domingo, 24 de agosto de 2014

Colcha de Retalhos B 33

                                  

O Rebaixamento do Itamaraty

       
           Concordo com muitas das assertivas e avaliações de Alexandre Vidal Porto. O tratamento dado por Dilma Rousseff ao Itamaraty explica inúmeras coisas. Quem subestima o nosso Ministério das Relações Exteriores assina declaração de escassa compreensão de o que o Itamaraty representa.

           Dilma não está, contudo, sozinha neste juízo equivocado. Ao dividir, na prática, a competência da Casa de Rio Branco com auxiliares partidários como Marco Aurélio Garcia, a quem Lula confiara a América Latina e, em especial, dentro daquela diplomacia de partido que é a antítese da visão de uma Secretaria de Estado, ‘Nosso Guia’ abriu o caminho para os despautérios de Dilma.

          Quem ler este blog, bem conhece o meu conceito sobre vários aspectos da participação dos militares no quadro político nacional e o que deveria ser feito para que o Brasil siga o exemplo dos estados do cone sul, em termos de comissão da verdade, justiça militar, etc. Mas em um aspecto é forçoso reconhecer que o estamento castrense, sob os presidentes militares respeitou o Itamaraty e não se intrometeu em política externa.

          No desgoverno de Dilma, com as sandices na economia, o enfraquecimento do Plano Real e de seus principais instrumentos, o tratamento que vem dando ao Itamaraty é um autêntico tiro no pé do Estado brasileiro. Rebaixar a parcela do Itamaraty no orçamento da União a 0,16% seria inacreditável, se esse despautério não nos desse um retrato sem retoques da absoluta falta de critério do Governo Dilma.  

 

A Faixa de Gaza e Israel.

 

                A questão médio-oriental só poderá ser resolvida com a implementação das diversas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, algumas com mais de quarenta anos. Elas restabelecem o direito do povo palestino à margem ocidental do Jordão. Se a implantação da Paz permitiria que Israel e Autoridade Palestina convivessem como dois países soberanos, é imprescindível o respeito das resoluções do CSNU.

                Para tanto, a relação entre a superpotência e a entidade clientelar deve mudar radicalmente, voltando ao que era até antes da Presidência Nixon, com Henry Kissinger como Secretário de Estado.

                 O desvirtuamento dessa relação por uma conjunção de fatores – controle político pelo estado-cliente de sua relação com a potência que deveria ser tutelar – só se explica pela não-assunção, por contingências de política interna americana, de suas obrigações de fazer aplicar a lei internacional (consubstanciada nas Resoluções competentes do Conselho de Segurança) de parte da presidência americana e do próprio Estado americano.

                    Enquanto não forem aplicadas tais resoluções e o poder presidencial americano não assumir a própria e inalienável responsabilidade, a questão médio-oriental só continuará a apodrecer, pela desídia da autoridade presidencial em que o disposto pelo Conselho de Segurança seja aplicado.

                   O desfiguramento e a apropriação indébita dos direitos palestinos pelo Estado de Israel só cessará quando forem aplicadas as resoluções que estão em vigor.

                   Enquanto tal realidade não for atendida, continuará a desordem institucional, com os bombardeios de Israel à Faixa de Gaza, e o estado de guerra mantido pelo Hamas com lançamentos de foguetes. Os assassínios realizados pelo Hamas revestem características de que as tropelias do exército israelense, com bombardeios de áreas civis de Gaza, não diferem na essência, embora queiram parecer ações de represália às incursões do Hamas.   

 

( Fontes: Folha de S. Paulo,  O  Globo )   

sábado, 23 de agosto de 2014

De novo Putin e a Ucrânia

  

         Os seus auxiliares e até a mídia russa podem acusar até variações na respectiva linha no que tange à Ucrânia. Nesse contexto,  podem repontar atitudes compreensivas e até mesmo conciliatórias. As intenções, em verdade, seriam pacíficas, e tudo não passaria de um grande mal-entendido.

         A história é rica de tais exemplos. Países que acenam com boas e pacíficas intenções, mas que, em realidade delas se servem, como um instrumento de política para afrouxar e confundir a resistência. Falam de paz, mas se afastarmos o nevoeiro dos ocos compromissos, e se se tivermos presente os atos concretos, só entreveremos o engano como instrumento, e a guerra de conquista como fim.

          A Federação Russa tem imenso território, estendendo-se desde o mar Báltico até Vladivostok – e não é por acaso que a própria toponímia no Pacífico carrega em si o lema de domínio do Oriente.

          O proceder restante do Kremlin dá a impressão de que tal não lhe basta. O desfazimento da União Soviética em princípios dos anos noventa dispôs da segunda super-potência. Se uns tantos anéis se foram, Moscou reteve alguns importantes, como o assento permanente no Conselho de Segurança, e o direito de veto, assim como boa parcela do arsenal termonuclear, que antes brandiram os herdeiros de Vladimir Lenin, com o camarada Stalin à frente.

          Por um capricho dessa mesma incongruente história, o governo liberal de Boris Ieltsin careceu para salvar-se da anunciada perdição de ter de recorrer a um homo novus,  gospodin Vladimir V. Putin, que não por acaso havia sido funcionário categorizado da K.G.B.

          Destino madrasto este, que nos transes do perigo maior – que será sempre para a gente do governo, o de perder o poder  - teve de confiar em criatura egressa do serviço secreto soviético.

          Para salvar-se, foi necessário jogar carga ao mar. Assim, junto com os amigos de Ieltsin se assistiu partir, com as necessárias pausas, a ilusão da democracia nova, que, apesar de seus nobres paladinos, tanta dificuldade parece ter em firmar-se na Rússia.

          Não espanta, portanto, que o governo de Putin seja autoritário. Outra característica de tais regimes é o veio expansionista. Pensa resolver os próprios problemas – que não são pequenos – pelo meio imperialista. Para tanto, já costurou uma doutrina – a eurasiana – que, malgrado servir  porções alentadas de antigas teses à direita, justificaria os respectivos avanços, tanto em termos de países caudatários, quanto, se necessário for, em acréscimos territoriais.

          Vladimir Putin não se abespinha em estar na contramão da história. Abriu – talvez melhor seria dizer dilacerou – uma nova página, com a anexação da Crimeia, para tanto se aproveitando da queda de um aliado seu, Viktor Yanukovych, derrubado pelas heroicas barricadas da praça Maidan.  

          Para vergonha da dílmica diplomacia – que é aquela de partido,do  PT e similares – e que não é a de nosso eterno patrono, o Barão do Rio Branco – ela compactuou nas Nações Unidas com essa clamorosa violação do Direito Internacional.

          Putin só engana os fracos e aqueles que, embora na aparência fortes, mal disfarçam a própria inerente debilidade.

          A agressão russa contra a Ucrânia  continua. Além de concentrar grandes efetivos em áreas vizinhas das províncias ucranianas orientais, a intervenção é direta através de unidades de artilharia, muita vez manejadas por militares russos. Esse incremento do imperialismo do Kremlin se deve aos avanços do exército ucraniano, que vem retomando paulatinamente a área sob domínio dos chamados separatistas pró-Rússia.   

          Essa participação direta está determinada, não por conjecturas, mas por assertivas de observadores da OTAN. Aqui se assiste a um desenvolvimento que não surpreende, por que não é a primeira vez que venha a ocorrer.

          Essa irrupção do separatismo pró-Rússia não é fenômeno de pai desconhecido. Quando as formações de separatistas-pró-Russia se vêem em apuros, a consequência costuma ser a da intervenção direta do poder maior para socorrer os prepostos no limite da rendição.

          A par disso, está em curso estranhíssima operação de manutenção da paz, através de gigantesco comboio de 270 caminhões russos, com duas mil toneladas de carga que atravessou a fronteira sem autorização do governo de Kiev. Cerca de 35 veículos foram vistoriados, e o governo Poroshenko considerou a ação uma invasão de seu território, mas declarou que não atacaria o comboio  para não “cair em provocações”. Segundo o Kremlin, a carga é de alimentos, geradores elétricos, sacos de dormir e outros produtos.

          A respeito desse cortejo de caminhões com ajuda alegadamente humanitária, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que “tomou todas as medidas administrativas para a passagem do comboio.”  Essa conceituada organização internacional afirmou, contudo, que não acompanharia a operação, porque a segurança de seu pessoal não foi garantida.

           Segundo a Rússia, voluntários da Cruz Vermelha do país trabalharão na distribuição da ajuda.

           Sem embargo, diante da instrumentalização pelo Governo da Rússia de operações de assistência humanitária – como ocorreu na invasão e ocupação da península da Crimeia – a menos de vistoriar os 270 caminhões russos, seria rematada leviandade asseverar que é de todo pacífica a carga do comboio.

