sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Amazônia: bispos querem Padre Ezequiel com mártir


        
        Em carta enviada a Papa Francisco, duzentos (dos 480 bispos brasileiros) pedem ao Santo Padre que o missionário italiano comboniano Ezequiel Ramin seja reconhecido como mártir da Amazônia, no Sínodo Extraordinário de outubro p.f.

           Padre Ezequiel chegou ao Brasil em 1980, se tendo empenhado em Cacoal (RO), na defesa de indígenas e posseiros.

           Os bispos brasileiros manifestaram o próprio apoio à causa de beatificação do religioso, pelo seu irrestrito testemunho em prol dos Povos marginalizados, no âmbito da ação das Comunidades Eclesiais de Base.

            De acordo com a postulação apresentada em Roma, o religioso foi abatido a tiros por pistoleiros a mando de fazendeiros, no dia 24 de julho de 1985.

             Os bandidos foram submetidos a dois processos, e um dos criminosos foi condenado, mas logrou fugir da Justiça.     

( Fonte: O Estado de S.Paulo )

Biden se sai bem no debate democrata


                         
           O ex-presidente Joe Biden, candidato democrata contra Trump, desta feita se houve bem, ao invés do desempenho sofrível da vez anterior. Assim,  no segundo debate contra seus rivais para a nomination, defendeu suas idéias sobre assistência médica com mais  eficácia, e investiu contra dois rivais mais progressistas - a senadora Kamala Harris, da Califórnia, e o prefeito Bill de Blasio, de New York - criticando seus projetos de saúde: "Não sei que matemática vocês fazem em New York e na California. Mas eu afirmo para vocês, é muito dinheiro..."

                  No entanto, a posição de Biden na liderança da disputa ainda não está assegurada de todo. Terá de vencer de forma convincente a Elizabeth Warren. Por ora, além de liderar o campo democrata, ele tem o apoio de 53% dos eleitores negros .

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

El Aissami na lista dos mais procurados


                                  
          O ex-vice presidente, ora rebaixado a Ministro da Indústria, Tareck El- Aissami, foi incluído na lista dos dez fugitivos  mais procurados pelo Serviço de Imigração dos Estados Unidos, por motivo de narcotráfico.
               É de notar-se que  El-Aissami sofre sanções dos Estados Unidos desde 2017, sendo acusado de articular e facilitar o narcotráfico.
           Ele é também responsabilizado no corrente ano por viabilizar a atuação do Hezbollah na Venezuela.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Trump cogita bloquear Venezuela


                           
        O presidente Trump afirmou a 1º de agosto estar cogitando impor quarentena ou bloqueio  contra a Venezuela, dentro da pressão de forçar a saída do poder de Nicolás Maduro.
             Donald Trump não deu maiores detalhes sobre como um bloqueio poderia ser imposto ao país. Por enquanto, seu governo mantém o foco em exercer pressão econômica e diplomática contra o presidente chavista, e tem evitado abordar qualquer tipo de ação militar direta.
              Quando questionado por um repórter se está considerando essa medida por causa do grande envolvimento de China e Irã na Venezuela, o presidente respondeu: "Sim, estou." No entanto, não deu maiores detalhes.
                Com vistas a forçar a renúncia de Maduro, o governo Trump intensifica série de sanções. Sem embargo, autoridades estadunidenses deixaram claro que estão concentradas em medidas econômicas e diplomáticas. Nessa linha, não deram sinais significativos de que tal implicaria opções militares.
                   Ainda nesse quadro, os aliados latino-americanos de Washington também alertaram contra possível intervenção militar  estadunidense.  Por outro lado, os "aliados" de Maduro - Rússia, China e Irã - expressaram apoio ao ditador venezuelano.
                      O governo Maduro denunciou no dia 22 que avião espião americano fizera incursão no espaço aéreo venezuelano, em meio à troca de acusações dos dois países por episódio similar ocorrido no espaço aéreo  da região de Maiquetia.
                        Três dias antes, segundo versão do governo Maduro, um caça Sukhoi SU-30, de fabricação russa, teria interceptado e expulso do espaço aéreo  da Venezuela aeronave americana.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Refugiados venezuelanos não fazem jus ao TPS ?


                             
           A  maioria republicana no Senado americano impediu ontem votação sobre a  concessão de Status  Temporário de Proteção   (TPS na lingua original) para imigrantes venezuelanos. Iniciativa similar fora aprovada na semana passada pela Câmara de Representantes, de maioria democrata.

             O projeto em tela só deverá ser colocado em pauta após o recesso  de seis semanas.  Criado em 1990, o TPS concede  permissões de forma extraordinária a cidadãos de países afetados por conflitos bélicos ou desastres naturais.

               Custa crer que tal medida, prevista na legislação americana, tenha sido lamentavelmente recusada. Por todos os títulos,  os imigrantes venezuelanos se qualificam para receber o TPS. Daí a iniciativa da Câmara de Representantes deve ser prontamente ratificada pelo Senado estaduniden-se,para que o TPS venha a ser estendido aos imigrantes venezuelanos. Para tanto, não há melhor qualificação do que uma oportuna medida do Senado Federal, diante dos calamitosos efeitos da gestão  do Presidente Nicolás Maduro.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo ) 

Johnson e o Brexit (II)


                                   

           A ameaça do Reino Unido de deixar a União Europeia sem um acordo, repetida por mais de uma vez nos últimos dias pelo Primeiro Ministro Boris Johnson, reavivou o desejo de unificação das Irlandas e pode, por conseguinte, prejudicar  o acordo de paz que pôs um término a três décadas de conflito entre as duas Irlandas, com pelo menos 3600 mortos.  Trazer à baila o tema também teve o efeito colateral de reatiçar o desejo de independência da Escócia.
               Johnson esteve a 31de julho (quarta) na Irlanda do Norte , após visitar a Escócia a 29 (segunda) e o País de Gales a 30 (terça) de julho, com o objetivo de apresentar seus planos para o Brexit, e tentar angariar apoio  dos países  para endurecer as negociações com a União Europeia. Em tal sentido, o premier  se encontrou com os principais  partidos da região para tratar da questão.
                  A presidente do principal partido nacionalista irlandês, o Sinn Fein, fez um alerta ao Primeiro Ministro:  ela convocará  um referendo sobre a reunificação das duas Irlandas, se o Reino Unido deixar a União Europeia sem um acordo. Nesse sentido, Mary Lou McDonald disse, referindo-se aos integrantes do Partido Democrático Unionista, majoritário na comunidade protestante e partidário de um "Brexit duro": "Pedimos que ele não se renda aos unionistas e não se transforme em mensageiro do DUP".
                   É de notar-se que o partido tem dez deputados no Parlamento de Londres, o que permite a Johnson e ao Partido Conservador governarem, sem necessidade de outros  apoios.Essa suposta vantagem, na verdade, complica a questão, e tira a flexibilidade de quem for Primeiro Ministro, como a própria Thereza May já o experimentou. Como já foi referido, ela pensara possível governar com uma maioria própria, e para tanto cometeu o erro de convocar eleições. O resultado para ela só não foi desastroso, porque logrou trazer para recompor a maioria (havendo perdido cadeiras em Westminster) o tal Partido Democrático Unionista. Esse erro, além de custar-lhe a dependência a um partido menor, é agora transferido para o novo Primeiro Ministro Johnson.
                     O Primeiro Ministro, parlamentares eurocéticos e os unionistas irlandeses querem eliminar dos termos do acordo com a UE uma controvertida salvaguarda para evitar a reintrodução de uma "fronteira física" entre a Irlanda, membro da U.E., e a província britânica da Irlanda do Norte.  Para eles,o fim da salvaguarda, chamada de "back-stop", é necessária para o Brexit se consolidar e para o Reino Unido não perder a soberania sobre o território norte-irlandês.
                     Mas a construção de um eventual posto de fronteira seria contrário a um dos pontos-chave do acordo de paz da Sexta-Feira Santa, que pôs fim, em 1998, ao conflito histórico entre os católicos, republicanos e nacionalistas , e os favoráveis à união com o Reino Unido, chamados de unionistas, em sua maioria protestantes.
                         Embora os governos de Dublin e Bruxelas tenham reiterado  que a cláusula irlandesa é "intocável",  o premier Johnson quer suprimi-la e, se não o conseguir, advertiu que retirará seu país do bloco europeu em 31 de outubro próximo vindouro, com ou sem acordo.
                         O Chefe do governo da Irlanda, Leo Varadkar, disse que a questão da unificação da Irlanda e da Irlanda do Norte, governada pelos britânicos inevitavelmente surgiria se o Reino Unido deixasse a União Europeia sem um acordo.  "Elementos de nosso establishment político  nos dizem que agora não é hora de discutir a unidade irlandesa. Eles estão errados. Agora é exatamente o momento certo para discuti-la", disse Varadkar. "O governo precisa começar a planejar a união."
                            No mesmo sentido, os escoceses também avaliam um possível pedido de referendo para decidir sobre sua separação do Reino Unido. Enquanto Inglaterra e País de Gales votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia, mais de 60% da Escócia votou para ficar. Na capital, Edimburgo, três em cada quatro habitantes não querem deixar o bloco.
                             O Governo comandado pelo Partido Nacional Escocês (SNP) prevê que o Brexit  deixará os escoceses em média US$ 3.000 por ano mais pobres, acabará com oitenta mil empregos e contaminará o ambiente de negócios por décadas.  Por isso, o sentimento generalizado é o de que o Brexit pode termianr com uma união  de mais de trezentos anos. A líder do SNP, a primeira ministra Nicola Sturgeon, descreve o plano do Brexit como "totalmente caótico" e já afirmou que só vai esperar o desenrolar do processo para convocar o plebiscito.
                             Para  Amanda Sloat, ex-funcionária do Departamento de Estado americano e especialista em Brexit na Brookings Institution, em Washington, a maneira co-mo o processo do Brexit tem sido conduzido facilita a ascensão do discurso separatista. "Tanto norte-irlandeses quanto escoceses votaram para permanecer na União Europeia, e desde que o voto pela saída ganhou, sentem que é o momento de pleitearem a própria saída, por um desejo de se manterem  ligados à Europa", disse Sloat ao Estado.  "No caso da Irlanda do Norte, no entanto, esse processo é perigoso, porque  pode reavivar um sentimento ainda latente e recente de confronto e ódio entre os que defendem a per- manência no Reino Unido e os nacionalistas que querem a unificação com a Irlanda."

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Johnson e o Brexit


                             
     As sucessivas, até frenéticas ameaças do novel Primeiro Ministro Boris Johnson, de que o Reino Unido vá sair da União Europeia  em 31 de outubro p.f. , sem um acordo, derrubaram a Libra pelo quarto dia, com uma queda de  quase 3%. Chega assim a moeda inglesa ao seu menor valor em dois anos. Com o enfraquecimento da Libra aumentam os temores de uma crise econômico-financeira após o Brexit.
         Na terça-feira, Johnson voltou a afirmar que existe a real possibilidade de o país deixar a U.E.  sem firmar um acordo.  Em conversa telefônica com o chefe do governo da Irlanda, Leo Varadkar, Johnson não deixou qualquer dúvida sobre seu ponto de vista de que o Reino Unido vai deixar  a União Europeia em 31 de outubro , "independentemente de um acordo ter sido firmado ou não".
            Os jornais britânicos colheram a informação que a conversa com Varadkar foi ríspida. Mas Johnson afirmou a seu colega irlandês que seu governo "nunca restabelecerá controles físicos na fronteira com a Irlanda após o Brexit".
              A saída do Reino Unido da UE sem um acordo de separação implicaria na reintrodução de uma "fronteira física", entre a Irlanda que faz parte da União Europeia, e a britânica Irlanda do Norte. Nesse sentido, a construção de um posto de fronteira seria contrário a um dos pontos-chave do acordo de paz da Sexta-feira Santa, que pôs fim, em 1998 ao histórico conflito  entre católicos, republicanos e nacionalistas, e os unionistas protestantes.
                Ontem, o maior partido nacionalista da Irlanda do Norte, o Sinn Fein, pediu ao governo da Irlanda que "se prepare para um processo de unificação da região britânica com a Irlanda", membro da UE, dizendo  que o Brexit de Boris Johnson é uma ameaça". Nesse sentido, a líder do Sinn Fein, Mary Lou McDonald, disse a seus partidários em Belfast: "Johnson não é meu primeiro-ministro".
                   Na semana passada, Johnson havia afirmado que pretendia  modificar os termos do acordo  negociado pela ex-primeiro ministro com Bruxelas. Líderes da UE já disseram  não estar dispostos a renegociar o acordo. Nesse contexto, Johnson declarou que não pretendia conversar  com líderes da UE enquanto eles não aceitarem abandonar o mecanismo chamado de "backstop", uma "rede de segurança", que consiste em manter uma "união aduaneira" entre a UE e a Irlanda.
                     Nesse sentido, antes de deixar a Escócia , Johnson disse: "Todos sabem  onde estamos: não podemos aceitar o backstop, o atual acordo foi rejeitado três vezes no Parlamento e está morto. Mas há ampla possibilidade para fazer  um novo acordo e melhor". "Não estamos apontando para um Brexit sem acordo. O que queremos é conseguir  um acordo."
                        A crise econômico-financeira seria consequência da péssima reação do mercado às novas declarações do novel premier britânico. Nesse contexto, segundo analistas, o risco de um Brexit sem acordo é cada vez mais real, e a consequente possibilidade de um colapso econômico também.
                           Neil Wilson, analista-chefe de mercado da Markets.com, disse ao Financial Times que a libra estava enfrentando "pressão implacável de venda". Para ele, "as razões por trás da queda são conhecidas, a perspectiva de uma saída não negociada da UE, e o novo governo tem deixado essa possibilidade cada vez mais perto de se tornar uma realidade."
                              Economistas alertaram que o declínio no valor da libra poderia elevar o custo de vida  dos consumidores britânicos. Quando a libra cai, a inflação começa a subir à medida que os bens importados se tornam mais caros. Quando a libra esterlina caiu logo após  o plebiscito da UE em 2016, a inflação subiu para os níveis mais altos em cinco anos, pondo pressão sobre os orçamentos domésticos e prejudicando o comércio, uma vez que  os gastos de varejo desaceleraram.
                               Victoria Clarke, economista do City Investec, disse ao Guardian: "Se olharmos  para a queda acentuada da Libra após o plebiscito sobre o Brexit, houve algumas consequências bastante consideráveis para a inflação. Foi material e apertou significativamente o caixa das famílias. Se a libra ficar nesses níveis por alguns meses, começaremos  a ver uma inflação crescente. Se houver um Brexit sem acordo, isso é uma quase certeza."
                                  O Banco da Inglaterra tem uma meta de inflação de 2% estabeleci-da pelo governo e, em circunstâncias normais, aumentaria as taxas de juros para manter a inflação sobre controle. Mas diante de uma desaceleração econômica global e de nenhum risco do Brexit em casa, o banco tem espaço limitado para eventuais manobras.   

( Fonte: O Estado de S. Paulo )