sábado, 1 de agosto de 2020

Microsoft negocia compra do TikTok


          

     A Microsoft negocia a aquisição do TikTok, aplicativo de vídeo de propriedade chinesa, que opera com nova tecnologia desenvolvida pela China. Essa informação procede de fonte confidencial. Sem embargo, de acordo com a sua política de confrontação comercial com a RPC, o presidente Trump disse nesta sexta-feira, dia 31 que considera tomar medidas para proibir o aplicativo nos Estados Unidos. Esta é mais uma das guerrilhas comerciais empreendidas pelo presidente estadunidense.
      Pela sua tecnologia - que subjaz às manobras políticas de Trump - muito avançada e supera os demais concorrentes no mercado, esse aplicativo tem um desempenho que o torna neste momento a very hot produto tecnológico.
        Por causa de o que precede, o TikTok conta com mais de oitocentos milhões de usuários ativos, a par de ser o mais baixado no trimestre. Esse aplicativo permite que usuários publiquem e compartilhem vídeos curtos, em geral cômicos.
         Não está claro quão avançadas estejam as discussões, mas qualquer acordo poderá modificar a propriedade do app, de acorde com fonte que solicitou anonimato.
          Como se sabe, o TikTok é propriedade da ByteDance, empresa chinesa, com US$ cem bilhões de valor de mercado. Autoridades americanas disseram temer que o app ameace a segurança nacional (por causa da tecnologia empregada).
             A Administração Trump cogita ordenar que a ByteDance se desfaça de ativos que adquiriu nos Estados Unidos em 2017, mais tarde fundidos no TikTok. A agência Bloomberg relatou nesta sexta que o presidente anunciaria um decreto que obrigaria a ByteDance a vender as operações do TikTok nos Estados Unidos.
               Os Estados Unidos avaliam outros atos possíveis, incluindo acrescentar a ByteDance a uma lista que impede que companhias estrangeiras comprem produtos e serviços nos Estados Unidos sem licença especial.
                   "Podemos proibir o TikTok", disse Trump a jornalistas nesta sexta. "Podemos fazer outras coisas. Há algumas opções."
                     Representantes do TikTok não responderam, e um porta-voz da Microsoft não quis comentar o assunto. Legisladores e o governo Trump questionam cada vez mais se o TikTok é suscetível à influência do governo da RPC, incluindo potenciais pedidos para censurar material publicado na plataforma, ou compartilhar dados de usuários americanos com as autoridades chinesas.
                        O app está sendo investigado desde o final de 2019 pela Comissão de Investimento Estrangeiro nos EUA, painel federal que examina aquisições estrangeiras de firmas americanas sobre potenciais ameaças à segurança nacional.
                       Recentemente, o Secretário de Estado, Mike Pompeo disse que dados de usuários do TikTok vão parar "nas mãos do Partido Comunista Chinês".
                       O app tentou apaziguar as preocupações nomeando um americano para chefiar os negócios no país: o ex-alto executivo da Disney, Kevin Meyer...   A empresa ainda escalou lobistas para tentar convencer os Estados Unidos de que o TikTok não tem relação com o governo chinês, a par de mostrar que nem seus servidores estão no país.
                         Executivos discutiram outros cenários para aliviar temores dos reguladores,  incluindo um em que investidores americanos como Sequoia Capital e General Atlantic poderiam recomprar o TikTok da ByteDance, com a companhia chinesa retendo uma participação minoritária no app.
                         No caso em que a Casa Branca venha a proibir  o TikTok, seria um segundo golpe  para o projeto de expansão internacional da ByteDance  - em junho, em meio a uma tensão na fronteira entre a RPC e a India, os indianos bloquearam  o TikTok, Baidu e outros 57 apps chineses por considerá-los "prejudiciais à soberania e integridade, à defesa do País, segurança de Estado e ordem pública."
                          Um dos principais motivos para a preocupação americana é a Lei de Inteligência Nacional em vigor na RPC, que obriga as empresas do país a repassar qualquer informação que o regime exija.

Comentário do  Blog  

Sem entrar nas intricâncias da questão, a maneira com que seria efetivada a possível aquisição do TikTok parece desvelar uma eventual incômoda circunstância (para Trump e a Casa Branca) de que um Cavalo de Troia esteja implicado nessa complexa transação... O elemento de segredo estaria envolvido em uma eventual admissão de inferioridade tecnológica,  o que semelha dificil que a Superpotência esteja propensa mesmo que encoberta por eventuais floreios diplomáticos a reconhecer.              

( Fonte:  Folha de S. Paulo )          

Itália: vira o jogo na Covid-19


                                          

        Quando o coronavírus explodiu no Ocidente, a Itália tornou-se o seu epicentro num clima de verdadeiro pesadelo, um lugar a ser evitado a todo custo, e um lugar a ser evitado, além de constituir  um símbolo nos Estados Unidos e em grande parte da Europa de contágio incontrolável.

           Vejam o que está acontecendo com a Itália, disse aos repórteres o presidente Donald Trump, no dia dezessete de março último. "Não queremos nos encontrar em uma situação como essa", Joe Biden o provável indicado democrata às eleições, ressaltou os hospitais superlotados da Itália como prova  de sua oposição ao "Cuidados médicos para todos", em um debate presidencial. "Neste momento, não está funcionando na Itália".

             Poucos meses depois, os EUA ultrapassariam a Itália em mortes e os países europeus, que antes olhavam com presunção para o país, enfrentam novos surtos e começam a impor novas restrições e pensam até em decretar um lockdown. O Primeiro Ministro Boris Johnson, do Reino Unido, anunciou ontem, dia 31 de julho, o adiamento da flexibilização na Inglaterra, dado o aumento do contágio no país.  Até a RFA, elogiada por sua eficiente resposta e rigoroso rastreamento dos contágios, advertiu que o comportamento relapso está provocando uma nova onda de casos.

             E a Itália ? Seus hospitais quase não tem pacientes de Covid-19. O número de óbitos diários pelo vírus na Lombardia, a região norte que suportara o impacto mais violento da pandemia - e que a esse título colheu comentários deste blog - agora esse  número de casos despencou, sendo  "um dos mais baixos da Europa e do mundo", asseverou Giovanni Rezza, diretor do Departamento de doenças infecciosas do Instituto Nacional de Saúde.  "Fomos muito prudentes." Como os meus leitores terão presente, essa crise lombarda foi citada como exemplo algumas vezes neste blog.

               Apesar do aparecimento de pequeno surto nesta semana, os italianos estão  otimistas sobre a resposta ao controle do vírus - enquanto os especialistas na área sanitária alertam para circunstância de que a complacência continua sendo o principal combustível da pandemia.  Como sabem, o quadro pode por isso mudar a qualquer momento.

                    Nesse contexto, a maneira como a Itália conseguiu passar de "excluído" global a modelo de contenção do vírus  tem novas lições para o resto do mundo, inclusive os EUA, onde a doença que nunca esteve sob controle, agora devasta o país (os Estados Unidos é o país de maior número de mortos nesta epidemia do coronavírus).

                     Após começo conturbado, a Itália consolidou, ou pelo menos preservou a recompensa por um rigoroso isolamento graças a uma mescla de vigilância e experiência médica, adquirida de maneira mais dolorosa. Seu governo se pautou pelas recomendações de comissões científicas e técnicas. Os médicos, os hospitais e as autoridades de saúde reúnem mais de vinte indicadores diários sobre o vírus e os remetem às autoridades regionais, que então os mandam para o Instituto Nacional de Saúde.

                       O resultado é um panorama semanal da situação da saúde no país que dá base para as decisões estratégicas. Nesta semana, o Parlamento aprovou em votação a prorrogação dos poderes de emergência do governo até quinze de outubro, depois que o Primeiro Ministro Conte disse que a nação não poderia baixar a guarda "porque o vírus continua circulando."

                       Esses poderes permitem que o governo mantenha as restrições e reaja rapidamente - inclusive com o fechamento - a novas aglomerações. "Há uma variedade de cenários na França, Espanha, Bálcãs, o que significa que o vírus não desapareceu completamente",afirma Ranieri Guerra, médico italiano que é o diretor-geral-assistente de iniciativas estratégicas da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Ele pode voltar a qualquer momento".
                      Especialistas em saúde do país afirmam que a ausência de casos graves indica um decréscimo do volume de infecções, porque  apenas uma pequena percentagem de infectados adoece gravemente.Até o momento, os italianos descontentes não têm sido muito numerosos ou poderosos o bastante para minar a trajetória de sucesso conquistado  com muito trabalho no combate ao vírus, depois de um início calamitoso.
                         A maioria dos especialistas disse que o vírus ainda paira no ar, e enquanto o governo considera um novo decreto para a reabertura das boates, dos festivais e das viagens de cruzeiro, muitos deles imploraram o país a não baixar a guarda.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )                  

Moro: Governo atua para enfraquecer MP


               
        O ex-Ministro da Justiça e ex-Juiz da Lava Jato, Sergio Moro criticou o projeto que passa a negociação de acordos de leniência para a AGU e a CGU, sem o Ministério Público Federal (MPF). Tal propósito  visa a enfraquecer o M.P. Dada a importância desses acordos, é realmente de estranhar que o atual chefe do M.P. Augusto Aras proponha esse esquema, que retira (e portanto enfraquece) o MP, o que decerto não pode ser aceito pelos procuradores.

         Dadas as reações às suas estranhíssimas propostas, a reação de Augusto Aras lhe mostra a irritação, como se pudesse ficar surpreendido com tal canetada contrária à instituição.
          Por isso, ele encerrou abruptamente a live, descontente com tanta merecida oposição.

( Fonte: O Globo )

Covid-19 pode ter nova onda no Rio


                                          
     Boletim semanal da Fundação Oswaldo Cruz indica que o risco de  uma segunda onda de Covid-19  aumentou nos estados do Rio de Janeiro, Maranhão e Amapá. Nesses três estados, o primeiro pico de casos da doença foi registrado na primeira quinzena de maio; a partir de junho, houve queda constante. Mas na recém-terminada segunda quinzena de julho o número de casos voltou a subir.

      Enquanto o Prefeito da Cidade do Rio, Marcello Crivella, mais se preocupa em flexibilizar a quarentena, a população carioca tem mostrado infelizmente pouca conscientização quanto aos perigos da pandemia, que a ver pelo comportamento da maioria da população já estaria no seu percurso terminal. Falta decerto ao Rio de Janeiro um prefeito da têmpera de Covas  (S. Paulo), que mesmo com os seus graves problemas de saúde tem dado enorme atenção ao problema em São Paulo, que  não se pode comparar a superficialidade de Crivella.

           A gente volta às praias,se bem que a sua imprudência  não guarde semelhança com a dos espanhóis. É o esquecimento da regra básica para a proteção contra o contágio - evitar o contato pessoal e em termos genéricos  qualquer aglomeração. Agindo estupidamente, incentivando o contato pessoal, se está selando a própria sorte, a caminho das UTIs que mesmo na estória boa de conseguir vencer a doença se tem pela frente um pós-tratamento de deixar em pé os cabelos
  
          Segundo o boletim semanal da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz , o número de novos casos semanais da SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) se estabilizou no país, mas os dados semanais continuam altos.
             É de notar-se, contudo, que tais dados estão associados à Covid-19.  Os gestores públicos - como para o comportamento do Prefeito Crivela  parece ser o paradigma - preocupam-se com as funções econômicas das empresas, e buscam inventar regras para conter o comportamento social dos habitantes citadinos,  Estão esquecidos, no entanto, da radicalidade do coronavírus, e de que a movimentação social constitui a maior aliada desse vírus que desde trazido da China, em princípios do ano, vem infernizando a nossa vida.  Tenha-se presente as extremas facilidades de contágio, como o demonstram um dos círculos mais protegidos, que é o da administração Bolsonaro, que já registra mais contágios, conforme referidos pela mídia.. Entremente,  o Brasil, para seu desconforto registra  92.568  óbitos, e os infectados são dois milhões, seiscentos e sessenta e seis mil, e duzentos e noventa e oito (2.666.298).
                        É de notar-se - e tal não se trata de motivo de referência elogiosa - que o Brasil de Bolsonaro continua em segundo lugar no mundo em número de mortes, atrás dos Estados Unidos de Donald Trump, que ocupa o vergonhoso primeiro lugar e será por isso que ele luta por adiar as eleições próximas, que deverão selar-lhe a sorte contra o democrata Joe Biden.

( Fontes: O Estado de S. Paulo,  O Globo )

Morre Gilles Lapouge, colunista do Estadão


               
Gilles Lapouge morreu anteontem, trinta de julho, em Paris, com 96 anos,  após uma longa presença de sete décadas no Estado de S. Paulo, a que chegara por convite de Julio de Mesquita Filho. O primeiro texto de Lapouge no Estadão foi publicado sem a sua assinatura,na edição de 25 de janeiro de l951, relatando a situação econômica na França, que naquele pós-guerra não era decerto das melhores.

            A sua qualidade já se entremostra por quem o indicou, Fernand Braudel, o conhecido historiador francês. Para João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado "a biografia de Lapouge está entrelaçada com a história do Estadão ao longo dos últimos 70 anos. "Perdemos um grande jornalista, escritor e intelectual sempre apaixonado pelo Brasil, mas acima de tudo uma pessoa de enorme grandeza. Ficamos mais pobres", afirmou Caminoto.

(Fonte: O Estado de S. Paulo )

Os Perigos da 'Diplomacia' de Bolsonaro


                            
       Prossegue a "marcha da insensatez" da Administração Bolsonaro. Ao contrário até do regime militar, que cuidava de não indispor-se em termos diplomáticos e de dar alguma autonomia ao Itamaraty, mesmo nas sazões difíceis do domínio castrense, infelizmente se tem que concordar com as referências à "diplomacia exótica" deste presidente, constantes do editorial de O Globo deste sábado.

           Pois as suas posições de extrema direita ignoram não só o interesse nacional - o que, de resto, não é pouco - mas misturando sabujismo com diplomacia em termos de relações com Donald Trump, atingem não só o presente, mas também põem em perigo, em estúpida manobra, o interesse nacional brasileiro.

             O que é de saída lamentável é a circunstância de que o atual presidente e sua política externa venha malbaratando a diplomacia do Itamaraty, que sempre fora respeitada internacionalmente, sobremodo por força de suas tradições e da qualidade de seu corpo diplomático. Se nem os generais-presidentes, naquele triste período da  diplomacia brasileira, ousaram malbaratar o nosso patrimônio diplomático, refletido por titulares a quem eles tiveram  o bom senso de não querer transformá-los em personagens que discrepassem das tradições que asseguraram aos seus chefes o exercício de suas funções dentro de atmosfera que não recendesse a regimes caricatos, como aos que agora, pelo desatino presente, são julgados exemplos possíveis, de que o editorial de O Globo deste sábado, primeiro de agosto, já nos dá uma triste ideia, ao julgar sequer possível comparar a liderança brasileira, como se nossa diplomacia estivesse na faixa dos Kim Jong-un, Nicolás Maduro ou até o folclórico Gourbangouly, do Turcomenistão...

                Para resumir, já basta a subserviência com que tratou ao próprio presidente Trump, ignorando toda a diplomacia observada por seus antecessores, a ponto de chegar ao cúmulo de trazer a política interna para as relações internacionais, como se um presidente do Brasil pudesse tomar partido entre democratas e republicanos, canhestramente desconhecendo  todas as lições do patrono de nossa diplomacia, o Barão do Rio Branco.


