Enganou-se redondamente quem pensou que do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e da revisão dos formulários se deveriam ocupar funcionários e não os responsáveis pela aplicação das provas.
A quantidade de erros comezinhos tende a demonstrar que a negligência foi geral. É regra básica da administração que aos chefes compete a fiscalização dos procedimentos, e aos chefes dos chefes a reverificação de o que foi feito.
Em questões de responsabilidade, o emprego de diversos redes de segurança tende a reduzir e a praticamente inviabilizar a falha humana, que constitui possibilidade sempre presente em atividades dessa natureza.
Semelha improvável – mas não impossível – que, diante de um retrospecto de desatenções e de erros no passado recente do Enem, não tenha acudido à mente das altas autoridades responsáveis que a aplicação de tal Exame demandava redobrada atenção de quem seria chamado às falas na eventualidade de um enésimo equívoco.
Sem embargo, a realidade será de difícil manejo, se quem dela deve ocupar-se no nível mais alto de responsabilidade, persiste ou em julgá-la não merecedora de sua atenção direta, ou em acreditar – o que constitui corolário da anterior – que possa delegar o seu trato a funcionário de nível inferior.
A história está cheia de exemplos de um ou outro caso. Talvez a exação nos primeiros não levante, por seu êxito, qualquer menção. É o silêncioso prêmio reservado aos diligentes e aos conscientes das próprias altas responsabilidades.
Não é o caso do Senhor Fernando Haddad. Quiçá a demissão do antecessor do atual presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) o tenha feito julgar que a sua alta responsabilidade não se aplicava no caso de falhas desse Inep.
A sucessão de erros volta a bater-lhe à porta, por mais alto que lhe pareça estar, à vista dos grosseiros e comezinhos erros nos formulários do Enem. Os ministros de estado não são personagens acima do bem e do mal. Quanto maior a relevância da Pasta, maiores serão as suas responsabilidades.
Educação tem a ver com juventude e com o futuro de nosso país. Em termos de índices de estudo, a posição do Brasil continua a não ser motivo de orgulho. Se conjugamos os erros do passado com as lamentáveis trapalhadas no presente, o Mec e o seu responsável não nos conferem motivo para ulterior confiança em desenvolvimento não só alicerçado em exportação de produtos primários, mas também na progressão de educação e cultura, presenças indispensáveis em países de primeira plana.
Dizem que o Ministro Haddad goza de prestígio junto a Lula. Não basta. Não é a hipótese de mantermos favoritos que não correspondam à expectativa, e pela reincidência no erro. Virando-se a página num, por decurso de prazo, é mais do que hora de também dispensar o jovem ministro. Por que não chamar alguém provado no ofício, como Cristovam Buarque ?
( Fonte: O Globo )
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Colcha de Retalhos LIX
A Frente Ruralista tem pressa
A Frente Ruralista se apega ao suposto acordo de junho, que, segundo o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), teria sido acertado com o Presidente da Câmara, Michel Temer, e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo tal ‘entendimento’ o tema não seria atropelado no período eleitoral, mas, em compensação, a votação se realizaria após a eleição.
O açodamento dos ruralistas tem outras razões. Desejam fazer aprovar pelo plenário da Câmara o chamado relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O texto, que a frente logrou aprovar em comissão especial em julho, está eivado de falhas.
Esse substitutivo do Código Florestal, elaborado pelo deputado Rebelo à revelia do ambientalismo e dos estudiosos na matéria – que foram sistematicamente ignorados – obteve igualmente estranhos apoios junto a certos órgãos de imprensa.
Não surpreende, de resto, que o texto haja sido profusamente criticado por associações ecológicas e pelo Ministério do Meio Ambiente. A par de concessões irresponsáveis ao setor produtivo – a exemplo de anistiar desmates feitos até julho de 2008, com grave prejuízo para o Tesouro – Rebelo reduziu as áreas de preservação permanente (APPs), de modo a torná-las imprestáveis em seus escopos específicos[1].
Assinale-se, por oportuno, que a candidata Dilma Rousseff, na campanha do segundo turno, buscando alcançar o apoio dos segmentos da candidata Marina Silva (PV) se comprometeu a não permitir a aprovação de um novo Código Florestal, na versão ruralista de Aldo Rebelo.
Nesse contexto, Sarney Filho (PV-MA), líder da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara, manifestou a própria perplexidade com a articulação para votar o relatório em plenário ainda em 2010 : “Eu entendia que esse assunto estava encerrado depois de manifestações do PT, da própria Dilma, que assinou um documento, e do PSDB. Não acreditamos que o eleitorado vá ser traído logo depois da eleição.”
Resta saber como evoluirá o assunto. Dilma se comprometeu a respeitar os princípios ambientais. Tampouco se compreenderia esse apoio a um documento questionável no apagar das luzes de uma legislatura, levado em conta, outrossim, que o voto ruralista não parece haver acorrido em grande número para engrossar os totais da candidata presidencial do PT.
A menos que à Presidente-eleita e à liderança do Partido dos Trabalhadores de novo ataque aquela síndrome de acenos ao ambientalismo e de medidas concretas para a Frente ruralista, a que o Presidente Lula, em diversas concessões tópicas (V. a repetida suspensão das multas por motivo de desmate entre outras) sempre se mostrou deveras generoso.
Mais um Vexame no Enem
Parece inacreditável, mas é verdade. Apesar de todos os graves erros anteriores, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) voltou a falhar. A coleção de confusões, decorrentes da negligência deste órgão do Ministério da Educação, volta a aumentar. Tudo isso a despeito das declarações anteriores do Ministro Fernando Haddad e da própria direção do INEP, ao ensejo de passados constrangimentos.
Para recordar, em 2009, o Exame Nacional de Ensino Médio foi suspenso dois dias antes das provas, por causa de vazamento de questões.
Em dezembro do mesmo ano, outro indício de preparação inadequada. O MEC sabia que uma questão seria anulada, e sem embargo aplicou a prova com o erro.
Por fim, em mais uma incúria, dados pessoais como CPF, RG e notas de doze mil estudantes ficaram visíveis no site do INEP.
Desta feita, para manter a tradição de trapalhadas, o cabeçalho dos cartões de resposta inverteu a ordem das provas, informando que as questões de número 1 a 45 tratavam do teste de ciências da natureza, quando o certo seria informar que elas diziam respeito a ciências humanas. O equívoco se repetiu com respeito às questões de 46 a 90: o cabeçalho falava em ciências humanas, quando o certo seria ciências da natureza.
Toda essa sucessão de erros não contribui apenas para atingir na sua credibilidade o ENEM. O maior prejudicado é o estudante do ensino médio que se prepara com afinco e seriedade para o aludido exame – enfrentando inclusive regrinhas dispensáveis, como as mofinas proibições de portarem lápis e borracha.
Estamos no fim do governo Lula. O caso do ENEM – que pelo seu deficiente gerenciamento teve a sua credibilidade afetada – acendera luz vermelha quando do vazamento das questões em 2009. Dada a importância da aplicação do exame, os seguintes e seguidos erros não configuram apenas problema burocrático. Após o primeiro escândalo, os ulteriores deslizes não são cousas de somenos, sempre releváveis.
Nessa questão, por sua repetição, as consequências não se restringem às opacas e consuetas explicações técnicas, que tudo aclaram salvo o essencial. No capítulo, a responsabilidade política de novo chega à mesa do Ministro Fernando Haddad.
( Fontes: Folha de S.Paulo e O Globo )
[1] Não mais teriam dimensões adequadas para atenderem a seus fins de preservação de fauna e flora, a par de tampouco contribuirem para deter o assoreamento dos cursos d’água.
A Frente Ruralista se apega ao suposto acordo de junho, que, segundo o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), teria sido acertado com o Presidente da Câmara, Michel Temer, e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo tal ‘entendimento’ o tema não seria atropelado no período eleitoral, mas, em compensação, a votação se realizaria após a eleição.
O açodamento dos ruralistas tem outras razões. Desejam fazer aprovar pelo plenário da Câmara o chamado relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O texto, que a frente logrou aprovar em comissão especial em julho, está eivado de falhas.
Esse substitutivo do Código Florestal, elaborado pelo deputado Rebelo à revelia do ambientalismo e dos estudiosos na matéria – que foram sistematicamente ignorados – obteve igualmente estranhos apoios junto a certos órgãos de imprensa.
Não surpreende, de resto, que o texto haja sido profusamente criticado por associações ecológicas e pelo Ministério do Meio Ambiente. A par de concessões irresponsáveis ao setor produtivo – a exemplo de anistiar desmates feitos até julho de 2008, com grave prejuízo para o Tesouro – Rebelo reduziu as áreas de preservação permanente (APPs), de modo a torná-las imprestáveis em seus escopos específicos[1].
Assinale-se, por oportuno, que a candidata Dilma Rousseff, na campanha do segundo turno, buscando alcançar o apoio dos segmentos da candidata Marina Silva (PV) se comprometeu a não permitir a aprovação de um novo Código Florestal, na versão ruralista de Aldo Rebelo.
Nesse contexto, Sarney Filho (PV-MA), líder da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara, manifestou a própria perplexidade com a articulação para votar o relatório em plenário ainda em 2010 : “Eu entendia que esse assunto estava encerrado depois de manifestações do PT, da própria Dilma, que assinou um documento, e do PSDB. Não acreditamos que o eleitorado vá ser traído logo depois da eleição.”
Resta saber como evoluirá o assunto. Dilma se comprometeu a respeitar os princípios ambientais. Tampouco se compreenderia esse apoio a um documento questionável no apagar das luzes de uma legislatura, levado em conta, outrossim, que o voto ruralista não parece haver acorrido em grande número para engrossar os totais da candidata presidencial do PT.
A menos que à Presidente-eleita e à liderança do Partido dos Trabalhadores de novo ataque aquela síndrome de acenos ao ambientalismo e de medidas concretas para a Frente ruralista, a que o Presidente Lula, em diversas concessões tópicas (V. a repetida suspensão das multas por motivo de desmate entre outras) sempre se mostrou deveras generoso.
Mais um Vexame no Enem
Parece inacreditável, mas é verdade. Apesar de todos os graves erros anteriores, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) voltou a falhar. A coleção de confusões, decorrentes da negligência deste órgão do Ministério da Educação, volta a aumentar. Tudo isso a despeito das declarações anteriores do Ministro Fernando Haddad e da própria direção do INEP, ao ensejo de passados constrangimentos.
Para recordar, em 2009, o Exame Nacional de Ensino Médio foi suspenso dois dias antes das provas, por causa de vazamento de questões.
Em dezembro do mesmo ano, outro indício de preparação inadequada. O MEC sabia que uma questão seria anulada, e sem embargo aplicou a prova com o erro.
Por fim, em mais uma incúria, dados pessoais como CPF, RG e notas de doze mil estudantes ficaram visíveis no site do INEP.
Desta feita, para manter a tradição de trapalhadas, o cabeçalho dos cartões de resposta inverteu a ordem das provas, informando que as questões de número 1 a 45 tratavam do teste de ciências da natureza, quando o certo seria informar que elas diziam respeito a ciências humanas. O equívoco se repetiu com respeito às questões de 46 a 90: o cabeçalho falava em ciências humanas, quando o certo seria ciências da natureza.
Toda essa sucessão de erros não contribui apenas para atingir na sua credibilidade o ENEM. O maior prejudicado é o estudante do ensino médio que se prepara com afinco e seriedade para o aludido exame – enfrentando inclusive regrinhas dispensáveis, como as mofinas proibições de portarem lápis e borracha.
Estamos no fim do governo Lula. O caso do ENEM – que pelo seu deficiente gerenciamento teve a sua credibilidade afetada – acendera luz vermelha quando do vazamento das questões em 2009. Dada a importância da aplicação do exame, os seguintes e seguidos erros não configuram apenas problema burocrático. Após o primeiro escândalo, os ulteriores deslizes não são cousas de somenos, sempre releváveis.
Nessa questão, por sua repetição, as consequências não se restringem às opacas e consuetas explicações técnicas, que tudo aclaram salvo o essencial. No capítulo, a responsabilidade política de novo chega à mesa do Ministro Fernando Haddad.
( Fontes: Folha de S.Paulo e O Globo )
[1] Não mais teriam dimensões adequadas para atenderem a seus fins de preservação de fauna e flora, a par de tampouco contribuirem para deter o assoreamento dos cursos d’água.
sábado, 6 de novembro de 2010
Que tal preservar a memória de Ipanema ?
Há mais de ano apareceu a crônica ‘A Memória Perdida de Ipanema’. Dentre as cotidianas postagens do blog, tais reminiscências não passaram decerto em branca nuvem. No entanto, de suas abertas chagas nas calçadas do bairro, não veio palavra da autoridade competente.
Senhor Prefeito Eduardo Paes,
sei que mora em condomínio da Barra da Tijuca, mas não creio que terá sido essa a razão por que não se dignou fazer menção à implicita solicitação de 17 de setembro de 2009.
Persistem nos pisos que ladeiam a Visconde de Pirajá as marcas de mais uma depredação dos bens públicos. Esta foi metódica na sua noturna realização, pois nos privou a todos nós que caminhamos pela artéria central do bairro a oportuna lembrança, entre outras, de antigas sorveterias, cinemas, residências e bares, que marcaram a vivência na Ipanema dos anos cinquenta do século passado.
Dito dessa forma, talvez pareça retrato esquecido em fundo de baú, mas na verdade nestas placas roubadas algum atencioso predecessor seu gravara não só singelo marco de local notável ou concorrido, senão dava aos veteranos do bairro o ensejo de descrever para os seus filhos ou netos o que para ele significavam aquelas inscrições em bronze.
Senhor Prefeito,
não tenciono abusar de seu tempo. Mesmo em um sábado, suponho que ele deva ser precioso para a megalópole. A minha sugestão é simples, e não creio vá exigir muito dispêndio para os cofres do município. Longe de mim, contudo, reincidir na reposição das placas, porque seria apenas trazer água ao esquálido moinho dos que desfiguram os adornos e monumentos da cidade.
Acredito que o senhor homenagearia o bairro e seu antecessor se mandasse preparar plaquetas de concreto ou outro material similar, sem valor comercial, em que reaparecessem as inscrições de uma época passada. Não tema que algum filisteu o vá acoimar de saudosista. Será demais recordar , não como sombras sem memória, a tanta gente e a tantos locais, expressão de um outrora quiçá mais feliz na sua ruidosa alegria, e sem dúvida mais afirmado nas suas esquinas e passeios.
Senhor Prefeito Eduardo Paes,
sei que mora em condomínio da Barra da Tijuca, mas não creio que terá sido essa a razão por que não se dignou fazer menção à implicita solicitação de 17 de setembro de 2009.
Persistem nos pisos que ladeiam a Visconde de Pirajá as marcas de mais uma depredação dos bens públicos. Esta foi metódica na sua noturna realização, pois nos privou a todos nós que caminhamos pela artéria central do bairro a oportuna lembrança, entre outras, de antigas sorveterias, cinemas, residências e bares, que marcaram a vivência na Ipanema dos anos cinquenta do século passado.
Dito dessa forma, talvez pareça retrato esquecido em fundo de baú, mas na verdade nestas placas roubadas algum atencioso predecessor seu gravara não só singelo marco de local notável ou concorrido, senão dava aos veteranos do bairro o ensejo de descrever para os seus filhos ou netos o que para ele significavam aquelas inscrições em bronze.
Senhor Prefeito,
não tenciono abusar de seu tempo. Mesmo em um sábado, suponho que ele deva ser precioso para a megalópole. A minha sugestão é simples, e não creio vá exigir muito dispêndio para os cofres do município. Longe de mim, contudo, reincidir na reposição das placas, porque seria apenas trazer água ao esquálido moinho dos que desfiguram os adornos e monumentos da cidade.
Acredito que o senhor homenagearia o bairro e seu antecessor se mandasse preparar plaquetas de concreto ou outro material similar, sem valor comercial, em que reaparecessem as inscrições de uma época passada. Não tema que algum filisteu o vá acoimar de saudosista. Será demais recordar , não como sombras sem memória, a tanta gente e a tantos locais, expressão de um outrora quiçá mais feliz na sua ruidosa alegria, e sem dúvida mais afirmado nas suas esquinas e passeios.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Insegurança no Rio de Janeiro
A ‘solução’ para o problema da segurança, nós, brasileiros, costumamos ouvi-la nas promessas dos candidatos, ao ensejo das eleições. Na última, a questão tampouco faltou. Muito pelo contrário, esteve presente nos supostos ‘compromissos’ com o eleitor. A esmagadora maioria dos pretendentes a cargos públicos – mesmo aqueles postulantes ao legislativo estadual e federal – não se peja de prometer aos céticos telespectadores a própria firme resolução de enfrentar e vencer o desafio.
Tais renovadas propostas serão sempre genéricas. Podem diferir no varejo, mas no atacado todas vem carregadas de comovente convicção de que toda a experiência pregressa, mais do que contradita, desmoraliza.
Esta espécie de mantra pela sua própria ritual repetição o cidadão tende a encará-lo a partir de bem-fundado ceticismo. Dado o caráter por assim dizer obrigatório de sua inserção no discurso do político, a reação geral sói permanecer nesse limbo de geral mas plácida incredulidade.
Diante da resiliência da ameaça, as eventuais tentativas de enfrentá-la são vistas com o discreto menosprezo que se reserva àquelas questões ditas insanáveis. Não importa que o ataque à insegurança parta da esquerda, com a priorização de seus aspectos sociais, ou da direita, com o intento de eliminar-lhe os efeitos e restabelecer a ordem. A tudo isso se lança o diáfano manto da descrença.
No Rio de Janeiro, o governo Sérgio Cabral trouxe uma proposta nova. Através das chamadas U.P.P. (unidade de polícia pacificadora), as estruturas do tráfico de droga tem sido afastadas de determinadas favelas. Começando pelo Morro de Santa Marta, diversas comunidades sediadas nos morros e em outras áreas têm sido reinseridas no mundo controlado pela lei e a ordem, e não por ditames dos senhores do tráfico.
Dada a extensão das favelas no Rio de Janeiro – o cômputo chega ao milhar – quando será possível reivindicar toda a área que se acha sob o talante da ilegalidade é matéria de não fácil resposta.
Não obstante, a ideia de Cabral e de seu Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, uma vez comprovada pela comunidade a seriedade do propósito e a sua consequente permanência, tem sido acolhida pelos favelados com alívio, e na disposição de colaborar para o bom êxito da empresa, que a eles precipuamente aproveita.
Contudo, a chamada recuperação das favelas para a esfera da legalidade não constitui um remédio mágico para a reimplantação geral da segurança do cidadão.
Até o presente – e há nisso também o intúito de preservar vidas na comunidade – as UPPs têm sido implantadas de acordo com o seguinte procedimento. Nas vésperas do estabelecimento da presença permanente da força policial, se faz correr a notícia para que o tráfico cuide de retirar-se. Na grande maioria dos casos, este esquema vem evitando tiroteios e mortes, eis que as bases deste tráfico se transferem para outras favelas.
A UPP portanto não prende e neutraliza o tráfico. Ao dominar mais uma área, ela constrange os criminosos a se reagruparem alhures. Nessa simplificação, se entrevê, a par do ganho, igualmente o aspecto negativo.
Ao desalojar o tráfico de número crescente de pontos, sem, no entanto, neutralizá-lo, semelha óbvio que se abram para a deslocada criminalidade pelo menos duas possibilidades. Ou os traficantes se mudam para outro morro, com o desígnio de continuar na sua atividade anterior, ou resolvem tentar outras vias da criminalidade.
O súbito incremento dos ‘arrastões’ no tráfego carioca, assim como os assaltos de motocicletas (com o apoio ou não de carros) registra dramática inflexão para o alto. Que as incursões sejam sempre mais ousadas e em grandes vias de circulação, depõe de forma constrangedora contra o abandono pela polícia civil e militar dessas áreas.
A morte de um médico, alvejado com um tiro na cabeça em tentativa de assalto, na avenida Marechal Rondon, na Zona Norte, por volta das 21hs. de ontem, quatro de novembro, desvela o quão abandonados à própria sorte se acham os cariocas. Os dois bandidos da moto, com o possível suporte de um carro, perseguiram e mataram o pobre médico, que buscara escapar dos facínoras. Sem qualquer polícia a dificultar-lhes a ação, foi também no mesmo local que, em 2006, foi abatido o guitarrista da banda Detonautas, Rodrigo Netto.
De um morador se sabe como transcorrem tais delitos: “Aqui têm ocorrido assaltos e arrastões quase todos os dias. E não só à noite, mas também de dia. A avenida Marechal Rondon está abandonada pelos policiais. Os bandidos percebem isso e atuam aqui, sem ser incomodados.”
( Fonte: O Globo )
Tais renovadas propostas serão sempre genéricas. Podem diferir no varejo, mas no atacado todas vem carregadas de comovente convicção de que toda a experiência pregressa, mais do que contradita, desmoraliza.
