sábado, 16 de dezembro de 2017

Últimas do Acosso Sexual nos EUA

                      

          Obituário físico.  O deputado republicano e pastor, do Estado Kentucky, Dan Johnson, suspeito de assédio a jovem de 17 anos, se matou com um tiro de pistola na cabeça, na noite desta 4ª feira, treze de dezembro.

            Obituário político.  Nos últimos dias, três políticos do  alto escalão americano, renunciaram em razão de escândalos sexuais. O Senador Al Franken e o Deputado John Conyers, do Partido Democrata, e o Deputado Trent  Franks, republicano, anunciaram a retirada da política, após denúncias de assédio.


             Tempestade política. Na segunda-feira, mais de 50 deputadas pediram ao Congresso que abra uma investigação sobre as denúncias de assédio sexual contra o Presidente Donald Trump.  


(Fonte: O Estado de S. Paulo)

Os Escândalos Sexuais nos EUA

                              

         Os furacões que assolam os Estados Unidos podem ter uma contraparte sociológica.  Em tempos contemporâneos,  os EUA já  sofreram verdadeiros vendavais ou políticos ou sociológicos, que fizeram muitos estragos na sociedade americana nos tempos que marcaram o auge desses fenômenos sócio-políticos que tanto sofrimento causaram ao Povo americano.
        Os anos cinquenta, por exemplo, se marcaram por uma fobia anticomunista e anti-esquerdista, que foi o período do auge do fenômeno macarthista, caracterizado pela fobia contra tudo o que pudesse ser confundido com o comunismo, então procedente de sua meca moscovita.
        Não pretendo aqui historiar essa triste fase da história americana,  em que famílias ou personalidades eram singularizadas como 'comunistas' ou mesmo filo-russas, com a consequente perda do respectivo emprego ou mesmo posições oficiais. É o fenômeno do macarthismo, que partiu de um demagogo político (Joseph McCarthy), que exerceu muito poder - o chamado poder do medo - nos Estados Unidos, no fim da presidência de Harry Truman, e durante o mandato de Dwight Eisenhower. Houve vários suicídios, pessoas que perderam a posição e/ou emprego.  Vários artistas e roteiristas do cinema tiveram a vida profissional destruída ou inviabilizada, muitas vezes sem culpa formada ou então por cruel deformação das respectivas idéias, que acabavam com reputações e até vidas por muitas acusações mentirosas do famigerado demagogo McCarthy, então senador, e de sua coorte de leguleios, espiões e aproveitadores.
          São fenômenos estranhos, que se proclamam ultrapatrióticos, mas que na verdade não passam de deformações e de cínico aproveitamento de histerias políticas de uma época determinada.
          Parece que, com respeitável diferença de décadas, a sociedade americana venha a enfrentar outro vendaval, que é o do chamado acosso sexual. Ninguém é contra  que os maníacos sexuais sejam devidamente expostos e submetidos às medidas policiais cabíveis. O problema estaria talvez na provocada onda de acusações, por vezes direcionadas a políticos e pessoas atuantes nas esferas sócio-artísticas.
            Esse movimento social - que muitos atribuem às revelações da atriz Angelina Jolie - é um fenômeno in fieri. Não há negar a seriedade de muitas de suas acusações, tantas vezes decorrentes de pulsões inconfessáveis de pessoas - em geral homens - que se aproveitavam da fraqueza, alegada ou não, do sexo que para muitos ainda é tido como fraco, mas que muitas vezes demonstra grande coragem diante de desafios a que as suas contrapartes podem muita vez evidenciar que a sua alegada força nem sempre é corroborada pelos fatos e circunstâncias.
            De toda forma, essa reação pode revestir atitudes contraditórias, em que o rictus do maccarthismo não pode de todo ser jogado ao chão, como eventual modus  em que possa haver fatores médicos em jogo. O que é decerto importante é que a veracidade não seja um fator que esteja condicionado ao aparente imprevisível e insondável da alma humana.        A verdade é demasiado importante para que surja como um verdadeiro idolo Moloch, pronto a triturar e a queimar quem por má-sorte, ou recôndito sentimento, ou até por debique, mergulhe em águas em aparência sedosas, mas ao cabo turvas e quem-sabe traiçoeiras.
            O problema nesses fenômenos da sociedade americana - e, por certo de outras sociedades - não está apenas em penalizar os elementos nocivos como a própria polícia trata de individuar, indiciar e punir na medida do cabível das respectivas transgressões.
            O problema está e muito na histeria social e nas ondas punitivas de supostos transgressores, que muita vez são penalizados e condenados por antecipação. Essas alegadas catarses coletivas - seja de ordem sexual ou de punições a supostos desvios de comportamento - devem ser encaradas e tratadas com toda a necessária prudência, para que se evitem os exageros, a caça às feiticeiras, as injustiças e as deformações propositais - que estão no fértil campo do denuncismo,  das aleivosias, difamações e calúnias - que muitos sequer acreditam possam existir, habituados que estão à boa fortuna (reservada aos afortunados e ao povo de boa vontade).  O problema é que muitas dessas alcunhas, definições, eventuais suspicácias, e por aí afora estão em planos que em geral escapam ao comum dos mortais.
              Confiar na autoridade é uma norma sábia, mas nem sempre essas autoridades são confiáveis, como a história, essa indefectível e por vezes subversiva autoridade, pode chegar até a insinuar aos leitores de seus alfarrábios.  Por isso, prudência e profuso caldo de galinha será sempre aconselhável a nós, por vezes estupefactos viajantes da estratonave brasílica.
                É o que para mim semelha oportuno e talvez conveniente dizer nessa hora para muitos relevante de nossa Pindorama.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )


Real Madri x Grêmio


            Infelizmente, não foi possível.  A final do Mundial de Clubes parece que tirou muito da disposição e sobretudo da imaginação e da agressividade dos atacantes do Grêmio.

             Teve-se a impressão de que o Real Madri, com todos os seus craques, de uma certa forma intimidou a equipe do Grêmio.

              Depois de um primeiro tempo sem maior imaginação,  no segundo acabou saindo o gol do Cristiano Ronaldo.  Era uma falta perigosa,  mas a meu ver o goleiro Grohe se colocou mal.  Por isso, com habilidade,  o atacante do Real Madri desviou a bola para o espaço junto à trave, que o goleiro do Grêmio que estaria melhor protegido.  Esqueceu-se de que Cristiano Ronaldo é exímio batedor de faltas, e me pareceu um erro deixar a baliza à direita do goleiro mais desprotegida.  E por ali saíu o gol do campeonato...
       
              Por outro lado, os espectadores ficaram com a impressão de que os jogadores do Grêmio foram um tanto intimidados com o time do Real. Faltou, outrossim, a Luan a verve e a inventiva que marcou a sua presença nesse longo torneio dos campeões.

              Era decerto um embate desigual, em termos da qualidade dos jogadores.
           
               Mas é preciso dizer que o Grêmio lutou bravamente,  contra essa verdadeira seleção mundial que é o team do Real Madrid.

               Por outro lado, se não era a tarde do Grêmio, tampouco o foi de  seu técnico Renato.  Faltou inventiva e  um banco que assegurasse maior presença do Campeão da Libertadores.

Alabama ensina o caminho ?

                             

       Steve Phillips no seu artigo para o Times de hoje aponta para uma ulterior importância da votação em Alabama como o caminho das pedras para os democratas.
        Relembra, de início, o que significou para a vitória de Barack Obama a coalizão entre afro-americanos e brancos progressistas.

         Se para o triunfo de Doug Jones para o Senado muito contribuíu o voto negro - 56 % de acordo com as pesquisas na saída -  é difícil, no entanto, pensar na 'fórmula' sugerida por Phillips como um modelo nacional para o Partido Democrata.

         Talvez a extensão da coalizão provável com o voto das minorias - os chamados latinos, além dos afro-americanos e os brancos progressistas, mas daí a erigir o modelo Alabama como a solução mágica para o resto dos Estados Unidos seria projetar uma conformação própria de um Estado ou de um grupo de estados para toda a União americana, o que não me parece corresponda à realidade estadunidense.



( Fonte:  The New York Times )

A Odebrecht na América Latina

                          
          Outro presidente latino-americano envolvido em escândalo da empresa Odebrecht. Desta vez é o Congresso peruano que inicia processo  para a destituição do Presidente Pedro Paulo Kuczynski.
           Uma CPI determinou que  ele ocultara o recebimento de US$ 782 mil da nossa conhecida Odebrecht, por meio de firma de consultoria, quando Kuczynski era ministro de Alejandro Toledo.
           O próximo passo é que 52 parlamentares apóiem o pedido, o que deve ocorrer na próxima quinta-feira.
            Tendo direito à defesa, como é óbvio, Kuczynski só será derrubado se a oposição reunir 87 votos para depô-lo. Os fujimoristas têm 71 deputa-dos e carecem  de mais dezesseis para derrubar o Presidente.
             Sem embargo, partidos menores - mesmo na extrema esquerda - deram sinais de que apoiarão a moção.  
             Além dos 'esqueletos' de magnas obras interrompidas na Venezuela,  a presença maldita da Odebrecht  - tão envolvida na corrupção dos governos do PT - vai mostrando também a sinistra marca de suas operações de contabilidade "estruturada" por grande parte da América Latina ,do México à Argentina e Chile.
              São ao todo onze países, incluído o Brasil.



( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Condenados sobrinhos de Maduro

                     

       Efrain e Franqui Flores, sobrinhos da primeira dama da Venezuela, Cilia Flores e do presidente Maduro, foram ontem condenados a dezoito anos de prisão, por tribunal de Manhattan. Motivo: tráfico de drogas.
       Franqui, de 31 anos, e Efrain, de trinta, foram presos no Haiti,  em novembro de 2015 ao tentarem entrar nos Estados Unidos com oitocentos kg de cocaína.
        Em 2016, Maduro questionou a prisão: "O imperialismo criou um caso que tem como único objetivo atacar a mulher do presidente. Vocês acreditam que seja coincidência? "


( Fonte: O Estado de S. Paulo )    

Como lidar com um ditador?

               

       Pode-se analisar o fenômeno Nicolás Maduro de várias formas. Tenho para mim que está sendo subestimado pela mídia e até mesmo pela classe política venezuelana.
       Comecemos por esta última.  A princípio, com a chancela do moribundo Hugo Chávez, ele logrou superar elementos mais antigos dentro do chavismo, como Diosdado Cabello,  e conseguiu vencer  nas urnas (com óbvia ajuda da extra-legalidade)  a seu adversário Henrique Capriles.
        Afastado Capriles - que mais tarde seria tambem alijado da possibilidade de postular a presidência por motivos casuístas que têm a ver sobretudo com a capacidade desse líder democrático de arregimentar votos - a oposição encontrou em Leopoldo López alguém que julgou com mais força que a liderança anterior.  López terá pensado que o poder de Maduro poderia ser contestado através de passeatas e manifestações mais incisivas,
          Uma sua passeata de protesto terá tido sucesso maior do que movimentos anteriores, e por isso o sistema determinou-lhe a prisão que até hoje continua, embora atualmente sob forma domiciliar. Cumpre notar que o fenômeno Leopoldo López tem ingredientes que assustam o estamento chavista.  Dentre esses traços constitutivos, ressaltam a coragem pessoal, o appeal a uma liderança que recorda os membros mais radicais (os chamados autênticos) da resistência brasileira ao domínio militar.  Leopoldo tem na sua esposa, Lilian Tintori, alguém que lembra na firmeza de atitudes as matronas de Roma, no período republicano.  
           Outros líderes - ainda que de menor estatura - preferiram o caminho do exílio. Dentre esses, está Antonio Ledezma, que tinha responsabilidades na própria grande Caracas, e que fugiu - com rocambolescos detalhes para a Colômbia.
          Está amplamente demonstrado que a atual Venezuela é regime ditatorial, de que só o Dr. Pangloss[1] teria a inépcia de proclamar uma democracia.
            Nos últimos tempos, o regime neo-chavista de Nicolás Maduro fez várias opções importantes. Além de haver logrado cooptar o exército venezuelano, cujos principais oficiais lhe constituem espécie de guarda pretoriana - e gozam de vantagens inacessíveis aos políticos da oposição e da população em geral. Nesse contexto, houve a seis de agosto de 2017  tentativa de pronunciamiento em base interiorana, que foi rapidamente sufocada pela facção legalista do exército. Nessa brigada 41 (perto de Valencia) a rebelião terminou com um morto e um ferido grave.
                                                                                    
    ( a  continuar )    



[1] O dr Pangloss é um personagem do livro Candide, de Voltaire, escritor e filósofo francês do sec. XVIII.  Pangloss se caracteriza pelo grande, inabalável otimismo.