 

( Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo, The New York Times )

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Plataforma de Marina


                                          

        Neste primeiro momento, em que o bastão passa para Marina Silva, não há de provocar espécie que haja necessidade de fazer reajustes na plataforma de campanha. Posto que Marina tenha frisado o seu empenho em preservar as bandeiras do candidato do PSB, Eduardo Campos, vitimado pela fatalidade, há de compreender-se que com a passagem da responsabilidade, modificações são indispensáveis e até mesmo naturais.

        Marina, se enfrenta resistências no PSB, tem dosado firmeza em certos aspectos, e em outros flexibilidade para assegurar transição que corresponda às respectivas prioridades.

        Como já referido, o primeiro desentendimento da nova chapa do PSB aconteceu menos de 24 horas após o anúncio oficial da candidatura. O primeiro-secretário do partido, Carlos Siqueira, abandonou a coordenação geral  da campanha, e saíu atacando Marina por supostamente tentar mandar no partido.

         À noite, o PSB informou que Siqueira será substituído pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).  Também sai o coordenador de mobilização e articulação, Milton Coelho, que deixará, segundo informou,  o posto na campanha.

         Dada a importância da coordenação geral, é de todo o interesse que quem dela esteja encarregado reflita a posição da candidata. Faltou serenidade a Siqueira, inclusive por tratar Marina como “hospedeira” da sigla.

         Nesse sentido, a deputada federal Erundina, pelo que já demonstrou, semelha a pessoa adequada para incumbir-se da tarefa.  Marina, Beto Albuquerque, candidato a vice, e o presidente do partido, Roberto Amaral minimizaram o episódio envolvendo Siqueira, afirmando que o importante é manter o legado de Campos, e que o PSB e o grupo de Marina, organizado em torno da Rede Sustentabilidade, estão unidos.

          Segundo O Globo, a saída de Siqueira refletiu na verdade, como o referiram dirigentes do PSB, o ato final de longo processo de desgastes entre o coordenador e a cúpula da Rede. Enquanto Eduardo estava vivo, os conflitos foram sempre esvaziados por ele. Com a morte do presidenciável e a tensão dos dias subsequentes, Siqueira terá explodido emocionalmente.

             A cúpula do PSB, conforme expressou Beto Albuquerque, preferiu minimizar a desinteligência. O candidato a vice-presidente sublinhou que “o que está em jogo é muito maior que um fato ou outro, uma ou outra pessoa. O que está em jogo é mudar o Brasil.”

              Segundo  anuncia Maria Alice Setubal, a Neca, coordenadora do programa de governo de Marina, ela  abraçou compromisso assumido por Eduardo Campos, quanto à autonomia do Banco Central. Reafirmará, portanto, os compromissos de Eduardo quanto a conceder autonomia formal, por lei, ao Banco Central. Já cresceram, por conta de tais compromissos,  as ofertas de doações.

             Embora não fosse intenção sua,  Marina sinalizou este empenho, que constava do programa de seu companheiro de chapa.  Junto com o compromisso de inflação baixa. Consoante Neca, a meta de inflação no governo de Marina ficará em 4,5%, mas será perseguida uma política que permita atingir 3% a partir de 2019.

              Maria Alice Setubal prevê que ao longo da campanha, mais economistas ‘estarão se aproximando’ e terão mais perfil de “operadores”  do  mercado. No seu entender, tal servirá para compensar a característica mais acadêmica da maioria dos atuais conselheiros.  

              Com a saída de Siqueira e de outros dois coordenadores vindos do PSB, o provável é que o pessoal mais chegado à Marina, da Rede Sustentabilidade, tenha mais presença no entorno da candidata. Nesse contexto, o assessor de maior relevância é o Deputado Walter Feldman.

              Maria Alice Setúbal faz parte do círculo mais estreito de assessores. A sua responsabilidade se centra na área econômico-financeira. Segundo confidencia, conversa com a candidata “quase todo dia”. Nesse contexto, Neca, herdeira do Itaú,  o programa econômico-financeiro de Marina “destaca fortemente a reforma tributária, a muito grande responsabilidade fiscal, de que Eduardo falava, e será mantida por Marina".

             A análise da assessora econômica de Marina é assaz crítica quanto a Dilma Rousseff : “Hoje temos uma presidente cujo perfil é de gestão, pragmático, racional. Talvez o oposto de Marina. E o resultado que nós temos é bastante insatisfatório. Toda essa fala da Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos. O mercado visualizando as pessoas que estão ao lado (de Marina) vai ter muito mais segurança. Ela já tem vários economistas. Terá outras, mais operadoras.”

