segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

STF : 48 hs. para Pazuello informar datas da Vacinação

          O     Supremo por meio do Ministro Ricardo Lewandowski deu ontem,domingo, 13 de dezembro,   prazo de 48 horas para que o titular da Saúde, Eduardo Pazuello,  informe sobre previsão de datas  de início e fim do plano nacional de vacinação contra a Covid-19.            Lewandowski quer inclusive cronograma detalhado de cada uma das fases do planejamento de imunização.  O ministro  pediu igualmente que a Advocacia-Geral da União seja intimada sobre o pedido de informações.

        Cientistas questionaram a falta de detalhamento logístico no plano (que poderia aproveitar a experiência de décadas do Plano Nacional de Imunização, o PNI) bem como a ausência de alguns grupos prioritários e da vacina CoronaVac.


( Fonte: O Globo )

domingo, 13 de dezembro de 2020

A nova Era para a Imunização

           A eficácia da nova tecnologia de RNA mensageiro (RNAm), empregada em vacinas como as da Pfizer e Moderna, marca o início de uma nova era na fabricação de imunizantes e abre portas  para tratamentos inovadores contra problemas cardíacos, doenças infecciosas e até câncer. 

             Essa tecnologia era buscada havia décadas por pesquisadores em várias partes do mundo. A pandemia do novo coronavírus deu impulso ao  seu desenvolvimento e à aprova- ção de novas  vacinas em dez meses.

              O RNAm  sintético é usado para levar instruções para as células sobre como produzir  uma proteína do coronavírus. Quando a proteína é produzida pelas células com base nas instruções enviadas pelo RNAm, ela "treina" o sistema imunológico para combatê-la. 

               "Essas são as vacinas do futuro. São melhores e de produção mais rápida." declara o diretor da Sociedade Brasileira de Imunização, Renato Kfouri.

                "Hoje usamos vacinas de eficácia aceitável mas não ótima, como a da gripe, por exemplo, que é de 60%."  Dessarte, os resultados positivos apresentados pelas primeiras vacinas  aprovadas pelas autoridades sanitárias estrangeiras têm implicações que vão muito além do combate da atual pandemia. A eficácia comprovada da inédita tecnologia de RNA mensageiro usada nesses produtos marca o início de uma nova era na fabricação de imunizantes e abre caminho para tratamentos inovadores contra o câncer, problemas cardíacos e várias doenças infecciosas."

                 Essa tecnologia era perseguida há décadas por pesquisadores em várias partes do mundo. Nunca uma vacina com base em RNA mensageiro havia conseguido o sinal verde das agências reguladoras.  Mas a emergência mundial de saúde imposta pela covid-19 fez as vacinas da Pfizer/BionTech  e da Moderna serem desenvolvidas e aprovadas em apenas dez meses. Um avanço que levaria pelo menos dez anos e afeta diretamente a produção de novos imunizantes. "A gente não saíu do zero para a vacina em dez meses", explica o Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. "Toda a ideia foi uma adaptação de uma tecnologia que já vinha sendo desenvolvida há muito tempo."

                O virologista Flávio Guimarães, do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, lembra também de um outro aspecto crucial, o financiamento. "Houve um influxo de dinheiro por parte das empresas e dos governos como jamais houve na história" ,declarou. "A ciência é pragmática: quando você paga, você recebe. Pode ser muito caro, mas recebe."

                 Tradicionalmente, vacinas são feitas com o próprio patógeno que visam a combater, em formas enfraquecidas ou inativadas. O sistema imunológico é treinado a reconhecer e combater a infecção real. Essa tecnologia foi usada com sucesso no combate ao sarampo e à pólio, entre outras, mas ela leva anos, muitas vezes décadas para ser desenvolvida. Já as novas vacinas são feitas com  um microfragmento de material genético (no caso, o RNAm), sintetizado em laboratório. Na natureza o RNA mensageiro traduz as instruções inscritas no DNA e as leva até os produtores de proteínas dentro das células. As novas vacinas usam o RNAm sintético para levar as instruções para as células sobre como produzir  a proteína spike do coronavírus.  Quando a proteína é produzida pelas células com base nas instruções enviadas pelo RNAm, ela "treina" o sistema imunológico a combatê-la.

                    Ou seja, em ver de levar fragmentos do patógeno atenuado ou inativado para dentro do organismo, as novas vacinas levam as instruções para a sua produção. A eficácia das duas vacinas se revelou superior a 95% mesmo em grupos mais vulneráveis, como os idosos.  Além disso, a  produção é muito mais simples do que a dos imunizantes tradicionais, como avaliou Kfouri.  "Ainda há alguns problemas que ainda podem ser aprimorados, como a limitação de custo e a termo-estabilidade do produto, mas os resultados são espetaculares."

                    De fato, as vacinas de RNAm  de fato apresentam algumas limitações logísticas que não apresentadas  pelos imunizantes mais tradicionais. Tanto o produto da Pfizer quanto o da Moderna precisam ser armazenados em temperaturas extremamente  baixas, de até  menos 70º C, que demandam  o uso de freezers especiais. A `Pfizer criou uma embalagem especial com gelo seco para preservar as doses na temperatura ideal durante a distribuição, além de ter montado uma cadeia de distribuição.  Ainda assim, tal característica pode representar um grande obstáculo em países como o Brasil, v.g.

                    As tentativas de usar o RNAm na luta contra diversas doenças começou há décadas, mas o uso médico se revelou tarefa complexa. Durante muitos anos, a terapia foi um verdadeiro fracasso.  Foi somente em 2005 que Katalin Kariko e Drew Weissman, da Universidade da Pennsylvania descobriram uma forma de modificar o RNAm  para que ele não causasse a inflamação exacerbada, que até impedia o seu uso.  Um segundo obstéculo era como proteger as frágeis partículas do RNAm para que ele não causasse a inflamação exacerbada, que até então impedira o seu emprego.  Um segundo obstáculo era como proteger  as frágeis partículas do RNAm  em seu caminho até as células. A solução acabou sendo o desenvolvimento de uma espécie de "envelope" com nano-partículas de lipídio. Com tais progressos, foi possível começar a testar a tecnologia em seres humanos em 2015.

                    No caso da vacina da Pfizer/ BioNTech, esse envelope de lipídios precisa ser mantido a temperaturas superfrias para não perder sua capacidade de proteção do RNAm. A Moderna conseguiu descobrir  como manter os envelopes por mais tempo em temperaturas mais elevadas. Por isso, suas vacinas podem ser armazenadas em freezers  normais e, por até um mês, em geladeiras comuns.

Outras Aplicações. "Esses resultados abrem  uma grande janela de oportunidade em relação a outras vacinas", afirma Kfouri.  "Usamos hoje vacinas de eficácia aceitável, mas não ótima, como a da gripe, v.g., que é de 60% Temos no mercado muitas vacinas que tiveram um enorme impacto na saúde pública e não têm nem 70% de eficácia. Podemos pensar em migrar esses imunizantes para uma nova geração de vacinas. Teremos vacinas melhores, produção mais rápida."

                  O mesmo grupo da |Universidade da Pennsylvania  já testou a tecnologia para o desenvolvimento de vacinas contra cerca de trinta doenças diferentes.  Os resultados iniciais dos testes em camundongos do produto contra diferentes tipos de gripe foram positivos.  Também se revelaram promissores produtos contra a herpes genital e a malária. O grupo também conseguiu induzir a produção de proteínas cuja ausência pode provocar uma série de doenças. como a fibrose cística.

                  A Moderna, por sua vez, além da vacina contra a covid-19, também trabalha  em imunizantes contra outras doenças infecciosas como zika e chikungunya.. A farmacêutica também está testando, com a Merck, uma vacina terapêutica à base de RNAm, voltada para tratar câncer.

                   A terapia é personalizada, com base nas mutações específicas encontradas nas células tumorais. Quando usado em conjunto com um medicamento da Merck contra o câncer, o produto se mostrou promissor em pacientes com tumores na cabeça e pescoço, em estudos iniciais.

                   A BioNTech também avança em seus estudos de uso de vacinas de RNAm no tratamento do câncer, principalmente tumores de mama, pele e pâncreas. A farmacêutica tem vários produtos em desenvolvimento, incluindo um para um tipo específico de câncer de pele que já está em fase de testes. Uma das grandes vantagens das vacinas de RNAm é que elas podem ser rapidamente ajustadas a mutações virais ou a eventuais quedas na imunidade.

                    O maior desafio agora é aprimorar ainda mais a tecnologia, tornando o transporte das vacinas mais simples e a custos ainda mais baixos. "Essas são as vacinas do futuro", afirma  Kfouri.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

sábado, 12 de dezembro de 2020

Guedes em férias e Reformas também ?

      Segundo noticia a Folha, o Ministro Paulo Guedes (Economia) sai em férias e, por isso,  as principais reformas chegam ao fim do ano sem avanço.  Elas são adiadas, e a mais recente frustração na agenda econômica está no abandono da PEC emergencial pelo respectivo relator o Senador Marcio Bittar (MDB-AC). Essa PEC foi proposta por Guedes em novembro de 2019, e poderia, segundo estimativa ministerial  poupar mais de R$ 30 bilhões em despesas  anuais (dependendo porém do formato final). No entanto, na sexta, dia onze de dezembro, Bittar anunciou o adiamento para 2021: "Em vista da complexidade das medidas, bem como da atual conjuntura do país, decidi não mais apresentar o relatório da PEC Emergencial em 2020." 

          "Creio que a proposta será mais bem debatida (em 2021), tão logo o Congresso retome suas atividades e o momento político se mostre mais adequado. Responsabilidade e cautela são as palavras de ordem", conclui Bittar, que passou os meses anteriores em campanha eleitoral no Acre.

         A equipe econômica tentava até a véspera do anúncio destravar o relatório de Bittar, e agora avalia incorporar no Orçamento de 2021 ao menos parte da PEC Emergencial e do relatório do Senador que circulou entre líderes ao longo da semana. Com isso o governo teria algum respiro - ainda que limitado - para eliminar certas despesas    diante de pressões sobre o teto de gastos, como a inflação.

          Guedes reclamou da falta de apetite da classe política pelas reformas, em especial do pacotaço fiscal proposto por ele em novembro de 2019 (de que fazem parte as PECs Emergencial, do Pacto Federativo e dos Fundos).  Segundo o Ministro, a ausência a aprovações acaba sendo mais um motivo para preservar o teto de gastos.

            Nesse contexto, o adiamento da PEC Emergencial é apenas um de uma série de golpes sofridos pela agenda de Guedes em um ano bastante conturbado.  Outra frustração nesse ano foi a reforma tributária. A proposta do Governo foi escanteada no Congresso. O presidente da comissão sobre o tópico, senador Roberto Rocha anunciou a prorrogação dos  trabalhos até 31 de março, adiando as discussões após divergências entre Guedes e o presi- dente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ)

               A reforma administrativa, que revê gastos com servidores, continua parada desde que foi enviada aos parlamentares (começo de setembro). Nenhum privatização de estatal controlada diretamente andou  nos dois anos de governo como o próprio ministro lamentou em público recentemente.Nem mesmo o PLDO (Projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 foi aprovado até agora, O texto estabelece meta para as contas públicas em 2021 e autoriza a execução de despesas. A peça está estacionada no Congresso desde abril, com votação prevista para o dia dezesseis.,

                  Nesse caso, o governo vai fazer alteração na proposta enviada antes. Após pressão do TCU, o governo desistiu de uma meta fiscal flexível para 2021 e vai propor ao Congresso um valor fixo, que deve ficar em torno de R$ 230 bilhões de déficit, segundo fontes da pasta. 

                     Nos últimos meses, foram aprovados no Congresso só temas de menor complexidade da agenda econômica, como a nova lei de falências e o projeto da BR do Mar (este, liderado pelo Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas).

                     Dessarte, em meio ao cenário de paralisia nas principais discussões, de aproximação do recesso do Congresso (em 23 de dezembro), e do novo  comando da Câmara, Guedes vai entrar em período de férias de 18 de dezembro a oito de janeiro. A autorização foi dada por Jair Bolsonaro e publicada nesta sexta-feira, no D.O. da União.

                      Aliados de Guedes afirmam à Folha que as férias serão tiradas após um período  intenso de trabalho voltado à crise da Covid-19. Afirmam que o Ministro e sua equipe trabalharam de  domingo a domingo em boa parte do ano, como em uma guerra, e que as atividades se prolongavam por mais de doze horas por dia.

                       Além disso, argumentam,  o Congresso está com comissões paradas e entrará em recesso.. E que mesmo assim Guedes dificilmente conseguirá se desligar nas férias.

                       Afirmam ainda que o ministro, com 71 anos,  vem arriscando sua saúde e sua reputação para trabalhar pelo país e que, de qualquer maneira, todo ser humano precisa de descanso. Ao voltar do periodo de folga, o ministro encontrará ainda pendentes não apenas as reformas que propôs como a votação do Orçamento  do ano que  vem, também parado no Congresso.  Enquanto o texto não for aprovado,  o governo entra em 2021  com autorização para gastar apenas 1/12  do previsto por mês.

                        Paralelamente, à paralisia  da agenda, o governo tem como desafio nesse fim de ano e no começo do próximo o aumento dos casos do coronavírus e o risco de fecha-mento de atividades. Oficialmente, Guedes e sua equipe buscam dizer que não há risco de suspensão das  atividades  na mesma proporção que ocorreu neste ano.

                         No início de 2020, no entanto, a equipe econômica tinha discurso similar, e as ações de distanciamento social acabaram sendo tomadas por estados e municípios, forçando o governo a criar medidas como o auxílio emergencial para garantir renda à popu- lação.

                           Nos últimos dias, o ministro vem admitindo a possibilidade de um repique na hipótese de os casos continuem subindo e diz que hoje já se conhecem os instrumentos para enfrentar um novo período de crise, como o auxílio emergencial.

                            Ao mesmo tempo, ele conta com o rescaldo do auxílio no começo de 2021. Embora o programa acabe em dezembro, ainda haveria saques programados para os primeiros  trinta a quarenta dias do começo de 2021, segundo ele.

                             No entanto, técnicos da Economia já mencionam  nos bastidores que, caso a crise se acentue, gastos extraordinários serão novamente necessários.  Por isso, já é mencionada a possibilidade,  nos bastidores, de extensão ou de um novo decreto do estado de calamidade pública  em 2021. 


( Fonte: Folha de S. Paulo ) 

                           

Acordo de Paris, assinado em outra conjuntura, não quer morrer

Celebrado a doze de dezembro de 2015, foi assinado por 195 países e estabeleceu  a meta de conter o aumento da temperatura global entre 1,5°C até 2 graus. 

Acordo de Paris é ratificado e se torna lei em cem Nações, entrando em vigor em tempo record, a quatro de novembro de 2016.

A 9 de novembro de 2016.      apenas 5 dias depois da entrada em vigor do Acordo, Donald Trump é eleito presidente dos EUA - maior emissor histórico de gases-estufa - e promete saida do País do Acordo de Paris, formalizada apenas em novembro de 2020.

2017   Na primeira conferência do clima das Nações Unidas após a eleição de Trump, EUA promovem evento para defender combustíveis fósseis, causadores do efeito estufa. Estados, municípios, universidade e empresas americanas unem esforços para seguir implementação do Acordo, apesar da decisão de Trump.

29 out.2018     Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil - que tem a maior floresta tropical do mundo - e se posiciona contra o Acordo Climático  e também contra o combate ao desmate na Amazônia.

2019.  Brasil bloqueia negociações que deveriam concluir a regulamentação do Acordo de Paris na COP-25 do Clima, em Madri. Desmatamento  na Amazônia sobe 34%, em eleva-ção   record dos últimos vinte e dois anos.

2020    Quarentena para conter pandemia  do coronavírus  derruba emissões de carbono no mundo em 7 %,  Joe Biden é eleito presidente dos EUA e promete retorno imediato ao Acordo de Paris.                                                                                                                                                                                                                                                                           ( Fonte:  Folha de S. Paulo  )                                                                                                                                   /     



Morre Leila Richers (TV Manchete)

     "Queridos amigos! Depois de uma longa batalha contra um câncer, enfim descansei! Não haverá velório e serei cremada. Obrigada pelo carinho e pelas orações. Um beijo. Amém!"

      O texto em primeira pessoa surpreendeu amigos. que nem sabiam que Leila estava doente.

      Foi ela mesma quem ditou as palavras de seu post de despedida, publicado em sua página no Facebook no mesmo dia em que morreu, a dez de novembro.

       Leila Moura Richers, carioca, era uma mulher prática e decidida, mas também de uma grande delicadeza e notável senso de humor. Seria a sua beleza que faria com que ela se tornasse modelo ainda na adolescência, posando para editoriais de moda de revistas como "Desfile". Não tardou a chamar a atenção do presidente do grupo editorial, Adolpho Bloch, que a convidou para apresentar um noticiário na então nascente TV Manchete.

        Ambiciosa e  disposta a ser muito mais do que um belo rosto, Leila não vacilou: cursou jornalismo na UFRJ, graduando-se em 1986. Em 1987, já era âncora e editora de política do "Jornal da Manchete- Segunda Edição", posto que ocupou por sete anos. Na mesma tele-emis- sora, ainda apresentou reportagens especiais no "Programa de Domingo" e  comandou progra- ma de variedades "Ela e Ele", ao lado de Luis Carlos Miele. 

         Em 1993, foi para Curitiba, para ser âncora do "Jornal da CNT".  Ali ficou até 1998, tendo após passagens pela extinta TVE e pela Multi-Rio, orgão de comunicação da prefeitura do Rio.   Leila nunca participou das Organizações Globo, apesar de haver sido sondada para o Fantástico.  Lela recusou o convite, eis que preferia a adrenalina dos tele-jornais diários. Sem embargo, a cúpula da Globo achava que era bonita demais, e que iria "distrair" o espectador do Jornal Nacional.

         Nos últimos anos, Leila Richers tinha seu próprio canal no YouTube, onde postou entrevistas até um mês antes de morrer.  Ela também enfrentaria um câncer do fígado, que se espalhou  por outros órgãos. 

          Ela deixa os filhos Guilherme e Daniel, havidos com seu marido Ronaldo Richers, e a neta Maria Fernanda. Nesse contexto, ressalta igualmente que Leila Moura Richers (1955- 2020) foi uma das presenças mais luminosas e brilhantes da TV brasileira.

(Fonte: Folha de S. Paulo ) 

Lei obriga Anvisa a liberação automática

       Caso a Farmacêutica Pfizer vier a conseguir nos Estados Unidos a aprovação emergencial  de sua vacina contra a Covid 19 e. incontinenti pedir a liberação urgente também no Brasil, a Anvisa terá o prazo de  72 horas para avaliar a solicitação.

       Na hipótese   de que não venha a ocorrer o exame em tal período, autorização será automática.  Tal forma de atuação é prevista em Lei, aprovada neste ano para a Pandemia. Não obstante, a agência contesta a interpretação...


( Fonte: Folha de de S. Paulo )

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

A crise anunciada: UE vs. Reino Unido

           Há muitas causas para o presente impasse entre União Europeia e Reino Unido. Mas a principal é o desconforto das lideranças britânicas com a sua permanência na União Europeia. Não é o caso de empreender um estudo aprofundado na matéria - isto será uma questão para o futuro. Mas é inegável que a ambição de uma geração de não acomodar-se com o veto do general de Gaulle ao pleito inglês de ingressar no Mercado Comum passaria nos anos seguintes a tornar-se uma questão controversa na Inglaterra. 

           Não se carece de ir muito longe quanto à ambivalência do desejo da elite britânica de encarar o ingresso na organização de Bruxelas como uma contradição ao suposto destino manifesto inglês quanto aos sonhos de um superpoder forçado a participar de um organismo continental,  o que contrariava a sua suposta posição política acima dos poderes de Bruxelas e dos muitos países da Europa Central.

             Por isso, o estúpido jogo de volta e meia atender aos apelos da direita ultraconserva-dora teria ao cabo de dar no que deu, com a vitória em um enésimo referendo, mal convoca-do num período estival, em que ironicamente a maior parte dos partidários do Remain estariam em férias na Europa, tornando assim ainda menos densa a disposição dos súditos de Sua Majestade de persistirem no bom caminho da aliança econômica com Bruxelas.

              No passado, até líderes de maior relevo tinham concordado em submeter-se ao perigoso recurso ao referendo. Parodiando o velho dito, não desejes depender de velhas ilusões, e de brincar com a volta do passado, submetendo-se a postulações cretinas, eis que por mais carisma que o líder do momento tenha, sempre virá a hora de que as reivindicações da direita encontrarão pelo jogo dos números a oportunidade de fazer o errado prevalecer, como de fato ocorreu no último referendo que ali aparecera como uma suposta concessão à direita ultraconservadora. De que serve que um líder medíocre tenha visto a própria carreira política ir para o espaço dos políticos fracassados ? 

                Os arreganhos de uma suposta "libertação" das correntes impostas por Bruxelas funcionaram em um processo onde líderes mais jovens, lançados às posições de mando, terão julgado que o radicalismo passara a integrar o ambiente, livrando-os dos dinosauros na liderança e abrindo um espaço aos mais jovens, oportunistas de boa cepa. que não terão enjeitado a oportunidade de entrar afinal nella stanza dei botonni...

                 O afobado e ofegante líder conservador Boris Johnson chega à sede da Comissão Europeia, sendo recebido pela sua Presidente, Ursula van der Leyen.  Mas a preparação do encontro fatídico não foi das melhores. O isolamento da pérfida Albion foi ironicamente ressaltado pelo anúncio supostamente apaziguador de que Londres revogaria cláusula da Lei do Mercado interno que violaria regras impostas pela Lei do Mercado interno - e que terá desrespeitado o pacto que permitiu o Brexit, firmado em fins de 2019.  Ao mostrar certa má-fé  a atitude inglesa terá sido recebida com fúria pela União Europeia . O  organismo até ameaça levar a lei britânica a cortes internacionais...


( Fonte:  O Globo )