terça-feira, 5 de julho de 2016

Surdas ameaças à Lava-Jato ?

                              

        O Povo brasileiro não deve perder a atenção no que tange à Operação Lava-Jato. Não hesito em dizer que grande parte do êxito passado da luta contra a corrupção, se deve à  Lava-Jato, que inculca confiança e orgulho na Sociedade brasileira, em todos os seus níveis.
        Por isso, em todas as manifestações existentes contra o precedente corrupto governo de Dilma Rousseff, e mesmo agora, em que a luta contra a corrupção está apenas no começo, é importante preservar e defender a Lava-Jato, essa operação policial que abriu as vistas do povo brasileiro, que a porfia  contra os corruptos e a malta dos aproveitadores, está apenas no começo, eis que permanece muito vivo o espírito de reação de um certo grupo de parlamentares que busca acreditar na possibilidade de vencer essa disposição do Povo brasileiro através de reiterada insistência, do suposto prevalente cinismo e do decorrente cansaço.
         Dentro desse quadro, correu o boato de que a Operação Lava-Jato passe por um período de desmanche.
         Precisamos estar sobretudo atentos contra tais rumores  de que a equipe de investigações da Lava-Jato venha sofrendo pressões internas ou externas pela eventual substituição "desse ou daquele" membro da Lava-Jato.
          Nesse contexto, durante a coletiva de imprensa sobre a operação de ontem, o coordenador das investigações em Curitiba, delegado Igor Romário de Paula, afirmou que a equipe de investigação não sofreu qualquer pressão interna ou externa pela substituição "desse ou daquele" membro da Lava-Jato.
           No fim de semana, três delegados saíram da investigação, dois definitivamente. Durante a coletiva de imprensa sobre a operação de ontem, o Delegado-Coordenador Igor leu uma nota - assinada pela direção geral da Polícia Federal - esclarecendo as substituições dos delegados Eduardo Mauat da Silva e Duílio Mocelin Cardoso. O terceiro que saíu, temporariamente, foi Luciano Flores, delegado que participou da condução coercitiva  do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flores vai atuar na equipe de segurança da Olimpíada do Rio de Janeiro.
              Para os três lugares em tela, foram chamados Rodrigo Sanfurgo, ex-chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros, de São Paulo; Luciano Menin, que já integrou a equipe da Lava-Jato, e Roberto Biazolli, que trabalhou no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI). A nota pede que "a sociedade se tranquilize". "Tenham certeza de que a Operação Lava-Jato não sofrerá qualquer prejuízo em seus trabalhos investigativos e operacionais", informou a nota divulgada pela corporação.


   NB.  Estaremos atentos sobre a destinação ulterior do Delegado Luciano Flores, eis que a equipe de segurança da Olimpíada tem pela frente um projeto decerto importante, mas com prazo curto de terminação.

( Fonte:  O  Globo )

As Delações premiadas sob ameaça?

                                   

       A ameaça de reação de políticos corruptos, mas poderosos, é   demasiado real, para não ser levada a sério.
        O meu recentíssimo blog - Gilmar derrapa? - se ocupa de um estranhíssimo projeto que dormia merecidamente nas gavetas do Senado, e que agora sai da hibernação pelas mãos do Senador Renan Calheiros.
         Esse projeto de lei está na contramão do interesse da Sociedade civil brasileira, mas tem o apoio de gente importante, como o próprio Presidente do Senado, e um Ministro do Supremo Tribunal Federal,  Gilmar Mendes.
         Porquê se escreve que esse projeto de lei está na contramão dos interesses da Sociedade?  Pela simples razão que o seu escopo é desencorajar a autoridade civil de investigar e punir casos de corrupção na esfera pública e na sociedade civil.
          E qual o instrumento que é utilizado para 'desincentivar' - na verdade, intimidar - a autoridade de atuar contra os corruptos e outras pessoas que estão à margem da lei? O pretexto legal seria punir os 'responsáveis' sob a figura dos 'crimes de abuso de autoridade'.
           Os cérebros que estão por trás dessa suposta reviravolta - intimidar-se o eventual acusador sob o fino, diáfano e sumamente hipócrita véu de um alegado abuso de autoridade. Como se vê, esse projetinho de 2009, relegado merecidamente às gavetas do Senado, algo retorna às luzes da ribalta com o escopo precípuo de tentar virar o feitiço contra o feiticeiro, ao chamar de abuso de autoridade a eventual denúncia de crimes realmente existentes.
          Se a origem do processo - que esse projetinho nocivo e por longo tempo dormindo o sono profundo dos papéis irrelevantes volte à cena - tal decerto não acontece por acaso. Como no caso do jabuti, alguém o botou no galho da árvore, pois jabuti não sobe em árvore, seja nanica, ou frondosa.
          Qual é a última de Renan Calheiros, que permanece na curul de Presidente do Senado, apesar de coletar processos no Supremo Tribunal Federal?  Ele defende a mudança na lei da delação, que vise a impedir que presos se tornem delatores. Só os que estão em liberdade poderiam negociar esse acordo... O instituto da delação premiada, que faz o terror dos bandidos fora da cadeia - pois permite a sua denúncia por alguém que está sendo processado, e ou está ameaçado de ir para a cadeia, ou já está nela. O quid pro quo tem que existir para que o acusado tenha interesse em desvelar um processo criminoso.
             Esse novo instituto tem sido um grande adjutório para as investigações e condenações penais. Daí, a raiva dos corruptos e de outras autoridades que se sentem ameaçadas. Lembrem-se das invectivas de Dilma Rousseff contra os delatores premiados, sob o pretexto de que não mereciam atenção das autoridades por serem criminosos... Até mesmo, ela tentava misturá-los com os traidores de nossa História, como Joaquim Silvério dos Reis, Calabar, etc. Dada a pouca sutileza da nossa Presidenta afastada, as suas observações não mereceram maior atenção. Mas a proposta de  Renan Calheiros de só permitir a delação para quem esteja em liberdade é uma dose demasiado forte de canalhice ou hipocrisia política, eis que equivaleria a matar o exitoso instituto da delação premiada. E é porque ele faz medo aos corruptos, que ele tem de ser preservado.
              Nesse contexto, julgo, portanto, muito oportuno que os Procuradores do Ministério Público venham a campo em defesa do instituto das delações, e que usem de todos os demais meios lícitos de levar avante a luta contra os corruptos.
              Assim, se deve fazer frente à insolente ação de políticos corruptos. Vejam, v.g., a audácia do Senhor Renan Calheiros, até hoje sentado na curul da presidência do Senado, a despeito de sua ficha notória: ele afirmou que deseja priorizar  o andamento da proposta que pune casos de abuso de autoridade por agentes públicos, incluindo integrantes do Judiciário e do Ministério público, para  votá-la até o próximo dia treze, antes do recesso parlamentar.
               Assinale-se, a propósito, a reação do Procurador Roberto Pozzobon, que, muito a propósito, disse: "A quem interessa o desmonte do instituto dos acordos?  A quem investiga ou a quem é investigado por meio desses acordos?". Foi o que se perguntou muito oportunamente o Procurador durante entrevista coletiva em Curitiba.
                 Nesse contexto, é importante ter presente a declaração lapidar de Pozzobon, Procurador da Força - Tarefa da Lava-Jato: "Em todas as operações, os destinatários finais eram agentes políticos. Eles estão no topo da cadeia alimentar da propina."
                  Assim, na Operação Turbulência, que investiga propinas nas obras do Rio São Francisco, as investigações compartilham provas da Lava-Jato apresentadas pelo doleiro e delator Alberto Youssef. Na Tabela Periódica, deflagrada em Goiás, que tem como alvo propinas pagas nas obras da Ferrovia Norte-Sul e da Ligação Leste-Oeste, ambas da Valec, as investigações tiveram como referência os acordos de delação de executivos da Camargo Corrêa e o Acordo de Leniência fechado pela Empreiteira.
                    No lusco-fusco parlamentar que sói acompanhar os sólitos dias de recesso dos senhores congressistas, exaustos por seu ritmo de trabalho de dia e meio por semana, urge atuar contra a ação nociva de projetos de parlamentares que favorecem o lado corrupto: assim o projeto do deputado Wadih Damous (PT-RJ), que proíbe a delação premiada se o delator estiver preso!
                      O projeto mereceu críticas do Juiz Sérgio Moro.  Para este ícone da reação em favor da honestidade e da correção,  a delação também ser vista sob a ótica do direito à ampla defesa. Nesse sentido asseverou Moro:
                     "Fico me indagando se não estamos vendo alguns sinais de uma tentativa  de retorno ao status quo  da impunidade dos poderosos."


( Fonte:  O  Globo )

Descartado Inquérito contra Hillary

                        

       Numa decisão relevante, o Diretor do F.B.I., James B. Comey,  descarta qualquer inquérito contra Hilllary por causa da questão do terminal de e-mails.
        Como assinala o New York Times, o Bureau Federal de Investigações não recomendará processo penal acerca do uso por Hillary Clinton de informações classificadas (secretas ou confidenciais). Com isso se dissipa enorme nuvem legal que lhe sobrepairava a campanha.
        Sem embargo, Mr. Comey censurou a Sra. Clinton por ser "extremamente descuidada" no uso de endereço pessoal de e-mail e um servidor particular para informações sensíveis, declarando que um simples funcionário governamental poderia sofrer sanções administrativas por tal conduta.
         Para justificar a acusação penal, disse Mr. Comey, teria que existir prova de que a Sra. Clinton de forma proposital mandara ou recebera informação classificada (confidencial ou secreta), o que o F.B.I. não detectou.  "De acordo com o nosso julgamento, nenhum promotor razoável abriria um caso como o presente", disse ele na entrevista à imprensa.
         É altamente provável que o Departamento de Justiça aceite a recomendação do FBI. A própria Attorney-General (Procuradora Geral) Loretta Lynch afirmou na sexta-feira que ela aceitaria a recomendação do F.B.I. e dos promotores de carreira no caso, depois que foram levantadas questões sobre encontro casual entre ela e o ex-Presidente Bill Clinton, no aeroporto de Fenix.
           A entrevista de imprensa de Mr. Comey conclui investigação que começou há um ano atrás quando o Inspetor Geral para as Agências de Inteligência, Charles McCullough III informou o Departamento de Justiça que ele encontrara informação classificada (confidencial) dentre pequena amostra dos  e-mails que a Senhora Clinton mandara e recebera.
            De acordo com o Inspetor-Geral, os e-mails continham informação classificada na época em que foram expedidos, mas não estavam marcados como classificados, e que a informação em questão nunca deveria ter sido mandada por um sistema ostensivo.
             Por trás desse inquérito encontramos o Comitê Seleto da Câmara sobre Benghazi (dominada desde 2010 pelos republicanos, por manifestos motivos). O GOP estava à cata de comunicações entre a Sra. Clinton e outros funcionários, a respeito do ataque em Setembro de 2012, contra aquele posto avançado na cidade de Benghazi, na Líbia, e que matou quatro americanos, inclusive o Embaixador J. Christopher Stevens.
               À medida que os advogados do Departamento de Estado coletavam material (para satisfazer o subcomitê da Câmara, cujas intenções na questão eram óbvias), esses zelosos funcionários legais descobriram que a Senhora Clinton havia utilizado um endereço pessoal e não-governamental para o seu e-mail, enquanto o material era encaminhado através de servidor particular, mantido na sua residência em Chappaqua, N.Y.
                 Depois de negociação entre o Departamento de Estado e os advogados da Senhora Clinton, ela concordou em entregar cerca de 55 mil páginas de e-mail do seu tempo como Secretária de Estado. Reteve correio - metade do número total de mensagens - que, segundo declarou, se reportavam a questões pessoais (de sessões de yoga a arranjos florais para o casamento de sua filha).
                   Por sua vez, o Departamento de Estado entregou para o subcomitê da Câmara cerca de oitocentos e-mails relativos a Benghazi. Não obstante, a Sra. Clinton pediu ao Departamento que liberasse o restante dos e-mails, o que acionou um processo politicamente carregado de examinar a cada um deles para determinar se acaso os papéis continham informação classificada.
                    A lisura do processo, a circunstância de que não foi determinado dolo no procedimento da Senhora Clinton, afasta qualquer sombra de dúvida acerca de eventual irregularidade pela então Secretária de Estado. Dissipa-se a pesada nuvem que pairava sobre o processo da candidatura da Senhora Hillary Clinton - e por isso o F.B.I. não recomendará a aplicação de qualquer pena contra a candidata pelo seu uso  do servidor privado de e-mails enquanto Secretária de Estado. Que a Attorney-General tenha declarado de antemão que não haveria intromissão de autoridades políticas - como ela própria -  na decisão que fosse tomada pelo diretor do FBI e os promotores responsáveis.
                    
                     Tal manifesta, sem margem a quaisquer dúvidas, a condição cristalina do processo. Por isso, é patente a grande importância da decisão do Diretor do FBI, James Comey, ao isentar de qualquer sanção legal a candidata (e ex-Secretária do Departamento de Estado) Hillary R. Clinton.
   
                      Como diria o rei gaulês Brenno, lançando a sua espada sobre o botim a ser entregue pelos Romanos vencidos: Vae victis![1]
            Não é hora decerto de demasiado regozijo, porque a campanha é longa e muitas são as suas curvas.
             Mas o Partido Democrata e os partidários de Hillary Clinton vêem com merecido regozijo que a campanha de sua pré-candidata se vê livre afinal desse PëÜóôùñ (divindade ou nuvem maléfica) que pairava sobre a própria candidatura à Casa Branca.
             O caminho que resta é decerto longo e insidioso, mas cresce a certeza de que ele será decidido pelo Povo Americano de forma aberta e inconteste. Afastado tudo aquilo que desvirtua o livre sufrágio, não se pode desejar melhor solução.
              

(Fontes: The New York Times; Liddell & Scott Greek-English Lexicon, Ninth Edition)
     



[1] Ai dos Vencidos !

Prefeito Paes busca protagonismo?

            

       Duas manchetes - as duas de 3ª Feira, mas de diferentes jornais - um de São Paulo e outro do Rio -  talvez expliquem o pugnaz e um pouco estranho comportamento do Prefeito Eduardo Paes, da cidade do Rio de Janeiro, que é responsável por boa parte do esforço olímpico, embora a segurança seja da responsabilidade do Estado do Rio de Janeiro, atualmente sob a gestão do governador interino, Francisco Dornelles.
      Hoje, mas na verdade a notícia é de segunda-feira, a principal manchete da Folha de S. Paulo é "Segurança no Rio é horrível, diz Paes a um mês dos jogos", e em tipo menor, "À rede CNN prefeito critica governo fluminense pela 2ª vez em três dias".
      Já O Globo, na manchete de hoje, terça-feira, anuncia: "Paes afirma que segurança não será problema na Olimpíada", e no subtítulo explica: "Prefeito diz que a situação hoje é 'terrível', mas que tropas federais vão atuar nos Jogos".
      O cotejo das manchetes desses dois grandes jornais - um  paulistano , o outro carioca - , ao que parece, ajuda muito a desmontar a aparente contradição do Prefeito Paes.
      É difícil saber se Paes busca protagonismo na ribalta mundial diante do magno certamen.O Rio de Janeiro, do governador Sérgio Cabral (hoje com a Polícia Federal às portas) e do próprio Prefeito Eduardo Paes, lograra arrancar a designação em Copenhague, no estilo carioca de tudo prometer, e depois... quando já bimbalham os sinos da festiva abertura, boa parte dar como impossível, malgrado as promessas vinculantes (a despoluição da  Baía de Guanabara, e até da Lagoa Rodrigo de Freitas, entre otras cositas más) com o mau-caratismo que tão injustamente nos imputam os estrangeiros.
        Semelha árduo explicar de outra forma, as tonitruantes declarações do Senhor Eduardo Paes sobre a situação terrível da segurança no Rio de Janeiro, pela incapacidade de gestão da Administração interina do Governador interino F. Dornelles, a par de aludir à incapacidade de gestão do Governo estadual.
         Isto foi colocado no megafone mundial da CNN. Além das notícias locais, decerto inquietantes, o New York Times estampou ontem artigo de sua correspondente Vanessa Bárbara, que escreve igualmente no Estadão, com arrepiante artigo dessa jornalista. Paulista, ela veio especialmente ao Rio para relatar-nos da desídia dos trabalhadores, do atraso de muitas obras, num negro quadro das perspectivas logísticas das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Podem alguns dizer que a matéria no jornalão New York Times está feita no estilo a ele próprio, mas diante de tanta  negatividade, alguém se há de perguntar por que diabos não entregaram a responsabilidade de sediar esse magno evento à Cidade de São Paulo, que, segundo alguns professam, estaria mais capacitada a sediar as Olimpíadas. Tampouco a repórter Vanessa Bárbara nos escreve de forma a que  não se possa olvidar     que o seu artigo é escrito por uma competente profissional da dita Cidade de S. Paulo.
          De qualquer forma, voltando ao nosso gárrulo Prefeito Eduardo Paes, não se vá interpretar essa bulhenta intervenção da maior autoridade do Rio de Janeiro como uma tentativa de chamar a atenção sobre si próprio e a sua mui Leal Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
         Tudo decerto se deveria a um molesto, quiçá inevitável, mal-entendido. O que era terrível ou horrível, na verdade não passa de vítima de um desconcerto do fuso horário.
          Não se inquietem, espectadores da CNN e de sua aldeia global. Está tudo sob controle,  tanto a gestão da segurança, que a despeito do que parece vai ficar a cargo de gente do ramo, sob controle de oficiais federais, quanto a realização dos jogos, que essa nunca preocupou, eis que  está na área da Prefeitura dirigida pelo Senhor Prefeito Eduardo Paes.


( Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo, The New York Times )

segunda-feira, 4 de julho de 2016

As Olimpíadas do Rio

                                 
        O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em entrevista a CNN, declarou que o Estado do Rio de Janeiro está fazendo um trabalho terrível na segurança (para os próximos Jogos Olímpicos).
        Como se sabe o Estado acha-se atravessando séria crise financeira. No entanto, depois da declaração pelo governador Francisco Dornelles de "estado de calamidade pública", a União, através do governo interino do Presidente Michel Temer, prometeu dar os fundos necessários para bancar o magno certamen.
         Com a injeção financeira, o Estado disporá dos meios indispensáveis para terminar as obras do metrô até a área olímpica, assim como proceder a outras indispensáveis providências para a viabilização do magno evento.
         Estamos diante da  desinteligência aparente entre o Estado do Rio de Janeiro - que deve cuidar da segurança na antes chamada Cidade Maravilhosa - e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Tal se deve à circunstância de que atualmente existe  verdadeira guerra entre o tráfico e a criminalidade de um lado, e de outro a Polícia Militar, guerra  essa que - por uma série de circunstâncias que aqui  não cabe aprofundar  - a P.M. está por ora perdendo diante do crime organizado.
         Como é gigantesco o aporte previsto pelos encarregados da segurança olímpica -  que está a cargo precipuamente dos ministérios militares, notadamente o do Exército e o da Marinha, conquanto tampouco se exclua o Ministério da Aeronáutica - não creio que haverá problemas nessa área. Sei que é uma afirmação crítica, dados os desafios apresentados na atualidade tanto pelo crime organizado, quanto pelas organizações terroristas, com o assim chamado ISIS à frente.
          Todo o esforço das entidades especializadas nacionais e internacionais nessa luta - que será dentro do possível preventiva, embora não se possa igualmente excluir os necessários destacamentos para coibir qualquer intento terrorista ao ensejo de um público multitudinário que acorre aos estádios, abertos e fechados, para assistir aos jogos, e o qual carece de ser adequadamente protegido, em intervenções localizadas e preventivas, para que tudo transcorra dentro da tranquilidade e da ordem.
            Para o Prefeito Eduardo Paes, o problema na saúde, ora existente, se acharia
na suposta incapacidade  de gestão até agora manifestada pelos órgãos dependentes da autoridade estadual. É conhecida a crise que atravessa o governo interino do vice-governador Francisco Dornelles. Para o Prefeito Paes, o problema seria de gestão, porque os recursos já teriam sido alocados.
               Semelha relevante que se a autoridade estadual não estiver em condições de desempenhar as respectivas atribuições, como os recursos já teriam sido disponibilizados, trata-se simplesmente de encarregar alguém com plenos poderes (e a capacidade pessoal correspondente) para geri-los da forma mais apropriada e coordenada, com vistas a que também a questão da saúde seja adequadamente atendida.
                Tenha-se presente que no passado, diante da aparente confusão nos Jogos Pan-Americanos (2007), também realizados no Rio de Janeiro, e a manifesta incapacidade do então Prefeito Cesar Maia de atender o desafio, foi chamado e investido dos poderes indispensáveis o então jovem político  Eduardo Paes, que logrou desincumbir-se a contento daquele desafio.
                 Como Paes ora se acha desempenhando, na sua qualidade de Prefeito do Rio de Janeiro, múltiplas funções relativas à realização das Olimpíadas, parece que o mais oportuno seria solicitar-lhe que designe alguém para exercer tais funções de czar relativas à área da saúde, funcionando de forma auxiliar, mas com plenos poderes nessa área,  para que os órgãos da saúde estejam em plenas condições de associar-se ao magno esforço olímpico. Nesses termos, e no quadro estadual, o Governador interino Dornelles, delegaria a esse encarregado da gestão do setor sanitário, escolhido pelo Prefeito Paes, os poderes necessários para o pleno exercício de tão importante função.
                     O passado é testemunha de que diante de magnos desafios a autoridade brasileira tem encontrado as devidas soluções para assegurar o bom desempenho de certames internacionais.
                      Essa medida extraordinária - que corresponderia ao envolvimento da União, através do Presidente interino Michel Temer, do Estado, por meio do Governador interino, Francisco Dornelles, e do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes - daria a meu modesto ver todas as indispensáveis condições para que todos os serviços se entrosem também no campo da saúde, atendidas as condições especiais de urgência e de excepcionalidade ditadas pelo magno evento a que o Brasil dará todo o necessário atendimento, como em inúmeras outras ocasiões no passado.

         

( Fontes: Site Globo-on line; O Globo, O Estado de S.Paulo, Folha de S. Paulo e  The New York Times)

Hillary versus Trump

                                     

       Colunista do New York Times, faz avaliação dos dois pré-candidatos à eleição presidencial com que concorda em boa parte.
       Partindo da premissa de que os dois virtuais candidatos têm falhas (flawed) e defeitos, eles não os possuem de forma idêntica. Na avaliação de Charles M. Blow, enquanto Trump cava mais fundo os próprios buracos, Hillary permanece firme em alguns, e está conseguindo sair de outros.
        O colunista compara a sua alocução dada no início do mês - que foi considerada importante discurso de política exterior, e que foi avaliada como igualmente penetrante quanto o discurso econômico em Ohio.
         As respostas de Trump a tais análises sólidas e penetrantes foram ou superficiais, através do Twitter, ou recheadas de inúmeras falsidades. O site PolitiFact - que chequeia afirmações de Trump - avaliou a maior parte de suas assertivas como 'falsas' .
          Segundo o Instituto Gallup, Hillary e Trump estão entre os candidatos presidenciais pior avaliados nos últimos setenta anos.  Sem embargo, a marca de Trump (42% negativo) supera de longe os 33% de Hillary.
           Em dois discursos importantes - sobre política externa  e sobre política econômica, Hillary apresentou análise séria, presidencial e contundente, das propostas do rival republicano.
            Também os supostos defeitos de Hillary, reagindo aos ataques terroristas em Orlando e na Turquia, e ao Brexit na Inglaterra, que a apresentam  como muito cautelosa, começaram a aparecer como firmes, serenos e ... presidenciais.
              Já Trump coleciona tropeços, eis que  defronte desses desafios, ele claudica e tropeça nas respostas, parecendo cada vez mais ... Trump.
              O grande problema de Hillary está no fato de achar-se sob o exame pendente do FBI acerca de seu comportamento no que concerne ao famigerado terminal de servidor privado para e-mails, há quase quatro anos atrás, quando foi Secretária (Ministra) do Departamento de Estado, durante o primeiro quadriênio de Barack Obama.
               Que o seu comportamento não haja inovado na matéria, eis que antecessores seus dele se valeram (pela mera circunstância de que lhes facilitava a própria missão diplomática), assim como que a autoridade competente (o FBI) haja tardado quase quatro anos para vir afinal a submetê-la a esse tardio exame burocrático,  praticamente às vésperas da Convenção de Filadelfia, será que tudo isso não  semelha já o bastante para eximi-la de outras tardas intervenções da burocracia federal ?


( Fonte:  The New York Times )

domingo, 3 de julho de 2016

Ainda o servidor privado de Hillary


           Causa espécie a suposta atualidade da questão da utilização por Hillary Clinton do servidor privado do computador para os e-mails relativos ao seu trabalho de Secretária de Estado no primeiro mandato do Presidente Barack Obama.
           Hillary deixou de ser Secretária de Estado no Segundo Mandato do Presidente Obama. Assim, há quase quatro anos ela não tem qualquer papel oficial na Administração Obama.
           Presume-se, portanto, que a eventual utilização do dito servidor privado cessou na segunda Administração Obama, enquanto diga respeito a Hillary, pelo inegável fato de que ela não mais mantém qualquer relação oficial e mesmo particular com o dito meio de comunicação.
           Isto posto, não lhes parece que toda essa interminável avaliação de sua participação, e de algum eventual abuso com relação a esse servidor - se toda essa preocupação oficial tem motivo válido, e mereceria ser esclarecido em tempo hábil  - já não deveria tal exercício administrativo das instâncias burocráticas oficiais americanas  estar hoje plenamente encerrado ?
           O New York Times noticia que a candidata a presidente, vitoriosa nas primárias, quando venceu o desafio apresentado por um outro pré-candidato democrata, o Senador Bernie Sanders, se submeteu a uma espécie de sabatina com os procuradores do Federal Bureau of Investigations.
            Somente agora, mais de três anos transcorridos da, apesar de tudo exitosa,  gestão por Hillary em Foggy Bottom, ainda subsista essa questão, e o que é mais importante para os adversários de Hillary Clinton, i.e., o Partido Republicano e seus representantes - sem falar no presente pré-candidato do GOP, Donald Trump - como se fora algo que acaba de vir à tona?
             Depois de gastar  milhões de dólares na suposta investigação das circunstâncias da morte do infeliz Embaixador americano em Trípoli, Christopher Stevens - é necessário acrescentar que tal chasse aux sorcières (caça às feticeiras) visava tão só obter detalhes políticos que de certo modo lograssem manchar a imagem da Secretária de Estado, e por conseguinte prejudicar-lhe a presumida campanha, com ganho do Partido Republicano - eis que se repete, já às portas da Convenção em Filadelfia o exercício do F.B.I. para determinar a alegada responsabilidade da Secretária de Estado em termos de  questão burocrática, afeta ao gabinete da então autoridade responsável por aquele importante Departamento do Governo americano, ocorrida durante o primeiro mandato do Presidente Obama.
              É de crer-se que um tal exercício - além da conotação burocrática, em que considerações temporais semelham irrelevantes - nas condições em que está encenado só traz água ao moinho do GOP, mesmo que nenhuma substância de eventual relevância para as funções de uma candidata à Presidência dos Estados Unidos esteja sendo observada. Das duas uma: ou a candidata Hillary cometeu grave infração contra a segurança estadunidense, o que já em sã mente deveria ter sido estabelecido há bastante tempo; ou o atraso burocrático reflete a desimportância da matéria, que só é para efeitos da mídia e do Partido Republicano. Em um e outro caso, ficamos condenados a padecer as sandices dos comentários do pré-candidato Trump, o que já semelha provação excessiva para qualquer pessoa dotada de mediana inteligência.
              Por fim, uma palavra sobre a Attorney-General, Loretta E. Lynch, que, no meu modesto parecer, mandou vir com excessiva pressa a famosa bacia de água, que outro personagem julgara oportuno solicitar há muitos e muitos séculos atrás. Se a questão lhe demanda a participação, ela não deve eximir-se, pois é  a responsável política. E, se como tudo nesse interminável exercício de bureaucratese semelha indicar, se não é importante, deve-se pôr fim a esse parêntese, e passar a tópicos que sejam relevantes para a questão que tem interesse para o Povo americano: the election of the next President of the United States of America.


(Fonte: The New York Times)