domingo, 28 de julho de 2019

Eleições na terra de Putin


                                   
        Segundo garante o Presidente de todas as Rússias, Vladimir Putin, a Federação Russa é uma democracia. Há problemas, no entanto,  quando os eleitores desejam pôr à prova essa aspiração.  Aí, surgem contradições que nem a dialética de gospodin Putin consegue explicar.
           Se a Rússia, como o Senhor do Kremlin afirma aos quatro ventos, é uma democracia, qual é a razão do temor do Presidente quando a coletividade de Moscou se reúne para pedir eleições locais livres e justas?
            Livres e justas?  À primeira vista, que problema existirá com essa exigência ? Não é a Rússia uma democracia? Então p'ra quê chamar a polícia - inclusive o esquadrão de choque, quando os eleitores se reúnem?
            Os assessores de Putin devem estar fazendo confusões inúteis... pois se Putin é tão democrata quanto se proclama, para que tentar intimidar o povo com intervenções de esquadrões de choque daquela polícia da pesada, que vem com escudos e proteção visual?
            Mas não há negar que a farsa da democracia na Rússia vem provocando protestos cada vez mais numerosos, o que tem causado reações em cadeia - e não há trocadilho aqui - porque realmente os manifestantes, por bem-comportados que sejam, muitos deles acabam trancafiados no xilindró russo, e ainda por cima feridos na cabeça, com as bordoadas dos cassetetes da polícia de choque.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Amapá: morto líder indígena


                        
       Segundo líderes locais e funcionários da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas, o cacique Emyra Wajãpi foi atacado  enquanto voltava da casa da filha, e seu corpo foi encontrado dentro do leito de um rio.
        Os líderes citados acima afirmam que houve, anteontem, invasão de um grupo de cinquenta garimpeiros na aldeia.  Segundo a referida Secretaria, esse grupo está armado e há risco de conflitos.
          Nesse contexto, a Fundação Nacional do Indio (Funai) declarou, em nota, ter acionado a Polícia Federal, assim como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, que, na noite de ontem, estavam a caminho do local.  Essa localidade fica próxima do município de Pedra Branca do Amapari, a 189 km da capital Macapá.
            Segundo o órgão em tela, "por ora, não há registros de conflito, apesar de ter sido confirmado um óbito, mas não há detalhes das circunstâncias."
             O vereador Jawaruwa Wajãpi, do município de Pedra Branca do Amapari, a 189 km da capital Macapá, afirmou que está na aldeia e pediu apoio ao Senador Randolfe Rodrigues (Rede - AP). "Estamos pedindo socorro, estamos pedindo seu apoio para ver se libera as Forças Armadas ou qualquer ajuda. Uma comunidade Wajãpi está em risco de morte", disse em áudio enviado pelo WhatsApp.
              Ao Estado, o Assessor Técnico da Secretaria dos Povos Indígenas do Governo, Makreito Wajãpi, confirmou as informações: "Estamos precisando urgente da entrada dos policiais federais, junto com a Funai, queremos que isso seja resolvido o mais rápido possível", disse o Assessor Técnico.
                Falando a respeito, o Assessor Técnico sublinhou que isso "nunca tinha acontecido antes."  E, com a ênfase do perigo, observou Makreito: "É a primeira vez que aconteceu isso na nossa vida. Ficamos muito preocupados e tristes, porque temos família, crianças e nossa preocupação é isso."
               Makreito também disse que líderes indígenas relataram uma tentativa de assassinar Arawyra e sua família na sexta-feira.  Consoante o relato, o cacique estava com sua mulher e uma neta em uma plantação, quando foi surpreendido por cinco pessoas, que seriam garimpeiros. O grupo teria atirado contra os três indígenas, que conseguiram fugir. Por sua vez, os moradores da aldeia estão abri-gados  em comunidade vizinha.
                  De acordo com o Senador Randolfe Rodrigues (Rede - AP), líderes indígenas afirmaram a ele que, se não houver providência de parte das autoridades, os Wajãpi vão "estar em guerra, entrar em conflito" com os garimpeiros.               

 (Fonte: O Estado de S. Paulo )

A Economia em Crise


                                  

         No Brasil, há um crescimento desigual nas várias regiões.  Assim, a economia do Brasil como um todo demora para recuperar os índices pré-crise econômica. Entrementes, duas regiões - Centro-Oeste e Sul - atingiram ou superaram os índices de março de 2014, data de início da espiral da queda do PIB.
             Nesses termos, segundo o índice Itaú para a atividade econômica (empregos formais, comércio, indústria e agricultura), o Centro-Oeste é a única região que superou com folga, no primeiro trimestre de 2019, os números de cinco anos atrás.
              Já o Sul na prática fica em um quase zero a zero ( 0,25 ponto percentual abaixo dos índices de 2014).
               Por sua vez, na lanterna, o Sudeste sofre com o desempenho tanto de Minas Gerais quanto do Rio - e este último lidera o fechamento de empregos formais e se acha entre as economias mais frágeis do País.
                 Por fim, com desempenho abaixo da média nacional, São Paulo, a habitual locomotiva da economia brasileira.  sente os reflexos da crise que atingiu a indústria, indicador com a pior performance entre os pesquisados pelo Itaú.

( Fonte: O Estado de S.Paulo )

A gastança da Justiça


                                 
      Segundo noticia o Estadão, o Conselho Nacional de Justiça planeja mudar-se de uma sede alugada - que passou há cerca de três anos por reformas que custaram cerca de R$ 7 milhões - para um prédio maior, ao custo de R$ 23,3 milhões ao ano.
         A ideia partiu de um auxiliar do presidente do Conselho, Dias Toffoli - que acumula essa presidência, com a do Supremo, por um biênio
          
              Na atual sede, o CNJ paga anualmente aluguel de R$ 16,8 milhões.

(Fonte: O Estado de S. Paulo )      

Defender a Amazônia


                       

           O New York Times de hoje, domingo, 28 de julho, publica uma penosa verdade para a maioria dos brasileiros que não desconhecem o que realmente significa para o mundo - e não há exagero aqui - a Hiléia admirada através dos séculos por Humboldt e tantos outros cientistas e exploradores, evidenciando apreço e valorização que só cresceram com a conscientização da nossa floresta tropical equatorial, que é um verdadeiro pulmão para a Terra e a Humanidade, nesses anos difíceis em que o bicho homem não se cansa de pôr abaixo  grandes e portentosas florestas, como ocorreu na Malásia, na Africa do Norte, e agora o governo populista de Jair Bolsonaro, por razões que a razão desconhece se empenha em abater esse magnífico inferno verde, que até hoje se vem mal ou bem mantendo em favor desse mundo, vasto Mundo.

                 Por isso, a Europa (notadamente França e Alemanha) tem evidenciado a sua preocupação com as estranhas ideias do atual governo de Jair Bolsonaro. Até o diretor do INPE - instituto nacional de pesquisas espaciais - tem sido objeto de críticas do Palácio do Planalto (sede da presidência da república), por realizar bem o respectivo trabalho, que é o da eterna vigilância quanto aos sinais de ataque à essa Hiléia Amazônica (como a chamou Humboldt, que já no século XVIII se maravilhara com a sua riqueza em espécies vegetais).

                    Em um mundo antes  ignaro do potencial das grandes florestas de servirem contra a desertificação - e no estado do Pará a floresta amazônica é uma sombra do passado, dados os avanços da cúpida estupidez de empresas madeireiras, que apoiadas pela ignorância dos governantes de turno vão abatendo as portentosas florestas, e abrindo os vastos espaços desmatados, que militante ignorância devastadora  vai transformando em campos estéreis, a exemplo da Malásia, da África do Norte e de outras vítimas da estranha glutoneria que desbasta a própria riqueza florestal, enquanto lança as sólidas bases de miséria vegetal e humana, que deparamos nesses espaços em que se troca a riqueza do presente com a arenosa miséria de um futuro próximo.

                       O presidente Macron, da França, faz bem em enfatizar a relevância da floresta amazônica, que é um dos elos do Acordo de Paris. A eterna vigilância não é penhor apenas da democracia, mas também importa que seja exercida pelos líderes de outros Povos, que, deparando os desvios e os juízos de outrem, procuram agir em defesa da Hiléia Amazônica, e para tanto usando os instrumentos do diálogo e da persuasão.  É decerto minoritário o círculo de brasileiros que vêem com indiferença o ataque a esse grande patrimônio, que não é só nosso ( ainda que a nós compete defendê-lo contra os seus abatedores e também contra eventuais dirigentes que porventura desconheçam o valor dessa grande floresta, e que por motivos insondáveis acaso tentem voltar-se contra ela).
                             Países europeus, como a Alemanha e a França, entre outros, se vem empenhando em financiar o Fundo Amazônico, voltado para a preservação desse Tesouro da Humanidade. Cabe a nós brasileiros atuar com a persuasão, empenho, patriotismo e uma visão generosa da  Humanidade em geral, que esse filtro gigante. que essa maravilha para tantos exploradores (no bom sentido!) seja mantida e preservada, não seguindo o triste caminho da savana e da desertificação.

(a continuar).      

( Fontes: Humboldt, Carlos Drummond de Andrade, H. Sternberg)

sábado, 27 de julho de 2019

O pior naufrágio de 2019 na costa da Líbia ?


                        
         A Líbia informou ontem, dia 26 de julho, haver recuperado os corpos de 62 imigrantes após o naufrágio considerado  a mais grave tragédia do ano 2019 no mar Mediterrâneo.
              Por sua vez, a Organização Internacional de Migrações (OIM) declarou que 145 foram resgatadas com vida, e 110 ainda estão desaparecidos. Segundo outra fonte, a Marinha líbia reportou que 134 pessoas tinham sobrevivido, e 115 estavam desaparecidas.

                Conforme observou o alto-comissário das Nações Unidas para refugiados, Filippe Grandi,se todos estiverem mortos será "a pior tragédia no Mediterrâneo neste ano."   O naufrágio ocorreu perto  da cidade Líbia de Khoms, 120 km a leste da capital Tripoli,afirmou Safa Msehli, oficial de comunicações do escritório da OIM na Líbia. Este país mergulhou a partir de 2011 no caos, em que as milícias exercem o poder, inexistindo na prática um poder central. Depois da revolução que derrubou Kadaffi - e a sua inglória morte quando homiziado em uma espécie de esconderijo - o país está desde então mergulhado na desordem, ou melhor na anarquia, que na sua etimologia registra a realidade sobre a Líbia hodierna, que virou um estado fracassado, à deriva, sem um poder central e segmentado por milícias que através de tiranetes  exercem um controle local.

                   Os migrantes resgatados são, na sua maioria, originários da Eritreia. No entanto,  entre eles há também palestinos e sudaneses, segundo informação da Marinha líbica. De acordo com sobreviventes,  menos de duas horas depois da partida, na noite de quarta-feira, dia dezessete - um número de mau agouro para os italianos - a embarcação se encheu de água e o motor parou. Mais uma tragédia africana, com a sólita e pesada participação local, ao fornecer embarcação no limite da respectiva capacidade de singrar o mar Mediterrâneo, com a sua carga de infelizes que desta feita não terão de lidar com o triúnviro Matteo Salvini.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )        

USA e Guatemala firmam acordo


                        
    Donald  Trump, pelo visto, pensa ter descoberto a pólvora. Depois que andou imprensando o Amlo (abreviatura de nome e sobrenome do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador), também na sua preocupação obsessiva, que é a de tentar impedir a entrada de imigrantes ilegais nos USA, e para tanto já pedira empenho de Obrador e agora forçou a frágil Guatemala a firmar um "acordo de asilo", que estranhamente obriga a pequena Guatemala a aceitar solicitações de refugiados.
          Para arrancar tais préstimos, Donald Trump, o sutil, ameaçou impor tarifas à Guatemala para pressioná-la à  "negociação" de um acordo migratório. É de ver como se portou a pequena Guatemala diante do gigante Estados Unidos.
           Não creio que o atual presidente guatemalteco, Jimmy Morales, haja feito muita resistência diante da súbita aspiração da Superpotência em querer "negociar" um acordo migratório.

            E não é que a Guatemala concordou com o desejo dos Estados Unidos? A fórmula será a seguinte: doravante a Guatemala passa a ser considerada pela Superpotência um "terceiro país seguro". No entender da Casa Branca, isto dará segurança aos solicitantes de asilo e deterá a imigração ilegal para os EUA.
              Não está esclarecido quem vai pagar o pato, mas parece pouco provável que sejam os Estados Unidos...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )