quinta-feira, 24 de março de 2016

Massacre em Bruxelas


                                                

          O massacre, perpetrado na última terça-feira, 22 de março, como o de Paris, foi igualmente à noite.

          O maior número de mortes ocorreu no aeroporto de Bruxelas - 31 vitimas e mais os três atacantes suicidas. Houve 270 feridos. O outro objetivo foi uma estação de metrô, em que também atuou um homem-bomba suicida.

           Reponta outra vez a conexão com o Exército Islâmico. Os massacres são realizados em seu nome, e existe presunção de que sejam determinados e orientados pelo núcleo do califa al-Baghdadi. Como se sabe - o blog já versou tal questão - esse centro terrorista, apesar dos ataques da coalizão aérea do Ocidente, continua a planejar e organizar tais investidas terroristas na Europa ocidental.

            Até o presente, a União Europeia vem sendo surpreendida pelas mortais investidas dos fanáticos islamistas. Os ataques ao Bataclan tiveram um número maior de terroristas, e, por conseguinte, maior capacidade letal. Se o de Bruxelas (aeroporto internacional e estação de metrô) foi em menor escala, continua a ser pesado e desestabilizante no número de vítimas, e na relativa facilidade com que são realizados.

            Especula-se que o ataque terrorista em Bruxelas foi 'apressado' por causa da prisão de Salam Abdeslam - quem teria sido o 'cérebro' do massacre no Bataclan e da operação em Paris.

             Os terroristas islâmicos, já na fase de preparação do ataque na Bélgica, diante do noticiário sobre a detenção de Abdeslam terão preferido cortar etapas no seu empenho homicida, temerosos de que Abdeslam 'cantasse' também o que se preparava para Bruxelas.

              O despreparo belga no combate ao terrorismo é um segredo de Polichinelo. Deve presumir-se que tangidos dessa forma, as autoridades de segurança estarão mais atentas aos eventuais desígnios de comunidade  que vive em subúrbios e não está entre as camadas mais endinheiradas.

              Como na França no passado, há menores oportunidades para esses grupos, tanto sob aspecto social quanto  econômico, e a raiva curtida pelo preconceito e a marginalidade social não costuma ser desfeita pela mão de ferro de polícia com muitos pesos e medidas.

              Por outro lado, comparativamente falando, a situação na Bélgica - já um país em crise étnica desde o surgimento (valões contra flamengos, estes agora em maioria), que a presença de casa real não pode pretender resolver - não é das mais tranquilas em termos sociais, e por isso tenderá a ser mais instrumentalizada, pelo modo pouco satisfatório com que o Estado belga (já uma composição problemática) por intermédio de seus serviços de segurança vem tratando desse problemaço.

               Por causa desta fraqueza, já o ataque ao Bataclan terá sido planejado na vizinha Bélgica.

                Os dois principais líderes da investida da semana eram formalmente nacionais belgas, lá nascidos, porém que refletiam existencialmente a sua condição de proletários internos[1] na Europa.

                 Daí a vulnerabilidade dos Estados que os abrigam, seja ativamente, pela falta nas metrópoles respectivas de políticas sociais inclusivas - não se esqueçam que Sarkozy se projetara politicamente quando no período da queima de carros pelas comunidades suburbanas (em geral de origem árabe) ao designá-los em discurso como 'la racaille' (a ralé) - a par da gritante  falta na Bélgica de  política de segurança digna desse nome.

                 Com efeito, tanto Ibrahim el-Bakreour, de trinta anos, e seu irmão Khalid el-Bakreour, de 27 anos, ambos formalmente belgas, tiveram antes atividade criminosa bem marcada. Assinale-se que os dois foram expulsos da Turquia como suspeitos de terrorismo, tendo sido devolvidos para o seu país natal.

                  O presidente Recep Erdogan - que ultimamente semelha comprazer-se em colocar as autoridades da União Europeia em dificuldade, dada a vantajosa posição geográfica da Turquia para solução da questão dos refugiados da Síria - disse em entrevista que os serviços turcos  detiveram Ibrahim el-Bakreour  perto da fronteira síria  (junho de 2014), e alertaram as autoridades belgas que ele era "um estrangeiro combatente terrorista", e o deportaram para a Holanda [2].