Esta espécie de mantra pela sua própria ritual repetição o cidadão tende a encará-lo a partir de bem-fundado ceticismo. Dado o caráter por assim dizer obrigatório de sua inserção no discurso do político, a reação geral sói permanecer nesse limbo de geral mas plácida incredulidade.
Diante da resiliência da ameaça, as eventuais tentativas de enfrentá-la são vistas com o discreto menosprezo que se reserva àquelas questões ditas insanáveis. Não importa que o ataque à insegurança parta da esquerda, com a priorização de seus aspectos sociais, ou da direita, com o intento de eliminar-lhe os efeitos e restabelecer a ordem. A tudo isso se lança o diáfano manto da descrença.
No Rio de Janeiro, o governo Sérgio Cabral trouxe uma proposta nova. Através das chamadas U.P.P. (unidade de polícia pacificadora), as estruturas do tráfico de droga tem sido afastadas de determinadas favelas. Começando pelo Morro de Santa Marta, diversas comunidades sediadas nos morros e em outras áreas têm sido reinseridas no mundo controlado pela lei e a ordem, e não por ditames dos senhores do tráfico.
Dada a extensão das favelas no Rio de Janeiro – o cômputo chega ao milhar – quando será possível reivindicar toda a área que se acha sob o talante da ilegalidade é matéria de não fácil resposta.
Não obstante, a ideia de Cabral e de seu Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, uma vez comprovada pela comunidade a seriedade do propósito e a sua consequente permanência, tem sido acolhida pelos favelados com alívio, e na disposição de colaborar para o bom êxito da empresa, que a eles precipuamente aproveita.
Contudo, a chamada recuperação das favelas para a esfera da legalidade não constitui um remédio mágico para a reimplantação geral da segurança do cidadão.
Até o presente – e há nisso também o intúito de preservar vidas na comunidade – as UPPs têm sido implantadas de acordo com o seguinte procedimento. Nas vésperas do estabelecimento da presença permanente da força policial, se faz correr a notícia para que o tráfico cuide de retirar-se. Na grande maioria dos casos, este esquema vem evitando tiroteios e mortes, eis que as bases deste tráfico se transferem para outras favelas.
A UPP portanto não prende e neutraliza o tráfico. Ao dominar mais uma área, ela constrange os criminosos a se reagruparem alhures. Nessa simplificação, se entrevê, a par do ganho, igualmente o aspecto negativo.
Ao desalojar o tráfico de número crescente de pontos, sem, no entanto, neutralizá-lo, semelha óbvio que se abram para a deslocada criminalidade pelo menos duas possibilidades. Ou os traficantes se mudam para outro morro, com o desígnio de continuar na sua atividade anterior, ou resolvem tentar outras vias da criminalidade.
O súbito incremento dos ‘arrastões’ no tráfego carioca, assim como os assaltos de motocicletas (com o apoio ou não de carros) registra dramática inflexão para o alto. Que as incursões sejam sempre mais ousadas e em grandes vias de circulação, depõe de forma constrangedora contra o abandono pela polícia civil e militar dessas áreas.
A morte de um médico, alvejado com um tiro na cabeça em tentativa de assalto, na avenida Marechal Rondon, na Zona Norte, por volta das 21hs. de ontem, quatro de novembro, desvela o quão abandonados à própria sorte se acham os cariocas. Os dois bandidos da moto, com o possível suporte de um carro, perseguiram e mataram o pobre médico, que buscara escapar dos facínoras. Sem qualquer polícia a dificultar-lhes a ação, foi também no mesmo local que, em 2006, foi abatido o guitarrista da banda Detonautas, Rodrigo Netto.
De um morador se sabe como transcorrem tais delitos: “Aqui têm ocorrido assaltos e arrastões quase todos os dias. E não só à noite, mas também de dia. A avenida Marechal Rondon está abandonada pelos policiais. Os bandidos percebem isso e atuam aqui, sem ser incomodados.”
( Fonte: O Globo )
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
As Eleições Intermediárias de 2010
Em atitude que mostra sua coragem política, o Presidente Barack Obama não se escondeu da imprensa, arrostando coletiva na Casa Branca no dia seguinte ao malogro eleitoral do Partido Democrata.
Sério e reflexivo, mas não contrito, o Presidente definiu a experiência como ‘humbling’. O Globo cometeu um erro ao traduzir para o português na sua manchete “Obama se diz humilhado”. O verbo ‘humble’ não tem aqui o sentido forte de ‘humilhar’, mas sim ‘fazer cair em si’, ‘abaixar o próprio orgulho (ou arrogância)’, ‘tornar modesto’. Obama já usara o mesmo verbo quando recebeu o Prêmio Nobel.
O Presidente, se não eludiu o caráter negativo dos resultados, também atribuíu a vitória do G.O.P. à frustração do público diante da lenta recuperação econômicado país. Nesse sentido, enfatizou a necessidade de oposição e situação encontrarem terreno comum, de modo a progredirem com relação a desafios que apresentam enorme dificuldade. A esse propósito, citou energia e educação como duas áreas em que há convergência.
O Presidente, no entanto, não foi apologético: “Estabilizamos a economia, logramos aumento do emprego nos setores privados, porém tais progressos não foram sentidos pelo povo americano”.
Quanto às perspectivas de acordos bipartidários, dependerá da habilidade política de parte a parte. Animados pela vitória na Câmara de Representantes, onde terão confortável maioria, os republicanos não deveriam esquecer dois fatos objetivos: os democratas são o partido majoritário no Senado, com pelo menos 53 senadores, e o G.O.P., ao dominar a Câmara, não pode cair no obstrucionismo anterior, quando era minoria. Se se recusarem a ver o resultado como delegação do eleitorado para que trabalhem juntos com a administração Obama em prol do bem público, correm o risco de sofrer a mesma sorte dos republicanos de Newt Gingrich, quando tentaram forçar o bloqueio do funcionamento do Estado (fechando as contas públicas).
Os dois líderes republicanos – seja o futuro Speaker John A. Boehner, seja o líder da minoria no Senado Mitch McConnell – não primaram até agora por grande propensão ao diálogo interpartidário. Apesar de falar em bipartidarismo após o triunfo, a sua proposta de repelir a Lei da Reforma Geral da Saúde pode ser indicativa da própria húbris se decerto não contribuirá para criar clima propício ao diálogo.
Tampouco no seu entusiasmo com a amplitude dos ganhos na Câmara – com sessenta cadeiras superior à reviravolta de 1994, de 52 novos deputados, mas inferior à de 1948 – Mitch McConnell não indicou qualquer disposição à transigência: “Estamos resolutos em barrar a agenda que os americanos rejeitaram. Trabalharemos com o governo quando eles concordarem com o povo, e os confrontaremos quando eles se negarem a fazê-lo”.
Se se deve dar um certo desconto a assertivas feitas no calor de inúmeros êxitos conseguidos pelos republicanos na eleição para o Senado – pelo menos seis democratas em funções foram apeados -, Mitch McConnell não dera sinais de qualquer tendência à composição política na legislatura anterior.
Não há praticamente mais moderados no G.O.P. Na sua linha direitista e inflexível, com os evangélicos em maioria no partido, todos parecem armados de grandes, inabaláveis certezas. Imbuídos de tal disposição semelham ver no outro lado mais o inimigo a ser reduzido do que o político e eventual adversário, com quem se possa conversar para montar entendimentos. A atmosfera reinante, infelizmente, torna antiquada uma busca de denominador comum no interesse nacional. Não é um objetivo provável, suscetível de ser visualizado a curto prazo.
Não obstante o que precede, a chamada censura do eleitorado ao Governo Obama não constituíu um movimento unívoco.
No maior estado americano, a Califórnia, que se debate em enorme crise fiscal, as urnas escarmentaram... os republicanos. Assim, o governador Arnold Schwarzenegger, que legalmente não poderia reeleger-se, trata de voltar ao cinema. Para o seu lugar foi eleito o democrata Jerry Brown, um antigo governador, com família de grande tradição política no estado. E a sua vitória teve ainda mais realce, pela disparidade de fundos de campanha, os quais, no entanto, de pouco serviram para o opositor republicano.
Também ao contrário de inúmeros colegas democratas no Senado, Barbara Boxer logrou vencer a republicana e empresária Carly Fiorina, para mais uma reeleição. Por fim, malgrado a furiosa tentativa do G.O.P. de derrubar Nancy Pelosi, a Speaker da Câmara manteve com facilidade o seu distrito de San Francisco.
No Senado, além das vitórias democratas em Nevada, de Harry Reid, o líder da maioria democrata, em Delaware (antigo posto do vice-presidente Joe Biden), em Connecticut e na Virgínia Ocidental, houve derrotas importantes, como a sofrida pelo Senador progressista Russell Feingold (em Wisconsin). Na onda de votar contra o governo, o eleitorado não raro penaliza representantes de grande capacidade e brilho, como Feingold, em favor de inconspícuos adversários.
Quanto a governos estaduais, os republicanos ganharam oito e os democratas perderam pelo menos nove, inclusive no importante estado de Ohio. As vantagens republicanas também em assembleias estaduais pressagiam dificuldades para os democratas, eis que no próximo ano estarão incumbidas de refazer os distritos eleitorais.
Por fim, no capítulo dos referendos estaduais, a causa ambiental registrou sucesso relevante. Os californianos rejeitaram medida para suspender os limites impostos à emissão de gases de efeito estufa, enquanto a economia estivesse em crise. Financiada substancialmente por companhias petrolíferas de fora do estado, a campanha pela proposição oportunista almejava instrumentalizar as queixas dos eleitores com a situação econômica, de modo a fazer regredir a legislação ambiental aprovada em 2006, que determina ao estado a redução em quinze por cento até 2020 de suas emissões.
Igualmente vetada pela Califórnia a liberalização da maconha para fins recreativos. Por sua vez, o uso medicinal da maconha foi autorizado em uma dúzia de estados (a Dakota do Sul foi a exceção).
Os estados de Arizona e Oklahoma aprovaram medidas que impedem a implementação da legislação federal sobre o Plano de Saúde. O Colorado rejeitou disposição similar. Arizona também terminou com programas de ação afirmativa: mais de sessenta por cento do eleitorado deste estado aprovou medida que proíbe tratamento preferencial baseado em raça, sexo, cor, e origem étnica e nacional.
( Fonte: International Herald Tribune )
Sério e reflexivo, mas não contrito, o Presidente definiu a experiência como ‘humbling’. O Globo cometeu um erro ao traduzir para o português na sua manchete “Obama se diz humilhado”. O verbo ‘humble’ não tem aqui o sentido forte de ‘humilhar’, mas sim ‘fazer cair em si’, ‘abaixar o próprio orgulho (ou arrogância)’, ‘tornar modesto’. Obama já usara o mesmo verbo quando recebeu o Prêmio Nobel.
O Presidente, se não eludiu o caráter negativo dos resultados, também atribuíu a vitória do G.O.P. à frustração do público diante da lenta recuperação econômicado país. Nesse sentido, enfatizou a necessidade de oposição e situação encontrarem terreno comum, de modo a progredirem com relação a desafios que apresentam enorme dificuldade. A esse propósito, citou energia e educação como duas áreas em que há convergência.
O Presidente, no entanto, não foi apologético: “Estabilizamos a economia, logramos aumento do emprego nos setores privados, porém tais progressos não foram sentidos pelo povo americano”.
Quanto às perspectivas de acordos bipartidários, dependerá da habilidade política de parte a parte. Animados pela vitória na Câmara de Representantes, onde terão confortável maioria, os republicanos não deveriam esquecer dois fatos objetivos: os democratas são o partido majoritário no Senado, com pelo menos 53 senadores, e o G.O.P., ao dominar a Câmara, não pode cair no obstrucionismo anterior, quando era minoria. Se se recusarem a ver o resultado como delegação do eleitorado para que trabalhem juntos com a administração Obama em prol do bem público, correm o risco de sofrer a mesma sorte dos republicanos de Newt Gingrich, quando tentaram forçar o bloqueio do funcionamento do Estado (fechando as contas públicas).
Os dois líderes republicanos – seja o futuro Speaker John A. Boehner, seja o líder da minoria no Senado Mitch McConnell – não primaram até agora por grande propensão ao diálogo interpartidário. Apesar de falar em bipartidarismo após o triunfo, a sua proposta de repelir a Lei da Reforma Geral da Saúde pode ser indicativa da própria húbris se decerto não contribuirá para criar clima propício ao diálogo.
Tampouco no seu entusiasmo com a amplitude dos ganhos na Câmara – com sessenta cadeiras superior à reviravolta de 1994, de 52 novos deputados, mas inferior à de 1948 – Mitch McConnell não indicou qualquer disposição à transigência: “Estamos resolutos em barrar a agenda que os americanos rejeitaram. Trabalharemos com o governo quando eles concordarem com o povo, e os confrontaremos quando eles se negarem a fazê-lo”.
Se se deve dar um certo desconto a assertivas feitas no calor de inúmeros êxitos conseguidos pelos republicanos na eleição para o Senado – pelo menos seis democratas em funções foram apeados -, Mitch McConnell não dera sinais de qualquer tendência à composição política na legislatura anterior.
Não há praticamente mais moderados no G.O.P. Na sua linha direitista e inflexível, com os evangélicos em maioria no partido, todos parecem armados de grandes, inabaláveis certezas. Imbuídos de tal disposição semelham ver no outro lado mais o inimigo a ser reduzido do que o político e eventual adversário, com quem se possa conversar para montar entendimentos. A atmosfera reinante, infelizmente, torna antiquada uma busca de denominador comum no interesse nacional. Não é um objetivo provável, suscetível de ser visualizado a curto prazo.
Não obstante o que precede, a chamada censura do eleitorado ao Governo Obama não constituíu um movimento unívoco.
No maior estado americano, a Califórnia, que se debate em enorme crise fiscal, as urnas escarmentaram... os republicanos. Assim, o governador Arnold Schwarzenegger, que legalmente não poderia reeleger-se, trata de voltar ao cinema. Para o seu lugar foi eleito o democrata Jerry Brown, um antigo governador, com família de grande tradição política no estado. E a sua vitória teve ainda mais realce, pela disparidade de fundos de campanha, os quais, no entanto, de pouco serviram para o opositor republicano.
Também ao contrário de inúmeros colegas democratas no Senado, Barbara Boxer logrou vencer a republicana e empresária Carly Fiorina, para mais uma reeleição. Por fim, malgrado a furiosa tentativa do G.O.P. de derrubar Nancy Pelosi, a Speaker da Câmara manteve com facilidade o seu distrito de San Francisco.
No Senado, além das vitórias democratas em Nevada, de Harry Reid, o líder da maioria democrata, em Delaware (antigo posto do vice-presidente Joe Biden), em Connecticut e na Virgínia Ocidental, houve derrotas importantes, como a sofrida pelo Senador progressista Russell Feingold (em Wisconsin). Na onda de votar contra o governo, o eleitorado não raro penaliza representantes de grande capacidade e brilho, como Feingold, em favor de inconspícuos adversários.
Quanto a governos estaduais, os republicanos ganharam oito e os democratas perderam pelo menos nove, inclusive no importante estado de Ohio. As vantagens republicanas também em assembleias estaduais pressagiam dificuldades para os democratas, eis que no próximo ano estarão incumbidas de refazer os distritos eleitorais.
Por fim, no capítulo dos referendos estaduais, a causa ambiental registrou sucesso relevante. Os californianos rejeitaram medida para suspender os limites impostos à emissão de gases de efeito estufa, enquanto a economia estivesse em crise. Financiada substancialmente por companhias petrolíferas de fora do estado, a campanha pela proposição oportunista almejava instrumentalizar as queixas dos eleitores com a situação econômica, de modo a fazer regredir a legislação ambiental aprovada em 2006, que determina ao estado a redução em quinze por cento até 2020 de suas emissões.
Igualmente vetada pela Califórnia a liberalização da maconha para fins recreativos. Por sua vez, o uso medicinal da maconha foi autorizado em uma dúzia de estados (a Dakota do Sul foi a exceção).
Os estados de Arizona e Oklahoma aprovaram medidas que impedem a implementação da legislação federal sobre o Plano de Saúde. O Colorado rejeitou disposição similar. Arizona também terminou com programas de ação afirmativa: mais de sessenta por cento do eleitorado deste estado aprovou medida que proíbe tratamento preferencial baseado em raça, sexo, cor, e origem étnica e nacional.
( Fonte: International Herald Tribune )
A Savana Anunciada
Enquanto em todo o Brasil o frenesi eleitoral empurrava as demais notícias para as páginas internas dos jornais, certos fenômenos, na milenar indiferença de mãe natureza, continuaram em sua inexorável progressão.
Há bastante tempo, os conhecedores da matéria estão cientes do futuro mediato de vastas regiões daquela imensa área que Alexander von Humboldt, em tempos idos, denominou a hileia amazônica.
Podem até os responsáveis, em comportamento reminiscente dos comunicados do OKW[1], quando mudaram os ventos na guerra contra a Rússia soviética, tentar mascarar a realidade, como se a linguagem pudesse interferir com a realidade objetiva. Essa sédula atitude de pôr debaixo do tapete desagradáveis perspectivas não terá decerto qualquer efeito concreto em sustá-las ou revertê-las. Faz parte na verdade daquela postura faz-de-conta de avestruz que também há muito norteia governo e segmentos da população dita amazônida.
O prisma alegadamente positivo no que concerne ao desmatamento se reflete desde logo na maneira em que é apresentado. Dessarte, ao invés de comunicar a sua incidência, procura-se vestir um dado negativo – a extensão da área em que a floresta foi abatida – por um outro, em que se apresenta aspecto alegadamente positivo, i.e., o montante em que o desmate foi reduzido.
Em outras palavras, se dá conotação quase alvissareira à destruição do meio ambiente amazônico. Ao apegar-se a uma fímbria de luz – o quanto da mata teria escapado da sanha das queimadas e dos cortes selvagens – se estará talvez obedecendo a espertos ditames de relações públicas, mas, a exemplo das táticas acima, tampouco se confronta a real situação e se informa sobre o que a devastação das madeireiras e dos grileiros terá avançado.
Esta visão encabulada do desafio contra o nosso maior recurso natural é um corolário da falta de vontade política de lidar com o problema, não de maneira a falsamente conviver com ele, porém de contra-arrestá-lo e, no que for possível, detê-lo.
Recente análise de técnico do INPE, Carlos Nobre, e de Luis Fernando Salazar, da Universidade Industrial de Santander (Colômbia), estima o efeito do gás carbônico (CO2) sobre a floresta. Segundo eles, o ponto de não-retorno depende do efeito de fertilização. Há três cenários montados pelos dois técnicos: dois alegadamente improváveis: (a) com zero de fertilização e (c) com cem por cento de fertilização.
Em um cenário ( b ) intermediário, com 25% de fertilização, se se confirmarem o aumento de temperatura média de 4º C e redução de 35% nas chuvas, Nobre e Salazar estimam que essa conjunção transformaria todo o sudeste amazônico em savana empobrecida. O efeito máximo seria sentido no sul do Pará, Tocantins e Mato Grosso. Parece óbvio de resto que o ecossistema sobretudo no Pará já se acha muito afetado pelo extenso desmate, o que tende a inviabilizar eventual recomposição da floresta original, em uma área desnudada e empobrecida pelo ulterior lixiviamento do solo.
Já no noroeste da Amazônia, as médias pluviométricas são bastante altas para sustentar a floresta. Além de o ecossistema estar nessa área bastante preservado, estima-se que, mesmo se as chuvas baixarem dos presentes 4m anuais para 2m, ainda seriam suficientes para sustentar a floresta.
Sem embargo a visão de muitos leitos de rio secos pela estiagem – que se compara às de 1998 e 2005 – é um aviso de mãe-natureza quanto às amplas e danosas consequências do fenômeno, que desestabiliza todo um cenário formado pela abundância da água, indispensável não só para os ecossistemas naturais, mas também para a comunicação das comunidades amazônidas.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
[1] Iniciais de Oberkommando der Wehrmacht - Alto Comando das Forças Armadas nazistas.
Há bastante tempo, os conhecedores da matéria estão cientes do futuro mediato de vastas regiões daquela imensa área que Alexander von Humboldt, em tempos idos, denominou a hileia amazônica.
Podem até os responsáveis, em comportamento reminiscente dos comunicados do OKW[1], quando mudaram os ventos na guerra contra a Rússia soviética, tentar mascarar a realidade, como se a linguagem pudesse interferir com a realidade objetiva. Essa sédula atitude de pôr debaixo do tapete desagradáveis perspectivas não terá decerto qualquer efeito concreto em sustá-las ou revertê-las. Faz parte na verdade daquela postura faz-de-conta de avestruz que também há muito norteia governo e segmentos da população dita amazônida.
O prisma alegadamente positivo no que concerne ao desmatamento se reflete desde logo na maneira em que é apresentado. Dessarte, ao invés de comunicar a sua incidência, procura-se vestir um dado negativo – a extensão da área em que a floresta foi abatida – por um outro, em que se apresenta aspecto alegadamente positivo, i.e., o montante em que o desmate foi reduzido.
Em outras palavras, se dá conotação quase alvissareira à destruição do meio ambiente amazônico. Ao apegar-se a uma fímbria de luz – o quanto da mata teria escapado da sanha das queimadas e dos cortes selvagens – se estará talvez obedecendo a espertos ditames de relações públicas, mas, a exemplo das táticas acima, tampouco se confronta a real situação e se informa sobre o que a devastação das madeireiras e dos grileiros terá avançado.
Esta visão encabulada do desafio contra o nosso maior recurso natural é um corolário da falta de vontade política de lidar com o problema, não de maneira a falsamente conviver com ele, porém de contra-arrestá-lo e, no que for possível, detê-lo.
Recente análise de técnico do INPE, Carlos Nobre, e de Luis Fernando Salazar, da Universidade Industrial de Santander (Colômbia), estima o efeito do gás carbônico (CO2) sobre a floresta. Segundo eles, o ponto de não-retorno depende do efeito de fertilização. Há três cenários montados pelos dois técnicos: dois alegadamente improváveis: (a) com zero de fertilização e (c) com cem por cento de fertilização.
Em um cenário ( b ) intermediário, com 25% de fertilização, se se confirmarem o aumento de temperatura média de 4º C e redução de 35% nas chuvas, Nobre e Salazar estimam que essa conjunção transformaria todo o sudeste amazônico em savana empobrecida. O efeito máximo seria sentido no sul do Pará, Tocantins e Mato Grosso. Parece óbvio de resto que o ecossistema sobretudo no Pará já se acha muito afetado pelo extenso desmate, o que tende a inviabilizar eventual recomposição da floresta original, em uma área desnudada e empobrecida pelo ulterior lixiviamento do solo.
Já no noroeste da Amazônia, as médias pluviométricas são bastante altas para sustentar a floresta. Além de o ecossistema estar nessa área bastante preservado, estima-se que, mesmo se as chuvas baixarem dos presentes 4m anuais para 2m, ainda seriam suficientes para sustentar a floresta.
Sem embargo a visão de muitos leitos de rio secos pela estiagem – que se compara às de 1998 e 2005 – é um aviso de mãe-natureza quanto às amplas e danosas consequências do fenômeno, que desestabiliza todo um cenário formado pela abundância da água, indispensável não só para os ecossistemas naturais, mas também para a comunicação das comunidades amazônidas.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
[1] Iniciais de Oberkommando der Wehrmacht - Alto Comando das Forças Armadas nazistas.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A Derrota Anunciada
Como se previa, o Partido Republicano recuperou o controle da Câmara de Representantes, que os democratas mantinham desde a eleição de novembro de 2006. Pela demora na apuração dos resultados naquele país, não há por ora dados definitivos. O que se dispõe são de projeções de pesquisas, com o delineamento grosso modo da vontade do eleitorado estadunidense nos comícios desta terça-feira, dia dois de novembro.
Cabe aqui um parêntese. Para país tão avançado em termos tecnológicos, é estranhável essa tardança, que fica ainda mais gritante no imediato contexto da rapidez dos procedimentos de quantificação de votos pelos computadores do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil. Embora as inúmeras proposições eleitorais – referendos no âmbito estadual com força de lei – contribuam para tornar mais complexo o processo de apuração, não há negar a lentidão dos atuais instrumentos de apuração nos Estados Unidos. Não é só, de resto, uma questão de tempo, eis que, como se verificou na Flórida, em 2000, o caráter obsoleto dos meios empregados se prestou naquela eleição a resultado muito controverso, com a atribuição dos votos eleitorais da Flórida para o candidato George Bush, em decisão inédita e deveras contestada da Suprema Corte (o que equivaleu ao seu reconhecimento, apesar de minoritário na votação popular, como presidente eleito).
Ainda na noite de ontem, o presidente Barack Obama telefonou para o atual Lider da Minoria na Câmara de Representantes, o deputado John Boehner (Rep./Ohio). Com a sua habitual elegância, o presidente democrata cumprimentava o futuro Speaker da Casa de Representantes. Ao fazê-lo, Obama reconhecia a derrota de seu partido (e dele próprio), com a perda da maioria na Câmara baixa. Depois de quatro anos como Speaker, Nancy Pelosi (Dem./ Calif.) voltará a ser a Líder da Minoria. Pela lentidão da apuração, não se pode por enquanto determinar os números exatos das bancadas que assumirão em janeiro próximo. As projeções da CNN indicam um avanço líquido de sessenta deputados sobre a presente representação do G.O.P.
Os meios de comunicação ainda não estabeleceram o porte da reviravolta republicana. Atendidos os cômputos iniciais, seria o maior ganho desde 1948 que o partido republicano alcançaria às expensas dos democratas, superando mesmo a vitória de 1994, de Newt Gingrich e o Contract with America, no primeiro governo de Bill Clinton.
Por sua vez, sempre segundo as projeções, o Partido Democrata teria conseguido evitar a perda da maioria no Senado. De modo simbólico, o lider da maioria na Câmara alta, Harry Reid (Dem./Nevada) logrou vencer a dura refrega com o candidato republicano. No entanto, da atual maioria de 59 senadores (em 100), os democratas têm exatos cinquenta garantidos, com mais duas ou três cadeiras em situação difícil de determinar. Se a bancada democrata ficar em 50, o que é a metade do Senado, se repetiria o que ocorreu durante o governo de Bill Clinton, em que o Vice-Presidente Al Gore era chamado amiúde para dar o voto de minerva em favor dos democratas.
Quais são as causas da debacle do partido do Presidente Obama ? Há grande irritação do eleitorado com a situação econômica. Se o fim da recessão foi oficialmente declarado, as perspectivas econômicas continuam bastante sombrias, com altos índices de desemprego e baixas quotas de crescimento. O desafio na economia constituiu a principal motivação do triunfo de Bill Clinton em 1992, e o seu slogan – é a economia, seu burro ! – sublinhava a ênfase que o então candidato democrata dava a esse tópico. Na verdade, se as condições na economia são insatisfatórias, tal representa substancial ameaça para o presidente em função (como foi no caso de George Bush senior, derrotado por Clinton ao tentar reeleger-se).
A baixa popularidade de Obama constitui o motivo principal da desdita dos democratas. Ela se deve precipuamente ao juízo do eleitorado de que Obama não estaria fazendo todo o necessário para reestimular a economia. Por outro lado, houve um desencanto de parte dos eleitores jovens, a que entusiasmara a promessa de mudança (change) feita pelo Senador do Illinois. Se a sua campanha foi muito motivante, o desempenho na Casa Branca desiludiu a diversas camadas integrantes da dita coalizão que levou Obama ao poder. A opinião pública se queixa de reações tardias ou débeis (vide, v.g., o vazamento de óleo no Golfo do México), de falta de comunicação e de conscientização e de nem sempre atuar com a energia esperada de um presidente da república.
Os intelectuais despertam certa desconfiança ao homem comum americano. Nunca ter exercido antes cargo executivo não há de servir-lhe muito para desfazer essa imagem.
Por outro lado, as suas indicações para os postos-chave na economia tampouco o ajudaram a mostrar política mais pró-ativa em relação às questões economico-financeiras. Em sua maior parte, as principais autoridades na área financeira teriam muitos, quiçá demasiados, laços com Wall Street.A circunstância de estar ele cercado por tal equipe terá sido determinante, no parecer de expertos, para que se visse impedido de tomadas de posição mais firmes, entendidas como indispensáveis seja para coibir o comportamento irresponsável de diretores de bancos (uma das causas da grande crise financeira de 2008), seja pelas grandes parcelas de dinheiro público que vieram salvar muitos grandes bancos de uma provável falência. A má fama do pessoal de Wall Street não terá sido minorada pela divulgação dos excessivos e despropositados bônus distribuídos por esses estabelecimentos a seus dirigentes. Esses pagamentos cujo montante muito vez supera o que um americano médio possa auferir não em um ano ou dois, mas em um decênio são encarados como verdadeiro acinte pelo americano médio.
A solução dada pelo povo americano – votar nos republicanos e não nos democratas – responde mais a um ‘castigo’ dado ao partido no poder e sobretudo endereçado ao atual morador da Casa Branca - pode não ser a mais apropriada, eis que o G.O.P. preconiza a redução dos gastos do Estado, quando os princípios keynesianos propugnam justamente o contrário. Não se deve esquecer que os Estados Unidos para sair da Grande Depressão dos anos trinta, além de dispor de um líder da estatura de Franklin Delano Roosevelt, careceu do New Deal e de quase uma década para virar a esquina e reencontrar a ambicionada properidade.
( Fonte: C N N )
Cabe aqui um parêntese. Para país tão avançado em termos tecnológicos, é estranhável essa tardança, que fica ainda mais gritante no imediato contexto da rapidez dos procedimentos de quantificação de votos pelos computadores do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil. Embora as inúmeras proposições eleitorais – referendos no âmbito estadual com força de lei – contribuam para tornar mais complexo o processo de apuração, não há negar a lentidão dos atuais instrumentos de apuração nos Estados Unidos. Não é só, de resto, uma questão de tempo, eis que, como se verificou na Flórida, em 2000, o caráter obsoleto dos meios empregados se prestou naquela eleição a resultado muito controverso, com a atribuição dos votos eleitorais da Flórida para o candidato George Bush, em decisão inédita e deveras contestada da Suprema Corte (o que equivaleu ao seu reconhecimento, apesar de minoritário na votação popular, como presidente eleito).
Ainda na noite de ontem, o presidente Barack Obama telefonou para o atual Lider da Minoria na Câmara de Representantes, o deputado John Boehner (Rep./Ohio). Com a sua habitual elegância, o presidente democrata cumprimentava o futuro Speaker da Casa de Representantes. Ao fazê-lo, Obama reconhecia a derrota de seu partido (e dele próprio), com a perda da maioria na Câmara baixa. Depois de quatro anos como Speaker, Nancy Pelosi (Dem./ Calif.) voltará a ser a Líder da Minoria. Pela lentidão da apuração, não se pode por enquanto determinar os números exatos das bancadas que assumirão em janeiro próximo. As projeções da CNN indicam um avanço líquido de sessenta deputados sobre a presente representação do G.O.P.
Os meios de comunicação ainda não estabeleceram o porte da reviravolta republicana. Atendidos os cômputos iniciais, seria o maior ganho desde 1948 que o partido republicano alcançaria às expensas dos democratas, superando mesmo a vitória de 1994, de Newt Gingrich e o Contract with America, no primeiro governo de Bill Clinton.
Por sua vez, sempre segundo as projeções, o Partido Democrata teria conseguido evitar a perda da maioria no Senado. De modo simbólico, o lider da maioria na Câmara alta, Harry Reid (Dem./Nevada) logrou vencer a dura refrega com o candidato republicano. No entanto, da atual maioria de 59 senadores (em 100), os democratas têm exatos cinquenta garantidos, com mais duas ou três cadeiras em situação difícil de determinar. Se a bancada democrata ficar em 50, o que é a metade do Senado, se repetiria o que ocorreu durante o governo de Bill Clinton, em que o Vice-Presidente Al Gore era chamado amiúde para dar o voto de minerva em favor dos democratas.
Quais são as causas da debacle do partido do Presidente Obama ? Há grande irritação do eleitorado com a situação econômica. Se o fim da recessão foi oficialmente declarado, as perspectivas econômicas continuam bastante sombrias, com altos índices de desemprego e baixas quotas de crescimento. O desafio na economia constituiu a principal motivação do triunfo de Bill Clinton em 1992, e o seu slogan – é a economia, seu burro ! – sublinhava a ênfase que o então candidato democrata dava a esse tópico. Na verdade, se as condições na economia são insatisfatórias, tal representa substancial ameaça para o presidente em função (como foi no caso de George Bush senior, derrotado por Clinton ao tentar reeleger-se).
A baixa popularidade de Obama constitui o motivo principal da desdita dos democratas. Ela se deve precipuamente ao juízo do eleitorado de que Obama não estaria fazendo todo o necessário para reestimular a economia. Por outro lado, houve um desencanto de parte dos eleitores jovens, a que entusiasmara a promessa de mudança (change) feita pelo Senador do Illinois. Se a sua campanha foi muito motivante, o desempenho na Casa Branca desiludiu a diversas camadas integrantes da dita coalizão que levou Obama ao poder. A opinião pública se queixa de reações tardias ou débeis (vide, v.g., o vazamento de óleo no Golfo do México), de falta de comunicação e de conscientização e de nem sempre atuar com a energia esperada de um presidente da república.
Os intelectuais despertam certa desconfiança ao homem comum americano. Nunca ter exercido antes cargo executivo não há de servir-lhe muito para desfazer essa imagem.
Por outro lado, as suas indicações para os postos-chave na economia tampouco o ajudaram a mostrar política mais pró-ativa em relação às questões economico-financeiras. Em sua maior parte, as principais autoridades na área financeira teriam muitos, quiçá demasiados, laços com Wall Street.A circunstância de estar ele cercado por tal equipe terá sido determinante, no parecer de expertos, para que se visse impedido de tomadas de posição mais firmes, entendidas como indispensáveis seja para coibir o comportamento irresponsável de diretores de bancos (uma das causas da grande crise financeira de 2008), seja pelas grandes parcelas de dinheiro público que vieram salvar muitos grandes bancos de uma provável falência. A má fama do pessoal de Wall Street não terá sido minorada pela divulgação dos excessivos e despropositados bônus distribuídos por esses estabelecimentos a seus dirigentes. Esses pagamentos cujo montante muito vez supera o que um americano médio possa auferir não em um ano ou dois, mas em um decênio são encarados como verdadeiro acinte pelo americano médio.
A solução dada pelo povo americano – votar nos republicanos e não nos democratas – responde mais a um ‘castigo’ dado ao partido no poder e sobretudo endereçado ao atual morador da Casa Branca - pode não ser a mais apropriada, eis que o G.O.P. preconiza a redução dos gastos do Estado, quando os princípios keynesianos propugnam justamente o contrário. Não se deve esquecer que os Estados Unidos para sair da Grande Depressão dos anos trinta, além de dispor de um líder da estatura de Franklin Delano Roosevelt, careceu do New Deal e de quase uma década para virar a esquina e reencontrar a ambicionada properidade.
( Fonte: C N N )
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