quarta-feira, 3 de abril de 2019

Pelé e Mbappé


                                
        A Copa Mundial na Rússia mostrou uma seleção do Brasil que não correspondeu ao seu renome e à sua técnica.
         Pelé, o rei do futebol, campeão mundial aos dezessete anos na Suécia (1958) encontrou-se  ontem em Paris com o craque Mbappé, do PSG, campeão mundial pela França na Rússia, aos dezenove anos.
         Foi o primeiro encontro dos dois craques que desde a Copa de Moscou trocavam mensagens elogiosas, mas que não se conheciam pessoalmente.

         "Ele (Mbappé) não precisa sair do PSG para ser eleito o melhor do mundo", disse Pelé, o maior craque de todos os tempos.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Nazismo é de esquerda ?


                             

         Para tudo há um limite, reza o princípio do bom senso. Dentro dessa lógica particular, declarar como Bolsonaro em Israel que o nazismo foi um movimento de esquerda, parece querer confundir através da perplexidade as classificações até o presente consideradas como fora de questão, dadas as óbvias origens dos movimentos que lhe deram origem.
           Como o nazismo sempre foi considerado como a expressão mais escrachada da boçal violência da direita extremista, levantar um tal argumento é querer desmontar pela perplexidade truismos já cimentados por muitos anos de avaliação.

           Quando uma das partes em uma eventual discussão mostra o seu profundo desrespeito à verdade - e como reza um princípio de lógica não se pode admitir que se neguem princípios básicos, pois tais negações inviabilizam qualquer discussão, eis que até mesmo nas disputas se deve partir de consensos partilhados.

             Negar-se a admitir premissas básicas equivale na prática a tornar inviável qualquer polêmica. E é o que ocorre quando frases como a de epígrafe desta coluna são enunciadas.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

terça-feira, 2 de abril de 2019

Derrota de Erdogan


                              
         Nas eleições para prefeito, o presidente da Turquia  Recep Erdogan,  cujo poder vinha aumentando, sofreu derrota em cidades importantes, como a capital Âncara e também muito provavelmente  em Istambul, embora haja registrado ganhos na maior parte das cidades turcas.  
           O maior revés do partido oficial foi a perda da prefeitura de Âncara, em que o candidato oposicionista, Mansur Yavas, do partido CHP  superou o representante do oficialismo.
            Também em outra grande cidade, Istanbul, a despeito de um empate técnico já  se discute a probabilidade  da derrota do AKP, diante da oposição ( CHP ).

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Crise Militar no Uruguai


                           
         Desde algum tempo - como se há de verificar pela leitura do blog - que a crise militar na República Oriental do Uruguai se vem agravando, com uma crescente participação do Presidente daquela república, Tabaré Vázquez.
          Nesse sentido, as passadas semanas registraram medidas tomadas pelo Presidente da República, Tabaré Vázquez contra a cúpula da Defesa na República Oriental, notadamente o ministro da Defesa.

         Ontem, 1º de abril,  o presidente do Uruguai decidiu destituir  o Ministro da Defesa e a cúpula das Forças Armadas.
          Eles são acusados de se omitir, quando, em 2018, um militar reconheceu haver atirado corpos no Rio Negro durante a ditadura militar (1973 - 1985).
           Políticos do país pedem que a Procuradoria apure se houve omissão dos generais por não terem informado a Justiça sobre os relatos. 
           A decisão teria causado revolta entre militares no país.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Retirada a imunidade de Juan Guaidó


                                

       O Tribunal Supremo de Justiça, da Venezuela, controlado pelo chavismo, e já famigerado pelas repetidas sentenças contra a democracia e seus defensores, retirou ontem  a imunidade parlamentar do líder da Oposição, Juan Guaidó.
       Apesar da desmoralização do TSJ, como instrumento servil da ditadura chavista,  tal decisão é de suma gravidade, no que tange à radicalização das ações da ditadura de Nicolas Maduro, na sua tentativa de intimidação do Povo e da sociedade venezuelana.
        Nesse contexto, tal decisão do TSJ  abre caminho para que o presidente da Assembleia Nacional - que se declarara em janeiro último presidente interino do país, venha a ser preso. Assinale-se a respeito que o presidente do TSJ, Maikel Moreno, também bloqueou os bens do deputado e reiterou sua proibição de deixar o país.
          A Corte tomara tal decisão ao considerar que o deputado e chefe da Assembleia Nacional, reconhecido como Chefe de Estado interino por mais de cinquenta países,infringira uma proibição de saída do país que lhe havia sido imposta em 29 de janeiro p.p. Naquele dia,o TSJ abrira investigação contra Guaidó por "usurpar" as funções do Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro.
            Guaidó saíra do país em fevereiro último e retornara em 4 de março, procedente da Colômbia, desembarcando no aeroporto internacional de Maiquetia, em Caracas.  Nessa oportunidade, o congressista fizera visita a diversos países da região, após o fracasso, em 23 de fevereiro,  de sua tentativa de fazer entrar na Venezuela doações de alimentos e medicamentos, enviados pelos Estados Unidos.
             Tal decisão, ontem anunciada pelo TSJ, é a última de uma série de medidas contra Guaidó e seu entorno, que começara há duas semanas atrás, após  a Russia ampliar seu apoio ao regime de Maduro, até mesmo com o envio de pessoal militar e equipamentos.  O chavismo vinha hesitando em agir contra o líder opositor, após receber ameaças explícitas dos EUA de retaliações, caso algo ocorresse  com Guaidó.
              A primeira ação  chavista contra Guaidó foi a prisão de seu chefe de gabinete, Roberto Marrero, em março. Na sequência, segundo a esposa do opositor, Fabiana Rosales, parentes do deputado passaram a ser hostilizados por elementos chavistas.
              Na semana passada, a Controladoria-Geral da Venezuela, obviamente também alinhada ao regime,  suspendeu os direitos políticos  de Juan Guaidó por quinze anos.
                Como se verifica pela citada reação contrária ao presidente interino da Venezuela dos órgãos chavistas, obviamente industriados e manipulados pelo regime,tudo indica esteja em curso uma ação de acosso de reação do regime de Maduro contra Guaidó. Corresponde decerto a planejamento do chavismo, e se insere em um incrementalismo que desperta preocupação.
                  Resta saber se Trump e os Estados Unidos terão algo na gaveta com vistas às ações de reação, a serem tomadas de parte do atual presidente interino da Venezuela, ou dos poderes que o aclamaram como presidente interino.   Verificado no seu contexto, parece bastante difícil que a situação atual - que difere marcadamente da passividade do chavismo na fase inicial das ações de Juan Guaidó - não venha a radicalizar-se.

( Fonte: O Estado de S. Paulo  )

Interrupção de pena após 2ª instância ?


                  

         As rediscussões de pena continuam a ressurgir na berlinda, diante da flexibilidade das regras e das mudanças na orientação da Corte Suprema, após breves intervalos decorrentes de mudanças anteriores nas decisões da mesma Corte.
        Nesse contexto, o Ministro Luis Roberto Barroso faz um diagnóstico severo: o Supremo Tribunal Federal pode perder sua legitimidade e provocar uma crise institucional se não conseguir corresponder aos sentimentos da sociedade.
        O pano de fundo dessa discussão está na reabertura da questão, por instâncias do Ministro Marco Aurélio Mello, que é defensor da tese da reanálise da questão pelo STF, após a condenação em segunda instância.
        O entendimento anterior da maioria da Corte, a que se chegara em 2016, pela manutenção da prisão em segunda instância, correspondera a uma longa campanha de imprensa, contrária ao recursismo então imperante, que habilitara a criminosos confessos a se manterem em liberdade, como no caso de Pimenta Bueno e de outros mais.
          Revoltara a Sociedade que os meios do réu - em casos de manifesta culpa - possibilitassem a extensão dos litígios judiciais, de modo a que criminosos confessos se mantivessem em liberdade, graças a disporem de meios e de bons causídicos.
          Nesse contexto, parece de grande oportunidade ter presente a argumentação do Ministro Luís Roberto Barroso: o Supremo Tribunal Federal pode perder sua legitimidade e provocar"uma crise institucional" caso a Corte "repetidamente" não consiga "corresponder aos sentimentos da sociedade". Tal assertiva do Ministro Barroso foi feita quando o ministro defendeu já existir decisão definitiva e vinculante no tribunal sobre a prisão de réus após condenação em 2ª instância.
           "Acho que nós precisamos ter isso em conta porque as instituições são os pilares da democracia. Portanto, não podemos destruir as instituições nem as instituições podem se autodestruir", afirmou o Ministro Barroso. 
            Deve-se ter presente que o STF  deve voltar a analisar a matéria no dia dez de abril. Nesse contexto, réus como o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, condenado em 2ª instância e preso pela Lava Jato, serão soltos caso o Tribunal mude  a orientação que vigora desde 2016.
            "Você pode eventualmente ser contra-majoritário, mas se repetidamente o Supremo não consegue  corresponder aos sentimentos da sociedade, vai viver problema de deslegitimação e uma crise institucional", disse Barroso ontem,1º de abril, no evento Estadão Discute Corrupção. 
               Realizada na Sede do Estado de S. Paulo, em parceria com o Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP), o ministro Barroso discutiu as operações  Lava Jato e Mãos Limpas, esta última na Itália.
               O Ministro reforçou sua posição com números. Disse que o Supremo reforma apenas 0,4% das decisões dos tribunais inferiores e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) só faz isso em 1,2% dos casos. Assim, não faria sentido, por menos de 2% dos processos, mudar a decisão do STF sobre a prisão após a 2ª instância. "Estamos falando de optar por um sistema que funciona, ou um sistema que não funciona."
       
( Fonte: O Estado de S. Paulo )

As Contradições do Brexit


                                                 
                                                           
          Através desse tortuoso processo parlamentar que vem caracterizando o que os ingleses passaram a definir como Brexit (Britain exits) desde o ano passado, o povo do Reino Unido se olha nesse espelho do futuro em busca de uma resposta existencial, mas até o presente só consegue entrever uma imagem borrada, sumamente ambígua nessa projeção de o que será essa ilha se voltar às próprias origens.
             Pois ao contrário de tantos países hoje membros da União Europeia - e nesse sentido no bloco dos seis que a ela deu início - que não trepidaram em não se deixar enlear nas respectivas tradições e práticas nacionais - afinal França, Alemanha, Itália e também o Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) deixavam para trás - ou pelo menos, como me parece mais consentâneo - traziam para o presente um passado de glórias em vários campos, que correspondiam aos respectivos traços marcantes, na plena consciência que a circunstância de recorrer a um novo modelo econômico, não deveria ser encarada como capitis deminutio política, mas sim uma adaptação a novos desafios a que os obrigava a progressão histórica.
               Se a elite política inglesa se conscientizara plenamente da necessidade de ingressar na Comunidade Econômica Europeia, uma vez superado o obstáculo representado pelo general de Gaulle ao ingresso, aqueles líderes ingleses se moviam pelo interesse de unir sobretudo os fatores eco-nômicos. Eles sentiam tal necessidade preeminente, e, portanto, as circunstâncias políticas representariam para essa elite britânica um obstáculo que deveria ser superado pelo próprio interesse maior da união (que os fez, inclusive, abandonar o seu projeto inicial, de associação sobretudo econômica diante de um valor mais alto que se alevantava).
                Não é o caso de aqui adentrar sobre valores relativos, mas não há dúvida de que os promotores da reunião da Inglaterra ao Continente sabiam muito bem do interesse maior que lhes presidia ao caminho.
                 Sem embargo, os políticos do Reino Unido - com as exceções inevitáveis - não lograram livrar-se das ilusões passadistas de uma Inglaterra rainha dos mares e grande potência, ilusões essas que seja por limitação intelectual, seja por oportunismo político, vários políticos preeminentes chegaram a concordar em realizar referendos sobre a volta ao passado, em iniciativas que refletiam a profunda ambiguidade que subsistia na antiga  Álbion, e que políticos oportunistas e de curta visão continuaram a praticar o dúbio jogo dos referendos, como se Londres pudesse dispensar Bruxelas.
                   Esse perigoso jogo - de que Tony Blair passaria incólume - acabaria com outro político mais limitado como  David Cameron, o que redundaria no referendo de 2016, quando por escassa maioria a falsa ilusão do Brexit prevaleceria.  Não faz qualquer sentido econômico que um país, após 46 anos de união com o Mercado Comum - e com a densa complementação dos diversos setores da economia que tal pressupõe - pense possível sem graves consequências para a população e para os diversos segmentos da economia, que um tal projeto - que pode agradar aos coroneis Blimp e aos nostálgicos da Inglaterra imperial - tenha condições de motivar a juventude e os demais membros da sociedade inglesa. Eles poderiam resmungar entre si contra os eventuais hábitos dos continentais, mas aqueles com intelecto e expe-riência saberiam de o que representaria um divórcio desse gênero.
                    A própria Theresa May, decerto uma apparatchick competente, a quem poderia ser confiada a secretaria do Interior, teve como primeira reação dentro do jogo político de defender  a permanência do Reino Unido, quando do primeiro referendo. As condições da realização desse referendo, em período estival, e por conseguinte com eleitorado reduzido, tenderia infelizmente a produzir um resultado distorcido, como se quase dez lustros de união pudessem ser brutalmente cortados com tanta displicência. O cas-tigo aplicado a David Cameron, seja por admitir a repetição do perigoso ritual referendário, seja sobretudo por permitir que idiossincrasias risíveis viessem a toldar-lhe a visão (os referendos sobre a continuação da união com Bruxelas mais pareciam uma concessão perigosa ao interesse do Povo inglês, como se as ilusões do fasto imperial devessem ser atendidas, não obstante os riscos que tal projeto os fazia correr).Daí o "castigo" de ter de renunciar, por falta de discernimento, a permitir a realização de tal despautério  e de sofrer as consequências 

( Fonte: The Independent )