                   A falta de comunicação não parou aí.  O Ministro da Justiça da Bélgica, Koenbéens, declarou à imprensa, após o atentado da terça-feira, que el-Bakreour era fichado como criminoso comum e não como terrorista.           

 ( Fontes: The New York Times, A Study of History, de Arnold Toynbee.)        



[1] Para retratá-los, louvo-me do grande historiador Arnold Toynbee, que nos fala no seu monumental "Um Estudo de Historia" do proletariado externo e interno no Império Romano, já na fase da decadência. Essas populações não sentiam qualquer vínculo com o poder romano, e, dada a oportunidade, colaborariam de bom grado contra o Imperium declinante de Roma. Em termos de presença física em um lugar ao qual não se acham vinculados social e emotivamente me parece um bom exemplo para situações atuais na Europa Ocidental, que semelham assaz pertinentes com essas velhas histórias.
[2] Não se esclareceu o aparente non-sequitur.

quarta-feira, 23 de março de 2016

O Claro Enigma


                                                   

           A ação do Ministro Teori Zavascki contra iniciativa do Juiz Sérgio Moro não constituíu decerto surpresa. De alguma forma, o Ministro encarregado no Supremo da Operação Lava Jato já a prenunciara com o seu claro enigma do fim de semana. Se, a par disso, o objetivo terá sido de alguma forma colher impressões de receptividade, Sua Excelência poderia pensar que uma ação mais frontal contra o Juiz encarregado da Lava Jato já teria colhido discretos acenos favoráveis.

          Por isso, a ação de ontem é decorrência do cauteloso anúncio do fim de semana.

          O Ministro Teori foi mais além. Concordou com a ação protocolada pelo novel advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. Como seria de esperar, na ação, o governo Dilma questionou a legalidade da decisão de Moro de divulgar as conversas. Sem embargo, como o AGU postula, a Presidente aparece nos diálogos e, como tem direito ao foro privilegiado, apenas o Supremo poderia decidir o que fazer com as interceptações.

           Teori concordou com a tese. Além disso, referiu que o tema de vários diálogos divulgados não tinha  relação direta com a investigação sobre Lula.

                        Levado pela própria argumentação, Teori não trepida em dizer que é descabido o argumento do Juiz Moro de que havia interesse público na divulgação.

            Em verdade, o interesse é óbvio. Lula rasga o que restava da máscara do Lulinha paz e amor. As suas expressões alternam entre o chulo e o chocante, e o foram a tal ponto, que o Decano do Supremo, Celso de Mello, apostrofa de forma irretorquível as colocações de Lula da Silva,  afastando com frass dignas e severas tais afrontas e contumélias.   

            Teori explica porque decidiu decretar o sigilo das conversas:  Moro "era reconhecidamente incompetente para a causa, ante a constatação, já confirmada, do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, inclusive a própria Presidente da República."

            O Ministro-relator do Supremo para a Lava Jato não hesita em ir além: 'a divulgação dos áudios "feriu direito fundamental à garantia de sigilo", expresso na Constituição'.

               Segundo o Ministro, o conteúdo das conversas  teve o sigilo levantado "sem nenhuma das cautelas exigidas em lei". Sublinhou que na decisão não estava julgando se as interceptações telefônicas foram ou não legais. E aduziu: "O que se infirma é a divulgação pública da conversas  interceptadas da forma como ocorreu, imediata, sem levar em consideração que a prova sequer  fora apropriada à sua única finalidade constitucional legítima ("para fins de investigação criminal ou instrução processual penal"), muito menos submetida a um contraditõrio mínimo".

              Malgrado a ação de pública censura ao Juiz Sérgio Moro, como acima referida, pelo Relator da Lava-Jato, antes a defesa de Lula amargaria duas derrotas no Supremo Tribunal Federal. A Ministra Rosa Weber negou habeas corpus em que os advogados  pediam para as investigações  contra o petista na Lava Jato serem conduzidas  pelo tribunal, e não pelo Juiz Moro. 

               Por sua vez, o Ministro Luiz Fux negou pedido do Governo para anular a decisão do Ministro Gilmar Mendes, que barrou a nomeação de Lula para chefiar a Casa Civil.

 

( Fonte:  O  Globo, Carlos Drummond de Andrade )

 

           

terça-feira, 22 de março de 2016

Está mais perto o Impeachment ?


                           

 

      A base política de Dilma, pelos próprios cálculos governamentais, vai ficando mais perto. Estariam eles no limite dos 172 votos necessários para barrar o impeachment da Presidenta.

       Há quinze dias atrás, antes da divulgação da delação premiada do Senador Delcídio Amaral, segundo os cálculos do Planalto,  Dilma contava entre 240 a 250 votos, a seu favor.

       No esforço de tentar reverter esse quadro adverso,  Dilma cogita de montar em Palácio força-tarefa a ser coordenada por Lula, seja ele liberado ou não para virar Ministro de Estado.

       Vista do outro lado - vale dizer dos deputados dispostos a votar contra Dilma Rousseff, e portanto sufragando o pedido de impeachment -  será necessário o apoio ao dito impeachment de 342 deputados, na votação em plenário.

       Ao aumentar o risco de derrota na Câmara dos Deputados, a Presidenta orientou a própria equipe jurídica a preparar recurso ao STF.  Assim, aprovado o pedido de impeachment, esse recurso ao Supremo visa a judicializar o processo.

        O pedido de afastamento de suas funções, que está em comissão na Câmara, dependeria do dito apoio de 342 deputdos.  Tentando atrapalhar o procedimento na Câmara, deputados petistas entrariam com medidas judiciais no Supremo.

        Por outro lado, Dilma Rousseff pretende reforçar  a ofensiva no Senado. Como se sabe, se a Câmara de Deputados a aprovar, será a Câmara Alta que dará a última palavra sobre a sua deposição.

        Aí entraria o ex-Presidente Lula da Silva, que pretende articular-se com o Presidente Renan Calheiros e a chamada base governista.

 

         Em todo esse planejamento, se parte do pressuposto que a opinião pública e os demais partidos, inclusive o PMDB de Calheiros, ficariam inertes, observando a movimentação de Lula da Silva.

 

         Far-se-ía de conta que a opinião pública não existe, ou não se manifestaria, o que é dar prova de excessivo otimismo. Dada a mediocridade de Dilma - que, pelo visto, é o seu atributo principal para acirrar as forças pro-impeachment - e a posição de Lula - que já não é mais aquele personagem extremamente popular - somadas à pressão da sociedade sobre os senhores senadores, capitaneados pelo risonho mas também alvo do Ministério Público Federal,  o Senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o Palácio do Planalto deflagra ação no Supremo contra o Ministro Gilmar Mendes e (contenham a respiração) passa a acusar o juiz  Sergio Moro de pôr em risco "soberania nacional".

     

         Em manifestações distintas, a AGU pediu a suspeição do Ministro Gilmar Mendes para decidir sobre a nomeação de Lula da Silva para a Casa Civil; assim como, houve por bem acusar o Juiz Moro de colocar em risco a "soberania nacional", ao divulgar gravação de comunicação telefônica entre o ex-Presidente e a Presidenta Dilma Rousseff.

     

        Alvo da Lava-Jato , o ex-Presidente Lula da Silva foi nomeado para a Casa Civil na passada semana, mas a decisão provocou uma altercação jurídica, com partidos políticos, entidades várias  e ações populares a questionarem a legalidade da posse com ações no Supremo Tribunal Federal.      

 

         As dezessete ações contrárias à posse  afirmam que a nomeação foi manobra  da Presidente da República para o petista escapar do Juiz Moro, a fim de ganhar foro privilegiado, com o que passaria a ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

 

         Dilma, agora por meio de Cardozo da AGU, reagiu afirmando que o Ministro Gilmar Mendes afrontou a presunção de inocência e não teria imparcialidade para atuar no caso eis que "se manifestou fora dos autos".

 

         No texto, o ministro Cardozo - é importante não esquecer que ele caíu do Ministério da Justiça para a AGU - pede que seja anulada a decisão do Ministro Gilmar Mendes, eis que alega a sua suspeição dele por causa da advogada Marilda de Paula Silveira, signatária de um dos mandados de segurança (do PPS). A dra. Marilda é uma das coordenadoras do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de que o Ministro Gilmar é coordenador acadêmico. Gilma nega, a propósito, relação pessoal com a advogada.

 

          A AGU, por outro lado, afirma que a "decisão de divulgar o conteúdo  de conversas envolvendo a presidente da República coloca em risco a soberania nacional, em ofensa ao Estado democrático republicano."

 
          Por outro lado, "o ex-Ministro Walfrido Mares Guia afirmou, nesta segunda-feira, dia 21 de março, que empresta seu avião Cessna Citation CJ3 ao petista (no caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) na "forma de gentileza e amizade".
 

           "Walfrido reagiu irritado quando questionado sobre o uso de sua aeronave, afirmando que já deu essas informações até por escrito.

 
            "Nas vezes em que ele (Lula da Silva) anda no meu avião, eu cedo. O avião é meu. Empresto para quem desejo", afirmou.

 
            Walfrido disse ainda que Lula não pediu seu avião emprestado para as viagens a Brasília em que tratou de sua nomeação para a Casa Civil.
 

            "Agora, o Instituto Lula e a empresa dele é que têm de resolver. Como ministro, não pode andar de avião de amigo." (...)

            "Em Brasília, Lula costuma se hospedar no hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, próximo ao Palácio da Alvorada e com vista para o lago Paranoá."   (...)

             "Mesmo impedido pelo STF de assumir o posto de ministro-chefe da Casa Civil, Lula foi escalado pela presidente Dilma Rousseff para (

exercer, informalmente, a partir desta segunda, a articulação política do Palácio do Planalto.

              " O ex-presidente esteve em Brasília nesta segunda para reuniões com Dilma na qual iria definir o futuro de sua situação no governo."

 


(Fontes: Folha de S. Paulo e O Globo)

         

segunda-feira, 21 de março de 2016

Está chegando a Hora


                                       

           Para democracias como a brasileira, o melhor regime é o parlamentarista. Se nada de firme e duradouro há no subdesenvolvimento, a rigidez do presidencialismo não se adequaria como regime para o Brasil.

           É necessário que países como o nosso tenham regime político que seja mais flexível e que, dentro da democracia, corresponda aos anseios populares.

           O regime presidencialista é próprio das democracias estáveis, como os Estados Unidos, por exemplo. Ouvi há muito tempo - e tive de concordar - que não há nada de seguro no subdesenvolvimento, e os governos que se esquecem desta lei - que independe de parlamentos - não costumam ter vida longa.

            Assim, quem hoje se encontre nos paços republicanos, pode ser uma presença anacrônica de realidade que já se derreteu faz tempo.

             Por isso, à volubilidade que é pétrea característica do país subdesenvolvido - e não me venham com estórias  que o Brasil já terá superado tal fase - deverá corresponder a flexibilidade do parlamentarismo.

              Antes do golpe militar - melhor diria, a quartelada, pois disso não passou  - de 1889, o Brasil era considerado como uma república nas Américas - e quem o disse não foi brasileiro - pelo respeito aos direitos de seus súditos e a liberdade de pensamento e opinião que aqui vigorava.

              Depois disso, aos trancos e barrancos, empreendemos longa caminhada. Como é comum nas jornadas compridas, mais uma vez chega hora de decisão, em que o que aí está se aferra a situações passadas - que, de resto, se adaptam à maravilha aos seus por vezes inconfessáveis interesses.

               Surpreenderá que esta gente não trepide em recorrer ao autoritarismo, para tentar sobrepor-se à enorme maioria que dela está farta, pelo que tem feito, ao arrepio da lei e do sentimento nacional, uma vez mais expresso a treze de março corrente?

               Hoje a comédia, se algum dia o terá sido, se transforma em farsa, e a nada republicana empáfia que alardeiam, contrariada nos tribunais, pede deles  mundos e fundos na esperança de, pelo menos, obterem algumas migalhas, que os habilitem a prevalecer contra a corrente e a vontade amplamente majoritária de uma Nação que já se cansou dessa gente.

                  Demonstrando suspeição de ministros do Supremo, a defesa do ex-presidente Lula da Silva e o governo Dilma Rousseff apelam ao STF para tirar das mãos do Ministro Gilmar Mendes todas as decisões que digam respeito ao petista.  E em linha similar, desejam barrar qualquer decisão do Juiz Sérgio Moro sobre Lula da Silva, até que o plenum do Supremo se manifeste sobre a questão.
           

                 E não páram por aí. Querem também que o relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, o Ministro Teori Zavascki, assuma o caso Lula da Silva, eis que, ao que parece, o ex-Presidente teme pela possibilidade de ter a sua prisão decretada em primeira instância.

 

                 Como diziam outros, olé !

 

 

(Fonte:  O Globo)

domingo, 20 de março de 2016

Colcha de Retalhos D XI


                   
Tragédia familiar
 

         Para os jornais, a manchete diz que acidente aéreo mata ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce, o empresário Roger Agnelli, de 56 anos (faria 57, no próximo dia três de maio). 

        A verdade é bem mais trágica. O monomotor, logo que saíu do Campo de Marte, caiu sobre uma casa na Zona Norte na capital paulista.

        Registrada em nome de Agnelli, viajavam na aeronave, com ele a esposa Andrea, a filha Ana Carolina e seu marido, e o filho João, com a namorada.

        A família Agnelli rumava para o Rio de Janeiro, onde compareceria a um casamento.

         As causas do acidente com o monomotor ainda não foram determinadas.

          Pelo Twitter, o Senador José Serra (PSDB) deplorou a morte do executivo: "Lamento muito a tragédia do Roger Agnelli e sua família. Conheci-o como presidente da Vale, onde teve um grande desempenho."

 
A Visita de Obama a Cuba

 

           O Presidente Barack Obama visita Cuba a partir de hoje,  até  22 de março. A presença do presidente americano, impensável até  pouco, poderá contribuir para que seja levantado o embargo, o que depende do Congresso estadunidense, em que, por ora, os republicanos dominam as duas Câmaras.

            Há esperanças para que, junto com as relações diplomáticas já estabelecidas, cresça igualmente o comércio entre os dois países. Para tanto, pode servir o Porto de Mariel, construído com dinheiro do BNDES, que o transformou no maior e mais moderno porto do Caribe.

            Como já referira em blog anterior, na sua inauguração acorrera toda a chusma dos líderes próximos ao chavismo, talvez pensando na possibilidade de servir-se dos dólares brasileiros, que o governo petista concedera com tanta generosidade a Fidel e  Raul Castro.

               Sobretudo o valor do tal financiamento ainda mais avulta, se tivermos presente a qualidade dos portos nacionais, que até hoje não mereceram igual munificência.

 
Impeachment de Dilma

 

                  Quando o jogo já está na prorrogação, e as perspectivas não são boas, é compreensível o nervosismo na equipe. Não será outra a atitude no Palácio do Planalto, com Dilma ameaçada não só pelo impeachment, mas também pelo apoio das ruas, que cresce em favor da decretação da sentença de morte do governo petista.

                     O poder de arregimentação de Lula da Silva dá à turma que defende o governo de Dilma a esperança de que o ex-torneiro mecânico possa virar o jogo.

                     No entanto, ainda está de pé a intervenção de Gilmar Mendes. Sem que seja desfeita, ele não tem autoridade para sequer convocar reunião no Palácio do Planalto, eis que impera ainda sua condição de mero cidadão. A nomeação salvadora feita por Dilma Rousseff foi embargada pela Justiça, e enquanto esse embaraço não for cortado, Lula é um simples cidadão como outro qualquer.

 
Guerra de Palavras

 

                   O novo Ministro da Justiça terá essa força toda?  Pensará encurralar o Juiz Sérgio Moro?

                    Será que o PT, na sua condição minoritária nacional - e a comparação entre o treze de março, com a maior demonstração popular da história do Brasil e a profusão de elogios ao Juiz Moro, e a reação do PT, que empalidece diante da força da população no domingo treze - dispõe de ambiente para fazer todas essas ameaças - ação de intimidação do Juiz Moro, ataque à Lava-Jato e à Polícia Federal, investida no Congresso, para tentar virar o jogo na batalha do  Impeachment ?

                     Vejo muita bazófia e tentativa de intimidação. Não é à toa que a Lava-Jato chegou aonde chegou. Ela tem apoio da maioria da população, além de dispor de uma aguerrida equipe de policiais, valorizada em seu trabalho e na certeza de estar fazendo o que devem fazer. Pensa-se no Brasil e no seu futuro, e não em proteger este bando ou aqueloutro. O  'crime' da Lava Jato é o de desvendar o Petrolão e todas as demais tentativas de privatizar o público.

                      Por sua vez, este senhor que surge no crepúsculo de uma Administração corrupta, vem com as vestes do salvador do Petismo, de Lula e de Dilma pretende falar grosso e faz muitas ameaças. Tenha-se presente que tanto a Lava Jato, quanto o movimento pró-impeachment não são tenras crianças, indefesas contra qualquer ataque.

                      A Lava-Jato já chegou muito longe para morrer na praia. Ela não está defendendo pessoas, mas sim o restabelecimento de um governo digno desse nome, e não o grupo com que ela se deparou ao iniciar a própria caminhada.

                       Não será a primeira ameaça que terá recebido, lá em Curitiba, o Juiz Sérgio Moro. Na sua 13ª Vara terá enfrentado muitas investidas do gênero, para que ora arrefeça caminho.

                       Muita vez será próximo dos estertores  que o grupo a investir contra o seu trabalho e pessoa que mais alto há de falar, e mais irá carregar nas ameaças. Para quem saíu de onde saíu, defendendo o interesse do Brasil e de seu Povo, não pensem que palavras e tentativas de vã intimidação são coisas que ele desconheça. No fim, a porfia pode assustar aos fracos. Nunca àqueles que já arrostaram toda sorte de ameaça, velada ou não, de dentes expostos ou não, brandindo toda sorte de instrumento, desde  torpes ofertas de dinheiro sujo, até os melífluos sorrisos de luzentes vantagens. A todas elas as enfrentou com a determinação dos justos, e a paga o jovem juiz a recebe na gratidão e nas palavras de toda a gente, humilde ou não, mas sempre escritas com as garrafais letras do apreço do Povo brasileiro.

                         O jogo na verdade já se aproxima da prorrogação. E quanto mais alta a ameaça, mais brilha o sinal de que a refrega já se acerca do fim, e nesta partida, não tenham dúvida, o lado do bem vai prevalecer, e o escore será de sete a um em favor da boa gente brasileira, e do Juiz Sérgio Moro, que, com brio e orgulho, veste as nossas cores.

 

( Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo )

O Ministro Aragão e seus planos


                     

                            

       Eugênio Aragão é a nova esperança do Governo Dilma. Dele recordemos a atuação contra a pré-candidata Marina, a cujo partido - a Rede Sustentabilidade - o então Procurador Eleitoral Aragão contribuíu com a habitual mão forte para denegar a licença eleitoral.

       Recordo-me do referido juízo. O único voto a favor de Marina foi o do Ministro Gilmar Mendes, então presente no TSE. Recordo-me bem do parecer desse senhor Aragão, então, se não me engano, Procurador da Justiça Eleitoral.

         Para a Rede Sustentabilidade foi então reservada todo o sanhudo rigor da Justiça eleitoral, então com maioria petista. O parecer de Aragão, além do viés contrário, dissera algumas coisas na mesma linha.

         O PT queria barrar de qualquer maneira a candidatura de Marina, de quem temia o carisma, a imagem de honradez e a ameaça contra Dilma.

         Como poderiam adivinhar, o Partido dos Trabalhadores e seus servos, que a Providência reservava outras surpresas ao esquema de torpedear a candidatura da carismática Marina?

         Hoje, ressurge como novo Ministro da Justiça o referido Eugênio Aragão, que ora promete mundos e fundos no combate aos inimigos desse Governo.

          Como primeira opção, está o confronto direto com a Operação Lava Jato. Como se manejasse um tridente, Sua Excelência revela três cometimentos: (a) está estudando medidas judiciais (sic) contra o Juiz Sérgio Moro; (b) contestar a tese de 'prender alguém para que fale', que segundo o Ministro Aragão, é usada nas delações; e (c) Sua Excelência não pára por aí. Quer punir policiais federais que vazarem dados de investigações.

            Lembram-se da irritação de Lula da Silva e da militância petista contra a Polícia Federal e  sua autonomia? Tinham ódio do então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - agora escanteado para Advogado-Geral da União, que sempre se pautara em respeitá-la, a despeito das pressões dos enfurecidos Lula & Cia.?!

            Pois o Ministro Aragão, quem sabe para demonstrar ao chefão Lula que tem tutano, quer retirar tal autonomia da Polícia Federal !

            Agora, como se nada fora, sua Excelência Aragão pensa lidar com a P.F. como se fora coisa de pouca conta, e não conquista que vem do tempo do Ministro  Márcio Thomaz Bastos, que convencera Lula a conceder autonomia à Polícia Federal ?! Lembram-se como irritava aos irrequietos militantes petistas tal dita autonomia, mantida pelo sucessor José Eduardo Cardozo, hoje  Advogado Geral da União ?

           Na sua simplicidade - que o Ministro Aragão, sempre preocupado em desfazer opinião negativa do grande chefe Lula da Silva - o ex-Procurador Eleitoral, e hoje Ministro da Justiça, deseja, como se fora um foguinho e não o fogaréu do presente, abafar, pondo um basta nessa maldita autonomia, que é a fonte de tantos problemas para a Presidenta e sua Administração !

            Quem sabe Sua Excelência aprenderá que marcha-à-ré é coisa sumamente complicada na dinâmica da História. Uma vez que se prova da iguaria libertária, com os resultados que aí se vêem, pensará o Ministro Aragão que a Lava-Jato é coisa de somenos, que se desfaz com caras feias e medidas de arrocho?   

             No passar dos tempos, no velho movietone da História, passam filmes que aconselho a Sua Excelência assistir antes de ceder a tais pruridos, como se fossem coisa de somenos... Gente mais poderosa que Sua Excelência o Senhor Ministro da Justiça, como por exemplo, Carlos X, aquele que julgara que suas medidas, que reentronizavam o absolutismo, bastariam  as penas brancas dos elmos dos dragões, para que a plebe ignara desistisse de seus propósitos subversivos... Mal sabia ele que logo, logo teria de fugir para a Áustria, aonde passaria no exílio do enorme  castelo Hradcany - o mesmo da célebre defenestração de Praga, que dera origem à guerra dos Trinta Anos - onde consumiria os anos que lhe restavam de vida?

 

( Fontes subsidiárias:  O Globo, Folha de S. Paulo )         

sábado, 19 de março de 2016

Só choque de gerações ?


                                 

        Ao contrário de o que possam pensar, o juiz Sérgio Moro não busca o protagonismo. Se ele foi objeto de multitudinárias manifestações de apreço, na grande festa democrática de treze de março, elas chamam a atenção porque são reflexos, expressos pelos cidadãos que acorreram na maior demonstração de apoio popular já registrada nessa República.

         Não é fenômeno local, citadino, estadual ou regional. Ao contrário de outros grandes ajuntamentos no passado, a manifestação do dia treze foi nacional. Antes se dizia do Oiapoque ao Chuí, como agora se pode dizer, sem qualquer risco de erro, do Acre ao Rio Grande, essa festa democrática mostrou a própria pujança, atendidas as circunstâncias de cada  região.

         Em todas elas, a sua presença se impôs, superando grandes concentrações do passado, como a das Diretas Já, assim como movimentos mais recentes e inseridos em temática dos tempos atuais, como foram as passeatas de junho, em São Paulo, que iriam espraiar-se por todos esses brasis.

           As de 13 de março, sem quaisquer episódios de violência, se afirmam com a naturalidade do próprio número e da própria feição, que tão bem refletiu a naturalidade de um sentir nacional, que pelo respectivo peso, amplitude e âmbito, e, seja dito sem exceções nem contorsões, por várias tônicas.

            Primeiro, os Não. À Dilma e ao PT, à corrupção generalizada, ao desgoverno que é decorrência de todos esses fatores.

             Segundo, os Sim.  À Democracia, sobretudo, mas também à Operação Lava-Jato, ao Juiz Sérgio Moro e à Polícia Federal.

              Impressiona a homenagem prestada pelo cidadão anônimo a magistrado de Primeira Instância, Juiz Federal, que projetou a cidade de Curitiba pela próprio trabalho, coragem e seriedade.

               Mais marca ainda, e de forma indelével, que tal homenagem, que veio do Povo, e que reponta em cada rincão de nosso país-continente, não seja feita a personalidade política, seja um valor novo, seja ele  grande nome, cujo apoio reflita sentimentos que vão além da admiração por este ou aquele vulto, que por motivos de afirmação política pessoal venha a ser credor de tal testemunho.

                 Pois, não há ninguém nesse momento histórico que vive o Brasil que se possa comparar ao Juiz Sérgio Moro, jovem juiz é verdade, mas que vem demonstrando através do próprio trabalho, com a assistência do Ministério Público e a Polícia Federal, na Operação Lava-Jato, nas suas inúmeras fases, desde que no horizonte repontaram a vontade, firmeza,  coerência, seriedade e serena coragem, de confrontar, onde estiver, a proteica corrupção. Esse trabalho, com a sua exação e determinação, não é  fruto temporão ou sazonal. Da 13ª Vara Federal de Curitiba, com pertinácia, modéstia e inamovível compromisso com a Justiça, o Juiz Moro, sem buscar o vão protagonismo, é expressão de uma nova justiça brasileira, que se afirma a cada dia, e que, respeitando a Lei e os velhos mestres, faz o seu trabalho cotidiano, que a todos trata como iguais perante a Lei, seja nos direitos , seja nos deveres.

                  Não é através do pirotecnismo de ações vazias ou distorcidas que se ganha o favor e, sobretudo, o respeito do Povo brasileiro. A nossa Gente, simples e generosa, não costuma enganar-se, sobretudo na extensão e na profundidade demonstradas, quando abraça e admira um grande vulto que acolhe como merecedor das expressões - como os múltiplos testemunhos em homenagens que crescem não só pelo número e amplitude brasílica, mas também pelo fato de serem reflexas, efeitos do mérito que cresce na competência, na retidão e na coragem, e  do trabalho que pela sua coerência, igualdade no tratamento, sem as costumeiras exceções que tanto no passado confrangeram aos grandes e sobretudo aos pequenos.

                  Uma das razões das múltiplas homenagens - decerto as mais legítimas, porque gratuita expressão de sentimentos que nos fazem bem e tem a anonimidade das ovações, em que não há outro interesse que o de elevar o orgulho pátrio em evidenciar o quanto à boa gente brasileira alegra e estimula poder estender gesto de cumprimento sem outro interesse que a satisfação de expressar o próprio anônimo orgulho por  compatriota que é um jovem juiz, sério, competente e determinado na sua luta pela aplicação da Justiça.

                     A resolução, a par do trabalho e da competência, são expressões em que se conjugam o conhecimento da Lei, a firmeza das próprias convicções, e a clara visão dos objetivos a atingir e dos obstáculos a vencer. O círculo se completa no espírito de liderança que não desdenha a cooperação de maiores e menores, assim como, virtude rara nos dias que correm, a coragem e o respeito que lhe é devido.

                       O Juiz não é um político, embora deva respeitar a Política, desde que voltada para o interesse público. Nesses últimos dias, o Juiz Sérgio Moro tem mostrado que respeitá-la não significa pactuar com suas expressões menos nobres.

                        Não é por acaso que as efígies da Justiça a representam sempre com os olhos vendados. Essa cegueira da Justiça significa que ela deve atuar sem fazer qualquer distinção quanto à pessoa de que ela examina o comportamento e eventuais faltas.

                         Justiça é agir em consequência da impessoalidade perante a Lei, e é te-la sempre presente, a par da coragem de afirmá-la, se assim exige o interesse público.   

                          Nada vi, nem li nos últimos tempos no que tange à atuação deste jovem magistrado, senão vontade, seriedade e firmeza no cumprimento dos respectivos deveres que não tenha correspondido a tais parâmetros.

                    

( Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo )