quarta-feira, 24 de junho de 2020

O prefeito Crivella e a taxa de contágio


               
        A irresponsabilidade na administração municipal carioca parece ser a regra. Uma das coisas relevantes no combate à pandemia está na necessidade de controle de parte do Prefeito em como administrar a chamada flexibilização. É uma regra básica em como lidar com o coronavirus.
             A velha norma da prudência é indispensável, mas o sr. Crivella parece sempre ter pressa. E por isso, a taxa de contágio na capital que era "moderada" no início de junho, teve uma alta por essa flexibilização que só pode ser implementada quando a curva da doença esteja realmente em queda.

              No entanto, abrem-se as praias e se enchem os transportes públicos, Se não há controle de parte da autoridade - recordem a patética tentativa de reabrir o campeonato carioca de futebol - como deveria ser transmitida à população a disposição de uma postura anti-contágio, o que só pode ser alcançado por uma política firme de evitar aglomerações e de manter-se em casa.

                   Se a cadeia infernal da realimentação da epidemia seja continuamente reativada por determinações que só reativam o contágio, as ameaças não só irão persistir, mas a curva letal dessa enfermidade tenderá a crescer de novo, através dessa antipolítica que está no evidente descontrole do administrador, que através de tais otimisticos ires e vires, junto com os inelutáveis recuos do prefeito cria as condições ideais para que a carga letal da Covid-19 não seja afastada. A única maneira de consegui-lo está em uma política com um mínimo de coerência, em que não se pode jamais pressupor que o avanço da doença esteja sob controle. Aqui, senhor Crivella, não há lugar para wishful thinking.  A pressa é a inimiga da perfeição e nesse caso a onda letal do coronavirus parece deter na mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro um amigão, que pela sua falta de uma política coerente não pode colhêr da população o apoio necessário. E esse apoio só é crível depois de uma orientação firme em que o surto seja afinal controlado. 

                         Mas, sem pressa nem jogadas dúbias para a plateia, senhor Prefeito. Sem pulso forte, e uma orientação crível, o resultado será sempre aquele do malogro, com o seu inevitável custo em vidas humanas, senhor Crivella !.

( Fonte: O Globo  )

Significados do Desmatamento


                              
         Desmatar, seja no varejo ou por atacado, corresponde a um gesto irracional, que traz consigo muitas consequências.
           Incrédulo, se se toma conhecimento desse frenético desmatamento que, de novo, se alastra pela Amazônia. As expressões na famigerada reunião ministerial que, em boa hora para o Brasil, Sua Excelência Bolsonaro determinara fosse gravada. Graças a esse gesto, tomamos nós conhecimento de o que nos aprontam senhores como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a par das estranhas pulsões de outros ministros como Weintraub.
             O que mais entristece é a burrice dessa gente. Eles são, na prática, aliados de madeireiros, aqueles que com a vista grossa de quem deveria defender os interesses do Brasil e por quê não dizer do planeta Terra, parecem comprazer-se - como na história só encontramos o deprimente paralelo de um imperador romano, em termos de piromania - com o que vem sucedendo nesse pulmão da Humanidade, e as consequências que despencam nas cabeças não apenas nas cabeças desses senhores pirômano, mas em todos os demais brasileiros, que sabemos de o que vale a Amazônia - e por falar nisso, também a Mata Atlântica, eis que resta dela carece também de ser preservado, pelas consequências que as destruições criminosas trazem.

                O desmatamento é uma espécie de jogo sem returno, nem retorno. As queimadas irresponsáveis, já nesta a geração vamos  pagá-las na cruel moeda que persegue aos criminosos que as facilitam e "agilizam" esse crime nefando - e não só esses espécimes indecifráveis que estranhamente as favorecem, mas também todos aqueles que seja por silêncio ou omissão se associam nesses crimes ambientais àqueles que são cínicos o bastante para adentrar essa política que só leva - como tenho amiúde declarado - aos terrenos sáfaros, áridos de uma burrice ancestral que seria até perdoável para os selvagens, os réprobos e aqueles sem consciência da realidade - mas não a pessoas alfabetizadas e que dispõem de um mínimo de Q.I.
                    Por falar em inteligência, creio oportuno mostrar que ela não é privilégio da esquerda, pois a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, declara que o Brasil poderia intensificar a produção de comida para atender mercados internacionais "sem derrubar uma árvore sequer". Ainda segundo a Ministra "apenas 8% do território brasileiro é ocupado por lavouras, que "ainda não atingiram a plenitude de sua produtividade."
                      "Podemos crescer muito mais com as tecnologias que vem sendo desenvolvidas", disse ela, em evento virtual da CBI (Climate Bonds Initiative).
                         Por sua vez, também sobre crescimento sustentável, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o governo estuda que o Brasil seja centro  de negociação de carbono.
                           Falando ainda sobre a precificação do carbono e a importância de tais números para o mercado financeiro: "É  muito difícil falar sobre uma coisa que não tem preço, não conhece relações de demanda, oferta e estabilidade daquele elemento."
                            Aprofundando a questão, "uma das formas de ajudar a governança climática é ter certeza de que as coisas têm precificação. Hoje só 20% da emissão de carbono está sujeita à precificação."
                         Para Campos Netto, o nosso país tem participação diminuta no mercado de títulos verdes. Consoante ele, são negociados  no mundo US$ 541 bilhões desses papéis, enquanto o Brasil representa apenas US$ 1,5 bilhão.
                                 "Temos, devemos e podemos participar mais desse mercado", declarou o presidente do Banco Central.

( Fonte: Folha de S. Paulo  )

Bolsonaro tem de usar máscara


                             
       Por decisão da 9ª Vara Federal Cível de Brasília, desta segunda feira dia 22 de junho, se determinou ao presidente Jair Bolsonaro a obrigatoriedade de utilizar máscara facial de proteção em espaços públicos e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços no Distrito Federal.

         Nesse sentido, foi fixada multa diária de R$ 2000,00 se Bolsonaro descumprir a decisão, que é, em boa hora, firmada pelo magistrado Renato Coelho Borelli.

( Fonte: Folha de S.Paulo )

Senado adia eleições municipais


                  
                  Os senadores aprovaram, a 23 de junho, em dois turnos, a PEC que altera as eleições municipais de 2020, por força da pandemia.

                   Também a propaganda eleitoral em rádio e televisão será estendida. Aumenta o tempo respectivo, que será por 45 dias (hoje são 35 dias). De 27 de setembro a doze de novembro, legendas e candidatos poderão veicular propaganda eleitoral. Hoje são 35 dias.

                      A mudança de datas, sem embargo, ainda bate com resistências na Câmara. O impasse impediu, nesse sentido, a formação de comissão mista de Câmara e Senado para estudarem o adiamento do pleito.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

terça-feira, 23 de junho de 2020

Moro em dificuldades ?


                         
         Depois de haver cometidos erros políticos crassos - decerto, o maior deles terá sido confiar no presidente Jair Bolsonaro - parece que um grupo de advogados quer ora prevalecer-se da situação atual de Sérgio Moro e buscam prejudicar-lhe a eventual progressão na planície.

         Segundo noticia a Folha, essa coorte pretende tomar medidas para dificultar os projetos profissionais de Moro. Ao partirem de tão baixo, caberia que tais sôfregos senhores tenham presente algumas normas comezinhas.
           Na verdade, não é por acaso que tal laia de pessoas tende a evitar atitudes desassombradas e contestações exercidas no campo livre  das idéias, que tenderiam mais a rebaixá-los do que constituírem posturas de que possam valer-se de peito aberto no livre combate de determinados  ideais e do valor respectivo.

           A mesquinharia nunca foi algo que tenha ao cabo contribuído para engrandecer uma pessoa, seja ela um advogado, ou outro profissional liberal.

           Esse tipo de reação está mais para certas comadres e outros seres que, confiando pouco nas respectivas capacidades, tendem a valer-se de recursos e processos que já nascem eivados da pequenez dos medíocres, daqueles que ao enjeitar o livre debate das ideias e de se valerem de armas que preferem o silêncio da mafia (e todas as rancorosas  ramificações de tais recursos  pouco confessáveis), partem para atitudes que pela sua natureza  já constituem uma pré-confissão de  pouco recomendável admissão de processos que são próprios do mundo do crime, e de tudo aquilo que abomina a luz da verdade, e do bom combate, que é próprio daqueles que acreditam na Lei, e não nas regras de submundo.

            Se tais profissões, que podem revestir a grandeza do nobre ofício de Cícero que se distingue pela defesa de tantas personalidades vítimas do infortúnio, é contristador que membros de escol imaginem poder recorrer a tal gênero de processo.Ao se conspurcarem com esses vis procedimentos, eles se banham nas águas da mesquinharia, e se integram  em processos que, pelo próprio aspecto, se inserem no submundo de cabalas e de golpes sujos que vicejam, como se fossem as enganosas flores do pântano, no mefítico ambiente daqueles que semelham ter pouco apreendido das luzes do Direito, e demasiado nas soezes práticas de os que não aceitam o desassombrado combate das ideias, da inteligência e, last but not least,  do respeito aos eventuais contendores,  porfia essa que é própria de pequenos, mofinos e desprezíveis seres, que se debatem, tendo o rancor por princípio, a dissimulação por meio e a vendetta  por fim, no combate sem quartel contra personalidades,  grupos e corporações que lhes incomodem deveras por lhes avantajarem no espaço livre das ideias e dos inatingíveis espaços que, pelos respectivos mérito e coragem, já lograram alcançar.

( Fonte: Folha de S.Paulo )

domingo, 21 de junho de 2020

Muitos erros levam Brasil a mais de 50 mil mortos


       
     O descontrole governamental - a falta de uma liderança federal - impulsionou a curva dos óbitos.  Segundo o Dr. Paulo Petry, doutor em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sublinha a alta taxa de contágio do Sars-CoV-2. No Brasil, cada infectado chegou a transmitir o vírus para até três pessoas, conforme estudo do Imperial College de Londres.

      Consoante o Dr. Petry há outros fatores importantes: o distanciamento é fundamental para o achatamento da curva epidemiológica. Mas enfrentamos problemas, como a aglomeração nas periferias. O especialista não deixa, outrossim, de reportar-se ao "descontrole governamental", que também impulsionou a curva de óbitos.

       Nesse sentido, é referência a declarações irresponsáveis do presidente Bolsonaro, que comparou  a Covid-19 a uma "gripezinha". Nesse sentido, ele protagonizou embates com prefeitos, governadores e os próprios ministros (a saída de Mandetta do Ministério da Saúde se deve à ação de Bolsonaro).  A substituição por Nelson Teich não obteve maiores resultados, e a Pasta é ora ocupada por um interino, Eduardo Pazuello, militar sem experiência na área.

           Por outro lado, é de interesse nacional acentuar o descontrole do governo, na 
verdade a negativa na prática de o presidente Bolsonaro assumir o papel de liderança que por sua posição natural e legalmente lhe cabe. 

             O Brasil, nesse contexto, dispôs de mais tempo para preparar-se para enfrentar esse grande desafio.  Nesse quadro,  o grande ausente foi o presidente da República, que até hoje se nega a assumir qualquer liderança nessa questão. 
               Salta aos céus, no entanto, que essa estranha inação do Presidente Bolsonaro levou a agravar exponencialmente o problema causado à gente brasileira  pela  chamada  "gripezinha" (como a chamou o presidente do Brasil).

                  O problema está em que, no Brasil, o Poder Executivo por motivos não esclarecidos deixou de tomar providências, que decerto lhe competiam e que foram adotadas, v.g., pela vizinha Argentina. Como diz o pesquisador Alessandro Farias, coordenador  da Força-tarefa da Unicamp contra a Covid-19:

"A Argentina fechou suas fronteiras e registrou menos de mil mortes. O Brasil é um país muito maior e esta operação seria mais complicada, mas poderia ter sido feita, ao menos nos aeroportos de Rio e Sâo Paulo, com centros de controle para testagem de passageiros."

                      Ainda nesse contexto, O Globo estampa em sua edição hodierna  que " Sucessão de erros leva país a superar 50 mil mortos".

                     O comentário de O Globo é genérico:

" Falta de testes, brigas políticas e quarentenas falhas fizeram o novo coronavírus avançar pelo Brasil; epidemiologista diz que taxa de mortalidade pode aumentar com inverno e que pandemia está longe do fim."

( Fonte:  O Globo )                           

Mortes pela Covid - 19


                                

      Ontem, 20 de junho, o Brasil atingiu a marca de 50.058 mortes causadas pela Covid-19.
         No entanto, O Globo na sua edição hodierna assinala que boa parte das 21.289 mortes registradas  entre janeiro e maio como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) sem causa determinada podem, em verdade,  vir a se somarem às cinquenta mil comprovadamente causadas pelo novo coronavírus.

        A questão se acha em estudos. Segundo assevera o Dr. Eduardo Leite Costa, professor de pneumologia da Faculdade de Medicina da USP:

"Tecnicamente, essas ocorrências de SRAG poderiam ser por outros vírus, mas a desproporção é grande demais num ano em que a gente sabe que existe a Covid-19".

( Fonte: O Globo )