domingo, 30 de julho de 2017

Trump ou o erro capital

                              
                                  

       Não carece ser especialista em Washington para notar-se que algo está muito errado na capital federal, ou no que chamam o Belt-way. E não é necessário ser experto nos assuntos do governo estadunidense para determinar a causa do pandemônio.
       Esta causa, óbvia e evidente, reponta em quase todas as páginas e, sobretudo, nas folhas de rostro e nas colunas políticas. Foi necessária grande operação político-legislativa para torná-la possível. Como dizem os nossos irmãos hispânicos, no acredito en brujas pero que las hay las hay.

       Para desmontar a candidatura real da primeira mulher à Presidência, muita coisa foi necessária. De início, a entrada em cena de estranho chefe do FBI, que começou por destratar gratuitamente a candidata a Presidente, ao referir-se com desdém sobre a maneira que ela tratava a correspondência por e-mail.  Hillary Clinton em má hora julgara oportuno utilizar terminal privado de computador. Em seguida, e a fortiori, as estranhas comunicações de Comey ao Congresso que, de forma ainda mais surpreendente, só levantavam suspicácias acerca de possíveis irregularidades na tal correspondência oficial que nunca foram encontradas a posteriori.

        Não contente com isso, a estranha figura de James B.Comey deixaria para levantar estranhíssima lebre junto aos eleitores - justo na hora da votação antecipada - quanto a possíveis irregularidades no computador do marido afastado da secretária (de Hillary) Huma Abedin. Para tanto, o republicano que Barack Obama colocara no FBI não atentou, nem para as disposições da Secretaria de Justiça, nem para o próprio juízo pessoal, em não levantar problemas políticos no período eleitoral, mormente quando inexistiam quaisquer elementos de prova contra a Secretária do Departamento do Exterior. Pelo visto, James B.Comey era experto em levantar lebres, a despeito das explícitas disposições oficiais que o proibiam de fazê-lo. E quão acertadas eram tais disposições, os fatos o comprovariam, pois ao zelo denunciatório de James Comey, não correspondeu nada de concreto! 

      O que ele fez, com singular desrespeito das normas do próprio Departamento, foi levantar lebres sobre a candidata, o que realizou nas horas mais apropriadas para causar o maior dano possível à candidatura da democrata.  Que tais denúncias tenham sido todas elas falsas e sem qualquer apoio na realidade, como dizem os italianos, qui se ne frega? (quem se importa?).  Pois posso dizer que a visada Hillary se importou e muito, pela descomunal injustiça que lhe foi feita.

      James B. Comey receberia a paga de quem mais ajudou, ao ser demitido do FBI por Donald J.Trump, pouco depois que este assumisse a Presidência.

      Sequer vale a pena sublinhar o que perderam os Estados Unidos ao ser forçada a eleição de Trump, com todos os escândalos que ora pululam na Administração Federal.

      Mas infelizmente outros contribuíram e muito para a derrota de Hillary Clinton na votação indireta (mas não naquela direta, em que ela venceu, mas não levou)... Temos a famigerada intervenção russa através do hacking de computadores (com atenção especial para o Comitê eleitoral democrata, aquele do partido de Hillary), sem falar de outras invasões russas da cibernética, todas elas levantando alto o galardão republicano de Trump...

        O amigão Vladimir Putin logrou o próprio objetivo, colocando o cupincha Donald Trump na Casa Branca.  Mas se o eleitor americano  errou,  o engano foi ainda maior pelo estranhíssimo silêncio daquele por quem Hillary renunciara - muito contra a opinião do próprio marido, o ex-presidente Bill Clinton - em gesto de grandeza[1] que terá sido difícil para muitos captar, tão rara é tal atitude nos tempos que correm.

         Por mais opositor que alguém seja de Hillary Clinton, parece difícil - pois depõe contra a própria inteligência - afirmar que o candidato republicano estivesse mais preparado do que a primeira mulher a disputar, com grande chance de vitória, a presidência dos Estados Unidos.

           Acima desfiei muitos dos responsáveis por esse triste resultado eleitoral, em que a melhor candidata foi preterida pelo pior que imaginar-se possa para a Casa Branca.
            Talvez o Povo americano, mal-informado que o foi, por estranhíssimas intervenções como as dessa polêmica figura de James Comey, que surgem como cometas, cumprem a sua missão, e sóem desaparecer para sempre. Mas dentre os autores desse crime sem sangue, mas com marcas visíveis - de que os Estados Unidos hoje se ressentem - cumpre-me acrescentar o inefável ex-favorecido de Hillary, que a repagou estranhamente com olímpico, sepulcral silêncio, a despeito de todas as alvoratadas solicitações do Comitê Democrata.

               Nunca tantos ficaram devendo tanto a um só personagem, que preferiu, por motivos que a razão desconhece, guardar silêncio. 

                O resultado está aí. As cavalariças de Augeas estão sujas de novo. E como estão!


( Fontes: The New Yorker, The New York Times, Trabalhos de Hércules )   




[1] Hillary disputara todas as primárias com Barack Obama. Às portas da Convenção, achou mais apropriado renunciar à própria pré-candidatura, pois via no seu jovem adversário democrata mais condições de vencer ao candidato republicano. E com isso não concordava o seu marido Bill Clinton...

sábado, 29 de julho de 2017

E o protesto deu chabu...

                              

         O protesto convocado pela Oposição para ontem deu chabu, dada a reação do governo Maduro, que ameaçou sancionar os participantes com condenações até dez anos de prisão firme.
         A despropositada pena valeria para quem violasse a proibição de manifestações  antes da eleição de amanhã, trinta de julho,  para a Assembleia Constituinte. Por isso, poucos venezuelanos ousaram sair ontem, 28 de julho, às ruas e avenidas para protestar contra a votação.
         Por isso, o apelo da Oposição não foi atendido. Algumas ruas de Caracas amanheceram bloqueadas pelas barricadas erguidas durante os dois dias da greve, mas a maior parte delas estavam vazias.
         A OEA prepara uma denúncia contra  o governo de Maduro  no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a Humanidade.
          Em informe sobre a situação na Venezuela, o organismo inter-americano  deixou meridianamente claro que as violações, assassínios e torturas da Administração Maduro ocorrem como parte de um plano para suprimir (sic) a Oposição.
          Desde 1º de Abril do corrente ano, foram registradas cento e oito mortes relacionadas, seja direta, seja indiretamente com os protestos da população venezuelana.
          Está nos planos da OEA, a meta presente é de reunir provas bastante para que a questão - que afeta a toda uma população latino-americana - seja encaminhada ao Tribunal Penal Internacional na Haia, e com vistas a isso se empenha em obter  o apoio  dos países democráticos da região,  que são maioria e não estão vinculados ao chavismo.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Estados Unidos denuncia aliado de Maduro

                      

        O governo estadunidense congelou US$ 500 milhões em conta do Vice-presidente da Venezuela, Tareck El-Aissami, e de seu testa-de-ferro, Samark Lopez Bello.
         Os objetivos do bloqueio pelo governo estadunidense é de reforçar a pressão de Washington sobre Nicolás Maduro e seu governo. El-Aissami é atacado por suas ligações com o narcotráfico (Diosdado Cabello, o líder chavista, também é dito singrar nessas águas).
          O congelamento dos fundos tem o objetivo de forçar Maduro a respeitar a democracia e, por conseguinte, a oposição, e nesse sentido, convocar eleições abertas e limpas, e não o simulacro atual da convocação da assembléia constituinte dos barrios, e da brutal radicalização do regime.
            Segundo o Estado, Michael Fitzpatrick, subsecretário assistente para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, "tais recursos passaram a ser bloqueados em fevereiro último, quando o Departamento do Tesouro designou el-Aissami  como narcotraficante internacional". Consoante Fitzpatrick, os ativos bloqueados decorrem do tráfico de drogas e da corrupção.
              Nesta quarta-feira, em operação voltada a contra-arrestar a ação dessa quadrilha de Maduro, o governo estadunidense anunciou sanções a treze indivíduos ligados ao governo de Nicolás Maduro.  Entre eles, estão os responsáveis pela organização da eleição da Assembleia Constituinte, marcada para amanhã, 30 de julho de 2017. Os Estados Unidos e outros doze países da região verberaram a "consulta" e asseveraram que o seu propósito é o de concentrar os poderes nas mãos de Maduro.
                Ontem, 28 de julho corrente, o vice-presidente americano, Mike Pence, conversou por telefone com o líder oposicionista Leopoldo López, que, como se sabe, se acha em prisão domiciliar. Conforme o relato divulgado pela Casa Branca, Pence afirmou no telefonema que os Estados Unidos imporão sanções econômicas caso o governo Maduro mantenha a votação de amanhã, trinta de julho corrente.
                   Por enquanto, o apoio de Washington à frente democrática contra Maduro se tem limitado a sanções contra indivíduos, havendo sido as primeiras em 2015, na Administração de Barack Obama. Já em maio último foram anunciadas sanções contra o presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Maikel Moreno, e sete integrantes da Câmara constitucional da Corte que se envolveram na decisão que usurpou poderes da Assembleia Nacional.
                     Nesta última quarta-feira, 26 de julho, autoridades americanas alertaram que as 545 pessoas (!) que serão eleitas para a Constituinte de Maduro também estarão sujeitas a sanções, caso assumam os respectivos cargos. Nesse caso, a penalidade será o congelamento de bens que tenham nos Estados Unidos, a proibição de entrar em território americano e o veto a qualquer transação com residentes no país.
                     Como se sabe - e foi oportunamente transmitido pelo blog - em consulta informal promovida pela Oposição 7,6 milhões de venezuelanos se  pronunciaram contra a convocação dessa "Constituinte". Dadas as circunstâncias, e as pessoas que estão marcadas para integrá-la, a expectativa é a de que ela seja totalmente controlada pelo Governo Maduro.
                     Por sua vez, o congelamento dos ativos de El Aissami resultam de vários anos de investigação sobre o tráfico de drogas na Venezuela. Por conseguinte, embora se integrem na operação, ele não faz parte das sanções adotadas por Washington por força da situação política vigente na Venezuela. Não obstante, é claro que a medida em tela aumenta a pressão sobre Maduro, tendo sido inclusive mencionada por ocasião do anúncio de novas sanções nesta quarta-feira, 26 de julho.
                     Este senhor El-Aissami assumiu o cargo de vice-presidente em janeiro último.  Antes, fora governador do estado de Aragua, havendo também dirigido o Ministério do Interior e Justiça no governo de Hugo Chávez Frias. Assinale-se, por oportuno, que o nome de el-Aissami está na lista de procurados pela Interpol.
                      Ainda conforme a fonte estadunidense, El Aissami facilitou o transporte de drogas a partir de bases aéreas e portos da Venezuela. Nesse contexto, El Aissami supervisionou múltiplos carregamentos de mais de uma tonelada de narcóticos, parte dos quais foi destinada a território estadunidense.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

O Obamacare sobrevive!

                              

         A principal conquista da Administração Obama resiste uma vez mais aos ataques do Senado para enterrá-la da vez. De nada adiantaram os substitutivos apresentados pela maioria republicana para mandar para o beleléu de vez a detestada (pelo GOP) Obamacare.
          Não bastava decerto jogá-la por terra. Era preciso colocar no seu lugar legislação que sustentasse o grande número de pessoas que dela dependem.
        Há uma semana enfrentam-se dois blocos de 48 senadores. De um lado, a bancada democrata, toda ela fechada com a preservação da Lei aprovada nos primórdios da primeira Administração Obama, quando os democratas tinham a maioria nas duas câmaras.
           Agora, eles são minoria no Senado (48 x 52), e na Câmara, subjugada esta pelo gerrymander, a bancada  de Nancy Pelosi também é minoria.
           Quanto ao Senado, há três senadores republicanos que votam a favor da manutenção do Obamacare, Lisa Murkowski,do Alasca, e Susan Collins, do Maine, que sendo moderadas e de acordo com as preferências de seus estados votam pela Lei do Tratamento Custeável.  Por sua vez, o herói de guerra, John McCain (tornado desafeto de Trump pelo modo grosseiro com que o candidato a Presidente ofendera gratuitamente a McCain), hoje operado por câncer cerebral. Bastaram esses três votos para levar à breca a nova tentativa de dar vida a um substitutivo  republicano para a Lei do Tratamento Custeável.
            E a famosa Lei de Obama (o ACA), por ter sido bem feita, não pode ser derrubada como uma legislação qualquer.  Muitos republicanos temem por seus votos, eis que se a derrubam sem um substitutivo que proteja os eleitores que dependem do Obamacare,  o resultado será muito negativo para os republicanos que façam aprovar algum substitutivo inepto, com graves prejuízos para aqueles que dependem, para o tratamento médico, do Obamacare.
            Quem decretou a morte de mais esta tentativa da bancada republicana  de enterrar a detestada (pelo GOP) Lei do Seguro Médico Custeável (ACA) foi o próprio  John McCain, com o sinal romano do polegar para baixo.
              Assim, a tentativa de Donald Trump - sem outra base que a inveja pelo sucesso da Reforma da Saúde  de Barack Obama, tornada possível e aprovada por Congresso então de maioria democrata - mais uma vez naufragou.  Cabe a pergunta: tentar derrubar uma lei sanitária que ajuda a tantos americanos, só por que é democrata e funciona, será motivo válido e honesto para dela desfazer-se, pela circunstância de que nada mais persegue do que pôr abaixo a grande Lei, cujo principal "defeito" é ser popular, apoiada pelos democratas e pela massa de contribuintes que carecem de sua ajuda para o tratamento médico?
               Quando voltarão os tempos do bi-partisanship, quando havia auto-respeito entre os dois partidos, e não se perdia tempo com intentos que só prejudicam aqueles que dependem de uma boa e eficaz lei da assistência médica?  Será mesmo necessário derrubá-la unicamente porque foi aprovada por Congresso de maioria democrata e que ainda por cima serve à muita gente, que carece deveras de ter acesso a indispensáveis tratamentos de saúde,e que de outra forma seriam inatingíveis para o americano contribuinte de baixa renda ?


( Fonte: The New York Times ) 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O que significa a Constituinte de Maduro

                    

        Sob a dúbia premissa de forçar o empolgamento do poder pelo chavismo, Nicolás Maduro se lança em perigosa trilha com vistas a afastar do quadro político a Assembleia Nacional Venezuelana, a própria Constituição vigente, e, em consequência, implantar a ditadura.
        Quando o Povo da Venezuela lhe perguntar em que direito ele baseia sua pretensão, a resposta do Ditador tentará expressar que se tratará do mandado imposto pela nova realidade encarnada pela Assembleia Constituinte.
         Embora armado e com tropas distribuídas pelo país, Maduro convidou a oposição a participar de "uma mesa de paz" e reconciliação antes das eleições.  Com esse murcho ramo de oliveira, ele pediu à oposição que "abandone o caminho da insurreição", volte seu foco para a Constituição e participe de uma "mesa de diálogo, acordo nacional e reconciliação da pátria".
           Às melífluas palavras introdutórias de uma paz peculiar, que tem sido repudiada pela população nas ruas, praças e avenidas das cidades venezuelanas,  Maduro não tardaria em aditar o que quase todo o Povo da terra de Bolívar de há muito entrevê e prevê: se sua proposta não for aceita,  ele entregará à Constituinte "todo o poder de convocar de maneira obrigatória um diálogo nacional de paz com uma lei constitucional".  E aditou: Vocês escolhem, disse Maduro, dirigindo-se aos líderes opositores.
             Em desafio ao governo, a coalizão opositora  Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou que estenderá a toda a Venezuela a mobilização que havia convocado para hoje (28 de julho)  em Caracas, como parte  da pressão para que o Governo desista de reformar a Constituição.
              Consoante o líder opositor Henrique Capriles : "Diante de outra violação dos direitos do povo, amanhã será a tomada da Venezuela, não de Caracas."  Ex-candidato a presidente, Capriles confirmou que a marcha ocorrerá em todo o país, e não apenas na capital, como previsto.
                    No esforço de empunhar as achas da guerra, o ministro do Interior, o general Nestor Reverol, segundo a intenção de engessar os órgãos estaduais, as Forças Armadas assumirão o controle de diversos órgãos dos Estados e dos municípios. Não tarda de resto a desvelar-se a verdadeira intenção da manobra: "Temos uma equipe de membros credenciados das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, que será responsável e terá controle operacional da polícia estadual e de 19 corpos policiais municipais."
                       Como um elefante na sala, o controle operacional das polícias estaduais e de corpos municipais aponta claramente para medidas preventivas para ter dominadas eventuais tentativas de resistência nos estados.
                        Tudo isso,  além das medidas usuais para os dias de votação, como o controle reforçado nos acessos fronteiriços, a proibição de venda de bebida alcoólica e de deslocamento de maquinária pesada. Também ratificou a proibição da comercialização de fogos de artifício...
                          Como é notório, no entanto, a eleição dos membros da Assembleia Constituinte está prevista  para ocorrer em meio a inúmeros atos de desobediência civil promovidos pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) com vistas a criar condições para impedir o processo, que a justo título a oposição qualifica como fraudulento.
                          Maduro, com seus generais e chefes policiescos, tenta impor a paz dos cemitérios na terra venezuelana.  Para que os acólitos dessa intentona se conscientizem de que não está morta a resistência democrática, várias circunscrições de Caracas e outras cidades amanheceram ontem, 27 de julho, com escombros e barricadas em diversas ruas, no segundo dia da greve proclamada para 48 horas.
                           Quatro pessoas morreram nos confrontos dos manifestantes com as forças da segurança - três na quarta-feira e uma ontem. Em consequência, se eleva a cento e sete o número de mortos nos protestos desencadeados desde o primeiro de abril.  Há centenas de manifestantes presos pela polícia e por membros da chamada Guarda Nacional Bolivariana- mais uma força repressora com que o ditador mancha o nome do Libertador.
                                       Enquanto a Oposição avalia em 92% a adesão à greve do dia 26 de julho, não obstante que o governo a taxe de fracassada, valendo-se para tanto do funcionamento da indústria petrolífera que o Governo controla.
                               Em ambiente surrealista, diante do crescimento das pressões internas e externas,  Maduro buscou convocar  os partidários para o encerramento da campanha pela Constituinte.  O governo procurou reagir contra o anúncio do governo americano de sanções contra  treze funcionários venezuelanos  por minar a democracia na Venezuela,
                                       Conforme à cartilha chavista,  Maduro pediu aos venezuelanos que votem em massa na eleição dos 545 integrantes da Constituinte que serão responsáveis por reformar  a Carta Magna e hão de liderar a Venezuela por tempo indefinido com poderes absolutos.    
                                De uma parte, o governo busca reiterar      que a sua Constituinte é "o único caminho para a paz" em meio à grave crise política e econômica.  De outra,  a voz da Oposição recorda que o governo de Maduro, que é reprovado por 80% dos venezuelanos, busca com a Constituinte perpetuar o chavismo no poder.     
                                            *       *
              Há poucas dúvidas sobre o grande movimento popular de resistência ao ditador. A sua incompetência, tanto política, quanto administrativa, a desonestidade de seus apelos à concórdia, em que, contando com o apoio dos chefes castrenses, pensa servir-se do braço armado do exército para fundamentar o próprio governo - com os braços da corrupção e da origem militar  do já deformado regime chavista. A tal constituinte é uma ideia de Maduro - o que já lhe desmerece a capacidade intelectual. Na verdade o que ele pretende implantar à força é um regime firmado em frágil base, porque destituído da legitimidade do voto universal, que ele tratou de adulterar com o recursos aos subúrbios  e às bases dos chamados coletivos, neles buscando a unicidade de pensamento radical, sem outra ligação que aquela ao poder chavista. Nesse sentido, a convocação dessa falsa Constituinte se inicia com o repúdio - subentendido é claro - ao universalismo, que é a base de toda a Constituição digna de tal nome. Por isso, o tal livrinho que os tais constituintes escolhidos com a lisura da nossa República Velha deverão aprovar é apenas o chão em que se pisoteia a democracia,e que como todo o Povo deve sabê-lo só preserva a respectiva autenticidade e respeito ás aspirações populares com diferente pleito, que responda aos princípios que constituem a ossatura de um organismo livre, por homens livres formado, e não um Frankenstein que nada mais é que cartilha mal copiada de ditames já gastos e desmoralizados.
                  Como pode ser democrático e, por conseguinte, cativar o demos, se outras forças o instituem, como a de quem se pretende Chefe máximo, e que tem governado, com notável coerência, apoiado na corrupção, na conivência das igrejinhas, e no chavascal dos regimes que se dizem democráticos e que se refocilam no populismo e da demagogia. Para que continue vivo carece do apoio das forças armadas, aquelas que prezam os luzentes uniformes, as regalias que lhes enchem a mesa, e costumam engordá-los muito além do militar viril, que honra à Constituição e à Democracia.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

A vez e a hora de Bendine

                        
        Faz tempo, como nos lembra Miriam Leitão, que Dilma Rousseff, com a mendacidade habitual, indicou Aldemir Bendine para "botar ordem" na Petrobrás, ao invés manteve o esquema.
         Os investigadores disseram ter provas contra Bendine e o publicitário André Gustavo Vieira, também preso pela Lava-Jato e que seria o intermediário da propina.
          Bendine foi preso ontem após a descoberta de que teria recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht, já quando ocupava o cargo deixado por Graça Foster.
           Aldemir Bendine foi o alvo principal da 42ª fase da Operação Lava-Jato, que como apontado acima prendeu igualmente  André Gustavo Vieira, havido como o operador responsável pelo repasse milionário da empreiteira para o ex-presidente da Petrobrás.

          Bendine foi ontem levado de carro do interior paulista para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde dividirá espaço com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa que abastecia o esquema do ex-executivo  na companhia.
            Na chamada Operação Cobra (apelido do ex-executivo ) a Justiça expediu, a pedido da Força Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, três mandados de prisão temporária - o ulterior preso foi Antônio Carlos Vieira, irmão de André, enquanto tentava embarcar para Portugal.
             Assinale-se que a relação de Bendine com a Odebrecht se  transformou no maior alvo dos investigadores. Há,segundo a Justiça, evidências de que, numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi realizado por Bedine à época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial.
              Há também um ulterior pagamento da Odebrecht de R$ 3 milhões que tinha receio de ser prejudicado na Petrobrás. Tal foi descoberto na Operação Xepa,  que repassou o montante em três 'entregas' de um milhão cada.

               Havia perigo de que Bendine fugisse do país, eis que só dispunha de uma passagem de ida para Portugal, em vôo marcado para amanhã, 29 de julho. Apesar da tentativa do advogado de defesa de Bendine, Pierpaolo Cruz Bottini, de viabilizar a viagem de Bendine, o Juiz Sérgio Moro lembrou da dupla cidadania do ex-presidente da estatal. "Bendine estaria em busca de um banco no exterior, o que pode ser motivado pela intenção de ocultação do produto do crime. Aldemir Bendine ainda tem dupla cidadania, no caso brasileira e italiana, com o que, caso se refugie no exterior, haverá dificuldade para eventual extradição".

              Por fim, os procuradores aproveitaram a nova fase da Operação para criticar a redução dos recursos para investigações. "Preocupa a todos nós o arrefecimento do investimento na Lava-Jato pela direção da Polícia Federal" - sublinhou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato. No mesmo sentido, se manifestou a colega Jerusa Burmann Viecili: "Há quem fale que as investigações contra a corrupção têm que acabar, mas casos como esse deixam claro que os criminosos não vão parar.  Pregar o fim da Lava-Jato é defender a liberdade para os ladrões do dinheiro público prosseguirem."
               Cabe ainda assinalar o que disse Athayde Ribeiro Costa, procurador da República: "É assustador que encontremos uma pessoa que supostamente foi indicada para a presidência da Petrobrás para estancar a corrupção e tenha praticado crimes nesse sentido."


( Fontes:  O  Globo, Guimarães Rosa )

Etiene vence os 50 m costas



      A pernambucana Etiene Medeiros, de 26 anos, marca seu nome na história da natação brasileira. Ela se tornou a primeira nadadora do país a ganhar a  medalha de ouro,  no principal campeonato da Federação Internacional de Natação, eis que ontem, no Mundial de Desportos Aquáticos, ela bateu várias medalhistas olímpicas nos cinquenta metros costas - que é a sua especialidade - e ainda alcançou o récorde das Américas, com o tempo de 24s14, um centésimo à frente da chinesa  Yuanhui Fu.

       Etiene estava na raia quatro - consoante declarou ela "pela primeira vez eu balizei na raia quatro em um Mundial e sempre tem aquela tensão, mas querendo ou não, conta a experiência. Antes de entrar para a  TV, a chinesa virou para trás e me desejou boa prova. Ela nunca fez. Quando eu entrei, o pessoal que autoriza a nossa entrada brincou com isso e eu ri. Isso até ajudou a entrar mais relaxada."

         Hoje, Cesar Cielo e Bruno Fratus disputam as eliminatórias  dos 50