quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Adeus Dunga - II
O Sr. Ricardo Teixeira deu a Dunga todas as possíveis oportunidades. Poder-se-ía pensar que depois do fiasco das Olimpíadas já tivesse mostrado a necessária resolução, encerrando procrastinações quanto à permanência de Dunga, indicando para a seleção o novo técnico, cuja vinda é reclamada por público e colunistas. A torcida voltou a cantar o Adeus Dunga, agora no Maracanã, como entoara no Engenhão, também ao ensejo de um decepcionante 0 x 0, o primeiro contra a Bolívia, e o segundo contra a Colômbia. O sr. Dunga não tem condições de montar um esquema de jogo que logre superar um ‘ferrolho’ ou uma marcação mais atenta sobre os principais jogadores do scratch ( na partida de ontem Kaká e Robinho). Temos perdido uma série de oportunidades relativamente fáceis de marcar pontos integrais em partidas caseiras, deficiências essas que podem ser sentidas no futuro, em jogos na casa do adversário. Por outro lado, o team brasileiro precisa ter um esquema tático e uma formação fundada nos melhores jogadores. Ainda que o futebol brasileiro não mais se assinale pelos craques do passado, há bons jogadores que podem formar uma equipe respeitável. O problema é que carecemos de um técnico, sr. Ricardo Teixeira ! E quanto mais cedo, melhor. Basta de indecisão e de adiamentos sem razão. Infelizmente, Dunga não serve.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Dos Jornais XXII Segundo Turno. Campanha para Prefeito
O GLOBO e FOLHA DE S. PAULO – 13.X.2008
Segundo Turno. Eleições para Prefeito.
Rio de Janeiro. A campanha eleitoral para Prefeito (Fernando Gabeira, pela última pesquisa da Datafolha, tem 43% e Eduardo Paes, 41%) entra em fase mais agressiva, em que são questionados os títulos respectivos para merecer o sufrágio dos cariocas. Assinale-se que o formato dessa campanha, por iniciativa do PMDB e de seu candidato, segue uma linha truculenta, marcada pelo negativismo. Com efeito, Eduardo Paes vem orientando a campanha – com o total apoio da estrutura do Governo do Estado – menos pela discussão de problemas a serem resolvidos, e mais na base de factóides, com orientação marcadamente negativa. Assim, tem sido repisado através de panfletos “assinados” por organizações fantasma a frase de Gabeira (retirada de seu contexto e irrelevante na sua inoportunidade) acerca da vereadora Lucinha como “suburbana”; sob a óbvia coordenação da organização política diretamente interessada foi montada em Campo Grande (com camisetas alusivas e tudo) “ato de desagravo” ao subúrbio e contrário ao candidato Gabeira. Por outro lado, a Suderj, que administra o Maracanã para o Estado, utilizou para fins políticos o telão do estádio, durante o jogo Flamengo x Atlético Mineiro, com mensagens de orgulho suburbano e pró-candidato do PMDB. Nenhuma das mensagens pró-Gabeira foi aceita pela Suderj... Surpreende no caso a ousadia e a arrogância de afrontar a legalidade e de valer-se do escancarado apoio de máquina estatal. Assinale-se a impotência do T.R.E., ao ser questionado por Gabeira pela distribuição de panfletos apócrifos de parte das partidários de Paes. A esse respeito, o chefe da fiscalização do TRE, Luis Fernando Santa Brígida, admitiu a falta de condições de impedir a distribuição dos panfletos e disse que seria preciso uma estrutura como a da Polícia Militar para coibir as irregularidades. “A gente fica num jogo de gato e rato”, disse Santa Brígida.
O apelo a esse tipo de recurso evidencia um certo nervosismo das hostes do PMDB, quanto às perspectivas de seu representante, Eduardo Paes. Não mais a alegada campanha propositiva e acima da refrega, que terá caracterizado o candidato do governador Sérgio Cabral no primeiro turno. No Debate promovido pela Bandeirantes, Paes verberou o apoio recebido por Gabeira de Cesar Maia. Após lembrar o fato de Paes ter participado das primeiras gestões de Cesar, do qual foi subprefeito e secretário municipal, Gabeira acrescentou: “Sabe quantas vezes vi Cesar Maia na vida? Umas cinco. Você é cria dele, trabalhou toda a vida com ele, e me acusa de ter o apoio de Cesar Maia. Isso é de um cinismo tão grande que você deveria ter um pouco de escrúpulo.” Por desnecessário (V. a propósito a coluna de hoje de Ricardo Noblat) o comportamento de Eduardo Paes para obter uma foto e um vídeo de apoio de Lula, para tanto submetendo-se a várias humilhações, não carece, com os seus embaraçosos pormenores, de maiores explicitações.
Seria de augurar-se que na propaganda eleitoral oficial os candidatos dessem aos eleitores a oportunidade de aquilatarem as respectivas propostas para refazer o Rio de Janeiro. Gabeira, pelo caráter ético e corajoso de suas proposições decerto não se furtará em contribuir para a elevação de nivel do debate. No entanto, se a tônica de Paes e seus auxiliares continuar a pautar-se pela orientação seguida até o presente, mesmo com a consciência de que campanhas desse jaez encerram dentro delas o gérmen corrosivo da autodestruição, não poderá o candidato Gabeira do PV evitar de colocar os pontos nos ii – e para tal, como já se terá dado conta Paes, dispõe de experiência de vida política que o torna também um respeitável adversário.
São Paulo. A candidata do PT, Marta Suplicy – que protestara no passado com a exploração de sua vida pessoal, ao separar-se de Eduardo Suplicy para casar-se com Luís Favre – agora julga oportuno inserir no horário eleitoral insinuações a respeito da vida privada de seu adversário Gilberto Kassab (DEM). Na Tevê, a insinuação se dá em comerciais, em que um locutor faz várias perguntas: “Você sabe mesmo quem é o Kassab ?” Ao final, a propaganda indaga: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?” Não obstante o caráter dúbio das ‘perguntas’, hoje uma Marta em dificuldades eleitorais as fundamenta a pretexto de que “são direitos de informação que todo mundo tem que ter.”
De certo modo, a candidata do PT – que de repente se descobriu em desvantagem de 17 pontos, sem alianças políticas, nem outros contingentes eleitorais a agregar – segue uma linha que não difere essencialmente daquela do candidato Eduardo Paes, no Rio de Janeiro. Emprestando à própria campanha, ao encetar o debate do segundo turno, um enfoque que enjeitara no passado – daí a pergunta da Folha ‘se tal propaganda não era contraditória com a sua biografia’ – ela demonstra um nervosismo similar – e talvez maior – do que o do candidato do PMDB no Rio. Com efeito, o retrospecto lhe é contrário – nenhum candidato com tal desvantagem conseguiu revertê-la em próprio proveito – o atraso é substancial, e os apoios escasseiam. O que não há de faltar será o trabalho que dará aos advogados, para explicar no TRE a alegada pertinência desses questionamentos. Será que a atmosfera de derrota, a míngua de apoios, inclusive aqueles mais altos, que ora enfrentam problemas de agenda, tudo isso motiva a súbita mudança de postura e de nível, que de cambulhada manda à breca a dita biografia mencionada pela pauta do jornalista?
Mais respostas para tais questões na divulgação da próxima pesquisa da Datafolha...
Segundo Turno. Eleições para Prefeito.
Rio de Janeiro. A campanha eleitoral para Prefeito (Fernando Gabeira, pela última pesquisa da Datafolha, tem 43% e Eduardo Paes, 41%) entra em fase mais agressiva, em que são questionados os títulos respectivos para merecer o sufrágio dos cariocas. Assinale-se que o formato dessa campanha, por iniciativa do PMDB e de seu candidato, segue uma linha truculenta, marcada pelo negativismo. Com efeito, Eduardo Paes vem orientando a campanha – com o total apoio da estrutura do Governo do Estado – menos pela discussão de problemas a serem resolvidos, e mais na base de factóides, com orientação marcadamente negativa. Assim, tem sido repisado através de panfletos “assinados” por organizações fantasma a frase de Gabeira (retirada de seu contexto e irrelevante na sua inoportunidade) acerca da vereadora Lucinha como “suburbana”; sob a óbvia coordenação da organização política diretamente interessada foi montada em Campo Grande (com camisetas alusivas e tudo) “ato de desagravo” ao subúrbio e contrário ao candidato Gabeira. Por outro lado, a Suderj, que administra o Maracanã para o Estado, utilizou para fins políticos o telão do estádio, durante o jogo Flamengo x Atlético Mineiro, com mensagens de orgulho suburbano e pró-candidato do PMDB. Nenhuma das mensagens pró-Gabeira foi aceita pela Suderj... Surpreende no caso a ousadia e a arrogância de afrontar a legalidade e de valer-se do escancarado apoio de máquina estatal. Assinale-se a impotência do T.R.E., ao ser questionado por Gabeira pela distribuição de panfletos apócrifos de parte das partidários de Paes. A esse respeito, o chefe da fiscalização do TRE, Luis Fernando Santa Brígida, admitiu a falta de condições de impedir a distribuição dos panfletos e disse que seria preciso uma estrutura como a da Polícia Militar para coibir as irregularidades. “A gente fica num jogo de gato e rato”, disse Santa Brígida.
O apelo a esse tipo de recurso evidencia um certo nervosismo das hostes do PMDB, quanto às perspectivas de seu representante, Eduardo Paes. Não mais a alegada campanha propositiva e acima da refrega, que terá caracterizado o candidato do governador Sérgio Cabral no primeiro turno. No Debate promovido pela Bandeirantes, Paes verberou o apoio recebido por Gabeira de Cesar Maia. Após lembrar o fato de Paes ter participado das primeiras gestões de Cesar, do qual foi subprefeito e secretário municipal, Gabeira acrescentou: “Sabe quantas vezes vi Cesar Maia na vida? Umas cinco. Você é cria dele, trabalhou toda a vida com ele, e me acusa de ter o apoio de Cesar Maia. Isso é de um cinismo tão grande que você deveria ter um pouco de escrúpulo.” Por desnecessário (V. a propósito a coluna de hoje de Ricardo Noblat) o comportamento de Eduardo Paes para obter uma foto e um vídeo de apoio de Lula, para tanto submetendo-se a várias humilhações, não carece, com os seus embaraçosos pormenores, de maiores explicitações.
Seria de augurar-se que na propaganda eleitoral oficial os candidatos dessem aos eleitores a oportunidade de aquilatarem as respectivas propostas para refazer o Rio de Janeiro. Gabeira, pelo caráter ético e corajoso de suas proposições decerto não se furtará em contribuir para a elevação de nivel do debate. No entanto, se a tônica de Paes e seus auxiliares continuar a pautar-se pela orientação seguida até o presente, mesmo com a consciência de que campanhas desse jaez encerram dentro delas o gérmen corrosivo da autodestruição, não poderá o candidato Gabeira do PV evitar de colocar os pontos nos ii – e para tal, como já se terá dado conta Paes, dispõe de experiência de vida política que o torna também um respeitável adversário.
São Paulo. A candidata do PT, Marta Suplicy – que protestara no passado com a exploração de sua vida pessoal, ao separar-se de Eduardo Suplicy para casar-se com Luís Favre – agora julga oportuno inserir no horário eleitoral insinuações a respeito da vida privada de seu adversário Gilberto Kassab (DEM). Na Tevê, a insinuação se dá em comerciais, em que um locutor faz várias perguntas: “Você sabe mesmo quem é o Kassab ?” Ao final, a propaganda indaga: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?” Não obstante o caráter dúbio das ‘perguntas’, hoje uma Marta em dificuldades eleitorais as fundamenta a pretexto de que “são direitos de informação que todo mundo tem que ter.”
De certo modo, a candidata do PT – que de repente se descobriu em desvantagem de 17 pontos, sem alianças políticas, nem outros contingentes eleitorais a agregar – segue uma linha que não difere essencialmente daquela do candidato Eduardo Paes, no Rio de Janeiro. Emprestando à própria campanha, ao encetar o debate do segundo turno, um enfoque que enjeitara no passado – daí a pergunta da Folha ‘se tal propaganda não era contraditória com a sua biografia’ – ela demonstra um nervosismo similar – e talvez maior – do que o do candidato do PMDB no Rio. Com efeito, o retrospecto lhe é contrário – nenhum candidato com tal desvantagem conseguiu revertê-la em próprio proveito – o atraso é substancial, e os apoios escasseiam. O que não há de faltar será o trabalho que dará aos advogados, para explicar no TRE a alegada pertinência desses questionamentos. Será que a atmosfera de derrota, a míngua de apoios, inclusive aqueles mais altos, que ora enfrentam problemas de agenda, tudo isso motiva a súbita mudança de postura e de nível, que de cambulhada manda à breca a dita biografia mencionada pela pauta do jornalista?
Mais respostas para tais questões na divulgação da próxima pesquisa da Datafolha...
sábado, 11 de outubro de 2008
Prêmio Nobel de Literatura - a Omissão do Brasil
O Prêmio Nobel de Literatura – A continuada Omissão do Brasil
Jean-Marie Gustave le Clézio é o 14º.francês a ser agraciado com o Nobel de Literatura. Em meio à polêmica aberta pelo Secretário e porta-voz da Academia Sueca, Horace Engdahl, com declarações bastante discutíveis sobre a atual literatura estadunidense (que se acharia muito isolada, não haveria suficientes traduções e nem participariam do diálogo de literaturas, constituindo assim, uma ignorância que os limita), a escolha de Le Clézio - que é pouco conhecido no Brasil (apenas três livros aqui editados) - semelha recair em um grande nome. Os livros de Le Clézio trazem aquele traço característico gaulês que é o interesse pelo estrangeiro e pelo agreste, como se vê nos temas versados (desertos, contrastes culturais). Entretanto, o propósito deste artigo não se reporta à seleção de Le Clézio, mas ao invés deseja discutir a exclusão do Brasil do prêmio Nobel em geral e daquele de literatura em particular.
A leitura dos prêmios Nobel de literatura, a princípio, nos indica ser um elenco dispar, em que ilustres desconhecidos e escritores datados aparecem junto de grandes nomes como Sartre (que rejeitou o prêmio), Camus, Thomas Mann, Gunther Grass (apesar de seu ‘esquecimento’ de juventude), Gabriel Garcia Marquez e outros mais.
Qual a razão da omissão de escritores brasileiros, levada em conta a circunstância de que a América Latina está representada, senão pletoricamente, pelo menos conta com os nomes da chilena Gabriela Mistral (1945), do guatemalteco Miguel Angel Asturias (1967), do chileno Pablo Neruda (1971), do colombiano Gabriel Garcia Marquez (1982) e do mexicano Octavio Paz (1990) ?
Com efeito, se o Prêmio Nobel, iniciado em 1901 com Sully Prudhomme, jamais incluíu um brasileiro, cabe perguntar se tal omissão é uma deliberada indicação de juízo negativo da qualidade de nossos escritores (e poetas), ou se é produto de outros fatores. Em verdade, o Prêmio Nobel, que deixou de distinguir escritores notáveis –de que, talvez,a maior omissão seja Marcel Proust - apresenta em sua lista uma série de sombras (sem memória, como as do Hades), e outros nomes digamos intermediários, que não tem o peso literário daqueles preteridos.
Na crônica do Nobel, comentou-se no passado que a não-premiação de Jorge Amado resultara de singular implicância de membro influente da comissão sueca. Decerto, à qualidade dos livros de Amado na sua primeira fase não correspondeu na produção ulterior idêntico nível literário. Não obstante, pelo conjunto de obra, e pela sua difusão mundial, Jorge Amado não terá preenchido os mesmos requisitos ou quiçá mais, do que, v.g., Anatole France (1921) e Miguel Angel Asturias (1967) ? E o que dizer da omissão do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, diante das premiações de poetas de língua hispânica como Gabriela Mistral e Pablo Neruda ?
Este esquecimento do Brasil como presença literária – não entrarei aqui nas também gritantes omissões de Cesar Lattes e Dom Hélder Câmara, em outros campos do Nobel – semelha acaso corresponder a um juízo preconceituoso de nossa terra como sem personalidade (o recentemente falecido escritor palestino Edward Said nos considerou um país nondescript ) ? Ou será a conseqüência de uma relativa ausência de nossos escritores na literatura mundial, o que aparentemente não se sustenta pela atenção além fronteiras dispensada a grandes nomes como Machado de Assis, Manuel Bandeira, João Guimarães Rosa e o próprio Carlos Drummond.
Forçoso será reconhecer que à proficiência tristemente demonstrada pelo regime militar para barrar a candidatura de D. Helder Câmara ao Prêmio Nobel da Paz não houve antes ou depois equipolente disposição no sentido de divulgar nomes pátrios junto às ditas instâncias competentes.
Por outro lado, a própria lista do Nobel já representa um melancólico reflexo da postura neo-colonialista e européia do órgão decisório, privilegiando obscuros escritores escandinavos, e muitos e muitos europeus. Em tempos recentes, a comissão tem demonstrado, através de módica distribuição a nomes de países ditos exóticos, uma certa preocupação com vistas a resguardar-se de críticas contra o seu viés pró-Velho Continente.
Como última questão, dada a presente falta de expoentes em nossa literatura, as perspectivas de premiação não se afiguram das mais brilhantes, embora, como consolo, parece oportuno assinalar que a comissão já premiou muitas mediocridades na sua secular história. Por que então não se poderia especular de que venha a Europa curvar-se perante o Brasil mesmo que o seja por autor de grandeza não comparável àqueles que nas palavras de Carlos de Laet entre outras distinções já tiveram a da Morte ?
Jean-Marie Gustave le Clézio é o 14º.francês a ser agraciado com o Nobel de Literatura. Em meio à polêmica aberta pelo Secretário e porta-voz da Academia Sueca, Horace Engdahl, com declarações bastante discutíveis sobre a atual literatura estadunidense (que se acharia muito isolada, não haveria suficientes traduções e nem participariam do diálogo de literaturas, constituindo assim, uma ignorância que os limita), a escolha de Le Clézio - que é pouco conhecido no Brasil (apenas três livros aqui editados) - semelha recair em um grande nome. Os livros de Le Clézio trazem aquele traço característico gaulês que é o interesse pelo estrangeiro e pelo agreste, como se vê nos temas versados (desertos, contrastes culturais). Entretanto, o propósito deste artigo não se reporta à seleção de Le Clézio, mas ao invés deseja discutir a exclusão do Brasil do prêmio Nobel em geral e daquele de literatura em particular.
A leitura dos prêmios Nobel de literatura, a princípio, nos indica ser um elenco dispar, em que ilustres desconhecidos e escritores datados aparecem junto de grandes nomes como Sartre (que rejeitou o prêmio), Camus, Thomas Mann, Gunther Grass (apesar de seu ‘esquecimento’ de juventude), Gabriel Garcia Marquez e outros mais.
Qual a razão da omissão de escritores brasileiros, levada em conta a circunstância de que a América Latina está representada, senão pletoricamente, pelo menos conta com os nomes da chilena Gabriela Mistral (1945), do guatemalteco Miguel Angel Asturias (1967), do chileno Pablo Neruda (1971), do colombiano Gabriel Garcia Marquez (1982) e do mexicano Octavio Paz (1990) ?
Com efeito, se o Prêmio Nobel, iniciado em 1901 com Sully Prudhomme, jamais incluíu um brasileiro, cabe perguntar se tal omissão é uma deliberada indicação de juízo negativo da qualidade de nossos escritores (e poetas), ou se é produto de outros fatores. Em verdade, o Prêmio Nobel, que deixou de distinguir escritores notáveis –de que, talvez,a maior omissão seja Marcel Proust - apresenta em sua lista uma série de sombras (sem memória, como as do Hades), e outros nomes digamos intermediários, que não tem o peso literário daqueles preteridos.
Na crônica do Nobel, comentou-se no passado que a não-premiação de Jorge Amado resultara de singular implicância de membro influente da comissão sueca. Decerto, à qualidade dos livros de Amado na sua primeira fase não correspondeu na produção ulterior idêntico nível literário. Não obstante, pelo conjunto de obra, e pela sua difusão mundial, Jorge Amado não terá preenchido os mesmos requisitos ou quiçá mais, do que, v.g., Anatole France (1921) e Miguel Angel Asturias (1967) ? E o que dizer da omissão do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, diante das premiações de poetas de língua hispânica como Gabriela Mistral e Pablo Neruda ?
Este esquecimento do Brasil como presença literária – não entrarei aqui nas também gritantes omissões de Cesar Lattes e Dom Hélder Câmara, em outros campos do Nobel – semelha acaso corresponder a um juízo preconceituoso de nossa terra como sem personalidade (o recentemente falecido escritor palestino Edward Said nos considerou um país nondescript ) ? Ou será a conseqüência de uma relativa ausência de nossos escritores na literatura mundial, o que aparentemente não se sustenta pela atenção além fronteiras dispensada a grandes nomes como Machado de Assis, Manuel Bandeira, João Guimarães Rosa e o próprio Carlos Drummond.
Forçoso será reconhecer que à proficiência tristemente demonstrada pelo regime militar para barrar a candidatura de D. Helder Câmara ao Prêmio Nobel da Paz não houve antes ou depois equipolente disposição no sentido de divulgar nomes pátrios junto às ditas instâncias competentes.
Por outro lado, a própria lista do Nobel já representa um melancólico reflexo da postura neo-colonialista e européia do órgão decisório, privilegiando obscuros escritores escandinavos, e muitos e muitos europeus. Em tempos recentes, a comissão tem demonstrado, através de módica distribuição a nomes de países ditos exóticos, uma certa preocupação com vistas a resguardar-se de críticas contra o seu viés pró-Velho Continente.
Como última questão, dada a presente falta de expoentes em nossa literatura, as perspectivas de premiação não se afiguram das mais brilhantes, embora, como consolo, parece oportuno assinalar que a comissão já premiou muitas mediocridades na sua secular história. Por que então não se poderia especular de que venha a Europa curvar-se perante o Brasil mesmo que o seja por autor de grandeza não comparável àqueles que nas palavras de Carlos de Laet entre outras distinções já tiveram a da Morte ?
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Dos Jornais XXI Eleição para Prefeito - Segundo Turno
Eleições para Prefeito - Segundo Turno
O GLOBO e FOLHA DE S. PAULO
Rio de Janeiro. Conforme a Datafolha indicara, os vencedores no primeiro turno foram Eduardo Paes e Fernando Gabeira. E nas primeiras pesquisas para o segundo turno, a Datafolha coloca Gabeira em primeiro lugar (43%) e Paes, em segundo (41%). Conforme se depreende do noticiário de O Globo, há uma grande movimentação dos dois candidatos, e notadamente de Paes, e de seus padrinhos, o governador Sérgio Cabral, e o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani. Depois do infrutifero contacto com o Presidente Lula na Base Aérea – Lula não se deixou fotografar com Paes, nem lhe deu o solicitado apoio – o candidato do PMDB verifica que as suas críticas ao Presidente durante o episódio do mensalão não foram esquecidas por Lula. Por outro lado, Cabral e Picciani tentam obter o apoio de Crivella ao seu candidato.
Não é a única ajuda que tem recebido o candidato Paes. O jornal O GLOBO nas edições de ontem e ante-ontem procurou explorar, com viés negativo, o factóide do banho de Gabeira na piscina do Flamengo. Rendida essa aparição de Gabeira o que poderia render para os moinhos da candidatura de Paes, na edição de hoje, em primeira página, depois de reportar-se ao “fraco desempenho eleitoral” de Gabeira na Zona Oeste, estranhamente transcreve uma suposta conversa “ouvida por repórteres”, em que Gabeira teria criticado “sua principal aliada, a vereadora Lucinha, mais votada no Rio”. Por meio de invasão de privacidade, a par de transcrição fora de seu contexto das alegadas palavras de Gabeira que, de resto pelo seu estilo truculento não se coadunam com a pessoa do candidato do PV, verifica-se que já nos primórdios da disputa eleitoral do segundo turno, órgãos como O Globo – que foi até há pouco um sustentáculo do Prefeito Cesar Maia – não trepidam em recorrer a esse gênero de artilharia pesada, com que se buscaria não só intrigar o candidato Gabeira com a sua principal representante na Zona Oeste, mas também desmerecer dos eleitores daquela área, com o presumível intento de prejudicar o candidato Gabeira:
“Lucinha está com o salto alto. É analfabeta política. Tem visão suburbana e precária.” O candidato Gabeira, mais do que o apoio de partidos, tem orientado a sua campanha no sentido de motivar os eleitores de Jandira Feghali (PCdoB) e de Alessandro Molon (PT). Tem frisado, dentro de sua postura ética, que não pretende trocar apoios políticos por cargos. Saindo na frente, para surpresa de muitos, Gabeira terá inquietado àqueles que terão motivos de alinhar-se na candidatura peemedebista de Eduardo Paes. Pela cidade do Rio de Janeiro, façamos votos para que prevaleça a candidatura de Fernando Gabeira. Diante do atual descalabro do Rio de Janeiro, um grande número de eleitores saberá discernir o que ele significa como proposta de mudança, e de alteração de práticas político-administrativas.
São Paulo. Na Paulicéia, continua a surpreender o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) contra a antes favorita Marta Suplicy (PT). Ao contrário, do que previa a Datafolha, Kassab venceu a Marta por 33,61% a 32,79% dos votos válidos. Na corrida para o segundo turno, Kassab sai na dianteira com 54% das intenções de voto, contra 37% , para Marta. Dependendo da evolução desse segundo turno, em que a maior parte dos eleitores de Geraldo Alckmin declara o seu propósito de apoiar a Kassab (74%) contra 13% (que pretendem sufragar a Marta), cresce a importância do governador José Serra, que politicamente já registra ganhos consideráveis pelo primeiro turno (devido à derrota de seu antagonista no PSDB, Geraldo Alckmin, e à vitória de seu candidato não-declarado, i.e., Gilberto Kassab). O desempenho de Marta Suplicy preocupa a direção do PT que estaria estudando maneiras de preservar o Presidente Lula, na hipótese, cuja possibilidade não é mais teórica, de uma vitória do candidato de José Serra. É de assinalar-se igualmente que não só pela sua desastrada incursão em São Paulo, para dar apoio a Alckmin, mas também pela circunstância de que o seu candidato em Belo Horizonte, ao invés da vitória já no primeiro turno, teve apenas uma diferença de dois pontos para o candidato Quintão do PMDB, a posição nacional de Aécio Neves – e a sua postulação à candidatura à presidência pelo PSDB - não brilhou com as luzes anteriores.
Porto Alegre e Recife. No Sul, vão para o segundo turno, José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosario (PT). As projeções, por ora, dão no segundo turno a vitória de Fogaça. No Recife, o candidato do PT, João da Costa,que tivera a candidatura impugnada em primeira instância judiciária, ganhou folgadamente do representante do DEM, Mendonça Filho. A sua vitória popular, no entanto, depende de validação por sentença do T.R.E.
O GLOBO e FOLHA DE S. PAULO
Rio de Janeiro. Conforme a Datafolha indicara, os vencedores no primeiro turno foram Eduardo Paes e Fernando Gabeira. E nas primeiras pesquisas para o segundo turno, a Datafolha coloca Gabeira em primeiro lugar (43%) e Paes, em segundo (41%). Conforme se depreende do noticiário de O Globo, há uma grande movimentação dos dois candidatos, e notadamente de Paes, e de seus padrinhos, o governador Sérgio Cabral, e o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani. Depois do infrutifero contacto com o Presidente Lula na Base Aérea – Lula não se deixou fotografar com Paes, nem lhe deu o solicitado apoio – o candidato do PMDB verifica que as suas críticas ao Presidente durante o episódio do mensalão não foram esquecidas por Lula. Por outro lado, Cabral e Picciani tentam obter o apoio de Crivella ao seu candidato.
Não é a única ajuda que tem recebido o candidato Paes. O jornal O GLOBO nas edições de ontem e ante-ontem procurou explorar, com viés negativo, o factóide do banho de Gabeira na piscina do Flamengo. Rendida essa aparição de Gabeira o que poderia render para os moinhos da candidatura de Paes, na edição de hoje, em primeira página, depois de reportar-se ao “fraco desempenho eleitoral” de Gabeira na Zona Oeste, estranhamente transcreve uma suposta conversa “ouvida por repórteres”, em que Gabeira teria criticado “sua principal aliada, a vereadora Lucinha, mais votada no Rio”. Por meio de invasão de privacidade, a par de transcrição fora de seu contexto das alegadas palavras de Gabeira que, de resto pelo seu estilo truculento não se coadunam com a pessoa do candidato do PV, verifica-se que já nos primórdios da disputa eleitoral do segundo turno, órgãos como O Globo – que foi até há pouco um sustentáculo do Prefeito Cesar Maia – não trepidam em recorrer a esse gênero de artilharia pesada, com que se buscaria não só intrigar o candidato Gabeira com a sua principal representante na Zona Oeste, mas também desmerecer dos eleitores daquela área, com o presumível intento de prejudicar o candidato Gabeira:
“Lucinha está com o salto alto. É analfabeta política. Tem visão suburbana e precária.” O candidato Gabeira, mais do que o apoio de partidos, tem orientado a sua campanha no sentido de motivar os eleitores de Jandira Feghali (PCdoB) e de Alessandro Molon (PT). Tem frisado, dentro de sua postura ética, que não pretende trocar apoios políticos por cargos. Saindo na frente, para surpresa de muitos, Gabeira terá inquietado àqueles que terão motivos de alinhar-se na candidatura peemedebista de Eduardo Paes. Pela cidade do Rio de Janeiro, façamos votos para que prevaleça a candidatura de Fernando Gabeira. Diante do atual descalabro do Rio de Janeiro, um grande número de eleitores saberá discernir o que ele significa como proposta de mudança, e de alteração de práticas político-administrativas.
São Paulo. Na Paulicéia, continua a surpreender o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) contra a antes favorita Marta Suplicy (PT). Ao contrário, do que previa a Datafolha, Kassab venceu a Marta por 33,61% a 32,79% dos votos válidos. Na corrida para o segundo turno, Kassab sai na dianteira com 54% das intenções de voto, contra 37% , para Marta. Dependendo da evolução desse segundo turno, em que a maior parte dos eleitores de Geraldo Alckmin declara o seu propósito de apoiar a Kassab (74%) contra 13% (que pretendem sufragar a Marta), cresce a importância do governador José Serra, que politicamente já registra ganhos consideráveis pelo primeiro turno (devido à derrota de seu antagonista no PSDB, Geraldo Alckmin, e à vitória de seu candidato não-declarado, i.e., Gilberto Kassab). O desempenho de Marta Suplicy preocupa a direção do PT que estaria estudando maneiras de preservar o Presidente Lula, na hipótese, cuja possibilidade não é mais teórica, de uma vitória do candidato de José Serra. É de assinalar-se igualmente que não só pela sua desastrada incursão em São Paulo, para dar apoio a Alckmin, mas também pela circunstância de que o seu candidato em Belo Horizonte, ao invés da vitória já no primeiro turno, teve apenas uma diferença de dois pontos para o candidato Quintão do PMDB, a posição nacional de Aécio Neves – e a sua postulação à candidatura à presidência pelo PSDB - não brilhou com as luzes anteriores.
Porto Alegre e Recife. No Sul, vão para o segundo turno, José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosario (PT). As projeções, por ora, dão no segundo turno a vitória de Fogaça. No Recife, o candidato do PT, João da Costa,que tivera a candidatura impugnada em primeira instância judiciária, ganhou folgadamente do representante do DEM, Mendonça Filho. A sua vitória popular, no entanto, depende de validação por sentença do T.R.E.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dos Jornais XX - Eleições para Prefeito Primeiro Turno
Eleições para Prefeito - Pesquisas para o Primeiro Turno
Às vésperas do fim da campanha pelas prefeituras, a Datafolha divulga, entre outras, as suas pesquisas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Comentário. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) continua na frente, com 29% das intenções de voto. Em segundo lugar, em empate técnico, estão Marcelo Crivella (PRB), com 19% e Fernando Gabeira (PV-PSDB), com 17%. Assinale-se o crescimento de Gabeira, que acumulou seis pontos positivos nas últimas duas pesquisas, enquanto Crivella cresceu um ponto na derradeira pesquisa. Por último dentre os candidatos com chance de irem para o segundo turno está Jandira Feghali (PCdoB), com 12% (queda de um ponto em relação à penúltima pesquisa). Todos esses dados provêm da Datafolha.
Não está muito esclarecido o papel da pesquisa do IBOPE (divulgada na última sexta-feira), segundo a qual Gabeira teria 10% e Crivella 24%. Neste mesmo dia, levantamento da Datafolha apontava 15% para Gabeira e 18% para Crivella. O IBOPE atribuiu tal diferença a “diferenças metodológicas”, enquanto para o diretor da Datafolha “diferenças metodológicas não explicam diferenças nos resultados”. Nesse sentido, o candidato F. Gabeira acusa o IBOPE de inflar as intenções de voto de Crivella, o candidato com maior rejeição no Rio, para apresentar Paes como um “mocinho”contra o “bicho-papão”. Por outro lado, Gabeira declarou que entrará com ação na Justiça Eleitoral para que as emissoras de TV revelem quais candidatos contratam institutos de pesquisa sempre que for divulgado algum levantamento de intenção de voto.
Em São Paulo, a Datafolha aponta a continuada tendência de queda da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que desceu para 19% das intenções de voto, enquanto Gilberto Kassab (DEM), que é apoiado pelo governador José Serra, chega a 27%, livrando oito pontos sobre Alckmin. Marta Suplicy (PT) continua na frente, com 35%.
A confirmar-se a ascensão de Kassab, com a eliminação de Alckmin do primeiro turno, o governador Serra registra um desenvolvimento político importante. Se as previsões de uma vitória de Kassab contra Marta no segundo turno forem confirmadas, a posição de Serra com vistas à sua candidatura presidencial em 2010 se verão bastante reforçadas.
Em Porto Alegre, sempre segundo a Datafolha, a par do Governador José Fogaça (PMDB), com 35% das intenções de voto, têm chances de irem para o segundo turno tanto Maria do Rosário (PT), com 20% e Manuela (PCdoB) com 18%. É de assinalar-se que a candidata do PT subiu dois pontos nas últimas duas pesquisas, enquanto a representante do PCdoB se manteve estável. As projeções para o segundo turno são de vitória do atual Prefeito, José Fogaça, com ligeira margem superior no embate contra Maria do Rosario.
Finalmente, no Recife, o candidato do PT, João da Costa, mesmo após a cassação de sua candidatura em primeira instância (por iniciativa do DEM), está à frente com 46% dos votos, tendo 24 pontos de diferença sobre o segundo, Mendonça (DEM). Havendo sido ajuizado o seu recurso, João da Costa poderá ser votado em cinco de outubro, e não está excluída a possibilidade de que venha a ser eleito ainda no primeiro turno.
Às vésperas do fim da campanha pelas prefeituras, a Datafolha divulga, entre outras, as suas pesquisas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Comentário. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) continua na frente, com 29% das intenções de voto. Em segundo lugar, em empate técnico, estão Marcelo Crivella (PRB), com 19% e Fernando Gabeira (PV-PSDB), com 17%. Assinale-se o crescimento de Gabeira, que acumulou seis pontos positivos nas últimas duas pesquisas, enquanto Crivella cresceu um ponto na derradeira pesquisa. Por último dentre os candidatos com chance de irem para o segundo turno está Jandira Feghali (PCdoB), com 12% (queda de um ponto em relação à penúltima pesquisa). Todos esses dados provêm da Datafolha.
Não está muito esclarecido o papel da pesquisa do IBOPE (divulgada na última sexta-feira), segundo a qual Gabeira teria 10% e Crivella 24%. Neste mesmo dia, levantamento da Datafolha apontava 15% para Gabeira e 18% para Crivella. O IBOPE atribuiu tal diferença a “diferenças metodológicas”, enquanto para o diretor da Datafolha “diferenças metodológicas não explicam diferenças nos resultados”. Nesse sentido, o candidato F. Gabeira acusa o IBOPE de inflar as intenções de voto de Crivella, o candidato com maior rejeição no Rio, para apresentar Paes como um “mocinho”contra o “bicho-papão”. Por outro lado, Gabeira declarou que entrará com ação na Justiça Eleitoral para que as emissoras de TV revelem quais candidatos contratam institutos de pesquisa sempre que for divulgado algum levantamento de intenção de voto.
Em São Paulo, a Datafolha aponta a continuada tendência de queda da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que desceu para 19% das intenções de voto, enquanto Gilberto Kassab (DEM), que é apoiado pelo governador José Serra, chega a 27%, livrando oito pontos sobre Alckmin. Marta Suplicy (PT) continua na frente, com 35%.
A confirmar-se a ascensão de Kassab, com a eliminação de Alckmin do primeiro turno, o governador Serra registra um desenvolvimento político importante. Se as previsões de uma vitória de Kassab contra Marta no segundo turno forem confirmadas, a posição de Serra com vistas à sua candidatura presidencial em 2010 se verão bastante reforçadas.
Em Porto Alegre, sempre segundo a Datafolha, a par do Governador José Fogaça (PMDB), com 35% das intenções de voto, têm chances de irem para o segundo turno tanto Maria do Rosário (PT), com 20% e Manuela (PCdoB) com 18%. É de assinalar-se que a candidata do PT subiu dois pontos nas últimas duas pesquisas, enquanto a representante do PCdoB se manteve estável. As projeções para o segundo turno são de vitória do atual Prefeito, José Fogaça, com ligeira margem superior no embate contra Maria do Rosario.
Finalmente, no Recife, o candidato do PT, João da Costa, mesmo após a cassação de sua candidatura em primeira instância (por iniciativa do DEM), está à frente com 46% dos votos, tendo 24 pontos de diferença sobre o segundo, Mendonça (DEM). Havendo sido ajuizado o seu recurso, João da Costa poderá ser votado em cinco de outubro, e não está excluída a possibilidade de que venha a ser eleito ainda no primeiro turno.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Dos Jornais XIX Por que mais uma reforma ortográfica ?
FOLHA DE S. PAULO - 28.09.08
POR QUE MAIS UMA REFORMA ORTOGRÁFICA ?
A Folha dedica página de sua edição dominical a mais uma nova reforma ortográfica a ser aplicada no Brasil. Há um pequeno resumo das três reformas anteriores (1931, 1943 e 1971) e a indicação do que pretende a chamada reforma de 2008.
Comentário de um brasileiro. Concordo plenamente com a opinião de João Pereira Coutinho, que a Folha estampa sob o título “Acordo ignora identidades culturais”. O decreto que determina a sua aplicação reflete ironicamente a virtual ausência do Estado em um processo entregue supostamente ao talante dos ‘acadêmicos’ e que a pretexto de alegada desejável padronização da língua mais semelha uma ação reflexa, sob encomenda das editoras, que ambicionam aumentar a sua faixa de leitores.
Na verdade, esta ‘reforminha’ mais representa o resultado de questionável ativismo em busca da impossível língua única. Qual o sentido de forçar a unidade linguística de um país com 180 milhões de pessoas aos dez milhões da antiga metrópole e às demais populações dos ditos países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Principe, Timor-Leste, Macau e a província indiana de Goa) ? Inútil, a citada reforma não é construção artificial apenas na medida em que a sua realidade ortográfico-administrativa não poderá ser ignorada depois de 2012. No entanto, é um triste reflexo de subdesenvolvimento cultural.
Cabe aqui a pergunta: Que estranha compulsão reformista é esta, que na série de reformas, se vai ocupando de modificações cada vez mais risíveis e cada vez menos relevantes ? A inevitável comparação com Estados Unidos, Reino Unido e França, lança luz impiedosa sobre o pedantismo burocrático dessa questionável empresa. Este capricho das editoras, implementado por hiperestruturas sem que as populações envolvidas possam manifestar a sua vontade.
Seria decerto melhor que a reforminha fosse apenas uma farsa. Entretanto, ela é mais do que farsa, pois acrescenta ao dia-a-dia a mesquinharia de sua incômoda e constrangedora permanência.
POR QUE MAIS UMA REFORMA ORTOGRÁFICA ?
A Folha dedica página de sua edição dominical a mais uma nova reforma ortográfica a ser aplicada no Brasil. Há um pequeno resumo das três reformas anteriores (1931, 1943 e 1971) e a indicação do que pretende a chamada reforma de 2008.
Comentário de um brasileiro. Concordo plenamente com a opinião de João Pereira Coutinho, que a Folha estampa sob o título “Acordo ignora identidades culturais”. O decreto que determina a sua aplicação reflete ironicamente a virtual ausência do Estado em um processo entregue supostamente ao talante dos ‘acadêmicos’ e que a pretexto de alegada desejável padronização da língua mais semelha uma ação reflexa, sob encomenda das editoras, que ambicionam aumentar a sua faixa de leitores.
Na verdade, esta ‘reforminha’ mais representa o resultado de questionável ativismo em busca da impossível língua única. Qual o sentido de forçar a unidade linguística de um país com 180 milhões de pessoas aos dez milhões da antiga metrópole e às demais populações dos ditos países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Principe, Timor-Leste, Macau e a província indiana de Goa) ? Inútil, a citada reforma não é construção artificial apenas na medida em que a sua realidade ortográfico-administrativa não poderá ser ignorada depois de 2012. No entanto, é um triste reflexo de subdesenvolvimento cultural.
Cabe aqui a pergunta: Que estranha compulsão reformista é esta, que na série de reformas, se vai ocupando de modificações cada vez mais risíveis e cada vez menos relevantes ? A inevitável comparação com Estados Unidos, Reino Unido e França, lança luz impiedosa sobre o pedantismo burocrático dessa questionável empresa. Este capricho das editoras, implementado por hiperestruturas sem que as populações envolvidas possam manifestar a sua vontade.
Seria decerto melhor que a reforminha fosse apenas uma farsa. Entretanto, ela é mais do que farsa, pois acrescenta ao dia-a-dia a mesquinharia de sua incômoda e constrangedora permanência.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Dos Jornais - XVIII
O GLOBO - 24.09.08
FOLHA DE S. PAULO
Equador expulsa Odebrecht e militariza obras. Segundo os jornais, o Presidente Rafael Correa, do Equador, decretou ontem que o Estado assuma os projetos concedidos à construtora, os quais serão militarizados, e proibiu que diretores da empresa deixem o país. O decreto presidencial também dispõe sobre o embargo a todos os bens da Odebrecht, a fim de empregá-los em situação de emergência. Os projetos da empresa brasileira no Equador são duas hidrelétricas, a construção de um aeroporto e de uma rodovia e plano de aproveitamento de água. Assinale-se que essa questão eclode às vésperas do referendo de domingo, 28, quando os equatorianos são chamados a votar sobre uma nova Constituição Socialista.
Comentário de Observador internacional. Essa crise se origina dos problemas enfrentados pela hidrelétrica de San Francisco. Responsável por 12% da produção total de energia do país, e inaugurada há catorze meses, ela deixou de produzir em junho último, devido ao desgaste prematuro das rodas d’água das turbinas e do desabamento parcial do túnel canalizador da água. Pelo decreto presidencial, o consórcio liderado pela Odebrecht, com a francesa Alstom e a austríaca VA Tech Hydro “tem-se negado irresponsavelmente a indenizar os prejuizos ocasionados ao Estado, com supostos fundamentos no questionável contrato assinado antes deste governo”.
O Brasil tem enfrentado questões contenciosas em função de sua crescente presença na América do Sul, através de suas grandes empresas. Ocorreu com a Petrobrás, na Bolívia, em que o Presidente Evo Morales, entre outras medidas, ocupou militarmente áreas da empresa. Verifica-se, também, no Paraguai, onde o tratado de Itaipu tem sido contestado em certos aspectos pelo novel governo do ex-bispo Fernando Lugo (sem falar das ameaças de invasão de terras de brasileiros radicados naquele país, os chamados ‘brasiguaios’). E agora surge o Equador, através de seu Presidente Rafael Correa, com a aplicação das medidas acima descritas.
A cooperação brasileira com os países sul-americanos deve realizar-se dentro de um contexto de respeito mútuo, e de conformidade aos atos e acordos internacionais. O caudilho Hugo Chávez – a quem todos os citados presidentes estão ligados ideologicamente – através de suas decisões de cunho personalista e de suas nacionalizações, vem criando na Venezuela um ambiente não decerto favorável à cooperação estrangeira. Rafael Correa é um estreito aliado de Chávez. Sem entrar no mérito de suas medidas contra a empresa Odebrecht, é necessário ter presente que assuntos contenciosos – envolvendo inclusive a interpretação de contratos, como o próprio decreto presidencial reconhece – devem ser tratados de acordo com as instâncias competentes, e, portanto, pela Justiça. Intervenções discricionárias do cariz da presente não devem ser aceitas.
A nossa diplomacia não deve ser nem patronizante, nem acomodativa. Segundo o direito internacional público, uma das funções básicas da representação diplomática é a defesa do interesse nacional. O bom acordo se fundamenta no respeito recíproco dos interesses das Partes, e não em tentativas de posterior acomodação a qualquer preço, sob vezos alegadamente paternalistas. Nas diversas questões com que se tem defrontado o Brasil nos últimos tempos, nessa América do Sul onde a influência dos petro-dólares do señor Chávez vem aumentando em diversas latitudes, não seria demasiado recomendar que se tenha presente o exemplo do Patrono de nossa diplomacia, o Barão do Rio Branco, que jamais perdia de vista o interesse pátrio.
FOLHA DE S. PAULO
Equador expulsa Odebrecht e militariza obras. Segundo os jornais, o Presidente Rafael Correa, do Equador, decretou ontem que o Estado assuma os projetos concedidos à construtora, os quais serão militarizados, e proibiu que diretores da empresa deixem o país. O decreto presidencial também dispõe sobre o embargo a todos os bens da Odebrecht, a fim de empregá-los em situação de emergência. Os projetos da empresa brasileira no Equador são duas hidrelétricas, a construção de um aeroporto e de uma rodovia e plano de aproveitamento de água. Assinale-se que essa questão eclode às vésperas do referendo de domingo, 28, quando os equatorianos são chamados a votar sobre uma nova Constituição Socialista.
Comentário de Observador internacional. Essa crise se origina dos problemas enfrentados pela hidrelétrica de San Francisco. Responsável por 12% da produção total de energia do país, e inaugurada há catorze meses, ela deixou de produzir em junho último, devido ao desgaste prematuro das rodas d’água das turbinas e do desabamento parcial do túnel canalizador da água. Pelo decreto presidencial, o consórcio liderado pela Odebrecht, com a francesa Alstom e a austríaca VA Tech Hydro “tem-se negado irresponsavelmente a indenizar os prejuizos ocasionados ao Estado, com supostos fundamentos no questionável contrato assinado antes deste governo”.
O Brasil tem enfrentado questões contenciosas em função de sua crescente presença na América do Sul, através de suas grandes empresas. Ocorreu com a Petrobrás, na Bolívia, em que o Presidente Evo Morales, entre outras medidas, ocupou militarmente áreas da empresa. Verifica-se, também, no Paraguai, onde o tratado de Itaipu tem sido contestado em certos aspectos pelo novel governo do ex-bispo Fernando Lugo (sem falar das ameaças de invasão de terras de brasileiros radicados naquele país, os chamados ‘brasiguaios’). E agora surge o Equador, através de seu Presidente Rafael Correa, com a aplicação das medidas acima descritas.
A cooperação brasileira com os países sul-americanos deve realizar-se dentro de um contexto de respeito mútuo, e de conformidade aos atos e acordos internacionais. O caudilho Hugo Chávez – a quem todos os citados presidentes estão ligados ideologicamente – através de suas decisões de cunho personalista e de suas nacionalizações, vem criando na Venezuela um ambiente não decerto favorável à cooperação estrangeira. Rafael Correa é um estreito aliado de Chávez. Sem entrar no mérito de suas medidas contra a empresa Odebrecht, é necessário ter presente que assuntos contenciosos – envolvendo inclusive a interpretação de contratos, como o próprio decreto presidencial reconhece – devem ser tratados de acordo com as instâncias competentes, e, portanto, pela Justiça. Intervenções discricionárias do cariz da presente não devem ser aceitas.
A nossa diplomacia não deve ser nem patronizante, nem acomodativa. Segundo o direito internacional público, uma das funções básicas da representação diplomática é a defesa do interesse nacional. O bom acordo se fundamenta no respeito recíproco dos interesses das Partes, e não em tentativas de posterior acomodação a qualquer preço, sob vezos alegadamente paternalistas. Nas diversas questões com que se tem defrontado o Brasil nos últimos tempos, nessa América do Sul onde a influência dos petro-dólares do señor Chávez vem aumentando em diversas latitudes, não seria demasiado recomendar que se tenha presente o exemplo do Patrono de nossa diplomacia, o Barão do Rio Branco, que jamais perdia de vista o interesse pátrio.
Assinar:
Postagens (Atom)