terça-feira, 27 de março de 2018

Colcha de Retalhos F 14


           

As  Peripécias da Caravana de Lula


         Um integrante da segurança de Lula da Silva agrediu nesta segunda-feira repórter de O Globo, na cidade paranaense de Francisco Beltrão. O jornalista Sergio Roxo filmava a abordagem de dois homens ligados à caravana, quando um dos seguranças o agrediu com um soco no lado esquerdo do rosto.
        De imediato, dois soldados do Exército que fazem a escolta pessoa de Lula, afastaram incontinenti o agressor que não foi identificado.
         O ataque ao repórter deu-se no aeroporto de Francisco Beltrão onde o ex-presidente acabara  de embarcar rumo a Foz de Iguaçu. Entidades de classe que representam jornalistas e os principais veículos da imprensa classificaram a agressão ao repórter como um "atentado à liberdade de expressão" e pediram a punição do agressor.


Associações de Imprensa repudiam violência 

         Entidades da imprensa classificaram como "atentado à liberdade de expressão" e pediram a punição do responsável pela agressão contra o Sergio Roxo. de O Globo.
          Ao repudiar o ocorrido, a Associação Brasileira  de Jornalismo Investigativo (Abraji)  lembrou outros casos recentes de violência contra jornalistas durante a caravana de Lula pelo sul do país. Na sexta-feira última, a repórter Débora Ely foi agredida verbalmente por manifestantes anti-PT em Passo Fundo (RS), ao se identificar como jornalista.
           No dia seguinte, a fotojornalista freelancer Isadora Stentzler foi atingida nos olhos por um jato de spray de pimenta lançado por um PM enquanto cobria protestos contra Lula em Chapecó (SC). Segundo Isadora, depois de recuperar-se, foi ameaçada por outro policial. Antes, no que se mostra o papel da jornalista (que é atacada por ambas as partes) ela fora agredida por manifestantes anti-PT: um deles a empurrou e outro, atirou ovos. Segundo a Abraji "o uso da violência contra jornalistas atenta diretamente contra a liberdade de expressão - a mesma que garante a realização de protestos e de comícios políticos.".


O ' Princípio Lula' já estaria em vigor?


           O juiz Osvaldo Tovani, da 8ª Vara Criminal de Brasília, acatou pedido do M.P.  do DF e mandou soltar um homem acusado de roubo com base no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Supremo, na passada quinta-feira, 22 de março corrente.
           Trata-se do seguinte: Filipe da Costa Reis estava preso preventivamente - e por tempo indeterminado - desde quatro de janeiro deste ano. A decisão do magistrado foi tomada nesta sexta-feira, um dia após o Supremo conceder um salvo-conduto que impede a prisão de Lula até o julgamento do mérito do habeas corpus preventivo do petista, marcado para quatro de abril p.f.
           O promotor do M.P. do D.F. Valmir Soares Santos invocou o que chamou de "princípio Lula" ao defender a concessão de liberdade provisória a Filipe Reis. "O pleno do Supremo Tribunal Federal não teve tempo para concluir o julgamento do habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Lula, motivando a concessão de medida liminar garantindo a paz, tranquilidade, direito de ir e vir do paciente (no caso, Lula)", afirmou o promotor.
            Nesse sentido, assim se expressou em continuação o Promotor: "Passo a designar no campo jurídico, que o referido resultado chama-se  'princípio Lula', pois se não cabe ao ex-presidente Lula pagar com risco à sua liberdade o atraso do julgamento provocado pelo Estado,não cabe ao acusado Filipe aguardar encarcerado que o Estado (i.e., a polícia técnica) possa concluir a elaboração dos laudos periciais."


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Lula - Ficha Suja ?


