terça-feira, 7 de junho de 2016

Lembranças de meu Tio Adolpho (VII)

                         

         Por vezes, eu encontrava Adolpho na praia, se me levantasse mais cedo.  Ele nunca foi grande madrugador, pois apreciava a vida noturna. Nos tempos áureos da boîte Vogue, ele a frequentara com grande assiduidade, a ponto que um jornalista que não morria de amores por ele o cognominasse de Adolpho Vogue.
         Naquele tempo - anos cinquenta - essa boîte era um fanal na noite carioca. Na minha primeira adolescência, meus tios ainda viviam na Antônio Vieira, 5, no Leme. Nessa época, nessa rua e na Gustavo Sampaio, havia locais bastante movimentados, e a alta boemia lá comparecia.
          Houve então o incêndio do hotel Vogue - que abrigava também a boîte - e a tragédia que o cercou, inclusive com a morte de hóspede, se não me engano, americano, que pelas deficiências dos bombeiros de então, não pôde ser salvo - o seu quarto estava no terraço do prédio - e, por isso, não mais suportando o calor das chamas, ele, com bastante vagar, se foi  acercando da mureta, a despeito dos gritos da gente que presencia a progressão do incêndio. Para tal público que acorre a esses espetáculos, muitos guardaram a impressão de que o estrangeiro preferira deslizar lentamente para o abismo, do que ser queimado vivo.  
           Um pouco mais tarde, o casal Bloch trocaria o Leme pelo edifício Chopin, sexto andar. Naquela época, era um dos melhores endereços do Rio, junto da piscina do Hotel Copacabana Palace, e da sua pérgula. Várias vezes, acompanharia minha tia em suas visitas de inspeção às obras de construção do prédio e do apartamento, que tinham escolhido.  Com seu dom de decoração, Lucy dividiu à própria feição o amplo apartamento, onde o casal iria morar por um bom tempo.
           Na praia, quando o avistava,  tratava de cumprimentá-lo, e nós dois caminhávamos pelas areias, àquela hora, em geral desertas, ou com pouquíssimos banhistas.
           Perguntava-me dos respectivos projetos, e quando lhe dizia  que estava escrevendo um livro, ele costumava encorajar-me, inclusive prometendo publicá-lo quando estivesse pronto.
           A princípio acreditei nas promessas, mas mesmo com a editora já montada, de alguma forma ele se esquecia. Como nunca tive o vezo de pedinchar, guardava para mim a circunstância de que a obra estivesse pronta ou não.
              De toda forma, quando publiquei afinal um romance  - apesar da advertência de Castelinho de que não escolhesse aquele editor -  foi minha Tia Lucy quem compareceu à noite de autógrafos em Brasília, a que, para minha surpresa, muita gente amiga acorreu.
    


( Fonte: Carlos  Castelo Branco (1920-1993), escritor e colunista político do Jornal do Brasil - Coluna do Castelo)

Confusão na República

                              


        Há perplexidade no governo Temer, diante dos pedidos de prisão feitos pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, do Presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-Presidente José Sarney, e do Senador Romero Jucá, todos do PMDB.
        Os pedidos terão sido dirigidos há uma semana por Janot a Teori Zavascki, Ministro do STF e encarregado da Lava-Jato.
        Segundo Ricardo Noblat, haveria irritação no Supremo pelo vazamento, que se presume originário de alguém da Procuradoria.
        A fundamentação do pedido do PGR  é que tais personalidades foram flagradas tentando interferir nas investigações da Lava-Jato.
        Não é só o fato de que tal seria inédito nesta República. O próprio Sarney sequer acreditou na notícia, que de início julgou apócrifa.
        Os indícios de conspiração, segundo O Globo, captados nas gravações, e reforçados pelas delações de Sérgio Machado e de seu filho Expedito Machado, são considerados por investigadores mais graves que as provas que levaram Delcídio Amaral à prisão, em novembro de 2015, e à perda do mandato, em maio.
         De acordo com a fonte, Delcídio tentara manipular uma delação, a de Nestor Cerveró, enquanto Renan, Sarney e Jucá planejavam derrubar toda a a Lava-Jato.

          A preocupação do PGR se deveria à circunstância de que Renan, Jucá e Sarney  estão entre os políticos mais influentes do Congresso.  Sarney, segundo se assinala, mesmo sem mandato, controla bancadas inteiras na Câmara e no Senado.  Sarney teria tido  papel determinante no processo de afastamento de Dilma Rousseff. 
         
           É de assinalar-se que nas conversas gravadas por Sérgio Machado, Renan, Jucá e Sarney surgem discutindo medidas para interferir - e na prática neutralizar - a Lava-Jato.

           Se levadas a diante, as medidas solicitadas pelo Procurador-Geral haveria enormes consequências no atual processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

            Seria afastado da presidência do Senado Renan Calheiros e substituído pelo Senador Jorge Viana, do PT.

            As consequências sobre o atual processo de impeachment não seriam das menores. Mexem no tabuleiro existente, e poderiam ser devastadoras.

             Por outro lado, a situação do Presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, seria afetada.  Com efeito, Cunha começa a ser julgado hoje pelo Conselho de Ética. No entanto, parecer do presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Artur Lira, abriu caminho para que Cunha seja salvo.

              O parecer relativo a Cunha seria levado ao plenário da Câmara. Nessas condições, não se pode excluir a possibilidade que o Poder Legislativo, representado pelo plenário, decida por emenda alterar a decisão do Conselho de Ética, e anular na prática a cassação do mandato de Cunha  .

              Paira no ar a possibilidade de que o Ministro Teori Zavascki reporte essas questões ao plenário do Supremo, que se ocuparia de decidir sobre os mandatos não só do deputado Eduardo Cunha, mas também daquele do Senador Renan Calheiros, como presidente do Senado.

              São decisões graves porque afetam um outro poder que segundo reza a Constituição (artigo 2°) é igual aos demais, e deve ter por conseguinte a última palavra no que concerne aos mandatos de seus Presidentes.

               Ou será que o Supremo se vai tornar uma espécie de Poder Moderador da República, como já rumoreja a Imprensa?


( Fontes: Ricardo Noblat (Globo on-line);  O Globo )     

Dilma somos nós ?

                                
       Não tenho a menor intenção de repassar, mais uma vez, o processo de escolha de Dilma Rousseff  por Lula da Silva.
        Embora seja doce ilusão que uma página como esta possa ser virada algum dia, havia tudo na escolha pelo presidente Lula da Silva para que ela fosse muito aquém de que o Brasil carece, por mais cegado que se possa ser pela paixão política e pelo interesse corporativo.
         Lula sabia que ela não era nem a mais capaz, nem a mais preparada para sucedê-lo. Como diria Jânio Quadros, fê-lo porque qui-lo.
         É somente nesta linguagem farcesca que será compreensível a estranha preferência pela sua chefa de gabinete, que não tinha nem o conhecimento nem tampouco a capacidade política para sucedê-lo. Tudo não passou de um jogo egoísta do apedeuta, que dessarte pensava garantir a própria reeleição em 2014.
          Já diz um velho amigo meu que não há nada de seguro no subdesenvolvimento. Deveras, enganam-se - e redondamente - aqueles que pensam manipular as linhas tortas da história futura. Por isso, não nos apressemos em proclamar o desenvolvimento de Pindorama.
          O Brasil só será um país desenvolvido, não quando o seu PIB supere por um verão ou dois o do Reino Unido, mas quando a nossa sociedade  estiver livre da praga da demagogia, da dengue (e das endemias não só rurais mas também plurais pela criminosa falta de saneamento básico) e dos coronéis (sejam eles do Nordeste ou alhures)
          Para pôr um meio-fim nesse triste capítulo de como ainda se pode fazer um(a) presidente(a) no Brasil, Lula só indicou Dilma por interesse próprio, eis que temia apontar alguém com sólida base política para a curul presidencial, porque acalentava vindouras ambições.
          Mas o momento pertence, na verdade, a mestre Arnaldo Jabor, com a sua irrespondível cartilha "Se a Dilma voltar".  Em verdade, mais do que  desnudá-la, para traçar-lhe o retrato de Dorian Gray, vale dizer aquele da verdade, basta colher as suas declarações. Como podemos eleger alguém tão néscio e  culturalmente despreparado ?
         É triste, se não fosse trágico. E por isso, não é o caso de sentir pena de Dilma Rousseff.  Como as citações o demonstram, ela fez o que pôde. O erro não está na criatura.   
             O erro estará um pouco naqueles que acreditaram na possibilidade que, de um galho torto, fosse surgir a árvore frondosa da Terra da Fartura.  Mas, sobretudo, na gente de má-fé, que, uma vez mais, partiu para tosquiar e saíu tosquiada.


( Fontes: Se a Dilma Voltar, de A. Jabor  (O Globo) ).

segunda-feira, 6 de junho de 2016

É proibida a Censura

                              


       Soube através da imprensa que dois blogueiros foram objeto de censura.
        Uma das causas de que a censura volta e meia seja aplicada em qualquer tipo de atividade intelectual na mídia é a falta da devida regulamentação da matéria através de súmula vinculante de iniciativa do Supremo Tribunal Federal.
        A censura inconstitucional contra o jornal O Estado de S. Paulo, aplicada por um desembargador de Brasília, a pedido de um filho do ex-presidente José Sarney acerca da Operação Boi Barrica, até hoje não foi conhecida no mérito pelo Supremo. Algo terá feito esta ação desaparecer nos canais do STF, pois até o Estadão, que punha em sua página o aviso que estava sob censura, desistiu em anos passados de continuá-lo, o que na prática parece ter posto termo a uma questão importante - o desrespeito amiudado por magistrados, em primeira instância, e até em segunda (como visto no caso em tela) diante da determinação do artigo 5° , alínea IX (que seja dito en passant é cláusula pétrea da Constituição Cidadã ), a qual determina "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença." (o grifo, por relevante, é meu).
         A ideia seria valer-se do exame pelo Supremo, que prepararia uma súmula vinculante sobre a matéria, para evitar os inúmeros erros na Justiça, assim como ressurreições descabidas da censura das comunicações. Tal não ocorre apenas nos grotões desse grande Brasil, mas até mesmo na Capital Federal e outras comarcas de igual importância,  com a sobrevida da censura, o que é manifestamente inconstitucional.
          A súmula vinculante daria algum trabalho a esse egrégio colégio, e teria imediatos benefícios, funcionaria como uma espécie de cartilha para evitar não só os erros de Suas Excelências, mas também os eventuais abusos, de que há inúmeros exemplos.
           Segundo me foi dito, está em curso nova aplicação de censura agora aos blogueiros.  Essa atividade também merece fruir das benesses da liberdade de expressão. Bem sabemos quais são os limites tanto desses jornalistas digitais, quanto de eventuais magistrados que venham a intervir na difusão de suas idéias, ou em aspectos determinados da respectiva atividade.
             Os blogueiros estão protegidos enquanto defenderem o próprio direito de ter opinião. A censura foi abolida desde cinco de outubro de 1988. Essa liberdade, conquista da democracia contra a noite da ditadura e do regime militar, não se confunde com permissão para difamar e outros incisos previstos pelo Código Penal.
              É o que deve ter presente o magistrado, devendo ser entendido que o direito de crítica e de opinião é assegurado pela Constituição.
Tudo isso deverá um dia ser discriminado pela súmula vinculante. Entrementes, os magistrados devem ter presente o sentido libertário da Constituição de Ulysses Guimarães.  Ela não surgiu do nada, e sim de longa luta contra a ditadura e o regime militar. Por isso, à falta da necessária súmula, o magistrado partirá sempre do princípio in dubio pro reo.
                  As novas gerações - tenhamos presente que a Constituição já fez 27 anos - não tem vivência da Censura nas suas diferentes formas (da imprensa, da televisão, do rádio e dos espetáculos).  Nesse sentido, os blogueiros são jornalistas digitais, em geral donos do próprio nariz, em termos de conteúdo do blog.


( Fontes: Constituição Federal; O Estado de S. Paulo )

A cega ambição de B. Sanders

                              


           Mais rápidos de o que pensa o candidato populista Bernie Sanders, os ponteiros do relógio da História avançam para a hora em que a vitória de Hillary Clinton será fator matemático contra o qual ele pode continuar, decerto, a vociferar, mas a sua desesperada investida na direção dos gigantes moinhos  não terá efeito algum na computação do resultado final.
            A ambição do concorrente Senador por Vermont, estado em que foi eleito como independente, prescinde de partidos, e o Democrata para ele não passa de legenda de conveniência.
            Mr Sanders tem mudado várias vezes de opinião, sobretudo quando a diferença para a sua adversária ao invés de encolher, torna a aumentar.
             Depois de perder em Puerto Rico, ele já não tem a confiança de colocar a Califórnia como o estado determinante de sua continuação ou não na disputa pela nomination. A ambição desenfreada e os elogios muita vez daqueles a quem mais interessa obstaculizar a progressão de Hillary, de o que propriamente apoiar-lhe o pleito, já se mostram na sua derradeira mutação.
             Sanders adverte que não esperem que uma eventual derrota na Califórnia vá retirá-lo do prélio.
              A campanha de Sanders - de senador praticamente desconhecido a candidato em condições de pugnar contra a ex-Secretária de Estado - lhe subiu decerto à cabeça, mas se ele se apegar ao tolo propósito de pensar que, após coletados pela front-runner o número de delegados necessários para alcançar a nomination, ele ainda julgue possível - e mais do que possível, apropriado - lançar-se em meio aos super-delegados num desesperado mercadejar da própria candidatura in extremis,  é alimentar insanas ilusões e, mais do que isso, mostrar que a sua ambição de virar à força candidato democrata, além de agredir ao bom senso do colégio de delegados,  a nada levará senão a uma postura vizinha do prepóstero e do ridículo.
                Nos debates do ano passado, o Senador por Vermont enganou a muitos. Deles participou com um cavalheirismo reminiscente do Sul, e sempre pautou a sua participação nessas ocasiões pelo respeito e o fair play.
                 Naquele tempo, Hillary tinha uma diferença a seu favor de cerca vinte pontos. Será que as boas maneiras e o respeito pelo adversário político só podem existir em tais circunstâncias?  É o que parece, mas de uma forma ou de outra, malgrado o seu visível desespero, lá em um cantinho de sua mente, Sanders se dará conta que ele jogou a boa partida, mas que os números da contenda são claros e determinantes.  Por isso, decerto tornaria o seu fim mais apropriado para as circunstâncias ao reconhecer haver realizado a boa campanha,  e diante das circunstâncias, deve conceder o que lhe é devido a quem venceu essa longa disputa pela honra de representar o Partido Democrata.


( Fontes:  Miguel de Cervantes, Don Quixote;  The New York Times )

domingo, 5 de junho de 2016

Lembranças do meu Tio Adolpho (VI)

                              


        Hoje parecia a princípio que seria jornada ensolarada, com as praias razoavelmente cheias, apesar de estarmos em outono avançado.
        Não é que as estações no Rio de Janeiro tenham muita relevância, embora no passado em que bastante jovem - na época pré-Manchete, vale dizer no princípio dos anos cinquenta - podia às vezes participar dos passeios de carro de meus tios Adolpho e Lucy.
        Nesse tempo, Adolpho tinha um carro conversível, e dos grandes. Não me lembro se era Oldsmobile ou Buick, ele e Lucy gostavam de passear pelos arredores do Rio.
        Convidados,  minha mãe e eu, aproveitávamos o passeio, que em geral nos levava às cidades serranas, Petrópolis e Teresópolis.
        Com o tempo bom, e o sol não muito forte - em geral, o passeio acontecia de tarde - curtíamos a oportunidade, não só de passear, mas de olhar a paisagem, eis que o nosso veículo habitual era o bonde.
        Mas mesmo em saída que nos levaria ao Quitandinha, ou até a Teresópolis, que é um pouco mais longe que Petrópolis, surgia sempre a oportunidade da quebra da rotina, com parada em venda especializada nos amanteigados da Serra.
          Havia outro lance, este com a marca típica de Adolpho Bloch, que me despertava a admiração, pela calma e a naturalidade de meu tio. Hoje eu chamaria a sua maneira de lidar com a exigência como aplomb.
          Na saída do Rio de Janeiro, quando os veículos íam deixar a avenida Brasil e tomar a pista expressa para Petrópolis, existia uma barreira policial em que os carros tinham de acostar-se junto à borda da pista, para a fiscalização policial.      
           Dentro da burocracia rodoviária, era uma espécie de posto em que os motoristas tinham de mostrar alguma documentação, de que na minha idade  (estaria entrando nos teens[1]) não fazia a menor idéia.
           Na direção, Adolpho fazia uma senhora figura. A camisa elegante,  com as mangas enroladas, o jeitão simpático e sorridente, ele recebia o policial, que parecia reconhecê-lo, e num movimento, de que faz uma atenção e um esforço por gentileza, ele se estendia até o porta-luvas - em geral cerrado - e dava a impressão de que fazia um grande esforço para atender à solicitação do agente da lei. Havia nessa atitude todo o gestual da pessoa que, com status social de primeira linha, se esforçava realmente para produzir aquilo que lhe era requisitado.
           Mas  Adolpho não era sambista nem frequentador da Praça Onze por acaso. Enquanto Lucy fazia o coro, por assim dizer gestual, que ressaltava o desejo do policial, e o quanto o casal prezava em que fosse atendido, o tio, sem querer, me dava uma exibição grátis da malandrice carioca.
            E não é que ao cabo daquela que sabíamos uma encenação - ele se esquecia amiúde de trazer os documentos do veículo - era o próprio policial que chegava a expressar, consternado por dar aquele trabalho inútil a um cavalheiro tão gentil e tão bem educado, e que tanto na verdade se esforçava  em apresentar-lhe os papéis exigidos !
            Com roupa de linho, Adolpho podia ser o próprio malandro carioca...
              E, embevecido, o menino observava a esperteza e, sobretudo, a maneirice do Tio...




[1] em  torno de  onze anos.

Colcha de Retalhos D 24

                           

O Escrete de Dunga


         É muito difícil de entender a escolha de Dunga pela CBF. Ou não é, se adentrarmos o reino do Senhor Del Nero, e que até agora continua na chefia de nossa Confederação, e tudo que diz respeito ao futebol.
        Nesse contexto, não se pode esquecer a frase "a guerra é demasiado importante para ser deixada aos generais". Quem a disse foi o político francês Georges Clemenceau, ao ensejo de o que então era chamada de "A grande Guerra", e, mais tarde, infelizmente, pela Primeira Grande Guerra.
       O Brasil deve aplicar o dito de Clemenceau ao futebol.  Entregar a responsabilidade pela seleção a alguém como Dunga, mais do que irresponsabilidade, é burrice.
       A tétrica experiência na Copa da África do Sul bastaria em qualquer outro pais para afastar da seleção o treinador Dunga.
       O erro está sendo repetido pela campanha da seleção brasileira, modelo Dunga, tanto nas eliminatórias para a Copa, quanto para essa Copa América (além da tentativa do ouro nas próximas Olimpíadas).
       Um zero a zero em que nos podemos considerar sortudos (pois não é o que juiz não validou um frango de Alisson ?)
        O Brasil tem que fazer uma limpa na CBF, quanto mais cedo, melhor. E não é só o técnico que se deve afastar. É necessária uma intervenção na CBF, e ela tem de partir do Poder Executivo, eis que o Congresso, como o demonstrou a comissão de Romário, pode ter boas intenções, mas pelo visto lhe falta poder para colocar na CBF quem defenda o interesse do Brasil, e não esteja ligado à direção anterior, parte da qual está presa nos Estados Unidos.
          Nesse contexto, se tem de agir com presteza. Ou queremos incorrer em outro  vexame histórico, depois dos sete a um de Belo Horizonte? Não ser classificado para a próxima Copa retiraria do Brasil o que só ele possui até hoje, vale dizer é o país da única seleção que participou de todas as Copas do Mundo.
           Ou será que para proteger a camarilha de São Paulo, ora chefiada por Del Nero, vamos correr o serííssimo risco de não nos classificarmos?


A Honesta Dilma Rousseff            


           Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba desde junho de 2015, como assinala a revista VEJA, a princípio se declarou inocente e rechaçou a possibilidade de ajudar as autoridades da Lava-Jato a esquadrinhar as entranhas do Petrolão.
             Além da permanência por um ano na cadeia - e o seu efeito se vê na foto de capa da Revista - "uma sucessão de fatos mudou suas convicções. Fracassaram todos os recursos  jurídicos e as armações políticas de bastidores para livrá-lo da prisão." A Lava-Jato descobriu que a Odebrecht tinha um setor específico para pagamento de propina que abastecia os partidos governistas e de oposição.
              "Em março, o juiz Sérgio Moro (...) condenou Marcelo a dezenove anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa."
               Diante desse fato inarredável, afinal se convenceu Marcelo Odebrecht que tinha de exercer o papel de delator que tanto desqualificara.
              "O alvo principal de suas revelações será a presidente-afastada Dilma Rousseff. " Segundo Marcelo, "a reeleição de Dilma foi financiada  com propina depositada  em contas no exterior."
              O que rastreou a Lava-Jato? "Repasse de três milhões de dólares da empreiteira para uma conta na Suiça do marqueteiro João Santana", que tratou das três  últimas campanhas presidenciais do PT.
              Foi igualmente mapeado pagamento de R$ 22.5 milhões ao marqueteiro, em dinheiro em espécie, entre outubro de 2014, quando Dilma conquistou a reeleição e maio de 2015.
               "Marcelo confirmará aos investigadores que, ao remunerar Santana, bancou despesas não declaradas da campanha da petista.
               Segundo foi apurado por VEJA, Marcelo Odebrecht dirá também que os detalhes do financiamento eleitoral eram combinados com Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete da Presidenta afastada. Assinale-se que Giles faz parte de um grupo restrito  de amigos de Dilma.  Outro integrante dessa turma é Anderson Dorneles, ex-secretário-particular da petista, que é tratado como um filho por Dilma. Este começou a trabalhar com ela desde quando era adolescente no Rio Grande do Sul. Na presidência, Anderson cuidava das coisas pessoais de Dilma, do telefone à agenda. Fazia-lhe companhia em sessões de cinema e jantares no Alvorada.
                Conforme Marcelo Odebrecht, o menino de Dilma lhe pediu ajuda em dinheiro. A contribuição foi dada por meio de pagamentos periódicos. O empreiteiro promete listá-los.  A Lava-Jato já tem o caminho. Investiga o repasse de R$ 50 mil da Odebrecht a Douglas Franzoni Rodrigues, amigo do peito de Anderson, que ocupou cargos no Ministério de Minas e Energia, na Casa Civil e na agência reguladora do setor de transportes.
                  Na lista de propinas da Odebrecht, Douglas tem o codinome "Las Vegas", referência ao fato de que ele e Anderson se tornaram habitués das festas e eventos mais badalados do país, nos quais realizavam  gastos incompatíveis com seus respectivos salários. Bons amigos da dupla, como empresários e lobistas com interesses no governo, faziam questão de bancar esses gastos.
                    Na delação de Marcelo, ficará claro que os cinquenta mil reais eram para Anderson e que Douglas cumpria apenas o papel de laranja na transação. Em fevereiro passado, o menino de Dilma foi demitido "a pedido".  Lorota.  A presidente afastada mandou-o  para casa ao saber que Anderson e Douglas tinham se tornado sócios em um bar no Estádio Beira-Rio, do Internacional, em Porto Alegre.  Assinale-se que o dito estádio foi reformado pela Andrade Gutierrez, outra empreiteira do Petrolão.             
                     "Durante o governo do  PT, a Odebrecht multiplicou por seis o seu faturamento, que passou de R$ 17,3 bilhões para R$ 107,7 bilhões.  Marcelo sempre encheu o ex-presidente Lula de elogios e cifrões.  O empresário capitaneou  o movimento "Volta, Lula" em 2014,  doou 4,6 milhões de reais ao Instituto Lula, pagou R$ 3 milhões por suas palestras, e ainda por cima, contratou o sobrinho da primeira esposa do petista.
                      "Com Dilma, a relação nunca foi amistosa.  Menos de um mês antes de ser preso, Marcelo se encontrou com a Presidenta no México. Queria ajuda para se proteger da Lava-Jato. Arrogante, ele a advertiu de que o avanço das investigações, ao contrário de o que ela pensava, poderia igualmente fulminá-la.
                         A presidente pareceu despreocupada, segundo relatam testemunhas.  Irritado, o empreiteiro  comentou com assessores que tinha dúvida se ela era "autista" ou "artista", empregando ambas as expressões em tom pejorativo. 
                          Cerca de 50 altos funcionários da Odebrecht devem fechar acordo de delação premiada. Fornecerão detalhes de pagamento de propina aos políticos mais importantes do país.  Nas campanhas de 2010 e 2014, a empreiteira distribuíu cerca de cem milhões de reais, à margem da lei, aos candidatos.  VEJA apurou que serão citados nominalmente treze governadores e 36 senadores, entre os quais o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. "A Odebrecht também pagou  por fora despesas da campanha presidencial dele, exatamente como fizera com Dilma", garante advogado da empreiteira.
                             Desde que decidiu tornar-se delator premiado, Marcelo ganhou nova disposição e também boas notícias.
                              Trocou o Complexo Médico-Penal, um Presídio, pela carceragem da Polícia Federal.  Por sua vez, o Juiz Sérgio Moro suspendeu o andamento de um processo contra ele. Agora, na delação premiada ele se valerá de seus costumes meticulosos. Como tem o hábito de anotar tudo, está prestes a desfrutar os benefícios legais previstos para os delatores, o que tenderá a inquietar muita gente.

E o ex-Presidente Lula, como fica ?

              O comportamento de Leo Pinheiro seguiu um padrão similar ao de Marcelo Odebrecht.  Amigo de Lula, com quem conversava com frequência e compartilhava bons charutos,  Pinheiro, como é chamado, após ser preso pela Lava-Jato, relutou o quanto pôde em negociar a delação.  Aos familiares, ele dizia que tinha um dever de lealdade com Lula.  A temporada atrás das grades, a condenação a dezesseis anos de prisão e os problemas de saúde dobraram sua resistência.
              Praticamente desvendado o quebra-cabeça do petrolão, ele se viu obrigado a falar do petista às autoridades, em tentativa de ter  a sua pena reduzida.
               É letal, o que contou até agora, nas conversas preliminares.  Disse que o ex-presidente atuava como lobista da OAS e era devidamente remunerado. Nesse contexto, afirmou que foi o próprio Lula quem lhe pediu que reformasse  o sítio em Atibaia (aquele que Lula usa, e diz que não lhe pertence).
                Nesse contexto, Pinheiro contou ter tratado diretamente com o ex-presidente das melhorias que seriam feitas no sítio, que ganhou campo de futebol, tanques de peixes e outras benfeitorias proporcionadas pela OAS e também pela Odebrecht.
                Em anexos da delação, Pinheiro falou sobre o tríplex no Guarujá, reservado à família do ex-presidente.  Segundo ele, a OAS considerava a unidade 16-A "o apartamento de Lula". Ele era o proprietário do imóvel até sua existência ser revelada pela imprensa.  Segundo Pinheiro, o ex-presidente até pensou  em desistir do apartamento, mas lá no início, quando a obra era tocada pela Bancoop, uma cooperativa de bancários de São Paulo que quebrou depois de ter seus recursos desviados para o caixa do PT. Quando a construção do prédio passou para a OAS, Lula mudou de idéia, seduzido pelas vantagens oferecidas pelo amigo. Pinheiro visitou o tríplex com o petista e ofereceu-se para reformá-lo. Assim foi feito, sem que o favorecido tivesse de desembolsar  um centavo.  Com a revelação da reforma do tríplex "foi tudo cancelado", explicou Pinheiro e o imóvel foi posto à venda pela OAS.
                     Ainda no campo dos favores pessoais, o empreiteiro contou que deu um emprego ao marido de Rosemary Noronha, a amiga íntima de Lula, demitida do cargo de chefe  do escritório da Presidência em São Paulo, depois de ter sido flagrada em tráfico de influência. A pedido de Lula, Rose, como é chamada, também ganhava uma mesada da OAS.
                       Da mesma maneira de Marcelo Odebrecht, Pinheiro confessou ter repassado, via caixa dois, dinheiro para a reeleição de Lula, em 2006, e para as duas campanhas presidenciais de Dilma, em 2010 e 2014. A verba, explicou Leo Pinheiro, saía de uma espécie de "fundo de propina", contabilidade paralela que registrava as comissões devidas  ao PT por obras federais. Nesse caixa estavam, por exemplo, os milhões  de reais pagos por intermédio dos ex-ministros  Antonio Palocci e Erenice Guerra pelas obras da Usina de Belo Monte.
                         Por outro lado, segundo foi apurado pela revista VEJA, no que concerne às campanhas de Dilma, Pinheiro deixou claro que tratou da  propina com o ex-Ministro da Fazenda, Guido Mantega e com o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que o orientaram a combinar a forma de repasse com Edinho Silva, tesoureiro da reeleição e ex-ministro de Comunicação Social. Se homologada, a delação da OAS atingirá pelo menos 30 políticos, inclusive do PMDB e do PSDB  . O empreiteiro também disse que o senador Aécio Neves é um velho beneficiário de propinas da OAS.  Como exemplo, citou as obras do Centro Administrativo do Estado de Minas Gerais, construído por nove empreiteiras, quase todas envolvidas no Petrolão, a um custo de R$ 1,2 bilhão de reais.



( Fonte:  VEJA )