              Instada a apontar onde errou o Governo Dilma, a coordenadora do programa econômico-financeiro de Marina Silva, afirmou: “O principal problema do governo Dilma é a questão política. Ela tem uma incapacidade de ouvir. Tem discurso absolutamente racional, de uma gerente, gestora. É bom ser gestora, mas tem que ter liderança. Acho que ela não tem essa capacidade política. Ela desagrega. (...) Acho que a Dilma reproduz uma liderança masculina. A Dilma é aquela pessoa dura, que bate na mesa, que briga, que fala que ‘eu vou fazer, eu vou acontecer, eu sei!’ Isso é, no estereótipo  do coronelismo brasileiro, do político tradicional que vai resolver tudo sozinho.”     



( Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo )                

Dilma e o Fator Petrobrás

        
                                       
        Como paradigma de obra inacabada, Lula e Dilma promoveram visita aos trabalhos  de transposição do rio São Francisco. O óbvio propósito é de tentar passar o quadro de que tudo procede conforme programado.  A declaração de Dilma de que tais demoras são fatos correntes nos grandes empreendimentos de engenharia me fez lembrar que, na construção da nova capital, Juscelino Kubitschek, enfrentando dificuldades muito superiores às dos trabalhos de transposição do grande rio, logrou terminá-las em seu mandato.

        Por outro lado, a exposição de Lula com a Presidenta – que deve o posto, enquanto primeiro poste, a Nosso Guia – mostrou que os efeitos no público podem ser constrangedores. Foi o que ocorreu com os operários desta mega obra, eis que os aplausos ao ex-presidente e os gritos de Lula, Lula abafaram quaisquer manifestações dirigidas à sua pupila, candidata à reeleição.
        A revelação feita por O Globo – e já referida neste blog – de que Graça Foster, Presidente da Petrobrás, e o ex-diretor Nestor Cerveró doaram imóveis a filhos, no contexto do já público escândalo da compra da refinaria de Pasadena, aconselha no mínimo cautela aos ministros do Tribunal de Contas da União, se desejarem atender às palavras e a atuação dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União).

        Na verdade, Dilma, no seu apoio à amiga Graça Foster, chega a defender o direito de pressionar o TCU. A vinda a público da doação de propriedades por Graça e Cerveró a filhos, se confirmada a dissimulação de bens, no ato de transferi-los a terceiros, pode levar o TCU a determinar que a Advocacia Geral da União (AGU) adote medidas judiciais para anular esse tipo de transação.
        A medida em apreço precisa fazer parte de um acórdão, por sugestão do ministro relator, de qualquer outro  Ministro ou do próprio Ministério Público junto ao TCU. Aprovada a medida, a AGU teria de recorrer à Justiça para pedir a anulação.

         Diante das revelações, é de supor-se que os ministros do TCU revejam a sua posição, e acompanhem o presidente Augusto Nardes, que considera graves os fatos vindos à luz. Também o relator, Ministro José Jorge,  prometeu colocar a questão do bloqueio de bens de Graça em votação já na próxima quarta-feira.
         Por outro lado, a Presidente Dilma Rousseff, no afã de defender a amiga Graça, tenta atacar a oposição pela suposta circunstância de usar a Petrobrás “como arma política”.

         Talvez em meio ao nevoeiro das alturas do poder,  a Presidenta não veja problema em que ministros de seu Governo tenham feito pressão sobre o Tribunal de Contas da União para evitar o bloqueio dos bens de Graça Foster.  Nesse sentido, Dilma defendeu os auxiliares: “É de todo interesse da União defender a Petrobrás”.
          A pergunta que se coloca é de como essa defesa da Petrobrás seria implementada, se Graça e Cerveró repassaram os respectivos bens aos herdeiros? É por isso que o Presidente Nardes (TCU) pediu as certidões respectivas aos cartórios, para avaliar se houve  dissimulação de patrimônio.               

           Diante disso tudo, a política continua a ser uma caixa de surpresas. Quem poderia prever que Dilma e Lula – que por ideologia e coerência política – deveriam ser defensores do patrimônio da Petrobrás – e de sua solidez econômico-financeira – mais parecem inimigos de carteirinha do grande legado de Getúlio Vargas. Volto a dizer que me surpreende ver o tratamento dispensado por Dilma à maior empresa do patrimônio público nacional, que hoje e ontem vem sofrendo maus tratos nunca antes padecidos dos supostos  neoliberais da anterior Administração tucana...

 

( Fontes:  O  Globo,  Site do Globo )

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Pinga Fogo

                                                   

Novo escândalo na Petrobrás

 

               Graça Foster, a presidente, e o ex-diretor Nestor Cerveró doaram três imóveis cada aos filhos depois da divulgação do escândalo de Pasadena.  Para o Ministro José Jorge, o relator do processo no Tribunal de Contas da União, a denúncia da reportagem divulgado pelo site de O Globo é gravíssima, porque configura tentativa de burlar a investigação. Tanto a Petrobrás, quanto o advogado de Cerveró negaram que o objetivo tenha sido dissimular patrimônio.

                Continuando na dílmica missão de manter Graça Foster como presidente da Petrobrás, o Advogado-Geral da União, Luis Inacio Adams, disse que a notícia da doação divulgada por O Globo não altera os argumentos apresentados por ele no TCU há duas semanas e afirmou ter certeza de que Graça e demais diretores  poderão esclarecer tudo “com tranquilidade”.
 

Da prisão pede votos para Garotinho

 

                 O ex-delegado Álvaro Lins, condenado a 28 anos de cadeia por comandar quadrilha quando chefiava a polícia civil nos governos Garotinho e Rosinha, através de celular pediu votos para o ex-governador.

                  Na sua fala no RJ-TV, o candidato Anthony Garotinho afiançou haver iniciado investigações contra Álvaro Lins. Por falta de provas, segundo asseverou, Garotinho não o afastou do cargo.

                  Por enquanto, Garotinho vem liderando as pesquisas para governador. Há preocupação quanto aos efeitos de um governo Garotinho sobre o trabalho do Secretário José Mariano Beltrame e as UPPs.

         


Próxima cassação do ex-petista André Vargas ?     

 

                 A despeito do discurso do Deputado André Vargas (ex-PT), que  virou sem partido por causa do escândalo de seu envolvimento na Operação Lava-Jato, a sua próxima cassação, por voto aberto na Câmara, parece inevitável e iminente.

                 A operação Lava-Jato, da Polícia Federal - em que o peixão na rede era o doleiro Alberto Yousseff – comprometeu o deputado, que antes se ‘distinguira’ por um punho cerrado ao lado do então Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. 

                O Conselho de Ética da Câmara, com o voto favorável de onze conselheiros, aprovou a cassação, que deverá ir agora a plenário.

                Com o voto ostensivo de Suas Excelências – agora constante do regimento, em consequência do movimento do passe-livre, de junho de 2013 – está escrita na parede, com a clareza do Menetekel, a sua próxima e inelutável cassação.

 

Marina e a Rede

 

                  O colunista Merval Pereira, sempre atento a ascultar as motivações da política,  começa o seu comentário de forma taxativa: “Marina Silva está acreditando que já é um fenômeno eleitoral e dispensa apoios de indesejáveis”.  No entanto, o colunista pondera que Eduardo Campos – que também escolhera trilhar esse caminho – tinha selecionado “a dedo os seus indesejáveis: Renan Calheiros, José Sarney, Fernando Collor.”

                  Consoante o imortal Merval, “Marina adicionou à lista o PSDB e o PT, firmando assim uma imagem de terceira via pela confrontação e não pela negociação.”

                  Será ? Entrementes, O Globo noticia em primeira página que “Marina toma rédeas da campanha”.  “A ex-senadora Marina Silva conseguiu impor suas condições ao PSB e foi anunciada ontem candidata à Presidência.”  Dentre as exigências aceitas, a de não subir em palanques de candidatos a governos estaduais, com os quais não tem afinidade, como Alckmin (PSDB) em SP”  e  Lindberg Farias (PT), no Rio.

                  Por fim, o site de hoje à tarde de  O Globo estampa em manchete:  ‘Carlos Siqueira saíu da posição de Coordenador da Campanha dizendo “Ela que vá mandar na Rede dela”’.    

 

A Polícia Federal intima Serra a Depor

 

              A Polícia Federal intimou o ex-governador José Serra e candidato ao Senado pelo  PSDB, para depor  sobre os contatos que manteve com empresas do cartel de trens que atuou no Estado entre 1998 e 2008, de acordo com documento obtido pela Folha.

             Provocou espécie a referida intimação, de  que o ex-candidato a Presidente da República, por intermédio de sua assessoria  suspeita de motivação política: “estranha muito a inclusão  do nome dele nesse inquérito  às  vésperas  da eleição, sobretudo depois que o Ministério Público Estadual e  até o Procurador Geral de Justiça arquivaram a mesma investigação. Nesse sentido,o procurador  ‘reconheceu que Serra atuou de maneira a evitar qualquer cartel quando esteve no Governo’. Por tal razão, prossegue a nota “ o vazamento desse inquérito em período eleitoral revela motivação política para produzir artificialmente uma notícia”. Nesse contexto,  Serra afirma que não sabia do motivo da intimação da PF até ser procurado pela Folha de S. Paulo.

 

(Fontes: O Globo, Site de O Globo, Folha de S. Paulo)

Barbárie

                                                
 
           É difícil definir de outro modo a decapitação do jornalista americano James Foley, mostrada em vídeo da milícia do Estado Islâmico  (ISIS).
           O Presidente Barack Obama, ao confirmar a morte de James Foley por essa milícia radical disse que os governos do Oriente Médio devem fazer esforço comum para “extrair o câncer” representado pela facção, “antes que ele se espalhe”.

           Ainda segundo Obama, todo o mundo ficou ‘aterrorizado’ com a brutalidade do assassinato de Foley, que foi decapitado diante de uma câmera. 

           “Uma coisa em que todos concordamos é que não há espaço para um grupo como o ISIS  no século XXI”.

           Não me passa pela cabeça justificar essa ignomínia. Desde muito – quase dois anos – era acompanhada a situação do jornalista americano. Foley havia sido sequestrado desde novembro de 2012, com a radicalização da guerra civil na Síria, que surgiu por uma conjunção de fatores: o continuado apoio da Rússia ao ditador Bashar al-Assad (por motivos estratégicos, i.e., a base naval em porto de águas quentes no Mediterrâneo oriental), de países de fé xiita (Irã e o Iraque de al-Maliki), e da milícia Hezbollah, de Nasrallah, com base no Líbano.

            Do lado contrário, o governo revolucionário reconhecido pela Liga Árabe não dispôs de apoio equivalente. Assim, a frente ‘moderada’, se teve o suporte dos governos sunitas da Arábia Saudita, do Qatar e da própria Turquia, esse auxílio às forças insurgentes contra al-Assad não teve o peso equivalente àquele fornecido  pelos aliados do governo sírio. 

            Além disso, surgiu um complicador na guerra civil síria. Repontou como elemento desagregador a facção da chamada al Nusra, que é a versão transplantada da conhecida al-Qaida, com a sua versão extremista da ala majoritária do Islã, i.e. a via sunita.  

            Infelizmente, nessa encruzilhada de uma longa guerra, malgrado as indicações de que a ditadura alauíta (seita minoritária e sincrética do xiismo) já dava amplos sinais de adentrar o bulevar do crepúsculo, o Presidente Barack Obama resolveu recusar o conselho de seus então quatro principais assessores em segurança e relações exteriores[1] de armar a Liga Rebelde, de forma que tivesse condições de enfrentar Bashar al-Assad.

            Não há negar que, sob um determinado ponto de vista, a decisão presidencial objetivava evitar o eventual repontar de uma ulterior radicalização na guerra civil síria. O 44° Presidente tinha muito presente o perigo de perenização do conflito, como ocorreu no Afeganistão. Todavia, como no caso de outras boas intenções, não se poderia dizer que o decorrente enfraquecimento da Liga Rebelde tenha sido  um resultado benfazejo não só para a Síria, senão para a comunidade internacional.

            Houve, em consequência,  um reforço dos extremos e a resultante debilitação da Liga, que constituía a principal adversária da ditadura de al-Assad. Esta, por seu lado, não recuou diante de qualquer meio no sentido de debilitar a frente revolucionária. Chegou mesmo a valer-se de recursos mais do que questionáveis, como a negação à população em territórios sob controle da Liga de vacinas e medicamentos contra a poliomielite. Existem nesse sentido – consoante documentado por artigo em The New York Review of Books - acusações ainda mais graves no que tange a órgão internacional que deveria cuidar do mandato de evitar a todo preço eventual ressurgência de tal flagelo.

              Não foi por isso por acaso que o ditador Bashar al-Assad pôde encenar a sua reeleição, dada a mudança no terreno que, no mínimo, conduziu à reversão na sorte da guerra.  Se antes se discutia acerca das sombrias alternativas abertas para o presidente sírio – ou o Tribunal Penal Internacional ou algum refúgio sob  bandeira que não reconheça o poder supranacional do foro da Haia – o consequente enfraquecimento da Liga Rebelde diante da retomada – que tem ares de estratégica – da capacidade bélica do regime de  Damasco, reabriu na prática o inferno de uma guerra que dá a impressão de encaminhar-se para um final que não aparenta ser em nada conforme às expectativas dos primeiros e pacíficos  manifestantes na Síria.

                E é aí que se insere a sorte madrasta do pobre repórter sacrificado pela milícia radical do Estado Islâmico. Profissionais corajosos, que não medem riscos, sempre os haverá. O século XX, com o seu baú de dissídios, conflitos, guerras civis e planetárias matanças, nos traz o exemplo de Robert Capa, o do instantâneo famoso do miliciano espanhol que tomba para a morte.

               O infeliz James Foley, cujo arriscado mister alimentava a agência France Presse e o site americano ‘Global Post’, era um veterano profissional que condicionara a própria sorte ao fio da navalha de regimes tão brutais, quanto imprevisíveis. Colecionava cativeiros, eis que trabalhou na Líbia de Muammar Kaddafi, bem como no Iraque e Afeganistão.

               Foley aliava a bravura à  simpatia, e terá acreditado que, com o seu destemor e a disposição de retratar esse peculiar mundo da rebeldia, teria o invisível salvo-conduto para que atravessasse o mundo do radicalismo islâmico.

               Como se recorda, não será o primeiro a ser decapitado. Daniel Pearl teve a cabeça decepada pelos paquistaneses da Al-Qaida, em 2002.

               Segundo a descrição da jornalista Clare Gillis, Foley era pessoa fácil de lidar. É aí que mora o perigo. A boa vontade, a simplicidade e a coragem não são documentos suficientes para proteger esses profissionais. Para os militantes do ISIS – como para outros radicais – os repórteres seriam espiões de um poder maior.

               O que esses profissionais, na sua intrepidez, esquecem é que ao ingressar nas terras sob o domínio dessas facções radicais, eles na verdade adentram um mundo afastado no tempo do Ocidente e do público a que a própria coragem visa trazer matéria de leitura.

               Melhor colocar-se sob o império das hordas muçulmanas que irromperam da Arabia Felix. A menos de uma conversão súbita, sob a sombra da cimitarra, a visão dos exércitos do profeta não conhecia qualquer tolerância. E ai daqueles que pensavam valer-se dos argumentos da palavra.

               Para entendê-los melhor  - e, por conseguinte, evitar contatos, que, como se vê, são tão perigosos quanto fatais -  valeria uma leitura até mesmo da versão abreviada de Um Estudo da História, de Arnold Toynbee. Pena que esteja fora de moda.

 

 

(Fontes:  Folha de S. Paulo, The New York Review of Books, A Study of History,de A.Toynbee)




[1] Hillary Clinton (Departamento de Estado), Leon Panetta (Departamento da Defesa), general David Petreus( CIA), e general Martin Dempsey (Estado Maior das Forças Armadas)_

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Picadinho à Brasileira

                                               

Horário Eleitoral

 

         Começou ontem o horário eleitoral, com Aécio Neves criticando Dilma Rousseff e poupando o governo Lula, a Presidenta fazendo macarronada, e o programa do PSB, com declarações do candidato falecido Eduardo Campos. Espera-se que, com a designação do Vice Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, a situação da candidatura Marina permita a entrada na campanha, tanto na tevê, quanto nos palanques com a possível brevidade.

         Adotando outro tom que o do Vice-presidente Roberto Amaral, Beto Albuquerque – que tem o aval da viúva e de aliados de Campos em Pernambuco – afirmou que não será necessária ‘carta-compromisso’ de Marina para assegurar que serão mantidos os projetos defendidos por Campos e as alianças estaduais.

          Nesse sentido, para o candidato a vice, o programa de governo já será suficiente.

          A reunião da Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro se realizará hoje e assim se preencherá a exigência da Justiça Eleitoral quanto à designação da nova chapa, tornada necessária pelo desaparecimento do governador Eduardo Campos.     

          Além dos presidenciaveis, que iniciam a campanha pelo chamado horário eleitoral gratuito, o telespectador teve também a oportunidade de reencontrar  o nível habitual nos campos das candidaturas legislativas, com os previsíveis resultados no Ibope.

 

 

Debate da tv Bandeirantes  para Governador do Rio

 

 

             Como seria previsível, o governador em exercício, Luiz Fernando Pezão (PMDB)  foi objeto de críticas dos demais candidatos.

              Garotinho (PR), que, por ora lidera as pesquisas, bateu na tecla da crítica ao governador em função. Segundo ele, o “governo (Pezão) está praticando o maior processo de terceirização e privatização do estado de todos os tempos”.

               A respeito de outra crítica de Garotinho – que questionou  Pezão sobre processos abertos no Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Controladoria –Geral da União, por conta de verbas do governo federal que, supostamente, não teriam sido aplicadas para “fazer casas, encostas e pagar aluguel  social”, replicou Pezão que foi “o primeiro a chegar depois do Corpo de Bombeiros. Estamos fazendo 1.300 residências. Fizemos 1900 indenizações, Fizemos mais de 60 encostas. Não tenho processo no TCU. Não me arrependo de nada do que fiz na Serra.” Mais adiante, retorquiu o Governador Pezão: “Engraçado você, Garotinho, ter falado de processo, logo você, um homem com um histórico cheio de processos no Tribunal Regional Eleitoral.”

        Por sua vez, também Lindbergh Farias (PT) – que é o último dos candidatos do primeiro pelotão (Garotinho, Crivella, Pezão e Lindbergh) – fez o seguinte ataque a Garotinho: “Queria me dirigir ao Garotinho, que governou Campos por vários mandatos, cidade que recebe mais de R$ 1 bilhão de royalties por ano. E Campos está em último lugar no Ideb (índice de desenvolvimento) na região Sudeste. Eu me envergonharia desses números”.

        A par disso, o candidato  Marcelo Crivella  (PRB) afirmou que “a segurança chegou ao ponto de um completo descalabro. É preciso aumentar contingentes, é preciso treinar esses homens e ter uma corregedoria.” Nesse contexto, Crivella tem batido bastante na tecla da segurança. No entanto, nem sempre de maneira feliz, como no tropeço dos desempregados na baixada que vão assaltar na cidade do Rio, o que terá causado a sua súbita queda nas pesquisas.

              Quanto ao Metrô, é de assinalar-se a intervenção de Tarcísio Motta do PSOL: “A questão é que o atual governo fez uma gambiarra na Linha 1 do Metrô, criou um desvio. Se já era um metrô que não trabalhava em rede, fizeram com que virasse um metrô tripa”.

              Com efeito, por influência da Administração Sérgio Cabral acentuou-se o desenvolvimento em linha do metrô, que não é o adequado, como os grandes metrôs da Europa e Estados Unidos o demonstram amplamente.

              É necessário tornar a rede do metrô realmente uma rede e não um metrô-tripa, como é atualmente, na frase de Tarcísio Motta.

 

 

Tortura de Miriam Leitão

 

 

              Miriam Leitão, que admiramos pelas suas judiciosas avaliações econômico-financeiras em sua coluna de O Globo – e que foi objeto há pouco da baixaria de um ataque (até hoje não devidamente esclarecido) no seu perfil na Wikepedia – volta ao noticiário com a divulgação de pesada tortura sofrida no regime militar, no final de 1972.

             Então militante do PCdoB, Miriam foi presa em Vitória, Espirito Santo, no final de l972.

             Além de espancamentos, simulações de fuzilamento e ameaças de estupro, Miriam Leitão foi torturada com cães pastores alemães e uma cobra jibóia. 

             O sadismo de submeter a jovem estudante, então grávida de seu primeiro filho, a ficar em uma cela às escuras, nua, e na companhia de uma jiboia, chega a desafiar a imaginação, pelo sadismo cruel que o move, e pela provação que vai muito além de uma tortura. 

             É importante que esses episódios venham à luz, para que a posteridade conheça esses inauditos sacrifícios a que foram submetidos pessoas de todas as idades, com a ênfase nos jovens.

            Manter-se uma jovem em câmara escura na cercania de uma jiboia, que ela sequer podia enxergar, é provação indizível. Sua perversidade em levar  ser humano aos extremos da insegurança por um perigo que cresce no soez embrulho das trevas vai muito além na criação do pavor de o que imaginar se possa em termos de tensão emocional e do temor de uma ameaça próxima - que a despeito de conhecida - se transforma em verdadeira antecâmara da loucura, pela impossibilidade de localizá-la no espaço, ainda que próximo.

            Em longo depoimento dado ao jornalista Luiz Cláudio Cunha, e divulgado no portal “Observatório da Imprensa”, Miriam detalhou o que sofreu no quartel capixaba, cujo chefe de torturadores tinha o codinome de Pablo, o mesmo adotado pelo tenente-coronel Paulo Malhães, morto em abril último.

           

 

(Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo )