domingo, 3 de julho de 2016

É hora de pesquisa ?

                                        

          Desperta alguma estranheza essa pesquisa do IBOPE, pretensamente sobre aprovação do governo interino de Michel Temer. Ela foi solicitada pela Confederação Nacional da Indústria, que é uma das entidades habitualmente interessadas em encomendá-las.
          O governo Temer responde à situação emergencial, e é temporário, estando sob o cutelo da votação complementar do Senado Federal.
           Administração desse gênero, nascida sob as sombras de prazo legal, que lhe dá vida constitucional bastante curta - não é à toa que vem carimbado da interinidade - não pode ensejar à opinião pública uma apreciação equilibrada e imparcial, eis que o Governo Temer é temporário, e está submetido tanto aos maus e bons humores dos senhores senadores, e, por isso, como todo governo dessa natureza  ele não oferece nem o tempo, nem a autonomia de que fazem jus as habituais altas autoridades que são objeto das pesquisas desses institutos.
            Por isso, parece-me algo despropositada essa consulta. Devemos aguardar que voltem a votar os senhores senadores, para determinar se se confirma o impeachment de Dilma Rousseff ou se ela, para surpresa geral,  logra reverter a corrente, e tem assegurados mais dois anos de não-governo.
            Creio que impeachment é coisa séria. Como tal, não há o menor cabimento para rachar esse processo em dois, como se necessário fora para determinar a competência ou não, ou eventuais crimes contra a Administração, para rachá-lo dessa maneira.
            Não atino porque nós os brasileiros temos o pendor de complicar tudo. Nos Estados Unidos, o impeachment é decidido em uma única votação do Senado, depois que a Câmara de Representantes considera válido o processo em tela.
            Dentro desse contexto, surpreende que se venha a pedir ao Povo uma avaliação do governo interino de Michel Temer.
            É pôr a carroça  diante dos bois, ir a perguntar o que acha sobre um governo que é super-interino, e existe por ora nesse limbo da interinidade. Só pode dar no que deu...


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Gilmar Derrapa

                                  

        Não surpreende que o Presidente do Senado, Renan Calheiros nos venha desenterrar  projeto de 2009 que pune abuso de autoridades.
         Já não se pode dizer o mesmo do Ministro do Supremo, Gilmar Mendes, que nos  venha defender tal proposta, sob o argumento de que é preciso uma nova lei para o País "atingir um padrão civilizatório".
         O Ministro Gilmar Mendes negou que o projeto tenha relação com a operação Lava Jato.  E acrescentou: "O projeto de lei não tem foco específico ou no Ministério Público, ou policial, mas é claro que contempla esse setor. Assim como contempla parlamentares que eventualmente possam cometer abuso de autoridades em CPIs, por exemplo."
          Negativas à parte, o presidente do Senado - investigado na Lava Jato e com vários processos no Supremo - procura injetar vida em um projeto dormente nas gavetas da Câmara Alta, e que prevê punições a crimes de abuso de autoridades, agentes da administração e membros do Judiciário, Ministério Público e Legislativo. 
           É importante frisar que muitos artigos da citada proposta estão em sintonia com reclamações de parlamentares sobre a condução da força-tarefa da Lava Jato.
           Esse projeto cai como uma luva nas medidas que se voltam contra as ações da Polícia Federal e do Ministério Público, eis que prevê punição para cumprimento de mandados de busca e apreensão de forma vexatória; pena para quem negar, sem justa causa, acesso da defesa à investigação e detenção para diligência policial em desacordo legal.
            Também o Ministro Gilmar Mendes se associa aos defensores desse estranho projeto que foi desengavetado pelo Senador Renan Calheiros. 
             Não convence a assertiva do Ministro Gilmar de que o projeto não tenha relação com a operação.  "Esse projeto de lei nada tem a ver com a Lava-Jato, discutimos isso no contexto do pacto republicano. Tivemos muitos projetos de pacto que foram votados no Congresso, como o mandado de injunção."
             Com as devidas escusas, Ministro Gilmar, o projeto em apreço é um torpedo dirigido contra as máquinas da Lava-Jato. As medidas sugeridas só favorecem a suspeitos de corrupção. E quem está interessado em reviver tal projeto de lei, que dormia longo sono nas gavetas do Senado, é um dos principais interessados em coibir o trabalho da Lava Jato, e de operações similares, que em inserem no renascimento das medidas contra a corrupção, de que a Lava Jato constitui o estandarte principal.
            

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Lembranças do Tio Adolpho (XXVI)

                        

          Teria sido para Adolpho Bloch demasiado doloroso atravessar a charneca da falência, com as suas urzes e areias, com as traiçoeiras dunas, a que recobre escassa, rasteira vegetação, que é a vestimenta de solo pobre e exaurido, onde pode esperar-te o belo horrendo das cobras corais, com os negros aneis e o vermelho espalhafatoso.
          A ambição pode levar-nos aos descaminhos de demasiados empenhos. Terá sido acaso a húbris o que levou Adolpho a empenhar os próprios bens muito além da Taprobana?
          Não creio. Na verdade, foram as cruéis Parcas que lhe retardaram o passo e lhe trouxeram o cansaço, que é o companheiro importuno da velhice.  Para sermos francos, Adolpho, apesar dos problemas cardíacos, viveu mais que os seus irmãos Boris e Arnaldo, aquele partindo com 54 anos, este com 51. O próprio paterfamilias, Joseph Bloch partira em 1953, com 84 anos.
         Adolpho era um capitão de indústrias à antiga. Carecia daquela famosa ciranda bancária para financiar as empresas. Na virada do milênio a que ele não chegaria, as bocas de suas empresas haviam crescido de forma consentânea com os desafios da então temida efeméride, para a qual, no entanto, uma firma familiar como Bloch Editores não lograva acompanhar as exigências crescentes das ávidas bocarras da televisão.
           Talvez ele tenha chegado demasiado velho em uma selva demasiado pujante e exigente, como é a televisão. Se aquele mouro houvesse aportado às costas, com uma ou duas dezenas de anos antes, haveria amealhado o capital necessário para enfrentar a concorrência - que, na verdade e em essência, seria apenas uma só.
            Coragem e audácia empresarial, ele as tinha de sobra, mas quando desceu à arena, o handicap não mais lhe era propício.
             O velho coração, que tantas passagens pelos hospitais americanos, com a esposa Lucy lhe exigira, e mais tarde, com a separação, com outra companhia, sinalizava mais exigências, que a própria condição não mais se achava em estado de atender e, sobretudo, plenamente satisfazer.
              Enquanto aqui esteve e as forças não o tinham abandonado, Adolpho responderia sempre presente aos desafios do século XXI. As cruéis Parcas, no entanto, lhe cortariam o fio existencial bem antes da hora marcada pelo novo milênio.
              Com a separação de Lucy, se ainda mantinha contato com o sempre Tio Adolpho, o relógio continuou a correr, e as eventuais passadas no prédio da rua do Russell haviam necessariamente de espaçar-se.
              Ele sempre me recebeu bem, mas crescia a sensação de que eu vagava em diversa corrente, e o tempo, esse maneiroso tratante, cuidava de forma insensível, porém ao cabo prevalente, de afastar-nos de forma tão lenta, quanto na verdade inexorável.
               Na  última vez em que o vi, deploro não ter feito os passos para atravessar o largo salão da embaixada russa em Brasília. De longe, o distingui acompanhado da sólita senhora que repontara na sua vida uns poucos anos atrás.
               À distância, pareceu-me, naquele final dos anos oitenta, muito envelhecido. A despeito do espaço que nos separava, a distância entre nós, de certa maneira imitava o desenrolar recente de nossas atividades, de que desaparecera o contato de antes.
               De longe, a sua imagem não me trazia o tio Adolpho que conhecera. Era agora um ancião, curvado pelos anos e, sobretudo, pela doença familiar. Manifestamente, encolhera. Ali não estava mais o meu tio Adolpho, mas, mesmo à distância, me ficou a impressão que ele me espiava de quando em vez.
               Era recepção diplomática. Muitos estranhos e também conhecidos com que conversamos breve, efusiva e em geral superficialmente.

                Quando me voltei, afinal decidido a procurá-lo, havia partido.                

sábado, 2 de julho de 2016

Lembranças de meu Tio Adolpho (XXV)

                       

         Adolpho Bloch achava importante que a sede de Bloch Editores procurasse concentrar igualmente entidades de ordem cultural. Por isso, ele pensou na inclusão de teatro e galeria de arte. Quanto a pinturas e esculturas, o casal desde cedo colecionava quadros de pintores brasileiros.
         Recordo-me que, criança ainda, já vira pendurado na sala do apartamento 501 da rua Antonio Vieira 5, um quadro de Portinari, o homem com a gaiola de passarinho. Mais tarde, Adolpho continuou comprando obras de pintores no Brasil, e nesse sentido, me lembro de vários outros, entre os quais relaciono brasileiros e estrangeiros radicados no Brasil.
         A lista inclui, além do citado Candido Portinari, Lasar Segal, Di Cavalcanti, Guignard, Emeric Mercier, Franz Krajsberg, Tarsila do Amaral, Manabu Mabe, Tanaka, Milton Dacosta, Anita Malfatti, Djanira, Antonio Bandeira e Iberê Camargo.
         Não excluo a possibilidade de que haja omissões nesta lista.
         Este museu da pintura modernista brasileira terá sido projeto que nasceu do amor de Adolpho e Lucy pela nossa pintura. Uma pequena galeria nessa relação de pintores nacionais e outros mais que se encantaram com o Brasil.
          Boa parcela desses quadros estava no edifício Machado de Assis, no amplo apartamento que sucederia àquele do Edifício Chopin como residência do casal.
      Essa última residência do casal Adolpho e Lucy, enquanto permaneceu a sociedade conjugal, era ainda mais espaçosa do que a anterior no Chopin, que é prédio construído como que debruçado sobre a pérgula e a piscina do Copacabana Palace. Esse é o grande encanto do Chopin, cuja construção, menino ainda, acompanhei subindo as escadas da obra, atrás de minha tia Lucy.
        
       Já o Machado de Assis, que defronta o Atlântico, na enseada de Copacabana, antes denominada a Princesinha do Mar, está  naquele enorme quarteirão entre as ruas Santa Clara e  Constante Ramos, é um imóvel maior, e ali estiveram dispostos nas respectivas paredes, como quadros em residência familiar, muitos dos pintores acima relacionados.

        Lucy lá enfrentaria, alguns anos depois da saída de Adolpho do Machado de Assis, grande e para ela inesperada provação. Adolpho - que adquirira muitas das obras de arte ali penduradas - já partira. Pelo seu espaço, o amplíssimo imóvel constituía quase uma galeria. Das telas de Manabu, uma era tão grande que ocupava, qual mural modernista, parede inteira. Dizia-se mesmo que o artista terminara a pintura já na residência dos Bloch, ao ver que ainda existia espaço para completar a sua criação.
       
           Entrementes, a situação da Bloch Editores mudara do vinho para a água. Morrendo na mesa de operação da Beneficência Portuguesa em São Paulo, em 19 de novembro de 1995, Adolpho foi poupado das agruras da falência da empresa.
         
            Uma delas Lucy a suportou com a dignidade e a firmeza que eram traços muito marcados em seu caráter. Como sói acontecer nesses casos, irrompeu no apartamento pelotão com polícias armados e funcionários judiciais, a quem incumbe o não muito ledo encargo de apossar-se, em nome da Lei, dos bens móveis, em particular obras de arte, que lá se achavam.
           
            Como também é praxe, o grupamento adentrou o domicílio em operação de busca e apreensão de obras de arte. Esses bens móveis são coletados com a arma desembainhada, manu militari, e a dona da casa - ou quem lá estiver em seu lugar - está destinada a tratamento quase como se fora virtual receptadora de obras de arte. 

             Na ordem judicial, que os meirinhos cumprem com a ênfase de operação que vem preparada para arrostar a resistência que tais incursões podem por vezes provocar, mas que no caso de Lucy Mendes Bloch, como seria de prever, não se verificou. Mesmo ex abrupto, Lucy enfrenta sozinha, com os poucos servidores que lhe restam, a invasão do próprio domicílio.
         
              Depois, perguntei-lhe porque não me chamara, não fosse para dar-lhe a companhia que se deve a senhora que nada fizera para merecer tal tratamento. Lucy ainda estava sob choque, e creio que só a raiva e o berço lhe deram forças para atravessar aquele ordálio.

              Com a falência, as mesuras e atenções desaparecem nas casas que eventualmente são objeto da operação de busca e apreensão. Pela descrição que me fez, dir-se-ía que era julgada a priori como culpada de receptação de bens que, na verdade, não tinha a ver com a realidade factual. "Perdeu !" é como dizem  criminosos boçais a render um infeliz nessas ruas e artérias do Rio de Janeiro, de que Deus é dito encarregar-se da segurança.

              À minha tia, já grande em anos - tinha na época mais de noventa - não lhe gritaram doestos, mas a trataram com a mesma rudeza e empáfia daquela gente.
                 O mais singular nessas operações em que a dona de casa se vê de repente lançada ao báratro dos infelizes, embora pouco ou nada tenha a ver com aquele braço longo que a toma como se culpada fosse, quiçá para justificar a operações daquele gênero.


                  Lucy tinha têmpera e enfrentou sozinha toda essa externalização de uma violência, que não se dá conta das mínimas condições do respeito devido a nossos semelhantes. Ao contar-me como a trataram e a maneira com que procederam - a despeito de não ter havido resistência alguma - não pude deixar de trazer à mente a magna figura dessa expressão do Iluminismo, isto é, Cesare Bonesana, Marquês de Beccaria, que escreveu a grande obra "Dos Delitos e das Penas", um dos livros básicos do renascimento jurídico. Como um Ministro da Justiça afirmou mais tarde que prefereria morrer a ser encerrado em uma das prisões do Brasil, não creio que valha a pena aprofundar esta página triste da aplicação das Leis em nossa Terra. Se alguém que é a maior autoridade civil no campo das prisões, as considera como antecâmara da morte, não é de estranhar que tratem a senhoras idosas do modo acima descrito.  

( Fonte: Grande Enciclopédia Delta-Larousse )

Colcha de Retalhos D 28

                              

Sob o olhar nervoso da mídia mundial


           Aquele velho dito - não desejes muito uma coisa determinada, porque ela pode acontecer - passou a ter uma aplicação intensa na mídia mundial no que concerne o seu interesse quanto a certos aspectos da situação no Brasil.
            Como há uma aparente dificuldade das autoridades da segurança de lidarem, conterem e eventualmente controlarem o desafio da mala vita no Brasil, não há de provocar grande espanto se os órgãos mundiais da mídia internacional passarem a dispensar uma crescente e nervosa atenção quanto aos sinais de alegado descontrole dos órgãos repressores da sociedade brasileira em dominar o desafio do crime organizado.
              Nos eventos internacionais que o Brasil teve de enfrentar - como na última Copa Mundial de Futebol - se o comportamento neste esporte - em que antes o Brasil sempre aparecera através de sua seleção como em condições de no mínimo disputar o título - semelhava dar-nos alguma tranquilidade quanto ao aspecto técnico - tranquilidade essa seja dito de paso que se dissolveu no Estádio Municipal de Belo Horizonte, enterrados que fomos pelo vexame histórico dos sete a um que nos aplicou a Alemanha. 
              Assegurada a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro, através se série de filmetes de propaganda e  muitas, muitas promessas, eis que agora a autoridade brasileira - representada por dois interinos - o Presidente Michel Temer e o Governador do Estado Francisco Dorneles (que assumiu pela enfermidade do titular, o nosso estimado Pezão) - tem de enfrentar um Senhor Desafio com a Olimpíada, com o grande afluxo previsto, os problemas atinentes ao trânsito, realização dos jogos, atendimento emergencial e a questão da segurança, entre outros (os estádios e locais atléticos estão prontos).
               O problema da segurança - no Rio de Janeiro a força policial dos PMs tem sido regularmente abatida pelo crime organizado. Desde princípios do ano, cinquenta PMs foram "executados" pelo dito crime, sem que o Estado, desprovido de meios, apresente uma reação que dê segurança aos brasileiros em geral e aos cariocas em particular.
              Nesse sentido, a foto de um caminhão cuja carga foi saqueada por um ataque desse crime organizado mereceu a honra da distribuição mundial, para que a comunidade internacional tenha conhecimento da crescente desenvoltura da mala vita, que nos parece autenticamente brasileira, a despeito da terminologia empregada.


Rosa Weber afinal interrompe ações



        A Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, afinal voltou atrás, e decidiu suspender as ações coordenadas dos juízes no Parana contra os jornalistas e a "Gazeta do Povo",  no Paraná.
       Com efeito, a 20 de maio último, a Ministra Weber negara o pedido do jornal "Gazeta do Povo" para suspender as ações.
        Após recurso, no entanto, a Ministra reconsiderou a sua decisão anterior, dando liminar interrompendo a tramitação dos processos.
         No recurso, a 'Gazeta do Povo' ponderou que, em 25 de maio, cinco dias após a primeira liminar da Ministra,  tinha sido exarada a primeira sentença condenando o jornal a pagar indenização de R$ 20 mil. O mesmo Jornal levou à Ministra o conteúdo de um áudio com declarações do juiz Walter Ligeiri Júnior. Na gravação, ele diz que, depois que o STF ter negado o pedido, os jornalistas teriam de viajar muito pelo Paraná. O magistrado Walter Ligeiri afirma que setecentos juízes estavam preparando ações contra o veículo de comunicação e seus funcionários.
           O jornal citou ainda um trecho da Constituição segundo o qual cabe ao Supremo julgar casos em que integrantes da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados. Rosa entendeu  que esse ponto não se aplicava ao caso. Mas avaliou que há um risco cada vez maior ao pleno exercício do direito de defesa. Outrossim, afirmou a magistrada que a série de ações pode provocar  "grave prejuízo financeiro e pessoal" aos jornalistas, uma vez que os obriga a se deslocar em todo o estado.
           A 'Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão' (Abert), a 'Associação Brasileira de Imprensa' (ABI), e a 'Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo' (Abraji)  elogiaram a decisão.
            Das citadas notas consta: "É inaceitável a atitude dos magistrados que moveram uma série de ações com o objetivo de intimidar o trabalho jornalístio" (Abert),  "A ABI entende que a mordaça  através da toga é inaceitável em um regime democrático" , e  "( A decisão) "é um alento para aqueles que enxergam o jornalismo como um dos pilares da democracia"(Abraji).


O STJ suspende acordo entre Samarco e Governos



             A pedido do Ministério Público Federal, a Ministra  Diva Malerbi (STJ) suspendeu ontem, primeiro de julho, acordo feito entre os governos federal e estaduais de Minas Gerais e Espírito Santo, com as empresas  Samarco, Vale e BHP Billiton, que previa a recuperação ambiental  da área atingida  pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG). A decisão em apreço foi tomada em caráter liminar.
             Como o acordo em apreço se extinguiam recursos que discutiam a implantação de outras medidas àquele magno desastre ambiental. A Ministra Malerbi entendeu que a 1ª Seção do STJ decidiu em junho último que a competência para julgar processos  que envolvem Fundão é da 12ª Vara da Justiça Federal de Minas. Com a liminar em apreço fica restaurada a ação civil pública ajuizada contra a Samarco, a Vale e a BHP Brasil.
             "Ademais - segundo escreveu a Ministra do STJ, Diva Malerbi - diante da extensão dos danos decorrentes do desastre ocorrido em Mariana/MG, seria rigorosamente recomendável o mais amplo debate para a solução negociada da controvérsia, por meio da realização de audiências públicas, com a participação dos cidadãos, da sociedade civil organizada, da comunidade científica e dos representantes dos interesses locais envolvidos, a exemplo das autoridades municipais."


Os Hospitais do Rio de Janeiro podem fechar



                A situação do Estado, dado a caótica herança fiscal - com o desaparecimento dos royalties do petróleo e a posição fiscal comprometida, na sucessão dos governos estaduais, a partir da Administração Sérgio Cabral - esse mesmo Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro aguardam com ânsia a chegada dos prometidos recursos federais na área da saúde.   Vejam o que declara o Sr. Secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior: o setor está com "grande dificuldade" para manter unidades em funcionamento. E mais: ' sem a injeção de dinheiro, os serviços podem parar até durante os Jogos Olímpicos. Consoante Sua Senhoria, o quadro hoje é pior que o enfrentado em dezembro passado, quando emergências estaduais (as chamadas UPAS[1]) fecharam as portas.
                 "Se não tiver recurso novo e se não tiver garantia  de custeio, é claro que (a situação de dezembro pode se repetir).  (O Sr. Teixeira Júnior) tem, no entanto, a certeza de que o governo vai alocar recursos  para que nada disso aconteça. Agora, se o governo não tiver recursos... A gente está sempre sob risco. Eu fiz, inclusive, um ofício ao Governador (interino) explicando essa situação, (e o consequente) risco de paralisação dos serviços de saúde no Estado.
                     Pelas declarações do Senhor Teixeira Júnior se tem uma ideia da precaridade da situação fiscal do Estado em termos de saúde.  "Com a maior dívida acumulada em 2016 entre as secretarias estaduais - R$ 485 milhões, até maio, a saúde recebeu apenas R$ 750 milhões no primeiro semestre, quando estava previsto um gasto de R$ 2,1 bilhões (12% da Receita corrente líquida do Estado, que está orçada em R$ 17 bilhões).
                      Segundo o aludido Secretário de Saúde, a situação se agravou no primeiro semestre deste ano, eis que a saúde só recebeu R$ 25 milhões do caixa do Estado, quando precisa de pelo menos duzentos milhões de reais.


( Fontes:  TV Globo, O Globo, Estado de S. Paulo )



[1] Unidade de Pronto Atendimento Sanitário (UPAS)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Hillary e o Servidor particular de e-mails

                     

         Este caso se vem arrastando há mais de ano e se relaciona com a utilização pela então Secretária de Estado Hillary Clinton de rede particular para os e-mails concernentes ao Departamento de Estado.
         Como já se verificou, essa prática não é novidade, havendo antecessores seus naquele cargo utilizado o canal particular para lidar com os seus e-mails.
          A questão foi ávidamente utilizada pelo Partido Republicano. Findo o longo e contencioso problema do bárbaro assassínio por militantes islamitas em Benghazi do infeliz embaixador americano Christopher Stevens, e determinada a falta de qualquer culpa da então Secretária de Estado nesse crime (o que consumiu inúmeras sessões da Comissão de Investigação da Câmara de Representantes, sob permanente domínio do GOP), os pobres políticos republicanos ora só têm à mão eventual questão relativa ao chamado servidor privado de e-mails, de que a Secretária Hillary utilizou durante o seu quadriênio no Departamento de Estado.    
           Como pretexto para prejudicar eventualmente a candidata democrata à sucessão de Barack Obama, é o que resta nesse latifúndio para incomodar e lançar dúvidas sobre o eventual discernimento da então Secretária de Estado.
           Tal interminável investigação ainda está na área técnica do Departamento de Justiça. Com encontro, supostamente casual, no aeroporto Internacional de  Phoenix, entre a Procuradora-Geral de Justiça, Loretta E. Lynch, e o ex-Presidente Bill Clinton, vindo a público, e para afastar qualquer eventual suspeita de contato relacionado com a dita questão, que está sub judice naquele Departamento, a senhora Lynch declarou que pretende lidar com a questão como qualquer outra. Nesses termos, como a Senhora Lynch costuma seguir as recomendações dos promotores de justiça, dadas a natureza da questão, e a particular atenção que os republicanos devotam à carreira da candidata Hillary, o procedimento a ser obedecido respeitará a rotina desses casos.
            Para os nervosos membros do GOP, em  se tratando da candidata Hillary, a grita republicana envolve até pedidos de designação de um promotor especial para o caso...
            Inquietos com a próxima eleição presidencial, e as posições instáveis de seu presumível candidato, Donald J. Trump, não provoca estranheza os comentários da oposição republicana.


( Fonte: The New York Times )

Amizades Perigosas

                                        

        Muitos ainda terão presente a turma do lenço, a roda entre o Governador Sérgio Cabral e o seu então amigo, empresário Fernando Cavendish.
         Além da foto em Paris,singularizada pela brincadeira dos guardanapos, a queda de um helicóptero, em junho de 2011, na Bahia marcaria a proximidade entre Cavendish e Cabral.  Nesse desastre, seriam vitimados Mariana Noleto, namorada do filho do então governador do Rio; Jordana Kfuri, mulher do presidente da Delta, e mais quatro pessoas.
          Em verdade, a sorte caprichosa salvou o governador e o filho Marco Antônio, que deveriam viajar, mas não embarcaram na última hora, pois o helicóptero levaria apenas as mulheres e as crianças. O motivo da festança na Bahia era o aniversário de Cavendish.
          Na época, o governador Cabral negou que as relações pessoais com o então presidente da Delta houvessem influenciado no aumento de contratos da  construtora. Com efeito, a Delta obteve cerca de um bilhão de reais em obras no período entre 2007, primeiro ano do governo Cabral, e junho em 2011. Reportagem  de O Globo mostrou ,na época, que somente em 2011 a empreiteira obteve R$58,7 milhões em empenhos para a realização de serviços dispensados de licitação, eis que foram aprovadas em caráter emergencial.
            Em 2012, a operação Monte Carlo prendeu Carlinhos Cachoeira acusado de comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás. Foi descoberto então que vinha da Delta boa parte do dinheiro repassado às empresas fantasmas do bicheiro. Na verdade, segundo determinou o MPF, a relação era muito próxima, tanto que Cachoeira seria sócio oculto da Delta.
             Depois da operação e da CPI do Cachoeira na Câmara dos Deputados, Cavendish deixa o comando da Delta e a empresa pede recuperação judicial.
             Apesar das fotos divulgadas  por Anthony Garotinho, em que Cabral aparece risonho ao lado de Cavendish em Paris, e em outra,quando Cavendish aparece com Secretários de Cabral no instantâneo da 'turma do lenço', Cabral consegue livrar-se  de depor na CPI, blindado que foi pelo PMDB, e encerra a amizade com o ex-empreiteiro. 
              Fernando Cavendish, isolado e sem empresa, vai para São Paulo. Posto que resista a revelar os bastidores da relação da Delta com o poder, abre exceção quando o tema é a decepção com o Governador Sérgio Cabral.
              As notórias obras do Pan-Americano de 2007 podem ser definidas,  na reportagem de Carolina Castro como "superfaturadas, mal-acabadas e pouco eficientes". Dessarte, menos de nove anos passados, as que ainda estão de pé tiveram que ser submetidas a reformas estruturais para poderem ser utilizadas na Olimpíada do Rio de Janeiro.
               Além do chamado Parque aquático Maria Lenk, a mais problemática das obras assumidas pela Delta no Pan foi a construção do chamado Engenhão, de início orçado em R$ 60 milhões. De 2003 a 2007 o referido estádio olímpico já consumira R$ 360 milhões da prefeitura, i.e., cinco vezes mais do que orçamento inicial.
                Em 2010, a trinca Delta, Odebrecht e OAS venceram a licitação para a reforma do velho Maracanã. A empresa de Cavendish, no entanto,  abandonou a obra em apreço - que custou R$ 1.266 bilhão - e é atualmente investigada pela Lava-Jato sob suspeitas de superfaturamento e pagamento de propina ao então Governador, Sérgio Cabral.


( Fonte:  O  Globo )