quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Marina apoiaria Ciro ?


          

               Se se sabe que Marina constituía uma adversária formidável contra Dilma Rousseff, e que fora torpedeada pelo PT, justamente por tal circunstância, surpreende o fato de o apoio para a candidata da Rede se haja literalmente liquefeito na presente eleição.
                  Já é a terceira eleição presidencial a que Marina concorre.  Na primeira, malgrado as circunstâncias, Marina surpreendera positivamente.  Teve boa votação, mas foi superada por Dilma e José Serra. Na segunda - provavelmente a oportunidade em que dispunha de mais chances, perdeu para Dilma e pelo posterior crescimento da candidatura de Aécio Neves.
                   Então, a crise na própria candidatura se deve a uma investida do  PT e de seus agentes, com acusações desleais e sem base para a inqualificável insinuação no filmete de que ela apoiava os banqueiros em detrimento das classes mais necessitadas. A então força petista em termos das estruturas governamentais e mesmo judiciárias lhe levaria de roldão a candidatura, com acusações pesadas no quadro de João Santana e Mônica Moura, que seriam afastadas se a disputa na Justiça eleitoral fosse equânime.
                    Quanto a eventual apoio atualmente à candidatura de Ciro Gomes, não haveria de parte de Marina muita disposição e mesmo atmosfera política.
                     É lamentável que alguém da retidão e honestidade de Marina, hoje atributos raros na política brasileira,do seu empenho e notório saber in loco em termos de meio-ambiente, e da sua biografia política, haja recolhido uma resposta  do presente corpo eleitoral que definitivamente não corresponde ao seu próprio valor, empenho ambiental, carisma e consequente capacidade de liderança.  É bem verdade que a crise no seu partido Rede Sustentabilidade já mostra a cabeça, o que se refletiu em número muito baixo de representantes políticos, decepcionante mesmo, e consequente falta de peso eleitoral, e do consequente poder político. Essa crise no Partido Rede Sustentabilidade é real, e deveria com urgência ser afrontada porque o Brasil não pode permitir que um partido engajado no Meio Ambiente, quando se vêem tantas afrontas à consciência ecológica e notadamente na Amazônia na atual Administração, e na corrente investida  do grupo ruralista contra a Selva amazônica. No Pará e não só nesse estado, mas em grandes faixas no Acre e até no que simboliza o pulmão do planeta, no estado do Amazonas surgem as condições para uma nefária devastação de o que é grande maravilha para a Humanidade, orgulho de notáveis que há na Historia adentraram.  Não podemos permitir a criminosa savanização da Amazônia, pulmão do mundo e patrimônio da Terra.  Por isso, o silêncio, que só  aproveita àqueles que tem postura conivente com a sistemática destruição do chamado Inferno Verde, e será o único inferno a que a consciência do Povo brasileiro e dos próprios Amazônidas deve não só preservar, mas também condições para que essa portentosa magna floresta continue a mostrar a pujança e beleza de uma das maravilhas da Humanidade, a que o Povo brasileiro tem de reverter as criminosas destruições que devem ser detidas e de imediato, antes que a Amazônia seja empurrada para áridas savanas que a cupidez dos desmatadores têm pressa em prosseguir nesse crime contra o pulmão do planeta. Diante de tantos satélites e de tão extensa cobertura,  não é mais lícito valer-se de eventuais dificuldades de transporte e acesso.  O Brasil, que já deixou, pela irresponsabilidade de muitos, que grandes símbolos de nosso Patrimônio histórico tenham sido apagados pela insolência do fogo que é fruto da fraqueza, e da fragilidade da nossa resolução, não pode permitir que a cobiça e a avidez venham a despojar-nos desse amazônico patrimônio, orgulho de tantos estrangeiros que aqui vieram estudá-lo e classificá-lo. A Amazônia é o templo verde da Humanidade e de nossos descobridores. Se eles o defenderam no passado, com a astúcia e tenacidade do luso e do nosso caboclo, não temos o direito de passivamente assistir ao criminoso desmatamento.  Não foi por acaso que este pulmão da Humanidade se acha em mãos brasílicas.  Não devemos ser nem fracos e nem tolos, para que se permita na época em que os grandes espaços aí estão para ser desvelados pelos satélites, que sejamos cúmplices de assassinato médio-ambiental. O Brasil não é grande por acaso, mas pela presença de gente como os bandeirantes, os paulistas e os amazônidas que, com sangue indígena, criaram condições para preservar tal patrimônio para a Humanidade, o Inferno Verde que  a nós cabe defender e preservar, pensando a um tempo nos caboclos, que nele vivem, e nos homens e mulheres que têm nela, na floresta de Humboldt e de tantos outros beneméritos da Humanidade, este nosso enorme Patrimônio, que se não nos caíu do céu e a que devemos defender de todas as formas, a começar pela conscientização política, contra a má-fé da cobiça de tantos, nessa luta ingente pela preservação da Floresta, dádiva eterna de Mãe natureza.

(  Fonte: O Estado de S. Paulo )       

Aviso aos Candidatos ao Palácio do Planalto


                             

        Embora não se trate de imposição,dado o especial momento atravessado pelas contas públicas, o Ministério do Planejamento elaborou extenso documento em que detalha as decisões que a próxima Administração terá de tomar. Tendo o novo presidente-eleito absoluta autonomia para tomar as decisões que estime adequadas, ser-lhe-á, contudo, muito difícil governar sem adotar de imediato a maioria das medidas recomendadas pelo Planejamento.
           Trata-se de 36 decisões a serem tomadas nos primeiros cem dias de governo. De saída, o novo Presidente terá de proibir que os ministérios reajustem índices e tabelas que representem mais despesas, o que tem sido feito através de portarias, que não passam pelo crivo do Congresso.
            Igualmente no mesmo espaço de tempo o Governo terá de enviar ao Congresso pedido de crédito extraordinário de R$ 285 bilhões, para cobrir gastos com a Previdência e pagar despesas correntes sem violar a chamada "regra de ouro" - que impede o Governo de contrair dívidas para manter a máquina pública em funcionamento.
             A par disso, será necessário rever  despesas e renúncias fiscais até o final de março, com o escopo de cumprir o estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Um dos pontos mais importantes dessa revisão diz respeito ao reajuste salarial dos servidores públicos, que terá de ser adiado para 2020, segundo o estudo do Planejamento.
                Sempre segundo o Documento, o Presidente eleito terá de reduzir o número de funcionários dos Correios e da Infraero, além de promover mudanças no Programa Minha Casa Minha Vida, reduzindo o subsídio da União por unidade habitacional.
                 Os pontos de alerta são aqueles que têm data de vencimento. São questões que já estão endereçadas e requerem do novo governo uma tomada de decisão já no primeiro trimestre de 2019", explicou o secretário-executivo do Planejamento, Gleisson Rubin.  "O objetivo é demonstrar um diagnóstico da situação e sugestões", afirmou o ministro do Planejamento, Esteves Colnago. Diante do quadro crítico das contas públicas - os gastos obrigatórios, mantidas as atuais condições, deverão chegar a 98% do total de despesas do governo em 2021, não parece haver margem para tergiversações.
                 Por isso, é digna de destaque a publicidade dada ao documento do Planejamento, atitude que está em linha com a total transparência adotada pelos técnicos do atual governo para iluminar o quadro geral da Administração para o próximo presidente.
                   Infelizmente, há candidaturas que não reconhecem tal esforço, malgrado seu evidente espírito republicano. "O governo todo está aparelhado. Os números que saem do governo não são confiáveis. O PT aparelhou desde o faxineiro até o presidente da República", declarou, a propósito, o general da reserva Augusto Heleno, que participa da formulação do programa do candidato Jair Bolsonaro (PSL), atual líder das pesquisas de intenção de voto. Por esse motivo, disse o general ao Valor "a esta altura qualquer plano de governo é farsa". É fato que parte substancial da máquina governamental continua aparelhada pelo PT. Mas igualmente é verdade que as contas públicas nacionais são bastante confiáveis e, por estarem sujeitas a regras claras, situam-se no nível de credibilidade das contas dos países da OCDE.  Com suas declarações, os líderes da campanha de Bolsonaro pretenderam dar uma espécie de escusa preventiva para os eventuais - e quase certos - problemas que um governo do PSL, bem como qualquer outro, enfrentaria logo nos primeiros dias.
                   No entanto, a disposição da atual gestão de entregar ao próximo presidente os dados necessários para que ele saiba exatamente onde está pisando desmoraliza qualquer tentativa de alegar ignorância ou desconhecimento sobre a real situação do País. Aqueles que fizeram o seu eleitor delirantes promessas de prosperidade instantânea e sem esforço, contrariando todas as evidências, terão de encontrar melhor desculpa.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Pesquisa IBOPE a 4 dias da eleição


                    
Primeiro Turno 

Jair Bolsonaro (PSL)      38% (votos válidos)
Fernando Haddad (PT)   28%  (idem)
Ciro Gomes  (PDT)          12%   (idem)
Geraldo Alckmin (PSDB)  8%   (idem)
Marina Silva   (Rede)         4%   (idem)

No quesito Rejeição (Ibope):

42%  não votariam em Bolsonaro
37%  não votaria em Haddad

Como a colunista Vera Magalhães (Estado de S. Paulo) assinala: o IBOPE joga água fria na tentativa de engrossar o caldo da terceira via. Desenha-se o temido segundo turno dos extremos (Bolsonaro x  Haddad). Em todos os cenários, Bolsonaro perderia contra Haddad, Ciro e Alckmin) e só ganharia de Marina.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

A novela Kavanaugh


                    

       O tempo corre e ele parece fazê-lo em favor da indicação de Donald Trump para o Supremo - o juiz Brett Kavanaugh. E, no entanto, há sinais bastante na planície para indicar que ele não deveria sê-lo.
         Abaixo-assinado de professores universitários (1700 e aumentando) tampouco considera que ele  deveria sê-lo. Os seus colegas na Lei pensam que ele não tem o temperamento judicial apropriado.
          Por outro lado, o Senado - e Mitch McConnell (o mesmo de que Obama aceitara pudesse barrar-lhe a indicação de Merrick Garland, seu ótimo candidato para a Suprema Corte)  preparam o prato indigesto da confirmação de Kavanaugh, malgrado a pletora de indicações em contrário.
           Não obstante, a votação - com o passar do tempo - acena para um score favorável ainda que apertado.

( Fonte: The New York Times )

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Pesquisa IBOPE (a 6 dias do primeiro turno)


      O cômputo do IBOPE mostra que a seis dias da eleição há o seguinte pelotão dianteiro:

                             Jair Bolsonaro (PSL), ascendente, com 31 %;
                             Fernando Haddad (PT), estacionário,  com 21%;
                             Ciro Gomes (PDT),  baixou um ponto,  com 11%;
                             Geraldo Alckmin (PSDB), estacionário,  8%;
                Marina Silva (Rede), passou de 6% para 4%,sua taxa mais                                                                              baixa na sua campanha, que até agora tem sido tão                                                                                  estranha, quanto decepcionante.                                                        .
                 No pelotão da frente, a vantagem de Bolsonaro sobre Haddad aumentou de seis  para dez pontos,  em cinco dias.


                  Quanto ao segundo turno, há empate entre Bolsonaro e Haddad (42%). Por sua vez, tanto Ciro (45%) quanto Alckmin (42%) vencem Bolsonaro (39%),  em ambos os casos em um segundo turno.                                               

( Fonte: O Estado de S. Paulo )                            

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Colcha de Retalhos G - 4


                            


    Preferências de Ciro Gomes

              O presidenciável Ciro Gomes (PDT),  querendo atrair o centro, disse que jamais vai andar com o PT. Tentando distanciar-se do PT e angariar votos de eleitores do centro,  ele chamou o PT - em evento de campanha - "organização odienta de poder", chegando mesmo a declarar que não se vai aliar ao partido em um eventual segundo turno, ou aceitar convite para assumir um ministério no caso de vitória de Fernando Haddad.


       Declaração de Bolsonaro

                  O candidato Jair Bolsonaro (PSL)  disse à TV Bandeirantes que somente aceitará a vitória. "Pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição", disse. 
                   Mais tarde, questionado por essa aparente rigidez política, que não se afigura coerente com o espírito democrático, em que o candidato entra na eleição com a mente de que aceitará o resultado das urnas, qualquer que ele seja,   o candidato procurou explicar a sua frase maximalista como a expressão da própria convicção, pelo que tem visto nas reações do público que o resultado das urnas não pode ser outro...
      

         Manifestações femininas anti-Bolsonaro

          A TV apresentou a realização de manifestações de mulheres em grandes cidades do país - Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Salvador, entre outras - em que o público feminino demonstra o próprio repúdio ao candidato Jair Bolsonaro.
           O que impressiona nas aludidas manifestações é o seu caráter multitudinário. Nelas a oposição ao candidato do PSL é expressa por grandes aglomerações, que impressionam pela massa de gente.
             

(  Fontes: O Globo,  TV Bandeirantes,  Rede Globo  )
         
 

Erdogan volta a bater na tecla Güllen


                     
        O atual homem forte - e põe forte nisso - da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tornou à tecla de sua especial preferência.  O presidente Erdogan, durante a sua visita à Alemanha, pediu que turcos e alemães "virem a página" na relação bilateral.  Para tanto, vejam o que o homem forte turco deseja:  o governo alemão deveria classificar o movimento  Güllen - que o próprio Erdogan  responsabiliza por um golpe malogrado contra a sua administração em 2016 - como "organização terrorista".
         A paranóia do ditador da Turquia o leva a transformar um clérigo, que lidera o  Hizmet - ou movimento Güllen, que mobiliza do estrangeiro (Estados Unidos) a sociedade civil e mesmo parte do estamento militar turco, com mensagem de abertura e modernidade. Como o Hizmet é coordenado nos Estados Unidos pelo clérigo turco Fethullah Gülen, tal basta que o ditador o considere movimento subversivo, e nesse sentido Erdogan tem tentado repetidas vezes obter a extradição de Gülen - que vive exilado nos Estados Unidos.
            A dita "estratégia" agora fê-lo levantar uma vez mais o próprio temor contra Güllen, e por isso pediu ao governo de Angela Merkel que classifique o movimento desse clérigo como "organização terrorista".
              Esse temor de Erdogan reflete, no entanto, realidade que a intolerância e o endurecimento do regime turco atual cuidam de alimentar. Güllen tem grande penetração intelectual e inegável popularidade nas classes turcas mais instruídas, as quais anseiam por modelo mais aberto e menos intolerante do que a situação criada pelo regime autoritário de Erdogan, com fumaças crescente de pretensa autarquia, que não está longe de destruir, na prática, a democracia na antiga terra dos Sultôes, além dos princípios instituídos pelo Atatürk - Mustapha Kemal - o formador da Turquia moderna, com o laicismo democrático, que por  sua vitória contra a expedição grega, determinara a expulsão da população helênica daquele subcontinente, resultando na denominada catástrofe para os gregos asiáticos, que habitavam o continente há milênios, e que foram transladados manu militari para o que é o território da República da Grécia nos dias correntes .  


( Fontes: experiência na Grécia moderna; nota no Estado de S. Paulo )