O ministério de Bolsonaro com sete ministros a
mais do que o prometido na campanha eleitoral - seriam quinze - terá 22, dos quais sete militares.
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
López Obrador quer cortar remuneração da Magistratura
No
México, em que a corrupção reina, o presidente López Obrador constitui força
ética e renovadora. Ao tomar posse, por ordem sua, a própria remuneração foi
cortada em 40%, e fixada em 108 mil
pesos mexicanos (R$ 20,4 mil). No momento, o presidente da Suprema Corte de
Justiça ganha o equivalente a R$ 67.500,00 por mês.
Foi
encetada uma batalha com o Judiciário, em que foram protocoladas ações de
amparo (processos excepcionais, que impugnam normas gerais sob o argumento de
que violam direitos humanos, e que se assemelham ao nosso mandado de segurança).
O
Presidente López Obrador e o seu partido - com maioria absoluta na Câmara
e no Senado - têm a força legislativa. Ele tem também a força ética e moral,
atendido o seu grande prestígio político, que decorre do próprio exemplo de
honestidade e retidão, mantidas durante a sua longa carreira política.
É
de certo um exemplo a ser seguido, e não só em terra mexicana.
(
Fonte: O Globo )
Uruguai nega asilo a Alan García
O governo uruguaio do Presidente
Tabaré Vázquez negou asilo político ao ex-presidente do Peru Alan García. Com
isso, Montevidéu deixou claro que não aderiu à teoria de perseguição política
levantada pelo ex-presidente Garcia, que é acusado de haver recebido propina da
Odebrecht
- ulterior mancha na empresa brasileira que acreditou factível transferir as
práticas do regime petista de Lula e Dilma para a América do Sul, com o
consequente mal à imagem da política brasileira no subcontinente - e constitui
alvo de investigações judiciais em seu país.
Nesse sentido, a situação do ex-chefe
de Estado poderia complicar-se ainda mais, se for fechado, como se espera para
as próximas semanas, um acordo de cooperação entre a aludida Odebrecht e o Peru, nos moldes de outros já selados pela companhia com países
como Panamá e República Dominicana.
Se de início se pensara possível que
o asilo fosse concedido, as pressões sobre a presidência, tanto por parte do
governo do Peru, quanto de setor majoritário da governista Frente Ampla uruguaia (no poder desde 2005), foram grandes, e por
isso, Tabaré, apesar de amigo de García, optou por privilegiar sua posição
interna política.
( Fonte: O Globo )
Vale a pena ajudar pária internacional ?
Se o seu barco está
afundando, manda o bom senso que você aceite auxílio de quem lhe oferece. Será
o caso da Venezuela de Nicolás
Maduro? Pelo menos, o parceiro da
operação já se configura quanto à Turquia de Recep Tayyip Erdogan.
Nesse sentido, o presidente turco
visitou ontem seu colega venezuelano, o ditador Maduro. Em Caracas, o homem forte da Turquia condenou as sanções
impostas pelos Estados Unidos à Venezuela e prometeu ajudar a "suprir a
maioria das necessidades" do país. Em reforço à própria argumentação
declarou: " Restrições comerciais e
sanções unilaterais são um erro. Não se pode castigar um povo inteiro para
resolver desacordos políticos",
disse ele, em encontro com empresários locais.
A Turquia, pelo visto, será a mais
recente tábua de salvação bolivariana contra a crise que pulveriza em boa parte
a economia venezuelana, depois que recursos chineses, russos e até uma
criptomoeda não foram bastante para conter a hiper-inflação, a grave penúria
alimentar e o êxodo de pelo menos três milhões de pessoas, a maior parte
buscando socorro na vizinha América Latina.
Como Caracas e o tròpego regime de
Maduro não são uma escolha natural para qualquer país interessado em
estabelecer parceria comercial, semelha importante indagar qual a motivação do
regime de Ancara em 'bancar' a trôpega
Venezuela.
De acordo com os dados do
Instituto de Estatísticas da Turquia, assinalam que a importação de produtos
venezuelanos disparou 1.357% nos seis primeiros meses de 2018, quando a Turquia comprou US$ 879,9 milhões
dos venezuelanos - e 93% desse valor equivale à importação de ouro.
Nesse sentido, declarou ao Estado
de S. Paulo Geoff Ramsey, do Washington
Office on Latin America
:"Sabemos que o governo tem apostado muito no ouro para se capitalizar,
mas é uma estratégia arriscada, porque obviamente a renda do ouro é muito menor
do que a do petróleo."
Nos primeiros nove meses de 2018,
a Turquia vendeu US$ 80 milhões em mercadorias para a Venezuela, em especial
farinha de trigo, macarrão, óleo de cozinha e produtos de higiene pessoal. Em 2017, as exportações ficaram em US$ 37
milhões. O problema é que, desde setembro de 2017, os Estados Unidos impedem
bancos que operam em território americano de fazer novos empréstimos à Venezuela.
Com o acesso ao sistema financeiro fechado, a PDVSA não consegue embarcar o petróleo vendido, uma vez que os
contratos e seguros são fechados em dólar com pagamentos que passam pelos Estados Unidos. Nesse sentido, "as
sanções limitaram a habilidade da Venezuela de se financiar e tiveram um grande
impacto na economia local", acrescentou Ramsey.
Diante disso, em relação à situação desde que
Nicolás Maduro haja assumido o poder (2013) a produção diária de petróleo
despencou em 50% e o preço do barril se
reduziu em 42,8%. Como o petróleo respondia por 95% das exportações, o
resultado foi brusca queda na entrada de recursos em moeda
forte.
Nesse sentido, a aliança entre
Venezuela e Turquia chamou a atenção de Washington. No começo deste mês, Trump emitiu novas sanções,
desta feita contra a venda de ouro
venezuelano. Segundo a consultoria , a renda obtida com o ouro
responde por dez por cento das exportações venezuelanas. O petróleo, por força do recuo da produção,
motivado por uma série de fatores, inclusive os gravames ao co mércio
internacional da Venezuela, caíu para 80%.
Como se pode verificar pelos
dados acima, as medidas financeiras adotadas pelo governo Trump tem sido
instrumentais em colocar de joelhos o regime de Maduro. Resta determinar se
este auxílio ora prestado pela Turquia, por motivos próprios, poderá ter alguma
influência na situação financeira da Venezuela. Nesse contexto, a declaração do
Presidente da Turquia poderia ou não aclarar um tanto o breu financeiro em que
se acha Caracas: "Restrições comerciais e sanções unilaterais são um erro.
Não se pode castigar um povo inteiro para resolver desacordos políticos."
(
Fonte: O Estado de S. Paulo )
domingo, 2 de dezembro de 2018
Theresa May e a Ameaça do Brexit
As
consequências da imprudência e outras
características do governo de Theresa May, no que tange à escolha do Brexit, vem sendo discutidas por um
grupo de especialistas britânicos.
Nesse sentido, técnicos familiarizados com os problemas envolvidos,
alertaram o público inglês quanto à
possibilidade de que a saída abrupta do Reino Unido da União Européia possa
interromper o fornecimento de alimentos em algumas regiões do país, e por conseguinte
tenderia a provocar "desordens sociais", consoante alertou na passada
sexta-feira, 30 de novembro, um grupo de pessoal com conhecimento da matéria.
A par disso, segundo
alertaram pesquisadores das universidades de Londres, Sussex e do Instituto de
Saúde Meio Ambiental, acentuando, a par disso, que o Brexit pode reduzir os padrões de qualidade da alimentação dos
britânicos e provocar grandes variações no preço desses alimentos.
Em carta às autoridades
locais, esse grupo sugeriu a formação de equipes para analisar o possível
impacto do Brexit nas respectivas
regiões.
Com o passar das
semanas, verifica-se que toda a ênfase do governo da Primeira Ministra se
concentrara no que fosse instrumental para a mais rápida passagem do Brexit de
maneira a que se transforme em realidade. A falta de bom senso, de prudência e
de simples entendimento quanto à necessidade de avaliar os inúmeros problemas
que essa brusca mudança nas relações da velha Inglaterra com a organização de
Bruxelas - e o próprio Continente
Europeu - terá seguido em grande parte a capacidade mental da Chefe do Governo,
o que não só se reflete no relativo menosprezo da avaliação da mudança de
atitude quanto ao real interesse e mesmo do largo protesto quanto ao Brexit
pelo Povo inglês (consoante demonstrado
por numerosas passeatas e outras grandes movimentações de súditos de Sua Majestade)
tem merecido uma atenção que beira a imprudência e a leviandade do gabinete da
senhora May.
Aliás, a Senhora Theresa May nesse aspecto não inova. Não é de
esquecer-se que toda esta questão e já a crise do Brexit se manifestara pela incrível falta de bom-senso e mesmo de
leviandade de seu antecessor direto, o Primeiro Ministro David Cameron, que
seja dito de paso, pela aprovação do Brexit pelo povo inglês e as desastrosas
consequências de decisão tão imprudente quão mal-avisada pelo absurdo problema que ele próprio criara, pelo
conjunto de seus erros e desnecessárias consequências, que de resto lhe atingiriam in persona,
eis que por tal motivo se viu obrigado a renunciar ao próprio cargo e pôr um
termo na sua não excessivamente brilhante carreira política.
Essa mesma
consequência, por óbvias razões, ronda a sucessora e hoje Senhora Primeiro
Ministro, se ela conseguir vencer a barreira que lhe coloca a oposição a tal
rematada imprudência no Parlamento de Westminster.
(
Fonte: O Estado de S. Paulo )
sábado, 1 de dezembro de 2018
Mais restritiva a atual proposta de indulto
A nova proposta de
Indulto Natalino, elaborada pelo Conselho Nacional de Politica Criminal e
Penitenciária, com vistas à formulação do Decreto presidencial de indulto
natalino de 2018 endurece as regras para que um condenado venha a obter o
perdão da pena que lhe foi cominada e, nesse sentido, veta o indulto a
corruptos.
A minuta em apreço, segundo divulga o Estado de São Paulo, acha-se com o
Governo Federal, e também prevê que o perdão só pode ser concedido a quem
houver cumprido um terço da pena, que
não pode ser superior a oito anos.
Nesse sentido, o Presidente Temer
ainda aguarda definição do Supremo Tribunal Federal sobre o indulto concedido
em 2017, que pode beneficiar presos da Lava
Jato e ainda está sob liminar do ministro Luis Roberto Barroso.
Anteontem, conforme informa
igualmente o Estadão, o julgamento da
liminar foi interrompido quando já havia maioria para derrubá-la.Com efeito, o
Supremo já tem maioria para derrubar a citada liminar, e manter, por conseguinte
o indulto de Temer de 2017, que admitia o perdão a condenados por crimes sem
violência - como corrupção - que houvessem cumprido um quinto da pena até 25 de
dezembro de 2017, ponto contestado pela Procuradoria-Geral da República e
suspenso por Barroso. Contudo, o julgamento foi interrompido anteontem após
pedido de vista do ministro Luiz Fux. Dessarte, as regras definidas por Temer
continuam suspensas até a retomada do julgamento.
Na proposta do corrente ano, além
de vedar o benefício a condenados por corrupção, há a previsão de que o perdão
só pode ser concedido a quem tiver cumprido um terço da pena e sob condição de
a condenação não ser superior a oito anos.
Cotejando a proposta do próprio
conselho de 2017, verifica-se que o texto deste ano também amplia a lista de
crimes pelos quais não pode haver o indulto, passando a incluir aqueles cometidos
contra agentes de segurança, o estupro a vulnerável e o homicídio culposo em
acidente de trânsito.
Outra inovação da proposta é condicionar o indulto ao trabalho e ao
estudo, se houver oferta e estrutura para isso na administração prisional.
Também prevê que os contemplados fiquem sujeitos à perda do benefício caso
cometam novo crime no prazo de dois anos.
O Conselho mantém, outrossim, a
sugestão de proibir o indulto para quem teve a pena de prisão substituída por multa
- o que foi descartado por Temer em 2017, mas reformado por Barroso. A exceção
é para presos em "extrema carência material".
Assinale-se, outrossim, que
a proposta redigida pelo Conselho já está em análise pela área jurídica do Ministério
da Segurança Pública. Nesse sentido, o Ministro Raul Jungmann ainda examinará o
texto, que pode, por conseguinte, passar ainda por modificações antes de ser
enviado ao Planalto. O Presidente não precisa necessariamente seguir a
proposta, e pode ainda alterá-la, como o fez em 2017.
Previsto na Constituição da
República, o indulto natalino voltou a ser criticado ontem pelo presidente-eleito,
Jair Bolsonaro, que já prometeu não
conceder o benefício em seu governo. O
Presidente-eleito declarou ter avaliado com "bastante tristeza" o
indulto natalino de Temer. Mais cedo, ele defendera que condenados cumpram
integralmente suas penas.
Também ontem, o futuro
ministro da Justiça, Sérgio Moro,
fez coro à crítica, mas disse que não é contra a medida. "Respeito
enormemente o Supremo Tribunal Federal e qualquer decisão a ser tomada no
plenário será respeitada. Mas na linha afirmada pelo presidente eleito, esse
será o último indulto com tão ampla generosidade", disse Moro.
"Espero que o indulto a ser editado neste ano não tenha o mesmo
perfil do ano passado." Já o presidente do Conselho Nacional da Política
Criminal e Penitenciária (CNPCP), Cesar Mecchi Morales, reconhece que um
presidente pode deixar de oferecer o
indulto enquanto estiver no cargo, mas não acabar com o instituto jurídico por
ser parte da Constituição.
Já para o ex-presidente do
Supremo, Carlos Ayres Britto, é preciso evitar o extremo entre o indulto
de Temer e o desejo de Bolsonaro de não mais aplicar o benefício previsto na Constituição. "Você não pode pegar um instituto de direito constitucional, uma figura
de direito explicitamente constitucional e dizer 'não vou aplicar isso'. Então
para què a Constituição criou a figura do indulto ? Nem tanto ao mar, nem tanto
à terra", disse o ex-Ministro do STF.
( Fonte: O Estado de S.
Paulo )
Bolsonaro: prudência republicana.
Se já inquietava, agora
com o novo anúncio, a coisa fica preocupante. Houve, em outubro, uma eleição no
Brasil, e não um golpe militar. A origem do novo Presidente, eleito com larga
maioria de votos pelos eleitores, não está - e nem deve - ser condicionada com
aval militar.
Quer queira, quer não Jair
Bolsonaro obteve os seus milhões de sufrágios entre os eleitores brasileiros, e
não tem, nem carece de ter, o placet
castrense.
Por isso, se essa coisa de bater
continência já é um tanto pícaro - como saudar desse modo o assessor de
Segurança Nacional dos Estados Unidos,
John Bolton, de resto, um radical de direita que estava há muito
escanteado pela política americana, até ser chamado pelo Presidente Donald
Trump - quê dizer de encher o gabinete
com oficiais militares, não esquecendo, inclusive, de pôr um verde-oliva como
Ministro da Defesa, um posto que costuma ser destinado a civis, desde a reforma
ministerial determinada pelo governo de Fernando
Henrique Cardoso, em 1999, consoante lei aprovada pelo Congresso Nacional,
naquele ano.
Como se sabe, a par de haver sido
eleito pelo eleitorado brasileiro, em segundo turno, no qual superou o
candidato do PT, Fernando Haddad, Jair
Bolsonaro é Capitão reformado do Exército Brasileiro, situação advinda de haver
sido repetidamente eleito deputado ao Congresso Nacional. Ele tem todo o
direito de prezar a sua origem verde-oliva, mas isso não lhe afasta a condição
de parlamentar e político cívil, condição em que foi elegido pelo Povo
Brasileiro.
Tudo isso quer dizer que o Senhor
Bolsonaro ocupa um cargo civil e é nesta condição, com o mandato de que dispõe
do Povo Soberano, que deverá ser investido na Presidência da República, na data
determinada pela Constituição, dia 1º de janeiro de 2019 (art. 82).
Não está escrito em página
alguma da Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de
1988, que exista distinção entre civis e militares no ministério a ser
escolhido pelo Presidente, salvo que sejam maiores de 21 anos e no exercício
dos direitos políticos (art. 87).
Isso posto, deve-se ter presente que, excetuados os regimes militares, fora
portanto da Constituição Cidadã de Ulysses Guimarães, nenhum outro
governo constitucional, como é o presente, tem anunciado um número tal de
oficiais das Forças Armadas. Dada a
categoria civil do cargo exercido pelo Presidente constitucional, manda o bom
senso - e esta tem sido a prática até a presente data - que a formação do
Ministério, sem excluir a eventual competência de profissionais militares,
obedeça à origem civil do poder que lhe é delegado pelo Povo Brasileiro ao presidente-eleito Jair Bolsonaro.
(
Fontes: Constituição da República Federativa do Brasil e O Estado de S. Paulo)
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