quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Moro, candidato a Presidente ?

      Líderes partidários e saudosos da Lava Jato  passaram  a fazer apelos públicos no intento de convencer o ex-Ministro e o ex-Juiz Sérgio Moro a se colocar como potencial candidato na disputa pelo Palácio do Planalto em 2022. 

       Como se sabe, com um perfil discreto,  Moro submergiu desde que se tornou sócio-diretor da Consultoria americana Alvarez & Marsal em 2020. Tem, no entanto, mantido conversas reservadas "como cidadão", sobre o cenário nacional, com parlamentares próximos à sua linha de pensamento político. 

      Em tais diálogos, Moro vem resistindo a dar sinais claros sobre suas pretensões políticas, mas tal não o leva a descartar uma eventual futura candidatura.  Sem embargo, o ex-Ministro  vem manifestando crescente desconforto com o que eventuais interlocutores vem chamando de "progressiva deterioração"  do País e também no que tange ao papel exercido pelos mecanismos anticorrupção.

        Nesse sentido, os entusiastas da candidatura  do ex-magistrado voltaram a mobilizar-se, após a decisão da maioria da Segunda Turma do Supremo de liberar o compartilhamento da integra das mensagens "vazadas" da  Lava Jato, com a defesa do ex-presidente  Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

         A expectativa do julgamento  sobre a suspeição de Moro no caso do triplex do Guarujá deu munição  à narrativa dos partidários de Lula, mas também aglutinou as correntes dissidentes do bolsonarismo que apostam no discurso contra a corrupção  para formar uma frente eleitoral em 2022.

           Uma reviravolta nas decisões da Lava Jato chocaria a população que votou contra a corrupção em 2018,  e beneficiaria uma eventual candidatura de Moro, que simboliza tal sentimento.  Para o Senador Alvaro Dias, Podemos - PR, "as cartas para 2022 ainda não foram apresentadas em sua plenitude, mas ele já tem visibilidade", afirmou o Senador Alvaro Dias, Podemos, PR.

            O parlamentar, que disputou a Presidência em 2018, conversou com Moro pela última vez após a eleição para a presidência da Câmara. Na mesma linha, a deputada Renata Abreu  (SP) presidente nacional do Podemos, disse acreditar que Moro sai maior a cada "ataque" que sofre. "O povo sabe que ele, sozinho, tem reafirmado seu papel de herói nacional. Mesmo diante de mensagens hackeadas, obtidas de forma ilegal, o conteúdo revela a cautela e a seriedade que fez dele, no auge das operações, um orgulho de todos os brasileiros", asseverou a dirigente.

               O Podemos está em compasso de espera e considera o ex-juiz o seu"plano A",  para 2022. Outra legenda que mantém as portas abertas para Moro é  o  PSL, que planeja um processo de expurgo da ala bolsonarista. "O PSL é um partido moderado e de centro-direita. Estamos buscando construir pontes com ele. Moro é o nome mais consistente do ponto de vista eleitoral. Ele aglutina os lavajatistas, antipetistas e aqueles que pregam a ética na política. Ou seja: as três vertentes da sociedade que  o Bolsonaro abdicou", disse o deputado federal Júnior Bozzella (SP), vice-presidente nacional do PSL.

                Em suas redes sociais, a deputada estadual paulista Janaína Paschoal (PSL) fez um apelo para que Moro entre no tabuleiro eleitoral de 2022. "Haja vista o inferno que estão transformando a vida dele, não vejo outro caminho para Sérgio Moro além de se candidatar à Presidência da República em 2022", escreveu a parlamentar no Twitter.

                 Perspectivas.  No ano passado, apoiadores de Sergio Moro no Congresso viram na sua contratação por uma Consultoria americana e em manifestações recentes sinais de que o ex-ministro está reticente quanto a uma candidatura em 2022. A eventuais interlocutores nos últimos tempos, Moro indicou que não pretende ser protagonista em um projeto eleitoral neste momento.

                  Sem embargo, apesar da citada discrição, ele tem participado de articulações por uma candidatura de centro-direita, em oposição ao presidente  Bolsonaro. Em setembro, ele jantou com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo o tucano, foi uma conversa "sem prerrogativa de nomes, mas sim de princípios."  Depois desse encontro, Moro se reuniu com outro eventual candidato, no caso Luciano Huck, eis que o apresentador televisivo também alimentaria disputar a  Presidência.


(Fonte: O Estado de S. Paulo )

Deputado bolsonarista Daniel Silveira, do baixo clero, investe contra a democracia

     Por onze a zero, o STF mantém prisão do deputado e pressiona Câmara. após Silveira ter divulgado vídeo com apologia do AI-5, o mais violento  ato da então ditadura militar, além de um discurso de ódio contra os integrantes da Corte.

      Por sua vez, a Câmara começa a analisar hoje se o deputado terá a prisão revertida. A idéia é adiar a votação, sob o argumento de que não é possível afrontar a Corte. Ontem, cresceu o movimento favorável à cassação de Silveira pelo Conselho de Ética da Câmara. A PGR apresentou denúncia ao STF contra o deputado e pediu a imposição de tornozeleira eletrônica. As medidas são relativas a inquérito que investiga a autoria e o financiamento de atos antidemocráticos.

       Daniel Silveira é um deputado radical, que muito vocifera, mas pouco diz, eis que entoa as conhecidas, radicais loas ao AI-5, um ato fascistóide que virou manifestação programática de adeptos de Bolsonaro, e da vociferante extrema-direita, que pensa tudo resolver pelo apelo extremo a esse famigerado AI-5, que se tornou o triste símbolo da invocação de um tempo sem sentido, que esgrimam, enlouquecidos,  partidários de uma época de que têm precário, nebuloso conhecimento esse punhado de ferrabrases que sóem invocar um ato odiento, que, aliás, pelas respectivas limitações e turva visão do mundo tendem a ignorar nos seus particulares de forma quase completa...

       Zurrá-lo aos brados, faz de certa maneira parte da confissão desses pobres diabos, que cáem por deficiência própria na caixa mesmerizante que, por fortuna, mais permaneceu na boçal dicção daqueles que, ao repeti-la, dão a impressão de matraquear uma fórmula mágica, que na verdade não passa de um atropelado conglomerado de conceitos de mui pouca usança, uma espécie de invocação sob medida para essa gente de confusas idéias, que pensam tudo resolver ao manipular esse pret-à-porter das agressivas fórmulas que aí estão para serem lançadas com a mesma força que caracteriza  os impropérios e as gritarias nos becos da NovaCap.. 

        Mundo, mundo, estranho mundo, se me chamasse Raimundo, seria talvez uma rima, mas como pensar em uma  solução ?


( Fonte: Carlos Drummond de Andrade )

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Desmatamento é sinônimo de burrice e má-fé

           A Folha publica hoje artigo de Conrado Hübner Mendes em que se trata de dois temas caros à Jair Bolsonaro - armar e desmatar.  

              Se não há maiores dúvidas quanto ao caráter potencialmente nocivo desses dois tópicos,  manda a objetividade  restringir a discussão àquele que é ainda mais potencial-mente  negativo sinalizado pelo tópico do desmatamento que tem uma carga ainda mais negativa do que aquela do armamentismo.

              Pois a tara bolsonarista por armas compete ainda com a  tara bolsonarista por devastação ambiental. O que o Presidente está fazendo com devastação ambiental aparece como ainda pior do que a sua mania de aumentar os arsenais  do armamentismo.

              Ambas são práticas maléficas, mas salta aos olhos que a segunda é ainda mais grave do que a primeira. Por isso, creio oportuno transcrever a segunda in extenso, e as razões de sinalizar essa parte do artigo de Conrado Hubner Mendes me parecem evidentes pois o mal maior requer um maior detalhamento, eis que apresenta maior potencialidade de trazer ainda mais mal à nossa gente. 

                 É decerto forçoso reconhecer que a "tara bolsonarista por armas compete  com a tara também bolsonarista pela devastação ambiental.  Há quatro consequências do desmatamento: econômica, humanitária climática e  sanitária. "Desmatamento empobrece, não enriquece. Aniquila povos e modos de vida. Savaniza o bioma amazônico e tira água da sua torneira. É nossa maior contribuição à mudança climática, que condena o futuro a uma vida inóspita. Se não bastasse, desmatamento potencializa epidemias.

                 "Desmatar produz uma quinta consequência: a fragilização da soberania nacional. Soberania não é só garantia jurídica no papel, pois pressupõe condições materiais para exercê-la. Nação soberana não renuncia status de potência ambiental, não  despreza as possibilidades de inovação da biodiversidade, não abre mão da maior riqueza da economia pós-carbono do século 21 por puro apego  ao extrativismo do século dezenove.

                  " O desmatamento amazônico não guarda nenhuma relação com o interesse nacional. Em 2020, disparou e voltou a bater recorde histórico (aumento de 34% na taxa de derrubada), efeito direto da radical política desprotecionista do ministério. O mundo de grileiros, garimpeiros e madeireiros é um mundo fora da lei. E ainda faz crescer o PIBB, o Produto Interno da Brutalidade Brasileira. O PIBB é adversário do PIB>

                   " Bolsonaro definha o Estado, boicota a ciência e insulta cientistas,  intimida professores, estigmatiza universidades e centros de pesquisa, assedia artistas e jornalistas,  arma quadrilha com fuzil e queima riqueza pós carbono. Bolsonaro canta o cântico da soberania, mas sacrifica tudo o que a soberania precisa.

                    "Caudilho que deprime o país economicamente, culturalmente e mentalmente, rasga o fino tecido de civilidade que pensávamos costurar. Busca substituir liberdade civil por liberdade grileira e miliciana, poder público por poder privado e paramilitar, força da lei por lei da força.  Não vai ter golpe, vai ter bando armado, medo e morte da periferia ao centro. 

                      "Entre os mortos, oficiais da polícia que mais morre e mata no mundo. Oficiais que precisam ser salvos do bolsonarismo. Soberano, nessa história, só o crime."

(Fonte: artigo de Conrado Hübner  Mendes : Contra a Soberania, armar e desmatar  Folha de S. Paulo )          

A Cepa em Araraquara causa colapso na Saúde

       A despeito do lockdown e de outras medidas preventivas, passado um dia de decretado o lockdown o sistema em Araraquara mesmo assim colapsou. Cem por cento dos leitos para Covid-19  em UTI e enfermaria ocupados, há ainda fila de espera. 

         É um desenvolvimento inquietante, pois esta cidade do interior  apresenta o maior número de casos da nova cepa da doença em São Paulo. Para enfrentar o novo desafio, o governo Abreu Sodré abrirá setenta novos leitos, com investimento de R$ 1,5 milhão. Esse município  viu ontem seu sistema de saúde colapsar, um dia após a cidade haver decretado lockdown (ver blog de ontem),

         Segundo a prefeitura, cem por cento dos leitos para Covid estão ocupados(UTI e enfermaria). Além disso, 16 pacientes com necessidade de oxigênio aguardavam pela manhã uma vaga de internação. No início  da tarde, os secretários estaduais Jean Gorinchteyn, e de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, estiveram no hospital de campanha com o prefeito Edinho Silva (PT)  e anunciaram que o Estado abrirá setenta leitos para covid-19 na cidade, com um investimento de R$ 1,5 milhão. "Araraquara é uma das cidades que mais preocupa o Estado de S. Paulo", disse Gorinchteyn. Antes, os secretários  estiveram em Jaú, outra cidade da região central de S.Paulo que registrou a variante de Manaus em pacientes e confirmou ontem seis mortes. Jaú receberá R$ 7,5 milhões do Estado, para montagem também de um hospital de campanha.

          Araraquara tem 212 pacientes internados,  63 deles em UTI..  Há um total de 973 pessoas em quarentena. O número de mortes por covid-19 confirmadas nos primeiros quinze dias de fevereiro equivale a um terço dos óbitos registrados pela doença em 2020. Com mais cinco mortes confirmadas ontem, a cidade - que chegou a ter a menor taxa de mortalidade em 2020 - passou a ter 153 óbitos, 37 deles confirmados em fevereiro.

           Dos 16 pacientes que aguardavam atendimento pela manhã, a prefeitura informou que onze conseguiram vaga de internação na cidade, um foi transferido para Matão, município vizinho, e os outros quatro ficaram aguardando na UPA Vila Xavier. "O único mecanismo que a gente tem nesse momento, já que não há  vacina para todos, é distanciamento social",  declarou ao Estadão a secretaria de Saúde de Araraquara, Eliana Honain.

Toque de recolher. Ontem, o governador da Bahia, Rui Costa (PT) afirmou, em entrevista à TV Bahia, que estuda adotar toque de recolher no Estado. "Vamos, sim, adotar medidas restritivas para outras atividades e até analiso a possibilidade, se se mantiver ao longo desta semana essas mesmas taxas, de implementarmos o toque de recolher em todo o Estado da Bahia para evitar o pior."

Perto dos 100%. Outra cidade que enfrenta dificuldades no atendimento a pacientes com covid-19 é Goiania (GO). Com alta de contaminados e mortos, o município teve ontem 100%  dos leitos ocupados no Hospital de Campanha de Goiânia (GO), Com alta de contaminados e mortos, o município teve ontem (16 de fevereiro) cem por cento dos leitos ocupados no Hospital de Campanha de Goiânia e 90% da rede como um todo.  Em Goiás já passam de oito mil os mortos por covid-19 desde 26 de março.  Até agosto eram  3 mil. Em cinco meses e meio, o número mais que dobrou.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Manaus é a capital com cinco vezes mais mortes

           Por força da Covid-19 e de sua terrível chusma de variantes (cepas) no corrente ano  de 2021, Manaus apresenta cinco vezes mais mortes por milhão de habitantes, do que a média das capitais brasileiras nesse tenebroso ano.  

             Nesse contexto,  a escassez de oxigênio, que atingiu o seu terrível ápice em catorze de janeiro último, quando a falta do vital insumo nos hospitais da capital  levara a mortes por asfixia.  Essa falta de oxigênio que desencadeou o drama  naquele dia catorze já se fazia temer faz muito. Qualquer um pode entender o que significa uma morte por asfixia em um hospital como o de Manaus, sob o látego de uma terrível doença como a Covid-19, que se apossa dos pulmões dos infelizes ali hospitalizados. Foi o que ocorreu a catorze de janeiro, rasgando o drama vivido pelos doentes, faltos de oxigênio e portanto presas da asfixia pela incapacidade do nosocômio de dispor daquele insumo vital, indispensável para a humana subrevivência e que uma série de fatores também cruelmente humanos viera a determinar  o próprio fim sob a angústia, as constrições de  insidiosa e crescente sufocação, que é decerto um dos modos mais cruéis e bárbaros de dispor de um fim existencial de um ser humano. Não se trata de uma câmara para combater a morte, mas a recuar diante de sua face terrível e destarte precipitá-la  pela conjunção de fatores a princípio incompreensíveis de chofre adentrem o espaço hospitalar que, sem qualquer intervalo, nega ao moribundo o que é sinônimo da vida e, por certo, com a existência se confunde, que é capacidade de respirar, melhor de inspirar, e de sentir nos pulmões ressurgir a vida, a existência, que o ser humano pela respiração associa à própria existência. Todo mergulhador encara com naturalidade essa transição a que esse esporte condiciona o atleta. Mas o cenário se transforma e de forma tão brusca quanto cruel, quando a dificuldade não é ocasional, e venha a ser determinada por um eventual acidente de percurso.

             Aqui estamos em outro ambiente. A cruel enfermidade enrijece os pulmões e lhes dificulta a sua capacidade  de inspirar, de absorver o oxigênio que é sinônimo de vida, a tal ponto que o enfermo de covid, com seus pulmões afetados, carece da vital ajuda para superar esse cruel suplício que é a dificuldade de trazer o ar puro para as próprios pulmões e artérias, a ponto de que o enrijecimento infligido representa um obstáculo a cada minuto mais soez e mais cruel, como se o respiro se transformasse em cruel tortura, na faina cada vez mais árdua e pesada de trazer o bendito oxigênio para os respectivos alvéolos pulmonares.  Não há morte mais cruel do que aquela por asfixia, eis que representa um sádico gesto da natureza de negar o elixir precioso da vida `aquele que atravessa há muito uma dura faina, que é a de trazer o ar bendito para o interior cada vez mais recalcitrante dos pulmões respectivos. 

               As mortes por asfixia - como as torturas - são naturalmente proscritas nas nações civilizadas. Aos hospitais que são as fábricas da vida, repele a possibilidade de que um paciente possa vir a ter como causa mortis a asfixia. Estamos por isso habituados a ver nos hospitais - nas casas da saúde ! - o aceno, senão alegre, pelo menos resoluto de que a medicina, mais do que promessa de vida é o seu próprio conduto, e não estamos mais a encarar as medievais caricaturas das casas de saúde, em que a presença da morte, por mais insistente, cruel  e sinuosa que ela seja, deve ser repelida em todos os campos, inclusive aquele que no ser humano é rasgado pelo choro da criança renascida, e que assim marca a sua entrada nesse mundo. Sabemos que a medicina  não é só sinônimo de vida e de promessa existencial. Ela é também o espelho da determinação do médico, que é o do reflexo da inconformidade com  o que significa atraso, regresso, sofrimento e tudo o mais que possa prender o ser humano a uma condição inferior àquela que motivou o sacrifício de sua mãe, o labor de seu pai, a alegria da própria família e tudo o mais que tenha a ver com a saúde e a vida do ser humano.

                      É de perguntar-se, portanto, o que levou a retardar demasiado essa carência desse insumo  vital para o ser humano que é a capacidade de respirar. A sensação trazida a todo o ser humano que seja por causa fora de seu controle afastado da capacidade de inspirar o ar existencial que é o arauto da vida não pode ser procrastinada, atrasada ou prejudicada de qualquer forma. É uma sensação muito humana e que nunca será demasiadamente humana aquela de inspirar com gosto e paixão o ar puro que a todos se oferece e que a ninguém pode ser negado.

                      Uma palavra final para trazer de volta os médicos não só aos hospitais, mas também ao seu ministério, que  é o da saúde. Já fizemos experiências demais, sem falar das inúteis postergações.  Não estamos diante de uma vil gripezinha, como em hora de rara  infelicidade, se veio proclamar nas horas iniciais desse percurso presidencial.

                      É hora  de chamar os médicos não só aos seus gabinetes de trabalho, mas a sentar-se, como o fez com distinção Mandetta, na chefia do Ministério da Saúde.  O Brasil é grande demais e também importante demais para a própria gente para que continue a conviver com sucessores não-médicos daquele que primeiro assumiu  nesse Governo Bolsonaro o nobre encargo de cuidar da saúde do Povo brasileiro.

                       Essa pandemia custa demasiado a partir e ela não irá por golpes de magia, nem com falsos medicamentos.  Tampouco podemos conviver com a postergação dos problemas e dos consequentes desafios  em que a classe médica sempre mostrou capacidade, firmeza e determinação.

                        Não é mais hora de postergações e de atrasos que não mais se justificam. O Povo brasileiro faz por merecê-lo e a hora é essa, e devemos fazê-la acontecer.

                        Chamemos sem mais delongas e atrasos alguém que esteja à altura desse enorme desafio.

                         Senhor Presidente Jair Bolsonaro,  é hora de chamar para a Saúde um médico à altura de  desafio que tem levado brasileiros demais !

                

A Cepa do Amazonas avança em São Paulo

     Foram  registrados até ontem,  16 de fevereiro,  25 casos da variante (cepa)  da Covid-19 do Amazonas, das quais 16 são de transmissão autóctone.  A maior parte dos casos foi detectada em Araraquara,  que decretou lockdown para tentar conter a propagação da doença.  Tal preocupação se tem estendido entre prefeitos do interior paulistano, aonde as medidas de combate tem sido endurecidas diante do temor de colapso do sistema de saúde.

     Conforme a Secretaria de Saúde de S.Paulo, os casos dessa nova variante brasileira são de transmissão local.  A maior parte foi detectada em Araraquara, que decretou lockdown para tentar conter a propagação da enfermidade.  

      A preocupação se tem estendido  entre os prefeitos do interior paulistano, onde as medidas de combate têm sido endurecidas, diante do temor de eventual colapso do sistema de saúde.

      Nesse contexto, conforme a Secretaria Estadual de Saúde de S.P., os casos da nova variante brasileira foram detectados em Araraquara (12), São Paulo (9), Jaú (3) e Águas de Lindoia (1). Nesse contexto, um caso relatado em Campinas ainda não foi confirmado pelo governo paulistano. 

        Há ainda outros sete relatos confirmados da variante britânica, todos de janeiro: cinco na capital e dois em Sorocaba. Todos eles são de pessoas que tiveram contato com alguém em Londres, o que descarta, por ora, a transmissão comunitária.

        A Secretaria da Saúde diz que a confirmação de novas variantes ocorre por meio se sequenciamento genérico, "além da investigação epidemiológica dos casos, como históricos de viagens e contatos". No caso de Araraquara, os doze casos confirmados são autóctones, ou seja não foram trazidos por pessoas que estiveram em Manaus recentemente.  Parte dos casos na cidade chegou a ser classificada como sendo da cepa britânica, mas a classificação foi retificada com um ressequenciamento, aumentando o total da cepa brasileira. 

         O que especialistas  têm apontado, sem embargo, é que a nova variante, primeiramente detectada em Manaus, tem maior potencial de transmissão. Esse foi um achado de um estudo  do Centro Brasil-Reino Unido de Arbovirus (Grupo Cadde), divulgado em janeiro.

          A situação tem preocupado prefeituras do interior de São Paulo.  Além do lockdown em Araraquara,  outras cidades repetiram a restrição máxima ou o endurecimento das medidas como toques de recolher, v.g., Em Guapiara,no sudoeste paulista, o toque de recolher vigente vale das 14 às 6  horas, com  multa para quem descumprir a medida.  Já em Américo Brasiliense, o lockdown adotado vale por quinze dias.

            Após confirmar três casos da variante de Manaus do novo coronavirus, a prefeitura de Jaú enfrenta um novo desafio. A Santa Casa, único hospital de referência para covid-19 na cidade,  estava ontem com todos os leitos de UTI lotados e tinha  nove pacientes  à espera de internação.  A cidade, com 151 mil habitantes, registra média de cinco mortes por dia.

              Conforme o secretário de Saúde local, Rodrigo Brandão, na primeira semana de fevereiro form 41 mortes e, do dia oito ao dia catorze, mais trinta pessoas morreram. Ele acredita que a mortalidade maior pode estar relacionada à circulação da variante. A prefeitura se reuniu  com a direção da Santa Casa para definir ações de enfrentamento à nova situação.

                Já na Capital, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse que a rede tenta investigar a procedência do paciente detectado desde o primeiro contato com as unidades de saúde. No Hospital de Pirituba, informou,  há uma ala com dez leitos voltados para a internação de casos ligados à nova variante.

                 Não tem  como baixar a guarda, fazemos o acompanhamento dia a dia. O que a gente tem de informação é que a variante tem um grau de transmissibilidade  maior, mas não teria agravamento. Precisamos ver o reflexo disso nos casos e internações", asseverou o secretário.

                  Em Araraquara.  O lockdown de quinze dias passou a vigorar  ontem em Araraquara. (quinze de fevereiro).  O decreto municipal determina que só serviços essenciais podem funcionar e limita horários: supermercados até às vinte horas, postos de combustível até dezenove.  Em qualquer horário, as pessoas devem justificar porque estão na rua. No primeiro dia houve pouco movimento na cidade de 238 mil hab.. No centro, apenas alguns estabelecimentos considerados essenciais atenderam em meio a uma sequência de lojas com as portas abaixadas. Poucos carros e pessoas circularam. Até o início da tarde de ontem, 217 pessoas foram abordadas pela fiscalização da prefeitura em diferentes pontos.

                     O prefeito Edinho Silva (PT) afurna que o comitê local relacionado à Covid submeteu amostras para sequenciamento de cepas após verificar mudanças no perfil da doença na cidade." Com ritmo de contaminação muito forte. Um vírus mais agressivo e e agrava o quadro em jovens", detalha. "Se não fizermos isso (lockdown), nas próximas duas semanas nosso sistema entra em colapso",  reforçou o gestor, que teme que o intuito é, com o distanciamento, fazer a curva de contaminação cair e, por ora, não cogita prorrogar o lockdown.

                      A Medida teve o apoio da população.  "A pessoa só se conscientiza quando acontece na própria família dela ou próximo.", afirmou o segurança Marco Antonio Bernardo, de 53 anos. "Tem de restringir mesmo, ainda mais no carnaval", disse  o empresário Ferreira da Silva, de 62 anos.  Ontem, não havia leitos disponíveis na cidade (100% ocupação em enfermaria e em UTI) e os internados eram 197.


(FONTE:   O Estado de S. Paulo )      



Fachin: Pressionar o Judiciário é Intolerável

      O Ministro Edson Fachin, do Supremo,  afirmou ser intolerável e inaceitável qualquer tipo de pressão sobre o Judiciário.

       A declaração é uma resposta à revelação de que a cúpula do Exército, no comando do general Eduardo Villas Boas articulara  um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar o ex-presidente Lula da Silva em 2018. 

        Ao contrário de outros membros do STF, que podem eventualmente 'fraquejar' sob pressões tais como a acima referida, o ministro Edson Fachin é um dos mais distinguidos integrantes do atual Supremo, como de resto o indicam  as suas últimas manifestações.

(fonte: Folha de S. Paulo )