sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sexta-Feira de Carnaval

                                 

Dirceu, do Mensalão ao Petrolão

 

           Segundo noticia a Folha, o doleiro Alberto Youssef associou José Dirceu e o ex-Ministro Antonio Palocci, ao esquema de recebimento pelo PT de recursos pagos por empreiteiras. Tal sistema se caracterizava pelo desvio de recursos da Petrobrás. Tanto Dirceu quanto Palocci  tinham ligações com um dos empresários que confessou ter pago propina. De acordo com o doleiro, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, era igualmente responsável por receber o suborno.

          O juiz Sérgio Moro, que autorizara a divulgação, afirmou a propósito que o Judiciário  não é “guardião de segredos sombrios”.

          A respeito, Dirceu repudiou as afirmações de Youssef, que, segundo ele, “são mentirosas”. Igualmente, Vaccari Neto negou haver recebido “qualquer quantia em dinheiro” do doleiro. Já Palocci mandou dizer através da assessoria que ele não comentaria.

 

Evangélico assumido, Cunha desengaveta projetos... evangélicos

 
           Eduardo Cunha desengavetou uma série de propostas evangélicas com que marca posição contrária a bandeiras progressistas (mormente, movimentos gays e feministas).

           A sua posição unilateralista se configura de início pela recusa de pôr em votação qualquer proposta para liberar o aborto. Por outro lado, julgando que ela carece de defensores, Cunha lançou um pacote em defesa da ... heterossexualidade.

           Primo, Cunha autoriza criação de comissão especial para discutir o projeto ‘Estatuto da Família’. Na redação original o texto define família apenas como união “entre homem e mulher”. Por conseguinte, poderia proibir a adoção de crianças por casais gays.

             Secondo, Cunha pediu que voltem às comissões dois projetos de seu interesse (e que estariam engavetados): o que cria (a) o Dia do Orgulho Heterossexual e (b) o que criminaliza o preconceito (sic) contra Heterossexuais.

             O PT se tem empenhado contra vários pontos da proposta evangélica. A definição de família, segundo o texto favorecido por Cunha,  dificultaria o cumprimento de uma das promessas de campanha de Dilma Rousseff, no sentido de apoiar a criminalização da homofobia.

 
Lula estaria revendo a opinião sobre postes?

 
              Lula, querendo consertar cercas, tem realizado vários encontros com partidos como o PMDB (com que Dilma venceu as eleições) e  igualmente com o PSB, que desta feita esteve em campo contrário ao do PT.

              Sobre a sua discípula, hoje Presidenta,  Lula da Silva tem manifestado apreensão com os rumos de Dilma 2 (almoço com ela em São Paulo durou três horas).

              Apesar dos pedidos de socorro do seu primeiro ‘poste’,  o ex-presidente se tem mostrado preocupado com os rumos da reeleita Dilma e pouco confiante quanto à disposição da Presidenta de atuar mais incisivamente para debelar a crise. Para o velho e experiente político “não há nada tão ruim que não possa piorar”.

               Como se sabe, antes da segunda posse, Lula não escondera a própria insatisfação com a mudança de ministros no Planalto. A independência de Dilma (no que tange a seu criador) por vezes dura pouco, e a interrupção se deve em geral à pouca afinidade da discípula com as intricâncias da política.

 

( Fonte: Folha de S. Paulo ) 

Sexta-Feira Treze

                                              

          O PT parece que não está entendendo bem o que implica a atual crise do Petrolão. Haja vista as responsabilidades envolvidas, não faz nenhum sentido atribuir a secretaria da CPI da Petrobrás a representante do PT. A opinião pública está interessada em um exame sério da questão, e não as consuetas pizzas, à moda do defunto Orestes Quércia.

          Tenhamos presente a última CPI conjunta, em que a relatoria ficou com o petista Marco Maia (PT/RS) e a presidência  com o então Senador pela Paraíba Vital do Rego Filho (PMDB), ambos da maioria dilmista. A vergonhosa pizza então produzida por Maia, não indiciando ninguém mostrou o que se pode esperar de relatoria petista (Maia depois voltou atrás).

          Circulou nesta semana discreto desmentido de uma suposta intenção anterior. Os leitores dessa coluna se terão apercebido que o Governo Dilma resolveu voltar atrás de um desejo de prolongar o horário de verão por mais um mês. Isso não teria nada de mais, eis que consultoria ao interesse nacional com vistas a u’a maior poupança de energia, sobretudo nesse verão em que a nossa autoridade já teve de bater, com chapéu na mão, pedindo o reforço das centrais portenhas.

          Não é segredo tampouco para ninguém que países do Norte maravilha aplicam horários de verão muito mais longos do que o nosso, porque não querem desperdiçar energia. Outra peculiar característica é a fraqueza do governo federal, que se curva aos caprichos dos governadores (sobretudo do Nordeste), isentando-os do horário.  Quando Suas Excelências carecem de reforços de corrente energética, não creio que se façam de rogados para receber o aporte do Sul maravilha.  Quero crer, portanto, que com a exceção dos estados que estão na linha do Equador, os outros deveriam participar sem exceção nesse esforço nacional de poupar energia.

        Quanto a essa súbita mudança de opinião do MME,  não será que d.Dilma está um pouco nervosa com a sua queda de popularidade, passando a temer os efeitos da extensão do horário de verão, por mais benéfico que seja?

        Depois de fazer ouvidos de mercador às indicações ministeriais de Lula da Silva, com a súbita mudança no tempo político – eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara,  queda nas pesquisas – não é que, de repente, Dilma voltou a prezar a maior experiência no ramo do ex-presidente? Não há negar a atual incompetência de sua assessoria – a par da própria – e, por isso, eis que ressurge na área planaltina o fazedor de postes?

         Com as mãos abanando, a presidenta parte para de novo pedir os conselhos de seu criador, diante da sua comprovada inabilidade política. Depois da casa arrombada, no entanto, este auxílio não pode fazer milagres, embora sempre seja hora de remendar erros passados... Nesse contexto, Chico Caruso de novo mostra o caminho das pedras, com uma contrita Dilma no confessionário, ouvindo as sábias recomendações de D. Lula, para ver se algo se salva das confusões criadas por quem não é do ramo...

         Por fim, uma nota municipal.  É uma vergonha – pedindo emprestado o bordão de Boris Casoy – que o governo municipal do Rio de Janeiro,  com o Prefeito Eduardo Paes à frente, não esteja nem aí para pôr um termo nesse escândalo carioca de os ônibus continuarem sem ar condicionado, como o  se verão aqui não fosse o que é, oscilando entre 35 e 40°,  sem levar em conta o aquecimento interno desses coletivos. Ar condicionado no Rio de Janeiro não é firula, nem conforto de rico, mas artigo de primeira necessidade para quem passa em tais caixões rodantes p’ra mais de uma hora por viagem? É uma vergonha, como diria o dito, que o Sr. Prefeito não determine que toda a frota de ônibus tenha ar condicionado. No Rio Maravilha isto não é luxo, mas conforto indispensável para aguentar as inclemências do clima!

 

 

( Fontes:  O Globo; Folha de S. Paulo )

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Rescaldo da Crise

                                             

TCU bloqueia bens de dez ex-diretores

 
         Por responsabilidade a conta de prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, o Tribunal de Contas da União bloqueou ontem os bens de 10 ex-diretores da Petrobrás,

         Há exceções, no entanto, do TCU: Graça Foster, a presidente da Petrobrás, apesar de citada no processo como uma dos responsáveis por fatia de US$ 92,3 milhões, foi excluída do bloqueio por cinco votos a três a favor de não bloquear os bens da ex-presidente.

         Por outro lado, o plenário do TCU rejeitou mais uma vez pôr em votação a responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobrás. Não por acaso, o Conselho era presidido pela então Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que votou a favor da compra. Nesse caso, cumpre lembrar o despacho por escrito da Presidenta, em resposta à consulta de um repórter. Nessa ocasião, Dilma apostrofou o relator do processo, por haver preparado um parecer com informação incompleta sobre o conteúdo da aquisição.

         Os dez ex-diretores com os bens bloqueados são:  José Sergio Gabrielli, ex-presidente; Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e delator do esquema; Renato Duque, ex-diretor de Serviços;   Nestor Cerveró, ex-diretor internacional; Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção; Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia; Almir Barbassa, ex-diretor de Finanças; Luís C. Moreira, ex-gerente internacional; Gustavo Tardin Barbosa, ex-chefe financeiro da Petrobrás America; Alberto da Fonseca Guimarães, ex-presidente da Petrobrás America.
 

Alta do Dólar complica Petrobrás

 
         A recente valorização do dólar estadunidense, que se deve em parte ao crescimento da economia americana, assim como ao menor número de desempregados, é também condicionada, no que tange à desvalorização do real, à crise na Petrobrás.

         Como assinala a Folha, essa valorização (4º dia consecutivo) atingiu ontem R$ 2,879, o que é o maior valor do dólar desde outubro de 2004.

        Assinale-se que a valorização do dólar contribui para deteriorar ainda mais as contas da Petróleo Brasileiro S.A., ao reduzir o caixa, encarecer importações e investimentos. É de frisar-se que 70% da dívida da Petrobrás está em dólares.

        Por outro lado, 75% de suas despesas estão em dólares, mas apenas 25% das receitas são obtidas em moeda forte.

 
Explosão de  Plataforma de Petróleo no ES

 

         Na costa do Espírito Santo, explodiu a casa de bombas de um navio-plataforma da Petrobrás. Cinco pessoas morreram, havendo quatro desaparecidos e dez feridos.

         De acordo com o sindicato dos petroleiros, um vazamento de gás causou o sinistro. 

         A Agência Nacional de Petróleo comandará as investigações sobre o caso, enquanto a Marinha abrirá o inquérito para esclarecer causas e responsabilidades.

 

Ajuste Fiscal em Perigo

 
           O Congresso apresentou muitas emendas (435) à M.P. que muda as regras das pensões e do auxílio-doença. Como Miriam Leitão em sua crônica de ontem detalhou, o Brasil é o único país que concede pensões vitalícias a pessoas jovens, que em outros ganham pensões temporárias.

            A intenção do Governo, segundo integrantes da equipe envolvidos na negociação,  é a de abordar as mudanças em blocos, discutindo ao mesmo tempo as novas regras do seguro-desemprego, do abono salarial e de pensões.

            Nesse contexto, as centrais sindicais receberam documento segundo o qual 87% das pensões continuarão a ser vitalícias no país. Assim, consoante a proposta viúvos com idade superior a 44 anos continuarão recebendo o benefício até a morte. Abaixo dessa cidade, a duração do benefício dependerá da idade de quem venha a ser beneficiado. Assim, se estiver abaixo de 21 anos, a duração da pensão será de três anos. As alterações nas pensões não atingirão os atuais pensionistas.

 

Corte de Cassação anula sentença favorável a Pizzolato

 
              Após receber informação mais precisa sobre o Complexo Penitenciário da Papuda, que atesta as boas condições da cadeia federal na qual Henrique Pizzolato deverá  cumprir  a pena para a qual foi condenado pelo Supremo, a Corte de Cassação italiana ab-rogou a sentença anterior da Corte de Modena, e deu ganho de causa ao Brasil.

               Pizzolato já se entregou à Justiça. Regressando ao Brasil, deverá repor 5,5 milhões de reais ao Banco do Brasil.

               No entanto, se não há mais empecilho à extradição, o governo italiano disporá de 45 dias para decidir se autoriza ou não a transferência de Pizzolato – que tem dupla nacionalidade – para o Brasil.



( Fontes:  Folha de S. Paulo; O Globo – inclusite o site)

O que vale o Minsk 2 ?

                         
 
         A história registra apenas um acordo de Munique, o qual igualmente passou como  tentativa extrema de preservar a paz, mesmo que à custa da covarde virtual entrega de um pequeno país (a Tchecoslováquia que perdia a região dos sudetos), como se a paz com Hitler pudesse ser construída com esse tipo de traição de aliados.

         Em breve, Adolf Hitler colocaria novas exigências, o que marcaria na História como apaziguadores o Primeiro Ministro Neville Chamberlain[1], do Reino Unido, e o presidente do Conselho francês, Édouard Daladier[2].

         A primeira pergunta que a Chanceler Angela Merkel e o Presidente François Hollande deveriam ter feito é se um segundo acordo de Minsk lhes pareceria sério e implementável, se o primeiro acordo, arrecém concluído em setembro, falhou miseravelmente.

        Além disso, a Merkel, em maior grau, e o seu aliado, em menor, só mesmo armada de um panglossiano[3] otimismo, pode alimentar esperanças de que o Minsk 2 venha a ter êxito, quando o primeiro malogrou vexaminosamente.

              Se as fotos dizem algo, a publicada em O Globo mostra o solícito ditador Alexander Lukashenko, da Bielo-Rússia[4] indicando a direção para o Presidente de todas as Rússias (com as bochechas um tanto intumescidas – talvez recente aplicação de botox) e a hesitante dupla Merkel e Hollande, que contemplam o mais alto do grupo, um tanto isolado à direita, na pessoa de Petro Poroshenko, o presidente da Ucrânia, que é o atual objeto da cobiça de gospodin Vladimir Putin.

      
               A Merkel refuga o aporte das armas e prefere a diplomacia. O Ocidente tem até agora evitado o envio de armas letais para o exército ucraniano. Se um dos lados – que não é o agressor – se autolimita, o outro – que é o causador do problema – naturalmente estimulará a diplomacia, que, como sói acontecer em tais casos, funcionará como um conveniente biombo para que a Rússia continue a desrespeitar a soberania da Ucrânia, invadindo-lhe as fronteiras com as forças necessárias para tornar desigual a luta entre rebeldes e as forças armadas da Ucrânia.

          
                A credibilidade do Minsk 2 é ainda mais baixa do que o primeiro acordo de cessar-fogo de Minsk, firmado em setembro de 2014. Do outro lado do Atlântico, Barack Obama já reconhece a possibilidade de enviar a Kiev armas letais. No entanto, é forçoso ter presente que mesmo quando dispunha de maioria no Senado (hoje o GOP é maioria tanto na Alta quanto na Câmara Baixa – e nesta deverá sê-lo até o próximo recenseamento criar condições para equalizar-se o jogo nos deputados, que o famoso shellacking (tunda) de 2010  desequilibrara em favor dos republicanos) nem sempre se deva escrever o que o 57º presidente promete.

 

                O comportamento de Vladimir Putin só deixa dúvidas para quem se dispuser a dar-lhe não a segunda, mas a terceira ou a quarta oportunidade de emendar-se. Por enquanto as sanções aplicadas pelo Ocidente (leiam-se Estados Unidos e União Européia) atuam mais como incômodos contornáveis, do que pedras no meio do caminho.

  
                E o senhor do Kremlin dispõe da vantagem considerável de não enjeitar nenhum meio ou instrumento – como as seguidas invasões com ‘contingentes de voluntários’ nas porosas fronteiras da Ucrânia oriental, para reforçar o ‘exército rebelde’ em toda a ocasião em que as forças ucranianas (que defendem o próprio território) ameacem levar vantagem.

 
                Por isso, o novo ‘acordo de Minsk’ começará a fazer água quando a Ucrânia reclamar o respectivo direito de ter de volta as terras que perdeu com as ofensivas rebeldes deste começo de 2015. Os batalhadores pró-Rússia já teriam alargado o seu território em cerca de 320 km2 .

 
                Com a mãozinha das armas e eventuais reforços pontuais do exército russo, os rebeldes de Donetsk conquistaram o que resta do aeroporto dessa cidade, e se empenham na conquista de Debaltseve – que é importante entroncamento ferroviário, além de ser a última porção (pocket) de território ao norte de Donetsk.

 
                O que os ditos ‘rebeldes’ de Donetsk – com o aporte pontual do velho urso do Kremlin – objetivam conquistar é uma faixa de território ucraniano que abra o contato com outra terra também arrancada ( em abril último) de Kiev, vale dizer a Crimeia. O que o bom e cordato Putin deseja é apenas uma faixa razoável de terras orientais da Ucrânia, que lhe abram, com ramais ferroviários, e uma cidade como Donetsk, com as suas usinas e minas, o acesso fácil à península da Crimeia (sem a necessidade do incômodo acesso atual pelo mar de Azov...)

 
                 Como o Führer Adolf Hitler (e também o teatral  Duce Benito Mussolini, a quem imita de bom grado), o que o Presidente Vladimir Vladimirovich Putin deseja apenas é mais um pedaço da enorme Ucrânia. Esta semelha ser o adversário ideal, não só porque o seu exército não está bem armado, mas também porque Kiev pulula em espiões do FSB[5], que revelam para Moscou todo o programa das ações militares de suas forças no Leste.

 
                 A pobre Ucrânia mereceria melhor sorte. A esse propósito, gostaria de estar errado, e que, para espanto geral, Putin resolva cumprir o acordo que acaba de assinar em Minsk.

 
                  No entanto, a velha diplomacia, a par de uma certa experiência, me sopra o contrário. A Chanceler Merkel verá o quanto vale a própria assinatura no agora reiterado cessar-fogo de Minsk.

 

 

     ( Fontes: Dicionário Enciclopédia Delta-Larousse, The New York Times, O Globo )




[1] Neville Chamberlain (1869-1940).
[2] Édouard Daladier (1884-1970).
[3] O Dr. Pangloss, personagem do ‘Candide’ de Voltaire (sec. XVIII), tornou-se o paradigma do otimismo extremo.
[4] Alexander Lukashenko, presidente da Bielo-Rússia (desde 1994).
[5] O FSB veio substituir o KGB na Federação Russa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Direitos Humanos para o Cidadão

                                  

         Nesta semana, duas movimentações de pessoas levantam a questão dos direitos humanos, e como devem ser resolvidos quando vão ao encontro dos direitos igualmente humanos de outras comunidades, seja quanto ao direito de ir e vir, seja na preservação de um bairro com condições mínimas de segurança e higiene.

        Cerca de duzentos operários das obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) em Itaboraí ocuparam pistas da Ponte Rio-Niteroi, em um protesto contra atrasos em seus salários.  Eles são contratados terceirizados.

        Em consequência disso, milhares de pessoas ficaram presas ontem em carros, motos, ônibus, e até ambulâncias.

        Assinale-se que, segundo enfatiza O Globo, tal fechamento de pista representa mais um avanço na escalada do desrespeito com que militantes tratam a população. Em nenhuma cidade civilizada do mundo reivindicações de qualquer tipo podem justificar transtornos à população.

         A outra movimentação é a de craqueiros que resolveram sair do subúrbio para, aproveitando as confusões do período carnavalesco, transferir-se para o bairro de Ipanema.

          De início, as praças-objetivo eram a de Nossa Senhora da Paz e a General Osorio.

          Como a praça da Paz está em curso de obras do metrô, e tem um tapume à sua volta, o bando deslocou-se para a General Osório.

          Talvez a circulação desses craqueiros – a maior parte deles seria  di menor – teria sido facilitada pela  operação transferência das concentrações do bloco de Ipanema, nas suas diferentes e simpáticas modalidades: Simpatia é quase amor, Garota de Ipanema, etc.

          A alegria do Carnaval, no entanto, não pode mascarar invasões desse tipo, que nada têm a ver com o reinado da Folia.

          Esse grupo de infelizes não pode arranchar-se em um dos principais locais de Ipanema. A sua presença – com banhos na fonte, o seu emporcalhamento de praça que é geralmente bem frequentada, e que serve de contorno para restaurantes, bares, edifícios residenciais, e até luaus em fins de semana, e não por último o seu ataque às bicicletas de aluguer - o que fora tornado possível pela organização de um grande banco - e agora fica inviabilizado  pela incursão do bando, que desfez o sistema de segurança desse serviço público (o que automaticamente acarreta a cessação do serviço).

         Tais craqueiros, que vivem à margem da sociedade, não podem transferir-se para praças públicas recentemente recuperadas, e transformá-las no chavascal que caracteriza os lugares aonde acampam.

         Não vamos tornar Ipanema refém da hipocrisia de grupos seus defensores, o que ensejaria que a praça recentemente recuperada, e com boas condições de convivência, se torne mais outra cracolândia, num deslavado desrespeito do bairro, de seu comércio e da sua comunidade. Todos esses cidadãos e cidadãs – que participam do esforço em preservar Ipanema e seus locais tradicionais – merecem respeito. Tolerar a presença desses grupos de craqueiros é inadmissível.  Ipanema e a Praça General Osório não são lugares de refúgio para esses infelizes, que carecem de tratamento em locais apropriados, e não serem comparsas nesse espetáculo deprimente em que o poder público municipal e estadual dá deplorável exemplo de incompetência, negligência e até mesmo em eventual incursão em artigo do Código Penal, por não assumir a seu devido tempo as medidas necessárias para prevenir o que agora virou, pelo menos por enquanto, um inaceitável fato consumado.

 

( Fonte subsidiária:  O  Globo )

Do Calvário de Dilma Rousseff

                         

            Ninguém poderia imaginar que a última pesquisa do Datafolha teria um efeito implosivo sobre o governo Dilma II.

            Dizendo bastante das peculiaridades de nosso sistema político-parlamentar, a presidenta – além da avaliação de falsa e mentirosa – está descobrindo da pior maneira que a sua suposta base parlamentar é um engonço que tem vontade própria. Nesse contexto, o que, com fundamento nos números, prometia mansa e idílica relação ora transforma-se em monstro que se compraz em pôr água no chope do Planalto.

             Como se não bastasse o humilhante malogro de Arlindo Chinaglia para Eduardo Cunha, que passava por desafeto do alto-comando petista, a cada dia o aprendizado da diminuída Dilma ganha novos contornos, em que o antes poderoso Palácio do Planalto vai mordendo o chão poeirento das derrocadas.

             Além de receber lições e mesmo repreensões da bancada petista que em documento aprovado pelos companheiros se cobra coerência com promessas de campanha . Não é que a chefia da Comissão de Reforma Política  vai para a oposição, na pessoa do Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) ?  E o deboche não para aí, com as boas risadas do filho de Cesar Maia com o Presidente Cunha.

             Em dia de reveses, a Câmara impôs outra amarga derrota a Dilma com a aprovação do orçamento impositivo (que obriga a execução de emendas individuais dos parlamentares e reduz o poder de negociação do Planalto para a aprovação de projetos.

             E nisso tudo como é que fica Aloisio Mercadante, o antes poderoso  Chefe da Casa Civil, cujas bruscas atitudes em que pensava imitar as maneiras da Presidenta, agora entra em outra sazão, na qual Chico Caruso o compara a Fred Mercury ?

            Além disso, os quinaus e o ridículo  se põem em fila, para fruir desse suplício à moda chinesa.  Não é que o Presidente Eduardo Cunha vai chamar, um por um, os 39 ministros desse congolês ministério de Dilma ?  Compreendo o esfregar de mãos e a perplexidade de muitos deles para responder questões sobre as respectivas secretarias de estado.

             E não pensem que podem esconder-se nas usuais desculpas. Se não aparecerem, fiquem sabendo que o Presidente Cunha os convocará !

 

( Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo )

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Notas da Crise (3)

                                      

Recurso contra liminar de Zavascki

 
       Surpreendera a liminar do Ministro Teori Zavascki, concedendo liberdade provisória  ao ex-diretor da Petrobrás, Renato Duque. O único dos réus a conseguir ficar fora da cadeia, o Ministério Público julga que apresenta risco não só de fuga do país, mas sobretudo de utilização indevida dos recursos adquiridos fraudulentamente. Por conseguinte, o M.P.F. apresenta recurso ao Supremo no sentido de que esse réu não mais seja o único com  liberdade provisória por liminar, contra o parecer do juiz Sérgio Moro.

       Por isso,  Câmara do Supremo deverá conhecer do novo recurso. Além do relator Teori Zavascki, a integram o decano Celso de Mello, e os ministros  Gilmar Mendes e Carmen Lúcia.

       O julgamento está previsto para a tarde de hoje, dez de fevereiro.
 

Lula reedita a tática usada no Mensalão

 

        Merval Pereira noticia em sua coluna que Lula da Silva resolveu reagir contra a situação do governo Dilma.  Com a popularidade no chão, Lula optou por  ‘fazer política’, coisa que para ele Dilma não tem capacidade.

        E não é que resolve declarar a própria candidatura à Presidência da República em 2018 ?

        É uma tática similar aquela adotada ao ensejo do Mensalão.  Tenta transformar verdades em mentiras, desmerecer das acusações e abraçar um suposto vitimismo, como se tudo não passasse de um pacote de mentiras...

        Dentro da rejeição da sociedade brasileira, semelha difícil que essa tentativa de virada vá ter êxito.

        De qualquer forma, Dilma, Lula e o PT formam um pacote que está sendo abalado pela roubalheira do Petrolão.

         Resulta difícil que o ex-presidente consiga virar o jogo, em meio à enxurrada de acusações levantadas pela Justiça Federal.

         É o que indicarão as investigações que atingem os dois governos do PT. Deve-se ter presente que o Mensalão é pinto diante da gravidade da maneira com que a Petrobrás foi aparelhada e enfraquecida por todos esses ilícitos ora examinados pelo juiz Sérgio Moro.

 

 Ajuste Fiscal Ameaçado

 
         Com a senhora queda na popularidade da Presidenta, as defecções no Congresso se tornam mais comuns. Assim, o pacote fiscal do Governo Dilma que tenciona poupar R$ 18 bilhões neste corrente ano com reduções nos direitos trabalhistas e previdenciários corre perigo.

          As medidas alinhavadas pelo Ministro Joaquim Levy pretendem reequilibrar as contas públicas e a situação fiscal, bastante afetada pela gastança do Dilma I.

          Com a impopularidade de Dilma, perdem credibilidade as suas propostas de reajuste fiscal.  Repete-se nesse sentido, a rebelião da chamada ‘base aliada’ contra as propostas saneadoras.  Tais emendas visam amenizar restrições ao seguro-desemprego, ao abono salarial, e a pensão por morte.

          A senadora Marta Suplicy – que formalmente é do PT mas já por suas atitudes configura uma quase-oposição – protocolou nove alterações e criticou as MPs. O fiel aliado PC do B fechou questão contra elas. Chovem emendas no mesmo sentido do PMDB, PSD, PP, PDT, PR, Pros, PRB e PTB.

 
Cunha coloca limites para votações

 
         Sobre as eventuais intenções de Dilma e de partidos de esquerda de colocar em pauta projetos de regulação da mídia (de estampo chavista), o Presidente Eduardo Cunha (PMDB/RJ) não dará qualquer apoio, e assim tais propostas não serão submetidas ao plenário da Casa.

          Receberão idêntico tratamento questões envolvendo aborto (eventual legalização) e a “ampliação dos direitos dos homossexuais”.  O Presidente Cunha é evangélico e não as fará votar pelo plenário. Proclama-se “radicalmente contra” e acrescenta: “Vai ter que passar por cima do meu cadáver para votar...”.

          Não obstante, Cunha está disposto a incluir a PEC da Bengala na pauta. Amplia de 70 para 75 a idade-limite para a aposentadoria de magistrados.  Nesse sentido, beneficiaria  a cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, que atingem a compulsória no atual mandato de Dilma Rousseff.

          Apesar das objeções de algumas correntes, é importante notar que na Corte Suprema americana não há limite de idade para a saída dos integrantes do tribunal.  Ou são as Parcas, ou  eles próprios (Justices) que decidem, voluntariamente, pedir a aposentadoria.

 

( Fontes:  O  Globo;  Folha de S. Paulo )