quarta-feira, 7 de agosto de 2019

STF rejeita extradição de turco ligado ao Hizmet


                        
                Por unanimidade, a Segunda Turma do STF negou a seis de agosto corrente pedido do governo do Presidente Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, de extradição de Ali Sipahi, empresário turco naturalizado brasileiro, que é acusado  de pertencer ao Movimento Hizmet.
            
                     Como é público e notório, o Hizmet não é o movimento terrorista que apregoa o ditador Erdogan.O asilo concedido pelos Estados Unidos, em Poconos  na Pennsylvania, seria de resto impensável se o Hizmet, e seu líder. Fethullah Gülen, pregasse e seguisse princípios que se aproximassem do terrorismo que hoje lhe atribui o presidente da Turquia, notadamente depois da tentativa de golpe contra a ditadura de Erdogan, em 2016, que partira de vários extratos, inclusive militares, da sociedade turca, crescentemente descontentes com a repressão da ditadura, assim como a perseguição a todo aquele que é suspeito de opor-se ao corrupto regime de Erdogan.
             
                 Surpreende decerto a prisão do brasileiro naturalizado Ali Sipahi, e em especial, as iniciais medidas de precaução contra esse brasileiro, que foram tomados pelas autoridades judiciárias,  que, por acreditarem nas patranhas do governo turco, consentiram a princípio em condições relativamente duras para a detenção de Ali Sipahi. Agora, com a maior divulgação devida ao julgamento de que é na realidade o Hizmet, as patranhas de Erdogan não mais deverão ter curso no Brasil, como o tiveram a princípio.

( Fonte: O Estado de S.Paulo )

O preconceituoso em chefe


                    

             Por uma série de razões que creio não valha a pena aprofundar, me abstive por uns tempos de ler The New York Times por meio da internet. Antigamente, era possível perlustrar esse grande jornal estadunidense - decerto o maior dos EUA- através da assinatura do Herald Tribune, que era, por assim dizer, um resumo do Times.
                 O 'progresso' - se o leitor me permite as aspas - tornou isso na prática inviável. Entre o papel e a tela, por mais que o contradigam, há uma grande e inaferrável diferença. Se me concederem o recurso à ironia. as tentativas do fac-simile acabariam superadas. Por isso, para conviver com a distância, alguma concessão deve ser feita.

                   Mas voltemos ao nosso tema principal. Os jornais constituem um espelho da sociedade. Por vezes, no entanto, quando um fenômeno começa a acenar tornar-se insuportável - como é o caso agora - o acirramento dos ânimos cresce em decibéis, e a exemplo de alguém de fora que, de repente, se precata que se principia a falar alto demais, lhe sobrevém no rosto e nos olhos, em especial, uma espécie de constrição, como se o personagem está - ou a falar alto demais - ou a dizer coisas e juízos, que tendam progressivamente a soar de forma que vai aos poucos se acercando de uma postura agressiva e estridente, no que se aproxima rápido ou do descontrole, ou de opiniões que não mais pareçam comparar-se com atitudes de um passado relativamente próximo.
                     Em metafórica discussão entre leitor e as colunas de jornal que lhes são transmitidas através da nuvem das comunicações vem-se tornando marcada e sensível a diferença e, sobretudo, a distância entre o que separa a principal autoridade americana e o que deveria ser o seu público.
                       Distingue-se através do éter que não há, em grande parte desse público e a autoridade presidencial um discurso se possa se considerar comum, ou que tenda a ser intuído como decorrente de premissas similares. E, sem embargo, quando o morador da Casa Branca se dirige ao Povo, valendo-se das metáforas de conexão  que torna tal comunicação possível dentro de seu sentido mais lato - o que se é de presumir será que tal discurso esteja sintonizado no que tange em geral às  ideias e sensações várias da opinião pública estadunidense, e de suas tradições em termos de costumes políticos.

                        Desperta por conseguinte mais do que a sensação de absorção e compreensão, e sim a contraparte, em reação marcada por juízos que vão num crescendo de desconforto à medida que a resposta da sociedade tenda a esgarçar-se sempre mais, enquanto a coletividade americana se dá conta da crescente dissonância em termos de atitudes e de reações numa escala de respostas  que se vai desfibrilando de forma progressiva,em o que se reflete crescente impossibilidade de consonância, o que para muitos comprovaria a virtual incapacidade de a liderança poder vir a refletir um senso comum, ou pelo menos aglutinador, que corresponda ao sentir generalizado não da malta, ou de sua faixa externa e extremada,  mas de uma postura que possa ser comparável a outros momentos históricos da coletividade americana, em que a liderança representada pela Casa Branca expressa juízo sobre uma realidade determinada que não pode ser confundido com outras reações comunitárias, eis que a interpretação dada pela chefia proporciona à sociedade uma resposta coerente e conforme à realidade de prática democrática nacional, e não uma eventual dissonância que só aglutine interpretações radicais que, uma vez enfeixadas, mais se afastam do sentir comum diante da crise, e das eventuais respostas, que tenderiam a ser aceitas por uma coalizão pública crescentemente majoritária.

( Fonte: The New York Times )

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Continuismo Sul-Americano


                                   
          O  presidente da Bolívia, Evo Morales, do Movimento ao Socialismo,  segundo levantamento dos jornais Pagina Siete e Los Tiempos, lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições gerais de outubro vindouro, no que é seguido pelo opositor Carlos Mesa.

              Dessarte, 35% dos entrevistados apoiam Evo Morales, que está por findar o terceiro mandato presidencial, enquanto 27%  seguem o ex-presidente Mesa, da Comunidade Cidadã.

               Assinale-se que Evo Morales tentará o quarto mandato.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Hong Kong : os protestos continuam


                 
As manifestações na antiga colônia britânica não acenam um fim próximo. Os protestos surgiram depois da proposta de Carrie Lam,a novel governadora, de um projeto de lei para permitir que os habitantes da cidade fosse extraditados para julgamento na China continental. Ao associar-se a tal medida, Carrie Lam atingia de forma brutal o  que a antiga colônia inglesa mantivera até então, em que se marcava o espírito de relativa autonomia de  Hong Kong. Ao quebrar, na prática, esse encanto, a governadora se dissociava da atmosfera que envolvera a passagem da soberania na transição do século. Para os habitantes foi demasiado brutal, margeando o cinismo, o intento, de para todos os efeitos, tornar a cidade costeira mera burocrática extensão da China Continental, como se os compromissos da sua recente passagem nada mais fossem de que simples palavras de ocasião.

( Fonte subsidiária: O Estado de S. Paulo )

domingo, 4 de agosto de 2019

Faixa de Gaza: espelho da crise palestina


                        
     A faixa de Gaza, ou o Inferno de Gaza, é um problema não só dos árabes-palestinos, mas também de Israel. Comprimidos naquele espaço, que já foi objeto da escrita de Aldous Huxley, continua a incomodar muita gente, entre os judeus que florescem em Israel, os árabes que os cercam, e que em relação de ódio e amor, se debatem enquanto contemplam o tempo que passa - e não necessariamente como antes se imaginara a seu próprio gáudio e favor.

        E sem embargo, a despeito da olímpica indiferença  da diplomacia estadunidense atual, o Inferno de Gaza constitui um problema que só acena ser resolvido nas tristes sendas do exílio, vale dizer o arrocho psicológico de um longo cerco sem sentido, é uma besta-fera, que após as suicidas demonstrações da gente de Gaza diante das portas de quem lhes cerra o caminho, só conceberia ser saciada por um visto para o exterior árabe-próximo, na busca incerta de emprego em terras muçulmanas, que pelo cruel peso demográfico de um povo a quem se nega o futuro, o presente muita vez há de consumir-se em esperanças vãs, em que as realidades sociais no chamado Oriente próximo  constituem na verdade um jogo sádico, no qual uma mescla de fatores se conjuga para empurrar a gente de Gaza   a reeditar no estrangeiro-próximo o mesmo silencioso desastre que lhes está cruelmente prometido na sua própria terra, a qual por um conjunção de fatores continua a aferrar-se nesse não-metafísico Inferno, de que nos escreve Aldous Huxley.

(a continuar)


( Fontes: Eyeless in Gaza; Estado de S.Paulo )               

Nova Praia no Leblon


                                  

          A última ressaca - e nesse ano borrascoso não as tem faltado - fez surgir na altura do mirante do Leblon, junto às rochas, uma nesga de praia, com as suas brancas areias que o mar revolto trouxe para o carioca.
             Para o corrente fim de semana, haveria outra ressaca. Dela depende a permanência daquele precário espaço, de areias de cor marfim esmaecido, a que o carioca saudou com o entusiasmo devido aos dons de Mãe-natureza.

             Se anunciam para breve outras rebordosas no mar, e não está escrito que essa inesperada dádiva  vá permanecer por muito.
              A mentalidade do carioca é de fruir desse inesperado espaço que trouxe o inquieto mar que lá brinca de chocar-se contra as nuas rochas, que, ao parecer, sequer toleram a coleante ciclovia.

              Quanto tempo vá durar essa praínha, é aposta arriscada, com o mar-oceano que brame na noite, e de  que os eventuais usuários podem valer-se, a leur risque et péril, em descendo pelas negras, corrugadas e velhas rochas, até o regaço das alvas areias que, qual dom do Atlântico, podem partir tão de repente quanto surgiram.

( Fonte:  O Globo )

sábado, 3 de agosto de 2019

Funcionários se juntam a manifestantes


                        

        Por primeira vez, desde o início dos protestos em Hong Kong, funcionários públicos se juntaram aos manifestantes, que pedem a saída da governadora do território Carrie Lam. 

          Como se sabe, até o presente nenhum servidor do território aderira às manifestações pela saída da governadora. Com a adesão desses funcionários à multidão de manifestantes, há forte impressão de que a posição de Carrie Lam, hostilizada por haver aceito a extradição de moradores de Hong Kong para a China Continental, fique ainda mais enfraquecida.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )