domingo, 26 de agosto de 2018

Di Maio ameaça U.E.


                                                 
                                               

         O vice-Premier da Itália, Luigi di Maio,  exige de Bruxelas uma decisão para a distribuição dos imigrantes bloqueados no porto de Catânia, no navio Diciotti.
           "Seguindo a linha dura, vou fazer outra proposta. Se a U.E. mantiver sua posição e não decidir nada sobre a distribuição dos imigrantes que estão na embarcação Diciotti, Roma não estará mais disposta a dar os Euros 20 bilhões que a Itália concede a cada ano ao orçamento da UE", ameaçou o ministro di Maio.
             Em resposta, Bruxelas reagiu dizendo que ameaças não funcionam com a Europa.  Por outro lado, uma reunião para discutir a questão terminou sem consenso.
              Exigência de um dos partidos da coalizão que dá sustentação política ao atual gabinete, a postura anti-imigração é agora também abraçada pelo vice-premier di Maio.
               Dado o caráter apagado da direção da coalizão, confiada a alguém sem maior expressão política, prossegue o espetáculo em que a esquerda (e a direita) da composição governamental se esforçam em mostrar quem é mais radical na postura anti-migratória...
                 Entrementes, pelo visto, as questões de maior peso e interesse para o Povo italiano podem esperar, enquanto a beligerância no atual gabinete se destina a assuntos que mais parecem marginais...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Trump corta US$ 200 milhões dos palestinos


                   

           Os Estados Unidos, sob Trump, parece terem virado uma sucursal de Israel. Foi ontem anunciado o corte de US$ 200 milhões da ajuda aos palestinos,  na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
              "A pedido do Presidente Trump (sic) vamos redirecionar mais de US$ 200 milhões para programas altamente prioritários em outras áreas", declarou à imprensa um funcionário do Departamento de Estado.
                A irresponsabilidade dessa Administração Republicana não parece conhecer limites.
            
            Com um respeito cavalar, várias iniciativas que mais parecem sopradas por Tel Aviv - desculpe o equívoco, Jerusalém, pois agora graças ao presidente Trump, mais inseguro do que nunca em termos de perspectivas de permanecer na Casa Branca, semelha que queira testar o grau de paciência do sofrido Povo palestino, enquanto despeja favores sobre Israel e o lobby respectivo, para precaver-se  na próxima refrega em torno da própria sobrevivência politica...


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Alta corrupção chavista


                                

         Data do tempo de Hugo Chávez  Frias a instauração de câmbio de dólares a duas mãos na Venezuela.  Havia um esquema corrupto de lavagem de dinheiro, que empregava o mercado negro do câmbio venezuelano e a estatal petrolífera PDVSA, para acumular  fortunas no exterior.
           Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam que os enteados do presidente Maduro e funcionários do alto escalão  da Central petrolífera venezuelana integraram esquema criminoso  que desviou até US$ 1,2 bilhão, valendo-se de um banco suiço, o Julius Baer.

           Nesse sentido, o ex-banqueiro Matthias Krull, preso em julho último, fechou acordo de delação premiada com os Estados Unidos, confessou o crime e afirmou que enteados do ditador Maduro estavam entre seus clientes, no banco supracitado.
            O esquema funcionava graças à existência de duas taxas de câmbio (a oficial e a paralela) na Venezuela. Dessarte, vendia-se  o dólar na cotação do mercado paralelo e se empregavam os bolívares para recomprar a moeda americana na cotação oficial, valendo-se para tanto do suborno de funcionários públicos.
             Exemplo desse 'esquema criminoso': em 2014, v.g., um indivíduo poderia trocar US$ 10 milhões por seiscentos milhões de bolívares, e em seguido trocar os mesmos bolívares, se tivesse acesso às taxas fixas do governo,  por US$ 100 bilhões! Assim, em duas transações o tal "felizardo chavista"  poderia comprar  US$ 100 milhões por US$ 10 milhões.
             De acordo com a promotoria americana, grande parte desse esquema fraudulento de câmbio ocorria dentro da estatal venezuelana PDVSA : "Ela é uma fonte primária  de recursos e de moeda estrangeira (sobretudo dólares e euros), usada para financiar um esquema corrupto de enriquecimento de câmbio."

             O controle cambial na Venezuela foi adotado em 2003 sob Hugo Chávez, tendo sido desfeito somente no correr desta semana. Como se verifica, tal sistema corrupto aumentou as distorsões no país, por tornar os produtos com os preços atrelados ao dólar inacessíveis para a maioria da população. Dentro dessa antilógica, tal segmento venezuelano, sem salário ligado à moeda estadunidense e sem qualquer acesso a remessas do exterior, passou a depender de subsídios estatais que, com o passar do tempo, se tornaram insustentáveis.  Consoante essa conta corrupta, o dinheiro desviado do povo venezuelano seria quatro vezes superior ao que as Nações Unidas pede para atender aos refugiados venezuelanos em oito países da América Latina.
              Como demonstra a investigação realizada pelos órgãos estadunidenses, um funcionário do governo recebeu Euros 227 milhões e enviou Euros 159 milhões aos três enteados de Maduro. Outros Euros 78 milhões seguiram para nomes como Francisco Convit, Carmelo Aqui e Abraham Prtega, entre outros. Como referido acima, as investigações se realizam nos Estados Unidos, em colaboração com a Confederação Helvética.  Nesse contexto, o ex-banqueiro admitiu que ele, na sua posição, atraía clientes privados "especialmente da Venezuela". 
                 Consultadas, a diplomacia venezuelana e a PDVSA se abstiveram de responder.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

sábado, 25 de agosto de 2018

Democracia na Rússia


                              
         Com o principal líder da Oposição, Alexei Navalny, impedido de candidatar-se à presidência, Vladimir Putin poderá no futuro pleitear mais uma reeleição, sem maiores problemas, e sem ter de enfrentar o popular líder da Oposição.
            Por outro lado, a Ucrânia continua a lidar com as 'revoluções' comandadas pela Rússia, notadamente na bacía do Donetz.
            Parece, outrossim, muito pouco provável que a anexação da Criméia pela Federação Russa seja anulada em futuro próximo, apesar das sanções que são aplicadas pelo Ocidente  à Russia, e que dóem nos bolsos do contribuinte russo.

( Fonte:  The New York Times )           

João Gilberto


                                   

        'Onde está você, João Gilberto?' é um filme que, a princípio, parece difícil de basear uma trama crível, mas que acaba envolvendo o espectador na busca ingrata e perseverante do jornalista alemão Marc Fischer.
         È longa a procura de parte de Fischer. O espectador brasileiro inteirado das idiossincrasias de João Gilberto há de participar dessa busca, e custa a convencer-se de que mitos são de difícil individualização.
        Entremeado com a música  e as ajudas que i cognoscenti,- aqueles que estão noutro plano, por conhecerem o artista, ou terem parte da própria biografia entremeada com esse cantautor, nos proporcionam - o espectador que, a princípio, sorri das bizarrices de João, vai aos poucos sendo conduzido pela flauta desse maestro de Hamelin, e sem dar-se conta, principia a compor uma explicação para as, por vezes, estranhas atitudes de João, em que os ambientes de suas 'fugas', por exasperantes que sejam, vão tecendo uma afirmação peculiar do cantautor, cujas coleantes e sobrepairantes negativas vão aos poucos encorpando uma música e mensagem, ora repassadas por companheiros que dele privaram, ora acenadas pela paisagem, como a Vista Chinesa, e outras mais, com as folhas e suas sombras que podem dizer-nos mais do que nos acenam.   
          Para certos críticos, João Gilberto, com as suas atitudes, a reclusão e os problemas que enfrenta, chegaria a beirar a banalização.
           Peço vênia para discordar. Há uma ênfase na procura de Marc Fischer que não escapa ao diretor Georges Gachot. Pela sua germânica insistência, ela ajuda o espectador a entender melhor as peculiaridades de João. As buscas muita vez podem valer mais pela própria reiteração, eis que elas tendem a retirar o cômico e o irrelevante de cena, para trazer outros traços que o personagem, ao querer ocultar, contribui muita vez para torná-los mais presentes para o espectador, ainda que em cenário de recusa e de ausência.

 (Fonte:  Onde Está Você, João Gilberto?, direção de Georges Gachot.)        

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Carne podre


                                                       

         Parece mentira, mas é verdade.  O comércio "alimentício" da Venezuela passou a vender carne podre para os pobres venezuelanos.
           Com os seguidos 'apagões' naquele país, é impossível manter a carne nos refrigeradores por um tempo que lhe assegure o congelamento. Este se torna impraticável pelas frequentes quedas na corrente elétrica, ficando as postas de carne condenadas ao apodrecimento.
           Pois não é que os mercadores de carne da Venezuela, com o emprego de limão e de outros 'conservantes', assim como extração de pedaços mais comprometidos, têm a audácia e a desonestidade de colocar a carne apodrecida a famélicos fregueses, com o uso de muito limão e eventuais cortes de pedaços em maior estado de putrefação ?
             Pode-se presumir das infecções intestinais que este comércio criminoso deva fatalmente causar, ainda que, de resto, tal seja feito com o conhecimento do comprador. O vendedor diz que a carne está 'passada', mas ainda poderia ser comida...
              Em um país sem remédios nas farmácias e nos hospitais, muitos deles sem condições de um tratamento moderno das diversas infecções, pode-se imaginar o mal que este alimento estragado possa provocar, e o que é ainda mais grave, ele é adquirido voluntariamente pelo consumidor - que está ciente das reais condições em que o produto se encontra - mas que tangido pela fome se dispõe a enfrentar a provável infecção intestinal que fatalmente contrairá ?


( Fonte:  Rede Globo )

Trump está no caminho do impeachment


         Como os cognoscenti diziam, os problemas de Donald Trump tenderiam a acentuar-se quando chegasse a hora de  seu advogado particular ver-se às voltas com o FBI e a justiça.
           Realmente as admissões e as confissões  do advogado Michael Cohen, envolvido em evasão fiscal, fraude bancária, e violação de financiamento de campanha não pode-riam ser mais destrutivas para o que resta da imagem do presidente.
           No entanto, em Washington, a  perspectiva do impeachment com as maiorias do GOP em Câmara e Senado não pareceria assim tão brilhante.
           Em análise política de Paul Waldman, do Washington Post, não basta acreditar que Trump mereça o impeachment, para levar os democratas de volta à Casa Branca. São necessários 67 votos para condenar Trump no Senado, nada indicando que quinze ou vinte senadores do GOP votem pela sua destituição.
            Tampouco a situação na Câmara seria favorável para que a questão seja levada ao Senado.
              Mas os comentaristas do Belt-way (anel estradal, que é metáfora para designar o meio de Washington), podem ser volúveis e esquecer-se da participação popular. O Procurador-Geral  J. Sessions não é dessa opinião, e por isso, como ministro da Justiça na prática, dissociou-se de Trump.
             Por outro lado, pouco se sabe sobre o conteúdo das acusações do Conselheiro Especial Robert Mueller III (conexão russa) as quais poderiam ter um ulterior efeito corrosivo sobre a posição do Presidente.
              Se os democratas jogarem bem as suas cartas,  a fraqueza real do presidente Trump e toda a podridão ética que está vindo à tona terão forte efeito nas eleições intermediárias que, como um salteador de beira de estrada, aguardam pela passagem de um chefe de governo desmoralizado (escândalos sexuais) e enfraquecido politicamente (questões embaraçosas ativadas pelos crimes cometidos (e confessos) por seu advogado particular Michael Cohen, desde muito havido como uma bomba ambulante em termos dos diversos crimes por ele cometidos para livrar Mr Trump das confusões (sexuais e outras, em que S.Excelência se meteu).
                 Com a compreensão dos meus leitores, é muito difícil não vislumbrar nesse drama barato e vulgar, de um presidente que em termos éticos rivaliza com Richard M.Nixon, não só a desonestidade de Mr Trump, mas também a decorrente completa falta de escrúpulos, que o levou, durante toda a campanha para a presidência, martelar  junto ao seu público como objetivo levar Crooked Hillary para a cadeia. Destituído de preocupação ética e mesmo moral, o seu slogan eleitoral - em um arco de cinismo dificil de ser igualado - pôr crooked Hillary na cadeia !  Apesar de sua vulgaridade e grosseria, Donald Trump ao montar essa calúnia gigantesca,  não sabia decerto do conselho do personagem do Barbeiro de Sevilha[1] - caluniai, caluniai, porque algo sempre há de restar! 
                   Mas agora, na cena aberta quem se vê senão Crooked Trump, cercado de seu bando de crooks, a maior parte deles já o reconhecendo como um igual, o patife que é, com a carga da vulgaridade das mulheres que desejava na cama, e de que pensou o advogado Cohen o tivesse livrado !  

( Fontes: O Estado de S. Paulo; Caron de Beaumarchais )




[1] Peça de Caron de Beaumarchais (1732-1799)