sábado, 4 de maio de 2019

Bolsonaro cancela ida a Nova York


                 

       O presidente Jair Bolsonaro resolveu cancelar a sua viagem aos Estados Unidos da América. Entre outros eventos, ele receberia, no dia catorze, o prêmio de Pessoa do Ano da Câmara de Comércio Brasil-EUA.
          De acordo com o Palácio do Planalto, ataques do Prefeito de New York a  Bolsonaro e pressões feitas contra a organização caracterizaram "ideologização" do evento.

Comentário do Blog:

          No futuro, o Presidente Bolsonaro será elogiado pelos organizadores, por não haver comparecido a uma reunião sem qualquer relevância, assim como haver sabido evitar o recebimento de comendas sem qualquer conexão com a realidade.

( Fonte: Folha de S.Paulo, em versão livre do blogueiro.)

Non Possumus


                                                 

       Se a situação venezuelana apresentara alguma possível contestação à presente realidade factual de um governo corrupto, como o de Nicolás Maduro, e a par disso, comprovadamente incapaz e inepto diante do  desafio colocado pelo pretendente Juan Guaidós e, também, de seu antigo mentor, Leopoldo López, que evadiu-se da residência forçada que lhe era imposta pelo regime, e refugiou-se sob as latino-americanas vestes do asilo diplomático, na Embaixada de Espanha - tendo como nota de pé de página a repercussão de suas declarações no governo espanhol, com diversas posturas políticas que mais devam ser lidas sob as caprichosas lentes das vindouras eleições e o consequente jogo dos diversos protagonistas de eleições gerais, já demasiado complicadas pelo embates das variegadas esperanças partidárias no cenário madrilenho, e as respectivas complicações no que tange ao sagrado direito de asilo em Latino America.  

       O título acima tem um longo e por vezes penoso trânsito na História. A crise venezuelana - e a de seu, convenhamos, inepto fautor - arrasta-se em praça pública e no processo dito revolucionário surge uma escala que não surpreenderá àqueles que estudam os seus avatares quer no mundo contemporâneo, quer nos seus passados exemplos.

        Juan Guaidós é deveras um estranho precursor. A História, essa velha e caprichosa Senhora, não costuma ser muito simpática com esse gênero de personagem. Sem embargo - e utilizo esse adversativo para de certa maneira adentrar a atmosfera que cerca a persona admirável que por primeiro ousa levantar a tocha - só mesmo alguém que não esteja bem da cabeça, ousaria duvidar das possibilidades de que o personagem único de um presidente interino reconhecido por cinquenta e tantos países, venha a romper o encanto de seus temporários predecessores, maculados pelo transitório interino e aferrar, seja por carisma, seja por coragem, e até mesmo pelo geral consentimento de tantas nações, que pelos caprichos dessa incansável e, por vezes, ardilosa anciã, se transforme em uma corrente do bem, que vá tornar peremptos tantos risinhos à socapa, e que de súbito venha a surpreender aos eternos gregos e troianos, tornando real o que para muitos não passaria de uma ficção, e que pela sua força viesse a liberar-se por sua ínsita coragem de tantas certezas que não ousem dizer seu nome, enquanto, cercado pelos cínicos convencionais, o que não fora concebido para ser realidade, mas sim apenas amostragem, não é que de repente a todos surpreende?

Em jogo a tradição diplomática brasileira ?


                 
        A notícia tem o atraso de uma semana, mas diante dos naturais retardos de tais questões, não creio que seja demasiado tarde para evitar-se não só um grave erro no contexto da tradição diplomática brasileira, mas também apontar para as características que marcam a atitude do Brasil através dos tempos em salvaguardar a liberdade de opinião, assim como o direito maior de respeitar a orientação democrática diante das posturas das ditaduras, assumidas ou não.

             É vezo das ditaduras e de regimes assemelhados, como o que vem sendo tentado, uma vez mais, reimplantar na Turquia por Recep Tayyip Erdogan, que a ideologia dos partidos e movimentos de oposição não seja havida como democrática, sendo assacada,até mesmo, de subversiva. A ideologia democrática pode representar um desafio para regimes como o de Erdogan, que desde muito se vem empenhando em radicalizar e até mesmo assacá-la de terrorista, como se vê agora com os procedimentos intentados pela virtual ditadura de Erdogan contra aqueles que, por motivos de consciência, tomam a corajosa postura de opor-se  ao atual regime implantado na Turquia.

             Para nossa tristeza, os trezentos turcos residentes no Brasil e que se opõem ao regime de Erdogan, e que se filiam ao Hizmet, entidade política encabeçada pelo clérigo Fethullah Gülen, asilado nos Estados Unidos, podem vir a ser considerados terroristas, se o governo brasileiro, para vergonha da tradição diplomática de Rio \Branco, vier a aceitar o que lhe tenta impingir o regime corrupto-autoritário de Erdogan. O absurdo de tal rationale é acentuado pelo detalhe  que o clérigo Fethullah Gülen vive há muitos anos nos Estados Unidos da América, o que para pessoas informadas quanto à realidade estadunidense, semelha indicação que expõe como absurda essa ridícula acusação de terrorista a alguém que se refugiara na terra de Abraham Lincoln. O que atemoriza a personagens autoritários como Recep Erdogan é o número de adeptos da pregação do clérigo Gülen, e por isso o tirano de plantão cuida de atribuir-lhe todo tipo de intentona, dadas as carismáticas características da ideologia libertária de clérigo que, não obstante viver no exterior, comanda o respeito de muitas pessoas no estamento turco. Por outro lado, dada a situação de desconforto intelectual advinda da repressão implantada por mais esse tirano oriental, o regime turco sofre dos mesmos sintomas que atenazam as ditaduras de outras paragens do planeta, demasiado afeitas à hipertrofia de imaginários perigos, que, em verdade, correspondem à demasiado explicável insegurança de regimes que vivem no medo e sob o temor de que as próprias falsidades sejam expostas.
                Por isso, o novo governo brasileiro deve dissociar-se das patranhas de Recep Erdogan, e não acolher  a processos de extradição como aquele ora intentado contra o empresário Ali Sipahi, detido desde seis de abril, por acusações espúrias que enodoam a democracia brasileira.

                   O governo nacional brasileiro não está a serviço de ditaduras, nem de regimes autoritários e repressivos, em que os lobos se vestem com a roupagem da democracia,  como a versão turca de Recep Erdogan, eis que felizmente vivemos sob a égide da liberdade, que não costuma lobrigar em cada esquina supostas ameaças ao próprio regime, como sói acontecer aos ditos homens fortes que, na verdade, vivem transidos sob o terror de que o seu mundo de mentiras seja desmascarado pelos intrépidos e perigosos sequazes do regime democrático, que é o anátema de ditadores como Erdogan.

                     O Brasil, enquanto democracia, não deve servir de gendarme das ditaduras, tanto as expostas, quanto aquelas disfarçadas como o atual regime turco.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Janot se despede do Ministério Público


                              
         Nomeado pela Presidenta Dilma Rousseff , SMJ, e por ela confirmado, Rodrigo Janot se marcaria por uma presença polêmica à frente do Ministério Público, sobretudo, na sua parte final, quando, na busca da incriminação do então Presidente Michel Temer valeu-se de uma entrevista noturna no Palácio do Jaburu, que teve como principais consequências a inviabilização política da reforma das pensões - que hoje intenta implementar  a  presidência de Jair Bolsonaro - e a viagem turística para Miami e Estados Unidos, em um mega-jato de propriedade dos irmãos do oligopólio da carne de exportação.

            Mais tarde, o espetáculo dessa viagem aos States, tornada possível pela ambição do PGR, que acreditara que essa escandalosa viagem, que recordaria, em moldes atualizados é certo, as viagens à civilização europeia e notadamente  a francesa, das cortes de suas Sumas Altezas Imperiais os Czares de todas as Rússias. Note-se que aí os gabinetes da Terceira República começaram a tecer os acordos que celebrariam tantas monumentos na Paris das primícias do Século Vinte, quando então Suas Excelências principiaram a tecer os acordos - que, hélas, se provariam enganosos, nas charnecas da Infame Grande Guerre - mas que deixariam a magnífica ponte que hoje atravessa o Sena e mais uma palavra no vocabulário moderno francês, a saber bistrot, que seria a designação dos botecos parisienses, dada a pressa dos russos em serem servidos, eis que pronunciarem, a princípio de forma incompreensível, para os parisienses do nascente século vinte ao dizerem bistrii, bistrii que significa rápido, como os então súditos de Suas Majestades Imperiais desejavam o bistrii-cafèzinho ou o cálice du rouge (vinho popular) que tanto prezavam, desde que prontamente servidos...

                A par de escandalizar a nação, ao permitir a travessia de ricaços e de miliardários para Miami e adjacências dos Senhores da Carne de Exportação, viagem essa que espantaria a Nação,  habituada à implacável burocracia aduaneira que cerca as viagens para o exterior - antes para as Europas, nos dias hodiernos para Miami e adjacências - enquanto a família do oligopólio da carne de exportação gostaria no seu particular estrangeiro de saída com estranhas, desmesuradas regalias, que a par de explicar tal acinte, não traria ao seu ambicioso artífice os resultados colimados, mas ao contrário um ressaibo amargo de um plano demasiado ambicioso e nos seus prosaicos resultados, quase pueril, máxime na sua descabida exposição de privilégios que, a não ser a vulgaridade, recordaram empresas fadadas ao ilusionário de um poder tão precário, quanto permissivo e um tanto ingênuo, dada a ostentação que lembrava o ancien regime dos boiardos russos...          

              Malgrado tais ambições, a aliança com o oligopólio da carne seria tão ilusória,quanto os planos do então PGR,eis que os seus processos encalharam no arsenal da Nova República, e a sua nêmesis presidencial não lhe traria os escatimados frutos...

(Fonte:  O Globo)

Collor de novo às voltas com a Justiça ?


                   
         A procuradora-geral da República, Raquel Dodge - em fim de mandato - pede ao Supremo que o Senador Fernando Collor de Mello seja condenado a 22 anos, oito meses e vinte dias de prisão, por haver recebido R$ 9,6  milhões em propinas da BR Distribuidora, entre 2010 e 2014, segundo a Acusação.

            A Procuradora-Geral pretende, outrossim, a cassação do mandato de Senador da República, ora a cargo do ex-presidente da República.

            Segundo a PGR, o grupo de Collor recebera R$ 29,95 milhões em propinas entre 2010 e 2014. Com relação à antojada perda de mandato, o julgamento que, por ora, e como é óbvio, não tem data prevista para ocorrer, caberia à Segunda Turma do STF.

           Admitida a instauração do processo, que pressuporia, SMJ, licença do Senado, semelha difícil formular previsões como se conformaria o juízo do aludido Senador pela dita Segunda Turma do Supremo. Até há pouco, essa colenda Turma se caracterizara mais pela leniência do que a Primeira, mas seria procedimento que margeia o leviano tentar determinar-lhe como se conformará a tendência no porvir do referido processo, caso se confirmem as várias condições que o predeterminaram.

( Fonte:  O Globo )

O Escândalo do Sumário Desfigurado


         
         Se  há atitude que esteja inquinada do menosprezo  (contempt of) da autoridade, é a ação insolente do Procurador-Geral William Barr, desfigurando com audàcia mais própria de pessoas que vivem às margens da Lei magna, o relatório do Conselheiro Especial sobre a respectiva investigação tão clarinada e, na prática agora, reduzida a deformada querela.que mais parece bazófia da pesada soma dispendida pela Nação para que a Justiça possa determinar se eventualmente é tipificável  e caracterizável  a postura acintosa e afrontosa da Lei assumida pelo 45º Presidente dentro de um comportamento que exige seja acionado o processo de impeachment desse alto mandatário da Repú-blica.
            Entende-se, portanto, a reação das autoridades democratas, com à frente Madam Speaker Nancy Pelosi e o chairman do Comitê Judiciário da Casa de Representantes, Jerrold Nadler, a primeira acusando o Procurador-Geral William Barr de mentir para o Congresso, e o segundo, preferindo ater-se à busca de trechos do relatório que estejam em consonância com as provas levantadas pelo parecer do relatório Mueller,e que as autoridades do GOP vêm tentando dolosamente afastar do público conhecimento.

             É decerto muito estranhável que a Nação estadunidense dispenda milhões de dólares para que o Conselheiro  Mueller  verifique se o Presidente Donald Trump terá cometido faltas que lhe justi-fiquem o Impeachment, e que, ao cabo dessa mui onerosa e dispendiosa mas relevante tarefa, se empenhe em levantar obstáculos de toda sorte para  evitar que o dito relatório possa vir a ser do pleno conhecimento público.

                Como admitir restrições à verdade, ou tentar disfarçá-la debaixo de pesados véus, como se a Senhora hipocrisia desavergonhadamente assumisse a direção de o que se torna uma ignava, desprezível farsa  A verdade não admite restrições. Nesse sentido, e para que se possam tipificar as eventuais infrações, não será por um intento deslavado de censura das conclusões a que chegou o trabalho que se atenderá ao disposto pela Constituição, quando uma dita análise das avaliações do Conselheiro Robert Mueller III venha a ser levada ao conhecimento da Nação americana. Tudo o mais corresponderia à censura ou servir aos propósitos dos sequazes do Presidente em funções.

( Fonte: The New York Times )

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Guaidó x Maduro


                                       

          De volta de rápidas  férias, para alguém que esteve afastado, a primeira reação que se tem  é a da crescente radicalização do conflito.
             No segundo dia do desencadeamento dos protestos em Caracas,  o 'autoproclamado presidente', Juan Guaidó reaparece na capital, convocando greve na administração pública a partir deste dois de maio.
              Em discurso, Nicolás Maduro acusou a oposição de querer iniciar uma guerra civil. Nesse sentido, o líder chavista insinuou que os Estados Unidos poderiam  estar por "ordenar uma invasão no país".
              Como já transpirou, sobretudo após o intento de golpe de estado a que recorrera o líder oposicionista, sem, no entanto, colher no 'high brass' que apoia Nicolás Maduro defecções de monta, reponta a dúvida de que o presidente da Assembleia Nacional estaria tentando implementar uma tática do presidente americano, em possibilidade diversionista, como insinuara conceituada revista, diante da aparente falta de êxito  dos atuais esforços.

               Haja ou não envolvimento de Donald Trump, o que por ora semelha forçoso reconhecer é que o general Padrino continua leal a Maduro, e esta por ora parece ser a reação dos chamados altos mandos.
                  Por outro lado, Leopoldo López, a quem o regime tolerava em uma prisão domiciliar, e que tem ascendência sobre Juan Guaidó, teria voltado a um maior ativismo político. Outro sinal, ainda que marginal, da crescente insegurança na Venezuela, está no incremento das expatriações voluntárias, como se verifica em Roraima, com a saída em uma única jornada de 848 venezuelanos, que se tornaram refugiados nesta terça-feira, ao preferirem sair para esse estado brasileiro, diante da prevalente insegurança no próprio país.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )