sábado, 24 de fevereiro de 2018

Maus ventos para Theresa May ?


                            

        Depois de fazer algum mistério, o líder trabalhista Jeremy Corbyn anunciou sua adesão ao projeto de união aduaneira do Reino Unido.
        Lentamente, dada a manifesta inviabilidade do Brexit conforme endossado pela Primeira Ministra Theresa May, deputados conservadores, e agora o líder trabalhista Corbyn vão urdindo uma rede infernal de projetos legislativos cujo escopo final seria inviabilizar o brexit, conforme endossado pela Primeira Ministra, e tornar possível por uma série de atalhos legislativos ir, lenta mas seguramente,  retirando a força vital do aludido brexit!
         Se não acreditam, eis aqui em forma fragmentária - talvez a maneira mais adequada para contornar os compromissos assumidos pela pobre Theresa May - a evolução recente do líder trabalhista Corbyn.
          A união aduaneira significa que produtos produzidos dos dois lados do Canal da Mancha podem ser comercializados sem barreiras tarifárias, ou com barreiras recíprocas.  Isso também impediria que uma fronteira física seja construída entre a Irlanda, membro da União Europeia, e a Irlanda do Norte, que após o Brexit fará apenas parte do Reino Unido. Mas, em troca da união aduaneira, Bruxelas ficaria em posição de força para obrigar Londres a respeitar legislações e regulamentações europeias.
              Até aqui Corbyn e os principais membros do Partido Trabalhista mantinham suspense sobre se apoiariam ou não o texto. No entanto,  o líder da legenda mantinha posição ambígua sobre o tópico, até que a pressão de parte do eleitorado trabalhista  o teria convencido a anunciar a própria adesão na segunda-feira.
               Trechos de seu suposto discurso foram obtidos pela imprensa e as mais recentes declarações do líder sobre o assunto  confirmam a tendência que já se delineava. "Temos de  ter acesso aos mercados europeus, temos de ter uma união aduaneira que assegure que continuaremos a ter comércio, em particular entre a Irlanda do Norte e a  República da Irlanda", afirmou Corbyn na terça-feira.
           Ontem, deputados conservadores declararam adesão ao texto. "Assinei a nova cláusula 5 da Lei de Comércio, a emenda suprapartidária da união aduaneira", informou Stephen Hammond via Twitter. "Isso é inteiramente consistente com o discurso da Primeira-Ministra e é necessário para evitar a fronteira na Irlanda."
           Se necessário fosse, para reforçar o movimento supra-partidário contra o Brexit, também o trabalhista Chuka Umunna, que é líder desse movimento, confirmou que votará a favor. "Acredito que teremos a maioria na Câmara dos Comuns", afirmou, referindo-se à Câmara baixa.
            Para Theresa May, a eventual aprovação do projeto, que só deverá ir à votação após a Páscoa, representará ulterior desafio do Parlamento  à sua autoridade. Em 2017, os deputados já definiram por maioria que a decisão final sobre o Brexit caberá ao Legislativo e não à chefe do Executivo. Mostra o afastamento das respectivas posições a recente afirmação da Primeira Ministra: "Nossa política não é estar em uma união aduaneira".
            Ora, a cláusula 5 da Lei de Comércio - ou "emenda rebelde conservadora", como vem sendo chamada por parte da imprensa britânica, tem o apoio de deputados conservadores insatisfeitos com o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia. Se aprovado, o texto obrigará  o governo britânico a firmar um acordo com Bruxelas para que a União aduaneira seja mantida mesmo após o período de transição pós-Brexit - hoje estimado em vinte meses após março de  2019, segundo a proposta europeia.      
            Na próxima semana,  Theresa May deverá apresentar a proposta do Governo para o Brexit em que deve ressaltar sua rejeição à cláusula 5. Segundo analistas britânicos, nova derrota no Parlamento pode representar um desafio direto à Primeira Ministra, o que poderia levar o Partido Conservador a substituí-la ou até mesmo à queda da atual coalizão, o que implicaria na convocação de eleições antecipadas.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Colcha de Retalhos F 8


                             
A penúria externa venezuelana

              Quem se arriscaria a conceder empréstimo à Venezuela? Parece que o astuto Vladimir Putin resolveu arriscar, embora tenha previsto a caução do petróleo.
             Agora, o pobre cônsul venezuelano se vê mais do que ameaçado a ir, com a própria repartição, para o olho da rua. Com efeito, que país de Latino América não tem um consulado em Miami? Pois, em breve, se tivermos presente a situação das finanças de Nicolás Maduro (refiro-me, é óbvio ao Maduro pessoa jurídica pública) que se acha, como se dizia antigamente, em maus lençóis.
                Diante dos alugueres atrasados para tal importantíssimo consulado,  o Cônsul (se o consulado for simples) ou Cônsul-Geral (se o consulado tiver na burocracia maior status),  se tem de convir que o funcionário do regime Maduro se verá muito brevemente em apuros.
                Faltando o sonante para os afilhados de Maduro, não adianta invocar cláusula diplomática para pedir uma prorrogação in extremis para a Justiça em Miami. Quero crer que, no caso, como se dizia em outros tempos, é pule de dez que, se não aparecer com os dólares da dívida, o Consulado da Venezuela vai para o olho da rua...

Propina paga terreno para Instituto Lula !

              Análise da Polícia Federal no sistema de propina da Odebrecht identificou os pagamentos da empreiteira, tanto no Brasil, quanto no exterior,  no que concerne à compra do terreno do Instituto Lula.
              Em e-mails apresentados pela defesa de Marcelo Odebrecht - agora, saído da cadeia em Curitiba, em prisão domiciliar em bairro nobre de São Paulo - são citados três pagamentos de R$ 1,057 milhão. Os documentos comprovam informações passadas pelo empresário em delação premiada. A defesa de Lula nega.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

A Fitch também rebaixa nota brasileira


                                 
        A Fitch é outra agência americana de classificação de risco. Com algum atraso em relação à Standard & Poor's, ora resolveu também rebaixar a nota brasileira que passa de BB para BB-. Fica, por conseguinte, o Brasil a três níveis abaixo do chamado "grau de investimento", que o nosso país perdera em consequência da gestão ruinosa de nossa economia por Dilma Rousseff.

         Para analistas do mercado financeiro, tendo em vista os rebaixamentos acima referidos, é mais provável que novos movimentos na classificação brasileira devam aguardar o resultado das eleições de 2018.

         Talvez com certo otimismo, depois do resultado de tais eleições e da consequente nova liderança brasileira eleita, é de augurar-se que haverá mais clareza sobre o caminho que o Brasil vá tomar para conter o aumento da dívida pública.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

OEA: Derrota da Venezuela


                       

         A OEA convocou assembleia extraordinária por iniciativa do Brasil, que teve o apoio secundado pelo México.  Até este ano não fora possível que a organização interamericana interviesse na crise da Venezuela, dado o apoio prestado pelos países caribenhos ao regime de Maduro.  Tal se devera, sobretudo, pela cessão, por preço subsidiado, de petróleo venezuelano.
           Desta feita, no entanto, a Venezuela não mais logrou impedir a votação de uma resolução pela OEA, por força da votação por larga maioria dos países-membros da Organização.
           Dessarte, com apenas cinco votos negativos,  a Organização dos Estados Americanos aprovou, a 23 do corrente mês de fevereiro de 2018,  Resolução que pede ao Governo da Venezuela o adiamento das eleições antecipadas para abril p.f., para que o pleito possa ser realizado com a participação da Oposição, a supervisão de observadores eleitorais e garantias de que o processo será "livre, justo, transparente, legítimo e crível".
            O texto - que significa a primeira derrota importante do regime ditatorial de Nicolás Maduro - defende o restabelecimento da ordem democrática e faz apelo para que Nicolás Maduro permita a entrada de ajuda humanitária.
             O placar da votação evidenciou o isolamento da Venezuela e a erosão de seu apoio dentro da Organização. Tradicionais aliados de Caracas, e.g., Equador, El Salvador e Nicarágua se abstiveram. Entre os chamados bolivarianos apenas a Bolívia de Evo Morales - cujo regime há pouco sofreu derrota em referendo - votou contra a resolução, ao lado da Venezuela, e os países dependentes do petróleo subsidiado, Suriname, Dominica e São Vicente e Grenadinas.
              A Resolução teve o apoio de dezenove países, entre os quais, Brasil, Argentina, México, Estados Unidos, Canadá e Peru. Durante a maior parte de 2017, Maduro conseguira bloquear a ação da OEA graças ao apoio de países do Caribe, beneficiários da venda do petróleo venezuelano a preços subsidiados.
               Esse impasse da OEA levou à criação do Grupo de Lima, um conjunto de catorze nações que passou a pressionar a Venezuela a restabelecer as instituições democráticas.
                A assembléia de ontem foi convocada por iniciativa do Brasil, com o apoio dos Estados Unidos Mexicanos.  Nesse sentido, o embaixador brasileiro, José Luiz Machado e Costa, defendeu a necessidade da crise na Venezuela ser tratada no âmbito da OEA, já que o Grupo de Lima tem caráter informal.  Nesse sentido, o representante do Itamaraty afirmou: "A grave crise política,social, econômica e humanitária na Venezuela torna eloquente o silêncio, neste momento, da única organização regional que congrega todos os Estados-membros de nossa região".
                   Segundo o representante brasileiro na OEA,  a decisão tomada "tira a legitimidade" da justificativa de Maduro para realizar as eleições em abril.  Alguns partidos e vários candidatos da Oposição estão proibidos de participar do processo, porque estão na prisão ou foram vetados pelo regime. Ontem, o Poder Eleitoral venezuelano afirmou que a votação não incluirá a escolha de novos parlamentares, como havia sido sugerido pela cúpula chavista, notadamente Diosdado Cabello.
                      Samuel Moncada, representante da Venezuela na reunião, afirmou que seu governo não aceitará a resolução da OEA, sob a alegação de que ela viola princípios de direito internacional. Continuando na mesma linha, ele negou a evidência, no sentido de que exista crise humanitária em seu país e disse que as sanções impostas pelos Estados Unidos são responsáveis pela crise.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Ação do Exército nas favelas


                            

         É difícil compreender a atitude da imprensa no que tange à atuação do exército nas favelas do Rio de Janeiro.
         Entende-se, por certo, a postura contrária dos principais jornais de São  Paulo.  Há um viés negativo nessa cobertura da imprensa paulistana, o que desvela o ressaibo bairrista em oposição à presença da Força Armada no Rio de Janeiro, enquanto descura da capital paulistana. É, decerto, terreno traiçoeiro, porque a Cidade maravilhosa se acha em crise, o que não é o caso da metrópole paulistana...
         Depois do escândalo no último carnaval, e a fraqueza da PM e da polícia civil, que não deram à população a necessária cobertura e defesa, o que refletiu a falta de comando do governador Pezão - que, ele próprio, reconheceu - a crítica à intervenção do Exército há de provocar estranheza, dada a manifesta necessidade de que se recorresse à única Força com credibilidade e capacidade de ação, à qual o Governo da República pudesse empregar.
          O viés negativista continua a entrever-se no noticiário, como nas fotos tiradas de moradores em favelas. A hipocrisia dessa hipercrítica, que, na verdade, busca o apoio dos moradores das comunidades. Se não tiveram coragem de protestar contra a ação de defesa da idosa, que chegou a ser torturada pelo tráfico, sob a suspeição de X-9 (gíria da contravenção para o suposto dedo duro), semelha a princípio difícil contentar tais zelosos defensores dos direitos humanos (que até o presente, assistiram calados às injunções e humilhações impostas pelo tráfico às comunidades, que seja dito en passant não vivem em favelas por escolha, e sim por necessidade),
           É importante que o Estado volte a reclamar o direito de soberania sobre as favelas, na defesa das respectivas populações.  A foto em O Globo hodierno, de soldados retirando bueiros das principais vias na Vila Kennedy mostra que aí estão novos senhores, que não os do tráfico, para desimpedir as galerias do esgoto, ensejando o consequente escoamento da água da chuva.
           Tal atuação terá duplo benefício: calará as gracinhas de mau gosto do Prefeito Crivella, que substitui o dolce farniente de suas viagens à cata de drones salvadores,  por ações  comunitárias, que mostrem afinal a presença do Estado, livrando os moradores de duas sarnas - a invasão do tráfico e o cruel transtorno das enchentes, que são resultado da ineficácia da Prefeitura e consequente invasão das próprias moradias pelas águas negras de galerias de esgoto que não funcionam, porque entupidas por anos de negligência e distanciamento das autoridades competentes.
             Fazer piada com isso é dar testemunho, com firma reconhecida, da própria insensibilidade, além de uma ausência deplorável, eis que reflete a autoridade, que descuida solenemente daquele velho saneamento básico, a que tantas moradias na Baixada estão a reclamar.
             
( Fonte: O  Globo )

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nova guerra no Oriente próximo ?


                      
        Espera-se nova guerra no Oriente Próximo. Só que será uma luta armada sob comissão e sem piedade. Travada entre os territórios do Libano e de Israel, na verdade implicará em conflito parcialmente dirigido à distância, a que se agregam velhos rancores e ingredientes tecnológicos e culturais, que se traduzirão em embates raciais, a que aos preconceitos se unirão reagentes de toda sorte, em que à alteridade se contrapõem ódios antigos e modernos, e cujos fins se refletem em olhos injetados, de forças descontroladas carregados, e que no combate  ideológico se entranham, possuídos que são por instintos e poderes, que vão além, muito além das coléricas explosões, que julgam dominar, mas que em verdade lhes toldam a mente, e delas são efêmeras criaturas, metásteses malditas que séculos e milênios atravessam, na atroz incapacidade que a raiva cega alimenta e atiça, e que através dos séculos, décadas e anos avança, e através de páramos, precipícios e abismos neles se compraz, incapazes que são de pausas, seja de minutos, dias, séculos ou milênios, enquanto arremetem, carregados por poderes que dizem desprezar mas que os dominam,   alimentado por múltiplos, diabólicos e malévolos fatores diversos, em que ao preconceito racial e temporal se unem reagentes enviados de longe, pela memória do tempo nutridos, por toda áspera sorte espicaçado, por imagens, visões, odores, e  miasmas envolvidos, enquanto a si próprios se consomem em ódios fétidos e iracundos, que em nada se deleitam e a tudo ambicionam, no maldito carrossel por outros empurrado e a que detestam no espelho maldito que lhes põem por diante, para sempre condenados a encararem, por miasmas cercados, o pote desgraçado onde todas as poções recendem e a que estão para sempre entrelaçados por ódios iracundos e pela maldita cercania que nos esgares desdentados os condenam e nos mestos, distorcidos, agressivos gestos e num só rancor se consomem e a tais extremos levam, que se tal odium vissem em poça de águas negras espelhado, e a que o poeta antigo em tais turvas águas mergulhar ousasse, ou padeceria a sorte madrasta do mergulhador de Paestum, ou se debateria em malévolos, malignos sufocados risos, para sempre condenado à miserável sorte que entre si se votam, do imo fundo das próprias entranhas, os dois campeões inimigos, enquanto lenta, sinuosa e áspera como a areia grossa das fétidas correntes de águas sem nome nem destino os vá levando, envolvendo e sufocando com o ar quente e pegajoso que nos baixios sulfurentos de um lodo que não tem fundo, para sempre os arrasta e placidamente sufoca, enquanto para sempre os condena à falta de toda a esperança, no claustrofóbico poço em que lhes será vertida a poção maldita dos ódios infindáveis a cuja ingestão se condenaram, nos dias sem conta em que rolarão sob as vistas turvas dos seres infernais que os deparam através das córneas imutáveis, a que a ausência do tempo despojou de toda e qualquer sensibilidade. Para eles fica apenas a provação de se descobrirem examinados por bestas sem sentimento mas entradas nas profundezas da memória.  

Outra do Prefeito Crivella


                                    

       As gafes de Marcelo Crivella já são conhecidas e não parece que favoreçam a imagem de prefeito que se preocupe com a situação de seus concidadãos.
         Ao que parece, o prefeito tem um fraco pela ironia. Dizer que vai aproveitar a "folguinha do carnaval" para fazer um périplo pela Europa, à cata de drone para ajudar a combater a violência nas ruas. Ora, para ele não se trataria de 'folguinha', porque o Carnaval na Sapucaí é o maior evento do tríduo momesco, e não passou pela cabeça de nenhum antecessor dele que seria a oportunidade de mandar-se para as Europas.
           Além de sua procura europeia por um drone, que tentara disfarçar com alguns panos de linguagem misteriosa, foi também notada em artigo de Luiz Ernesto Magalhães outra característica de que Crivella acredita seja o exercício da ironia. Quando as primeiras chuvas fortes caíram sobre o Rio, ele ainda viajava: "Lá em São Paulo também tem enchente. Vão lançar até o 'Balsa Família'." Crivella voltava para o Rio. De novo a enchente pegou o Prefeito fora da cidade. Balsa Família é um trocadilho com Bolsa Família. Como a observação viralizasse na internet, a reação foi imediata: "Balsa Família, né?... É tão fácil fazer piada quando não se perdeu tudo que tinha...", observou no Twitter uma internauta.

( Fonte: O  Globo )