Eleições para Prefeito - Segundo Turno
O GLOBO e FOLHA DE S. PAULO
Rio de Janeiro. Conforme a Datafolha indicara, os vencedores no primeiro turno foram Eduardo Paes e Fernando Gabeira. E nas primeiras pesquisas para o segundo turno, a Datafolha coloca Gabeira em primeiro lugar (43%) e Paes, em segundo (41%). Conforme se depreende do noticiário de O Globo, há uma grande movimentação dos dois candidatos, e notadamente de Paes, e de seus padrinhos, o governador Sérgio Cabral, e o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani. Depois do infrutifero contacto com o Presidente Lula na Base Aérea – Lula não se deixou fotografar com Paes, nem lhe deu o solicitado apoio – o candidato do PMDB verifica que as suas críticas ao Presidente durante o episódio do mensalão não foram esquecidas por Lula. Por outro lado, Cabral e Picciani tentam obter o apoio de Crivella ao seu candidato.
Não é a única ajuda que tem recebido o candidato Paes. O jornal O GLOBO nas edições de ontem e ante-ontem procurou explorar, com viés negativo, o factóide do banho de Gabeira na piscina do Flamengo. Rendida essa aparição de Gabeira o que poderia render para os moinhos da candidatura de Paes, na edição de hoje, em primeira página, depois de reportar-se ao “fraco desempenho eleitoral” de Gabeira na Zona Oeste, estranhamente transcreve uma suposta conversa “ouvida por repórteres”, em que Gabeira teria criticado “sua principal aliada, a vereadora Lucinha, mais votada no Rio”. Por meio de invasão de privacidade, a par de transcrição fora de seu contexto das alegadas palavras de Gabeira que, de resto pelo seu estilo truculento não se coadunam com a pessoa do candidato do PV, verifica-se que já nos primórdios da disputa eleitoral do segundo turno, órgãos como O Globo – que foi até há pouco um sustentáculo do Prefeito Cesar Maia – não trepidam em recorrer a esse gênero de artilharia pesada, com que se buscaria não só intrigar o candidato Gabeira com a sua principal representante na Zona Oeste, mas também desmerecer dos eleitores daquela área, com o presumível intento de prejudicar o candidato Gabeira:
“Lucinha está com o salto alto. É analfabeta política. Tem visão suburbana e precária.” O candidato Gabeira, mais do que o apoio de partidos, tem orientado a sua campanha no sentido de motivar os eleitores de Jandira Feghali (PCdoB) e de Alessandro Molon (PT). Tem frisado, dentro de sua postura ética, que não pretende trocar apoios políticos por cargos. Saindo na frente, para surpresa de muitos, Gabeira terá inquietado àqueles que terão motivos de alinhar-se na candidatura peemedebista de Eduardo Paes. Pela cidade do Rio de Janeiro, façamos votos para que prevaleça a candidatura de Fernando Gabeira. Diante do atual descalabro do Rio de Janeiro, um grande número de eleitores saberá discernir o que ele significa como proposta de mudança, e de alteração de práticas político-administrativas.
São Paulo. Na Paulicéia, continua a surpreender o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) contra a antes favorita Marta Suplicy (PT). Ao contrário, do que previa a Datafolha, Kassab venceu a Marta por 33,61% a 32,79% dos votos válidos. Na corrida para o segundo turno, Kassab sai na dianteira com 54% das intenções de voto, contra 37% , para Marta. Dependendo da evolução desse segundo turno, em que a maior parte dos eleitores de Geraldo Alckmin declara o seu propósito de apoiar a Kassab (74%) contra 13% (que pretendem sufragar a Marta), cresce a importância do governador José Serra, que politicamente já registra ganhos consideráveis pelo primeiro turno (devido à derrota de seu antagonista no PSDB, Geraldo Alckmin, e à vitória de seu candidato não-declarado, i.e., Gilberto Kassab). O desempenho de Marta Suplicy preocupa a direção do PT que estaria estudando maneiras de preservar o Presidente Lula, na hipótese, cuja possibilidade não é mais teórica, de uma vitória do candidato de José Serra. É de assinalar-se igualmente que não só pela sua desastrada incursão em São Paulo, para dar apoio a Alckmin, mas também pela circunstância de que o seu candidato em Belo Horizonte, ao invés da vitória já no primeiro turno, teve apenas uma diferença de dois pontos para o candidato Quintão do PMDB, a posição nacional de Aécio Neves – e a sua postulação à candidatura à presidência pelo PSDB - não brilhou com as luzes anteriores.
Porto Alegre e Recife. No Sul, vão para o segundo turno, José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosario (PT). As projeções, por ora, dão no segundo turno a vitória de Fogaça. No Recife, o candidato do PT, João da Costa,que tivera a candidatura impugnada em primeira instância judiciária, ganhou folgadamente do representante do DEM, Mendonça Filho. A sua vitória popular, no entanto, depende de validação por sentença do T.R.E.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dos Jornais XX - Eleições para Prefeito Primeiro Turno
Eleições para Prefeito - Pesquisas para o Primeiro Turno
Às vésperas do fim da campanha pelas prefeituras, a Datafolha divulga, entre outras, as suas pesquisas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Comentário. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) continua na frente, com 29% das intenções de voto. Em segundo lugar, em empate técnico, estão Marcelo Crivella (PRB), com 19% e Fernando Gabeira (PV-PSDB), com 17%. Assinale-se o crescimento de Gabeira, que acumulou seis pontos positivos nas últimas duas pesquisas, enquanto Crivella cresceu um ponto na derradeira pesquisa. Por último dentre os candidatos com chance de irem para o segundo turno está Jandira Feghali (PCdoB), com 12% (queda de um ponto em relação à penúltima pesquisa). Todos esses dados provêm da Datafolha.
Não está muito esclarecido o papel da pesquisa do IBOPE (divulgada na última sexta-feira), segundo a qual Gabeira teria 10% e Crivella 24%. Neste mesmo dia, levantamento da Datafolha apontava 15% para Gabeira e 18% para Crivella. O IBOPE atribuiu tal diferença a “diferenças metodológicas”, enquanto para o diretor da Datafolha “diferenças metodológicas não explicam diferenças nos resultados”. Nesse sentido, o candidato F. Gabeira acusa o IBOPE de inflar as intenções de voto de Crivella, o candidato com maior rejeição no Rio, para apresentar Paes como um “mocinho”contra o “bicho-papão”. Por outro lado, Gabeira declarou que entrará com ação na Justiça Eleitoral para que as emissoras de TV revelem quais candidatos contratam institutos de pesquisa sempre que for divulgado algum levantamento de intenção de voto.
Em São Paulo, a Datafolha aponta a continuada tendência de queda da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que desceu para 19% das intenções de voto, enquanto Gilberto Kassab (DEM), que é apoiado pelo governador José Serra, chega a 27%, livrando oito pontos sobre Alckmin. Marta Suplicy (PT) continua na frente, com 35%.
A confirmar-se a ascensão de Kassab, com a eliminação de Alckmin do primeiro turno, o governador Serra registra um desenvolvimento político importante. Se as previsões de uma vitória de Kassab contra Marta no segundo turno forem confirmadas, a posição de Serra com vistas à sua candidatura presidencial em 2010 se verão bastante reforçadas.
Em Porto Alegre, sempre segundo a Datafolha, a par do Governador José Fogaça (PMDB), com 35% das intenções de voto, têm chances de irem para o segundo turno tanto Maria do Rosário (PT), com 20% e Manuela (PCdoB) com 18%. É de assinalar-se que a candidata do PT subiu dois pontos nas últimas duas pesquisas, enquanto a representante do PCdoB se manteve estável. As projeções para o segundo turno são de vitória do atual Prefeito, José Fogaça, com ligeira margem superior no embate contra Maria do Rosario.
Finalmente, no Recife, o candidato do PT, João da Costa, mesmo após a cassação de sua candidatura em primeira instância (por iniciativa do DEM), está à frente com 46% dos votos, tendo 24 pontos de diferença sobre o segundo, Mendonça (DEM). Havendo sido ajuizado o seu recurso, João da Costa poderá ser votado em cinco de outubro, e não está excluída a possibilidade de que venha a ser eleito ainda no primeiro turno.
Às vésperas do fim da campanha pelas prefeituras, a Datafolha divulga, entre outras, as suas pesquisas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Comentário. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) continua na frente, com 29% das intenções de voto. Em segundo lugar, em empate técnico, estão Marcelo Crivella (PRB), com 19% e Fernando Gabeira (PV-PSDB), com 17%. Assinale-se o crescimento de Gabeira, que acumulou seis pontos positivos nas últimas duas pesquisas, enquanto Crivella cresceu um ponto na derradeira pesquisa. Por último dentre os candidatos com chance de irem para o segundo turno está Jandira Feghali (PCdoB), com 12% (queda de um ponto em relação à penúltima pesquisa). Todos esses dados provêm da Datafolha.
Não está muito esclarecido o papel da pesquisa do IBOPE (divulgada na última sexta-feira), segundo a qual Gabeira teria 10% e Crivella 24%. Neste mesmo dia, levantamento da Datafolha apontava 15% para Gabeira e 18% para Crivella. O IBOPE atribuiu tal diferença a “diferenças metodológicas”, enquanto para o diretor da Datafolha “diferenças metodológicas não explicam diferenças nos resultados”. Nesse sentido, o candidato F. Gabeira acusa o IBOPE de inflar as intenções de voto de Crivella, o candidato com maior rejeição no Rio, para apresentar Paes como um “mocinho”contra o “bicho-papão”. Por outro lado, Gabeira declarou que entrará com ação na Justiça Eleitoral para que as emissoras de TV revelem quais candidatos contratam institutos de pesquisa sempre que for divulgado algum levantamento de intenção de voto.
Em São Paulo, a Datafolha aponta a continuada tendência de queda da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que desceu para 19% das intenções de voto, enquanto Gilberto Kassab (DEM), que é apoiado pelo governador José Serra, chega a 27%, livrando oito pontos sobre Alckmin. Marta Suplicy (PT) continua na frente, com 35%.
A confirmar-se a ascensão de Kassab, com a eliminação de Alckmin do primeiro turno, o governador Serra registra um desenvolvimento político importante. Se as previsões de uma vitória de Kassab contra Marta no segundo turno forem confirmadas, a posição de Serra com vistas à sua candidatura presidencial em 2010 se verão bastante reforçadas.
Em Porto Alegre, sempre segundo a Datafolha, a par do Governador José Fogaça (PMDB), com 35% das intenções de voto, têm chances de irem para o segundo turno tanto Maria do Rosário (PT), com 20% e Manuela (PCdoB) com 18%. É de assinalar-se que a candidata do PT subiu dois pontos nas últimas duas pesquisas, enquanto a representante do PCdoB se manteve estável. As projeções para o segundo turno são de vitória do atual Prefeito, José Fogaça, com ligeira margem superior no embate contra Maria do Rosario.
Finalmente, no Recife, o candidato do PT, João da Costa, mesmo após a cassação de sua candidatura em primeira instância (por iniciativa do DEM), está à frente com 46% dos votos, tendo 24 pontos de diferença sobre o segundo, Mendonça (DEM). Havendo sido ajuizado o seu recurso, João da Costa poderá ser votado em cinco de outubro, e não está excluída a possibilidade de que venha a ser eleito ainda no primeiro turno.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Dos Jornais XIX Por que mais uma reforma ortográfica ?
FOLHA DE S. PAULO - 28.09.08
POR QUE MAIS UMA REFORMA ORTOGRÁFICA ?
A Folha dedica página de sua edição dominical a mais uma nova reforma ortográfica a ser aplicada no Brasil. Há um pequeno resumo das três reformas anteriores (1931, 1943 e 1971) e a indicação do que pretende a chamada reforma de 2008.
Comentário de um brasileiro. Concordo plenamente com a opinião de João Pereira Coutinho, que a Folha estampa sob o título “Acordo ignora identidades culturais”. O decreto que determina a sua aplicação reflete ironicamente a virtual ausência do Estado em um processo entregue supostamente ao talante dos ‘acadêmicos’ e que a pretexto de alegada desejável padronização da língua mais semelha uma ação reflexa, sob encomenda das editoras, que ambicionam aumentar a sua faixa de leitores.
Na verdade, esta ‘reforminha’ mais representa o resultado de questionável ativismo em busca da impossível língua única. Qual o sentido de forçar a unidade linguística de um país com 180 milhões de pessoas aos dez milhões da antiga metrópole e às demais populações dos ditos países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Principe, Timor-Leste, Macau e a província indiana de Goa) ? Inútil, a citada reforma não é construção artificial apenas na medida em que a sua realidade ortográfico-administrativa não poderá ser ignorada depois de 2012. No entanto, é um triste reflexo de subdesenvolvimento cultural.
Cabe aqui a pergunta: Que estranha compulsão reformista é esta, que na série de reformas, se vai ocupando de modificações cada vez mais risíveis e cada vez menos relevantes ? A inevitável comparação com Estados Unidos, Reino Unido e França, lança luz impiedosa sobre o pedantismo burocrático dessa questionável empresa. Este capricho das editoras, implementado por hiperestruturas sem que as populações envolvidas possam manifestar a sua vontade.
Seria decerto melhor que a reforminha fosse apenas uma farsa. Entretanto, ela é mais do que farsa, pois acrescenta ao dia-a-dia a mesquinharia de sua incômoda e constrangedora permanência.
POR QUE MAIS UMA REFORMA ORTOGRÁFICA ?
A Folha dedica página de sua edição dominical a mais uma nova reforma ortográfica a ser aplicada no Brasil. Há um pequeno resumo das três reformas anteriores (1931, 1943 e 1971) e a indicação do que pretende a chamada reforma de 2008.
Comentário de um brasileiro. Concordo plenamente com a opinião de João Pereira Coutinho, que a Folha estampa sob o título “Acordo ignora identidades culturais”. O decreto que determina a sua aplicação reflete ironicamente a virtual ausência do Estado em um processo entregue supostamente ao talante dos ‘acadêmicos’ e que a pretexto de alegada desejável padronização da língua mais semelha uma ação reflexa, sob encomenda das editoras, que ambicionam aumentar a sua faixa de leitores.
Na verdade, esta ‘reforminha’ mais representa o resultado de questionável ativismo em busca da impossível língua única. Qual o sentido de forçar a unidade linguística de um país com 180 milhões de pessoas aos dez milhões da antiga metrópole e às demais populações dos ditos países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Principe, Timor-Leste, Macau e a província indiana de Goa) ? Inútil, a citada reforma não é construção artificial apenas na medida em que a sua realidade ortográfico-administrativa não poderá ser ignorada depois de 2012. No entanto, é um triste reflexo de subdesenvolvimento cultural.
Cabe aqui a pergunta: Que estranha compulsão reformista é esta, que na série de reformas, se vai ocupando de modificações cada vez mais risíveis e cada vez menos relevantes ? A inevitável comparação com Estados Unidos, Reino Unido e França, lança luz impiedosa sobre o pedantismo burocrático dessa questionável empresa. Este capricho das editoras, implementado por hiperestruturas sem que as populações envolvidas possam manifestar a sua vontade.
Seria decerto melhor que a reforminha fosse apenas uma farsa. Entretanto, ela é mais do que farsa, pois acrescenta ao dia-a-dia a mesquinharia de sua incômoda e constrangedora permanência.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Dos Jornais - XVIII
O GLOBO - 24.09.08
FOLHA DE S. PAULO
Equador expulsa Odebrecht e militariza obras. Segundo os jornais, o Presidente Rafael Correa, do Equador, decretou ontem que o Estado assuma os projetos concedidos à construtora, os quais serão militarizados, e proibiu que diretores da empresa deixem o país. O decreto presidencial também dispõe sobre o embargo a todos os bens da Odebrecht, a fim de empregá-los em situação de emergência. Os projetos da empresa brasileira no Equador são duas hidrelétricas, a construção de um aeroporto e de uma rodovia e plano de aproveitamento de água. Assinale-se que essa questão eclode às vésperas do referendo de domingo, 28, quando os equatorianos são chamados a votar sobre uma nova Constituição Socialista.
Comentário de Observador internacional. Essa crise se origina dos problemas enfrentados pela hidrelétrica de San Francisco. Responsável por 12% da produção total de energia do país, e inaugurada há catorze meses, ela deixou de produzir em junho último, devido ao desgaste prematuro das rodas d’água das turbinas e do desabamento parcial do túnel canalizador da água. Pelo decreto presidencial, o consórcio liderado pela Odebrecht, com a francesa Alstom e a austríaca VA Tech Hydro “tem-se negado irresponsavelmente a indenizar os prejuizos ocasionados ao Estado, com supostos fundamentos no questionável contrato assinado antes deste governo”.
O Brasil tem enfrentado questões contenciosas em função de sua crescente presença na América do Sul, através de suas grandes empresas. Ocorreu com a Petrobrás, na Bolívia, em que o Presidente Evo Morales, entre outras medidas, ocupou militarmente áreas da empresa. Verifica-se, também, no Paraguai, onde o tratado de Itaipu tem sido contestado em certos aspectos pelo novel governo do ex-bispo Fernando Lugo (sem falar das ameaças de invasão de terras de brasileiros radicados naquele país, os chamados ‘brasiguaios’). E agora surge o Equador, através de seu Presidente Rafael Correa, com a aplicação das medidas acima descritas.
A cooperação brasileira com os países sul-americanos deve realizar-se dentro de um contexto de respeito mútuo, e de conformidade aos atos e acordos internacionais. O caudilho Hugo Chávez – a quem todos os citados presidentes estão ligados ideologicamente – através de suas decisões de cunho personalista e de suas nacionalizações, vem criando na Venezuela um ambiente não decerto favorável à cooperação estrangeira. Rafael Correa é um estreito aliado de Chávez. Sem entrar no mérito de suas medidas contra a empresa Odebrecht, é necessário ter presente que assuntos contenciosos – envolvendo inclusive a interpretação de contratos, como o próprio decreto presidencial reconhece – devem ser tratados de acordo com as instâncias competentes, e, portanto, pela Justiça. Intervenções discricionárias do cariz da presente não devem ser aceitas.
A nossa diplomacia não deve ser nem patronizante, nem acomodativa. Segundo o direito internacional público, uma das funções básicas da representação diplomática é a defesa do interesse nacional. O bom acordo se fundamenta no respeito recíproco dos interesses das Partes, e não em tentativas de posterior acomodação a qualquer preço, sob vezos alegadamente paternalistas. Nas diversas questões com que se tem defrontado o Brasil nos últimos tempos, nessa América do Sul onde a influência dos petro-dólares do señor Chávez vem aumentando em diversas latitudes, não seria demasiado recomendar que se tenha presente o exemplo do Patrono de nossa diplomacia, o Barão do Rio Branco, que jamais perdia de vista o interesse pátrio.
FOLHA DE S. PAULO
Equador expulsa Odebrecht e militariza obras. Segundo os jornais, o Presidente Rafael Correa, do Equador, decretou ontem que o Estado assuma os projetos concedidos à construtora, os quais serão militarizados, e proibiu que diretores da empresa deixem o país. O decreto presidencial também dispõe sobre o embargo a todos os bens da Odebrecht, a fim de empregá-los em situação de emergência. Os projetos da empresa brasileira no Equador são duas hidrelétricas, a construção de um aeroporto e de uma rodovia e plano de aproveitamento de água. Assinale-se que essa questão eclode às vésperas do referendo de domingo, 28, quando os equatorianos são chamados a votar sobre uma nova Constituição Socialista.
Comentário de Observador internacional. Essa crise se origina dos problemas enfrentados pela hidrelétrica de San Francisco. Responsável por 12% da produção total de energia do país, e inaugurada há catorze meses, ela deixou de produzir em junho último, devido ao desgaste prematuro das rodas d’água das turbinas e do desabamento parcial do túnel canalizador da água. Pelo decreto presidencial, o consórcio liderado pela Odebrecht, com a francesa Alstom e a austríaca VA Tech Hydro “tem-se negado irresponsavelmente a indenizar os prejuizos ocasionados ao Estado, com supostos fundamentos no questionável contrato assinado antes deste governo”.
O Brasil tem enfrentado questões contenciosas em função de sua crescente presença na América do Sul, através de suas grandes empresas. Ocorreu com a Petrobrás, na Bolívia, em que o Presidente Evo Morales, entre outras medidas, ocupou militarmente áreas da empresa. Verifica-se, também, no Paraguai, onde o tratado de Itaipu tem sido contestado em certos aspectos pelo novel governo do ex-bispo Fernando Lugo (sem falar das ameaças de invasão de terras de brasileiros radicados naquele país, os chamados ‘brasiguaios’). E agora surge o Equador, através de seu Presidente Rafael Correa, com a aplicação das medidas acima descritas.
A cooperação brasileira com os países sul-americanos deve realizar-se dentro de um contexto de respeito mútuo, e de conformidade aos atos e acordos internacionais. O caudilho Hugo Chávez – a quem todos os citados presidentes estão ligados ideologicamente – através de suas decisões de cunho personalista e de suas nacionalizações, vem criando na Venezuela um ambiente não decerto favorável à cooperação estrangeira. Rafael Correa é um estreito aliado de Chávez. Sem entrar no mérito de suas medidas contra a empresa Odebrecht, é necessário ter presente que assuntos contenciosos – envolvendo inclusive a interpretação de contratos, como o próprio decreto presidencial reconhece – devem ser tratados de acordo com as instâncias competentes, e, portanto, pela Justiça. Intervenções discricionárias do cariz da presente não devem ser aceitas.
A nossa diplomacia não deve ser nem patronizante, nem acomodativa. Segundo o direito internacional público, uma das funções básicas da representação diplomática é a defesa do interesse nacional. O bom acordo se fundamenta no respeito recíproco dos interesses das Partes, e não em tentativas de posterior acomodação a qualquer preço, sob vezos alegadamente paternalistas. Nas diversas questões com que se tem defrontado o Brasil nos últimos tempos, nessa América do Sul onde a influência dos petro-dólares do señor Chávez vem aumentando em diversas latitudes, não seria demasiado recomendar que se tenha presente o exemplo do Patrono de nossa diplomacia, o Barão do Rio Branco, que jamais perdia de vista o interesse pátrio.
Dos Jornais - XVII
FOLHA DE S. PAULO - 23.09.2008
A Folha estampa publicidade da Philips sobre a sua TV LCD. A mesma propaganda fora televisada pela Rede Globo em horário nobre.
Comentario do Cidadão. Não, meu caro leitor, não é objetivo deste blog fazer inserções publicitárias. O que existe é uma preocupação quanto ao procedimento utilizado para tal publicidade. Com efeito, aí se declara que a Philips solicitou ao IBOPE ‘uma pesquisa comparativa entre as marcas de TVs LCD mais vendidas’. Para o leitor ou telespectador desavisado, pode parecer tão só mais uma pesquisa de institutos especializados para determinar percentuais de opinião. No entanto, aqui não se trata de pesquisa política , i. e. saber quais os percentuais dos candidatos a um determinado cargo público, ou qual a sua avaliação do presidente da república, do governador, ou de outro tema genérico, como a admissibilidade do fumo em local fechado, etc.
Posso estar enganado, mas creio que será por primeira vez que instituto de opinião realiza pesquisa sobre preferências de consumo acerca de diversas marcas comerciais de um certo produto. Ao aceitar o encargo, o IBOPE terá julgado que não havia objeção de caráter ético para a realização e divulgação da pesquisa.
Peço vênia para discordar. Ao encomendar a pesquisa, a Philips está interessada em aduzir mais uma razão por que o consumidor deva preferir o seu produto, no caso, a sua TV LCD. Se a publicidade comparativa – o meu produto é melhor do que o de ‘B’ ou de ‘C’ – já adentra área cinzenta, dada a circunstância de que ‘B’ ou ‘C’ não têm voz ativa em capítulo, o procedimento vai muito além no caso específico de que tratamos.
Se, em tese, se deve ter a presunção da lisura do instituto de pesquisa, mesmo assim parece difícil imaginar que o dito instituto tenha a isenção indispensável, após receber a solicitação da Philips para determinar e cotejar as preferências dos consumidores para um produto seu, como a TV LCD Philips, se contrastado com os produtores de seus principais concorrentes no mercado.
A questão é delicada demais em muitos aspectos e não apenas no citado acima. De qualquer forma, o bom senso indica que é um campo não aconselhável para a inserção de supostos métodos de pesquisa de opinião. Pelo visto, não foi regulamentada a proibição de recurso a tais métodos em questões comerciais, talvez pela suposição de que por considerações éticas não seria utilizado. Se tal procedimento for repetido, seria o caso de estabelecer-se uma proibição formal, seja de caráter corporativo, seja de instituição governamental, para que tais limites não mais sejam ignorados.
A Folha estampa publicidade da Philips sobre a sua TV LCD. A mesma propaganda fora televisada pela Rede Globo em horário nobre.
Comentario do Cidadão. Não, meu caro leitor, não é objetivo deste blog fazer inserções publicitárias. O que existe é uma preocupação quanto ao procedimento utilizado para tal publicidade. Com efeito, aí se declara que a Philips solicitou ao IBOPE ‘uma pesquisa comparativa entre as marcas de TVs LCD mais vendidas’. Para o leitor ou telespectador desavisado, pode parecer tão só mais uma pesquisa de institutos especializados para determinar percentuais de opinião. No entanto, aqui não se trata de pesquisa política , i. e. saber quais os percentuais dos candidatos a um determinado cargo público, ou qual a sua avaliação do presidente da república, do governador, ou de outro tema genérico, como a admissibilidade do fumo em local fechado, etc.
Posso estar enganado, mas creio que será por primeira vez que instituto de opinião realiza pesquisa sobre preferências de consumo acerca de diversas marcas comerciais de um certo produto. Ao aceitar o encargo, o IBOPE terá julgado que não havia objeção de caráter ético para a realização e divulgação da pesquisa.
Peço vênia para discordar. Ao encomendar a pesquisa, a Philips está interessada em aduzir mais uma razão por que o consumidor deva preferir o seu produto, no caso, a sua TV LCD. Se a publicidade comparativa – o meu produto é melhor do que o de ‘B’ ou de ‘C’ – já adentra área cinzenta, dada a circunstância de que ‘B’ ou ‘C’ não têm voz ativa em capítulo, o procedimento vai muito além no caso específico de que tratamos.
Se, em tese, se deve ter a presunção da lisura do instituto de pesquisa, mesmo assim parece difícil imaginar que o dito instituto tenha a isenção indispensável, após receber a solicitação da Philips para determinar e cotejar as preferências dos consumidores para um produto seu, como a TV LCD Philips, se contrastado com os produtores de seus principais concorrentes no mercado.
A questão é delicada demais em muitos aspectos e não apenas no citado acima. De qualquer forma, o bom senso indica que é um campo não aconselhável para a inserção de supostos métodos de pesquisa de opinião. Pelo visto, não foi regulamentada a proibição de recurso a tais métodos em questões comerciais, talvez pela suposição de que por considerações éticas não seria utilizado. Se tal procedimento for repetido, seria o caso de estabelecer-se uma proibição formal, seja de caráter corporativo, seja de instituição governamental, para que tais limites não mais sejam ignorados.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Dos Jornais - XVI
OS JORNAIS – XVI
O GLOBO - 21.09.2008
A ameaça do ‘Aedes’. O jornal O Globo dedicou duas páginas inteiras ao exame da ameaça que a dengue representa para o Rio de Janeiro. Embora a dengue haja sido considerada extinta em 1958 no Brasil, ela voltou no início dos anos setenta, possivelmente procedente da Venezuela, e por causas que aprofundarei mais adiante espalhou-se pelo Brasil. Conquanto o mosquito ‘Aedes Aegypti’ esteja presente em todo o país – e portanto o estudo desta doença interesse a todos os estados – a dengue é analisada por O Globo no contexto do estado do Rio e do município do Rio de Janeiro. Num ano em que o município do Rio enfrentou a mais grave epidemia de dengue de sua história – que provocou a morte de pelo menos 98 pessoas – especialistas alertam: o controle do mosquito Aedes Aegypti tem sido ineficaz. Segundo eles, não só as estratégias de ação são inadequadas, como são escassos os recursos destinados pelo Município, pelo Estado e pela União (meu o grifo) ao combate à doença. Verifica-se que a prefeitura planeja despender R$15,6 milhões, menos que o estado (R$45,6 milhões). Nesses termos, a prefeitura vai gastar mais com massa asfáltica (R$20,6 milhões) e muito menos do que com a chamada Cidade da Música (R$ 222,8 milhões autorizados em 2008, em um total de R$503 milhões). Há muitos pormenores de interesse, porém dada a extensão do tema semelha oportuno assinalar as estatísticas no Estado do Rio e no Município do Rio de Janeiro nos anos das duas principais epidemias (2002 e 2008). Na Cidade do Rio de Janeiro, em 2008 até agora foram registrados 128.647 casos, dos quais há 98 óbitos confirmados; já em 2002 houve 138.027 casos e sessenta e quatro óbitos confirmados. Por sua vez, no Estado do Rio de Janeiro o total de casos até agora é de 243.041, e o número de óbitos 313 (172 confirmados), sendo que 36% das mortes foram de crianças entre zero e quinze anos. Já em 2002, os casos foram 288.245, e 91 óbitos confirmados.
Comentário do cidadão. Depois da tragédia que representou a epidemia de 2008, muito mais letal do que a de 2002 (como os números acima comprovam), somente no Brasil há de surpreender que para o próximo verão tanto o Município (o principal agente responsável), quanto o Estado e a União não tenham acordado ao combate deste flagelo os meios indispensáveis para medidas sérias em defesa da população. Se cotejarmos a retórica (e as medidas emergenciais, deslanchadas já sob o látego da epidemia, no verão de 2008) de Estado e União (a prefeitura do Sr. Cesar Maia a princípio até negou a existência de epidemia, chegando ao requinte de informar os meios de comunicação sempre por funcionários de terceiro ou quarto escalão), em qualquer outro país civilizado haveria o pressuposto de que para o próximo verão (a época de maior incidência do vetor da enfermidade) existiria um esforço concentrado que correspondesse de certa forma às declarações e promessas do verão passado. Diante dos números – e dos pronunciamentos de especialistas – só se pode perguntar onde é que estão Suas Excelências o Ministro Temporão (da Saúde) e o Governador Ségio Cabral ? Não creio valha a pena perguntar onde está o Sr. Maia (que, a despeito de sua inação e de falta de cooperação quando eclodiu a epidemia, foi tratado com grande leniência pelos meios de comunicação). Do Sr. Maia o Rio de Janeiro estará livre a partir de janeiro do ano próximo.
Estamos em época eleitoral, e chovem as promessas. Se esse gênero de discurso resolvesse os problemas nacionais, estaduais e municipais, não trepidaria em afirmar que o Brasil seria a verdadeira terra prometida. Com efeito, o cidadão brasileiro não é apenas muito tolerante com os seus governantes. Não cobra de seus eleitos as promessas não cumpridas, como se se tratasse de expedientes válidos para alcançar as benesses do poder, bem depressa esquecidos no que implicam de eventual empenho e coerência. Em outros tempos, dir-se-ía que falta vergonha a tais senhores, por faltarem com a palavra empenhada. Em tempos ainda mais antigos, a pitonisa de Delfos (porta-voz de Apolo) vaticinava os piores castigos àqueles que descumprissem seus juramentos...
Entretanto, o cidadão brasileiro em geral – há obviamente exceções – tem um outro problema: ele sofre de uma espécie de memória teflon. Os piores desmandos, as mais graves omissões – com as trágicas conseqüências acarretadas, v.g., pela omissão ou pelas ações marcadamente ineficazes (como no caso do Rio de Janeiro) não permanecem por um tempo mais longo em sua memória. Por isso, os políticos contam com esse esquecimento para igualmente esquecerem as suas promessas e porque não dizer a própria hombridade e consciência ética de fazer o que é melhor e mais urgente para os seus eleitores.
Como cidadão, eu sentiria real satisfação se os homens públicos nacionais - e em especial aqueles sobrecarregados pelas honrarias dos altos cargos - se recordassem deste perene compromisso com o sofrido e paciente povo brasileiro, e, por uma vez, desmentissem a famigerada consciência teflon, atuando como no caso em tela de comprovada gravidade (e que tem golpeado notadamente as crianças e os destituídos) como políticos com P maiúsculo.
O GLOBO - 21.09.2008
A ameaça do ‘Aedes’. O jornal O Globo dedicou duas páginas inteiras ao exame da ameaça que a dengue representa para o Rio de Janeiro. Embora a dengue haja sido considerada extinta em 1958 no Brasil, ela voltou no início dos anos setenta, possivelmente procedente da Venezuela, e por causas que aprofundarei mais adiante espalhou-se pelo Brasil. Conquanto o mosquito ‘Aedes Aegypti’ esteja presente em todo o país – e portanto o estudo desta doença interesse a todos os estados – a dengue é analisada por O Globo no contexto do estado do Rio e do município do Rio de Janeiro. Num ano em que o município do Rio enfrentou a mais grave epidemia de dengue de sua história – que provocou a morte de pelo menos 98 pessoas – especialistas alertam: o controle do mosquito Aedes Aegypti tem sido ineficaz. Segundo eles, não só as estratégias de ação são inadequadas, como são escassos os recursos destinados pelo Município, pelo Estado e pela União (meu o grifo) ao combate à doença. Verifica-se que a prefeitura planeja despender R$15,6 milhões, menos que o estado (R$45,6 milhões). Nesses termos, a prefeitura vai gastar mais com massa asfáltica (R$20,6 milhões) e muito menos do que com a chamada Cidade da Música (R$ 222,8 milhões autorizados em 2008, em um total de R$503 milhões). Há muitos pormenores de interesse, porém dada a extensão do tema semelha oportuno assinalar as estatísticas no Estado do Rio e no Município do Rio de Janeiro nos anos das duas principais epidemias (2002 e 2008). Na Cidade do Rio de Janeiro, em 2008 até agora foram registrados 128.647 casos, dos quais há 98 óbitos confirmados; já em 2002 houve 138.027 casos e sessenta e quatro óbitos confirmados. Por sua vez, no Estado do Rio de Janeiro o total de casos até agora é de 243.041, e o número de óbitos 313 (172 confirmados), sendo que 36% das mortes foram de crianças entre zero e quinze anos. Já em 2002, os casos foram 288.245, e 91 óbitos confirmados.
Comentário do cidadão. Depois da tragédia que representou a epidemia de 2008, muito mais letal do que a de 2002 (como os números acima comprovam), somente no Brasil há de surpreender que para o próximo verão tanto o Município (o principal agente responsável), quanto o Estado e a União não tenham acordado ao combate deste flagelo os meios indispensáveis para medidas sérias em defesa da população. Se cotejarmos a retórica (e as medidas emergenciais, deslanchadas já sob o látego da epidemia, no verão de 2008) de Estado e União (a prefeitura do Sr. Cesar Maia a princípio até negou a existência de epidemia, chegando ao requinte de informar os meios de comunicação sempre por funcionários de terceiro ou quarto escalão), em qualquer outro país civilizado haveria o pressuposto de que para o próximo verão (a época de maior incidência do vetor da enfermidade) existiria um esforço concentrado que correspondesse de certa forma às declarações e promessas do verão passado. Diante dos números – e dos pronunciamentos de especialistas – só se pode perguntar onde é que estão Suas Excelências o Ministro Temporão (da Saúde) e o Governador Ségio Cabral ? Não creio valha a pena perguntar onde está o Sr. Maia (que, a despeito de sua inação e de falta de cooperação quando eclodiu a epidemia, foi tratado com grande leniência pelos meios de comunicação). Do Sr. Maia o Rio de Janeiro estará livre a partir de janeiro do ano próximo.
Estamos em época eleitoral, e chovem as promessas. Se esse gênero de discurso resolvesse os problemas nacionais, estaduais e municipais, não trepidaria em afirmar que o Brasil seria a verdadeira terra prometida. Com efeito, o cidadão brasileiro não é apenas muito tolerante com os seus governantes. Não cobra de seus eleitos as promessas não cumpridas, como se se tratasse de expedientes válidos para alcançar as benesses do poder, bem depressa esquecidos no que implicam de eventual empenho e coerência. Em outros tempos, dir-se-ía que falta vergonha a tais senhores, por faltarem com a palavra empenhada. Em tempos ainda mais antigos, a pitonisa de Delfos (porta-voz de Apolo) vaticinava os piores castigos àqueles que descumprissem seus juramentos...
Entretanto, o cidadão brasileiro em geral – há obviamente exceções – tem um outro problema: ele sofre de uma espécie de memória teflon. Os piores desmandos, as mais graves omissões – com as trágicas conseqüências acarretadas, v.g., pela omissão ou pelas ações marcadamente ineficazes (como no caso do Rio de Janeiro) não permanecem por um tempo mais longo em sua memória. Por isso, os políticos contam com esse esquecimento para igualmente esquecerem as suas promessas e porque não dizer a própria hombridade e consciência ética de fazer o que é melhor e mais urgente para os seus eleitores.
Como cidadão, eu sentiria real satisfação se os homens públicos nacionais - e em especial aqueles sobrecarregados pelas honrarias dos altos cargos - se recordassem deste perene compromisso com o sofrido e paciente povo brasileiro, e, por uma vez, desmentissem a famigerada consciência teflon, atuando como no caso em tela de comprovada gravidade (e que tem golpeado notadamente as crianças e os destituídos) como políticos com P maiúsculo.
domingo, 21 de setembro de 2008
Política Internacional - Venezuela e África do Sul.
Venezuela. Hugo Chávez determinou a expulsão de dois dirigentes da ‘Human Rights Watch’. O motivo ? A publicação de relatório fundamentado sobre o desrespeito dos direitos humanos na Venezuela. Ordenada pessoalmente por Chávez, a expulsão do chileno José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW, e do americano Daniel Wilkinson, subdiretor, e sobretudo a maneira com que foi realizada não faria vergonha a regimes totalitários. Uma vez publicado o relatório, que se cinge a consignar as ações do regime de Chávez contra a democracia, os dois representantes da Human Rights Watch foram detidos e conduzidos para o aeroporto de Caracas, onde os fizeram embarcar em vôo da Varig para São Paulo. Não tiveram direito a se comunicar com ninguém, nem muito menos contestar processualmente a expulsão. Desativados os respectivos celulares e impedidos de se comunicarem por cerca de vinte esbirros, Vivanco e Wilkinson viveram como ‘pioneiros’ a experiência de serem os primeiros a serem expulsos de uma república latino-americana. Pela arbitrariedade de sua ação e pela sua forma abrupta Chávez confirma a procedência das acusações que lhe são feitas. É, portanto, certa a posição do Congresso brasileiro ao arquivar na prática a pretensão da Venezuela de ingressar no Mercosul, pelo seu descumprimento da cláusula democrática.
África do Sul. Thabo Mbeki, o sucessor de Nelson Mandela, no poder desde 1999, deverá renunciar em breve por falta de condições políticas de completar o mandato. Mbeki, que obviamente não tem a grandeza de seu predecessor, alcançou durante os seus dois mandatos (foi reeleito em 2004) bons resultados em termos econômicos. Dentre os seus erros maiores, está o apoio abstruso que concedeu à Ministra da Saúde que favorecia um ‘approach’ supostamente africano para o tratamento da Aids (através do recursos a curandeiros), não privilegiando os medicamentos tipo AZT e outros no combate ao HIV; e o estranho apoio que concedeu ao ditador Mugabe, do Zimbabwe, o que permitiu a farsa do segundo turno naquele país, com o afastamento da cédula do líder da oposição Morgan Tsvangirai (que vencera o primeiro turno). Mesmo agora, quando decidiu participar mais ativamente da solução da crise no Zimbabwe, a sua intervenção não teve a energia e a determinação dos bons ofícios do ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Anan, que lograra uma efetiva composição política, ensejando acordo viável entre o presidente e o líder da oposição, o que tornou possível a paz civil e a governabilidade no Quênia.
Thabo Mbeki teria intentado prolongar o processo contra Jacob Zuma, buscando influenciar o Ministério Público para recorrer da sentença favorável ao presidente do Congresso Nacional Africano. O processo contra o chefe do A.N.C. , acusado de corrupção, fraude e tentativa de formação de quadrilha, havia sido terminado por sentença da Alta Corte sul-africana, que se baseou em aspectos processuais. No entanto, quando transpirou o envolvimento de Mbeki na tentativa de afastar o adversário político por meios judiciais, a instância diretiva de seu partido solicitou formalmente a sua exoneração. Mbeki anunciou então que deixará suas funções, depois de cumpridas as formalidades constitucionais. Como a primeira Vice-Presidente (e adepta de Mbeki) já significou que também renunciará, existe a possibilidade de que o Congresso sul-africano eleja um de seus integrantes para mandato- tampão.
África do Sul. Thabo Mbeki, o sucessor de Nelson Mandela, no poder desde 1999, deverá renunciar em breve por falta de condições políticas de completar o mandato. Mbeki, que obviamente não tem a grandeza de seu predecessor, alcançou durante os seus dois mandatos (foi reeleito em 2004) bons resultados em termos econômicos. Dentre os seus erros maiores, está o apoio abstruso que concedeu à Ministra da Saúde que favorecia um ‘approach’ supostamente africano para o tratamento da Aids (através do recursos a curandeiros), não privilegiando os medicamentos tipo AZT e outros no combate ao HIV; e o estranho apoio que concedeu ao ditador Mugabe, do Zimbabwe, o que permitiu a farsa do segundo turno naquele país, com o afastamento da cédula do líder da oposição Morgan Tsvangirai (que vencera o primeiro turno). Mesmo agora, quando decidiu participar mais ativamente da solução da crise no Zimbabwe, a sua intervenção não teve a energia e a determinação dos bons ofícios do ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Anan, que lograra uma efetiva composição política, ensejando acordo viável entre o presidente e o líder da oposição, o que tornou possível a paz civil e a governabilidade no Quênia.
Thabo Mbeki teria intentado prolongar o processo contra Jacob Zuma, buscando influenciar o Ministério Público para recorrer da sentença favorável ao presidente do Congresso Nacional Africano. O processo contra o chefe do A.N.C. , acusado de corrupção, fraude e tentativa de formação de quadrilha, havia sido terminado por sentença da Alta Corte sul-africana, que se baseou em aspectos processuais. No entanto, quando transpirou o envolvimento de Mbeki na tentativa de afastar o adversário político por meios judiciais, a instância diretiva de seu partido solicitou formalmente a sua exoneração. Mbeki anunciou então que deixará suas funções, depois de cumpridas as formalidades constitucionais. Como a primeira Vice-Presidente (e adepta de Mbeki) já significou que também renunciará, existe a possibilidade de que o Congresso sul-africano eleja um de seus integrantes para mandato- tampão.
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