Doce Ilusão (08)
O ônibus não demorou. Como Alberto acenasse em pagar-lhe a passagem, ela interviria prontamente.
“ Nem pensar !”
Havia assento vazio do lado do corredor. Não sabia por que ela tinha ficado para trás. Ao chamá-la para ocupar o lugar, sentiu a sua relutância.
Durante a viagem, embora estivesse quase que colada nele, não disse palavra. E nem se ofereceu para pôr no colo o embrulho que ele segurava.
Por sorte, o passageiro da janela saltou no Leblon. Como ela hesitasse em dar-lhe lugar, ele se fez de desentendido.
“ Gardênia, acho que é o caso de você ir para o outro assento.”
Se bem que remanchasse, acabou cedendo.
“ É que não sei quem de nós vai saltar primeiro...”
“ Ora essa! vamos saltar juntos ! Não combinamos um programa ?”
Devagar, aqueles olhos grandes o fitaram. Para ele, um espelho seria mais expressivo. Pelo menos, refletiria a sua surpresa.
“ Alberto, nunca combinei programa algum com você.”
Ele sorriu, enquanto tocava de leve com os dedos na mão cuja delicadeza admirava.
“ Meu bem, não sejamos tão formais. Falamos, sem compromisso, de uma saída...”
Uma das coisas, pensou, com que ela convivia mal era a familiaridade do carioca. Até um atendente desconhecido de tele-market podia sapecar com um ‘minha querida’...
“ Posso saber qual é a sua ideia ?”
Ouviu com prazer a pergunta. Por primeira vez ela lhe passava a bola. Não podia perder aquela oportunidade. Tinha que impressioná-la. Por isso, não era hora de economias sujas.
“ Você gosta de comida francesa ?”
*
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Este Filme já Vimos !
A revista VEJA desta semana estampa reportagem sob o título “Compram-se Petistas”. Mais uma vez os fatos ocorrem nos felizes domínios do Senador José Sarney. O Maranhão não é só o campeão do “Bolsa Família” – a miséria de sua população a faz abrigar-se no assistencialismo do programa social do governo, do qual se vangloria o Presidente Lula como se sua criação fosse, quando na verdade apenas continua o que fora iniciado por FHC.
Aliás, como a desfaçatez é uma das regras do regime do PT, o compromisso com a verdade cede gostosamente a vez aos princípios orwellianos do poder, como vemos com múltiplas outras reivindicações que lhe repassam a ‘autoria’ de tudo de bom de que se assenhoreou do governo anterior.
Mas voltemos ao Maranhão, a jóia do vice-reinado do Norte, de que são tão ciosos o Senador Sarney e a sua filhinha Roseana. Pois ela quer ser governadora mais uma vez ! Não contente em haver recuperado o mando em São Luís, por cortesia do altíssimo tapetão, com a cassação do adversário Jackson Lago – que se apossara do governo estadual, por haver ousado obter a maioria dos votos ! – agora o respeitável partido ODS (oligarquia dos Sarney), inquieto com a ingratidão do povo maranhense, que acena não querer a continuação da benemérita família na governança, resolveu partir para outros procedimentos.
Segundo estampa VEJA, “nos últimos meses, na esperança de conquistar a única mercadoria que talvez ainda lhe escape, a família expandiu agressivamente os negócios. Passou a investir em petistas.”
O recurso à utilização do chamado dinheiro vivo, aquele sem pai nem mãe, não é decerto novo no vice-reinado do Maranhão. Tenha-se presente a operação da Polícia Federal descobrindo na Lunus, sociedade de propriedade de Roseana Sarney e de seu marido e sócio, Jorge Murad, a soma de R$ 1,34 milhão, que maldosamente pôs por terra as justas pretensões da pré-candidata Roseana, a então preferida das pesquisas (para a Presidência !). A família e o coronel-mor contraíram então ódio mortal a José Serra, injustamente acusado de mentor daquele magistral desmonte da promissora candidatura da antiga musa das Diretas, forçada, coitadinha, a renunciar às suas pretensões presidenciais.
Agora essa suposta operação de ‘fortalecimento’ da candidatura de Roseana, em detrimento de seus opositores – e em primeiro lugar do comunista Flavio Dino, que se atreve a concorrer, em coligação PCdoB-PT, vejam só! ao governo do Maranhão. Se o PT maranhense votou pela aliança com Dino, é hora de subverter essa espúria coligação, derribando sempre no tapetão – desta feita o ‘político’ -, fazendo ressurgir o velho processo da compra dos votos.
Lula é amigo de Sarney – se não o fosse o teria acaso salvo do escândalo do Senado? – e como é ainda mais amigo de Dilma, está empenhado em conseguir a eleição da pupila de qualquer maneira. Já se livrou de Ciro Gomes, e de sua incômoda candidatura pelo PSB. Mas as preocupações para costurar a rede que levará (assim pretende !) Dilma Rousseff ao Planalto não se limitam ao âmbito federal. Estão também nas estados e seus palanques. Por isso, como diziam os antigos bolcheviques, todo poder aos sovietes!, quero dizer aos estados, desde que é lógico fechem com Dilma.
Por isso, o companheiro Lula quer a companheira Roseana outra vez no paço do Maranhão. Que seja à revelia do sofrido povo maranhense, que importa ?...
Aí vem um pensamento decerto inconveniente. Companheiro Serra, será que haveria modo de repetir a façanha de antes ?...
( Fonte: revista VEJA )
Aliás, como a desfaçatez é uma das regras do regime do PT, o compromisso com a verdade cede gostosamente a vez aos princípios orwellianos do poder, como vemos com múltiplas outras reivindicações que lhe repassam a ‘autoria’ de tudo de bom de que se assenhoreou do governo anterior.
Mas voltemos ao Maranhão, a jóia do vice-reinado do Norte, de que são tão ciosos o Senador Sarney e a sua filhinha Roseana. Pois ela quer ser governadora mais uma vez ! Não contente em haver recuperado o mando em São Luís, por cortesia do altíssimo tapetão, com a cassação do adversário Jackson Lago – que se apossara do governo estadual, por haver ousado obter a maioria dos votos ! – agora o respeitável partido ODS (oligarquia dos Sarney), inquieto com a ingratidão do povo maranhense, que acena não querer a continuação da benemérita família na governança, resolveu partir para outros procedimentos.
Segundo estampa VEJA, “nos últimos meses, na esperança de conquistar a única mercadoria que talvez ainda lhe escape, a família expandiu agressivamente os negócios. Passou a investir em petistas.”
O recurso à utilização do chamado dinheiro vivo, aquele sem pai nem mãe, não é decerto novo no vice-reinado do Maranhão. Tenha-se presente a operação da Polícia Federal descobrindo na Lunus, sociedade de propriedade de Roseana Sarney e de seu marido e sócio, Jorge Murad, a soma de R$ 1,34 milhão, que maldosamente pôs por terra as justas pretensões da pré-candidata Roseana, a então preferida das pesquisas (para a Presidência !). A família e o coronel-mor contraíram então ódio mortal a José Serra, injustamente acusado de mentor daquele magistral desmonte da promissora candidatura da antiga musa das Diretas, forçada, coitadinha, a renunciar às suas pretensões presidenciais.
Agora essa suposta operação de ‘fortalecimento’ da candidatura de Roseana, em detrimento de seus opositores – e em primeiro lugar do comunista Flavio Dino, que se atreve a concorrer, em coligação PCdoB-PT, vejam só! ao governo do Maranhão. Se o PT maranhense votou pela aliança com Dino, é hora de subverter essa espúria coligação, derribando sempre no tapetão – desta feita o ‘político’ -, fazendo ressurgir o velho processo da compra dos votos.
Lula é amigo de Sarney – se não o fosse o teria acaso salvo do escândalo do Senado? – e como é ainda mais amigo de Dilma, está empenhado em conseguir a eleição da pupila de qualquer maneira. Já se livrou de Ciro Gomes, e de sua incômoda candidatura pelo PSB. Mas as preocupações para costurar a rede que levará (assim pretende !) Dilma Rousseff ao Planalto não se limitam ao âmbito federal. Estão também nas estados e seus palanques. Por isso, como diziam os antigos bolcheviques, todo poder aos sovietes!, quero dizer aos estados, desde que é lógico fechem com Dilma.
Por isso, o companheiro Lula quer a companheira Roseana outra vez no paço do Maranhão. Que seja à revelia do sofrido povo maranhense, que importa ?...
Aí vem um pensamento decerto inconveniente. Companheiro Serra, será que haveria modo de repetir a façanha de antes ?...
( Fonte: revista VEJA )
domingo, 23 de maio de 2010
As Reformas do Presidente Obama
Vencendo os intentos de desacreditar-lhe os propósitos reformistas, o Presidente Barack Obama e o Congresso democrata já apresentam em um período de quinze meses realizações que só encontram paralelo na legislação do New Deal, no início da era Roosevelt, e na chamada Grande Sociedade, com Lyndon Johnson.
E, no entanto, ao completar-se o primeiro ano de Governo, com a eleição surpresa do republicano Scott Brown para a cadeira no Senado que fora por várias décadas de Ted Kennedy, as previsões acerca do futuro da administração Obama não podiam ser mais pessimistas.
Com a aprovação, em fevereiro último, da lei de estímulo, o quadro começou a mudar. O objetivo precípuo dessa legislação era combater a recessão econômica, causada pela bolha das hipotecas subprime, a que se seguiu a crise financeira internacional. Sob o fundamento da importância da educação e da ciência e tecnologia para a reativação da economia, tais setores foram igualmente abrangidos pela stimulus bill. O escopo foi o de tornar o sistema educacional mais ágil, através do apoio à educação particular, assim como com a ênfase no mérito, através da premiação de professores com altas avaliações. Por outro lado, busca expandir ainda mais a pesquisa científica.
Em seguida, veio a reforma da saúde, amplamente tratada no blog. A derrota democrata em Massachusetts, com a perda do mágico sexagésimo voto na maioria no Senado – e a consequente incapacidade de evitar a filibuster – levara os comentaristas políticos a descrerem das perspectivas de aprovação de reforma do plano geral de saúde. Sem embargo, a firmeza das lideranças democráticas da Speaker Nancy Pelosi, na Câmara de Representantes, e do líder da maioria no Senado, Harry Reid, lograram tanto a aprovação de projeto pelo Senado – dele retiradas disposições antes inseridas por exigências descabidas de senadores isolados – e a sua ratificação pela Câmara.
Tal vitória foi alcançada, a despeito da radicalização dos republicanos – a reforma da saúde foi afinal aprovada sem sequer um voto do G.O.P. – e da ultra-direita do Tea Party. Depois do fracasso de Clinton de lograr a reforma da saúde – derrotada então pela oposição das associações médico-farmacêuticas – a sua assinatura por Obama representa um marco relevante, que só é comparável às reformas Medicare e Medicaid, dos tempos de Lyndon Johnson.
Agora, o Senado acaba de aprovar o projeto de ordenação da atividade financeira. Depois dos excessos de Wall Street, da falta de fiscalização de parte do Federal Reserve, e toda a bolha originada com as hipotecas subprime e diversos outros artifícios financeiros, então isentos de qualquer supervisão de parte do Estado, como a farra dos derivativos, havia generalizado consenso de que algo carecia de ser feito para assegurar o devido controle sobre as atividades financeiras. A ilusão de que o mercado tinha condições de auto-regular-se, como a longa presença de Alan Greenspan no Federal Reserve parecera fazer acreditar, fora varrida com a crise financeira internacional, iniciada com a falência do Banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008.
O novo projeto do Senado – aprovado até com votos republicanos o que sublinha a sentida necessidade de uma reforma da legislação – deverá ser ora ‘reconciliado’com o projeto da Câmara, para que, provavelmente em breve prazo, a nova reordenação da atividade financeira suba à Casa Branca, para a sanção do Presidente Obama.
Deverá voltar-se a padrões que tinham sido estabelecidos no New Deal, e que haviam sido descontinuados durante os anos noventa. É o tempo do chamado consenso de Washington, de que respinga alguma responsabilidade também à Admnistração Clinton. É necessário que o Federal Reserve, sob Ben Bernanke, assuma maiores responsabilidades de fiscalização, de modo a coibir os abusos em Wall Street, em que riscos desmesurados eram assumidos, seja para colher lucros excessivos e ‘bônus’imorais aos diretores bancários – no caso de êxito - e a pronta corrida ao balcão do governo, no caso de fracasso, para sanar os respectivos pesados prejuízos, à custa do contribuinte.
Se ainda é cedo para prognosticar a consolidação do projeto da Administração Obama – será imprescindível a sua vitória nas duas próximas eleições, seja nas intermediárias, de novembro de 2010, seja nas presidenciais de novembro de 2012 -já se nota uma força inercial progressista democrática, que entremostra horizontes mais promissores para Obama e o Partido Democrata.
( Fonte: International Herald Tribune )
E, no entanto, ao completar-se o primeiro ano de Governo, com a eleição surpresa do republicano Scott Brown para a cadeira no Senado que fora por várias décadas de Ted Kennedy, as previsões acerca do futuro da administração Obama não podiam ser mais pessimistas.
Com a aprovação, em fevereiro último, da lei de estímulo, o quadro começou a mudar. O objetivo precípuo dessa legislação era combater a recessão econômica, causada pela bolha das hipotecas subprime, a que se seguiu a crise financeira internacional. Sob o fundamento da importância da educação e da ciência e tecnologia para a reativação da economia, tais setores foram igualmente abrangidos pela stimulus bill. O escopo foi o de tornar o sistema educacional mais ágil, através do apoio à educação particular, assim como com a ênfase no mérito, através da premiação de professores com altas avaliações. Por outro lado, busca expandir ainda mais a pesquisa científica.
Em seguida, veio a reforma da saúde, amplamente tratada no blog. A derrota democrata em Massachusetts, com a perda do mágico sexagésimo voto na maioria no Senado – e a consequente incapacidade de evitar a filibuster – levara os comentaristas políticos a descrerem das perspectivas de aprovação de reforma do plano geral de saúde. Sem embargo, a firmeza das lideranças democráticas da Speaker Nancy Pelosi, na Câmara de Representantes, e do líder da maioria no Senado, Harry Reid, lograram tanto a aprovação de projeto pelo Senado – dele retiradas disposições antes inseridas por exigências descabidas de senadores isolados – e a sua ratificação pela Câmara.
Tal vitória foi alcançada, a despeito da radicalização dos republicanos – a reforma da saúde foi afinal aprovada sem sequer um voto do G.O.P. – e da ultra-direita do Tea Party. Depois do fracasso de Clinton de lograr a reforma da saúde – derrotada então pela oposição das associações médico-farmacêuticas – a sua assinatura por Obama representa um marco relevante, que só é comparável às reformas Medicare e Medicaid, dos tempos de Lyndon Johnson.
Agora, o Senado acaba de aprovar o projeto de ordenação da atividade financeira. Depois dos excessos de Wall Street, da falta de fiscalização de parte do Federal Reserve, e toda a bolha originada com as hipotecas subprime e diversos outros artifícios financeiros, então isentos de qualquer supervisão de parte do Estado, como a farra dos derivativos, havia generalizado consenso de que algo carecia de ser feito para assegurar o devido controle sobre as atividades financeiras. A ilusão de que o mercado tinha condições de auto-regular-se, como a longa presença de Alan Greenspan no Federal Reserve parecera fazer acreditar, fora varrida com a crise financeira internacional, iniciada com a falência do Banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008.
O novo projeto do Senado – aprovado até com votos republicanos o que sublinha a sentida necessidade de uma reforma da legislação – deverá ser ora ‘reconciliado’com o projeto da Câmara, para que, provavelmente em breve prazo, a nova reordenação da atividade financeira suba à Casa Branca, para a sanção do Presidente Obama.
Deverá voltar-se a padrões que tinham sido estabelecidos no New Deal, e que haviam sido descontinuados durante os anos noventa. É o tempo do chamado consenso de Washington, de que respinga alguma responsabilidade também à Admnistração Clinton. É necessário que o Federal Reserve, sob Ben Bernanke, assuma maiores responsabilidades de fiscalização, de modo a coibir os abusos em Wall Street, em que riscos desmesurados eram assumidos, seja para colher lucros excessivos e ‘bônus’imorais aos diretores bancários – no caso de êxito - e a pronta corrida ao balcão do governo, no caso de fracasso, para sanar os respectivos pesados prejuízos, à custa do contribuinte.
Se ainda é cedo para prognosticar a consolidação do projeto da Administração Obama – será imprescindível a sua vitória nas duas próximas eleições, seja nas intermediárias, de novembro de 2010, seja nas presidenciais de novembro de 2012 -já se nota uma força inercial progressista democrática, que entremostra horizontes mais promissores para Obama e o Partido Democrata.
( Fonte: International Herald Tribune )
sábado, 22 de maio de 2010
O Comportamento de Lula e as Multas do TSE
Segundo se noticia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela quarta vez no corrente ano, por propaganda eleitoral antecipada, em prol de sua candidata Dilma Rousseff. A própria pré-candidata foi igualmente multada, assim como outros seis políticos e líderes sindicais, presentes em evento no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no dia dez de abril último.
O Ministro Henrique Neves, do TSE, referindo-se ao Presidente Lula como reincidente, disse ao prolatar a sentença: “ O discurso, na forma em que foi proferido, não deixa dúvidas sobre a intenção de se fazer aberta propaganda eleitoral da segunda representada (Dilma). A intenção de divulgar a candidatura e conclamar a classe trabalhadora para que trabalhasse em prol da campanha da segunda representada é manifesta. O teor propagandístico foi explícito.”
O que disse o Presidente ? “Eu vou tentar ser breve o necessário para tentar convencer vocês a votar na Dilma. Se vocês já estão convencidos, eu nem preciso falar. Então levanta a mão quem já está convencido a votar na Dilma. Bem. Mas ainda assim vou reforçar.”
Após aludir à reincidência do Presidente Lula, o ministro Henrique Neves observou que o comportamento de Lula deveria ser exemplar, já que é dele o cargo de maior hierarquia no país.
A quanto montam as quatro multas aplicadas pelo TSE ao Presidente: a R$ 30 mil , sendo duas de R$ 10 mil e duas de R$ 5 mil.
E mais deverão vir por aí. Basta ter presente o irresponsável comportamento do Presidente Lula no último programa nacional do PT, em que chegou a comparar Dilma a Nelson Mandela.
No respeito à lei, não menos que na norma de que todos são iguais perante a lei,o Presidente deveria ser o primeiro a dar o exemplo. Através de sua conduta – que é, diga-se de passagem, inaudita na história republicana – o Presidente vem empilhando declarações que beiram à desfaçatez.
De modo repetido, na prática ignorando as iteradas multas – que traduzem repreensões que deveriam ser acatadas de forma consequente – o Presidente Lula está contribuindo para a banalização dessas transgressões.
Tal comportamento é inaceitável. A legislação eleitoral é para valer, e carece de ser respeitada. A partir do Primeiro Magistrado da Nação.
E se continuar a proceder dessa maneira desrespeitosa, afigura-se de toda urgência que alguém, possuidor do respeito devido à autoridade, venha a público dizer-lhe que através de tal comportamento o Presidente da República não evidencia o respeito que ele deve às instituições e à legislação pertinente.
( Fonte: O Globo )
O Ministro Henrique Neves, do TSE, referindo-se ao Presidente Lula como reincidente, disse ao prolatar a sentença: “ O discurso, na forma em que foi proferido, não deixa dúvidas sobre a intenção de se fazer aberta propaganda eleitoral da segunda representada (Dilma). A intenção de divulgar a candidatura e conclamar a classe trabalhadora para que trabalhasse em prol da campanha da segunda representada é manifesta. O teor propagandístico foi explícito.”
O que disse o Presidente ? “Eu vou tentar ser breve o necessário para tentar convencer vocês a votar na Dilma. Se vocês já estão convencidos, eu nem preciso falar. Então levanta a mão quem já está convencido a votar na Dilma. Bem. Mas ainda assim vou reforçar.”
Após aludir à reincidência do Presidente Lula, o ministro Henrique Neves observou que o comportamento de Lula deveria ser exemplar, já que é dele o cargo de maior hierarquia no país.
A quanto montam as quatro multas aplicadas pelo TSE ao Presidente: a R$ 30 mil , sendo duas de R$ 10 mil e duas de R$ 5 mil.
E mais deverão vir por aí. Basta ter presente o irresponsável comportamento do Presidente Lula no último programa nacional do PT, em que chegou a comparar Dilma a Nelson Mandela.
No respeito à lei, não menos que na norma de que todos são iguais perante a lei,o Presidente deveria ser o primeiro a dar o exemplo. Através de sua conduta – que é, diga-se de passagem, inaudita na história republicana – o Presidente vem empilhando declarações que beiram à desfaçatez.
De modo repetido, na prática ignorando as iteradas multas – que traduzem repreensões que deveriam ser acatadas de forma consequente – o Presidente Lula está contribuindo para a banalização dessas transgressões.
Tal comportamento é inaceitável. A legislação eleitoral é para valer, e carece de ser respeitada. A partir do Primeiro Magistrado da Nação.
E se continuar a proceder dessa maneira desrespeitosa, afigura-se de toda urgência que alguém, possuidor do respeito devido à autoridade, venha a público dizer-lhe que através de tal comportamento o Presidente da República não evidencia o respeito que ele deve às instituições e à legislação pertinente.
( Fonte: O Globo )
sexta-feira, 21 de maio de 2010
CIDADE NUA III
Doce Ilusão (07)
A contradição dos votos assumidos será decerto a primeira regra no comportamento amoroso. Para quem não desejasse trair cuidados excessivos, aparecer antes das seis denotaria um zelo que não casava bem com a afivelada máscara da naturalidade.
Não obstante a sua plena consciência do papel que faria, foi assim mesmo que procedeu.
*
Passados uns cinco minutos depois da hora, ela apareceu.
“ Ué, você está aí ?”
“ Não foi o que combinamos ?”
“ Não me lembro de ter combinado qualquer coisa com você”, disse, olhando contrafeita para os lados.
“ Tudo aconteceu tão rápido, né ?...” disse, com um sorriso. “Mas já que estamos aqui, não vejo mal em que aproveitemos a oportunidade...”
A sua atenção tornou a vagar à volta, como se buscasse cientificar-se de que ninguém os observava.
“ Não sei... nós nem nos conhecemos...”
“ Pois é justamente o meu objetivo !”, exclamou ele. “Que tal se nos apresentássemos ?”
Ela continua a fitá-lo com um olhar tipo espelho, que não deixava filtrar um aceno que fosse de reação.
“ Eu me chamo Alberto. Será que podia saber a sua graça ?”
Não queria parecer insistente. Tampouco denotar algum nervosismo. Por isso, se refugia no sorriso.
“Você fala meio esquisito... Graça quer dizer nome ?”
“ Sim...”
“ Me chamo Gardênia.”
“ Que lindo nome !”
“ Não acredito ! ‘Cê não tá me gozando ?”
Por um instante, entreviu a sombra de dúvida passar-lhe no semblante.
“ Nem de longe. Gosto muito do seu nome”, respondeu com jeito quase sério.
Percebeu então que o clima entre os dois havia mudado. A atitude dela não lhe parecia contraída como antes.
A pretexto de acertarem um programa – “assim nos conhecemos melhor” – ele indagou onde morava.
“Copacabana.”
“ Que feliz coincidência ! Moramos no mesmo bairro !”
E por um fugidio, mas não desapercebido momento, tocou-lhe na mão de dedos finos e elegantes.
*
A contradição dos votos assumidos será decerto a primeira regra no comportamento amoroso. Para quem não desejasse trair cuidados excessivos, aparecer antes das seis denotaria um zelo que não casava bem com a afivelada máscara da naturalidade.
Não obstante a sua plena consciência do papel que faria, foi assim mesmo que procedeu.
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Passados uns cinco minutos depois da hora, ela apareceu.
“ Ué, você está aí ?”
“ Não foi o que combinamos ?”
“ Não me lembro de ter combinado qualquer coisa com você”, disse, olhando contrafeita para os lados.
“ Tudo aconteceu tão rápido, né ?...” disse, com um sorriso. “Mas já que estamos aqui, não vejo mal em que aproveitemos a oportunidade...”
A sua atenção tornou a vagar à volta, como se buscasse cientificar-se de que ninguém os observava.
“ Não sei... nós nem nos conhecemos...”
“ Pois é justamente o meu objetivo !”, exclamou ele. “Que tal se nos apresentássemos ?”
Ela continua a fitá-lo com um olhar tipo espelho, que não deixava filtrar um aceno que fosse de reação.
“ Eu me chamo Alberto. Será que podia saber a sua graça ?”
Não queria parecer insistente. Tampouco denotar algum nervosismo. Por isso, se refugia no sorriso.
“Você fala meio esquisito... Graça quer dizer nome ?”
“ Sim...”
“ Me chamo Gardênia.”
“ Que lindo nome !”
“ Não acredito ! ‘Cê não tá me gozando ?”
Por um instante, entreviu a sombra de dúvida passar-lhe no semblante.
“ Nem de longe. Gosto muito do seu nome”, respondeu com jeito quase sério.
Percebeu então que o clima entre os dois havia mudado. A atitude dela não lhe parecia contraída como antes.
A pretexto de acertarem um programa – “assim nos conhecemos melhor” – ele indagou onde morava.
“Copacabana.”
“ Que feliz coincidência ! Moramos no mesmo bairro !”
E por um fugidio, mas não desapercebido momento, tocou-lhe na mão de dedos finos e elegantes.
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A Diplomacia Segundo Lula
Depois das manifestações de júbilo esportivo, ao ensejo da assinatura do acordo tripartite, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irritado talvez seja pelo súbito isolamento, seja pela efêmera duração da tentativa de resolver a crise iraniana, julgou oportuno manifestar-se junto a um público não exatamente familiarizado com questões político-diplomáticas.
Como de hábito, falando de improviso e na sua lingua coloquial, declarou para o público da 13ª Marcha dos Prefeitos: “É muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a proposta, porque tem gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo, e sou daqueles que só sabem fazer política construindo amigos”.
Outra vez tenho de mencionar a observação de Lord Altrincham, a respeito da ainda jovem Elizabeth II, e de sua vozinha nos discursos,”que lhe dava um mal-estar no pescoço”. A expressão inglesa alude a um vivo desconforto sentida por alguém a propósito de uma determinada situação.
Quiçá examinando a atitude de Lula possamos entender melhor a nossa perplexidade. Diplomacia não é arte de fazer amigos, mas de compor interesses e encontrar soluções aceitáveis, nos âmbitos bilateral e multilateral. A amizade entre os Estados e as Nações é um conceito que se fundamenta nos interesses respectivos, assim como na capacidade de cada país de fazer valer tais interesses e posições.
As cercanias regionais podem servir para o maior entendimento entre os países, que terão presentes experiências comuns do passado, a par da validade da cooperação, como instrumento de paz e prosperidade. Se o mundo moderno e o temor das armas nucleares contribuem para tentar construir realidades mais consentâneas com o convívio pacífico e não as oposições maniqueístas e os métodos hobbesianos do passado, enganam-se aqueles – como Rousseau dizia do Abbé de Saint Pierre – ‘com grandes ideias e estreitas visões’ que pensam construir amizades duradouras sobre a areia de interesses contrapostos.
Confiando a um grupo de políticos municipais e sindicalistas a sua visão da diplomacia, que é versão do ‘fazer amigos e influenciar pessoas’ de Dale Carnegie, o pai da auto-ajuda, Lula prestaria aos brasileiros um favor, ao entremostrar a rationale que subjaz à sua incursão na área da grande política.
Quando Clemenceau declarava que a guerra era coisa demasiado importante para ser deixada aos generais, não queria decerto substituir-se ao conhecimento tático dos militares, mas trazer para a ‘Grande Guerra’ a visão mais larga do estadista.
Lula, por sua vez, não pode intrometer-se em searas que lhe são desconhecidas, ou de que possui compreensão superficial, similar a de seus eventuais ouvintes. O Brasil se pauta por manter boas relações com a maior parte do mundo, mas isto não quer dizer que tenhamos muitas afinidades e interesses comuns com o governo de um país como o Irã, que enforca dissidentes de opinião, renega diversos acordos, se empenha na construção de usinas subterrâneas votadas ao enriquecimento do urânio, etc.etc.
Passados os seus quinze minutos de notoriedade internacional, o Cara, ungido por Obama, começa a descobrir que prestígio e trânsito internacional têm muito a ver com as respectivas posições e eventuais amizades.
Não vamos aqui desfiar a série de tropeços da diplomacia do senhor Lula da Silva. O ingênuo é pensar que se pode continuar a ser o rei da cocada preta, enquanto diz e faz o que lhe dá na veneta.
Reza a sabedoria popular, que nosso Presidente tanto preza, que quem diz e faz o que bem entende, não só ouve, mas também vê o que não quer.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
Como de hábito, falando de improviso e na sua lingua coloquial, declarou para o público da 13ª Marcha dos Prefeitos: “É muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a proposta, porque tem gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo, e sou daqueles que só sabem fazer política construindo amigos”.
Outra vez tenho de mencionar a observação de Lord Altrincham, a respeito da ainda jovem Elizabeth II, e de sua vozinha nos discursos,”que lhe dava um mal-estar no pescoço”. A expressão inglesa alude a um vivo desconforto sentida por alguém a propósito de uma determinada situação.
Quiçá examinando a atitude de Lula possamos entender melhor a nossa perplexidade. Diplomacia não é arte de fazer amigos, mas de compor interesses e encontrar soluções aceitáveis, nos âmbitos bilateral e multilateral. A amizade entre os Estados e as Nações é um conceito que se fundamenta nos interesses respectivos, assim como na capacidade de cada país de fazer valer tais interesses e posições.
As cercanias regionais podem servir para o maior entendimento entre os países, que terão presentes experiências comuns do passado, a par da validade da cooperação, como instrumento de paz e prosperidade. Se o mundo moderno e o temor das armas nucleares contribuem para tentar construir realidades mais consentâneas com o convívio pacífico e não as oposições maniqueístas e os métodos hobbesianos do passado, enganam-se aqueles – como Rousseau dizia do Abbé de Saint Pierre – ‘com grandes ideias e estreitas visões’ que pensam construir amizades duradouras sobre a areia de interesses contrapostos.
Confiando a um grupo de políticos municipais e sindicalistas a sua visão da diplomacia, que é versão do ‘fazer amigos e influenciar pessoas’ de Dale Carnegie, o pai da auto-ajuda, Lula prestaria aos brasileiros um favor, ao entremostrar a rationale que subjaz à sua incursão na área da grande política.
Quando Clemenceau declarava que a guerra era coisa demasiado importante para ser deixada aos generais, não queria decerto substituir-se ao conhecimento tático dos militares, mas trazer para a ‘Grande Guerra’ a visão mais larga do estadista.
Lula, por sua vez, não pode intrometer-se em searas que lhe são desconhecidas, ou de que possui compreensão superficial, similar a de seus eventuais ouvintes. O Brasil se pauta por manter boas relações com a maior parte do mundo, mas isto não quer dizer que tenhamos muitas afinidades e interesses comuns com o governo de um país como o Irã, que enforca dissidentes de opinião, renega diversos acordos, se empenha na construção de usinas subterrâneas votadas ao enriquecimento do urânio, etc.etc.
Passados os seus quinze minutos de notoriedade internacional, o Cara, ungido por Obama, começa a descobrir que prestígio e trânsito internacional têm muito a ver com as respectivas posições e eventuais amizades.
Não vamos aqui desfiar a série de tropeços da diplomacia do senhor Lula da Silva. O ingênuo é pensar que se pode continuar a ser o rei da cocada preta, enquanto diz e faz o que lhe dá na veneta.
Reza a sabedoria popular, que nosso Presidente tanto preza, que quem diz e faz o que bem entende, não só ouve, mas também vê o que não quer.
( Fonte: Folha de S. Paulo )
quinta-feira, 20 de maio de 2010
CIDADE NUA III
Doce Ilusão (06)
Levando o celular, tomou o ônibus para a Barra. Sem saber ao certo o que fazer, pensa matar o tempo andando pelas galerias do shopping. Como nenhuma das datas da civilização ocidental – páscoa, dia das mães, natal - está por perto, conta caminhar sem atropelo de gentes nem indefectível zoada de fundos musicais.
Sorrindo lembrou-se de uma tia que o tachara de comodista. Segundo ela, não via interesse em mudar de programa. Teria mesmo preguiça em explorar cousas novas, preferindo sempre as certezas de ambientes já conhecidos ?
Deu de ombros. A velha parenta apenas sobrevivia na sua memória graças àquela crítica.
Se depois lhe perguntassem, não saberia explicar por que entrara na loja acanhada.
Além dele, não havia nenhum outro freguês.
Fingindo examinar um mostruário de blusas, vê acercar-se a solitária atendente.
A princípio, não levanta a vista. Trouxera o cartão quase por descuido, eis que, com a compra do ar, a conta já beira o vermelho.
“ Que tal experimentar uma delas, talvez a azul ?”
Alberto não gosta de vendedoras do tipo invasivo.
Assim, de chofre, alça o rosto, querendo encará-la.
Diante dele, dois olhos grandes o contemplam.
A visão o perturba. A ponto de perder-se no seu brilho ambíguo, que esconde, quem sabe, marcas de um sorriso.
“Acho que esta lhe cai muito bem.”
Maquinalmente ele a leva para o vestiário.
Mal se vê no espelho.
“Parece que foi cortada sob medida. Fica com ela, não é ?”
Ininteligível, a resposta. Entrementes, a sua atenção a abraça por inteiro.
“ Posso lhe fazer cinco vezes no cartão...”
Como um autômato, ele assente.
Tem vaga noção da loucura que está cometendo.
Enquanto a moça capricha no embrulho, o comprador se deleita no corpo esguio, na pela morena e na discreta tatuagem que se entrevê sobre a anca direita.
“ A que horas o seu turno termina ?”
Por um átimo, passa pelo rosto a sombra de uma interrogação.
“Às seis.”
*
Como para um colegial a esperar pela namoradinha, o tempo do reencontro se dividiu em instantes de euforia e longos quartos de hora de dúvida.
Afinal, o que significava a pronta indicação de quando ela deixaria o trabalho ? Queria acreditar no bom presságio, mas que segurança trazia de outras promessas ?
Mais pensasse no programa, nele crescia uma certeza. O importante era não antecipar nada. Lidar com cada momento, sem querer deles presumir ocultos significados. Sobretudo, evitar que qualquer ansiedade transpirasse.
Caso contrário, poria tudo a perder...
*
Levando o celular, tomou o ônibus para a Barra. Sem saber ao certo o que fazer, pensa matar o tempo andando pelas galerias do shopping. Como nenhuma das datas da civilização ocidental – páscoa, dia das mães, natal - está por perto, conta caminhar sem atropelo de gentes nem indefectível zoada de fundos musicais.
Sorrindo lembrou-se de uma tia que o tachara de comodista. Segundo ela, não via interesse em mudar de programa. Teria mesmo preguiça em explorar cousas novas, preferindo sempre as certezas de ambientes já conhecidos ?
Deu de ombros. A velha parenta apenas sobrevivia na sua memória graças àquela crítica.
Se depois lhe perguntassem, não saberia explicar por que entrara na loja acanhada.
Além dele, não havia nenhum outro freguês.
Fingindo examinar um mostruário de blusas, vê acercar-se a solitária atendente.
A princípio, não levanta a vista. Trouxera o cartão quase por descuido, eis que, com a compra do ar, a conta já beira o vermelho.
“ Que tal experimentar uma delas, talvez a azul ?”
Alberto não gosta de vendedoras do tipo invasivo.
Assim, de chofre, alça o rosto, querendo encará-la.
Diante dele, dois olhos grandes o contemplam.
A visão o perturba. A ponto de perder-se no seu brilho ambíguo, que esconde, quem sabe, marcas de um sorriso.
“Acho que esta lhe cai muito bem.”
Maquinalmente ele a leva para o vestiário.
Mal se vê no espelho.
“Parece que foi cortada sob medida. Fica com ela, não é ?”
Ininteligível, a resposta. Entrementes, a sua atenção a abraça por inteiro.
“ Posso lhe fazer cinco vezes no cartão...”
Como um autômato, ele assente.
Tem vaga noção da loucura que está cometendo.
Enquanto a moça capricha no embrulho, o comprador se deleita no corpo esguio, na pela morena e na discreta tatuagem que se entrevê sobre a anca direita.
“ A que horas o seu turno termina ?”
Por um átimo, passa pelo rosto a sombra de uma interrogação.
“Às seis.”
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Como para um colegial a esperar pela namoradinha, o tempo do reencontro se dividiu em instantes de euforia e longos quartos de hora de dúvida.
Afinal, o que significava a pronta indicação de quando ela deixaria o trabalho ? Queria acreditar no bom presságio, mas que segurança trazia de outras promessas ?
Mais pensasse no programa, nele crescia uma certeza. O importante era não antecipar nada. Lidar com cada momento, sem querer deles presumir ocultos significados. Sobretudo, evitar que qualquer ansiedade transpirasse.
Caso contrário, poria tudo a perder...
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