Na China de Hu Jintao
Na visita à China, conforme seu estilo, Barack Obama não confrontou o regime comunista no controle estatal que restringe o acesso à internet, assim como a operação de redes de contato. No entanto, também consoante o próprio modo de ser, achou modo de referir-se a esse controverso (na RPC e em outras ditaduras) tópico da web.
Segundo a imprensa brasileira, a sua palestra perante estudantes em Shangai teria sido transmitida pela tevê chinesa. Não exatamente. As palavras do presidente, proferidas diante de grupo cuidadosamente selecionado de estudantes, não tiveram cobertura nacional. Ao invés, parte de suas observações, inclusive os comentários acerca da abertura da internet, foram colocados em sites de notícia, nos quais permaneceram apenas por poucas horas.
Parece-me, a propósito, relevante transcrever a íntegra da intervenção de Obama neste ponto sensível (para a RPC e outros regimes ditos fortes).
Perguntado se se deveria estar em condições de utilizar livremente o Twitter, respondeu ele: “Bem, para começar, deixe-me dizer que eu nunca usei o Twitter. Meus dedos são demasiado desajeitados para digitar coisas através de celulares. Devo ser franco, como presidente dos Estados Unidos, existem horas em que desejaria que a informação não fluísse tão livremente, porque então eu não teria de escutar a gente me criticando todo o tempo. No entanto, porque nos Estados Unidos a informação é livre, e tenho uma penca de críticos nos Estados Unidos que podem dizer o que lhes dá na telha a meu respeito, na verdade eu penso que isto torna a nossa democracia mais forte e me faz ser um líder melhor, porque me força a ouvir opiniões que eu não desejo ouvir.”
No Reino de Mantega.
Foi anunciada ontem, conforme antecipado, a demissão de Mário Torós, da diretoria de Política Monetária do Banco Central. Oficialmente, Torós sai por motivos pessoais. Na verdade, é afastado por haver revelado o cenário da atuação do governo, ao ensejo da crise financeira internacional (marolinha, segundo Lula), agravada em setembro de 2008.
Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, Torós fez declarações inabituais para um banqueiro, ao referir-se a que o Ministro da Fazenda então tornara públicas informações estratégicas para segurar o câmbio na crise em outubro de 2008.
Esta inconfidência involuntária do Ministro Mantega custou caro à reserva de dólares do Brasil, eis que o Banco Central teve de torrar preciosos dólares em uma série de leilões para manter o valor do real em níveis que não fossem ruinosos para nossas finanças e economia.
Para o lugar de Torós, entra Aldo Luiz Mendes, que ocupou várias diretorias do Banco do Brasil desde 2001 e que atualmente preside a Companhia de Seguros Aliança do Brasil.
Nos Tribunais de Brasília.
A inconstitucional censura ao Estado de São Paulo, decretada em liminar exarada pelo desembargador Dácio Vieira (TJ-DF) já terá ultrapassado o seu centésimo dia de vigência. Mantida a princípio por decisões interlocutórias, logrou sobreviver inclusive à própria suspeição de quem concedera a liminar. Em duas oportunidades, sempre no âmbito do TJ-DF, a censura foi preservada, malgrado a surpresa de magistrados e de constitucionalistas.
Mandada para a Justiça do Maranhão, nos domínios do clã Sarney – foi seu filho Fernando que solicitou a intervenção judicial para não divulgação das reportagens investigativas do Estado de São Paulo sobre a operação Boi Barrica da Polícia Federal – a banca de advogados que representa o jornal houve por bem fazer recurso ao Superior Tribunal de Justiça.
Afigura-se, por assim dizer, a tramitação normal de um recurso contra a sentença do TJ-DF. No entanto, data venia, dada a relevância do caso, a arbitrariedade da liminar, e o seu manifesto caráter inconstitucional, mais caberia recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal. Dados os inúmeros abusos de juízes não só de comarcas do interior, mas, como se vê no exemplo em tela, na própria Capital da República, semelha que já é mais do que tempo de submeter a questão ao Supremo para que considere a oportunidade de emitir súmula vinculante a respeito da inconstitucionalidade da censura dita judicial.
Com efeito, urge cortar pela raiz este súbito proliferar de decisões judiciais que impõem a censura a jornais e outros meios de comunicação, em total desrespeito ao artigo 5º , inciso IX, e, a fortiori, ao artigo 220, parágrafos 1º e 2º , da Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Esvaziada Copenhague
Os líderes da República Popular da China , Hu Jintao, e dos Estados Unidos, Barack Obama chegaram a um acordo em Cingapura, a que se agregaram os demais países da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico). Como os 21 países da Apec equivalem a 60% das emissões mundiais, não restou alternativa ao Primeiro Ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, senão engolir afirmações anteriores, e associar-se ao combinado por Estados Unidos e China.
A decisão do anfitrião da Conferência de Copenhague foi decerto amarga, porém inevitável. Não há destreza verbal que possa mascarar o esvaziamento da Conferência das Nações Unidas, marcada para dezembro vindouro, em Copenhague, de que se esperavam determinações sérias, compulsórias – e não no estilo do Protocolo de Kyoto – sobre o desafio climático.
Por questões internas, que têm mais a ver com arraigada desconfiança de minorias e a atenção prioritária dispensada à reforma da saúde, o Congresso estadunidense não está em condições de produzir a tempo legislação climática consentânea com as metas revistas, diante da deterioração da situação ambiental do planeta.
Não estar Washington alinhado à urgência planetária da crise climática, não terá sido mal visto por muitos, como a RPC e outros mais, que se escondem convenientemente sob as longas sombras de EUA e China, para procrastinar o inadiável.
Negar o desafio climático e as consequências desastrosas que se abaterão sobre o planeta – como se sabe os efeitos climatéricos estão isentos de visto – é um fenômeno ainda bastante difundido entre os políticos e as comunidades que manipulam. Por certo, tem mais a ver com má-fé e oportunista estreiteza de vistas, do que com qualquer base de válido conhecimento. Haverá, outrossim, aquela franja extremista, em que burrice e fanatismo se interpenetram (como, v.g., no caso de os que ainda refutam o fato de o homem haver pisado na lua).
Se há uma questão que requer ação imediata – e não vazias táticas dilatórias – é a climática. O momento requer mais do que envergonhadas promessas, mas a ação de líderes com capacidade de agregar apoio. Ora, como a China teima em refugiar-se no grupo dos países em desenvolvimento – ela que se apresta a ultrapassar o Japão como a segunda potência econômica mundial – só restam os Estados Unidos. É de esperar-se, assim, que Barack Obama assuma o seu papel de vanguardeiro nos próximos meses cruciais, e afaste, uma vez por todas, os rumores de indecisão e eventual fraqueza que alguns grupos lhe atribuem.
Posição do Brasil.
Se bem que pareça, não é nota de pé de página a reação do Brasil. Reagindo a uma decisão com que não contavam – não teria o presidente Lula determinado que a chefia da delegação à Copenhague seria assumida pela poderosa Ministra-Chefa Dilma Rousseff ? – a presidência e quem responde pela Secretaria de Estado das Relações Exteriores asseguraram que será mantido o compromisso de reduzir as emissões de CO2 entre 36,1% a 38,9% até 2020.
Em sua passagem por Paris – para acertar com Sarkozy, segundo uns documento franco-brasileiro sobre o clima, e consoante outros, problemas relativos à concorrência aeronáutica a cargo da Pasta da Defesa – o Presidente Lula fez saber que telefonaria a Obama e Hu Jintao, “para cobrar comprometimento” na questão climática. Temia ele justamente o que viria a ocorrer: que os dois chegassem a entendimento bilateral levando em conta apenas as próprias realidades.
Pelo visto, “o cara” acreditou no que lhe disseram. Na respectiva hubris, parece haver sacado sobre fundos inexistentes.
A decisão do anfitrião da Conferência de Copenhague foi decerto amarga, porém inevitável. Não há destreza verbal que possa mascarar o esvaziamento da Conferência das Nações Unidas, marcada para dezembro vindouro, em Copenhague, de que se esperavam determinações sérias, compulsórias – e não no estilo do Protocolo de Kyoto – sobre o desafio climático.
Por questões internas, que têm mais a ver com arraigada desconfiança de minorias e a atenção prioritária dispensada à reforma da saúde, o Congresso estadunidense não está em condições de produzir a tempo legislação climática consentânea com as metas revistas, diante da deterioração da situação ambiental do planeta.
Não estar Washington alinhado à urgência planetária da crise climática, não terá sido mal visto por muitos, como a RPC e outros mais, que se escondem convenientemente sob as longas sombras de EUA e China, para procrastinar o inadiável.
Negar o desafio climático e as consequências desastrosas que se abaterão sobre o planeta – como se sabe os efeitos climatéricos estão isentos de visto – é um fenômeno ainda bastante difundido entre os políticos e as comunidades que manipulam. Por certo, tem mais a ver com má-fé e oportunista estreiteza de vistas, do que com qualquer base de válido conhecimento. Haverá, outrossim, aquela franja extremista, em que burrice e fanatismo se interpenetram (como, v.g., no caso de os que ainda refutam o fato de o homem haver pisado na lua).
Se há uma questão que requer ação imediata – e não vazias táticas dilatórias – é a climática. O momento requer mais do que envergonhadas promessas, mas a ação de líderes com capacidade de agregar apoio. Ora, como a China teima em refugiar-se no grupo dos países em desenvolvimento – ela que se apresta a ultrapassar o Japão como a segunda potência econômica mundial – só restam os Estados Unidos. É de esperar-se, assim, que Barack Obama assuma o seu papel de vanguardeiro nos próximos meses cruciais, e afaste, uma vez por todas, os rumores de indecisão e eventual fraqueza que alguns grupos lhe atribuem.
Posição do Brasil.
Se bem que pareça, não é nota de pé de página a reação do Brasil. Reagindo a uma decisão com que não contavam – não teria o presidente Lula determinado que a chefia da delegação à Copenhague seria assumida pela poderosa Ministra-Chefa Dilma Rousseff ? – a presidência e quem responde pela Secretaria de Estado das Relações Exteriores asseguraram que será mantido o compromisso de reduzir as emissões de CO2 entre 36,1% a 38,9% até 2020.
Em sua passagem por Paris – para acertar com Sarkozy, segundo uns documento franco-brasileiro sobre o clima, e consoante outros, problemas relativos à concorrência aeronáutica a cargo da Pasta da Defesa – o Presidente Lula fez saber que telefonaria a Obama e Hu Jintao, “para cobrar comprometimento” na questão climática. Temia ele justamente o que viria a ocorrer: que os dois chegassem a entendimento bilateral levando em conta apenas as próprias realidades.
Pelo visto, “o cara” acreditou no que lhe disseram. Na respectiva hubris, parece haver sacado sobre fundos inexistentes.
domingo, 15 de novembro de 2009
Obama e o Estado de Segurança Nacional
A eleição de Barack Obama em 2008, que motivou participação tão grande do eleitorado americano, correspondeu a movimento popular caracterizado pela renovação das práticas vigentes. No difuso mandato colhido pelo Senador por Illinois havia mais do que simples reação contra o seu antecessor George Walter Bush, a guerra do Iraque, e a política de segurança representada por Bush, o vice Dick Cheney e todo o grupo dos neo-conservadores. Havia igualmente um voto contra o que Washington e o seu estamento representam.
Perpassava o sufrágio em favor de Obama – e a vasta coalizão de que se originou – ampla, larga vontade em prol da mudança. Se ventos liberalizantes e anti-Bush prevaleciam, a multiplicidade dos segmentos participantes nessa vasta corrente trazia sincero mas pouco articulado desígnio, que nascia mais da insatisfação com o statu quo, do que agregava diretivas específicas. Em verdade, dadas as dimensões da aliança formada na terça-feira, 4 de novembro, não semelha factível se exigir mais da motivação da maioria que então sufragou o candidato democrata.
Barack Obama, na tradição de Abraham Lincoln, tem grande apreço pela palavra. A exemplo de Bill Clinton na Convenção de 1988[1], foi através de discurso na Convenção democrata de 2004, que o até então inconspícuo político se lançou no cenário nacional.
O seu discurso de posse, na escadaria do Capitólio, ouvido no Mall por multidão de dois milhões, soube resumir, em frases lapidares, o querer mudar da ampla maioria que o apoiava. A sua mensagem repercutiu em vários continentes, com os seus propósitos de diálogo e de abertura, de retomada de entendimentos, de luta pela justiça e de empresa contra a corrupção.
Ouvidos atentos e abertos saudaram com entusiasmo e esperança tanto na alocução da posse, quanto no celebrado discurso do Cairo, quando se dirigiu ao público árabe e muçulmano. Não há desmerecer valor e peso dessas orações, que se pautaram por soar e tocar em pontos e questões objeto de longa incompreensão e, mesmo, causa de fundas discordâncias.
Sem embargo, a palavra terá sempre a natureza da proclamação, de orador ou arauto. Pode preparar os ânimos e principiar a varrer expectativas e disposições contrárias. Por suas inerentes características de anúncio e da implícita promessa que carregam, o seu valor só tende a firmar-se e a confirmar-se se atos concretos, se políticas estruturadas a corroborarem e a concretizarem, transformando para os seus públicos a realidade anterior e respectiva práxis, que foram a origem seja de latente desconfiança, seja de efetivo antagonismo.
A matéria a ser analisada é bastante vasta. Garry Wills em artigo para The New York Review ‘O Gigante Embaraçado’ intenta resumir a agenda do candidato, com a sua promessa de mudança (change), e em que atos e situações ela deveria ocorrer.
Os atos ilegais precisam acabar: tortura, detenção indefinida, negativa de habeas corpus e de representação por advogados, cancelamento unilateral de tratados, desrespeito (defiance) do Congresso e da Constituição, anulação de leis por declarações assinadas. Tampouco devem ser exercidos os poderes arrogados pelo Presidente por meio da teoria do executivo unitário.E não devem ser confirmados juízes que estão dispostos a outorgar ao Presidente qualquer poder que reivindique.
No entanto, não se afigura fácil opor-se à força inercial desses poderes, muitos dos quais não foram criados pela Administração de Bush júnior. Desde a Segunda Guerra Mundial há uma contínua transferência de poderes para o Executivo. São sessenta e oito anos (1941-2009) de poderes emergenciais de guerra: o monopólio no uso do armamento nuclear, a rede mundial de bases militares para manter o alerta nuclear e a supremacia, as agências secretas de inteligência, todo o estado nacional de segurança, os sistemas de confidencialização (classification) e de acesso (clearance), a expansão do sigilo estatal, as restrições (withholding) de provas e informações,a emergência permanente que fundiu a Segunda Guerra Mundial na Guerra fria e a guerra fria na ‘guerra contra o terror’. Tudo isso compõe vasta e intrincada estrutura que não será de fácil desmantelamento.
Em artigo a ser elaborado a seguir, se intentará condensar as experiências na prática da nova Administração com esta realidade da evolução da superpotência estadunidense.
Também se tratará do perfil do 44º Presidente, como se está delineando no conhecido processo através de tentativas e erros (trial and error).
Em meio a um ambiente político onde não semelha mais haver espaço para o bipartidarismo de antanho, em que o Partido Republicano se enrijece em núcleo de direita conservadora e evangélica, e antiga ala moderada se afigura a caminho da extinção, qualquer intento presidencial de formar largas convergências baseadas no interesse nacional tendem a chocar-se contra núcleos e facções da ultra-direita, movidos por forças que trabalham mais com a emoção do que com a razão. Nas hostes do G.O.P. se verifica um processo de radicalização intenso, tanto nos meios de comunicação que as apoiam (v.g., a Fox), quantos nos novos líderes (v.g. Senador De Mint, da Carolina do Sul) e os condutores dos grupos de ‘Tea Party’, que recordam a ultra-direita da segunda metade do século XX, com a Birch Society e similares.
Em um cenário como este, em que a política parece vetor de confrontação e destruição do antigo adversário, hoje inimigo, se tornará sempre mais difícil uma política, como a de Obama, que privilegia o diálogo e o intento de composição.
[1] A Convenção designou a Michael Dukakis como candidato democrata.
Perpassava o sufrágio em favor de Obama – e a vasta coalizão de que se originou – ampla, larga vontade em prol da mudança. Se ventos liberalizantes e anti-Bush prevaleciam, a multiplicidade dos segmentos participantes nessa vasta corrente trazia sincero mas pouco articulado desígnio, que nascia mais da insatisfação com o statu quo, do que agregava diretivas específicas. Em verdade, dadas as dimensões da aliança formada na terça-feira, 4 de novembro, não semelha factível se exigir mais da motivação da maioria que então sufragou o candidato democrata.
Barack Obama, na tradição de Abraham Lincoln, tem grande apreço pela palavra. A exemplo de Bill Clinton na Convenção de 1988[1], foi através de discurso na Convenção democrata de 2004, que o até então inconspícuo político se lançou no cenário nacional.
O seu discurso de posse, na escadaria do Capitólio, ouvido no Mall por multidão de dois milhões, soube resumir, em frases lapidares, o querer mudar da ampla maioria que o apoiava. A sua mensagem repercutiu em vários continentes, com os seus propósitos de diálogo e de abertura, de retomada de entendimentos, de luta pela justiça e de empresa contra a corrupção.
Ouvidos atentos e abertos saudaram com entusiasmo e esperança tanto na alocução da posse, quanto no celebrado discurso do Cairo, quando se dirigiu ao público árabe e muçulmano. Não há desmerecer valor e peso dessas orações, que se pautaram por soar e tocar em pontos e questões objeto de longa incompreensão e, mesmo, causa de fundas discordâncias.
Sem embargo, a palavra terá sempre a natureza da proclamação, de orador ou arauto. Pode preparar os ânimos e principiar a varrer expectativas e disposições contrárias. Por suas inerentes características de anúncio e da implícita promessa que carregam, o seu valor só tende a firmar-se e a confirmar-se se atos concretos, se políticas estruturadas a corroborarem e a concretizarem, transformando para os seus públicos a realidade anterior e respectiva práxis, que foram a origem seja de latente desconfiança, seja de efetivo antagonismo.
A matéria a ser analisada é bastante vasta. Garry Wills em artigo para The New York Review ‘O Gigante Embaraçado’ intenta resumir a agenda do candidato, com a sua promessa de mudança (change), e em que atos e situações ela deveria ocorrer.
Os atos ilegais precisam acabar: tortura, detenção indefinida, negativa de habeas corpus e de representação por advogados, cancelamento unilateral de tratados, desrespeito (defiance) do Congresso e da Constituição, anulação de leis por declarações assinadas. Tampouco devem ser exercidos os poderes arrogados pelo Presidente por meio da teoria do executivo unitário.E não devem ser confirmados juízes que estão dispostos a outorgar ao Presidente qualquer poder que reivindique.
No entanto, não se afigura fácil opor-se à força inercial desses poderes, muitos dos quais não foram criados pela Administração de Bush júnior. Desde a Segunda Guerra Mundial há uma contínua transferência de poderes para o Executivo. São sessenta e oito anos (1941-2009) de poderes emergenciais de guerra: o monopólio no uso do armamento nuclear, a rede mundial de bases militares para manter o alerta nuclear e a supremacia, as agências secretas de inteligência, todo o estado nacional de segurança, os sistemas de confidencialização (classification) e de acesso (clearance), a expansão do sigilo estatal, as restrições (withholding) de provas e informações,a emergência permanente que fundiu a Segunda Guerra Mundial na Guerra fria e a guerra fria na ‘guerra contra o terror’. Tudo isso compõe vasta e intrincada estrutura que não será de fácil desmantelamento.
Em artigo a ser elaborado a seguir, se intentará condensar as experiências na prática da nova Administração com esta realidade da evolução da superpotência estadunidense.
Também se tratará do perfil do 44º Presidente, como se está delineando no conhecido processo através de tentativas e erros (trial and error).
Em meio a um ambiente político onde não semelha mais haver espaço para o bipartidarismo de antanho, em que o Partido Republicano se enrijece em núcleo de direita conservadora e evangélica, e antiga ala moderada se afigura a caminho da extinção, qualquer intento presidencial de formar largas convergências baseadas no interesse nacional tendem a chocar-se contra núcleos e facções da ultra-direita, movidos por forças que trabalham mais com a emoção do que com a razão. Nas hostes do G.O.P. se verifica um processo de radicalização intenso, tanto nos meios de comunicação que as apoiam (v.g., a Fox), quantos nos novos líderes (v.g. Senador De Mint, da Carolina do Sul) e os condutores dos grupos de ‘Tea Party’, que recordam a ultra-direita da segunda metade do século XX, com a Birch Society e similares.
Em um cenário como este, em que a política parece vetor de confrontação e destruição do antigo adversário, hoje inimigo, se tornará sempre mais difícil uma política, como a de Obama, que privilegia o diálogo e o intento de composição.
[1] A Convenção designou a Michael Dukakis como candidato democrata.
sábado, 14 de novembro de 2009
Colcha de Retalhos XXVII
A Volta por Cima
Quando o Clube de Regatas Vasco da Gama, por primeira vez, caíu na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro a reação da torcida foi a um tempo de raiva e de determinação. Raiva pelo que acontecera, sequência inelutável de uma direção ruinosa que carregara o Vasco para as últimas colocações da Série A. Ao final, os cálculos matemáticos e a lógica da má gestão levaram o time de tantos títulos e glórias para a chamada Segundona.
Mas a determinação, junto com a cólera, acompanharia a equipe cruz-maltina desde a primeira hora. Essa disposição da torcida se traduziu em apoio ao time e à nova direção de Roberto Dinamite. Foram tempos dífíceis, para varrer os obstáculos deixados pela gestão anterior. A equipe armada pelo técnico Dorival Júnior, superados alguns tropeços iniciais, já entraria no returno à frente dos demais dezenove clubes. Soube então o time liderado por Carlos Alberto manter a serenidade e a força de vontade de manter a liderança, para afinal chegar ao jogo com o Juventude no Maracanã e arrancar, com mais uma suada vitória, a matemática certeza do retorno à Série A.
As tradições desta equipe e de sua grande torcida – espalhada como vimos nós por todo o Brasil – não se satisfariam com o simples acesso à Primeira Divisão. E no jogo de ontem, contra o América R/N, malgrado a resistência do adversário, o C.R.V.G. repetiria os sacrifícios de árdua campanha em dramático triunfo, alcançado nos minutos finais, por um belo gol de Alex Teixeira.
Decerto, a torcida vascaína, se não esqueceu quem pôs o Vasco na 2ª. divisão, tampouco há de faltar em seu entusiasmado apoio ao team, que ora regressa à Primeira Divisão, sem desdenhar de conquistar para a sua coleção de troféus também o caneco da Segundona.[1]
Notícias do Apagão.
Mais uma vez o Presidente Lula demonstra que não é por acaso que se acha a pouco mais de um ano do fim de seu segundo mandato, e em alto nível de popularidade.
Terá sentido que a tentativa de pôr uma pedra na questão do Apagão, seja nas palavras apressadas do Ministro Edison Lobão, seja na desastrosa entrevista da Ministra Chefa da Casa Civil, em que rasgou, com prepotente arrogância, a fantasia de Dilminha paz-e-amor, que lhe fora adrede preparada. Se ambas as personagens proclamam como encerrado o assunto, Lula se perguntou publicamente se o apagão não teria ocorrido por falha humana.
Por isso, indicou que já pediu investigação aos órgãos ligados ao setor elétrico. E acrescentou: “Foi uma coisa grave que precisamos saber o que é. Eu disse à Aneel e ao ONS (Operador Nacional do Sistema) que é preciso ter um processo de investigação em toda a trajetória. É preciso saber o motivo do desastre.”
O bom senso e a capacidade de discernir – mesmo nas alturas presidenciais – o que é necessário a Nação saber, constitui um traço importante, que oportunamente diferencia Lula dos políticos que o cercam.
Tragédia na Ucrânia.
Com a chegada na Europa do frio boreal, a crise da gripe H1N1, a chamada gripe suína, se manifestou na Ucrânia, essa antiga república soviética, com assustadora devastação humana. Assim, as unidades de tratamento intensivo começaram a receber, há duas semanas, pacientes com pulmões tão saturados de sangue que mal podiam respirar.
Pela precariedade do atendimento médico naquele país,os enfermos muita vez evitavam a hospitalização até um ponto em que a doença se achasse muito avançada. Diante do fluxo inesperado – e da má distribuição dos medicamentos – as unidades de terapia intensiva se mostraram sem condições de atender ao grande número de pacientes.
O serviço médico público ucraniano – com salários tão baixos que muitos preferem emigrar para a Europa ocidental e lá trabalhar como agentes sanitários – e ainda por cima com equipamento deficiente, padece igualmente dos atrasos e óbices burocráticos. Dessarte, os prefeitos das cidades de Ternopyl e Lviv, onde foram registrados óbitos suspeitos por pneumonia a doze e dezenove de outubro, se queixaram da negativa do serviço epidemiológico federal em intervir sem confirmação laboratorial da presença do vírus, o que retardou as medidas profiláticas para o fim de outubro.
A despeito de terem direito a tratamento sanitário gratuito, muitos dos pacientes carentes de atenção médicas só a obtém mediante suborno dos atendentes. Por outro lado, embora a Ucrânia disponha de Tamiflu em quantidade substancial, tal medicamento somente se encontra na sede da unidade de doenças infecto-contagiosas. Nessas condições, o medicamento só pode ser cedido depois de comprovada a enfermidade, o que acarreta um prazo de quatro dias para a sua utilização.
Por outro lado, preocupa na Ucrânia o número de médicos e de enfermeiras que contraem a gripe suína, o que se presume seja atribuível à falta de luvas medicinais, máscaras cirúrgicas e de desinfetantes.
Tais dificuldades arrostadas pelos hospitais públicos ucrânianos quiçá nos possam recordar de condições similares encontradiças em outras paragens. Passada, no entanto, a primeira desastrosa fase da epidemia, decorrente do desconhecimento e do despreparo, o número de fatalidades na Ucrânia pôde ser controlado. Nesse sentido, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), os totais de mortes pela gripe suína naquele país já tendem a não diferenciar-se da média registrada nos demais países.
( Fontes: O Globo, International Herald Tribune)
[ 1] Na oportunidade, agradeço às muitas felicitações recebidas dos leitores deste blog, a cuja satisfação de bom grado me associo.
Quando o Clube de Regatas Vasco da Gama, por primeira vez, caíu na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro a reação da torcida foi a um tempo de raiva e de determinação. Raiva pelo que acontecera, sequência inelutável de uma direção ruinosa que carregara o Vasco para as últimas colocações da Série A. Ao final, os cálculos matemáticos e a lógica da má gestão levaram o time de tantos títulos e glórias para a chamada Segundona.
Mas a determinação, junto com a cólera, acompanharia a equipe cruz-maltina desde a primeira hora. Essa disposição da torcida se traduziu em apoio ao time e à nova direção de Roberto Dinamite. Foram tempos dífíceis, para varrer os obstáculos deixados pela gestão anterior. A equipe armada pelo técnico Dorival Júnior, superados alguns tropeços iniciais, já entraria no returno à frente dos demais dezenove clubes. Soube então o time liderado por Carlos Alberto manter a serenidade e a força de vontade de manter a liderança, para afinal chegar ao jogo com o Juventude no Maracanã e arrancar, com mais uma suada vitória, a matemática certeza do retorno à Série A.
As tradições desta equipe e de sua grande torcida – espalhada como vimos nós por todo o Brasil – não se satisfariam com o simples acesso à Primeira Divisão. E no jogo de ontem, contra o América R/N, malgrado a resistência do adversário, o C.R.V.G. repetiria os sacrifícios de árdua campanha em dramático triunfo, alcançado nos minutos finais, por um belo gol de Alex Teixeira.
Decerto, a torcida vascaína, se não esqueceu quem pôs o Vasco na 2ª. divisão, tampouco há de faltar em seu entusiasmado apoio ao team, que ora regressa à Primeira Divisão, sem desdenhar de conquistar para a sua coleção de troféus também o caneco da Segundona.[1]
Notícias do Apagão.
Mais uma vez o Presidente Lula demonstra que não é por acaso que se acha a pouco mais de um ano do fim de seu segundo mandato, e em alto nível de popularidade.
Terá sentido que a tentativa de pôr uma pedra na questão do Apagão, seja nas palavras apressadas do Ministro Edison Lobão, seja na desastrosa entrevista da Ministra Chefa da Casa Civil, em que rasgou, com prepotente arrogância, a fantasia de Dilminha paz-e-amor, que lhe fora adrede preparada. Se ambas as personagens proclamam como encerrado o assunto, Lula se perguntou publicamente se o apagão não teria ocorrido por falha humana.
Por isso, indicou que já pediu investigação aos órgãos ligados ao setor elétrico. E acrescentou: “Foi uma coisa grave que precisamos saber o que é. Eu disse à Aneel e ao ONS (Operador Nacional do Sistema) que é preciso ter um processo de investigação em toda a trajetória. É preciso saber o motivo do desastre.”
O bom senso e a capacidade de discernir – mesmo nas alturas presidenciais – o que é necessário a Nação saber, constitui um traço importante, que oportunamente diferencia Lula dos políticos que o cercam.
Tragédia na Ucrânia.
Com a chegada na Europa do frio boreal, a crise da gripe H1N1, a chamada gripe suína, se manifestou na Ucrânia, essa antiga república soviética, com assustadora devastação humana. Assim, as unidades de tratamento intensivo começaram a receber, há duas semanas, pacientes com pulmões tão saturados de sangue que mal podiam respirar.
Pela precariedade do atendimento médico naquele país,os enfermos muita vez evitavam a hospitalização até um ponto em que a doença se achasse muito avançada. Diante do fluxo inesperado – e da má distribuição dos medicamentos – as unidades de terapia intensiva se mostraram sem condições de atender ao grande número de pacientes.
O serviço médico público ucraniano – com salários tão baixos que muitos preferem emigrar para a Europa ocidental e lá trabalhar como agentes sanitários – e ainda por cima com equipamento deficiente, padece igualmente dos atrasos e óbices burocráticos. Dessarte, os prefeitos das cidades de Ternopyl e Lviv, onde foram registrados óbitos suspeitos por pneumonia a doze e dezenove de outubro, se queixaram da negativa do serviço epidemiológico federal em intervir sem confirmação laboratorial da presença do vírus, o que retardou as medidas profiláticas para o fim de outubro.
A despeito de terem direito a tratamento sanitário gratuito, muitos dos pacientes carentes de atenção médicas só a obtém mediante suborno dos atendentes. Por outro lado, embora a Ucrânia disponha de Tamiflu em quantidade substancial, tal medicamento somente se encontra na sede da unidade de doenças infecto-contagiosas. Nessas condições, o medicamento só pode ser cedido depois de comprovada a enfermidade, o que acarreta um prazo de quatro dias para a sua utilização.
Por outro lado, preocupa na Ucrânia o número de médicos e de enfermeiras que contraem a gripe suína, o que se presume seja atribuível à falta de luvas medicinais, máscaras cirúrgicas e de desinfetantes.
Tais dificuldades arrostadas pelos hospitais públicos ucrânianos quiçá nos possam recordar de condições similares encontradiças em outras paragens. Passada, no entanto, a primeira desastrosa fase da epidemia, decorrente do desconhecimento e do despreparo, o número de fatalidades na Ucrânia pôde ser controlado. Nesse sentido, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), os totais de mortes pela gripe suína naquele país já tendem a não diferenciar-se da média registrada nos demais países.
( Fontes: O Globo, International Herald Tribune)
[ 1] Na oportunidade, agradeço às muitas felicitações recebidas dos leitores deste blog, a cuja satisfação de bom grado me associo.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Apagão, assunto encerrado ?
Depois de estranho silêncio da Ministra Dilma Rousseff sobre o apagão, talvez observação do Governador Aécio Neves tenha tido o condão de que ela não mais se escondesse por trás da sombra do Ministro Edison Lobão.
Mineiramente, assim se manifestou o pré-candidato do PSDB: “Não creio que do ponto de vista técnico o apagão tenha efeitos na campanha. Agora, a operação para blindar a ministra Dilma, isso passa a ideia de fragilidade em sua candidatura”.
É difícil não entrever em tais declarações a causa eficiente para a entrevista na tarde do mesmo dia da pré-candidata do oficialismo e responsável pelo planejamento do setor elétrico no governo Lula.
Dignou-se então a Ministra-Chefa da Casa Civil informar a sociedade, 48 horas após o colapso na energia, que o sistema foi “inteiramente recuperado” e que, “para o Governo, esse episódio está encerrado.”
Deveríamos então ficar aliviados com a alvissareira notícia, transmitida por Sua Excelência com o tom peremptório que se casa com sua personalidade, a despeito dos intentos dos publicitários de turno de vesti-la com pele de cordeiro, reminiscente do Lula, ‘paz e amor’ da eleição de 2002 ?
Não tanto, pois para quem afiança que o sistema foi “inteiramente recuperado”, e que com a suavidade de um ucase[1] determina que “para o governo, esse episódio está encerrado”, desperta no mínimo assombro que ela acrescente não estar o Brasil “livre de blecaute”. Para que tal ocorra, se apressa em aduzir, o nível de investimentos no setor elétrico teria que ser elevadíssimo.
Interessante notar, a propósito, que o governo Lula só investiu 38% das dotações alocadas para o setor energético. Fica então a pergunta do porque desta drástica redução de quase dois terços para o aparelhamento do sistema. Decerto, não se há de reputar elevadíssimos os montantes rotineiros de que o sistema carece.
Sem entrar de imediato na análise da incongruência do autoritário encerramento de discussão de um caso não resolvido, assinale-se que o Ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, acorreu, pressuroso, no apoio à Ministra-Chefa, pronunciando, do alto de sua competência, que o apagão “é assunto encerrado”.
A situação escarnece dos apodos oposicionistas de que o Presidente Lula e seus auxiliares, tanto executivos, quanto legislativos, partam para a blindagem extrema da pré-candidata Dilma, seja no Congresso, seja alhures. Nada de interrogatórios parlamentares, nada de quesitos importunos de oposicionistas que, porventura, a coloquem em dificuldade.
Semelha peculiar deveras o açodamento de Dilma, Lobão & Cia. de encerrar o debate sobre o molesto acontecimento. Exemplos passados avivam suspeitas de que as hostes governistam temam no episódio a verdade, assim como o demo estremece diante da cruz. Se não, qual o motivo verossímil de tal açodamento ? Não seria interessante para a Administração conhecer os fatos – sempre na presunção de que ainda não os saiba – pois, esta ciência lhe será útil no futuro, auxiliando-a quem sabe a prevenir desastres tão embaraçosos ? Ou serão os raios de Júpiter, esta divindade desde muito decaída, a terem, além dos tempos de FHC, uma nova sobrevida ?
A ocultação das circunstâncias que determinam ocorrências desagradáveis será sempre tentação dos governos no exercício de suas funções. No caso presente, esses intentos são canhestros e inúteis. Como a pretensa causa meteorológica foi afastada por quem de direito, seria oportuno e inteligente apurar-se as causas reais do apagão. Oportuno, porque o encerramento do assunto não satisfaz, e inteligente, pela simples razão de que, mais cedo ou mais tarde, os fatores determinantes virão a lume.
Tais motivações são alvitradas, presumindo a existência de boa fé na Administração. Tentar espichar o silêncio contra vento e maré atiça o faro de investigadores radicais, dentro da chã sabedoria de que para ações e fatos comprometedores a esperança só reside nos férreos segredos do desespero.
[1] Decreto imperial na antiga Rússia.
Mineiramente, assim se manifestou o pré-candidato do PSDB: “Não creio que do ponto de vista técnico o apagão tenha efeitos na campanha. Agora, a operação para blindar a ministra Dilma, isso passa a ideia de fragilidade em sua candidatura”.
É difícil não entrever em tais declarações a causa eficiente para a entrevista na tarde do mesmo dia da pré-candidata do oficialismo e responsável pelo planejamento do setor elétrico no governo Lula.
Dignou-se então a Ministra-Chefa da Casa Civil informar a sociedade, 48 horas após o colapso na energia, que o sistema foi “inteiramente recuperado” e que, “para o Governo, esse episódio está encerrado.”
Deveríamos então ficar aliviados com a alvissareira notícia, transmitida por Sua Excelência com o tom peremptório que se casa com sua personalidade, a despeito dos intentos dos publicitários de turno de vesti-la com pele de cordeiro, reminiscente do Lula, ‘paz e amor’ da eleição de 2002 ?
Não tanto, pois para quem afiança que o sistema foi “inteiramente recuperado”, e que com a suavidade de um ucase[1] determina que “para o governo, esse episódio está encerrado”, desperta no mínimo assombro que ela acrescente não estar o Brasil “livre de blecaute”. Para que tal ocorra, se apressa em aduzir, o nível de investimentos no setor elétrico teria que ser elevadíssimo.
Interessante notar, a propósito, que o governo Lula só investiu 38% das dotações alocadas para o setor energético. Fica então a pergunta do porque desta drástica redução de quase dois terços para o aparelhamento do sistema. Decerto, não se há de reputar elevadíssimos os montantes rotineiros de que o sistema carece.
Sem entrar de imediato na análise da incongruência do autoritário encerramento de discussão de um caso não resolvido, assinale-se que o Ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, acorreu, pressuroso, no apoio à Ministra-Chefa, pronunciando, do alto de sua competência, que o apagão “é assunto encerrado”.
A situação escarnece dos apodos oposicionistas de que o Presidente Lula e seus auxiliares, tanto executivos, quanto legislativos, partam para a blindagem extrema da pré-candidata Dilma, seja no Congresso, seja alhures. Nada de interrogatórios parlamentares, nada de quesitos importunos de oposicionistas que, porventura, a coloquem em dificuldade.
Semelha peculiar deveras o açodamento de Dilma, Lobão & Cia. de encerrar o debate sobre o molesto acontecimento. Exemplos passados avivam suspeitas de que as hostes governistam temam no episódio a verdade, assim como o demo estremece diante da cruz. Se não, qual o motivo verossímil de tal açodamento ? Não seria interessante para a Administração conhecer os fatos – sempre na presunção de que ainda não os saiba – pois, esta ciência lhe será útil no futuro, auxiliando-a quem sabe a prevenir desastres tão embaraçosos ? Ou serão os raios de Júpiter, esta divindade desde muito decaída, a terem, além dos tempos de FHC, uma nova sobrevida ?
A ocultação das circunstâncias que determinam ocorrências desagradáveis será sempre tentação dos governos no exercício de suas funções. No caso presente, esses intentos são canhestros e inúteis. Como a pretensa causa meteorológica foi afastada por quem de direito, seria oportuno e inteligente apurar-se as causas reais do apagão. Oportuno, porque o encerramento do assunto não satisfaz, e inteligente, pela simples razão de que, mais cedo ou mais tarde, os fatores determinantes virão a lume.
Tais motivações são alvitradas, presumindo a existência de boa fé na Administração. Tentar espichar o silêncio contra vento e maré atiça o faro de investigadores radicais, dentro da chã sabedoria de que para ações e fatos comprometedores a esperança só reside nos férreos segredos do desespero.
[1] Decreto imperial na antiga Rússia.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Apagão, Símbolo do Subdesenvolvimento
Como não ver com incredulidade as desculpas do Ministro Lobão e a enésima tentativa de Lula de apequenar como mero incidente um fenômeno que atingiu 18 estados e privou de 45% a carga de energia do país, em duração média de quatro horas?
Tampouco se podem engolir as oportunistas críticas da oposição. Acaso pensam esses catões de arribação que somos todos desmemoriados ? Quem não se recorda da precariedade deste abastecimento nos tempos de FHC, que nos brindou com bastos apagões e o sacrifício de longo racionamento de energia ?
Ambos os lados, seja por faltas passadas ou presentes, merecem o menosprezo do povo brasileiro, submetido não só ao desconforto do brusco e não-previsto colapso da energia, mas a todas as suas sequelas de espantosa e exasperante amplitude.
As atabalhoadas desculpas do Ministro Edison Lobão, esta criatura do sistema Sarney, constituem deplorável retrato do próprio despreparo e do pegajoso subdesenvolvimento nacional. Como acentuou Míriam Leitão, a princípio disse que era pane em Itaipu. Atribuiu ao governo anterior as faltas de interligação. De novo, se equivoca, eis que o sistema se acha há decadas interligado. Então, parafraseando a velha fábula, se não foi isso, foram problemas meteorológicos ! Um raio seguramente é o culpado ! Qualquer coisa é válida, menos falha humana.
Entrementes o seu loquaz chefe minimiza o acontecido – como é o vezo dele. Na sua logorreia, sequer se detém com o insignificante problema do hospital que, por acrescida improvidência, não dispõe de gerador (para atender a deficiências respiratórias e renais, entre outras), ou alguém que fique encerrado no sufocante breu de elevador, ou privado de água corrente, ou com aparelhos eletrônicos e eletro-domésticos danificados, ou com a casa incendiada por curto circuito,etc. etc. ?
Será uma cansada reação de raiva impotente, ao depararmos esses políticos cujas promessas têm a vida curta – “Nós temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. Nós hoje voltamos a fazer planejamento”, Dilma Rousseff, a 29 de outubro p.p. ?
É de recordar-se que no tucanato igualmente fora o maldito raio o culpado do desastre.
Tais explicações – e insistentes intentos de desviar a atenção, com acusações a FHC et al. – semelham mais o zunido incômodo de insetos, que molestos roçam em nossos ouvidos antes que o despachemos com gesto impaciente. Porque outro órgão do Estado reputa mínima a chance de raios serem a causa do apagão. Não foram detectados raios capazes de provocar o desligamento da rede. E no suposto local onde tudo teria começado, na subestação de Itaberá, a tempestade mais próxima distava trinta km !
Ao invés da discurseira vazia, das parvas explicações, se pensa na inchação dos empregos públicos, na proliferação de ministérios inúteis em número a rivalizar com os do bando de Ali Babá, e se acercando ao âmago da questão, a irresponsibilidade na incúria das inversões de infraestrutura, em pesquisa e em investimento.
É forçoso reconhecer que as semelhanças entre Chávez e Lula não se cingem ao discurso neopopulista. São muy amigos, embora as dádivas sejam mais de Nosso Guia do que do falastrão caudilho. E, agora, será que nos descobriremos irmanados pelos achaques energéticos de lá (banhos de 3 minutos, carência de água, apagões a mancheias) pela explosão da mancha assistencialista, a estulta e condenada transposição do Rio São Francisco, e as ignaras, nervosas explicações do Ministro Lobão, a par de temerárias e arrogantes promessas da mãe do PAC e candidata de algibeira do senhor Presidente – o único que trabalha, eis que todos os seus antecessores nada fizeram !
Em tempo, o modesto blog, terminado às 10:4lhs da manhã, ignora quando será postado na internet. A quem culpar, devo ? A Zeus, com seus raios, ou a Lobão, com o seu domínio da respectiva Pasta ?
Tampouco se podem engolir as oportunistas críticas da oposição. Acaso pensam esses catões de arribação que somos todos desmemoriados ? Quem não se recorda da precariedade deste abastecimento nos tempos de FHC, que nos brindou com bastos apagões e o sacrifício de longo racionamento de energia ?
Ambos os lados, seja por faltas passadas ou presentes, merecem o menosprezo do povo brasileiro, submetido não só ao desconforto do brusco e não-previsto colapso da energia, mas a todas as suas sequelas de espantosa e exasperante amplitude.
As atabalhoadas desculpas do Ministro Edison Lobão, esta criatura do sistema Sarney, constituem deplorável retrato do próprio despreparo e do pegajoso subdesenvolvimento nacional. Como acentuou Míriam Leitão, a princípio disse que era pane em Itaipu. Atribuiu ao governo anterior as faltas de interligação. De novo, se equivoca, eis que o sistema se acha há decadas interligado. Então, parafraseando a velha fábula, se não foi isso, foram problemas meteorológicos ! Um raio seguramente é o culpado ! Qualquer coisa é válida, menos falha humana.
Entrementes o seu loquaz chefe minimiza o acontecido – como é o vezo dele. Na sua logorreia, sequer se detém com o insignificante problema do hospital que, por acrescida improvidência, não dispõe de gerador (para atender a deficiências respiratórias e renais, entre outras), ou alguém que fique encerrado no sufocante breu de elevador, ou privado de água corrente, ou com aparelhos eletrônicos e eletro-domésticos danificados, ou com a casa incendiada por curto circuito,etc. etc. ?
Será uma cansada reação de raiva impotente, ao depararmos esses políticos cujas promessas têm a vida curta – “Nós temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. Nós hoje voltamos a fazer planejamento”, Dilma Rousseff, a 29 de outubro p.p. ?
É de recordar-se que no tucanato igualmente fora o maldito raio o culpado do desastre.
Tais explicações – e insistentes intentos de desviar a atenção, com acusações a FHC et al. – semelham mais o zunido incômodo de insetos, que molestos roçam em nossos ouvidos antes que o despachemos com gesto impaciente. Porque outro órgão do Estado reputa mínima a chance de raios serem a causa do apagão. Não foram detectados raios capazes de provocar o desligamento da rede. E no suposto local onde tudo teria começado, na subestação de Itaberá, a tempestade mais próxima distava trinta km !
Ao invés da discurseira vazia, das parvas explicações, se pensa na inchação dos empregos públicos, na proliferação de ministérios inúteis em número a rivalizar com os do bando de Ali Babá, e se acercando ao âmago da questão, a irresponsibilidade na incúria das inversões de infraestrutura, em pesquisa e em investimento.
É forçoso reconhecer que as semelhanças entre Chávez e Lula não se cingem ao discurso neopopulista. São muy amigos, embora as dádivas sejam mais de Nosso Guia do que do falastrão caudilho. E, agora, será que nos descobriremos irmanados pelos achaques energéticos de lá (banhos de 3 minutos, carência de água, apagões a mancheias) pela explosão da mancha assistencialista, a estulta e condenada transposição do Rio São Francisco, e as ignaras, nervosas explicações do Ministro Lobão, a par de temerárias e arrogantes promessas da mãe do PAC e candidata de algibeira do senhor Presidente – o único que trabalha, eis que todos os seus antecessores nada fizeram !
Em tempo, o modesto blog, terminado às 10:4lhs da manhã, ignora quando será postado na internet. A quem culpar, devo ? A Zeus, com seus raios, ou a Lobão, com o seu domínio da respectiva Pasta ?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Crise Ética nos Poderes do Estado
As autoridades dos poderes estatais devem agir de forma ética, a começar pelo respeito das leis e dos bons costumes. Não, caro leitor, não estou citando aqui o conselheiro Acácio.
Por que se espera do poder, seja executivo, legislativo ou judiciário que aja de forma correta, ao amparo da legislação ? Por duas razões básicas: i. são detentores, por mandato legal, da vis impositiva, através do exercício constitucional das respectivas competências; ii. por meio do exemplo, tanto pela própria conduta, quanto pela exação ex-officio, fornecem modelo para a sociedade civil.
Será lugar comum deplorar os costumes de seus contemporâneos ? Vem-nos à lembrança a exclamação de Marco Túlio Cícero, no primeiro discurso contra Catilina. Esse ó tempora, ó mores parecia revelar desregramento na tarda República Romana. No entanto, épocas muito piores se sucederiam, a ponto de que se lançasse olhar nostágico para os tempos em que as leis ainda eram respeitadas, e a ordem pública salvaguardada.
Na atualidade, alarga-se a vala entre o cidadão comum e as autoridades do Estado. Como pode o homem da rua admirar àqueles que elege quadrienalmente, ou que contempla abancados nas altas curuis da magistratura ?
O Congresso Nacional pode acaso inspirar não diria orgulho, mas respeito ao trabalhador ? Que emprego este encontraria que lhe proporcionasse dois pífios dias de labuta, conjugados com generosas passagens aéreas, ajudas de custo e quejandos ? E apesar dos escândalos que irromperam na Câmara e mais ainda no Senado, quantas punições terá o leitor deparado nos jornais ?
Porque este homem comum bem sabe que se desrespeitar horário, faltar ao trabalho sem motivo válido, ou não cumprir as respectivas funções, não há de esperar que o patrão faça vista grossa e lhe passe a mão na cabeça.
Nos tempos do corporativismo, os senhores congressistas não são cerceados por tais regras que o homem comum deve obedecer. Quem foi punido pela farra das passagens ? Que instrumentos tem o cidadão para determinar se os fundos gastos nos trens da alegria para o exterior, nas viagens a serviço para o Havaí, a Europa e, através do Atlântico, para os Estados Unidos, foram repostos ? Devemos acaso supor que nenhum parlamentar tenha mentido, deixado de pagar impostos, e que tais, se ninguém, deputado ou senador, foi declarado faltar ao decoro e por conseguinte cassado ?
Se aqui ninguém foi obrigado a ressarcir os cofres públicos, neste nivelamento por baixo, como é deprimente observar que em outras latitudes, como, v.g., na Inglaterra, mãe dos parlamentos, os faltosos, detenham mando ou não, repuseram as somas indevidamente auferidas.
Será lícito definir como o nadir o que ocorreu no Senado com o presidente José Sarney e asseclas, como o quadro emblemático da presente república ?
Na aparência a confirmar essa liderança às avessas, deparamos, no Rio de Janeiro, onde não faz muito uma juíza ordinária construíu sua reputação, da noite para o dia, mandando prender toda a cúpula do jogo do bicho, que adrede convocara, agora noticiarem os jornais a incrível nova que ‘bicheiros pagaram festa para presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais’.
E não pára por aí. Antes, correu notícia que desembargador deste Estado, corregedor do TJ, em associação com empresário, estaria envolvido em tráfico de influência em termos de sentenças judiciais . Diante disto, o corregedor do Conselho Nacional de Justiça anuncia investigações para determinar se houve ilícito.
O Conselho Nacional de Justiça, de atribulada feitura, veio atender a um reclamo de maior controle da Justiça. Se o chamado controle externo não pôde ser estabelecido, progresso neste campo foi realizado, posto que apreciaríamos a divulgação de magistrados porventura transgressores que tenham sido escarmentados e punidos como é a sina do cidadão comum.
Tampouco no Executivo encontra eco o anseio do povo para que a lei seja igual para todos. Talvez inebriado pelos píncaros da respectiva popularidade, o Presidente da República se abstém de subir ao que Theodore Roosevelt denominava de bully pulpit, uma espécie de tribuna ética em que os bons exemplos fossem apontados e recomendados.
Sua Excelência, ao invés, confunde proximidade no poder com necessidade de relativizar as faltas dos altos personagens. A lista é longa e merecerá atenção a seu devido tempo. Basta, neste momento, recordar a assertiva de ‘hipocrisia’ nas condenas ao abuso nas passagens aéreas, e o lapidar juízo de que Sarney não é homem comum.
Eleitor, não te esqueças: tua única arma é o voto. E através deste voto um Brasil melhor, mais parecido contigo, pode ser construído.
Por que se espera do poder, seja executivo, legislativo ou judiciário que aja de forma correta, ao amparo da legislação ? Por duas razões básicas: i. são detentores, por mandato legal, da vis impositiva, através do exercício constitucional das respectivas competências; ii. por meio do exemplo, tanto pela própria conduta, quanto pela exação ex-officio, fornecem modelo para a sociedade civil.
Será lugar comum deplorar os costumes de seus contemporâneos ? Vem-nos à lembrança a exclamação de Marco Túlio Cícero, no primeiro discurso contra Catilina. Esse ó tempora, ó mores parecia revelar desregramento na tarda República Romana. No entanto, épocas muito piores se sucederiam, a ponto de que se lançasse olhar nostágico para os tempos em que as leis ainda eram respeitadas, e a ordem pública salvaguardada.
Na atualidade, alarga-se a vala entre o cidadão comum e as autoridades do Estado. Como pode o homem da rua admirar àqueles que elege quadrienalmente, ou que contempla abancados nas altas curuis da magistratura ?
O Congresso Nacional pode acaso inspirar não diria orgulho, mas respeito ao trabalhador ? Que emprego este encontraria que lhe proporcionasse dois pífios dias de labuta, conjugados com generosas passagens aéreas, ajudas de custo e quejandos ? E apesar dos escândalos que irromperam na Câmara e mais ainda no Senado, quantas punições terá o leitor deparado nos jornais ?
Porque este homem comum bem sabe que se desrespeitar horário, faltar ao trabalho sem motivo válido, ou não cumprir as respectivas funções, não há de esperar que o patrão faça vista grossa e lhe passe a mão na cabeça.
Nos tempos do corporativismo, os senhores congressistas não são cerceados por tais regras que o homem comum deve obedecer. Quem foi punido pela farra das passagens ? Que instrumentos tem o cidadão para determinar se os fundos gastos nos trens da alegria para o exterior, nas viagens a serviço para o Havaí, a Europa e, através do Atlântico, para os Estados Unidos, foram repostos ? Devemos acaso supor que nenhum parlamentar tenha mentido, deixado de pagar impostos, e que tais, se ninguém, deputado ou senador, foi declarado faltar ao decoro e por conseguinte cassado ?
Se aqui ninguém foi obrigado a ressarcir os cofres públicos, neste nivelamento por baixo, como é deprimente observar que em outras latitudes, como, v.g., na Inglaterra, mãe dos parlamentos, os faltosos, detenham mando ou não, repuseram as somas indevidamente auferidas.
Será lícito definir como o nadir o que ocorreu no Senado com o presidente José Sarney e asseclas, como o quadro emblemático da presente república ?
Na aparência a confirmar essa liderança às avessas, deparamos, no Rio de Janeiro, onde não faz muito uma juíza ordinária construíu sua reputação, da noite para o dia, mandando prender toda a cúpula do jogo do bicho, que adrede convocara, agora noticiarem os jornais a incrível nova que ‘bicheiros pagaram festa para presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais’.
E não pára por aí. Antes, correu notícia que desembargador deste Estado, corregedor do TJ, em associação com empresário, estaria envolvido em tráfico de influência em termos de sentenças judiciais . Diante disto, o corregedor do Conselho Nacional de Justiça anuncia investigações para determinar se houve ilícito.
O Conselho Nacional de Justiça, de atribulada feitura, veio atender a um reclamo de maior controle da Justiça. Se o chamado controle externo não pôde ser estabelecido, progresso neste campo foi realizado, posto que apreciaríamos a divulgação de magistrados porventura transgressores que tenham sido escarmentados e punidos como é a sina do cidadão comum.
Tampouco no Executivo encontra eco o anseio do povo para que a lei seja igual para todos. Talvez inebriado pelos píncaros da respectiva popularidade, o Presidente da República se abstém de subir ao que Theodore Roosevelt denominava de bully pulpit, uma espécie de tribuna ética em que os bons exemplos fossem apontados e recomendados.
Sua Excelência, ao invés, confunde proximidade no poder com necessidade de relativizar as faltas dos altos personagens. A lista é longa e merecerá atenção a seu devido tempo. Basta, neste momento, recordar a assertiva de ‘hipocrisia’ nas condenas ao abuso nas passagens aéreas, e o lapidar juízo de que Sarney não é homem comum.
Eleitor, não te esqueças: tua única arma é o voto. E através deste voto um Brasil melhor, mais parecido contigo, pode ser construído.
Assinar:
Postagens (Atom)