( Fonte: O Globo )

Transcrições de discurso de Obama e artigo de John Lewis


               
        O ex-presidente Barack Obama aproveitou o funeral de John Lewis (1940-2020), nesta última quinta-feira, em cerimônia de grande peso simbólico para os defensores dos direitos civis nos Estados Unidos, para fazer o discurso mais duro até o momento contra o candidato à reeleição Donald Trump.
             Ativista anti-racismo que marchou com Martin Luther King e congressista durante décadas, Lewis morreu aos oitenta anos, com câncer no pâncreas, em dezessete de julho corrente. O evento reuniu três ex-presidentes, líderes políticos, religiosos e admiradores na Igreja batista de Ebenezer, em Atlanta.
                 Obama, primeiro presidente negro do país, disse que Lewis é provavelmente o maior "discípulo de Martin Luther King" e que, assim como muitos americanos, tem uma dívida com "sua potente visão de liberdade". Em uma fala politizada,Obama principal cabo eleitoral do candidato democrata Joe Biden, mesclou elogios a Lewis e críticas a posições do governo Trump.
                 Sem citar o nome do republicano, atacou a sugestão do presidente americano de adiar a eleição presidencial, marcada para novembro, e a violência de agentes federais contra manifestantes pacíficos.
                   Obama afirmou que pessoas no poder atacam o "direito ao voto com precisão cirúrgica, até mesmo minando  o serviço postal, às vésperas das eleições". "Será preciso usar votação por correios para que as pessoas não adoeçam", reiterou, referindo-se à pandemia.
                     Em outro momento, lembrou George Floyd, cuja morte desencadeou atos antirracistas em todo o país, e criticou a atuação das forças federais contra protestos pacíficos, principalmente em Portland.
                      "Testemunhamos com nossos próprios olhos policiais se ajoelhando nos pescoços de afro-americanos. George Wallace (ex-governador do Alabama, um dos principais líderes segregacionistas dos EUA na década de 1960), pode ter partido, mas testemunhamos o governo federal enviando agentes para usar gás lacrimogêneo e cassetetes contra manifestantes pacíficos", disse Obama, aplaudido de pé.
                              Os outros ex-presidentes presentes na cerimônia, George W. Bush e Bill Clinton também se pronunciaram.  O republicano Bush, que presidiu aos Estados Unidos entre 2001 e 2009, afirmou que os americanos vivem  num país melhor e mais nobre por causa de Lewis.  "John e eu tivemos nossas discordâncias. Mas nos EUA pelo qual pelejou e nos EUA em que acredito, diferenças de opinião são elementos inevitáveis e evidência de uma democracia funcionando."
                                  O democrata Clinton ressaltou a habilidade "impressionante de Lewis em acalmar águas turbulentas"."Quando ele poderia ter ficado com raiva e determinado a cancelar seus adversários, tentou convertê-los. Ele acreditava que a mão aberta era melhor do que o punha cerrado".
                                   A presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, também compareceu ao funeral. Afirmou que Lewis insistia na verdade em sua atuação no Congresso e que, enquanto atuou como parlamentar, esforçou-se para que seus colegas enxergassem "o movimento dos direitos civis e outros (movimentos) por meio de seu olhar".
                                     Ao cabo da cerimônia, a banda BeBe Winans apresentou música composta em homenagem a Lewis. Batizado "Good Trouble" (a boa confusão) a canção relembra frase usada pelo congressista para alertar as pessoas da necessidade da "boa confusão", do" bom e necessário empenhar-se".

Testemunho de John Lewis. 

(publicado pelo New York Times) Poucos dias antes de sua morte, escreveu o artigo abaixo, para ser publicado no dia do seu enterro)

                                          Meu tempo aqui estã chegando ao fim, mas quero que vocês saibam que nos últimos dias  e horas de minha vida vocês me inspiraram. Vocês me encheram de esperança sobre o próximo capítulo da grande história americana quando usaram seu poder para fazer diferença em nossa sociedade. Milhões de pessoas motivadas simplesmente pela compaixão humana derrubaram os obstáculos da divisão. Por todo o país e o mundo vocês puseram de lado raça, classe, idade, língua e nacionalidade para exigir respeito pela dignidade humana. É por isso que eu tive de visitar a Black Lives Matter Plaza ( Praça Vidas Negras Importam ) em Washington, apesar de ter sido internado no hospital no dia seguinte. Eu simplesmente tinha de ver e sentir pessoalmente que, depois de muitos anos de testemunho silencioso, a verdade continua avançando.
                                                   Emmett Till foi o meu George Floyd. Ele foi meus Richard Brooks, Sandra Bland e Breonna Taylor. Ele tinha catorze anos quando foi morto, e eu tinha apenas quinze na época. Nunca esquecerei o momento em que ficou muito claro que ele poderia facilmente ter sido eu. Naquele tempo, o medo nos constrangia como uma prisão imaginária, e pensamentos perturbadores de potencial brutalidade cometida sem motivo compreensível eram as grades.
                                                    Embora cercado por pais amorosos, muitos irmãos, irmãs e primos, seu amor não podia nos proteger da opressão maligna que esperava assim que eu saísse do círculo familiar. A violência incontida e irrestrita e o terror sancionado pelo Governo tinham poder de transformar em pesadelo uma simples ida ao mercado para comprar doces ou uma corrida inocente de manhã por  estrada rural solitária. Se quisermos sobreviver como nação unida, precisamos descobrir o que se enraiza tão rapidamente em nossos corações que é capaz de roubar da Igreja Mãe Emanuel na Carolina do Sul  seus melhores e mais inteligentes membros, atirar contra o público distraído em show em Las Vegas e sufocar até a morte as esperanças e os sonhos até a morte as esperanças e os sonhos de talentoso violinista como  Elijah McClain.
                                                      Assim, como tantos jovens hoje, eu procurava uma saída, ou alguns poderiam dizer uma entrada e então escutei a voz do Doutor Martin Luther King Jr. em um velho aparelho de rádio.
                                                    Ele falava sobre a filosofia e a disciplina da não-violência.  Ele disse que somos todos cúmplices quando toleramos a injustiça. Disse que não basta dizer que as coisas vão melhorar aos poucos.Ele disse que cada um de nós tem a obrigação moral  de se erguer e se manifestar. Quando você vê algo que não está certo, tem de dizer alguma coisa.  Você precisa fazer alguma coisa. A democracia não é um estado. É um ato, e cada geração deve fazer sua parte para ajudar a construir o que chamamos de Comnnidade Amada, uma nação e uma sociedade mundial em paz consigo mesma.
                                                         Pessoas comuns com visão extraordinária podem redimir a alma  dos EUA causando o que chamo de bons problemas, problemas necessários. Votar e participar do processo democrático são vitais. O voto é o mais poderoso agente de mudança não violenta que existe em uma sociedade democrática. Vocês precisam usá-lo, porque não é garantido. Vocês podem perdê-lo.  
                                                 Vocês também devem estudar. e  apreender as lições da História,  porque a Humanidade está envolvida nessa luta existencial dilacerante há muito tempo. Pessoas em todos os continentes se puseram no lugar de vocês, durante décadas e séculos antes de vocês.
                                            A verdade não muda, e é por isso que as respostas elaboradas há muito tempo podem ajudá-los a encontrar soluções para os desafios do nosso tempo. Continuem construindo a união entre movimentos espalhados pelo mundo todo porque precisamos afastar nossa disposição a lucrar com a exploração dos outros.
                                            Mesmo que eu não esteja mais aqui, peço-lhes que respondam ao mais alto apelo de seu coração e defendam o que vocês realmente acreditam.
                                             Na minha vida, fiz tudo o que pude para demonstrar que o caminho da Paz, o caminho do Amor, e da não -Violência é o melhor de todos. Agora é a sua vez de deixar a liberdade soar. Quando os historiadores pegarem suas penas para escrever a história do século XXI, que digam que foi a geração de vocês que finalmente derrubou os pesados obstáculos do Ódio,  e que a Paz enfim triunfou sobre a Violência, a Agressão e a Guerra.
                                     Por isso eu lhes digo: Caminhem com o vento, Irmãos e Irmãs, e deixem o espírito da Paz e o poder do Amor Eterno serem seus guias.

(Transcrição da Folha de S. Paulo)