O Presidente Barack Obama apresentou ontem, 22 de fevereiro, por primeira vez, proposta de Projeto de Reforma do Plano Geral de Saúde estadunidense. Depois do tropeço no estado de Massachusetts, em que o Partido Democrata perdeu o sexagésimo voto no Senado, modificaram-se bastante as perspectivas de aprovação da Reforma Sanitária no Congresso Americano.
Atualmente existem dois projetos de lei, aprovados separadamente pela Camara de Representantes e pelo Senado. Antes da inesperada vitória do desconhecido Ron Brown, tratava-se de proceder à Conferência de Conciliação, em que os dois projetos seriam transformados em um, com condições de aprovação pelas duas Câmaras. Agora o horizonte do importante projeto legislativo se ensombreceu, com a real possibilidade de que os republicanos logrem enterrá-lo no Senado, através do recurso a filibuster.
O Presidente Obama resolveu ora fazer o que provavelmente deveria ter realizado antes, vale dizer assumir papel mais dinâmico e presidencial na condução do projeto, que é a principal iniciativa de sua Administração no plano interno.
Apresentou ele em audiência pública projeto que consolida as versões de Senado e Câmara. Como a sua atuação anterior já indicara, Obama pende mais para o projeto do Senado. Segundo os cálculos, a cobertura seria extendida para mais 31 milhões de americanos – que hoje estão a descoberto – o que implicaria em um dispêndio de USS$ 950 bilhões em dez anos, o que é mais do que os US$ 871 bilhões do Senado, mas menos do que os US$ 1.05 trilhão da Câmara. A Administração estima que o plano reduzirá o déficit federal em 100 bilhões de dólares nos próximos dez anos, e cerca de um trilhão na segunda década, através do corte de despesas e do maior controle sobre desperdício e fraude.
Consoante o projeto do Senado, o projeto presidencial não inclui a chamada opção pública (adotada pelo plano da Câmara). De conformidade com o Senado, o projeto de Obama prevê câmaras estaduais de seguro. No entanto, há diferenças relevantes quanto ao projeto do Senado. Elimina-se o privilégio concedido a Nebrasca – arrancado por seu Senador – de que a União pague àquele estado o custo com a expansão do Medicaid. Doravante, de 2014 até 2017, a União absorverá o custo adicional em todos os Estados.
O projeto consolidado também ab-roga regras impopulares, que hoje discriminam contra pacientes com problemas clínicos pré-existentes. E cancela outrossim a determinação do Medicare de que os segurados devem arcar com os custos dos remédios de prescrição médica entre US$2,700 e US$ 6,100, durante cada ano.
Na próxima quinta-feira, haverá uma audiência pública, convocada pelo Presidente, em que Republicanos e Democratas discutirão a matéria, em encontro coberto pelas redes nacionais de televisão. O Presidente conta com a possibilidade de que essa conferência possa desobstruir o caminho para a eventual aprovação do projeto de reforma. Embora a atitude das bancadas republicanas no Senado e na Câmara indiquem a baixa probabilidade de tal dramática mudança, a Casa Branca conta com o chamado efeito bipartidário. Nesse contexto, as últimas pesquisas de opinião creditaram ao Presidente real esforço no sentido de alcançar-se eventual acordo bipartidário, sendo reconhecida pela maioria do eleitorado a postura negativista do partido Republicano, que tem inviabilizado qualquer possibilidade de entendimento nacional no Congresso.
Com a acentuada mudança no Senado, em que os democratas não mais dispõem da super-maioria dos sessenta votos, e as diferenças existentes entre as bancadas democratas em Câmara e Senado – nenhuma delas até o presente avalizou a proposta do Presidente -, as perspectivas de êxito da iniciativa de Barack Obama não são brilhantes. Não obstante, a passagem da reforma sanitária não possa ser excluída, até mesmo pelo procedimento radical da chamada reconciliação fiscal – aprovação por maioria simples no Senado e na Câmara de um projeto redimensionado da aludida reforma – como admitido pela própria Casa Branca.
Obama extende aos republicanos o ramo de oliveira de uma discussão franca de um projeto de interesse nacional. Se o G.O.P. persistir na linha de confrontação – quanto pior, melhor – o fará incorrendo no risco de ser carimbado pela opinião pública como favorecendo interesses de facção, em detrimento de um genuino entendimento nacional.
( Fonte: International Herald Tribune )
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
O Embuste do Novo Metrô
Depois da inauguração da estação General Osório, em Ipanema, feita com a fanfarra das grandes ocasiões – com direito à presença do Presidente Lula – e a simultânea ‘inauguração’ da linha 1A , com ligação da Pavuna a Botafogo, cercou o metrô carioca atmosfera de otimismo.
Afinal, a gente da baixada teria um acesso mais pronto ao centro e à zona sul. No entanto, bem cedo se verificou que a realidade era bem diferente.
O metrô, ao invés de ficar mais confortável e rápido, tornou-se verdadeiro transporte de terceiro mundo, com ar condicionado deficiente, transporte lento, carros superlotados e geral e completo desconforto.
O atropelo no embarque, os longos intervalos entre as composições, o excessivo calor dentro dos vagões atopetados de gente, só poderiam provocar cenas lamentáveis de mal-estar e desmaios, nos carros lotados.
Não se fale de respeito pelo idoso, por pessoas com deficiências, pelas mulheres grávidas que num verdadeiro vale-tudo uma turba de impetuosos jovens cuidava de ocupar os lugares, em acintoso desrespeito a qualquer regra seja de mínima educação ou sequer de atenção às disposições dos assentos.
A concessionária, a par de não haver providenciado vagões condizentes para o serviço, tampouco se dá ao trabalho de assegurar a existência de condições de respeito ao usuário, através de um corpo de fiscais dignos desse nome. O que temos atualmente é a enorme deterioração do atendimento à população, que é decorrente da falta do poder estatal (Governo do Estado) de assegurar condições mínimas nas linhas e nos equipamentos, para que o transporte de massa não seja assemelhado a vagões de carga animal.
Com efeito, o Governador Sergio Cabral, com estranha liberalidade estendeu a concessão à Metrô Rio para mais vinte anos. Sem embargo, a concessionária não construiu a nova Estação da Cruz Vermelha, nem realizou a conexão entre as linhas um e dois na Estação da Carioca, preferindo fazê-lo na da Central do Brasil.
A par do trabalho do Deputado Alessandro Molon, o Ministério Público entrou na questão. Em função da citada superlotação, a mais de problemas de sinalização e riscos de acidente, o promotor Carlos Andresano Moreira, da 3ª Promotoria de Justiça e Defesa do Consumidor, apresentou ação civil pública, com pedido de liminar, para que o antigo sistema seja restabelecido até que haja condições adequadas de operação.
Para o Ministério Público, a conexão direta entre Pavuna e Botafogo só poderá funcionar com a conclusão das obras da estação Cidade Nova, a implementação de sistema automático de sinalização, a chegada dos 114 trens encomendados pela concessionária Metrô Rio – com entrega prevista para 2011 – e o restabelecimento do intervalo de quatro minutos entre os trens.
( Fonte: O Globo)
Afinal, a gente da baixada teria um acesso mais pronto ao centro e à zona sul. No entanto, bem cedo se verificou que a realidade era bem diferente.
O metrô, ao invés de ficar mais confortável e rápido, tornou-se verdadeiro transporte de terceiro mundo, com ar condicionado deficiente, transporte lento, carros superlotados e geral e completo desconforto.
O atropelo no embarque, os longos intervalos entre as composições, o excessivo calor dentro dos vagões atopetados de gente, só poderiam provocar cenas lamentáveis de mal-estar e desmaios, nos carros lotados.
Não se fale de respeito pelo idoso, por pessoas com deficiências, pelas mulheres grávidas que num verdadeiro vale-tudo uma turba de impetuosos jovens cuidava de ocupar os lugares, em acintoso desrespeito a qualquer regra seja de mínima educação ou sequer de atenção às disposições dos assentos.
A concessionária, a par de não haver providenciado vagões condizentes para o serviço, tampouco se dá ao trabalho de assegurar a existência de condições de respeito ao usuário, através de um corpo de fiscais dignos desse nome. O que temos atualmente é a enorme deterioração do atendimento à população, que é decorrente da falta do poder estatal (Governo do Estado) de assegurar condições mínimas nas linhas e nos equipamentos, para que o transporte de massa não seja assemelhado a vagões de carga animal.
Com efeito, o Governador Sergio Cabral, com estranha liberalidade estendeu a concessão à Metrô Rio para mais vinte anos. Sem embargo, a concessionária não construiu a nova Estação da Cruz Vermelha, nem realizou a conexão entre as linhas um e dois na Estação da Carioca, preferindo fazê-lo na da Central do Brasil.
A par do trabalho do Deputado Alessandro Molon, o Ministério Público entrou na questão. Em função da citada superlotação, a mais de problemas de sinalização e riscos de acidente, o promotor Carlos Andresano Moreira, da 3ª Promotoria de Justiça e Defesa do Consumidor, apresentou ação civil pública, com pedido de liminar, para que o antigo sistema seja restabelecido até que haja condições adequadas de operação.
Para o Ministério Público, a conexão direta entre Pavuna e Botafogo só poderá funcionar com a conclusão das obras da estação Cidade Nova, a implementação de sistema automático de sinalização, a chegada dos 114 trens encomendados pela concessionária Metrô Rio – com entrega prevista para 2011 – e o restabelecimento do intervalo de quatro minutos entre os trens.
( Fonte: O Globo)
CIDADE NUA (II)
Doris ( 1 )
Sonia parecia nervosa. Não parava quieta. Por duas vezes, falou pelo interfone com o porteiro.
“Pode-se saber o que está acontecendo ?”, perguntou Almir.
“Nada de importante !”, respondeu, com o jeito ríspido habitual.
Lentamente, passam os minutos.
De novo, ela se levanta do poltrona e vai para a cozinha. Em seguida, ele ouve a mulher abrir a porta de serviço para, instantes depois, fechá-la com força. Não demora muito e está no interfone outra vez. Tenta entender o que diz, mas não consegue.
Volta de lá com o semblante carregado de costume. Almir hesita, mas afinal resolve insistir.
“Você podia me dizer quem ‘cê tá esperando ?”
Por um átimo, ela o encarou. Temeu que gritasse, como era seu vezo, quando algo a incomodava. Para seu alívio, no entanto, a cena não ocorreu.
Sentada na poltrona, baixou a fronte, enquanto de leve a massageava com dedos da mão direita.
“ Me deixa em paz !”
Dito como se fora ordem, ele prefere não contrariar.
Folheia o jornal. As páginas não trazem nada de interesse. Com um bocejo, espia o relógio. Ainda não é hora de sair para o turno da tarde.
*
Acordou com o barulho da chamada.
Olha em torno, mas não encontra a mulher. Ao dar-se conta da hora, tratou de pegar logo o casaco.
Sai meio afobado para o trabalho. Da porta da frente, dá um tchau para Sonia. Embora não tenha resposta, fica com a impressão de haver escutado a sua voz.
*
“ Dona Sonia ? Aquelas duas pessoas chegaram... Podem subir?”
“ Tá bem.”
Ansiosa, teve ganas de fumar um cigarro. Já ia pegar da carteira, quando mudou de ideia. Melhor resolver o assunto primeiro. Depois, teria todo o tempo.
*
“ Você é a Genoveva ?”
Mulata atarracada, com ares de cinquentona, pensou. A seu lado, jovem magricela, mais alta. Sobraçava uma trouxa.
“ Sim... e a senhora, dona Sonia ?”
“ Exatamente.”
Por um instante as duas se entreolharam.
“ Que acha da menina esperar no quartinho, enquanto a gente acerta?”
Genoveva assentiu, e com leve meneio fez a acompanhante obedecer.
“ Aceita um cafezinho ?”
As duas foram para a copa. Havia um sorriso nos lábios da patroa, mas a outra continuou séria.
Em silêncio, deixou a dona servir.
“ Açúcar ou adoçante ?”
“ Açúcar, duas colheres.”
Sem dizer palavra, devagar, elas tomaram.
“Sabe de uma coisa, Genoveva... Não quis falar no telefone, mas achei um pouco caro.”
“ Não seja por isso dona Sonia... A gente dá o dito por não dito, e é isso aí.”
“ Então pra você não tem discussão ? É pegar ou largar.”
Sobreveio uma pausa. Sonia parecia inquieta.
Ao contrário da mulata, que permanecia impassível.
“ Como é que ficamos ?”
Por segunda vez, a mulher a encarou.
“ Pelo visto, dona, não ficamos.”
“ ‘Pera um minuto !”, disse Sonia, alçando a voz. “ Será que afinal não dá pra conversar ?!”
A face de Genoveva se contraíu, à maneira de quem busca controlar a irritação.
“ Tou vendo, dona, que a gente tá perdendo tempo... Vejo também que a senhora não tá querendo pagar o combinado...”
“ Calma aí... não vamo brigar por bobagem...”
As vistas apertadas da outra a esquadrinharam, por um momento.
“ A senhora paga ou não paga o combinado ? Será que não dá pra entender que eu não tou aqui pra regatear preço ?”
Sonia respirou fundo. Não gostava de ser contrariada. A mulata, porém, não estava a fim de ceder, e ela temia entornar o caldo, se insistisse demasiado.
“Tá bem! tá bem ! Você ganhou: vou buscar os cobres.”
Foi irritada, mas voltaria com um sorrisinho.
Recebendo o envelope, Genoveva contou o dinheiro, nota por nota.
Conferida a paga, estendeu-lhe a mão.
“Negócio fechado.”
E sem sequer um olhar para a moça saíu pela porta afora.
*
Sonia parecia nervosa. Não parava quieta. Por duas vezes, falou pelo interfone com o porteiro.
“Pode-se saber o que está acontecendo ?”, perguntou Almir.
“Nada de importante !”, respondeu, com o jeito ríspido habitual.
Lentamente, passam os minutos.
De novo, ela se levanta do poltrona e vai para a cozinha. Em seguida, ele ouve a mulher abrir a porta de serviço para, instantes depois, fechá-la com força. Não demora muito e está no interfone outra vez. Tenta entender o que diz, mas não consegue.
Volta de lá com o semblante carregado de costume. Almir hesita, mas afinal resolve insistir.
“Você podia me dizer quem ‘cê tá esperando ?”
Por um átimo, ela o encarou. Temeu que gritasse, como era seu vezo, quando algo a incomodava. Para seu alívio, no entanto, a cena não ocorreu.
Sentada na poltrona, baixou a fronte, enquanto de leve a massageava com dedos da mão direita.
“ Me deixa em paz !”
Dito como se fora ordem, ele prefere não contrariar.
Folheia o jornal. As páginas não trazem nada de interesse. Com um bocejo, espia o relógio. Ainda não é hora de sair para o turno da tarde.
*
Acordou com o barulho da chamada.
Olha em torno, mas não encontra a mulher. Ao dar-se conta da hora, tratou de pegar logo o casaco.
Sai meio afobado para o trabalho. Da porta da frente, dá um tchau para Sonia. Embora não tenha resposta, fica com a impressão de haver escutado a sua voz.
*
“ Dona Sonia ? Aquelas duas pessoas chegaram... Podem subir?”
“ Tá bem.”
Ansiosa, teve ganas de fumar um cigarro. Já ia pegar da carteira, quando mudou de ideia. Melhor resolver o assunto primeiro. Depois, teria todo o tempo.
*
“ Você é a Genoveva ?”
Mulata atarracada, com ares de cinquentona, pensou. A seu lado, jovem magricela, mais alta. Sobraçava uma trouxa.
“ Sim... e a senhora, dona Sonia ?”
“ Exatamente.”
Por um instante as duas se entreolharam.
“ Que acha da menina esperar no quartinho, enquanto a gente acerta?”
Genoveva assentiu, e com leve meneio fez a acompanhante obedecer.
“ Aceita um cafezinho ?”
As duas foram para a copa. Havia um sorriso nos lábios da patroa, mas a outra continuou séria.
Em silêncio, deixou a dona servir.
“ Açúcar ou adoçante ?”
“ Açúcar, duas colheres.”
Sem dizer palavra, devagar, elas tomaram.
“Sabe de uma coisa, Genoveva... Não quis falar no telefone, mas achei um pouco caro.”
“ Não seja por isso dona Sonia... A gente dá o dito por não dito, e é isso aí.”
“ Então pra você não tem discussão ? É pegar ou largar.”
Sobreveio uma pausa. Sonia parecia inquieta.
Ao contrário da mulata, que permanecia impassível.
“ Como é que ficamos ?”
Por segunda vez, a mulher a encarou.
“ Pelo visto, dona, não ficamos.”
“ ‘Pera um minuto !”, disse Sonia, alçando a voz. “ Será que afinal não dá pra conversar ?!”
A face de Genoveva se contraíu, à maneira de quem busca controlar a irritação.
“ Tou vendo, dona, que a gente tá perdendo tempo... Vejo também que a senhora não tá querendo pagar o combinado...”
“ Calma aí... não vamo brigar por bobagem...”
As vistas apertadas da outra a esquadrinharam, por um momento.
“ A senhora paga ou não paga o combinado ? Será que não dá pra entender que eu não tou aqui pra regatear preço ?”
Sonia respirou fundo. Não gostava de ser contrariada. A mulata, porém, não estava a fim de ceder, e ela temia entornar o caldo, se insistisse demasiado.
“Tá bem! tá bem ! Você ganhou: vou buscar os cobres.”
Foi irritada, mas voltaria com um sorrisinho.
Recebendo o envelope, Genoveva contou o dinheiro, nota por nota.
Conferida a paga, estendeu-lhe a mão.
“Negócio fechado.”
E sem sequer um olhar para a moça saíu pela porta afora.
*
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Colcha de Retalhos XXXVIII
A luta de Yulia V. Timoshenko
Candidata à Presidente da Ucrânia nas eleições de sete de fevereiro corrente, Yulia V. Timoshenko, terá sido derrotada por Viktor F. Yanukovich, líder do partido das Regiões, por uma diferença de apenas 3,5 pontos percentuais.
Como se sabe, em função da chamada revolução laranja, Yanukovich fora forçado em 2004 a renunciar à presidência, sob suspeita de fraude eleitoral generalizada.
Desta feita, apesar de instada a fazê-lo, a candidata nacionalista Yulia Timoshenko se recusou a conceder a vitória ao rival Yanukovich (considerado pró-russo). Os observadores internacionais presentes aos comícios julgaram-nos livres, e genuino seu resultado. Nesse sentido, diversos líderes – entre os quais Obama – já cumprimentaram Yanukovich.
Timoshenko entrou com ação junto à Corte Administrativa Superior, em que apela contra o resultado, alegando fraude eleitoral em larga escala. A Corte fez saber que decidirá sobre a apelação a 25 de fevereiro, justamente na data prevista para a posse de Yanukovich (que será, portanto, adiada).
Solicitada por Yanukovich a renunciar ao cargo de Primeiro Ministro, Yulia Timoshenko igualmente se negou. Entrementes, se inicia luta política entre as duas coalizões. Assim, o partido de Yanukovich procura novas alianças, para reunir os votos necessários (226 sufrágios em um parlamento de 450 membros) a um voto de desconfiança no gabinete da Sra. Timoshenko.
Por sua vez, a nacionalista – que passou a mostrar penteado com trança camponesa como sinal de sua opção patriótica, após a revolução laranja – Yulia se empenha em combate tanto judicial, quanto parlamentar, em que, ao contestar o triunfo do adversário, busca enfraquecer a aliança contrária e se preparar para um eventual novo turno eleitoral.
O gosto japonês por espécies ameaçadas
Segundo se veicula, o Japão não pretende participar de nenhum acordo internacional que vise a banir o comércio do atum azul (bluefin tuna) do Atlântico. É notório que a pesca industrial de explotação desta espécie causará a sua breve extinção.
Nesse contexto, se inserem os esforços das Nações Unidas para tentar preservar o que resta dos anteriores profusos cardumes do prelibado peixe.
O negociador japonês, Masanori Miyahara, se recusa a participar do entendimento: “É uma pena, mas é uma questão de princípio.”
Segundo o senhor Miyahara, essa espécie de atum seria da competência da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, e não da Convenção das Nações Unidas do Comércio em Espécies ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens (Cites).
Obviamente, com isso a importação para as mesas dos consumidores japoneses prosseguirá, até presumivelmente a extinção de mais esta espécie marinha.
Essa postura que ignora os deletérios efeitos dessa pesca industrial nada tem de original, no que concerne aos japoneses. A atitude do senhor Miyahara é apenas mais outra decorrência das preferências dos consumidores do Império do Sol Nascente.
Conquanto a situação das baleias tenha sido melhorada, pelo embargo internacional à caça predatória deste mamífero marinho, os japoneses ainda se escudam em uma quota científica para suposta pesquisa de trezentas baleias por ano.
O empenho nipônico na matéria – que acoberta o especial gosto da população pelo consumo dessa carne – pode ser sentido nos embates entre os mastodônticos navios de caça do Japão e as corajosas, mas pequenas, embarcações do Greenpeace, na sua altruista batalha em prol das longínquas parentes da tão malfalada Moby Dick.
O Calvário da Grécia
O ingresso da República Helênica no privilegiado clube do euro foi conseguido menos pela robustez econômica da economia grega, do que pela sua proverbial habilidade mercantil e financeira. Ao abandonar a histórica moeda dracma, a Grécia perseguia uma ilusão consumista, que, após alguns anos de uma existência que antes chamaríamos de viver à tripa forra, vem agora bater à porta dos responsáveis de turno pela administração grega, no caso os socialistas.
Com a explosão do déficit helênico muito além dos três por cento supostamente aplicados pela União Europeia, e a notória situação extrema de Atenas no grupo dos chamados Piigs – acrônimo dos paises mais endividados da U.E. (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) – um diretório europeu, liderado por Alemanha e França, deram prazo para que o governo grego lograsse aquilo que jamais antes fora conseguido.
Em outras palavras, sanear a economia, reduzindo a dívida a totais aceitáveis em termos comunitários.
Não tendo outra opção, o gabinete Papandreou se propõe apertar o cinto, o que significa reduzir o deficit de 12,7% para 3% em 2012, consoante a exigência da U.E. Assinale-se que atualmente as reservas gregas são de sete bilhões de euros, e a divida de... 300 bilhões.
No regime de desperdício que caracteriza a U.E. – basta ver o número de comissários sob a presidência do português José Manuel Barroso – e os gordos subsídios antes fornecidos por Bruxelas, cuja obtenção era bastante facilitada pela falta de controle de parte da autoridade comunitária, basta um exemplo entre muitos, a esse respeito.
Agora, Bruxelas exige devolução de 375 mil euros de associação de produtores de azeite da Ilha de Creta. Conforme noticiado, a associação mentiu tanto sobre o número de oliveiras plantadas, que se faria necessária uma linha de 144 km de Creta à ilha de Santorini para fornecer o espaço indispensável ao suposto plantio.
É evidente a responsabilidade dos cidadãos e da autoridade helênica. Mas muitos de tais abusos e farsescos contos do vigário só são críveis defronte da espantosa incompetência, negligência e eventual cumplicidade daqueles que deveriam zelar pelos fundos comunitários e sua apropriada aplicação.
(Fontes: International Herald Tribune e O Globo)
Candidata à Presidente da Ucrânia nas eleições de sete de fevereiro corrente, Yulia V. Timoshenko, terá sido derrotada por Viktor F. Yanukovich, líder do partido das Regiões, por uma diferença de apenas 3,5 pontos percentuais.
Como se sabe, em função da chamada revolução laranja, Yanukovich fora forçado em 2004 a renunciar à presidência, sob suspeita de fraude eleitoral generalizada.
Desta feita, apesar de instada a fazê-lo, a candidata nacionalista Yulia Timoshenko se recusou a conceder a vitória ao rival Yanukovich (considerado pró-russo). Os observadores internacionais presentes aos comícios julgaram-nos livres, e genuino seu resultado. Nesse sentido, diversos líderes – entre os quais Obama – já cumprimentaram Yanukovich.
Timoshenko entrou com ação junto à Corte Administrativa Superior, em que apela contra o resultado, alegando fraude eleitoral em larga escala. A Corte fez saber que decidirá sobre a apelação a 25 de fevereiro, justamente na data prevista para a posse de Yanukovich (que será, portanto, adiada).
Solicitada por Yanukovich a renunciar ao cargo de Primeiro Ministro, Yulia Timoshenko igualmente se negou. Entrementes, se inicia luta política entre as duas coalizões. Assim, o partido de Yanukovich procura novas alianças, para reunir os votos necessários (226 sufrágios em um parlamento de 450 membros) a um voto de desconfiança no gabinete da Sra. Timoshenko.
Por sua vez, a nacionalista – que passou a mostrar penteado com trança camponesa como sinal de sua opção patriótica, após a revolução laranja – Yulia se empenha em combate tanto judicial, quanto parlamentar, em que, ao contestar o triunfo do adversário, busca enfraquecer a aliança contrária e se preparar para um eventual novo turno eleitoral.
O gosto japonês por espécies ameaçadas
Segundo se veicula, o Japão não pretende participar de nenhum acordo internacional que vise a banir o comércio do atum azul (bluefin tuna) do Atlântico. É notório que a pesca industrial de explotação desta espécie causará a sua breve extinção.
Nesse contexto, se inserem os esforços das Nações Unidas para tentar preservar o que resta dos anteriores profusos cardumes do prelibado peixe.
O negociador japonês, Masanori Miyahara, se recusa a participar do entendimento: “É uma pena, mas é uma questão de princípio.”
Segundo o senhor Miyahara, essa espécie de atum seria da competência da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, e não da Convenção das Nações Unidas do Comércio em Espécies ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens (Cites).
Obviamente, com isso a importação para as mesas dos consumidores japoneses prosseguirá, até presumivelmente a extinção de mais esta espécie marinha.
Essa postura que ignora os deletérios efeitos dessa pesca industrial nada tem de original, no que concerne aos japoneses. A atitude do senhor Miyahara é apenas mais outra decorrência das preferências dos consumidores do Império do Sol Nascente.
Conquanto a situação das baleias tenha sido melhorada, pelo embargo internacional à caça predatória deste mamífero marinho, os japoneses ainda se escudam em uma quota científica para suposta pesquisa de trezentas baleias por ano.
O empenho nipônico na matéria – que acoberta o especial gosto da população pelo consumo dessa carne – pode ser sentido nos embates entre os mastodônticos navios de caça do Japão e as corajosas, mas pequenas, embarcações do Greenpeace, na sua altruista batalha em prol das longínquas parentes da tão malfalada Moby Dick.
O Calvário da Grécia
O ingresso da República Helênica no privilegiado clube do euro foi conseguido menos pela robustez econômica da economia grega, do que pela sua proverbial habilidade mercantil e financeira. Ao abandonar a histórica moeda dracma, a Grécia perseguia uma ilusão consumista, que, após alguns anos de uma existência que antes chamaríamos de viver à tripa forra, vem agora bater à porta dos responsáveis de turno pela administração grega, no caso os socialistas.
Com a explosão do déficit helênico muito além dos três por cento supostamente aplicados pela União Europeia, e a notória situação extrema de Atenas no grupo dos chamados Piigs – acrônimo dos paises mais endividados da U.E. (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) – um diretório europeu, liderado por Alemanha e França, deram prazo para que o governo grego lograsse aquilo que jamais antes fora conseguido.
Em outras palavras, sanear a economia, reduzindo a dívida a totais aceitáveis em termos comunitários.
Não tendo outra opção, o gabinete Papandreou se propõe apertar o cinto, o que significa reduzir o deficit de 12,7% para 3% em 2012, consoante a exigência da U.E. Assinale-se que atualmente as reservas gregas são de sete bilhões de euros, e a divida de... 300 bilhões.
No regime de desperdício que caracteriza a U.E. – basta ver o número de comissários sob a presidência do português José Manuel Barroso – e os gordos subsídios antes fornecidos por Bruxelas, cuja obtenção era bastante facilitada pela falta de controle de parte da autoridade comunitária, basta um exemplo entre muitos, a esse respeito.
Agora, Bruxelas exige devolução de 375 mil euros de associação de produtores de azeite da Ilha de Creta. Conforme noticiado, a associação mentiu tanto sobre o número de oliveiras plantadas, que se faria necessária uma linha de 144 km de Creta à ilha de Santorini para fornecer o espaço indispensável ao suposto plantio.
É evidente a responsabilidade dos cidadãos e da autoridade helênica. Mas muitos de tais abusos e farsescos contos do vigário só são críveis defronte da espantosa incompetência, negligência e eventual cumplicidade daqueles que deveriam zelar pelos fundos comunitários e sua apropriada aplicação.
(Fontes: International Herald Tribune e O Globo)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Recaídas
Estranho Silêncio
Segundo informa a Folha de S.Paulo, há mais de três meses o Supremo Tribunal Federal aguarda resposta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a perguntas sobre o conhecimento dele dos fatos apontados na ação penal do mensalão, bem como sua relação com os réus do processo.
O Presidente Lula foi indicado como testemunha de defesa por dois dos acusados no processo, os ex-deputados federais Roberto Jefferson e José Janene.
Ante a demora de Lula em responder ao questionamento da Procuradoria Geral da República, o Ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do processo, reenviou as questões ao Presidente a cinco de fevereiro corrente.
Conquanto não haja prazo determinado para atender aos quesitos repassados pelo Ministro Barbosa, o eventual atraso não pode ser excessivo a ponto de atrapalhar o andamento do processo.
Se não apresentar seu testemunho por escrito, Lula será passível de ser arguido por crime de desobediência à ordem legal, consoante informa a assessoria do Ministro.
As eventuais respostas de Luiz Inácio Lula da Silva serão o primeiro depoimento formal do Presidente sobre o caso.
As reações de Lula ao escândalo do mensalão – a mais séria crise enfrentada por seu governo – variam de observações que referem a prática generalizada do ‘caixa dois’ à negativa de sua existência, formulada em novembro de 2009: “foi uma tentativa de golpe no governo. Foi a maior armação já feita contra o governo.”
Vê-se pelo teor das respostas o obvio desconforto presidencial com o mensalão. Por outro lado, o emprego da chamada ‘tese conspiratória’, é utilizado com grande desenvoltura pelo PT, a despeito das ações penais que correm na Justiça.
De qualquer forma, Sua Excelência, como Primeiro Magistrado da Nação, terá que submeter-se ao dever legal de responder aos 33 quesitos redigidos pelo Ministério Público.
Síntomas Preocupantes
O Partido dos Trabalhadores pôs as manguinhas de fora, apresentando programa de governo para a pré-candidata Dilma Rousseff bastante mais à esquerda do que o proposto por sua Executiva.Dentre os pontos polêmicos, estão a taxação das grandes fortunas, o fim da criminalização de movimentos como o MST, apoio à criação de Comissão de Verdade para examinar os crimes da ditadura, e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Diante do fato consumado, a pré-candidata em seu discurso de hoje, adotaria tom moderado, em defesa da estabilidade. A esse propósito, a par das passadas posições da indicada pelo Presidente Lula – acrescida da indicação de Marco Aurélio Garcia para a coordenação da campanha – caberia a pergunta acerca do grau de controle da pré-candidata sobre o seu partido, à vista das discrepâncias entre plataforma partidária e o seu compromisso de manutenção da linha lulista.
Existem outras indicações de que o Partido dos Trabalhadores tem ulteriores dúvidas sobre a estratégia traçada pelo Presidente Lula. Assim, o congresso petista derrotou a emenda que previa a inclusão do PMDB como aliado preferencial.
Todos esses assomos de independentismo não mandam decerto boas mensagens para o Presidente, nem sobretudo para as perspectivas da futura governança. Abandonar o pragmatismo de Lula em termos de política economico-financeira pode ser tentação eleitoreira irresistível aos aloprados do petismo, mas não é nada bom para o posicionamento de correntes influentes da opinião pública que se reconciliaram com o governo petista justamente pela sua responsabilidade nas finanças.
A frase do colunista Merval Pereira – “Dilma sem Lula simplesmente não existe” – se mostra a força do apoio prestado à candidata de algibeira, sinaliza também a sua eventual fraqueza, se ungida à presidência, em ater-se à linha do então já ex-presidente.
É sabida a sovada máxima – ganhar com a esquerda, e governar com a direita. Entretanto, além dos problemas de conceituação, às vezes é difícil, uma vez destapada a garrafa, fazer com que os gênios a ela voltem.
( Fontes: Folha de S. Paulo e O Globo )
Segundo informa a Folha de S.Paulo, há mais de três meses o Supremo Tribunal Federal aguarda resposta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a perguntas sobre o conhecimento dele dos fatos apontados na ação penal do mensalão, bem como sua relação com os réus do processo.
O Presidente Lula foi indicado como testemunha de defesa por dois dos acusados no processo, os ex-deputados federais Roberto Jefferson e José Janene.
Ante a demora de Lula em responder ao questionamento da Procuradoria Geral da República, o Ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do processo, reenviou as questões ao Presidente a cinco de fevereiro corrente.
Conquanto não haja prazo determinado para atender aos quesitos repassados pelo Ministro Barbosa, o eventual atraso não pode ser excessivo a ponto de atrapalhar o andamento do processo.
Se não apresentar seu testemunho por escrito, Lula será passível de ser arguido por crime de desobediência à ordem legal, consoante informa a assessoria do Ministro.
As eventuais respostas de Luiz Inácio Lula da Silva serão o primeiro depoimento formal do Presidente sobre o caso.
As reações de Lula ao escândalo do mensalão – a mais séria crise enfrentada por seu governo – variam de observações que referem a prática generalizada do ‘caixa dois’ à negativa de sua existência, formulada em novembro de 2009: “foi uma tentativa de golpe no governo. Foi a maior armação já feita contra o governo.”
Vê-se pelo teor das respostas o obvio desconforto presidencial com o mensalão. Por outro lado, o emprego da chamada ‘tese conspiratória’, é utilizado com grande desenvoltura pelo PT, a despeito das ações penais que correm na Justiça.
De qualquer forma, Sua Excelência, como Primeiro Magistrado da Nação, terá que submeter-se ao dever legal de responder aos 33 quesitos redigidos pelo Ministério Público.
Síntomas Preocupantes
O Partido dos Trabalhadores pôs as manguinhas de fora, apresentando programa de governo para a pré-candidata Dilma Rousseff bastante mais à esquerda do que o proposto por sua Executiva.Dentre os pontos polêmicos, estão a taxação das grandes fortunas, o fim da criminalização de movimentos como o MST, apoio à criação de Comissão de Verdade para examinar os crimes da ditadura, e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Diante do fato consumado, a pré-candidata em seu discurso de hoje, adotaria tom moderado, em defesa da estabilidade. A esse propósito, a par das passadas posições da indicada pelo Presidente Lula – acrescida da indicação de Marco Aurélio Garcia para a coordenação da campanha – caberia a pergunta acerca do grau de controle da pré-candidata sobre o seu partido, à vista das discrepâncias entre plataforma partidária e o seu compromisso de manutenção da linha lulista.
Existem outras indicações de que o Partido dos Trabalhadores tem ulteriores dúvidas sobre a estratégia traçada pelo Presidente Lula. Assim, o congresso petista derrotou a emenda que previa a inclusão do PMDB como aliado preferencial.
Todos esses assomos de independentismo não mandam decerto boas mensagens para o Presidente, nem sobretudo para as perspectivas da futura governança. Abandonar o pragmatismo de Lula em termos de política economico-financeira pode ser tentação eleitoreira irresistível aos aloprados do petismo, mas não é nada bom para o posicionamento de correntes influentes da opinião pública que se reconciliaram com o governo petista justamente pela sua responsabilidade nas finanças.
A frase do colunista Merval Pereira – “Dilma sem Lula simplesmente não existe” – se mostra a força do apoio prestado à candidata de algibeira, sinaliza também a sua eventual fraqueza, se ungida à presidência, em ater-se à linha do então já ex-presidente.
É sabida a sovada máxima – ganhar com a esquerda, e governar com a direita. Entretanto, além dos problemas de conceituação, às vezes é difícil, uma vez destapada a garrafa, fazer com que os gênios a ela voltem.
( Fontes: Folha de S. Paulo e O Globo )
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Obama recebe o Dalai Lama
A audiência do Presidente Barack Obama ao Dalai Lama, líder espiritual do Tibet é acontecimento cuja importância reside precipuamente na sua realização.
A despeito dos protestos da liderança chinesa, e das suas ameaças genéricas, não é crível que o presidente Hu Jin Tao tivesse ilusões sobre a possibilidade de eventual recuo do homólogo americano. Tampouco a imagem de Obama, depois de seus percalços chineses (pouca divulgação de seu discurso na tevê chinesa, descortesia em Copenhague), sequer admitiria a eventualidade de cancelamento da visita do Dalai Lama.
Acresce notar a ritualidade dos protestos chineses a tudo que se relacione com atividades diplomáticas do líder tibetano. E no que respeita a Washington, nenhum antecessor de Obama deixou de encontrar-se com a carismática encarnação da nacionalidade tibetana.
Apesar de a audiência realizar-se na Casa Branca, residência oficial do Presidente, Obama fez alguma demonstração de boa vontade à República Popular da China, ao recebê-lo a sós, sem a presença da imprensa. Se teve a cortesia de distribuir a foto de ambos durante o encontro de uma hora, acompanhada de comunicado em que se defende a identidade do Tibete, não houve cobertura das redes televisivas da reunião.
A China por sua vez também cooperou na liturgia relacionada com a audiência. O Embaixador americano foi convocado mas por um vice-ministro das Relações Exteriores, Cui Tiankai, e a sua nota de protesto, se desconstruída sob luzes diplomáticas, foi até moderada. Exprime “forte insatisfação e resoluta oposição ao encontro”.
Dessarte, a despeito das aparências, inexiste muita diferença no comentário do Embaixador Jon Huntsman de que ‘agora é tempo para andar para a frente (move forward) e cooperar’, e nas ‘exigências’ chinesas de que “os Estados Unidos levem em séria consideração da posição da RPC, e adotem de imediato medidas para apagar os impactos adversos e deixem de colaborar (conniving) e apoiar as forças separatistas anti-chinesas.”
O Dalai Lama é o símbolo vivo da identidade tibetana. Já há vários anos deixou de preconizar a restauração da independência do Tibete – que, como se sabe, fora invadido e incorporado manu militari pela China comunista. Com essa atitude, o líder tibetano demonstrou grande realismo político. Continuou, no entanto, a batalhar pela preservação da autonomia do Tibete, assim como pela defesa de sua identidade cultural, ameaçada pelas hordas de imigração da etnia han, que é a predominante na RPC.
Malgrado todas as suas tentativas de negociação com Beijing, a liderança chinesa expressa visceral rejeição quanto à figura do Dalai Lama, que ela se pauta em rotular de separatista e de inimigo da China.
Diante da personalidade carismática do líder tibetano, que, a despeito de toda a repressão, continua a ser para a população autóctone a genuina expressão da nacionalidade tibetana, as reações da burocracia estatal chinesa se caracterizam pelo automatismo e pela coleta de série de malogros na luta inglória em tentar barrar os contatos internacionais do Dalai Lama.
Por conseguinte, a insatisfação da hierarquia da RPC nesse episódio carece de ser conduzida ao seu real significado, que é bastante limitado, e tende a esgotar-se, para efeitos práticos, no ritual acima descrito.
( Fonte: CNN )
A despeito dos protestos da liderança chinesa, e das suas ameaças genéricas, não é crível que o presidente Hu Jin Tao tivesse ilusões sobre a possibilidade de eventual recuo do homólogo americano. Tampouco a imagem de Obama, depois de seus percalços chineses (pouca divulgação de seu discurso na tevê chinesa, descortesia em Copenhague), sequer admitiria a eventualidade de cancelamento da visita do Dalai Lama.
Acresce notar a ritualidade dos protestos chineses a tudo que se relacione com atividades diplomáticas do líder tibetano. E no que respeita a Washington, nenhum antecessor de Obama deixou de encontrar-se com a carismática encarnação da nacionalidade tibetana.
Apesar de a audiência realizar-se na Casa Branca, residência oficial do Presidente, Obama fez alguma demonstração de boa vontade à República Popular da China, ao recebê-lo a sós, sem a presença da imprensa. Se teve a cortesia de distribuir a foto de ambos durante o encontro de uma hora, acompanhada de comunicado em que se defende a identidade do Tibete, não houve cobertura das redes televisivas da reunião.
A China por sua vez também cooperou na liturgia relacionada com a audiência. O Embaixador americano foi convocado mas por um vice-ministro das Relações Exteriores, Cui Tiankai, e a sua nota de protesto, se desconstruída sob luzes diplomáticas, foi até moderada. Exprime “forte insatisfação e resoluta oposição ao encontro”.
Dessarte, a despeito das aparências, inexiste muita diferença no comentário do Embaixador Jon Huntsman de que ‘agora é tempo para andar para a frente (move forward) e cooperar’, e nas ‘exigências’ chinesas de que “os Estados Unidos levem em séria consideração da posição da RPC, e adotem de imediato medidas para apagar os impactos adversos e deixem de colaborar (conniving) e apoiar as forças separatistas anti-chinesas.”
O Dalai Lama é o símbolo vivo da identidade tibetana. Já há vários anos deixou de preconizar a restauração da independência do Tibete – que, como se sabe, fora invadido e incorporado manu militari pela China comunista. Com essa atitude, o líder tibetano demonstrou grande realismo político. Continuou, no entanto, a batalhar pela preservação da autonomia do Tibete, assim como pela defesa de sua identidade cultural, ameaçada pelas hordas de imigração da etnia han, que é a predominante na RPC.
Malgrado todas as suas tentativas de negociação com Beijing, a liderança chinesa expressa visceral rejeição quanto à figura do Dalai Lama, que ela se pauta em rotular de separatista e de inimigo da China.
Diante da personalidade carismática do líder tibetano, que, a despeito de toda a repressão, continua a ser para a população autóctone a genuina expressão da nacionalidade tibetana, as reações da burocracia estatal chinesa se caracterizam pelo automatismo e pela coleta de série de malogros na luta inglória em tentar barrar os contatos internacionais do Dalai Lama.
Por conseguinte, a insatisfação da hierarquia da RPC nesse episódio carece de ser conduzida ao seu real significado, que é bastante limitado, e tende a esgotar-se, para efeitos práticos, no ritual acima descrito.
( Fonte: CNN )
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Resenha Macroeconômica
O balanço dos dois mandatos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito com antecipação de um ano – dada a presunção de que em ano de eleição poucas modificações tendem a ocorrer – apresenta um quadro constrastante, em que aspectos positivos são contrabalançados por negativos.
Do lado do haver, registram-se a baixa na inflação de 9,3% em 2003 para 4,31% em 2009 e a previsão de 4,78% em 2010; o relativo equilíbrio no superavit primário (receitas menos despesas, descontados os juros da dívida), de 3,3% (do PIB) em 2003 a 2,1% em 2009 ( o mais fraco desempenho provocado pela crise) e previsão de 3,3% em 2010.
Também nesse capítulo, se assinala a redução entre a dívida pública e o PIB. A projeção para 2010 é de 40,5% do PIB. Igualmente, carece de ser mencionada a capacidade de minimizar os efeitos da crise financeira internacional.
Do lado do dever, o Governo Lula manteve tendências negativas anteriores e enfatizou outras, igualmente prejudiciais. No campo inercial, ressalta o incremento continuado da carga tributária total (de 32,54% em 2003 para 35,02% em 2009 – com um pico de 35,16% em 2008). Já o spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes) oscilou entre 30,01% (2003) e 24,33 % (2009). O spread bancário não acompanhou em termos relativos a baixa na taxa Selic, que caíu para 8,75%.
Ainda no lado negativo, houve pronunciado aumento nos gastos correntes (despesas com funcionários estatais), que passou para 16,3% do PIB, enquanto os investimentos do setor público se acham em torno de um pífio 1%. Desenvolvimentos paralelos a tais opções estão no excesso de burocracia e regulamentação, e na ausência de um política afirmativa em termos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Com a apreciação do real em relação ao dólar estadunidense, as exportações tenderão a diminuir, com particular desafio aos produtos industriais encarecidos pela alta do real, e as importações devem ser infladas pelo barateamento do dólar, com a consequente pressão sobre a balança de gastos correntes.
Em suma, se a Administração Lula fez o seu dever de casa na política monetária e na gestão da dívida – a melhora em nossas contas internacionais se refletiu na posição segura do Brasil diante desta crise financeira internacional, ao contrário dos dissabores do passado – a política assistencialista do lulismo (Bolsa Família e inchação da burocracia estatal) aumentou de forma excessiva os gastos correntes (que, ao invés de outros dispêndios, são permanentes e inflexíveis), em detrimento dos investimentos em infraestrutura, mantidos dentro do inominável padrão de 1% do PIB.
A continuada ascensão da carga tributária total (35,02%), que não se traduz em válida contrapartida para o brasileiro em termos de investimentos básicos (saúde, educação, segurança) já constitui reflexo de políticas de desperdício (inchação das despesas públicas estatais, falta de uma política de investimentos, alto nível de corrupção).
Por outro lado, a política lulista de privilegiar o presente, com propósitos eleitoreiros de manutenção e ampliação de influência partidária, implica outrossim em renúncia de futuro com melhores condições de vida em geral para a própria população.
O brasileiro comum já sente esta culpável omissão no estado lastimável de nossas rodovias e ferrovias, na falta de obras de saneamento, no criminoso desleixo nas obras de prevenção e combate às enchentes, no desequilíbrio nas educações primária e secundária, e na geral omissão de investimentos em alta e média tecnologia. Basta um exame perfunctório de o que a China, a despeito de seu sobrepeso demográfico, está empreendendo nos domínios da energia limpa e na pesquisa de novas fontes energéticas, para que nos capacitemos do relativo atraso de nosso país, pela consistente opção do atual governo pela mediocridade imediatista de suas políticas de estampo clientelista.
Não nos esqueçamos, por conseguinte, que os nossos governantes – no Executivo e no Legislativo – são o reflexo da vontade do eleitor. A conscientização política, a pressão do Povo carece de exercer-se não só no dia do pleito, mas na elaboração da lista de candidatos. Na construção de um Brasil melhor, mais honesto, é fundamental que não se permita às atuais lideranças no Congresso que venham a desfigurar a iniciativa popular da eliminação dos fichas-sujas de Câmara e Senado. E que a sua aprovação seja de efeito imediato, e não empurrada para as calendas, como pretendem os atuais líderes corporativistas.
O dinheiro dos nossos impostos merece melhor sorte do que ser entornado em odres velhos e corrompidos. Por um Brasil mais justo!
( Fonte de dados econométricos: O Globo )
Do lado do haver, registram-se a baixa na inflação de 9,3% em 2003 para 4,31% em 2009 e a previsão de 4,78% em 2010; o relativo equilíbrio no superavit primário (receitas menos despesas, descontados os juros da dívida), de 3,3% (do PIB) em 2003 a 2,1% em 2009 ( o mais fraco desempenho provocado pela crise) e previsão de 3,3% em 2010.
Também nesse capítulo, se assinala a redução entre a dívida pública e o PIB. A projeção para 2010 é de 40,5% do PIB. Igualmente, carece de ser mencionada a capacidade de minimizar os efeitos da crise financeira internacional.
Do lado do dever, o Governo Lula manteve tendências negativas anteriores e enfatizou outras, igualmente prejudiciais. No campo inercial, ressalta o incremento continuado da carga tributária total (de 32,54% em 2003 para 35,02% em 2009 – com um pico de 35,16% em 2008). Já o spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes) oscilou entre 30,01% (2003) e 24,33 % (2009). O spread bancário não acompanhou em termos relativos a baixa na taxa Selic, que caíu para 8,75%.
Ainda no lado negativo, houve pronunciado aumento nos gastos correntes (despesas com funcionários estatais), que passou para 16,3% do PIB, enquanto os investimentos do setor público se acham em torno de um pífio 1%. Desenvolvimentos paralelos a tais opções estão no excesso de burocracia e regulamentação, e na ausência de um política afirmativa em termos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Com a apreciação do real em relação ao dólar estadunidense, as exportações tenderão a diminuir, com particular desafio aos produtos industriais encarecidos pela alta do real, e as importações devem ser infladas pelo barateamento do dólar, com a consequente pressão sobre a balança de gastos correntes.
Em suma, se a Administração Lula fez o seu dever de casa na política monetária e na gestão da dívida – a melhora em nossas contas internacionais se refletiu na posição segura do Brasil diante desta crise financeira internacional, ao contrário dos dissabores do passado – a política assistencialista do lulismo (Bolsa Família e inchação da burocracia estatal) aumentou de forma excessiva os gastos correntes (que, ao invés de outros dispêndios, são permanentes e inflexíveis), em detrimento dos investimentos em infraestrutura, mantidos dentro do inominável padrão de 1% do PIB.
A continuada ascensão da carga tributária total (35,02%), que não se traduz em válida contrapartida para o brasileiro em termos de investimentos básicos (saúde, educação, segurança) já constitui reflexo de políticas de desperdício (inchação das despesas públicas estatais, falta de uma política de investimentos, alto nível de corrupção).
Por outro lado, a política lulista de privilegiar o presente, com propósitos eleitoreiros de manutenção e ampliação de influência partidária, implica outrossim em renúncia de futuro com melhores condições de vida em geral para a própria população.
O brasileiro comum já sente esta culpável omissão no estado lastimável de nossas rodovias e ferrovias, na falta de obras de saneamento, no criminoso desleixo nas obras de prevenção e combate às enchentes, no desequilíbrio nas educações primária e secundária, e na geral omissão de investimentos em alta e média tecnologia. Basta um exame perfunctório de o que a China, a despeito de seu sobrepeso demográfico, está empreendendo nos domínios da energia limpa e na pesquisa de novas fontes energéticas, para que nos capacitemos do relativo atraso de nosso país, pela consistente opção do atual governo pela mediocridade imediatista de suas políticas de estampo clientelista.
Não nos esqueçamos, por conseguinte, que os nossos governantes – no Executivo e no Legislativo – são o reflexo da vontade do eleitor. A conscientização política, a pressão do Povo carece de exercer-se não só no dia do pleito, mas na elaboração da lista de candidatos. Na construção de um Brasil melhor, mais honesto, é fundamental que não se permita às atuais lideranças no Congresso que venham a desfigurar a iniciativa popular da eliminação dos fichas-sujas de Câmara e Senado. E que a sua aprovação seja de efeito imediato, e não empurrada para as calendas, como pretendem os atuais líderes corporativistas.
O dinheiro dos nossos impostos merece melhor sorte do que ser entornado em odres velhos e corrompidos. Por um Brasil mais justo!
( Fonte de dados econométricos: O Globo )
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