quarta-feira, 3 de julho de 2019

Afinal a Boi Barrica deixa o Index


                        

         A ação de Fernando Sarney contra o Estado de S. Paulo, que se arrasta há quase dez anos,  foi considerada improcedente pelo  Juiz Atalá Correia, da 12ª Vara Cível de Brasília. Com base nessa ação, o jornal foi censurado e impedido de noticiar informações da Operação Boi Barrica.

            Reporto, no resumo acima, a chamada Operação Boi Barrica, em que atuaram vários personagens que, ou saíram de cena, ou perderam relevância.  
             Ao fim e ao cabo, muitas das intervenções - reporto-me às jornalísticas e as de um blog que na época dava os primeiros passos - podem ser consideradas  como até perdendo o arrimo da relevância.

                Se as verdades permanecem, e os princípios igualmente, algum espectador pode não reconhecer os diversos textos, partidos das mais diversas fontes, se tentar reconstruí-los diante da cínica luz da atualidade, que chega a mostrar-se, por vezes, que pode até ser mais insidiosa do que o passado, esse rugoso senhor, de que ousam dizer preferir amiúde as sombras do silêncio, ou em casos especiais um leve, levíssimo mesmo, sorriso de mofa, diante desse monótono carrossel de vitórias por alguns consideradas vazias, eis que terão nas peripécias do caminho, perdido tanto o senso, quanto o antigo vigor, que nasce de rígidas convicções, e que pode, hélas perder com o passar dos dias, meses e anos aquela antiga robustez, que o tempo ora enrijece, ora enfraquece, e até em casos extremos, chega a apagar.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Caso Marielle: barqueiro vê jogarem armas


              
         Barqueiro declara à Polícia ter visto homem ligado ao PM  reformado Ronnie Lessa jogar ao mar seis armas.  Lessa é acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.
            Com efeito, em depoimento à Delegacia de Homicídios, pescador afirmou que um homem supostamente ligado  ao PM reformado Ronnie Lessa, que é acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco  (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, alugou seu barco, supostamente para um"passeio" e jogou seis armas no mar, perto das Ilhas Tijucas, a cerca de dois quilômetros da praia da Barra.
               A Polícia Civil suspeita que estava entre elas a submetralhadora  HK MP5, que teria sido usada no crime praticado em catorze de março de 2018, no Estácio.
                 De acordo com os investigadores, o descarte do armamento ocorreu poucos dias depois da prisão de Lessa, em doze de março de 2019, e pode ter sido planejado por quatro indivíduos: Márcio Montavano, o Márcio Gordo, apontado como o homem que alugou o barco; Eliane de Figueiredo Lessa, mulher do PM reformado ;  o irmão dela, Bruno Figueiredo; e Josivaldo Freitas, um amigo da família. Há quatro meses,policiais iniciaram buscas no mar, com a ajuda da Marinha e do Corpo de Bombeiros.
                      Na Segunda-Feira, a mulher de Lessa e o irmão dela prestaram depoimentos na sede da DH, na Barra.  Márcio Gordo e Josinaldo foram ouvidos ontem.  Além de policiais civis da especializada, o Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual investiga o caso.
                       O pescador, cujo identidade foi preservada pela DH, contou em depoimento que foi procurado por um homem que chegou de táxi ao Quebra-Mar na Barra. O suspeito lhe disse que queria contratar embarcação  para fazer pesca submarina perto das Ilhas Tijucas. Dono de um barco de fibra de vidro com 5 metros de comprimento e motorizado, o pescador aceitou o serviço.
                   Descrito  como um homem forte, com idade entre 30 e 35 anos, os braços cobertos por tatuagens, o suspeito carregava uma caixa pesada de papelão e uma mala grande, nas quais o barqueiro acreditava que estivessem guardados arpões e outros equipamentos. "No meio das ilhas Tijucas", segundo o pescador, o homem retirou da mala "seis fuzis" e, da caixa de papelão, recipientes menores, nas cores amarelo e azul. Em seguida, jogou tudo no mar.

                          A polícia avalia que, embora o pescador haja dito que viu seis fuzis, uma submetralhadora HK MP5 pode fazer parte do material jogado no mar, pois as diferenças entre os dois tipos de armamento não seriam claras para um leigo.
                             O pescador, que acertara o valor de R$ 60,00 pelo serviço, disse ainda que sentiu muito medo e, por isso, desistiu de cobrar o pagamento. Na volta, porém, sem falar nada, o homem jogou R$ 300,00 dentro da embarcação e foi embora. No depoimento , o pescador também afirmou que havia visto o suspeito em um bar do Quebra-Mar, e acrescentou que o descarte do armamento ocorreu no dia catorze ou quinze de março.
                               A Marinha,a Polícia Civil e o Corpo de  Bombeiros chegaram a usar um sonar para fazer buscas na região onde as armas teriam sido abandonadas, mas sem sucesso. Além disso, mergulhadores enfrentaram dificuldades para localizar os objetos a quarenta metros de profundidade, por conta das águas turvas.
  
                               Buscas em Apartamento.  A desova do armamento teria aconteci-do pouco antes de a polícia tentar cumprir mandado de busca e apreensão no local onde estariam armazenadas. Segundo investigadores, na madrugada de treze de março, três homens vestidos de policiais civis chegaram me Fiat Palio com placa clonada a um conjunto residencial no Pechincha,em Jacarepaguá, onde mora a sogra de Lessa. O síndico, que é militar, desconfiou do grupo e não permitiu a entrada.
                                  Contudo, no dia seguinte, um homem sozinho - com as mesmas características descritas pelo pescador - conseguiu passar pela portaria e foi até um apartamento, do qual saíu com uma caixa e uma mala. Policiais da DH apareceram logo depois, mas nada encontraram no imóvel: havia apenas  jornais espalhados pelo chão. Sem embargo, os agentes conseguiram pegar imagens de segurança, que registraram a saída do suspeito.
                                      Para a DH, a mulher de Lessa teve envolvimento com a ação. Elaine, de acordo com investigadores, determinou a retirada da mala e da caixa  do apartamento no Pechincha. Se ficar provado que coordenou o plano, supostamente a mando do marido, ela poderá responder por obstrução de investigação de organização criminosa.

( Fonte:  O  Globo  )

Brasil 2 x 0 Argentina


                                 

     Sempre sem Neymar, o Brasil transpôs o penúltimo degrau que o separa da Copa América, vencendo a velha rival Argentina por 2 x 0 no estádio de Belo Horizonte que é conhecido pelo infame 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil.
        Agora para levarmos esse caneco da Copa América, a seleção canarinho deverá enfrentar no 
Maracanã o ganhador  do jogo Chile x  Peru, que jogam hoje.

( Fonte:  O Globo )   

terça-feira, 2 de julho de 2019

Uruguai: Frente: Ampla derrotada ?


                 
         A Oposição conservadora no Uruguai registrou participação importante nas primárias presidenciais do último domingo, 30 de junho.
              Assim, o Partido Nacional somou 41,6% dos votos.  Por sua vez, a situacionista Frente Ampla, de centro-esquerda, obteve 23%.

                A eleição deverá constituir um árduo teste para a esquerda, a que lidera o atual  presidente  Tabaré Vázquez, eis que a Frente Ampla luta contra o desgaste de quinze anos de permanência no poder.
                  Já a contagem oficial dos sufrágios, ontem divulgada, mostra que o duelo no pleito de 27 de outubro deve ficar entre o ex-prefeito de Montevidéu Daniel Martinez, engenheiro de 62 anos, da Frente Ampla, e o senador Luis Lacalle Pou, advogado de 44 anos, que representa o Partido Nacional, de direita.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Nova revolta popular em Hong Kong


             

            As tensões aumentam em Hong Kong e tal se deve ao sistemático descumprimento por Beijing  dos termos de autonomia, que foram concedidos pela China à antiga colônia britânica.
              Muitos vêem nas dificuldades criadas as impressões digitais do novo líder chinês Xi Jinping, que tem marcado na China Continental uma atmosfera repressiva que faz justiça a quem nutre grande admiração por Mao Zedong.

                Em uma escalada sem precedentes em Hong Kong, manifestantes invadiram ontem o Parlamento, e só deixaram o local quatro horas depois, na madrugada de hoje. Essa nova onda de protestos representa o mais sério desafio ao controle de Beijing sobre a cidade semiautônoma e às condições de relativa liberdade sob as quais opera.
                  Sob promessa de que não deixariam o Parlamento, os manifestantes redigiram declaração em que se convocava a queda do Conselho Legislativo (fantoche-de-Beijing) e do próprio Governo.
                    No interior do Conselho, os manifestantes picharam paredes e colocaram uma bandeira da época colonial britânica na mesa diretora.

                    Por volta da uma e meia da madrugada de hoje, houve a invasão do plenário por policiais, equipados com escudos, gás lacrimogêneo e outros projéteis. Começaram então a tropa chinesa a expulsar os manifestantes de dentro e ao redor do complexo.  Simultaneamente, porém, mais de quinhentos mil manifestantes começaram  a marchar pacificamente pela cidade, o que levou a na prática fechar as principais vias públicas da cidade-estado.
  
                     Entrementes, um pequeno grupo, formado na sua maioria por estudantes que usavam capacetes e máscaras, usou um carrinho de metal, barras e pedaços de andaime para quebrar o vidro  reforçado e avançar contra as instalações ocupadas pelo complexo da administração chinesa. Entrementes, outros manifestantes os cobriam com dezenas de guarda-chuvas para destarte impedir que as câmaras do poder de ocupação gravassem suas feições e, assim, eles pudessem no futuro evitar  identificação posterior pelos órgãos de segurança de Beijing.
                           Antes da manifestação de ontem e desta madrugada, durante a celebração do aniversário de 22 anos do retorno à China do território de \Hong Kong, Carrie Lam afirmara que os últimos protestos a tinham levado a ouvir mais a população.  Com a invasão, porém da sede do Legislativo, ela se apressou em  condenar a violência e o vandalismo dos manifestantes.
                                Apoiada por Beijing, Carrie se aferra ao cargo, malgrado a inédita forte reação ao seu governo. No dia quinze, ela suspendeu o projeto de lei de extradição, por causa da marcha de centenas de milhares na cidade, mas como é do seu feitio, o fez pela metade, pois frisou não descartá-lo totalmente, como exigiam os manifestantes.
                               No Ocidente, houve protestos contra as ações de Beijing. O Reino Unido manifestou seu apoio "inequívoco" às liberdades de Hong Kong. Já a União Europeia matizou o próprio protesto, pedindo que "se evite a escalada", convocando as partes para o diálogo.
                                     Também Donald Trump achou oportuno intervir, dizendo que os manifestantes desafiam o governo chinês em busca da democracia.

( Fonte: O Estado de S. Paulo  )
        

Desmatamento cresce na Amazônia



            Se o chamado 'inferno verde' no passado recente sofreu desmates, o que está acontecendo agora é um desastre, sobretudo para aqueles que, com fundadas razões, consideram a Amazônia o pulmão do mundo. Se em Administrações passadas como a do presidente Michel Temer, os controles por vezes deixavam a desejar, o que está acontecendo agora é o somatório de uma Administração que não considera a floresta amazônica algo a preservar, mas que, se diria, encara o desmatamento não como parte do problema, e sim como eventual solução.
                Estamos diante de situação que tem de ser vista com dupla preocupação, diante da circunstância de que o problema se agrava. Se no passado, o desmatamento já constituía um desafio, agora, em face da posição de princípio do Governo Bolsonaro - que vê o desmatamento da Amazônia como um benefício disfarçado - e que, por conseguinte, nada ou pouco faz para pôr em funcionamento os sistemas pré-estabelecidos para o controle do desmatamento, a par de quase nada fazer para tentar deter criminosa e oportunística destruição.
                 É, por isso, um quadro mais do que inquietante, na verdade angustiante. Além de não acionar o sistema ad-hoc empregado para acompanhar as queimadas abusivas e ilegais, o novo Governo manda mensagem que não está sintonizada nem com o Acordo de Paris, nem com o sistema de acompanhamento de fenômeno que vai de encontro não só ao interesse do Brasil, senão àquele do Planeta Terra, com a hiléia amazônica reconhecida como o pulmão desse planeta, a par de constituir o patrimônio natural que representa para a nossa Terra um senhor cometimento em termos de responsabilidade, pois nós não estamos aqui para irresponsavelmente malbaratar tal patrimônio, que por tantos sábios como von Humboldt foi explorado, percorrido e admirado.   
                    A Amazônia  tem sofrido no passado ataques sistemáticos. Tais investidas, que decorrem muita vez da cega, estúpida cobiça de agricultores e pecuaristas que não têm noção de o que estão malbaratando, por uma especial atenção que decorre do tamanho da superfície terráquea e amazônica, a área que está mais associada com o estado do Pará  se acha em condições ecológicas com marcada diferença - e para pior - do que com a planície amazônica,  que mais se associa ao Estado do Amazonas.
                     Para aqueles indivíduos e, sobretudo, proprietários de terra situados no Pará, é de notar-se que estão dando, sem ter disso conhecimento, uma amostra de o que será aquele espaço verde que Humboldt tanto admirara. Enquanto, por isso, a Amazônia própria recua batida pelo avanço maldito do desmatamento e consequente desfiguramento ambiental,  sem que os ávidos destruidores disso se apercebam a princípio, enquanto a mata virgem se apequena, surgem os areais originários  da destruição da floresta, e do consequente empobrecimento da terra e, sobretudo, do solo.
                        Dadas as dimensões do fenômeno e o ignaro  comportamento desses infelizes que malbaratam este tesouro natural, que fora admirado e invejado pela nata europeia do conhecimento científico, eles terão doravante diante de si a savanização de largos espaços da antiga impenetrável planície. Ocorre, dessarte, um fenômeno que também se verificara no Continente Africano. As condições propícias à umidade e aos cursos d'água vão desaparecendo, a vegetação densa do verde da vida vegetal vai minguando, porque a concentração do chamado inferno verde se vai rarificando, o solo se empobrecendo, surge a savana, que são os largos espaços com pouca vegetação, em geral rasteira, e, dessarte, também se quebra a feliz conjunção da prevalente umidade do chamado inferno verde.  É um processo até simples, só que, pela falta do precioso líquido, ela recua para ceder lugar às savanas.
                              É o que se vê em boa parte da Amazônia paraense. Tudo ali é mais pobre. Temos um outro tipo de inferno, que vai deixando de ser verde, enquanto as matas minguam e os cursos d'água vão aos poucos desaparecendo. Surgem as savanas, que, como nos mostra a África, podem ser  a porta de entrada para o deserto.


(com meus agradecimentos ao saudoso Professor Hilgard O`Reilly Sternberg)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Atos pró Moro e Lava - Jato em 70 cidades


                            
          Manifestações  em 70 cidades dos 26 estados, além do Distrito Federal, em defesa do Ministro Moro, da Operação Lava-Jato, bem como da aprovação da reforma da Previdência, fizeram contra-ponto à ofensiva de ataques dirigidos contra a Lava-Jato e as revelações dos contatos entre Moro e os procuradores.

               Os atos também foram marcados por novos ataques ao Congresso e a ministros do Supremo. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro citou a "civilidade" e " "legitimidade" dos movimentos, enquanto o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, discursou em carro de som ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em Brasília.
                  Quatro bonecos infláveis, em frente do Congresso Nacional. Dois deles simbolizavam o  ex-presidente Lula (ambos com traje de presidiário), um de Moro vestido de super-homem e o último unindo Lula, José Dirceu e o Ministro Gilmar Mendes, do STF.

                    Na avenida Paulista, lugar escolhido  pelos manifestantes em São Paulo, bonecos e faixas também criticavam o Supremo e o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
                     A iniciativa desses atos coube a grupos como o   MBL, e o Vem Pra Rua.Atuantes durante o processo de impeachment da Presidente cassada Dilma Rousseff, eles não participaram das manifestações pro-Bolsonaro de maio passado, marcadas, como as de ontem, por ataques ao Supremo e ao Congresso. O  Nas Ruas, criado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), também teve participação ativa na organização das manifestações de ontem.

                     No  Rio de Janeiro, a manifestação chegou a ocupar cerca de seis quadras da avenida Atlântica, em Copacabana. O ato teve o Hino Nacional , e palavras de ordem como  "O STF é uma vergonha", "Rodrigo Maia se acha  Primeiro Ministro", e "Fora PT e a velha política".

                         Em Porto Alegre (RS)  a manifestação foi realizada no centro citadino, apesar da chuva e do frio de  dezesseis graus. Foram realizadas igualmente manifesta- ções em capitais como Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Goiânia (GO) e Curitiba (PR),e cidades do interior paulista, como Campinas e Sorocaba.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )