações. Segundo eles, as decisões confirmam a jurisprudência do colegiado, mas que isso não significa uma revisão geral das prisões preventivas decretadas na primeira instância em novos habeas corpus.
Já se mencionou o caso do pecuarista (e amigo de Lula) José Carlos Bumlai.
Assim, o Ministro Dias Toffoli - que votou a favor da defesa nos quatro casos analisados na Segunda Turma, negou (sic) haver uma tendência em libertar presos da Lava Jato. Por sua vez, o Ministro Gilmar Mendes - que também só votou a favor da defesa nos quatro casos analisados na Segunda Turma, afirmou peremptoriamente que a Turma estabeleceu "limites em relação às prisões".
Lembro-me dei tempi bui (dos tempos escuros) a que aludia o heterônimo Júlio Tavares, reportando-se às proezas dos alegres compadres de Brasília.
Será que as coisas mudaram tanto assim?
De tempos em tempos, a importância da Lava Jato carece de ser relembrada.
Não é agradável ver certas pessoas, como o ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, demonstrando o próprio júbilo ao sair da cadeia. Essa libertação intempestiva pode prejudicar à Lava Jato? Os responsáveis por pô-la na rua asseguram que não.
Por sua vez, o Ministro Luiz Fux, da Primeira Turma, disse que a demora na condenação em segunda instância não deve motivar a libertação de presos. Este argumento foi citado na votação em que Primeira Turma determinou o retorno do goleiro Bruno à prisão, contrariando liminar do ministro Marco Aurélio Mello, também na terça-feira.
" Se ele (ministros da Segunda Turma) fixarem a tese de que a demora no julgamento do recurso pode levar à soltura é uma tese complicada", afirmou Luiz Fux. "A primeira turma não tem essa tese, não. A Primeira Turma analisa vários outros aspectos, mas vamos esperar para não criar um choque de opiniões."
domingo, 30 de abril de 2017
A U.E. endurece o Brexit
A
jogada do Brexit - em que a
incompetência de David Cameron ora se
junta ao mau caratismo de Theresa May - não
se prenuncia tão indolor como os atuais
negociadores britânicos, sob as instruções da Primeira Ministra, tentavam fazer
crer como possível.
Nesse
sentido, os 27 líderes da União Europeia, reunidos em reunião de cúpula em
Bruxelas, aprovaram ontem, 29 de abril, por unanimidade, os termos para a
separação do Reino Unido do bloco. São duras as medidas aprovadas e os líderes
alertaram as autoridades britânicas a
não ter "ilusões", como o livre acesso a mercados da União Europeia.
As negociações devem começar em junho p.f., após as eleições gerais convocadas
pela Premier.
A reunião
- a primeira desde que a May invocou o artigo 50 do Tratado de Lisboa, assim
iniciando formalmente a contagem regressiva de dois anos para a conclusão da
saída do Reino Unido da União Europeia - também mostrou rara unidade de vistas
entre os 27 líderes da UE. Eles levaram
apenas quinze minutos para aprovar oito páginas de diretrizes negociadas por
seus diplomatas no mês passado.
O
encontro também evidenciou clima tenso, que alguns temem possa vir a
dificultar o acordo. Nesse sentido,
autoridades europeias acusaram Londres de cinicamente vetar algumas despesas da
União Europeia e exigiram que a medida fosse revertida.
Nas
diretrizes de negociação, os 27 países defendem a garantia de direitos dos
cidadãos europeus no Reino Unido e vice-versa; assegurar a obrigação de que
Londres pague os compromissos já assumidos com os sócios europeus (que podem
chegar a 60 bilhões de Euros), a par de manter a situação fronteiriça atual
entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, garantida em 1998, após anos de
negociações de paz na área. Nesse sentido, o premier irlandês, Enda Kenny,
pediu que os colegas reconheçam os norte-irlandeses dentro da U.E., no caso de uma unificação,
como ocorreu com a Alemanha Ocidental,
em 1990.
O negociador-chefe da União Europeia,
Michel Barnier, criticou políticos britânicos, inclusive a própria May, por
haver difundido a ideia da possibilidade
de um acordo rápido, ignorando a complexidade e os detalhes das negociações.
Aproveita decerto à May ignorar de caso pensado os óbices das
tratativas, pois lhe parece favorecer,
em termos de ambição política, minimizar os riscos da jogada inglesa. Assim
agindo, Mrs Theresa May não inova. Como foi da parte britânica a iniciativa de
romper com permanência de 40 anos no Mercado Comum (longamente pleiteada e batalhada
pelos líderes britânicos de então), ora aproveita à Mrs May minimizar-lhe as
dificuldades.
E a luta promete ser amarga e onerosa. Com efeito, a transferência da
Autoridade Bancária Europeia e da Agência Europeia de Medicamentos, ambas localizadas hoje em Londres, já conta com
cidades interessadas em sediá-las.
E é bom não esquecer que a Escócia, desde muito desejosa de recuperar a respectiva
independência, já pensa colocar sua
candidatura a tornar-se mais um membro da Organização de Bruxelas.
É a velha estória: não desejes
muito chegar a determinada situação,
porque para os sôfregos sua satisfação pode vir a ser mais amarga de o que
imaginar-se possa.
( Fonte:
O Globo )
sábado, 29 de abril de 2017
PT já não exclui condenação de Lula
De
uns tempos para cá, as novas acusações contra Lula da Silva levaram o PT a
incluir em suas análises internas do cenário político e discussões sobre
estratégia a concreta possibilidade de o líder do PT ser condenado em 2ª
instância pela Operação Lava-Jato. Com isso, Lula se veria impedido de disputar
a eleição de 2018.
Embalados pelas primeiras prévias para 2018, nas quais pela amnésia
nacional de boa parte do eleitorado Lula já passara a liderar as pesquisas para
a eleição presidencial, no fundo do
quadro pairava a possibilidade de que ulteriores revelações tornassem possível
condenação em segunda instância, o que afastaria Lula de qualquer candidatura, por força da
Lei da Ficha Limpa.
Como diz o artigo de Ricardo Galhardo, no
Estadão "a reação do PT às novas
denúncias é reforçar o empenho na defesa de Lula tanto nas ruas, quanto nas
redes sociais. Ninguém no partido ousa questionar ou cobrar explicações. Lula é
visto no PT como alvo de perseguição da
Lava Jato e vítima de campanha para impedir sua candidatura em 2018, Mas
com a divulgação da chamada Lista do Fachin e a delação do empreiteiro José
Aldemário Pinheiro Filho, o Léo
Pinheiro, da OAS, a possibilidade de condenação de Lula da Silva, antes
vista como remota, se tornou mais provável.
Dessarte, líderes petistas
avaliam que mesmo que as novas acusações não venham a ser corroboradas com
provas materiais, elas engrossam o caldo das chamadas "provas indiciárias",
que poderiam sustentar pelo volume um pedido de condenação de Lula com base na
teoria do domínio do fato - que é
doutrina jurídica alemã que foi adotada pelo Ministro Joaquim Barbosa, relator
da Ação Penal 470 (Mensalão), e que foi adotada pela maioria do Supremo
Tribunal Federal, para condenar José
Dirceu à prisão.
Lula é objeto de seis pedidos de abertura de inquéritos enviados pelo
Ministro Edson Fachin, Relator da
Lava-Jato no STF, à primeira instância
da Justiça Federal, com base nas delações
da Odebrecht.
Na semana passada, Léo Pinheiro disse, em depoimento ao Juiz Sérgio
Moro, que Lula pediu a destruição de provas e seria o verdadeiro dono do
tríplex no Guarujá, que está em nome da OAS. Além disso, o ex-presidente é réu
em outros cinco processos saídos da Lava Jato e seus desdobramentos. Como se sabe, se ele for condenado em
segunda instância, o petista ficará impedido de disputar eleições.
Embora a ordem seja sair em defesa de Lula, no PT já se fala
em cenário no qual ele seria um grande cabo eleitoral transferindo votos para outro candidato. Dentro desse discurso
de ajustamento à realidade, ele transferiria votos para outro candidato.
Especulam-se até nomes para ocupar a vice de Ciro Gomes (PDT). Fernando Haddad
é o mais citado.
Para o PT, o conteúdo da lista de
Fachin e a delação de Leo Pinheiro não afetariam o eleitorado cativo do PT, mas
afastam eleitores que estavam se convencendo a votar em Lula por causa das políticas impopulares
do governo de Michel Temer. A par disso, dificultam o discurso da militância em
defesa de Lula.
As saídas seriam a mobilização
popular em defesa do petista e a consequente criação de uma narrativa favorável
a Lula. É contando com isso que o ex-presidente pediria ao juiz Moro que o depoimento marcado para o próximo dia
dez de maio, em Curitiba, seja transmitido ao vivo. Lula está convencido de que
vai "engolir" o juiz Sérgio Moro devido à falta de provas sobre o
apartamento no Guarujá.
Nessa matéria do Estadão, há
alguns 'se' que necessariamente
condicionam qual será a realidade no julgamento de Lula. Dificilmente a magistratura concordaria com a transmissão
ao vivo do julgamento, mas isto é matéria a ser avaliada pelo poder judicante,
dentro dos parâmetros legais.
Por fim, o articulista frisa
que "quase nenhum petista ouvido pelo Estado concordou em falar sobre o
assunto sem pedir anonimato". No entanto, o ex-prefeito de Porto Alegre,
Raul Pont, integrante do Diretório Nacional do PT, Lula é alvo de um processo
"tão tendencioso que não resta outro caminho que não a solidariedade e a
defesa." Segundo Raul Pont "provas estão sendo adequadas
para se ajustar ao crime".
Sem embargo, de acordo com o
articulista, Pont avalia que a difusão maciça das acusações causaram "um
estrago no PT, na opinião pública". "O ódio, isso foi
alcançado", disse ele, que admite a possibilidade de Lula não ser
candidato. "Se Lula for impedido vamos ter que transformá-lo em um grande
eleitor."
(
Fonte: O
Estado de S. Paulo )
Colcha de Retalhos E 14
Palocci
contrata advogado para delação
O ex-Ministro Antonio Palocci, preso em
Curitiba desde setembro de 2016, resolveu contratar os serviços do advogado
Adriano Bretas, de Curitiba.
Bretas já atuara anteriormente em negociações de acordo de delação
premiada de alvos da
Operação Lava-Jato. A mudança do
defensor tem como objetivo negociar a colaboração de Palocci.
Preso na fase Omertà - desdobramento da Lava Jato - Palocci era
defendido pelo criminalista José Roberto Batochio, que, no entanto, é conhecido por sua posição contrária à
delação premiada.
Por sua vez, Bretas tem entre seus clientes o doleiro Alberto Youssef.
Palocci, como informa o Estado de S. Paulo, é alvo da ação penal que tramita na 13ª Vara
Criminal Federal de Curitiba, sob a responsabilidade do Juiz Sérgio Moro. Na
semana passada, interrogado pelo juiz da
Lava Jato, Palocci já apontara a possibilidade de colaborar com as investigações.
No processo em que é réu, Palocci é apontado com o codinome "Italiano",
que consta da planilha de propinas da Odebrecht. Os investiga-dores suspeitam que ele recebeu R$ 128 milhões da construtora e repassou parte
do dinheiro de propina ao PT.
Temer
em base movediça?
Segundo a coluna de José Roberto Toledo, os presidentes brasileiros se
sustentam no tripé do apoio popular, apoio parlamentar e apoio
empresarial. A situação começaria a
ficar precária, na falta do apoio popular.
Quando falta mais um, de acordo com o colunista, "o terceiro não
aguenta e o governo cai".
Impopular, Michel Temer, "se sustenta nos dois últimos". Para
o colunista, contudo, "o apoio dos deputados bambeia".
De acordo com o cômputo de
Toledo, desde a aprovação do teto fiscal em 25 de outubro de 2016, a base
governista tem sofrido muitas defecções: perdeu quase todo o PDT, a maioria do
PSB , e, por omissão, fatias expressivas do PMDB, do PR, do PSD, do PTB e do
SD, entre outros.
Dentro do pessimismo do colunista Toledo, "para chegar aos 308
votos e aprovar a reforma da Previdência, o governo cede ao limite de torná-la
inócua a olhos empresariais."
A conferir.
Gilmar
Mendes suspende interrogatório de Aécio
Em determinação que contrariou a Polícia
Federal, o Ministro Gilmar Mendes
(STF) suspendeu por pelo menos 48 horas a oitiva a que o Senador Aécio Neves (PSDB-MG) seria
submetido na manhã de 26 de abril, como
parte de investigação sobre irregularidades em Furnas, estatal do setor
elétrico.
Atendendo a pedido da
defesa de Aécio, que queria ter, antes do interrogatório, acesso aos depoimentos de testemunhas já
realizados - o que tinha sido negado pela P.F., o Ministro Gilmar Mendes
determinou o acesso imediato por parte de Aécio e sua defesa aos depoimentos,
além da suspensão do interrogatório (por pelo menos 48 horas).
Na sua decisão, o
Ministro Gilmar Mendes afirmou que "o argumento da diligência em andamento
não autoriza a ocultação de provas para surpreender o investigado em seu
interrogatório". Para tanto, Gilmar invocou a 14 Súmula Vinculante do STF, que
trata do direito da defesa de ''ter acesso
amplo aos elementos de prova".
(
Fonte: O Estado de S. Paulo )
Francisco não é notícia?
Papa Francisco acaba de completar mais
uma viagem apostólica que , em certos,
aspectos foi assaz diversa das outras. Por cerca de dois dias esteve ele no Egito. O objetivo dessa missão
pontifícia foi, também, um pouco diferente das demais.
A viagem foi dedicada a duas questões
importantes: aproximar estas duas grandes religiões - que são o Catolicismo e o
Islã - além de sua carga de prevenção e ressentimento, e levar mensagem de
solidariedade à minoria copta em terra egípcia, depois do momento difícil das
mortes de fiéis cristãos na sua basílica no Cairo.
Em outros tempos, Paulo VI e João Paulo
II visitaram o Egito em viagem apostólica.
Na parte oficial da visita papal,
Francisco foi recebido à chegada e também esteve em audiência com o presidente
do Egito, general el-Sisi.~
No plano religioso, houve o encontro e
a confraternização entre o Imã muçulmano e Papa Francisco. O sumo Pontífice
oficiou igualmente missa campal para a comunidade copta. Por determinação do
Santo Padre, ele não utilizou carro blindado nos seus deslocamentos, nem se valeu
de qualquer outra proteção especial.
Para esta viagem apostólica, em
momento difícil, marcado pelo fanatismo de movimentos políticos de fé islâmica,
como o ISIS - responsável pelo morticínio na catedral copta - o testemunho
pessoal traz consigo a coragem heróica dos antigos missionários, cuja crença em
Cristo Salvador era o único documento de viagem que portavam consigo.
É por isso que Papa Francisco será
sempre recebido com respeito. Porque, sem alarde, sem o triunfalismo das
viagens pastorais do passado, Francisco não trepida em levar a própria mensagem
de fé, congraçamento e paz, como se fora simples peregrino da fé cristã.
Se ele recebe as atenções e o apreço
que lhe são devidos, por sua fé e determinação, Papa Francisco desdenha a pompa
e seus acólitos, viajando com o espírito
dos antigos missionários, que trazem consigo o amor em Cristo, e a própria fé e
confiança nos desígnios do Senhor.
PS. Não há menção à viagem de Papa Francisco nos jornais americanos New York Times e Washington Post. Salvo erro ou omissão, segundo pude verificar, a
memorável visita do Santo Padre só é referida e reportada pela CNN.
Seria bom que estivesse
eu equivocado, pois nunca é demais reportar-se a testemunhos de uma fé que
remove montanhas.
Considerações sobre a greve
A
greve, ou o que seria mais preciso, as manifestações de protesto, determinadas
por centrais sindicais, em que os
trabalhadores são utilizados como massas de manobra por essas mesmas centrais,
continuam instrumentos válidos nas lutas por melhores condições de trabalho e
salário?
Em
tese, sim. No entanto, enquanto
manifestação de massa, convocada pelas grandes centrais, como a CUT, por
exemplo, a greve passou a privilegiar o objetivo político, alegadamente
reivindicatório, mas na verdade, divulgatório, eis que na organização de
jornadas com escopo de publicidade, o que se quer divulgar é uma disposição de
luta e, precipuamente, de oposição ideológica, em que o partido político se
sobrepõe à organização sindical, em termos de fins a serem atingidos.
Tais
manifestações de protesto, ainda que denominadas de movimento grevista, na verdade empregam
pano vermelho para apresentar-se como defensoras de melhores condições para os
trabalhadores - em termos de salário,
notadamente, mas o escopo não é precisamente este. Como se utilizasse arma de
largo efeito em termos de cone destrutivo, os móveis político e sindical são as
bandeiras da vanguarda, porém a
retaguarda, com o considerável incômodo às massas trabalhadoras entra
igualmente no real cômputo da manifestação.
Assim, a jornada de protesto na prática equivale a um exercício
vandálico (no qual a queima dos ônibus, como meio de transporte das massas, é
privilegiada), a par de outras
destruições, que visam sempre a dificultar eventuais acessos e outras
facilidades de que dispõem os trabalhadores,
Na
verdade, toda essa pluralidade de variações para tornar mais eficaz a
manifestação grevista tem a ver com a limitação de meios de parte das organizações
sindicais de conduzir operação autenticamente sindical. No século XXI, os sindicatos e as
respectivas confederações semelham ter pressa, ou melhor, essa intenção de
encurtar o tempo da manifestação é
contingência das mudadas condições da luta sindical.
Assim, para tentar atingir os respectivos objetivos - ou constranger
melhor o adversário (no caso, os patrões) - as greves ganham características
que pouco têm a ver com a sua conformação anterior, em que a luta sindical não
saía do terreno que lhe caracterizava a atividade.
É
passado o tempo das românticas resistências ao patrão através seja da ocupação
dos locais de trabalho, seja da respectiva ausência. As lutas sindicais do século XIX, conforme
descritas em romances contemporâneos, como os de Émile Zola, podem ser
consideradas românticas, mas eram temidas pelos patrões, na medida em que a negação
do trabalho, conjugada com a ocupação dos respectivos locais constituía temível
instrumento de luta da classe operária.
Por ser uma luta a peito aberto e sem quartel, ela dependia da
respectiva resistência das duas partes. De um lado, a patronal, alegadamente
mais forte, mas igualmente condicionada pelas exigências do capital. Por outro
lado, a operária - disposta a pagar com o próprio sacrifício a respectiva
reivindicação, o que tendia a torná-las mais
verazes e também mais difíceis de serem facilmente rendidas.
O
que vemos na atualidade é muito diverso. As greves são em geral substituídas
pelas chamadas "jornadas de protesto", em que o objetivo é plúrimo.
Valendo-se das comunidades servidas pelos meios de transporte, elas entram em
um cômputo que é menos honesto do que o do enfrenta-mento do passado, eis que
se vale de contingentes que não deveriam
ser eticamente envolvidos. Hoje,
as greves se transformaram em atividades
curtas de tempo, e que por isso têm de empregá-lo na maneira mais destruti-va
possível no curto espaço cronológico que lhes é aberto.
Daí
as destruições que parecem vandálicas, mas que são mais oportunistas do que os
seus exemplos do passado. Se o escopo é
queimar e destruir, há uma meta maior - decerto não revelada - que é a de
atingir os demais componentes da sociedade, dentro de uma chantagem coletiva.
Sem
embargo, como toda a violência, ela pode ser contra-arrestada, dela retirando a maior parte do prejuízo aos
agentes envolvidos (por exemplo, onerando o transporte coletivo com o seguro
anti-demonstração, o que torna mais cara a passagem para o trabalhador, mas
garante que o serviço de ônibus não seja interrompido).
(a
continuar)
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Trump: o previsível corte nos impostos
Todas as
administrações republicanas se caracterizam pela redução nos impostos, em geral
visando a favorecer as faixas mais altas de renda.
Tal característica pode ser um lugar comum nos presidentes
republicanos. Os cortes costumam ser generosos, ainda que à custa do Tesouro
americano. Também acompanha as rituais "bondades" a promessa de
que não se aumentará o déficit do Tesouro.
Sendo partido de ricos, a iniciativa de Donald Trump não surpreende, e
tampouco merece críticas mais severas da imprensa. Como presidente do Grand Old Party, outra coisa não se esperava do bilionário
Trump. George W. Bush, o último mandatário
eleito pertencente ao Partido
Republicano, também viera com o seu programa de 'bondades' aos extratos mais afluentes, com cortes substanciais que, na época,
tiveram efeitos desastrosos sobre a economia americana.
Por enquanto, não há críticas
mais pesadas ao projeto presidencial. O próprio Times que costuma ser bastante crítico
no que tange a esta Administração, faz apresentação não vincada pelo
negativismo. Sem embargo, e a despeito das promessas do mandatário que o
deficit federal não será atingido, outra é a impressão dos técnicos na matéria.
A
questão mais importante a ser resolvida é como evitar que os cortes maciços
propostos por Trump venham a ter efeito
desastroso, com a eventual explosão do
déficit federal.
O
ritual nessa matéria também prevê as generosas promessas do novo presidente de
cortar os impostos dos ricos (republicanos não costumam pensar muito na
situação financeira dos estratos menos aquinhoados, que de resto não votam no partido do elefante...)
Para a Casa Branca, o crescimento da economia - acionado pelo mágico
corte de impostos - cobriria as despesas suplementares, que podem subir em
até sete trilhões de dólares no aumento
do déficit no prazo de uma década.
Previsivelmente, a acolhida a esse
plano de gastança não despertou muito entusiasmo nos especialistas.
Os prognósticos dos expertos no ramo tampouco cairam na conversa de quem já se intitulou como "Rei da Dívida".
A dívida federal deverá crescer segundo o respeitado
"Departamento do Congresso para o Orçamento" cerca de dez
trilhões no curso da próxima década. Em 2027, o déficit orçamentário pode atingir um trilhão e quatrocentos bilhões
de dólares, ou 5% da economia americana.
Se as previsões do Departamento do Congresso americano já estiveram fora do compasso, há uma
persistente discussão se os cortes nos
impostos são realmente eficazes. Por sua vez, outros contrapõem que cortes mais
baixos tampouco garantem o desejado
crescimento.
De qualquer forma, a
discussão sobre o projeto e como será
implementado dependerá muito provavelmente de acordo bi-partidário. Se os
cortes podem aumentar o déficit, o GOP
vai precisar do apoio democrata para aprová-lo, eis que a legislação prevê maioria
de sessenta senadores para sancioná-lo, o que só será possivel com o apoio
bi-partidário.
Depois de arrostar os
ataques da oposição republicana, voltada para que mantivessem austeridade nas
despesas, os democratas agora respondem ironicamente
aos novos planos da
Administração do GOP. Assim se expressou Alan B. Krueger, o economista de
Princeton, que presidiu o Conselho de Assessores econômicos de Barack Obama:
"Eu não serei o primeiro a observar que um Congresso Republicano só se
importa com o déficit quando há um democrata na Casa Branca".
( Fonte: The New York Times )
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