quarta-feira, 25 de julho de 2018

Negociação do Brexit


                                 

                A Primeira-Ministra britânica, Theresa May, assumiu ontem a  negociação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, até agora  conduzida pelo chamado Ministro do Brexit.
               A justificativa dada pela May - diante das confusões feitas por Boris Johnson e outro ministro de sua corrente - seria a de ganhar eficácia em um momento em que a separação do Reino Unido da U.E. se acerca.
               Na verdade, o que a Primeira Ministra deseja é de recuperar o controle sobre a pasta do chamado Brexit - vale dizer, o afastamento definitivo entre o Reino Unido e a UE - que até agora estava sob o domínio desses radicais do Brexit, i.e., a saída imediata da Inglaterra do bloco de Bruxelas.
               Será importante verificar o que realmente deseja a Primeira Ministra: se um soft Brexit (um Brexit controlado e se possível mais lento), ou se um hard Brexit (um brexit duro, que só pareceria interessar aos radicais...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Ciro promete soltar Lula


                                  

         Em entrevista ao programa Resenha, da TV Difusora (MA), o candidato Ciro Gomes (PDT)  afirmou que o ex-presidente Lula, preso e condenado pela Lava-Jato, só será libertado  se ele, Ciro, for eleito: "Só tem chance de sair da cadeia  se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político", disse Ciro no dia dezesseis. A informação foi divulgada ontem pelo estadao.com.br
          Lula está preso desde sete de abril, em Curitiba. Ele foi condenado em 2ª Instância pelo TRF-4 a doze anos e um mês de prisão, no caso do tríplex do Guarujá. Em maio, Ciro havia declarado que propor indulto a Lula seria "loucura", porque  "indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias."

( Fonte:  O  Estado de S. Paulo )

Brasileira é morta por paramilitares


            

         Em um país   dominado pela guerra civil,  a Nicarágua não é decerto o local ideal para estudos médicos. É mister, no entanto, compreender que a brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos,  que já estava no sexto ano da Faculdade de Medicina de Manágua pensava terminar aí seus estudos e retornar ao Brasil após colar grau.
           Segundo o reitor da Universidade em que ela cursava o sexto ano de Medicina, Raynéia, e colegas que participam desde abril do ano corrente de protestos contra o governo, ela foi morta por esses mesmos milicianos. Nesse contexto, a polícia local sustenta que o autor dos disparos foi um segurança privado.
            Agremiação de estudantes de oito universidades nicaraguenses, a Coordinadora Universitaria, disse pelo Twitter que Raynéia voltava para casa sozinha quando seu veículo foi atingido perto do Colegio Americano por tiros disparados por paramilitares. Os estudantes suspeitam que ela tenha sido morta por milicianos que vigiavam a casa de Francisco López, tesoureiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que dá suporte ao governo de Ortega.
             O  Reitor da Universidade Americana (UAM) Ernesto Medina, reforçou que os disparos ocorreram quando ela ía para casa em seu automóvel. A residência dela fica em bairro nobre de Manágua,  o Lomas de Montserrat, onde é comum a presença de paramilitares.
             "Nesta zona vivem vários funcionários do Governo e há testemunhos da presença de paramilitares na região. Não pode ser que estejam matando gente impunemente. Vamos exigir que se investigue porque sabemos onde ocorreu. Pelo menos eles (a polícia) devem investigar e  interrogar este senhor (Francisco López)", afirmou Medina.
               Rayneia estava perto de terminar o curso e já fazia residência, disse ao Estado seu Pai, Ridevando Pereira. Ele afirmou que soube da morte da filha por meio de uma ligação da embaixada brasileira. Segundo ele, a família tinha poucas informações e obtinha atualização pelas redes sociais e pela imprensa.
                A brasileira trabalhava como médica do Hospital Carlos Roberto Huembes, da polícia nicaraguense.  Segundo a embaixada do Brasil em Manágua, ela tinha saído do trabalho, onde era plantonista, quando foi vítima dos disparos. Raynéia era acompanhada à distância por seu namorado, o nicaraguense Harnet Lara, que dirigia outro veículo atrás da brasileira. Foi ele quem a levou para a emergência do Hospital Militar.  Lara foi internado em estado de choque.
                  A Nicarágua enfrenta uma guerra civil que matou até onze de julho  264 pessoas, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A ONG Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos afirma que já houve 351 mortos até o dia dez.
                   Rayneia ingressou ainda com vida no Hospital Militar Escuela Doctor Alejandro Dávila Bolaños  às 23:30hs de segunda feira. O disparo tinha comprometido  o fígado, o pulmão direito e o coração, segundo o governo.  A versão de que um segurança privado a matou foi reforçada pela vicepresidente, Rosario Murillo, em sua participação diária  no canal 4, usado como porta-voz do governo. Mulher de Ortega, Rosario Murillo mandou um abraço à família e assumiu o compromisso de esclarecer os fatos.
                   Segundo informações da embaixada brasileira, o reconhecimento do corpo  já foi realizado e os resultados da autópsia são esperados para os próximos 45 dias. Ainda não havia prazo para que o corpo da estudante seja liberado pelas autoridades e possa ser trazido para o  Brasil.
                     Durante a tarde de ontem, alguns estudantes se concentraram em uma rotatória e se manifestaram pedindo justiça pela morte da brasileira. Eles atribuem o crime diretamente à repressão governamental.  O protesto foi pequeno  e reuniu cerca de trinta  estudantes e médicos.

( Fonte: O Estado de S. Paulo  )

Neymar


                                               

          Vejo os juízos hoje formulados pela imprensa nacional como decorrência da chamada lista da Copa, em que  Neymar não foi incluído.
             Ao contrário de Pelé, em que a sua afirmação nas Copas  foi fundamental para que superasse ao grande rival Maradona, e atingisse a condição de maior craque de todos os tempos, as duas últimas Copas foram assaz negativas para o nosso atual maior jogador.
             A Copa de 2014,  a alegadamente do Brasil,  se tornaria objeto de vergonha e até de humilha-ção, com a infame goleada dos  7 x  1, no estádio de Belo Horizonte.  Neymar seria brutalmente afastado da competição, por falta desleal, que um árbitro estranho sequer consideraria, a despeito de que constituísse  um típico foul de expulsão, a ser aplicado por qualquer juiz que tivesse vergonha na cara, diante da criminosa botinada que um zagueiro colombiano covardemente lhe aplicou pelas costas. Que estivesse em uma categoria à parte, basta passar o filme desse virtual atentado para que se veja a covarde boçalidade do beque colombiano,  que o aplica sem mover músculo de uma face criminosa  e  no cúmulo da deslealdade.  A criminosa e, sem dúvida, parcial arbitragem, nem um mísero cartão amarelo levantaria,  como se se pudesse tolerar em campo de football association tal tentativa de aleijar o adversário.
              Meses antes da Copa da Rússia,  Neymar sofreria  outro foul que lhe fraturaria o calcanhar, a ponto de afastá-lo por um bom tempo dos certamens europeus.  Felizmente, nesse caso, houve tempo para a recuperação física, muscular e mesmo futebolística desse craque, embora tal incidente terá colaborado para marcar-lhe com uma perseguição ao craque própria dos zagueiros e demais jogadores de defesa, que para cortar o seu rush não resistiam a valer-se da falta anti-esportiva, i.e., o recurso do pontapé na área sensível do tornozelo do craque.
                Como se tal não bastasse, ocorreu nessa prática anti-esportiva que  Neymar  tenha tentado em algumas oportunidades simular um foul no próprio tornozelo.  Além disso, ele começou a ser incriminado de simulação de falta.  Nesse caso específico,  Neymar teria  recorrido em algumas oportunidades, a esse suposto jeitinho, de fazer um movimento giratório com o corpo, que alegadamente refletiria a dor física que ele estivesse experimentando pela botinada sofrida.
                 As faltas desse gênero que visavam notadamente a seus calcanhares se repetiram várias vezes. Quiçá em alguma oportunidade, o próprio Neymar haja contribuído para a teatralidade dessa reação corporal, que alegadamente refletiria a dor sofrida pelo nosso  ponta esquerda.
                  Dessarte, quem padecia os botinaços de beques sem maiores recursos atléticos e esportivos , começou a sofrê-los com maior frequência e se as faltas, por vezes, existissem, terá havido ocasião em que Neymar haja simulado um foul inexistente.
                  Dada a velocidade de Neymar e sua capacidade de driblar os adversários, a par de superá-los pela rapidez,  em um cenário de respeito ao jogo - e não de recurso sistemático a faltas desleais - não é difícil supor que Neymar possa perfeitamente dispensar a simulação, dada a sua velocidade e controle de bola.   
                  Quero crer, portanto, que Neymar continua o craque que sempre foi, e se por algumas vezes, diante dos fouls adversários terá recorrido a eventuais simulações, não creio que o seu futebol haja decaído, a ponto de que vá desdenhar a própria intrínseca capacidade no controle  de bola.
                   Tenhamos presente, no entanto, que a seleção brasileira deste ano não é exatamente similar àquelas dos grandes anos do passado. Por isso, a solidão de Neymar tende a aumentar. Há bons jogadores como Coutinho, v.g.,  mas a sua qualidade não se pode comparar nem com a de 1950 (uma falha de Barbosa, não pode apagar as qualidades de Jair, Tesourinha, Danilo, Ademir ). Sem chegar a exageros,  porque o valor médio dos outros atacantes supera o de outros seleções (como, v.g., a portuguesa em relação a Cristiano Ronaldo), será sempre melhor contar com Neymar como o principal puxador de gols em nossos scratches. É claro que nada disso vale para quem tem Pelé e Garrincha, sem esquecer Tostão  y otras cositas más...  Cabe, portanto, não esquecer que temos de valorizar o grande craque - e, no momento presente, não vejo outro senão Neymar.
                   Neymar é um grande jogador e, baixarias à parte, ele voltará - como se afirmava de outro grande valor, só que fora do campo esportivo... - mas importa que, ao invés de vitimizá-lo, o que se carece é valorizá-lo, tirando-lhe uma que outra ocasional verruga.
                    Há outro assunto, no entanto, que carece de ser também estudado com cuidado.
                     A CBD apressou-se um pouco demais em confirmar a Tite, como técnico da Seleção.  A CBD no passado teimara demasiado em escolher Dunga, como se a sua mediocridade  fosse garantia de alguma coisa.
                     Faltou à Seleção - e máxime no jogo decisivo contra a Bélgica - que ela fosse presa fácil das correrias dos belgas. Falou-se demais da qualidade  da seleção belga, o que me surpreende.  A par das correrias,  creio relevante ter-se presente que a Bélgica não é o bicho-papão que se quis propalar.  Parece até que esqueceram que a fraca equipe japonesa marcou sobre ela uma vantagem de dois gols. Não me esqueci decerto que os belgas superariam tal desvantagem, mas isto não seria tão fácil se os nipônicos não fosse tão verdes no esporte bretão...

( Fonte:  Rede  Globo;   O Globo  )
                      
                     

Caso Marielle


                                           

           Talvez,  agora seja para valer.  Depois de bater em muitas portas, a delegacia de homicídios investiga a relação entre dois milicianos presos   ontem, 24 de julho, com o assassínio de Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em catorze de março, no Estácio (centro do Rio de Janeiro).

             A polícia civil prendeu o ex-PM  Alan de Morais Nogueira, o Cachorro Louco, que estaria no carro com os assassinos da vereadora Marielle e de seu motorista, Anderson.   Nogueira é suspeito de integrar a quadrilha do miliciano Orlando Oliveira de Araujo, o Orlando de Curicica. Preso desde outubro de 2017, ele vai responder  pelos homicídios de Guapimirim e com mandante da morte de Marielle.

               Alan de Morais Nogueira, ex-PM, apelidado de Cachorro Louco, estaria no carro clonado com os assassinos de Marielle. No entanto, ele está preso por ser acusado de dois assassínios em Guapimirim.

              Já Thiago Bruno Mendonça, é acusado de matar assessor informal do vereador Marcello Siciliano (PHS) e permanece preso desde 29 de maio p.p. Foi ele quem teria clonado o carro  empregado na liquidação da vereadora Marielle Franco.

                 Como o jornal O Globo revelou em maio último, a testemunha-chave (o delator) disse em depoimento à polícia, ter ouvido conversa de Orlando de Curicica com o vereador Marcello Siciliano (PHS) num restaurante no Recreio, em junho de 2017 (já referido anteriormente). Na conversa, Siciliano teria dito e bem alto: "Tem que ver  a situação de Marielle. A mulher está me atrapalhando."   Mais tarde, ele teria completado, olhando para o ex-PM, Alan de Morais Nogueira (Cachorro Louco): 'Precisamos resolver isso logo."

                  A testemunha-chave disse ainda que Alan estaria com outras três pessoas no Cobalt, do qual partiram os tiros que mataram Marielle e Anderson.  O vereador Siciliano nega participação no crime, assim com Orlando  de Curicica (Orlando Oliveira de Araújo). Este último também nega. Assinale-se que a vítimas do duplo homicídio em Guapimirim são o PM José Ricardo da Silva (5º PM), e o ex-PM Rodrigo Severo Gonçalves. Os dois também faziam parte do bando de Orlando de Curicica, e foram as vítimas na que já tinha sido alvitrada como típica "queima de arquivo".
                   
( Fonte:  O  Globo )

domingo, 22 de julho de 2018

Ortega não tem saída

       O  escritor Sergio Ramirez, com 73 anos,  lutou nas hostes revolucionárias dos sandinistas, que derrubaram a ditadura dos Somoza. Era bastante próximo dos líderes do sandinismo, a ponto de haver sido escolhido vice-presidente de Daniel Ortega, entre 1985 e 1990. Deixa o cargo quando percebe que a revolução se encaminhava para rumos com os quais não concordava.
 
       Já em 1996, abandona a política, ao perceber que a revolução sandinista  tomava rumos com os quais não concordava.  Dedica-se, então, por inteiro à literatura. Desde então, não hesita em denunciar o governo de seu ex-parceiro.

        Ramirez após apontar a reforma de previdência  como o estopim da crise.  Para ele, tal foi apenas uma faísca, pois existia enorme inconformidade represada, após onze anos de governo de Ortega,  intensificando-se o controle social e político.
     
        Com a manobra legal  de Ortega para lograr o terceiro mandato, aumentou o sentimento de inconformidade.  Assim, quando  o presidente propõe a reforma da previdência, e as primeiras reações contrárias se externalizam,  a repressão do poder foi brutal.   Houve mortes - filhos de policiais e  filhos de funcionários públicos abatidos.

         A violência da reação causa uma rachadura no regime,  que  Ortega  não conseguirá reparar.
         Perguntado sobre o que mudara no  Ortega que ele conhecera tão de perto, o que Ramirez descreve é a típica involução de um revolucionário que ele pensara conhecer.  O Ortega que fora seu companheiro no poder "não tinha gana de poder eterno, não pretendia controlar tudo, e tampouco pensava em concentrar o poder."    E prossegue na sua  quase idílica descrição do que era o então Presidente Ortega:  "Ele não tinha gana de poder eterno, não pretendida controlar tudo, concentrar o poder. Não seria capaz de ordenar a repressão de hoje, não era o tirano de hoje.  Para ele, a Frente Sandinista dos anos oitenta também era outra.  Havia processos internos, debates. Não existia o caudilhismo.  A partir dos ano noventa,  Ortega se  torna figura centralizadora e acaba com o equilíbrio no Partido Sandinista.

          Perguntado sobre que plano Ortega tem ao comandar a atual repressão,  Ramirez  diz o seguinte:  Quando David Frost entrevista Nixon, ele o questiona porque havia feito o que fizera. Nixon o responde dizendo: "minha mãe viveu 98 anos".  Portanto, ele teria muita vida pela frente. "Acho que Ortega acreditava, e ainda acredita, que poderá manter o poder eternamente.  Ele crê que pode manter o poder  até 2021, colocar sua mulher na presidência, e depois voltar.  Em suma, crê poder governar indefinidamente (sic). Mas há um descolamento entre o que Ortega pensa e a  realidade.  Ele já não tem o apoio que tinha."                 
           "Como se explica então que em comícios e aparições de Ortega vemos milhares de pessoas. A que se deve tal apoio ?"
             Ortega tem muito apoio ainda, sem dúvida, porque tem grande aparato repressor, e máquina estatal que consegue levar milhares às ruas. Mas as imagens que vemos de comício na tevê são enganosas.  Videos feitos pelas pessoas nas ruas, postados nas redes sociais,  mostram que a corre- lação de forças se inverteu. Há menos de um ano, não existiam protestos contra ele.  Agora dezenas de  milhares  vão às ruas protestar e não se calam mais com a dura repressão da polícia, destes para-militares, gente que cobre o rosto e está disposto a matar por Ortega.
            " Há risco de uma guerra civil ?"
             "Não quero ver isso, porque outra guerra civil seria destruidora. A população e os manifes-tantes estão mais cívicos. Muitos se lembram das feridas da guerra civil, dos bebês e crianças mor-tos, das casas queimadas. Ninguém quer isso.  Mas a resistência civil, que é legítima, está sendo re-primida sem piedade, a custo que beira as 300 mortes.Já estamos no meio de um banho de sangue."
             "O senhor acha que Ortega aceitará novas eleições?"
             "Não. Porque pelo discurso que adota, ele acredita que está ganhando a guerra. Ele está ten-tando destruir o diálogo, desacreditar os mediadores, convocou apoiadores de Cuba e Venezuela. Que ele queira ficar, não tenho dúvidas. Mas a pergunta que não se cala é pode o país voltar a ser o que era antes de abril de 2018? Não pode. Se Ortega não ceder ao apelo por eleições antecipadas ou se não encontrarmos solução democrática, o que não queremos para o país virá: uma guerra civil.  A guerra civil veio  porque Somoza fechou todas as estradas para a substituição de seu regime. Nos últimos comícios  de Ortega, as pessoas usam camisas com os dizeres "se queda".  Me lembro como se fosse hoje, nos dias que antecederam a queda de Somoza, as pessoas usavam faixas  com esta mesma frase "se queda".
                " Como seria o futuro da Nicarágua sem  Ortega?"
                " Haveria profunda instabilidade, vácuo de poder, anarquia, e isso é um problema. Acredito que a história se repetirá e a política tradicional dos Estados Unidos, que sempre teve peso enorme nos últimos dois séculos, estará presente. A verdade é que esse processo doloroso pelo qual estamos passando ocorre  porque a repressão de Ortega e sua sede de poder liberaram um gênio do mal da garrafa. Isso tem consequências para toda a sociedade sem distinções de cores políticas. E são conse -
quências imprevisíveis."

(Fonte:  O  Estado  de  S. Paulo )




        E 



sábado, 21 de julho de 2018

Israel ataca faixa de Gaza


         As forças israelenses, que submetem a população palestina a condições difíceis, reagiram em larga escala diante da morte de um soldado israelense, atingido  por disparos de militantes do Hamas. Em consequência da represália, quatro  palestinos foram mortos. 
         
          Diante da morte de um soldado israelense  (apesar dos choques com manifestantes do Hamas, nenhum militar israelense morrera: a última morte  de um militar israelense por um militante em Gaza acontecera em 2014).

           Dadas as abissais condições de existência na chamada faixa de Gaza, condições essas que decorrem da atitude cruel do poder israelense, é recente a grande marcha de retorno que foi organizada pelo  palestinos, submetidos a terríveis condições de vida, estabelecidas e infligidas pela potência colonial.

           Quando o bantustam - em que foi transformada a Faixa de Gaza - se revolta, e tenta colher a atenção da mídia pelas terríveis, execráveis mesmo, condições existenciais a que é submetida a comunidade palestina aí confinada,  o mundo presenciou - por vezes até movido a expressões de condoimento - a violenta repressão a que Israel submeteu os palestinos que tentavam empreender a marcha de retorno (às terras que perderam pela invasão de seus inimigos).

            É um escândalo em termos de direitos humanos e de tratamento a  uma população que antes de o que chamam a grande desgraça habitava pacificamente essa Terra santa onde está muito presente a pregação do Cristo e os vários monumentos da fé cristã.

             Aí estão também presentes, pela sua longa estada, na Palestina os descendentes palestinos. Agora, ao que parece desejando apagar o aporte árabe-palestino a Israel, Benjamin Netanyahu, pensa substituir-se aos estadistas fundadores, e pensa favorecer o papel do povo judaico, ao empenhar-se  em afastar e mesmo reduzir o aporte do povo árabe ao Estado de Israel  - sem embargo, reconhecido pelos próceres israelenses ao tempo da fundação desse Estado,  como atestam os nomes de  Ben Gourion e Golda Meir - através de medidas insensatas que tentam apagar a presença indelevel do povo árabe na formação de Israel, e torná-lo, de forma inconstitucional, apenas um estado judaico,  não levando em conta o testemunho de seus líderes fundadores, personalidades que tinham atravessado a diaspora e que não ignoravam a inconstitucionalidade  das disposições que ora o medíocre sucessor pretende implantar, em um misto de ignorância e fanático orgulho, que contraria, pela sua presente hubris  a convicção democrática dos fundadores de Israel. 

         
( Fontes:  O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo )