quinta-feira, 2 de julho de 2020

Reabertura congestiona UTIs


                                         
         Com efeito, respeitável público, a reabertura - ou não seria melhor flexibilização, como propugnada por Crivella et símiles? - principia a congestionar as UTIs.
             Para aqueles que vêem metas em tudo, no mundo o Brasil só perde para os EUA, que tem mais do dobro do número de mortes, com 127 mil.

               Segundo cálculos do Imperial College, um dos principais centros de acompanhamento da doença, a chamada Rt no Brasil está em l,03 - o número indica a quantas pessoas na média cada infectado transmite o patógeno.

               A ocupação dos leitos de UTI para tratamento de Covid 19 voltou a subir nas últimas semanas - e isso é um retrato ominoso do incremento epidêmico, em geral devido à famigerada flexibilização. Com a ascendência da Covid-19 (graças ao processo acima, que visa a injetar mais público no comércio das cidades), E a Folha completa: ao superar o patamar de 80% em pelo menos treze capitais (por força de atividades econômicas, dentro do figurino de Crivella e outros prefeitos)

              É escandaloso que os prefeitos brinquem com tais números, aumentando o afluxo ao comércio central, o que agrava o contágio, e pressiona a capacidade das UTIs. Em Natal, v.g., já não existem vagas nas UTIs, com cem por cento de lotação.

                E não creio que a essa altura do drama da pandemia, haja quem desconheça o que significa ficar em uma UPA, à espera de vaga em alguma UTI.  Quantos brasileiros já morreram por não poderem dispor dos mágicos recursos da UTI ?  

( Fonte: Folha de S. Paulo )

Brasil: Sessenta mil mortos


                  
        Será que o Brasil continua fadado  a conviver com paradoxos? Com efeito, no justo dia em que as mortes pelo coronavírus chegam a sessenta mil, surge o secretário de Vigilância em Saúde (do Ministério da Saúde, é claro) Arnaldo Correia de Medeiros para dizer-nos que, apesar de elevado, o número de óbitos diários teria atingido um nível estável. Como ressalta a Saúde, a mortalidade pela pandemia não sobe significativamente desde início de junho p.p.
            E amanhã o Brasil completa um mês no topo do ranking mundial de mortes diárias. O país registra cerca de mil mortes a cada 24 horas. O que em outros países foi um pico, aqui tomou formaa de platô.
              Assim, temos 60.713 mortos e um milhão quatrocentos e cinquenta e três mil, e trezentos e sessenta e nove  contagiados.

( Fonte: O Globo )

Dizer ao que veio ?


                       
         Segundo o INPE, o Brasil registrou em junho o maior número de queimadas na Amazônia, desde 2007. Tal representa um aumento de 19,57% em relação a junho de 2019. Foram registrados 2,248 focos de calor na região, volume que não era atingido desde o citado ano de 2007.

            Diante de um poder estatal aparentemente desarvorado defronte tal ameaça,  não estranha que essa situação preocupe o agro-negócio, na medida em o que resta de nossa imagem ambiental no exterior se veja duramente atingida

            Desde maio, o controle do desmatamento é liderado (?) pelo vice Hamilton Mourão.
              Nesse sentido, a operação militar gerou custo mensal de quase 80%  do orçamento anual de fiscalização do Ibama. Como se vê, os resultados são decepcionantes.

                Além de seriedade, falta liderança. É interessante a propósito ter presente o que declara Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima: "O governo optou por atacar todos os que defendem o meio-ambiente no Brasil e enfraquecer a capacidade dos Estados de combater o crime nesta área. O aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia são resultado diretos de um presidente que fez da destruição ambiental uma política de governo."  Dessarte, se não há mudanças no pensamento dos líderes desse governo - e  aí estão Bolsonaro e o seu sédulo operador, Ricardo Salles, para que ressalte a triste coerência, o que está ocorrendo não pode surpreender a ninguém.
                   Mantendo uma estrutura que é vocalmente favorável ao amplo desmatamento - ressoam e não ao longe as frases ominosas de deixar passar a boiada... - não impressionou (nem deu a sinalização de que seja realmente para valer) eis que o emprego das Forças Armadas na floresta amazônica resultou em um custo mensal de R$ 60 milhões, quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), mas a resposta aos altos índices de desmate não chegou. "As queimadas contribuem para as crises globais do clima, da biodiversidade e com a catástrofe sanitária. O Brasil precisa fazer mais, se quiser detê-las", asseverou Rômulo Batista, da Campanha Amazônia do Greenpeace.  

                          Quem está na chuva, é para se molhar. Na verdade, o alerta paraç o descontrole na Amazônia já havia sido dado há uma semana, quando o jornal Estado de São Paulo mostrara que os alarmes feitos pelo sistema Deter  do  INPE apontavam para mais um novo récorde de desmate - na realidade, de primeiro de agosto de 2019 até onze de junho de 2020, foram realizados alertas para a derrubada de 6.870 km2 de Floresta. Há um processo que ominosamente avança, pois entre 1° de agosto de 2018 e 31 de julho de 2019 haviam sido já 6.844km2

                            O diretor-executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, lembra que as queimadas de 2019 ecoam até hoje no exterior. "O que vimos em junho será muito mais dramático nos próximos meses, sem uma resposta contundente e eficaz", afirma.
                              Não surpreende que os planos de combater o desmate e todo o aspecto de controle dos órgãos governamentais são deixados por conta de quem já se passou de há muito para o outro lado da trincheira. Tampouco espanta, por conseguinte, que os planos, projetos e programas se descubram órfãos em ambiente em que o cinismo prevalece, e o tempo vai passando...


( Fonte: O Estado de S. Paulo )


O Pensamento estrangeiro é bem-vindo ?


                 
     Lendo o artigo em O Globo sobre o jornalista e historiador americano John M.Barry, mesmo um entranhado nacionalista há de concordar que se vem para contrariar idéias de Trump e de seu discípulo Bolsonaro, precisamos saudá-la como bem-vinda.
        Com efeito, que outra reação podemos ter diante do posicionamento de líderes que negam a ciência, como os presidentes Trump e Bolsonaro ?
  
       Autor de "A grande Gripe" John Barry, obra sobre a chamada Gripe Espanhola, que matara mais de  cinquenta milhões de pessoas, entre 1918 e 1919, ao findar a guerra das trincheiras do  I conflito mundial, tal tenebroso evento, legado da 1ª Guerra Mundial para o pós-guerra, deixaria marcas por todo o mundo, dado o número de vítimas da chamada Espanhola.

             Tenho, inclusive, em minha família, pelo viés dos parentescos, a marca próxima dessa tragédia mundial que foi a Gripe Espanhola. Recordo-me que a minha avó Cidalizia costumava dizer que admirava o par formado por Antonio Mendes Filho e sua mulher Maricota.

               Não é que esta ultima seria colhida, na cidade do Rio Grande, no extremo sul do Brasil, pelo flagelo da Espanhola, que a levou? Enviuvando, meu futuro avô Antônio Mendes casaria, em segundas núpcias, com Cidalizia Vaz Dias, de onde surgiria, dentre os descendentes, minha mãe Maria e, mais tarde, o seu filho Mauro?

                São decerto caprichosos os caminhos do nascimento.
            Concordo, decerto, com a avaliação do americano John M.Barry sobre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro. por ele qualificados como idiotas perigosos.
                   Quanto ao presidente Jair Bolsonaro.  ele não só defende uma posição esdrúxula, que chegou a qualificar de gripezinha, o que considero, além de um acinte aos milhares de brasileiros mortos, e por ela causados, uma falta grave em termos de assumir as respectivas obrigações, que lhe foram decerto impostas pelo seu alto cargo, que, de resto, não lhe caíu do céu mas, sim,  atribuído ao cabo de renhida disputa, neste grande desafio para a nacionalidade, que é a eleição de dois turnos.

                      Como toda negativa, a recusa do  Presidente Jair Bolsonaro de encarar o repto dessa peste moderna, tem consequências graves para a nacionalidade. Além de não haver assumido os plenos encargos de sua posição republicana de mando - e tampouco  procedeu, como seu colega argentino, ao fechamento das fronteiras quando esse magno desafio lhe bateu às portas - preferiu ao invés adotar uma postura dúbia, e não servir-se do aparelho do Estado para combater a pandemia sem dó nem piedade, como deveria.
                          Ao contrário, além de omitir-se no mando, desestabilizou o bom ministro Mandetta, chamando para a pasta outros menos capazes do bom combate, até que trouxe, como é seu arraigado vezo, os seus companheiros de farda, quando o que se faz necessário é a proficiência na matéria.
                            Combater esse flagelo não com a disposição que o momento exige, tende a criar a presente atmosfera em que se batalha pela metade - eis que falta a plena liderança presidencial.  Isso se reflete no número de mortos, que é uma espécie de herança maldita  de  combate mal-empreendido.     .  
                              Os céus não são os mesmos daqueles turvos horizontes do pós-Grande Guerra, em que muito pouco do árduo caminho no combate àqueles desafios para a Humanidade poderia ser feito. Hoje a ciência e a experiência clínica não permitem que se mergulhe nas turvas águas de um demasiado fácil negacionismo.  Não há mais espaço crível para quem se aventure a explorar as dúbias costas desse negativismo irresponsável.

                                Eleições são cousas sérias, e não histórias passadas, de uma Humanidade que saía de sangrento conflito mundial, acompanhada de uma peste ignota, despojada de defesas de toda ordem. Vivemos hoje uma época bem diversa, em que o antes disponível negacionismo não mais tem qualquer plausível  guarida,

(Fontes: O Globo: e experiências dos tempos da Pandemia).             

quarta-feira, 1 de julho de 2020

UE reabre fronteiras mas veta visitantes de Brasil, EU e Rússia


       
      A União Européia confirmou ontem  que será reiniciada a sua reabertura externa, depois de vários meses de quarentena.
         No entanto, a UE confirmou proibição para viajantes procedentes de países como Brasil, Estados Unidos e Rússia, que não poderão realizar visitas não essenciais ao bloco a partir de hoje,  1º de julho, quando será iniciada a reabertura externa.

         Para elaborar a lista, a UE examinou a situação da covid-19 em outros países, que deve ser igual ou melhor do que o quadro europeu, assim como a tendência de surtos, ou a resposta geral à pandemia.

          Os Estados Unidos são o país mais atingido pela pandemia, com mais de 126 mil mortos e  2,6 milhões de infectados, seguidos pelo Brasil, com 59.656 mortes e 1,37 milhão de casos.
            Assinale-se, outrossim, que Estados Unidos e Brasil foram excluídos - assim como Turquia, Rússia e Índia - da reabertura das fronteiras, não só pelo número avultado de mortes mas também pelos demais casos mencionados acima, dada a óbvia circunstância de que o coronavírus ainda não se encontra controlado dentro das respectivas fronteiras.  

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Caso Mariellle - Delegado descarta envolvimento Escritório do Crime


               

    O delegado Daniel Rosa, titular da Delegacia de Homicídios no Rio, disse que o grupo miliciano Escritório do Crime não tem envolvimento com a morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em  14 de março de 2018.

            O Delegado Rosa participou ontem, 30 de junho, da operação Tanatos que prendeu dois irmãos suspeitos de chefiarem o grupo.

             Descartou-se a participação de integrantes do grupo, porque eles cometeram outro assassinato no mesmo momento em que Mariellle e Anderson foram mortos. Assinale-se na matéria Escritório do Crime que o miliciano Adriano ´- que foi morto no início deste ano na Bahia - chefiara no passado o referido "Escritòrio".

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Falsidade em currículo tira Decotelli do MEC


           

        Transcursos apenas cinco dias após sua nomeação pelo Presidente Bolsonaro, Carlos Decotelli pediu demissão ontem, trinta de junho, após revelada uma série de falsidades no próprio currículo.

            A Universidade em Rosario na Argentina, através de seu reitor, Franco Bertolacci, iniciara o trabalho de  desmonte do currículo apresentado pelo candidato à sucessão de Abraham Weintraub, ao negar Bertolacci por primeiro,  que ele Decotelli houvesse obtido em Rosario o doutorado. Existiam, inclusive, sinais de plágio na sua dissertação de mestrado.

             Se a reação argentina fora o primeiro sinal desfavorável, não tardaria a segunda sinalização negativa, que desmontaria o que porventura restasse do frágil arcabouço apresentado pelo professor  Decotelli. Com efeito, havendo Decotelli escrito no seu curriculum haver feito pesquisa de pós-doutorado  na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, não é que também Wuppertal se apressa em desmontar o que o postulante intentara asseverar. Não tardaram, com efeito, em surgirem da Universidade germânica as más notícias, eis que tampouco Carlos Decotelli possuía  qualquer   título na referida universidade de Wuppertal.

              Por força da série de notícias negativas, não restou  ao Ministro da Educação, Carlos Decotelli, senão anunciar o próprio pedido de demissão ao cargo para o qual fora nomeado há cinco dias pelo Presidente Jair Bolsonaro.
                  Confirmada pelo próprio a solicitação de exoneração,  a demissão foi na verdade a maneira encontrada pelo Governo para encerrar a crise criada com as falsidades no próprio currículum acadêmico do candidato. Dessarte, concluiu-se o breve mandato do terceiro Ministro da Educação da gestão Bolsonaro, Carlos Decotelli, a que acompanham as lições respectivas quanto à necessidade da prudência no que tange à titulação de quem deva ser o quarto Ministro da Educação da presente gestão presidencial.

( Fonte: Folha de S. Paulo )