domingo, 6 de abril de 2014

Colcha de Retalhos B 13

                              

A queda de Dilma, segundo o Datafolha

 
       Diz muito mais do que a atual pesquisa do Instituto Datafolha, o alívio sentido nas hostes do PT pela sua queda de seis pontos. Com efeito, se temia um tropeço maior, e a inflexão de seis pontos foi acolhida como o mal menor.
       Com esses magros 38%, Dilma venceria com a dispensa de um segundo turno.

       Não sendo Marina candidata à Presidente (por ora), vê-se o quanto foi importante que os cartórios do ABC paulista tenham encontrado tantas fichas faltosas naquelas que informaram o requerimento da Rede de Sustentabilidade. E se o voto do Ministro Gilmar Mendes naquela sessão do TSE não houvesse sido solitário ? São perguntas que ficam no ar...

        Pois, vejam só. Em uma simulação com Marina como candidata à Presidente, ela seria a única candidata que forçaria um segundo turno contra Dilma.

         Consoante o Datafolha, por ser o menos conhecido dos candidatos, Eduardo Campos tem possibilidade de transformar a sua desvantagem (é o menos conhecido dos postulantes: 42% dizem não conhecê-lo) em vantagem, dada a menor rejeição percentual de que é passível.

         O governo do PT é vítima do próprio desgoverno de Dilma. Assinala-se a deterioração das expectativas no que tange à inflação (mantém-se constante, batendo sempre no teto da meta), além de emprego e poder de compra.

         Outra involução importante – no que concerne à Presidenta – foi registrada pela atual pesquisa, i.e., a queda na aprovação do governo Dilma. Nesse contexto, há uma disparada da frustração com as realizações de Dilma: se há pouco mais de ano era de 34% o sentimento de que ela faz menos pelo país de o que se esperava, agora são 63% dos consultados que emite esse juízo negativo.

 

O Deputado petista André Vargas e o doleiro

 
          Continuam a enegrecer os horizontes políticos do Deputado André Vargas (PT-PR). A última revelação concerne conversa interceptada pela Polícia Federal do Vice-presidente da Câmara, em que Vargas afirma que ajudará o doleiro Alberto Youssef.

           Em outro trecho das mensagens interceptadas pela P.F., Youssef afirma: “Tô no limite. Preciso captar.”  Vargas responde: “Vou atuar”.

           Uma das hipóteses da Operação Lava Jato é de que o deputado e o doleiro sejam sócios num laboratório chamado Labogen.

           Conforme revelação da Folha, um financiamento de R$ 31 milhões do Ministério da Saúde para a Labogen foi obtido por meio de ‘contatos políticos’, segundo Leonardo Meirelles (sócio da empresa) que resolveu colaborar com a PF. Posteriormente, o financiamento foi cancelado depois da revelação dos e-mails. A Saúde diz que irá investigar a parceria.

 
As CPIs  assustam tanto políticos quanto financiadores

 
            Por que será que os requerimentos para instalar a CPI da Petrobrás – e outras CPIs- se estão se arrastando tanto e topam com tantos bois na linha?

            O potencial explosivo de uma investigação séria da Petrobrás pode ser muito danosa e não só para Dilma Rousseff, que estouvadamente a chamou para si e para o Planalto, envolvendo-o diretamente no hoje já celebre despacho manuscrito, respondendo a questão de dois repórteres do Estado de São Paulo.

             Segundo a reportagem da Folha dominical, as implicações das CPIs são inúmeras e envolvem também os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, assim como com empresas a eles ligadas (e também a outros menos votados) que não querem saber de investigações.

             Vai requerer muita blindagem, todavia, para impossibilitar uma análise aprofundada da Petrobrás, e o que foi feito com a maior companhia brasileira, a jóia da coroa no firmamento do povo brasileiro.

              É preciso explicar muita coisa (além do estranhíssimo negócio da refinaria de Pasadena, nos EUA) no que concerne à Petrobrás. Por que ela está nesse estado, com tal perda de valor de mercado ? Será tudo responsabilidade do José Gabrielli e da Graça Foster ?...   

 

Situação na Ucrânia

 
              Para quem acompanha a atual situação da Ucrânia, e o que significa a permanência de formações militares russas na fronteira leste, há muitas informações discrepantes.  De uma parte, em entrevista ao direitista Wall Street Journal, o comandante geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, o general de exército Philip Breedlove, transmite uma visão algo pessimista no que concerne à Rússia, cuja alegada invasão é considerada entre possível e provável. 

             Por outro lado,a Casa Branca e Departamento de Estado têm  visão não tão sombria. Houve há pouco reunião entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov e o Secretário do Exterior, John Kerry.

              De qualquer forma, na avaliação dos expertos, a Rússia mantém cerca de quarenta mil homens na fronteira, com objetivos ainda não esclarecidos. Aqui não se trata de um país como a Geórgia, mas de outro, bem mais avantajado, cuja população, antes da anexação da Crimeia era de 45 milhões de habitantes.

                As eleições presidenciais estão marcadas para 25 de maio p.f. e, por enquanto, pelo UDAR, apresentou-se como candidato Petro Poroshenko,  um dos oligarcas,  e pelo Partido Pátria,  Yulia V. Timoshenko.

               Vitali Klitschko, o ex-boxeador, e um dos parlamentares mais atuantes em favor dos manifestantes da Praça da Independência, optou por renunciar à sua pretensão presidencial em favor de Poroshenko. Com a sua notoriedade e o positivo apoio dado à luta contra o presidente Viktor Yanukovych, Klitschko até que surpreendeu pela atitude de ceder o lugar a Poroshenko.

               Este último, no entanto, apoiou resolutamente a campanha pró- acordo com a União Europeia, a ponto de ter enfrentado entraves para as suas exportações de chocolate para a Federação Russa.

               Poroshenko é uma face nova na política ucraniana.  A sua principal adversária será provavelmente Yulia Timoshenko, que, além do carisma, é uma das políticas mais conhecidas  na cena política. Depõe a seu favor a condenação politicamente motivada pelo regime Yanukovych, e o longo padecimento nos cárceres interioranos da Ucrânia (estava em um lazareto em Kharkov, sem maiores condições de tratamento médico especializado digno desse nome de sua séria afecção na coluna). Prova de sua força de vontade e resolução foi a de ter vindo tão logo libertada após a queda do algoz Yanukovych diretamente para a praça Maidan, onde encarou multidão, em que a emoção do reencontro e as acusações de corrupção pairavam no ambiente.

              Com a sua conhecida coragem, arrostou bem a prova, mas terá ainda uma longa travessia, em que provações não estão excluídas. No lado positivo, está o inegável carisma e a férrea determinação; no negativo, as acusações de corrupção e a rejeição de ter sido primeiro ministro e a longa presença no palco da política. Paradoxalmente, Yulia, apesar de suas raízes no partido nacionalista, tem muitos admiradores do lado pró-Rússia, como o próprio Presidente Vladimir Putin, que a considerava como o único homem dentre os políticos ucranianos...

             Comparecem entre os candidatos também  Mikhail Dobkin, do Partido das Regiões (a agremiação de Viktor Yanukovych) e Sergei Tigipko, como independente, malgrado seja também próximo ao ex-presidente Yanukovych.

             No que concerne ao Kremlin, por enquanto o único a que se opõe de forma virulenta é Dmitri Yarosh, de extrema-direita, que encabeça a coalizão ultranacionalista Setor da Direita.    

 

( Fontes: Folha de S. Paulo,  O  Globo, The New York Times )

sábado, 5 de abril de 2014

Pílulas Agridoces

                                   

Atenção ao perigo das calçadas!



       Caminhar pelas calçadas de Ipanema pode ser passatempo perigoso, se desejares fazer súbita inflexão no teu  percurso. Pois será possível que um ciclista venha a toda pela tua retaguarda, à esquerda ou à direita. Como esses veículos se apossaram dos passeios – até se entende: é muito mais seguro para eles – corres o risco de ser atropelado por alguma bicicleta que se assenhoreou do espaço pedonal por negligente cortesia do Detran – subordinado ao Senhor Prefeito – que chega ao ponto de avisar no seu manual que os ciclistas estão obrigados a obedecer todas as leis do trânsito...

 
       Divirto-me nas minhas caminhadas por Ipanema na contemplação da bem-comportada (há exceções) grei dos cachorros. Se bem que se alastra a moda dos cães sem correia – que estariam treinados a seguir os donos – por enquanto, as coleiras são prevalentes. Se bem que Sartre tenha escrito que os homens amam os animais contra os seus semelhantes, tenho minhas dúvidas. É comovente verificar a parecença entre a cara (do humano) e o focinho do bicho. Duvido que seja só o acaso que para tanto colabore. Quem gosta de cachorro, há de procurar aqueles mais à sua feição. E procurando, procurando (além de privar do mesmo abrigo), pode surgir uma semelhança inesperada.

 

       O que foi feito das grandes e frondosas árvores da Praça Nossa Senhora de Paz ? Para quem caminha pelo calçada da Pirajá, o enorme tapume que recobre as grades da praça impossibilitam a visão de qualquer árvore, com exceção de  minguados galhos. A impressão do transeunte será de que as ditas foram arrancadas, por conta dos trabalhos da gigantesca garagem que nos subterrâneos da estação Sua Excelência pretende construir.  Dizem alguns que estão preservadas em lugar seguro e que oportunamente voltarão. Esperemos. Plantadas há setenta anos passados, formavam magnífico conjunto. Muitos abaixo-assinados foram firmados, mas o que será feito delas é um mistério.

 
         A Visconde de Pirajá, conforme anunciada, está sendo invadida pela selva de tapumes que já infestara a avenida Ataulfo de Paiva, a correspondente artéria do Leblon. É o avanço do progresso. Em tanto revirar de calçada e de pisos, será que o Senhor Eduardo Paes traria também de volta as placas, de que  ensurdece o silencio da autoridade ? Será que  Ipanema não merece, em meio a tantas obras, o singelo testemunho agora em concreto à prova de furto, sobre tantos locais e pessoas que notabilizaram a hoje memória perdida de Ipanema ?               

 

         Paz para José Wilker, o grande ator que, na ponta dos pés, e sob o véu da noite nos deixou. Os grandes artistas, na verdade, não nos abandonam, pois os seus milhões de assistentes, no teatro da existência, guardam-lhe a imagem, como no caso das interpretações magistrais de Wilker, a exemplo do Dr. Mundinho da novela Gabriela, Cravo e Canela.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Picadinho Carioca

                                     

Seis governadores renunciam

       Hoje, festa peemedebista  para a posse do Vice Pezão no lugar de Sérgio Cabral, que renuncia, sem bater o martelo se concorre ou não ao Senado. Longamente preparado por Cabral para sucedê-lo, e gozando de sua inteira confiança Luiz Fernando Pezão enfrentará campanha difícil, haja vista o enorme desgaste de Cabral no segundo mandato.

      A posse de Pezão, com a transmissão do cargo, em cerimônias na Assembléia Legislativa (centro) e no Palácio Guanabara (Laranjeiras), causou grande engarrafamento no trânsito (notadamente na via expressa do Aterro).

     Também saíram dos governos respectivos Eduardo Campos (Pernambuco – PSB), Antonio Anastasia (MG-PSDB), Omar Aziz (Amazonas – PSD), Wilson Martins (Piauí- PSB), e José de Anchieta Jr. (Roraima-PSDB).

 

O Deputado Vargas e o jatinho (Contd.)

       O aguerrido PSOL, defensor extremado (para os padrões atuais no Congresso) da ética na política, protocolou ontem ofício solicitando que a Mesa Diretora da Câmara peça abertura de investigação sobre o uso de jatinho do doleiro pelo deputado André Vargas (PT-PR). Não se sabe qual será a reação do Presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).  O PSOL tem bancada de três deputados, e lembra na firmeza (para uns) e na intransigência (para outros) o que era o PT, antes de seu acesso ao poder.

 
Lindbergh se sente prestigiado

 
       A despeito da atual mudez profunda de seus ícones – Lula e Dilma – Lindbergh continua otimista. Após os agrados de Dilma aos então governador Sérgio Cabral e vice Pezão (PMDB), o antigo membro do PSTU está convicto de que na hora certa Lula e Dilma entrarão na campanha (presumivelmente em seu favor).

 
Roseana e Cid ainda hesitam?
 
        Ao contrário de seus demais colegas, Roseana Sarney (PMDB-Maranhão) e Cid Gomes (PROS) resolveram deixar para o último dia o anúncio da decisão de continuar ou não na função. Nas hostes respectivas, notadamente em São Luís, a ansiedade é grande.


Surpresa! Consumidor pagará a conta

 
             Segundo noticia a Folha em primeira página, o custo dos empréstimos das distribuidoras de energia elétrica será repassado às tarifas dos consumidores nos dois próximos anos.

             A Aneel propõe que tais gastos sejam diluídos, de forma homogênea, pelas tarifas dos consumidores de todo o país.
  
  
(Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo)
 
 
 
 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Notícias direto do Front


                  

O novo gabinete francês

 
        A veterana Ségolène Royale foi mais uma vez nomeada para o gabinete. Cotada para a presidência da Câmara, Valérie Trierweiler, a então esposa de François Hollande, endossou a candidatura do opositor de Ségolène em La Rochelle, um periférico distrito eleitoral. A manobra, de péssimo gosto, teve êxito, e a chamada Rotweiler logrou o escopo, a despeito do óbvio desgaste. Por não eleger-se deputada, Ségolène Royale não pôde presidir o Palais Bourbon. Agora, com a Trierweiler afastada, Ségolène volta por cima, como Ministre d’État e segunda do gabinete Valls, nomeada para a Pasta da Energia e do Meio Ambiente.
         O Partido Verde se recusou a participar do gabinete, por conta da escolha de Manuel Valls para Primeiro Ministro. No entanto, se espera que continue a integrar o bloco majoritário na Câmara. Se tal não ocorrer, a maioria socialista seria de apenas dois deputados, o que é demasiado apertado e enfraqueceria o gabinete Valls.  Espera-se, no entanto, que os verdes deem apoio institucional.

          Além de Laurent Fabius, no Quai d’Orsay (ministério dos negócios estrangeiros), foi também mantido o Ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian.
          Os novos  são Arnaud Montebourg (Ministério da Economia) e Michel Sapin (Ministério das Finanças).  Montebourg é forte crítico das políticas de austeridade que têm a preferência da U.E.  Preve-se que haverá dificuldades nessa área com a Alemanha, que é o país mais importante e influente nas decisões de Bruxelas.

 

Declarações do Comandante da NATO

 
         Na contramão do discreto otimismo que surgira após o encontro em Paris do Ministro Serguei Lavrov com o Secretário de Estado,  John Kerry, o Comandante Militar da NATO, general Philip Breedlove, acusou a Federação Russa de planejar incursão militar na Ucrânia para os próximos dias.

          O Kremlin nega as acusações.No seu entender, a Aliança Militar do Ocidente repetiria a linguagem da Guerra Fria.  Por causa da anexação da Crimeia, a NATO suspendeu sua cooperação com Moscou. 

          Segundo Breedlove, na entrevista ao Wall Street Journal, a Rússia teria enviado quarenta mil homens para a fronteira com o leste da Ucrânia.  Para o general, o contingente seria bastante para invadir o país vizinho.  No seu entender, as forças russas “podem alcançar seus objetivos em três a cinco dias, caso recebam ordens nesse sentido.”  Três seriam os possíveis objetivos de Moscou: um corredor até a Crimeia, o porto de Odessa ou a Transnistria, região de maioria russa na Moldova (que há tempos reivindica a união com a Federação Russa).



Termina o casamento de Putin

 
          O matrimônio de Vladimir V. Putin com Lyudmila Putina, que durou trinta anos, e de que resultaram duas filhas, terminou oficialmente a 2 de abril de 2014 (a separação fora anunciada a 6 de junho do 2013).

          O comunicado à mídia foi feito após o casal ser visto junto pela última vez, depois de apresentação de balé, no teatro Bolshoi, em Moscou.  Na oportunidade, Putin declarara de que fora decisão conjunta do casal. 

          No entanto, há indicações de que Lyudmila não saberia que o divórcio estava em andamento.  A sua própria declaração de que a união terminara ‘porque os dois quase nunca se viam’ se insere no estilo críptico do egresso da KGB.

         Sob a mesma aura de mistério, circulam informações de que gospodin Putin teria uma relação com a ex-campeã olímpica de ginástica rítmica, Alina Kabaieva, de trinta anos.  Ela entrou na política em 2005 e está no parlamento (Duma) desde 2007.

 
A ‘carona’ do Deputado André Vargas (PT-PR)

 
           Em sua segunda versão sobre o caso do jatinho – que envolviam pagamento parcial pela utilização do avião – o deputado André Vargas (aquele mesmo que imitara o gesto de Dirceu e Genoino, quando o presidente do STF Joaquim Barbosa visitou  o plenário da Câmara) confirmou ter utilizado a aeronave do doleiro Alberto Youssef para viajar com a família. Depois de dizer que só aceitara embarcar porque imaginara fosse uma carona, e asseverar que ao saber tratar-se de frete exclusivo pedira à secretária para reembolsar Youssef das despesas de combustível, estimadas em vinte mil reais, ontem, na sua intervenção no plenário da Câmara, mudou de discurso mais uma vez: “quando procurei para viabilizar o pagamento do combustível, não encontrei meios, porque não sabia que a aeronave tinha sido locada.”

          A alocução de André Vargas recebeu ao final algumas palmas, notadamente de um punhado de colegas petistas. As forças políticas na Câmara devem aguardar o eventual surgimento de novas revelações contra o deputado Vargas. Por enquanto, não há mobilização para pedir abertura de processo no Conselho de Ética.

 
Subida da Taxa Selic para 11% ao ano.

 
        Por causa das sombrias estimativas de alça na inflação – com forte possibilidade de romper o teto previsto da meta para o ano corrente ( 6,5% ) – a solução do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi de mais um aumento dos juros, desta feita para 11%. É uma taxa superior àquela da posse de Dilma em janeiro de 2011 (10,75%). Como se sabe, a taxa Selic ainda subiria para 12,5% no início do segundo semestre de 2011. Para encurtar a estória, depois de otimista e vertiginosa queda até 7,25% em 2013, recomeçou a dolorosa subida, determinada pela reativada inflação.

 

( Fontes:  Folha de S. Paulo, O Globo )  

Da Visita da Deputada Corina


                            

         Em sua vinda ao Brasil, a deputada Corina Machado comparou o governo Maduro à ditadura brasileira (regime militar) e pediu a renúncia do Presidente Nicolás Maduro como saída para a atual crise.
        Como a atitude do regime Maduro é conhecida, com a sua opção por radicalizar e reprimir, o espaço para o diálogo se tem mostrado por enquanto inacessível para a oposição.

        A deputada Corina faz a respeito um raciocínio: o regime chavista persegue a todos que pensam diferente, não importa se dirigente estudantil ou político, sindicalista ou jornalista. Exemplo disso é o líder oposicionista Leopoldo López (preso em fevereiro) e de dois prefeitos igualmente presos por se negarem a reprimir atos (manifestações, passeatas). O governo Maduro dispara contra estudantes, tortura, censura. Um regime desses se chama ditadura.
       A deputada Corina propugna o direito de mudança de regime no marco da Constituição (referendo revogatório, emenda constitucional, assembleia nacional constituinte, exigência de renúncia).

       Dada a situação política, a saída mais rápida seria a renúncia. Para tanto, Corina e a oposição venezuelana preconizam criar condições políticas – através de grande mobilização coletiva, pacífica e organizada na rua – para viabilizar a exigência da renúncia pela sociedade.

       Maduro partiu para a radicalização. A ele não interessa o diálogo com essa oposição. A violência para o chavismo – como para todas as ditaduras – é uma falsa solução. Corina, a esse respeito, rebate o argumento de que a oposição não consegue reunir multidões nos bairros pobres de Caracas. As zonas populares estão sob controle político e pessoal pelos ‘coletivos do terror’ (grupos paramilitares).  No bairro 23 de janeiro – que é tradicional reduto chavista – aconteceu nas últimas semanas uma contundente forma de protesto: o panelaço.  Solução dada pelos coletivos:  dispararam contra as janelas de onde vinham os ruídos. Além disso, marcaram com tinta as portas das casas onde suspeitam haja manifestantes anti-chavistas.

        A respeito da participação no processo de organizações interamericanas ou sul-americanas, forçoso é reconhecer que não saem bem na fotografia. Como assinala Corina, a Unasul se colocou ao lado do regime chavista. Isso não gera confiança no povo venezuelano. Apesar de o que Brasil tenha co-assinado nota do Mercosul que criminaliza as manifestações, Corina acredita ainda que o governo Dilma Rousseff mude de posição.

        Dada a hostilidade do PT à visita da corajosa deputada Corina (evidenciada nas vaias no Congresso, e em movimentos de entidades ligadas ao PT como o MST e o MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores), tal possibilidade se afigura bastante remota, pela cegueira ideológica.

       Ao ensejo do aniversário dos cinquenta anos do golpe militar de 31 de março de 1964, a crença em uma posição de Estado da diplomacia brasileira coerente e sustentada se vê, desmentida pela postura partidista e ideológico-oportunista do PT.  O que os militares  não conseguiram no que tange à nossa política externa – que continuou a pautar-se pelos princípios da diplomacia de estado – acima das ideologias e na defesa do interesse do país, por enquanto nesse quarto e último ano de mandato de Dilma Rousseff, tais princípios basilares e institucionais correm o risco de virar quadros na parede.

 

(Fonte: Folha de S. Paulo )

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Ditadura Chavista

                            
 

           Talvez nem mais a Velhinha de Taubaté se animaria a acreditar na democracia de Nicolás Maduro. Sem o preparo, nem o traquejo do modelo antecessor, o presidente venezuelano mete os pés pelas mãos, e apela para uma repressão que se torna sempre mais crua e violenta, à medida que a situação piora.

          A brutalidade no desrespeito a qualquer sopro de espírito democrático – como, v.g., no caso da deputada da oposição Maria Corina Machado – chega ao grotesco. Como é público e notório, essa deputada foi cassada no grito (literalmente) pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

           Com a justiça sob inteiro controle da matilha chavista – que em Pindorama será vista com olhos compridos pelos cumpanheros petistas, embora se lhes reconheçam avanços – Cabello, a despeito do nome, se pode permitir toda e qualquer descabelada infração processual que, de antemão tem assegurada, a ratificação de uma autêntica justiça carimbo, que faria inveja às do antigo bloco socialista.

           Veja-se o caso da corajosa deputada, que buscava furar o muro da conivência internacional – da OEA, Unasul e quejandos – por meio de valer-se do banco do Panamá. Para Cabello, se se trata de oposição, não há qualquer necessidade de eventuais arremedos de respeito aos princípios do contraditório, do processo legal, e do respeito à jurisprudência e a norma em vigor.

           A tudo o colérico Diosdado sobrestou, porque a seu critério, um valor mais alto se alevantava. Referia-se à preservação dos privilégios chavistas. Em demonstração que terá comovido às lágrimas, verificou-se que se a economia e as finanças vão mal, se não mais vige o respeito à convivência com a discordância, pode ver-se – e isto há de levar às lágrimas os cumpanheros daqui, que lutam pelo controle social da mídia –a  presteza com que todo o aparelho do Estado – e todo ele, como nos regimes autoritários de boa cepa – trabalha bem azeitado e célere na implementação do direito pela ótica do poder dominante. Dessarte, o Tribunal Supremo de Justiça – e isto na noite de segunda-feira, 31 de março – ao confirmar a cassação do mandato da deputada, colocou, metaforicamente por enquanto, a cabeça de Corina Machado na soleira do presidente da Assembleia, vincando bem firme o princípio de que ali o que vale não é o processo legal burguês, mas o respeito à vontade do sistema, que, pelo visto, não carece de normas legais e de jurisprudência.

            Trocando em miúdos: no arraial chavista, a força nua do poder é o que vale.

             A esse propósito, Corina afirmou que a decisão do Tribunal Supremo de Justiça que confirmou a perda de seu mandato de deputada evidencia que não há separação entre os Poderes do Estado em seu país: “Isso é algo que acontece apenas em ditaduras, porque na realidade se trata de uma confabulação entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos controlados por Nicolás Maduro, que preside um regime ditatorial”.

            Hoje – dois de abril - a deputada falará no Senado do Brasil sobre o governo de Nicolás Maduro e as perseguições que a oposição venezuelana vem enfrentando.

             Nesse sentido, consoante noticia a Folha, a Comissão de Relações Exteriores convocou sessão extraordinária para ouvi-la.   

             É de esperar-se que a Tevê pública do Senado, que viria enfrentando dificuldades de pessoal e técnicas, esteja em condições de transmitir esse importante testemunho.

 

(Fonte:  Folha de S. Paulo)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Direita, volver !

                                  

Dilma, a ex-revolucionária



            Dentro da linha do temor reverencial, de que nos falou Maria Celina D’Araujo, Dilma Rousseff pronunciou ontem um bem-comportado discurso de ocasião, a propósito dos cinquenta anos do golpe militar de 31 de março de 1964.

            Seguindo ao pé da letra a orientação de seu líder e criador, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma continuou a seguir a linha do estamento político brasileiro – ao contrário da posição afirmativa da Argentina, em defesa do poder civil. Com efeito, após a observação de que respeita os que ‘morreram e desapareceram’ na luta contra o regime militar, cuidou de assinalar a sua aprovação aos “pactos políticos” que nos anos derradeiros da chamada ‘Revolução’, foram elaborados e aprovados para assegurar a democratização do país.

             Alinhada à extrema cautela de Lula da Silva – que, como foi recentemente lembrado, chegou a demitir um ministro civil da Defesa, e manter um militar como Comandante do Exército, pela simples causa de que, na prática, aquele recorrera à prerrogativa da supremacia do Poder Civil, o que é anátema para a elite civil a que tratou de associar-se Lula da Silva - Dilma não hesita em pôr-se na contramão do pensamento da Nação, como o demonstra a última sondagem do Datafolha: 46% dos brasileiros são a favor de rever a Anistia, e 37% são contra.

              Quando os políticos não são como Epitácio Pessoa e, por conseguinte, não acreditam na primazia do poder civil eleito sobre a corporação militar, muitas coisas ficam mais fáceis de entender em Pindorama.

 

Hollande apela para a direita socialista

 
               Segundo analistas políticos, François Hollande não tinha opção senão chamar a direita socialista. Nesse sentido, ao um tanto apagado Jean-Marc Ayrault ele substitui o Ministro do Interior, Manuel Valls, que para alguns seria uma espécie de híbrido (daí a alcunha de Tony Blair francês). Antes do final quinquênio, se realizarão as eleições para o Parlamento. Daí, a importância sentida por Hollande de melhorar os índices de aprovação com uma returbinada no Gabinete. Com efeito, se François Hollande continuar patinando em baixíssimos índices, será quase certa dentro do calendário político a eleição de uma maioria de direita.

                 Para evitar o inconveniente da chamada coabitação – que Jacques Chirac, ainda no seu primeiro mandato, teve de engolir, com a partilha do poder com Lionel Jospin e os socialistas – a mudança de fachada do novo gabinete socialista, sob Manuel Valls, visaria a reverter a baixa popularidade de Hollande.

                 O descontentamento grassava no eleitorado francês e o resultado nas eleições municipais, é o reflexo dessa tendência.  Semelha difícil antecipar se essa mexida no gabinete, com uma nova composição atenderá aos reclamos populares.  Nesse sentido, Hollande prometeu aos franceses um ‘governo de combate’: “Ouvi sua mensagem, ela é clara. Poucas mudanças e excesso de lentidão. Poucos empregos e muito desemprego.  Pouca justiça social e impostos demais. É  tempo hoje de abrir uma nova etapa. E confiei a Manuel Valls a missão de conduzir o governo da França.  Será uma equipe compacta, coerente e unida.”

                Assinale-se que o discreto Hollande corre um risco ao convidar para a direção do barco francês alguém que tem ambições presidenciais – e com algum potencial para disputar o Palais de l’Elysée (residência e sede do Presidente da República), Manuel Valls, de 51 anos, nasceu na Espanha e naturalizou-se francês em 1982. No Interior – que é um ministério ‘trampolim’ (V. Sarkozy) assumiu posições e atitudes enérgicas, com maior aceitação na UMP do que no próprio Partido Socialista. É uma aposta ousada de François Hollande. Mas na sua situação, continuar com Ayrault seria um suicídio político.

 

(Fontes: Folha de S. Paulo, O  Globo)