quinta-feira, 14 de maio de 2020

Acusação de Moro é reforçada


                             
     De acordo com os elementos até agora recolhidos no inquérito que apura as acusações  de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, tais elementos reforçam a narrativa do ex-Ministro Sérgio Moro,  especialmente no que tange às questões envolvendo o Rio de Janeiro.

       Até o presente, no entanto,  de acordo com os investigadores, as informações não caracterizariam, se tomadas isoladamente, no momento atual, um crime.

( Fonte: Folha de S. Paulo )  

Brasil passa França em mortes


       

    Sob a direção (?) de Bolsonaro, o Brasil avança na escala negativa - sexto país em número de casos e passa a França, com praticamente 189 mil pessoas contagiadas e 13.149 mortos.

       Diante da irresponsabilidade dos atuais líderes, no aumento dos contágios e dos mortos, o ministro Mandetta se vai infelizmente transformando em retrato na parede, substituído que foi por Nelson Teich, o qual,  diante da súbita involução da pandemia, se descobre forçado a adiar "a apresentação de novas diretrizes para a "flexibilização  do distanciamento social".  

         Sem o braço forte de Mandetta, a Saúde é um barco à deriva. Em nota, o Ministério da Saúde admite "falta de consenso". Ausente a mão firme do ministro anterior, inexiste por outro lado a indispensável coordenação com os níveis estadual e federal do gigante Brasil, e  infelizmente, por falta de liderança crível, não há a indispensável coordenação.


( Fonte: O Globo )

quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Brexit e a Pandemia


                                          

       Todo erro tem uma origem e neste caso presente, em que a pandemia do coronavirus se espalha pelo mundo, a pobre Inglaterra será forçada a uma vez mais reconhecer o equívoco inicial - a palavra inglesa blunder se aplica com particular força - da incrível decisão do então Primeiro Ministro Brad Cameron submeter uma vez mais o UK a um processo de referendo (sobre a sua posição na União Européia) continua a ter danosas e até mesmo ruinosas consequências para a velha Ilha, que, por um estúpido capricho, volta a sofrer, movida por insondáveis e, na realidade, estúpidos processos de pano verde quanto ao seu destino na Europa.

          Como o planejamento de Cameron deu errado e o referendo saíu contra os seus pouco brilhantes planos  - to say the least - , que levaram a um acréscimo de castigo, em  cruel e mesmo incrível reviravolta, à gente do Reino Unido, por concordar meter-se nessa gigantesca fria, será forçoso lembrar-lhe graves e inóspitas verdades - decerto já reiteradas na imprensa inglesa -  eis que, embora não mais seja parte da U.E. desde janeiro último, esse mesmo U.K. vive período de transição até 31 de dezembro p.f.. Até lá, o país terá acesso  aos mercados vizinhos, mas precisa decidir ao longo do próximo mês se pedirá a extensão  desse estágio. Com os dois lados da Mancha sob brutal pressão de inesperadas e implacáveis contingências factuais, a previsão mais fácil é a de que afigurá-se, no mínimo, muito pouco provável a finalização de acordos comerciais até o fim de 2020. 

            Nesse contexto, em que a irresponsabilidade de Cameron - e as ajudas posteriores de seus ressabiados apoiadores tories - terá sido castigada  pela sorte (no caso o azar ou a fúria dos deuses por exagerar na respectiva leviandade e, porque não dizer, estupidez) e os danos causados pela pandemia mundial, sem dúvida amarga e pesada punição  e  que multiplicará as consequências negativas da reckless and stupid  decisão daquele Primeiro Ministro que contrariou a toda uma geração de brilhantes políticos britânicos - de  a maior parte dos analistas acredita que o governo de Sua Majestade  britânica estaria disposto a chegar ao fim abrupto da transição do malsinado Brexit sem qualquer acordo, forçado pela irresponsabilidade de tantos gabinetes e pela incrível má-sorte de uma hecatombe fora de qualquer previsão no passado recente.

               The English fickleness terá consequências decerto cruéis para o Povo inglês, que será submetido a condições que semelhariam de todo desnecessárias, se o bom senso junto com a leviandade de Cameron e de diversos companheiros seus, que preferiram seguir o caminho dos lemmings, ao invés de terem a coragem de rever a estupidez pregressa e a repetida dúvida em tentar reviver um  passado já de todo superado, com confusas jogadas que parecem formas de acirrar forças de todo desnecessárias se a solução lógica e razoável do Remain houvesse prevalecido. Isso tudo me faz lembrar ditado de minha terra: não desejes muito alguma coisa (absurda ou pouco razoável), porque ao fim ela pode acontecer...

( Fonte: O Globo )

terça-feira, 12 de maio de 2020

Por vez primeira, Bolsonaro lamenta as mortes


                              
        Após silenciar ao longo do fim de semana sobre o fato de o Brasil haver atingido a marca de dez mil mortes por força do coronavírus, o Presidente Jair Bolsonaro  disse, nesta segunda-feira, dia onze, que lamentava a perda de vidas, mas também defendeu a necessidade de reabrir a economia.

         O Presidente do "E daí?" disse : "Eu lamento cada morte que ocorre, a cada hora. Eu lamento", disse Bolsonaro ao ser questionado no fim da tarde, em entrevista no Palácio da Alvorada.  Nesse contexto, o  presidente desceu do carro sem máscara, mas depois a colocou, alertando a imprensa para o gesto.

         Em seguida, ele repetiu na entrevista sua posição de que o combate à pandemia passa também pela defesa do emprego. Para ele, os problemas na economia vão causar outras mortes, por conta da violência.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

OMS: Cegueira de certos países quanto ao vírus


                             
        
   A Organização Mundial da Saúde inquieta-se com a "séria cegueira" de governos (como o do Brasil), que permitem aglomerações de pessoas e não adotam medidas  para conter a pandemia do coronavírus. Sem citar nomes, foi o que disse nesta segunda, dia onze, o Diretor-Executivo da OMS, Michael Ryan.

     Lamentavelmente - e sabemos bem das consequências de o presidente  Bolsonaro haver afastado da Saúde o Ministro Mandetta, e confiado a pasta ao Dr. Nelson Teich, com a quebra da dinâmica quanto à contenção da epidemia, e o relativo abandono do isolamento social, só agora retomado, nas graves, dramáticas mesmo, condições que ora prevalecem no Brasil.

      Nesse contexto, em face da irresponsabilidade do comportamento da presidência,  é oportuno notar que entre os dez países com o maior número de mortes pelo coronavírus no mundo somente o Brasil e os Estados Unidos são os únicos que não adotaram restrições em nível nacional e também os únicos com a taxa de contágio acima de 1 segundo estimativa do Imperial College - o que indica que a pandemia está fora de controle.

        Como a grande maioria da população brasileira não deixará de conscientizar-se, essa não é uma conclusão irrelevante. A respeito,  Ryan  assinala é "erro grave a crença de que  a maioria das pessoas não mostra sintomas e que "o vírus vai passar sozinho". Há uma outra consequência, de caráter ético, que oscila entre o cínico e o irresponsável : " a ideia de que podemos deixar mais gente ter contato com a doença é uma aritmética brutal, que não põe a vida e o sofrimento das pessoas no centro da equação", asseverou o diretor-executivo da OMS.

          Consoante  Maria van Kerkhove, líder técnica da entidade, já há mais de 90 estudos para medir a presença a de anticorpos,  e os resultados indicam que a imensa maioria da população ainda não  teve contato com o vírus. Em geral, a percentagem de infectados que desenvolveram defesas varia de 1% a 10%, dependendo da metodologia empregada. Por isso, ela declara que tampouco se sabe qual seria o nível da contaminação  necessária para que a população estivesse protegida  do vírus, a chamada "imunidade de rebanho".  Como parece de pronto evidente, o termo é mais próprio para a veterinária, "em que um animal individualmente não importa tanto. Temos de ter cuidado  em usar esse conceito com humanos", observou com evidente ironia Ryan.

          Por fim, Ryan disse  que os recentes surtos  na Coreia do Sul e na Alemanha mostram tal risco, mas ela põe em evidência também o preparo dos dois países para localizar rapidamente os focos de perigo e impedir a disseminação do vírus. "É preciso elogiar os países que estão com os olhos abertos, tentando sair da cegueira", afirmou Ryan. Alguém hoje atribuiria tal postura às autoridades brasileiras atualmente colocadas diante dessa macabra situação?

         Segue em consequência que não implementar medidas de distanciamento social  acreditando que, mesmo que os mais vulneráveis  morram, a população  ficará imune  constitui "um cálculo realmente perigoso". 


( Fonte: Folha de S. Paulo )


domingo, 10 de maio de 2020

Dez mil mortes e um passeio no Lago


                             

          É difícil conter seja raiva, seja vergonha diante do fato de que o presidente do Brasil,  senhor Jair Bolsonaro, depois de tentar em vão desmentir como falso o convite para um churrasco no Palácio do Alvorada, neste sábado nove  de maio, dedicou parte da tarde  do  mesmo sábado para um passeio de moto aquática no Lago Paranoá.

             Nesse contexto, a ação do Presidente - como assinala a Folha - não foi informada oficialmente (...) a assessoria de imprensa da Presidência afirmou que por se tratar de uma agenda privada, não tinha informações a passar aos jornalistas.

              Ao ler essa incrível notícia na Folha, não pude deixar de lembrar-me do intróito da primeira Catilinária de Marco Túlio Cícero, no Senado de Roma:

              "Por quanto tempo, ó Catilina, abusarás de nossa confiança?"     


( Fonte: Folha de S. Paulo )

Covid-19: Brasil, mais de dez mil mortos


                

        Com  730 novos registros nas últimas 24 horas, o Brasil ultrapassou  a marca dos dez mil mortos pela Covid-19 (Min. de Saúde). O número oficial de vítimas atinge na verdade 10.627.  Assinale-se que foi o segundo dia consecutivo  com mais de setecentos óbitos.  

               São Paulo continua a ser o estado com o maior números de mortos (3608), e casos confirmados ( 44,4 mil).  Em seguida, vem o Rio de Janeiro (1653 óbitos) e 16,9 mil infectados. O Ceará está em terceiro , com 1062 falecimentos e 15,9 mil casos.

                Diante de tais números, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal decretaram luto por três dias.


( Fonte:  Folha de S. Paulo )