                                          
           O Tribunal Regional Federal da 4ª Região denegou os recursos da defesa de Lula - os chamados embargos de declaração - em decisão rápida e unânime.  Encerrada essa fase de recursos suspensivos que são apresentados no Tribunal, o juiz Sérgio Moro está liberado para a execução provisória da pena (12 anos e um mês de prisão) no processo do tríplex do Guarujá (SP).
            Como se sabe, no entanto, Lula tem a sua liberdade garantida pelo menos até quatro de abril.  Ao cabo daquela longa e algo confusa sessão, o STF  vai analisar um habeas corpus preventivo da defesa.
            Para os advogados do ex-presidente, existiriam 38 omissões, 16 contradições e cinco obscuridades na decisão do TRF 4º ! Pretendem, portanto, fazer o iter dos recursos (como o STJ) e o próprio Supremo.
            A esse propósito, o respeitado ministro do Supremo, Luiz Edison Fachin, que tem a pasta da Lava-Jato teria manifestado haver a sua  família recebido ameaças.  Tais tentativas de influenciar o curso da Justiça são sempre acobertadas pelo manto do segredo, conquanto não seja difícil determinar-lhes a origem.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

BRASIL 1 X 0 ALEMANHA


                                    

         O 7x1 como todo trauma terá de ser vencido e apagado não da forma com que foi aplicado, diante de seleção estonteada em BH, com o técnico Felipão imóvel, como se fora um Buda.

         Acompanhamos o trabalho de Tite e a maneira com que retirou o verde amarelo da palude  em que o Brasil caíra sob o técnico Dunga, já ao começo das eliminatórias para a Copa em Moscou. Voltar a chamar Dunga depois do fracasso da África do Sul não fazia qualquer sentido e o Brasil já se encaminhava para o mesmo fiasco de antes.

         Tite está fazendo um ótimo trabalho, e mais uma vez o "amistoso" contra a Alemanha confirma a sua orientação, com uma seleção segura e confiante, mostrando a qualidade de nosso plantel, mesmo com a ausência de Neymar.

          O gol de Gabriel de Jesus, feito com raça, confirma essa atitude.


( Fonte: Rede Globo )

Putin: fora-da-lei internacional ?


                                   

        A reação da Comunidade Europeia surpreendeu. Houve muito poucos dissensos e, na realidade, nenhuma surpresa.
          Gospodin Vladimir Putin, o moleque do quarteirão, só teve abstenções de antigos satélites (Bulgária), críticas a seu favor na Itália de parte de Matteo Salvini, líder da Liga do Norte (fascistóide), dissensão na República Checa, com a expulsão de três russos, mas contradições entre o Primeiro Ministro Andrej Babis (a favor das represálias) e Milos Zeman, o presidente, que se opõe às expulsões.
           Já Grécia, Chipre e Malta, seja pelo tamanho diminuto das respectivas missões em Moscou, ou linhas de esquerda, recusaram quaisquer represálias.

           Mas em termos de paises grandes o apoio foi predominante para a linha das sanções, diante da irresponsabilidade do uso do gás nervoso novichok, em quarentena desde a segunda guerra mundial. Também antigas sérias violações da Rússia de Putin contra a Ucrânia (inclusive com a anexação da Criméia, um grave crime internacional que o regime petista de Dilma Rousseff, para sua permanente vergonha associar o Brasil  (do Barão do Rio Branco) com abstenção capenga à violência da Rússia contra a Ucrânia, por meio de sua dissociação da Recomendação das Nações Unidas. O que nada tem a ver com a tradição diplomática brasileira que se aprofunda em épocas de todo desconhecidas para pessoas com a sólida ignorância diplomática dos egressos daquele partido que agora se especializa em patéticas caravanas mimoseadas com pedras.


( Fontes: The New York Times, Rede Globo )

segunda-feira, 26 de março de 2018

A Intervenção trará segurança ?


                          

          O ceticismo dos cariocas voltou depressa.  Quase que se teve a impressão de que, na verdade, a situação continua a mesma. Talvez seja pela natural desconfiança quanto a eventual mudança de um estado de coisas que se deixou consolidar.
           Assim, segundo comenta reportagem do Estado de S. Paulo, apesar de estar em vigor há pouco mais de um mês, a intervenção federal na segurança do Rio, cujo objetivo oficial é reverter "o comprometimento da ordem pública no Estado", em verdade, não mudou o sentimento de insegurança na população. A rotina de tiroteios e mortes se mantém em algumas regiões cariocas, em especial nas zonas norte e oeste.
           Na zona oeste, entre as favelas com mais tiroteios nos 27 primeiros dias da intervenção, estão Cidade de Deus (20) e Vila Kennedy (19), considerada pelos militares um "laboratório" para ações futuras. Na zona norte, um exemplo é o Complexo do Alemão (10), onde morreu há dez dias o bebê Benjamin por bala perdida. Este foi também o destino nesse mesmo dia de dois outros moradores.
           Assim, a criança, de um ano e sete meses foi atingida na cabeça, enquanto a mãe comprava algodão doce. "A intervenção não está funcionando. Essa estratégia precisa ser revista", reclama o pai, Fábio Antônio da Silva, de 38 anos. "Não adianta a polícia entrar na favela e trocar tiros com os vagabundos. Quem paga é o inocente. É preciso ter outra forma que não deixe a população no meio dos tiros."
           O caso de maior repercussão foi o assassínio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A violência ainda voltou a locais que tiveram dias mais calmos. Um exemplo é a Rocinha, na Zona Sul, Na quarta-feira, morreram  um PM e um morador, durante troca de tiros. Anteontem, operação policial na favela acabou com oito mortos. Além disso, em Maricá, na Grande Rio, cinco jovens foram assassinados neste fim de semana.
            De acordo com o aplicativo mais usado, o OTT (onde tem tiroteio) nos primeiros 27 dias  da ação federal, foram registrados  354 tiroteios. Nos 27 anteriores, foram 404 ocorrências (redução de 12,4%).
             Já outro aplicativo, o Fogo Cruzado registrou 672 disparos nos 27 dias depois da intervenção, ante 620 no período anterior (alta de 8,3%). Na mesma comparação, o número de mortos foi de 114 para 149 (30,7% mais).
              O Gabinete da Intervenção diz que muitas ações estão sendo postas em prática e que os primeiros resultados devem ser sentidos  nos próximos meses.

Criticas.  

              Para especialistas contactados pelo Estado de S. Paulo, as frequentes mudanças de rota indicam falta de planejamento.  Foi cogitado, v.g., o uso de mandados coletivos em favelas e fichamento de moradores - que foram abandonados após críticas.  Na última semana, foi iniciada nova fase da intervenção, com ações em rodovias federais e em Angra dos Reis. Já a Vila Kennedy será desocupada pelas tropas nas próximas semanas.
             "É atropelo em cima de atropelo", critica antropólogo e coronel da reserva da PM Robson Rodrigues, ex-coordenador-geral das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). " E o R$ 1 bilhão (prometido pelo governo federal), sem estratégia, não adianta nada." Outras operações com militares, segundo ele, não tiveram efeito significativo.
              Por fim, Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes, crê que ainda haverá uma sensação de "alívio" momentâneo. "Existia um problema de vácuo de comando. Isso pode melhorar, mas mesmo uma pequena melhora não é sustentável. Estamos dando um passo para o abismo."

               Dentre os depoimentos colhidos pela reportagem, vale ter presente o testemunho de um comerciante e morador da Vila Kennedy: "Os moradores da vila Kennedy foram pegos de surpresa pela informação de que as tropas devem deixar a região em três semanas. O comando da intervenção afirmou várias vezes que a comunidade serviria de 'laboratório' para ações não apenas de patrulha-mento e retirada de obstáculos, mas também de ocupação social.

               Todos acreditaram que a ação iria durar mais tempo.  Agora, o medo impera na comunidade. Quando as tropas chegaram foi um alívio. Ninguém aguentava mais, ninguém conseguia sair de casa.

                Nós perdemos o direito de ir e vir com tantas barricadas (colocadas pelos traficantes para bloquear o acesso) e bandidos apontando armas, sem respeitar nenhum morador. Não quero que eles (meus filhos) passem pelo  que eu estou passando.  Nosso temor é as coisas  voltarem ao que era antes.

                Quando as tropas chegaram, os bandidos sumiram e, quando apareciam, era sem tanta força, sem armas. Nós estamos todos com muito medo. Vou pedir muito a Deus para que (os militares) mudem de idéia." 


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

                Será que se gastou esse dinheiro todo com a alegada intervenção no Rio de Janeiro para nada?

De volta a Guerra Fria ?


               

        Vladimir Putin, o operador glacial, terá acaso errado na dose? Ter-lhe-á porventura passado pela cabeça que, ao mandar aplicar novichok no ex-agente duplo Skripal, homiziado na esquecida cidadezinha de Salisbury, na Inglaterra, tudo lhe sairia a contento, como acontecera com a eliminação por gás polonium do antigo desafeto de gospodin Putin, em 2006? Se Londres aguentara o tranco de operação contra o agente Litvinenko, que morreu em hospital inglês, vítima de clara ação de guerra fria, sob as presumíveis ordens do Kremlin? E ainda por cima, este assassínio diplomático seria quase abafado, deixando-se a lorde inglês, muitos e muitos meses depois, a ingrata tarefa de discreta repreensão diplomática, daquela atrevida operação punitiva, feita nas barbas do Gabinete de Sua Majestade?
           Putin, o de nervos de aço, recém-reeleito - após o afastamento do concorrente Navalny, por suposto dolo determinado por juiz interiorano - terá ido além de o que lhe recomendaria a prudência, pensando que a operação por sucedâneo da antiga KGB, aplicando um tardo castigo a um agente duplo também passaria em branca nuvem, como, na prática, acontecera com o infeliz sucesso mencionado no parágrafo acima?
           Até o amigo Donald Trump determinou a expulsão de sessenta russos dos Estados Unidos nesta segunda-feira, juntando-se à operação conjunta da OTAN, feita em apoio a Theresa May.
           No que tange à surpreendente medida pelo amigo de Vladimir Putin, i.e. Donald Trump, ela inclui doze agentes de inteligência russos, sediados na Missão junto às Nações Unidas em New York, assim como o fechamento do Consulado em Seattle. Eles têm sete dias para deixar a terra americana.
            Também participam da operação de retaliação, dentre catorze nações da União Européia, os seguintes países: Alemanha, França, Itália, Dinamarca e Polônia. Por sua vez o aliado Canadá expulsará quatro russos.  
            Por trás deste atentado de Salisbury, o ministro do exterior polonês Jacek Czaputowicz considerou o incidente de Salisbury "um ataque sem precedentes contra civis com o emprego de armas químicas", o que não se via desde a Segunda Guerra Mundial.  O Ministro polonês declarou que o Embaixador russo e mais três diplomatas foram considerados "personae non grata", concedendo-lhes prazo de partida até três de abril para deixar o solo polonês.
             Por sua vez, a Alemanha anunciou planos para expulsar quatro diplomatas russos até a próxima semana. Além da solidariedade com o Reino Unido, especula-se que o novo chefe do Auswaertiges Amt[1], Heiko Mass, possa ter postura mais afirmativa contra Moscou que o respectivo antecessor. Mas, por ora, tal não passa de vã especulação da mídia.
              Além do tropeço de Putin, logo após a sua reeleição, a reação de Trump dá-lhe oportunidade de obter substancial ganho político-diplomático que vai bastante além da solidariedade com Theresa May. Mas isto é matéria para blog subsequente.

( Fonte: The New York Times )   


[1] Relações Exteriores.

domingo, 25 de março de 2018

Panorama eleitoral diferente


                                           

            A colunista Vera Magalhães, do Estadão, faz um provocador comentário sobre quem aglutinará votos em 2018.
            Anota o fenômeno Lula, mas para descartá-lo. Mesmo se vença a barreira da condenação, não conseguirá contornar a pedra da Lei da Ficha Limpa.
            Para ela, sobram Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa.  Aquele coleta o voto da direita. Para surpresa de muitos, do voto lulista pode restar parcela de 10% a 15%  que tende a migrar para Bolsonaro. Conforme a colunista,  esse eleitor é majoritariamente masculino, com até 35 anos, mora em grandes centros e é de classe C. Maior concentração deste espécime no Sudeste.
            Mas as migrações lulistas podem apresentar surpresas alternativas.  Joaquim Barbosa, o honesto ministro do STF que desbaratou o Mensalão, poderia receber os votos de Lula. As razões seriam: origem humilde, vitória pelo mérito e também  voluntarismo/coragem.
            Há um personagem que, por ora, não desperta o entusiasmo que motivou em eleição passada. Marina Silva continua correndo em estreitíssima faixa, por causa de sua Rede raquítica. Malgrado as rasteiras que levou no passado,  manteve a aura de seriedade e honestidade.  Mas, por ora, parece ter pouca probabilidade. É uma grande interrogação, não quanto a dúvidas sobre caráter e coragem. Falta-lhe a motivação de eleições passadas e a grinta, essa vontade de vencer, não importa quem lhe esteja à frente.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )