sexta-feira, 26 de julho de 2019

A Ucrânia reage


                                   
      Em mudança de atitude, o governo ucraniano mandou apreender ontem, 25 de julho, um petroleiro russo no porto de Izmail, por envolvimento em incidente no passado novembro com três embarcações ucranianas.

          Naquela ocasião, a  Rússia apreendera os navios ucranianos nas águas que separam a Ucrânia e a Crimeia, território ucraniano que fora anexado por ordem de gospodin Putin, em 2014 (esse foi o "castigo" ministrado por Vladimir Putin ao Povo da Ucrânia, por escorraçar Yanukovich do poder ).

         A reação do Kremlin se devera à queda desse presidente ucraniano pró-Russia, Viktor Yanukovich, provocada pelo citado movimento popular, saído da Praça Maidan, em Kiev. 

         Yanukovich favorecia a aliança com a Rússia, e não que a Ucrânia se associasse à União Europeia. A  revolução da Praça Maidan, no centro da capital ucraniana  tinha sido contra a política do corrupto Yanukovych, aliado de Putin, que se opunha à associação com a União Europeia, como o fizeram tantos outros países que buscaram afastar-se do jugo do Kremlin.

            Ao final, Viktor Yanukovych teve de abandonar o solar presidencial às carreiras, diante do vencedor levante do povo ucraniano.  Em desabalada fuga, Yanukovych se refugiou em terra russa.  

              Agora, uma nova crise se pressagia entre a Federação Russa e o governo de Volodymyr Zelenski, o novel presidente da Ucrânia.    A chancelaria russa alertou que "haverá consequências" caso cidadãos russos fiquem sob custódia das autoridades da nova Ucrânia. 

(Fonte: O Estado de S. Paulo )

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Ditadura Ortega solta assassino de Raynéia


                        

           Cerca de um ano depois do assassinato  da estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima - baleada à noite, quando voltava da faculdade em que estudava em Manágua - sua mãe, Maria José da Costa, recebeu a notícia  de que o assassino da filha, o vigilante Pierson Gutierrez Solis deve deixar a prisão.
             Tal se deve à polêmica determinação da ditadura de Daniel Ortega, a chamada Lei da Anistia, firmada em junho último, e contestada pelos órgãos de direitos humanos.

               Raynéya tinha 30 anos quando foi abatida na noite de 23 de julho de 2018, no auge de uma onda de protestos contra a ditadura Ortega, e uma forte repressão a opositores , que deixou 325 mortos, muitos presos e cerca de 62 mil exilados.
               Malgrado o vigilante Pierson Gutierrez haja sido condenado, ele deixa a prisão por conta da polêmica Lei de Anistia, que é muito contestada pelos organismos de direitos humanos.  
            Apesar  de réu confesso,  Maria José acredita que o vigilante seja apenas um ¨bode expiatório", segundo um vídeo que circula nas redes sociais de Manágua. Na gravação, a mãe de Rayneia apela para que a Justiça brasileira  "tome as rédeas do caso" para descobrir a verdade.
                   Solís foi condenado em dezembro a quinze anos de prisão, pelo homicídio de Rayneia. Passado um mês da promulgação da Lei da Anistia, o advogado dele pediu que o processo seja extinto e que ele seja solto, o que foi decidido no correr desta semana. 
                   O regime Ortega continua muito contestado.  Essa virtual impunidade a antigos seguranças de poderosos pode ser vista como tentativa de reforço das bases da ditadura Ortega.

( Fonte:  O  Globo )

Brumadinho


                                   

       Seis meses já transcorreram do rompimento da barragem da Vale. Para os que pensavam que a tragédia de Mariana, também causada pela Vale do Rio Doce, não obstante o disfarce da Samarco - firma que representava as três companhias, que cuidavam daquela barragem, e que era uma criatura empresarial tanto da Vale quanto das duas companhias estrangeiras co-sócias. Desse primeiro desastre, pode-se dizer que foi um precursor para a tragédia posterior. Mortes houve, causadas sobretudo por um sistema de alerta de uma precariedade que, hoje, já anos passados da tragédia, ainda provoca revolta. Em vez da sirene, o aviso era por telefone...

          Mas depois desse macabro ensaio geral, viria outro golpe, e muito mais sério e grave. Brumadinho. Parece romântico, não é? Não está longe do parque artístico de Inhotim e das suas hospedarias.  Inhotim estará acaso fora de serviço? E as estalagens ?
             Brumadinho... quem diria que a localidade viraria nome de barragem. Explicações à parte, as barragens da Vale costumam ser do modelo mais antigo. E o problema das sirenas?
              Iolanda diz que vinte dias antes da tragédia,o filho Robert chegou em casa contando que estava vazando água da barragem. 
                Três dias antes da sexta do rompimento, Iolanda tinha conseguido crédito para ajudar o filho a comprar um automóvel. Pelo carro, ela foi criticada. Robert estava fazendo auto-escola. "Como saíu a esmola que eles deram, de R$ 100 mil, eu comprei esse carro para realizar o sonho dele. Já que eu não pude realizar em vida, realizo depois de morto", diz ela, mostrando um Fiat Adventure na garagem.
                 A expectativa já leva seis meses. Iolanda não sai de casa, aguardando que o filho seja encontrado. Sofre pensando que não vai poder vê-lo no caixão, como foi com os outros dois.

                 Conta com dor sobre conhecidos que enterraram apenas partes dos familiares - braço, perna, mão - o que mostra a violência da onda de lama. Segundo a Polícia Civil, só 79 corpos foram encontrados intactos - são 248 mortos, além dos 22 desaparecidos.


( Fonte: "Mãe de vítima de Brumadinho sonha com ossos para enterrar", Folha de S. Paulo, reportagem de Fernanda Canofre (extratos).

E Mueller não inocentou Trump...


                 

        Voltando ao blog de ontem, o chamado Relatório Mueller inocentou o presidente de conspiração com Moscou em 1916, mas não descartou a hipótese de obstrução de Justiça. Com efeito, Trump pode ser indiciado após deixar a Casa Branca.

            Não obstante, Mueller chamou os esforços do Kremlin para influenciar nas eleições  de "um dos mais sérios" desafios para a democracia americana. Com efeito, Mueller também reiterou que o governo russo interferiu nas eleições presidenciais de 2016 de modo "vasto e sistemático".  Moscou, segundo o Procurador Especial, acreditava que poderia obter benefícios com uma vitória de Trump.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Um País, dois sistemas ?


                                   

         Os termos do acordo entre o Reino Unido e a República Popular da China foram relembrados pelo porta-voz do Ministério da Defesa,  coronel Wu Qian, e de uma forma que mostra claramente quem pensa estar intitulado a interpretar o princípio básico do acordo  da China com o Reino Unido, um país, dois sistemas.
             Na virada do século, Londres negociara a sua saída da colônia, sob a condição de que se respeitaria o lema acima: um país, dois sistemas.

              A decisão de Beijing afirma, como seria de esperar pelo seu comportamento precedente, o princípio leonino da lei do mais forte. Além de encarregar da resposta o Ministério da Defesa, através do coronel Wu Qian, é o caso de perguntar de que vale o dito princípio basilar de "um país, dois sistemas" na cínica interpretação do poder central chinês, se ele sequer assegura que o princípio da democracia - por que é disso que se trata - valha em qualquer recanto do Império chinês, e muito menos  no pequeno enclave de Hong Kong?

                 O que deve ser dito de maneira inequívoca é que Beijing desrespeita  - e o faz acintosamente - a base do acordo entre o Reino Unido e a RPC. Não há mais abrigo para a democracia nesse Império, nem em Xikiang, nem no Tibet, e muito menos, por conseguinte, na pequena colônia de Hong Kong. É a pesada lei de Breno, nos primórdios da República Romana, quando jogou sua espada na balança para reforçar os próprios direitos que os romanos intentavam contestar.   


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Irã ameaça suspender importações do Brasil


                        

        O Irã ameaçou cortar as importações  do Brasil, se a Petrobrás não reabastecer os dois cargueiros iranianos fundeados em Paranaguá. Os dois vasos estão carregados de milho brasileiro, e estão detidos no citado porto, por falta de combustivel a ser cedido pela Petrobrás.  Nesse sentido, a estatal alega que as embarcações em tela não foram abastecidas porque elas são alvo de sanções americanas e, por isso, a Petrobrás teme ser punida.
               

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

A Farra dos Celulares (II)


                  As apreensões feitas pela Polícia Federal nos endereços dos quatro suspeitos de hackear o telefone de autoridades revelaram que mais de mil números de telefones, incluindo os de integrantes dos Três Poderes da República e de jornalistas, foram acessados ilegalmente. Segundo os investi-gadores, as vítimas tiveram suas conversas no aplicativo Telegram roubadas.
              Entre os alvos do grupo estão ao menos dois ministros do governo Bolsonaro. Além de Sérgio Moro, da Justiça, a PF identificou  que o ministro Paulo Guedes, da Economia, teve seu celular invadido  da mesma maneira.

                São cerca de mil números telefônicos alvo deste modus operandi, afirmou o coordenador-geral de inteligência da PF, delegado federal João Vianey Xavier Filho.Segundo ele, ainda não foram identificadas todas as pessoas que tiveram celulares atacados, mas a lista de autoridades, de acordo com um dos envolvidos na investigação vai de "A a Z",
                   Ainda segundo a PF, uma quadrilha de Araraquara, usou celulares e computadores de alta tecnologia para acessar as contas de aplicativos de conversas."Havia a captura sistemática de contas de aplicativos de mensagem e como prática o investigado fazia toda a burla necessária à captura da sessão da vítima", disse o coordenador de inteligência da PF.

                    Não se exclui que o número de vítimas possa ultrapassar os mil, a PF cita cinco vítimas no pedido de prisão de Gustavo Henrique Elias Santos, Suellen Priscila de Oliveira, Walter Delgatti Neto e Danilo Cristiano Marques, suspeitos pelos ataques.
                      Além do já citado Moro, acham-se na lista o desembargador Abel Gomes, relator da Lava-Jato no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o juiz Flávio de Oliveira Lucas, que atuou como substituto nas férias de Gomes, e os delegados da PF Rafael Fernandes e Flávio Vieitez Reis.

                      Segundo a PF, eles são apenas alguns dos alvos das 5.616 ligações telefônicas, que eram usadas como método para acessar a conta do Telegram das vítimas. Chamou a atenção  dos investigadores que um dos computadores apreendidos reunia, na área de trabalho, atalhos para a conexão com diversas contas de aplicativos de mensagens. O equipamento, segundo a P.F., pertence a Delgatti Neto, que admitiu ser responsável pelos ataques virtuais.

                      No que concerne às investigações, elas começaram  ainda em abril, após integrante da Operação Lava-Jato identificar a invasão de seus telefones. Um dos alvos foi o coordenador da força-tarefa em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol . Desde o mês  passado, supostas conversas de Dallagnol no Telegram foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos de imprensa. O procurador afirma não ser possível confirmar a autenticidade das mensagens divulgadas.
                        A operação foi deflagrada para buscar provas dos crimes de formação de organização criminosa (3 a 8 anos de prisão), invasão de dispositivos informáticos (3 meses a um ano de detenção e multa), e interceptação de comunicações telefônicas (2 a 4 anos de detenção e multa). As penas somadas podem chegar a 13 anos.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )